00:00Nós temos uma amiga em comum que trabalha comigo na UFBA, mas conhece a Cláudia, social aí,
00:09e ela sempre achava, sempre achou e falava pra gente que nós tínhamos muito a ver,
00:18muitas coisas em comum, e demorou ainda um tempo até ela nos apresentar,
00:23e quando ela nos apresentou a gente passou a ser uma tarde encantadora,
00:27mas ainda assim demoramos a começar o romance, começamos acho que uns seis meses depois o romance,
00:34e de lá pra cá foi só aumentando essa interação.
00:40Embora seja advogada, a Bebel pensou politicamente, ela disse, foi um direito que foi conquistado,
00:49porque nós não vamos usar.
00:50E também nós dois somos servidoras, somos servidoras públicas, então seria formalização e legalização dos nossos direitos,
00:58diante da sociedade, porque nós temos a informação de que muitas pessoas,
01:03às vezes até pra acompanhar uma consulta médica, não tem a legalidade pra poder estar.
01:11facilidade, não tem a facilidade, não tem a facilidade, isso, e isso faz horas hétero.
01:16Então pra nós, como nós pensávamos em casar, tínhamos certeza disso,
01:22foi assegurar um direito que foi conquistado, por meio de muitas muitas.
01:26E no caso, além de fazer valer esse direito conquistado, de fazer uso desse direito,
01:33perceber que provavelmente a vida seria mais fácil, não só a questão dos direitos,
01:42falando aí do ponto de vista de partilha, de bens, de acompanhar, enfim,
01:48mas também a gente sabe que a sociedade valoriza isso, né?
01:54E a decisão por fazer o registro civil do casamento, da união, que a gente já tinha tomado a decisão
02:01de fazer,
02:04seria pra isso também, sabe?
02:06A gente sabe que a sociedade, que a gente tá junto, que isso foi pensado, que começou uma aventura,
02:15e que pra isso a gente iria fazer esse registro civil.
02:19Se você tem certeza de quem você é, o que você quer, você tem que buscar e lutar por esse
02:25direito.
02:26Então assim, nós não estamos transcritindo, seguimos respeitando todas as normas,
02:33e só estamos querendo respeito daquilo que nós decidimos fazer nas nossas vidas.
02:39E acho que no momento que a gente fez uso de um direito conquistado com luta, né?
02:48dos que vieram antes, a gente incentiva as pessoas que vivem, ou pelo menos que não têm essa força de
03:02expor a relação,
03:05elas verem, ah não, olha, foi a Cláudia e o Abel, foi tranquilo, então é possível que esteja comigo também,
03:13né?
03:13Então tem esse incentivo, nesse formato, né?
03:16Tem uma fórmula de mostrar pra sociedade que é viável, que não vai mudar em absolutamente nada,
03:27exceto o fato de que nós somos duas mulheres, né?
03:30No nosso ambiente de trabalho, na nossa família, ninguém lembra, digamos assim, que, ah é, não, elas são de fato
03:39casadas.
03:40Mas quando a gente lembra do evento em si, todos referem o evento como um evento marcante, né?
03:47Foi inclusive o primeiro evento que aconteceu na casa do professor, da Associação de Professores da UFBA, né?
03:54Foi lá dentro, então já, por si só, já era um ato político, esposa, é, exatamente, a gente...
04:02Pra demarcar essa informação, e esse estímulo que fazemos, não é, tipo, tentando te modificar a forma de você pensar
04:11e querer absorver o meio.
04:13É que se você vive um relacionamento ou um momento em que você se sinta comportado de ser quem você
04:19é.
04:20Porque, de repente, alguém pode interpretar de uma forma incorreta, que não é o caso.
04:25Eu nunca fico incentivando ninguém a mudar o seu status quo.
04:30A minha questão é respeitar e querer que as pessoas que se sintam, é, emocionalmente,
04:38estradas a estar com a pessoa do mesmo sexo, fiquem, porque é assim.
04:41É isso que você quer, é a tua vida, é o teu jeito de querer viver.
04:47Então, ninguém vai poder mudar o teu jeito.
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