- há 13 horas
O coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do Pará, promotor Danyllo Colares, afirmou em entrevista ao Grupo Liberal que o estado deixou de ser apenas rota de passagem e se tornou uma “plataforma logística do tráfico de drogas”, com atuação predominante do Comando Vermelho em quase todo o território. Segundo ele, a expansão das facções a partir de 2016 reorganizou o crime na Amazônia, conectando narcotráfico internacional, garimpo ilegal e outras economias criminosas em um mesmo ecossistema de violência e poder.
Repórter: Jéssica Nascimento
Imagem: Thiago Gomes
Repórter: Jéssica Nascimento
Imagem: Thiago Gomes
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NotíciasTranscrição
00:00O GAECO aqui do Pará, nós, nessa atual administração do Procurador-Geral de Justiça, doutor Alexandre Torinho,
00:07que assumiu agora em abril de 2025, nós nos especializamos mais do que antes na questão do combate ao crime
00:15organizado
00:17notoriamente contra as facções criminosas.
00:20Portanto, anteriormente, a abril de 2025, o GAECO atuava no combate à improbidade administrativa,
00:28ele atuava também com questões contra servidores públicos que praticavam ilícitos.
00:35De abril de 2025 para cá, o GAECO, na atual gestão, atua em auxílio aos promotores de justiça do Estado
00:42do Pará inteiro
00:43no combate às facções criminosas.
00:46Portanto, nós auxiliamos os promotores de justiça, tanto no combate às facções criminosas,
00:51notoriamente aqui no Estado do Pará, o Comando Vermelho, quase que exclusivamente,
00:56mas também contra o primeiro comando da capital e o Comando Classe A.
01:02Também nós auxiliamos os promotores nas demandas mais complexas.
01:06Por mais que não envolvam facções criminosas, mas aquelas demandas que envolvam processos muito complexos,
01:15agentes, sejam eles de grande poder econômico ou de elevado poder político,
01:21o GAECO também atua no auxílio a esses promotores de justiça.
01:25Atualmente, é a questão do tráfico internacional de drogas, a questão do tráfico de drogas regional,
01:32a questão da cooptação e violência praticado por organizações criminosas ultra-violentas
01:40e também a lavagem de dinheiro, oriunda principalmente da questão da exploração da mão de obra do interior do Estado,
01:54aquela questão de explorar os povos originais.
01:57É uma questão nova que a gente tem percebido ao longo dos últimos 20 anos,
02:02sobretudo desde 2016.
02:05A gente tem percebido uma atuação maior das facções criminosas aqui na região amazônica como um todo.
02:12O Pará, nesse contexto, desde 2016 para cá, o Pará tem ganhado uma grande relevância,
02:21sobretudo na questão do tráfico de drogas.
02:24Mas não só no tráfico de drogas, também na exploração dos crimes ambientais,
02:29na questão do garimpo, o que a gente chama de narco-garimpo.
02:33Em junho de 2016, especificamente dia 15 de junho de 2016,
02:38no município da fronteira do Paraguai com o Brasil,
02:42o Ampedro Cabalheiro, foi assassinado o Jorge Rafa Tomani.
02:49Foi até um assassinato cinematográfico, não sei se você se recorda,
02:55mas foi um assassinato no qual utilizaram um carro adaptado,
02:59eles abriram a porta do carro e nisso utilizaram uma metralhadora até .50.
03:04O Jorge Rafa estava no carro blindado.
03:08Nisso, eles metralharam o carro dele, perfurou a blindagem do carro e assassinou o Jorge Rafa.
03:14O Jorge Rafa era conhecido como o rei da fronteira.
03:17Todo o tráfico, toda a droga que entrava no Brasil passava por ele.
03:21Então, o Jorge Rafa, o que ele fazia?
03:24Ele que distribuía a droga para Comando Vermelho e para o PCC.
03:27Ele que era o fornecedor exclusivo.
03:29A partir da morte do Jorge Rafa, do assassinato dele,
03:33a rota do tráfico de drogas começou a ser disputada pelo Comando Vermelho e pelo PCC.
03:39No Brasil, a entrada de drogas possui duas grandes rotas,
03:43que é chamada a Rota Caipira, que vem lá por baixo, pelo Paraguai, Paraná, Mato Grosso e pela Rota Solimões.
03:50A Rota Solimões é aqui por cima, que vem pelo Amazonas, pelo Pará.
03:55O que acontece?
03:56A Rota Caipira, que é Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais, foi dominada pelo PCC.
04:02Como o PCC dominou a partir da morte dele, em 2016,
04:07então, o Comando Vermelho, ele correu para a Capo Norte,
04:12para assumir a Rota Solimões.
04:14Tanto que, em 2017, nós começamos a ver aqueles episódios de massacre nos presídios.
04:20Teve massacre em Altamira, teve massacre no Amazonas, teve massacre em Roraima.
04:26Então, a disputa dessa Rota Solimões, do tráfico de drogas no Solimões,
04:32começa, a droga entra no Amazonas e passa pelo Pará.
04:35O Pará, ele ganha um destaque imenso nesse contexto, a partir de 2016, por quê?
04:42O Pará, ele deixa de ser apenas um corretor de drogas e passa a ser um hub logístico.
04:50O Pará passa a ser uma plataforma logística do tráfico de drogas.
04:55Por quê?
04:56Em vez da droga só passar por aqui, o Pará começa a exportar a droga para cá.
05:02A droga entra pelo Amazonas, para aqui no estado do Pará,
05:06e daqui, o Pará começa a ter duas funções na questão das drogas.
05:10O Pará começa a abastecer o mercado nacional e começa a exportar as drogas.
05:16Daqui, ela vai para a Europa.
05:17América do Norte e para a Europa.
05:21Então, tudo aquilo que envolve o estado do Pará,
05:25começa a, o que era periférico anteriormente, até 2016, começa a ganhar centralidade.
05:33A Amazônia, ela começa a deixar de ser vista pelo poder, primeiramente, pelas facções criminosas
05:40como uma coisa periférica e começa a ganhar um papel central.
05:45Até hoje, o estado brasileiro só começou a se dar conta disso recentemente, de dois, três anos para cá.
05:53Coisa que as facções criminosas há dez anos já perceberam.
05:57O GAECO, ele procura atuar, nesses últimos anos, focado nessa demanda, nessa questão.
06:04Por quê?
06:05As facções criminosas, notoriamente, o Comando Vermelho,
06:09ela percebeu que o estado do Pará, sobretudo o estado do Pará,
06:14ele é bastante rico, não só nessa questão de servir como hub logístico,
06:19como uma plataforma logística,
06:21mas também, aqui, ele pode formar um ecossistema criminoso.
06:26Por quê?
06:27Eles começaram a perceber que aqui nós sempre tivemos questões ambientais muito severas, muito graves.
06:33Então, eles começaram a oprimir os povos originais,
06:37sejam os indígenas, sejam os quilombolas,
06:40eles começaram a oprimir e cooptar esses povos.
06:43O que já existia de extração de minério, extração ilegal de minério,
06:47extração irregular de madeira e a questão da biopirataria,
06:51as facções criminosas começaram a se inserir nesse mercado.
06:56Ou seja, aquelas pistas de pouso clandestinas,
07:00aqueles portos clandestinos que serviam para escoar o ouro ilegal,
07:06a madeira ilegal,
07:07que serviam para escoar os animais silvestres,
07:11a nossa vegetação,
07:14começaram a ser utilizados pelos traficantes,
07:17pelo narcotráfico internacional,
07:19para escoar as drogas também.
07:21Então, aquele ouro do narco garimpo,
07:25todas aquelas pistas começaram a ser utilizadas para as drogas.
07:28O dinheiro do narco garimpo começou a servir para comprar drogas.
07:32A venda de drogas começou a servir,
07:34o recurso obtido com ela começou a servir para comprar armas.
07:37Essas armas começaram a servir para oprimir a população.
07:42Então, começou a se formar um ecossistema criminoso aqui na região.
07:47Isso começou a dar trabalho não só para as forças de segurança pública,
07:51Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Federal,
07:55mas também e sobretudo para o Ministério Público e a sua inteligência.
07:59No caso, o GAECO,
08:01nós somos um grupo especial,
08:04nós somos a elite investigatória e persecutória do Ministério Público,
08:09nós somos dedicados exclusivamente para isso,
08:12nós começamos a nos aprofundar muito mais nesse tema,
08:15a estudar muito mais esse tema,
08:17nós também iniciamos uma persecução muito maior
08:20em relação a esses atores envolvidos
08:22e começamos a perceber que eles não atuam só aqui no Estado,
08:25atuam em outros Estados e até mesmo fora do país.
08:30Daí você começa a ver a complexidade do tema.
08:32Olha, foram inúmeras operações.
08:35Eu posso falar para você especificamente das operações
08:38que eu coordenei aqui nos últimos 14 meses.
08:42Recentemente, há cerca de um mês atrás,
08:45nós deflagramos a Operação Baba Yaga.
08:47A Operação Baba Yaga visava combater,
08:51nós até prendemos vários operadores financeiros do Comando Vermelho.
08:55Essa operação, por exemplo,
08:57ela funcionou para combater o seguinte esquema criminoso.
09:02várias lideranças, as principais lideranças do Comando Vermelho
09:05que atuam aqui no Estado,
09:06não permanecem aqui no Estado do Pará.
09:09Elas estão localizadas residindo no Rio de Janeiro,
09:13sobretudo lá na favela do Morro da Penha.
09:15O que acontece?
09:16As ordens para cometer os crimes,
09:19a ordem para praticar a questão da traficância de drogas,
09:23a extorsão que a gente percebe aqui,
09:26sobretudo nas periferias de Belém,
09:28parte do Rio de Janeiro.
09:29Então, o dinheiro sai do Rio de Janeiro,
09:35vem para a representante deles aqui,
09:37os operadores financeiros aqui do Pará.
09:40Daqui do Pará, esse dinheiro vai para o Amazonas,
09:43Estados, sobretudo, Amazonas, Amapá e outros Estados aqui perto.
09:47Lá, eles compram drogas, ouro.
09:51De lá, eles compram as drogas.
09:53As drogas voltam para o Pará.
09:57Daqui, elas são exportadas.
09:59Esse dinheiro que volta de drogas e é virado em armas,
10:03transformado em armas,
10:04eles voltam para o Rio de Janeiro.
10:06Ou seja, como falei anteriormente,
10:08o Pará, ele se torna um hub logístico,
10:11um hub de negociações.
10:13Então, nessa operação que nós deflagramos agora há pouco,
10:16há cerca de um mês atrás, a Baba Yaga,
10:18foi justamente contra esses operadores financeiros.
10:21Nós também damos muito apoio aqui para outros gaecos de outros estados.
10:26Nós deflagramos aqui também, em cooperação com o gaeco do Rio de Janeiro,
10:30a operação Shadowgun, que era de armas 3D,
10:34que visava combater o comércio irregular de armas 3D,
10:37armas que são fabricadas em impressoras 3D.
10:39A sofisticação do crime organizado é tão grande
10:43que até armas que funcionam realmente,
10:46são armas com letalidade muito grande,
10:49elas são feitas e revendidas na internet.
10:52Assim, há olhos vistos, assim, claramente,
10:57comercializadas na Dark Web, na Deep Web.
11:00Nós também auxiliamos o gaeco de Minas Gerais.
11:04Deflagramos aqui a Operação K9
11:05contra membros do PCC no interior do estado.
11:09Nós também deflagramos,
11:12deixe-me ver outra operação recente,
11:15que nós fizemos aqui,
11:16a Operação Raganá.
11:18Nós deflagramos a Operação Raganá
11:20contra membros do PCC,
11:21aqui em Marabá, por exemplo,
11:24no sudeste do estado.
11:25Aqui no estado, nós temos a seguinte configuração.
11:28Em quase todo o estado do Pará,
11:31o comando vermelho, ele domina.
11:34Apenas no sudeste do estado,
11:37sobretudo, Marabá, Parauapebas e Canão dos Carajás,
11:42esses três municípios, sobretudo,
11:44são áreas de influência do PCC.
11:46Entendi.
11:48Altamira é a área de influência do CCA,
11:51comando classe A.
11:53Tirando esses quatro municípios,
11:54sobretudo, os outros 140 municípios,
11:57a gente pode dizer quase que com segurança,
12:01que são áreas de influência do comando vermelho.
12:04Incluindo Belém.
12:05Isso é uma área de influência do comando vermelho.
12:08Então, visando combater a influência do PCC
12:11no sudeste do estado,
12:13nós deflagramos a Operação Raganá, fase 1.
12:16A Operação Baba Yaga,
12:17que nós deflagramos há um mês atrás,
12:19também foi a Operação Baba Yaga, fase 1.
12:22Essas operações, como elas envolvem sempre muita gente,
12:25a tendência é que terão outras fases.
12:28São sempre operações complexas que envolvem,
12:30como é uma rede muito intrincada, muito complexa,
12:33são investigações que demoram meses,
12:35chega a demorar até mesmo um ano.
12:38Então, de acordo com isso,
12:40a gente vai fazendo operações em cima de operações,
12:43fase em cima de fase.
12:45Nós deflagramos cinco operações.
12:46Cinco operações.
12:47Cinco operações.
12:48Ao longo da fase inteira,
12:50eu até separei uns dados aqui.
12:52Nós denunciamos, por crime organizado,
12:56seja por integrar facção criminosa,
13:00seja por colaborar com a organização criminosa,
13:05nós denunciamos 533 pessoas,
13:08homens e mulheres,
13:09que ou integravam,
13:11ou favoreciam,
13:12ou colaboravam por crimes.
13:14533 pessoas.
13:17E nós colaboramos para a prisão
13:19de 309 pessoas.
13:22É aquela tal situação.
13:23Quando nós conversamos com outros atores
13:27da segurança pública,
13:29uma coisa importante destacar também,
13:31nós sempre trabalhamos em conjunto.
13:33No Ministério Público,
13:34nós não atuamos sozinhos.
13:36A gente precisa muito
13:38das forças de segurança pública.
13:39E nós estabelecemos um diálogo
13:41sempre muito claro e direto com eles.
13:43Tanto com a Polícia Civil,
13:45na pessoa do Delegado-Geral Benassuri,
13:47na pessoa do Delegado Adjunto,
13:49o Temer Kayate,
13:51quanto com a Polícia Militar,
13:54quanto o Secretário de Segurança Pública,
13:58o Coronel Edlin.
14:01Nós atuamos muito em parceria com eles.
14:04Nós trocamos informações o tempo inteiro.
14:06Nós nos falamos quase praticamente todos os dias.
14:10Nós trocamos mensagens,
14:12ligações o dia inteiro.
14:13Então, com o pessoal da FICO,
14:15a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado também,
14:18a FICO é uma junção,
14:19a Polícia Civil e a Polícia Federal.
14:21Então, nós sempre atuamos em parceria com eles.
14:25As pessoas que são denunciadas,
14:26esses 533,
14:28foi em parceria com eles.
14:30As 309 prisões foram em parceria com a FICO,
14:34com a Polícia Civil,
14:35com a Polícia Militar.
14:37Todos eles, nós atuamos em conjunto.
14:39Todos nós, eu gosto de pensar nisso,
14:41e também, no dia a dia,
14:43eu tenho essa comprovação,
14:44nós somos servidores públicos,
14:46homens e mulheres,
14:48que nós somos comprometidos com essa causa,
14:50realmente, de combater o crime organizado.
14:53é uma pauta primordial
14:57do meu Procurador-Geral de Justiça.
14:59O doutor Alexandre Torino,
15:01desde o início,
15:02quando ele assumiu,
15:03dia 14 de abril de 2025,
15:05ele deixou muito claro,
15:06até no seu próprio discurso de posse,
15:09o grupo liberal teve lá,
15:10teve presente na cobertura
15:12da solidariedade de posse dele,
15:14ele deixou muito claro.
15:15A prioridade dele
15:17era combater o crime organizado.
15:19Então, ele montou um aparato grande
15:23aqui para a gente.
15:25Nós estamos aqui nesse prédio
15:26desde junho do ano passado.
15:28Ele equipou,
15:29nos deu muito mais policiais militares
15:31do que nós tínhamos.
15:32Ele aumentou o número de investigadores
15:34que o GAECO tem,
15:36o número de promotores
15:36que faz parte do GAECO.
15:38Então, para a gente conseguir chegar
15:40nesse número expressivo,
15:42533 pessoas denunciadas,
15:44309 pessoas presas
15:46em 14 meses,
15:48é muita gente.
15:49Como eu lhe falei,
15:51para investigações que demoram meses,
15:54imagina.
15:55Então, para a gente conseguir ter
15:57esse retorno,
15:58que eu imagino ser muito positivo,
16:00é porque é uma atuação conjunta
16:03de muitos servidores públicos,
16:05de muita gente atuando em conjunto.
16:08Graças a Deus,
16:09a gente aqui no Pará,
16:10a gente consegue trabalhar
16:11em harmonia em relação a isso.
16:13O GAECO,
16:14a gente tem um papel importante
16:15porque nós temos
16:17o poder postulatório.
16:18a gente tem o poder
16:19de postular em juízo.
16:21Nós recorremos em juízo.
16:23O que significa postular em juízo?
16:24Nós somos os titulares
16:27da ação penal.
16:28Quem pode fazer a denúncia
16:30é único e exclusivamente
16:31o Ministério Público.
16:32Então, o GAECO,
16:34por mais que a autoridade policial
16:35faça o inquérito policial,
16:37que a autoridade policial
16:38faça o requerimento de prisão,
16:40tudo passa pela gente.
16:42Tudo passa pelo Ministério Público.
16:44A gente que se manifesta
16:45favorável ou não pela prisão,
16:47nós fazemos o requerimento
16:48direto da prisão,
16:49mas quando eu tenho
16:50um requerimento de denúncia,
16:51esses 533 denunciados,
16:54só quem pode denunciar
16:55somos nós.
16:56Somos o Ministério Público
16:57por meio do GAECO.
16:58Então, quando o GAECO
16:59denuncia alguém,
17:01é porque tem
17:02um arcabouço todo atrás.
17:04Seja dos nossos investigadores aqui,
17:07seja da Polícia Civil,
17:08seja da FICO,
17:10ou seja,
17:11é todo um conjunto.
17:12Quando tem alguma decisão
17:14judicial contrária a nós,
17:16só quem pode recorrer
17:17a essa decisão somos nós.
17:19O Tribunal de Justiça,
17:20inclusive,
17:21acho importante destacar isso,
17:24ele está sendo bem sensível
17:25a essa questão.
17:26Os desembargadores
17:28que julgam nossos recursos,
17:31eles são muito favoráveis
17:33aos nossos pedidos.
17:34Eles conseguem reverter
17:36as decisões do juiz
17:37primeiro grau,
17:38decretam várias e várias
17:40prisões,
17:41eles mudam a decisão
17:42do juiz que indefere prisões,
17:44que não recebe denúncias.
17:46A partir dos nossos recursos
17:48do GAECO,
17:49os desembargadores
17:50façam que o juiz
17:52receba a denúncia,
17:53decretam várias prisões
17:56de outras pessoas,
17:57o que faz,
17:58no nosso entendimento,
17:59óbvio,
17:59do GAECO,
18:00com que a sociedade paraense
18:02fique melhor protegida,
18:03melhor assistida.
18:04Por exemplo,
18:06como ele falei
18:07da Operação Baba Yaga,
18:08que nós deflagramos
18:09há cerca de um mês atrás,
18:11nós conseguimos
18:15levantar
18:15que a movimentação
18:16feita por esse grupo criminoso
18:18foi cerca de 57 milhões
18:22de reais
18:23que eles movimentaram
18:24em quatro anos.
18:27Só nessa operação?
18:28Só nessa operação.
18:30Foi 57 milhões de reais
18:31só nessa operação.
18:33Então,
18:34daí você consegue perceber
18:36de como um pequeno núcleo.
18:38A Operação Baba Yaga
18:39teve como alvo
18:39apenas cinco pessoas.
18:41Só cinco.
18:43Nas demais operações,
18:44na Raganá,
18:45por exemplo,
18:46que foi a que nós deflagramos
18:47contra a integrante do PCC
18:49lá em Marabá,
18:51na Raganá,
18:51por exemplo,
18:52essas pessoas,
18:53elas eram
18:55as que cumpriam
18:56as ordens
18:57que vinham de São Paulo,
18:58dos diretores
18:59do PCC de São Paulo.
19:02É difícil
19:02da gente fazer
19:03uma estimativa
19:04de quanto é alesado
19:06os cofres públicos
19:06aqui no estado do Pará,
19:08porque teria que fazer
19:09o levantamento
19:09junto à Cefa,
19:10junto à questão
19:11de tributos,
19:12impostos,
19:13os números concretos
19:14que a gente consegue mostrar
19:15para você agora
19:16e lhe dizer
19:16são desses
19:17da Operação Baba Yaga.
19:18Em apenas uma operação,
19:20em apenas uma,
19:21eu consigo lhe mostrar
19:22esses dados
19:23que são de 57 milhões
19:25de reais
19:26movimentados
19:27por apenas cinco pessoas
19:28ligadas ao comando vermelho.
19:30Então daí você imagina
19:31o quantitativo
19:32de quantos criminosos
19:34eles não movimentam
19:35aqui,
19:36que passam o dinheiro
19:37pela economia paraense.
19:38Os maiores desafios
19:39são identificar
19:40essas pessoas
19:41que fazem
19:42essas atividades ilícitas.
19:44como eu falei
19:45para você
19:46agora há pouco,
19:46essa questão
19:47da complexidade
19:48dos atores
19:49envolvidos
19:50é que gera
19:51a maior dificuldade.
19:53Como o Pará
19:55exerce o papel
19:56central
19:57nessa questão
19:58da distribuição
20:00de drogas,
20:01da questão
20:02da exploração
20:03ilegal da madeira,
20:04da exploração
20:05ilegal do minério,
20:06da questão
20:06da exploração
20:07dos povos
20:08tradicionais,
20:08são vários
20:10atores
20:10que são
20:10responsáveis
20:11tanto pelo
20:12comércio
20:13ilegal da madeira
20:13e a sua extração
20:14quanto são
20:15outros atores
20:16que fazem,
20:17são responsáveis
20:18pela extração
20:19ilegal do minério,
20:20que são outros
20:21atores que
20:22exploram
20:22e cooptam
20:23os povos
20:24tradicionais.
20:25Então,
20:25para cada crime
20:26desse,
20:27nós temos que
20:27dedicar
20:28alguns investigadores
20:30só para quem faz
20:31a extração
20:32ilegal
20:32de minérios,
20:33nós temos que
20:34dedicar
20:34uma série de medidas
20:36extrajudiciais
20:37cautelares
20:38para ver
20:38quem é que
20:39pratica as distorções
20:40nas periferias
20:41da cidade,
20:42nós temos que
20:42identificar
20:43quem é que
20:43é responsável
20:44pela encomenda
20:46de drogas
20:47de outros estados,
20:48nós temos que
20:49identificar,
20:49como eu falei,
20:50na questão
20:50da Operação
20:50Baba Yaga,
20:51quem são os atores
20:52que recebem o dinheiro
20:53no Rio de Janeiro,
20:54porque as facções
20:55criminosas,
20:56elas são bem
20:56estruturadas,
20:58nós temos os tesoureiros
20:59que cuidam do dinheiro
21:01administrado,
21:02nós temos os
21:03organizadores de missão
21:04que são aqueles
21:05exclusivos
21:06que exercem o papel
21:07de dizer
21:08você,
21:09você e você
21:09são responsáveis
21:10por fazer isso,
21:11por cometer os crimes,
21:13nós temos os
21:14conselheiros de missão,
21:16que são aqueles
21:16que ditam as regras,
21:18nós temos o
21:19conselho final,
21:20que são aqueles
21:21que estão no Rio de Janeiro,
21:22que escolhem
21:23os que vão fazer
21:23as missões,
21:25então tem toda
21:25uma cadeia de comando
21:27organizada
21:27e estruturada,
21:29então nós temos
21:29que identificar
21:30quem deu a ordem,
21:32quem faz parte,
21:33que vai designar
21:34a pessoa que vai cumprir,
21:36quem está cumprindo
21:37e quem é que está lá
21:38na ponta
21:39fazendo tal missão,
21:40então o nosso
21:41maior desafio
21:42é identificar
21:44quem são
21:45essas pessoas
21:46e o que elas
21:47estão fazendo,
21:48por que
21:49identificar essas pessoas
21:50é tão ruim?
21:52Porque anteriormente,
21:53antes desse episódio
21:55de 2016,
21:56que eu lhe falei
21:57da morte do
21:58Jorge Rafa,
21:59lá na fronteira
22:00Paraguai-Brasil,
22:01em Juan Pedro Cabalheiro,
22:04o Pará,
22:05ele era só
22:06rota de passagem
22:07de tráfico de drogas,
22:08depois da morte dele,
22:10que o comando vermelho
22:10veio para cá
22:11para dominar
22:12a rota Sonimões,
22:13o Pará
22:14deixou de ser periferia
22:15e passou
22:16a ser o centro
22:17de distribuição
22:18de drogas,
22:19então,
22:20a questão da violência
22:22que existia
22:22aqui no Pará,
22:23que era uma violência
22:24só de medo,
22:26era uma violência
22:27que tinha
22:28uma função
22:28de instrumento,
22:30essa violência
22:31ela passou
22:32a ser central,
22:33a violência
22:34utilizada
22:34pelas facções
22:35criminosas,
22:36ela passou
22:36a ser uma violência
22:37organizadora,
22:39essa violência
22:40ela passou
22:41a definir
22:42territórios,
22:44essa violência
22:44passou
22:45a coagir
22:47populações,
22:48essa violência
22:49passou
22:50a decidir
22:51questões,
22:52por exemplo,
22:53em bairros,
22:55não cometam
22:56crimes aqui,
22:57se vocês
22:58cometerem crimes,
22:58a polícia
22:59vai vir aqui,
23:00e eu não quero
23:01polícia aqui,
23:02então,
23:03para você ver
23:04como a questão
23:05da violência,
23:06ela deixou
23:06de ser apenas
23:07ameaçadora
23:08e passou
23:08a definir
23:09territórios,
23:10aqui nesse bairro
23:11não entra ninguém,
23:12eles picham,
23:13você vê,
23:14lá no sudeste do estado,
23:15eles picham
23:15PCC,
23:16a violência
23:17passou
23:18a definir
23:18territórios,
23:20a violência
23:20passou
23:21a definir
23:21hierarquias,
23:23quem manda
23:23aqui é o
23:24torre fulano
23:24de tal,
23:25a violência
23:26passou
23:26a coagir
23:28populações
23:29originárias,
23:30você que é o líder
23:31aqui dessa tribo,
23:33você responde
23:33a mim,
23:34você que é o líder
23:35dessa comunidade
23:36quilombola,
23:37você responde
23:38a mim,
23:39essa sua área
23:40aqui,
23:40que tem
23:40extração de garimpo,
23:42então,
23:43você vai deixar
23:44assim,
23:44essa extração
23:45irregular de garimpo
23:46acontecer,
23:47senão vocês vão
23:48se ver,
23:49e grande parte
23:50dessa violência
23:51ocorre porque
23:52o estado,
23:53o nosso estado
23:54é muito grande,
23:55então o estado,
23:56enquanto presença,
23:57ele é muito ausente,
23:59nós temos fronteiras
24:00porosas aqui na região
24:01amazônica como um todo,
24:03o estado da Amazônia,
24:04o estado do Pará,
24:05como eles têm
24:05fronteiras porosas,
24:07nós não temos
24:07gente suficiente
24:08para fiscalizar
24:09todas as fronteiras,
24:11fica muito fácil
24:12para o crime
24:13organizado,
24:14se locomover,
24:15ao passo que
24:16a segurança pública
24:18e nós do Ministério Público
24:19temos dificuldade
24:20de correr atrás,
24:21para nós conseguirmos
24:23achar alguém
24:23da população
24:24que supere
24:26essa barreira
24:27do medo
24:27e fale para a gente,
24:29faça uma denúncia
24:30para a gente
24:31e digo o que está acontecendo,
24:32é muito difícil,
24:34é mais fácil
24:35nós conseguirmos
24:35prender alguém
24:36e por meio
24:37dessa prisão
24:38nós temos acesso
24:39a alguma informação
24:41que ela tenha,
24:43e a partir dessa informação
24:44a gente começa
24:44a puxar um fio
24:45e a partir desse fio
24:47nós conseguimos
24:48chegar a uma informação
24:49grande,
24:50é muito mais fácil
24:51através de uma prisão
24:52a gente conseguir
24:52informações
24:53do que alguém
24:54do local
24:55falar uma coisa
24:56para a gente,
24:57para você ver
24:57como o papel
24:58da violência
24:59mudou,
25:00desde 2016
25:01para cá
25:01a violência
25:02que tinha papel
25:03secundário
25:04possa até papel
25:05principal.
25:05Música
25:09Música
25:11Música
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