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História original licenciada como CC-BY-SA.
Adaptação do texto original, narração e edição: Extro

História Original: https://creepypasta.fandom.com/wiki/Arizona
Autor: Anônimo

Músicas:

REPULSIVE - Confusion: https://www.youtube.com/watch?v=tWLsrVs26LQ
ThrillShowX - Horror Ambience Music[Quiet]: https://www.youtube.com/watch?v=paRR1vXGgck

#creepypasta #conto #sobrenatural #paranormal #fantástico

Categoria

😹
Diversão
Transcrição
00:14Foi para o aniversário dela e levei minha namorada, Kate, para o Arizona, para que pudéssemos
00:23ficar com alguns amigos dela e passar algumas semanas festejando e nos divertindo bastante.
00:28Antes de voltarmos para as aulas, fomos no carro do meu pai, que é um Ford bem antigo e que
00:37estava bem detonado.
00:39A estrada era longa e esburacada e nosso relacionamento pareceu se fortalecer na estrada.
00:47Nós estávamos realmente apaixonados e havia sido a primeira vez que eu realmente havia
00:55percebido isso, já que eu nunca tinha me apaixonado de verdade antes.
01:01Estávamos mais ou menos na metade do caminho quando percebemos que ficaríamos sem gasolina
01:08muito antes do posto mais próximo.
01:11Kate estava com a cabeça para fora da janela, usando óculos escuros por causa do sol escaldante
01:18lá fora.
01:19Não havia nada além da paisagem desértica e selvagem à vista em todas as direções.
01:27E começamos a entrar em pânico.
01:30Não tínhamos visto outro carro na estrada há quase uma hora.
01:34E se o carro quebrasse ali, no meio do deserto, sem comida nem água, sem ninguém para nos encontrar?
01:42Acelerei um pouco, impulsionado por esses medos.
01:47Foi então que nos deparamos com um posto de gasolina, bem no meio do nada, num lugar seco
01:54e deserto.
01:55Era um posto velho e decadente.
01:58A grama alta e amarela balançava o vento em torno dele.
02:03E do lado de fora havia duas bombas de gasolina enferrujadas.
02:08A princípio, não sabíamos se estava funcionando.
02:12Parecia tão sem vida.
02:15Mas, quando paramos e vimos as manchas de gasolina na terra, tivemos certeza do contrário.
02:23Kate desceu e começou a abastecer o carro.
02:26E eu entrei para pagar e comprar algo para comer na estrada.
02:31Quando tentei abrir a porta pela primeira vez, ela emperrou.
02:36Isso me incomodou.
02:37Então, olhei para a placa para verificar e fiquei aliviado ao ver que a loja estava
02:43aberta.
02:45De acordo com a placa rasgada que estava pendurada entre as cortinas amarelas e desbotadas da
02:51janela da porta.
02:53Empurrei com mais força e consegui entrar na loja.
02:57Por dentro, estava completamente abandonado e em ruínas.
03:02Prateleiras inteiras estavam no chão.
03:04As geladeiras estavam quebradas e cacos de vidro cobriam o piso.
03:09E, apesar da claridade lá fora, o interior do posto de gasolina estava escuro e extremamente
03:17frio.
03:17Então, ouvi por trás de mim um choro baixo, como o de uma criança, e senti o meu coração
03:25disparar.
03:26O som vinha do depósito.
03:30Passei por cima dos cacos de vidro e dos pedaços de metal retorcido no chão, por cima dos tufos
03:38de grama que tinham crescido e passei a mão pela parede, sentindo a era entrelaçada sobre
03:45os meus dedos.
03:48O choro recomeçou e, agora, eu estava de frente para a porta dos fundos.
03:56Empurrei a porta e ela rangeu com a ferrugem nas dobradiças.
04:01Lá dentro havia vários degraus de madeira que davam para um porão.
04:06Estava tudo escuro como o breu e o cheiro era horrível.
04:11O som do gotejar de água me alertou para o fato de o porão estar alagado.
04:17A água chegava aos meus joelhos.
04:20Novamente, ouvi o choro e um respingo de água no canto mais distante do porão.
04:27— Olá!
04:28Tem alguém aí?
04:30Eu gritei.
04:32Comecei a me aproximar do canto.
04:35O cheiro era horrível.
04:37E a água fria começou a me afetar.
04:40O sol lúcio estava ficando mais alto.
04:43E jurei ter visto algo se mexendo entre as sombras.
04:48— Oi?
04:49Tudo bem?
04:50O que houve?
04:51Eu perguntei de novo.
04:54Finalmente, cheguei no canto.
04:56Ainda estava escuro.
04:58Então, tive que me abaixar para evitar os canos.
05:01E mesmo assim, eles ainda arroçavam pelas minhas costas.
05:05E a figura à minha frente era muito pequena e escura, encurvada, solução do baixinho, com a cabeça entre as
05:15mãos.
05:16— Por que você está aqui embaixo?
05:18Eu sussurrei.
05:19Então, parou completamente de se mover.
05:24Ficou totalmente imóvel.
05:26E todo o ruído pareceu cessar.
05:29Exceto pelo gotejar de um cano quebrado em algum lugar atrás de mim.
05:35Estendi a mão para tocar o seu pequeno ombro.
05:39Mas então, ele começou a se virar lentamente em minha direção, para me olhar nos olhos.
05:48Enquanto o seu rosto se virava para me encarar, eu me lembro de gritar e de erguer a cabeça bruscamente,
05:57abatendo nos canos acima.
05:59O rosto era branco como um lençol e pálido, com uma horrenda máscara em movimento.
06:08Os olhos e a boca eram buracos negros, enormes e que se alargavam ainda mais enquanto eu os encarava.
06:17Eram tão grandes que quase consumiam todo o seu rosto.
06:21Enquanto eu tentava desesperadamente escapar, ele pulou em minha direção em alta velocidade.
06:28Esticando seus longos e finos dedos.
06:32Ele uivava agora, me encarando com seus enormes olhos negros.
06:38Enquanto eu subia correndo as escadas com grande dificuldade, eu senti minhas pernas começando a fraquejar.
06:46A coisa saiu correndo da água e subiu as escadas na minha direção.
06:51Bati a porta, tranquei e saí da loja em disparada, entrando no meu velho forte.
06:58Quando Kate me viu com as calças jeans molhadas, ela começou a rir.
07:03Eu estava tremendo e suando frio.
07:06Mas eu a sacudi e gritei para ela dirigir.
07:10Por cerca de mais ou menos meia hora, eu não conseguia contar a ela o que tinha acontecido dentro da
07:16loja.
07:17Ela olhava para mim com um olhar de estranheza e horror.
07:23Até que, finalmente, eu consegui contar tudo.
07:28Ela encostou o carro no acostamento e começou a chorar.
07:32E eu perguntei o que havia de errado.
07:34Eu vi algo enquanto você estava fora, enquanto você estava na loja.
07:41Eu estava justamente colocando a bomba de volta quando vi uma menininha e um homem.
07:47O pai dela, eu acho.
07:49O pai me encarou com os olhos vazios e o queixo caído.
07:53Mas a menina, meu Deus, a menina, ela estava olhando diretamente para mim, com um sorriso enorme que se estendia
08:04por todo o rosto.
08:06Eu não conseguia ver nenhum fio de cabelo nela.
08:10E a pele dela era tão escura.
08:12Não escura como a de uma menina negra, mas escura como se fosse uma sombra.
08:19E o sorriso dela simplesmente brilhava através dessa escuridão.
08:26Eu me convenci de que era uma ilusão de ótica e desviei o olhar.
08:31Quando olhei de novo, eles já tinham sumido.
08:34E aí, um pouco depois, você voltou.
08:37Já era o crepúsculo.
08:39Não tínhamos onde ficar.
08:41Não tínhamos viajado nem perto do que esperávamos naquele dia.
08:47E, para chegarmos a um motel mais próximo, isso significava que teríamos que voltar e passar novamente pelo posto de
08:56gasolina.
08:57Então, simplesmente dirigimos pela beira da estrada até chegar a uma clareira um pouco mais adiante.
09:05Onde, aparentemente, às vezes, algumas pessoas acampavam.
09:10Obviamente, nós tínhamos chegado na noite seguinte a uma grande festa.
09:16Havia garrafas vazias por toda a parte.
09:20Quando chegamos, porém, não havia sinal de nenhuma pessoa.
09:25Depois de algum tempo, eu tentei tranquilizá-la, dizendo que estava tudo bem.
09:31A acalmei, a abracei e começamos a nos beijar.
09:36Quando, de repente, ela começou a gritar como se não houvesse um amanhã.
09:41É ela! É ela!
09:43Tentando ligar o motor às pressas.
09:46Eu me virei a tempo de ver um pequeno rosto negro sorrindo de orelha a orelha.
09:52Ela estava rastejando para dentro do carro pela minha janela aberta, com os membros estendidos como se fosse um inseto.
10:01Havia membros demais, braços compridos demais.
10:06Seus dedos começavam a tatear o meu rosto como se fossem antenas.
10:12Quando nós aceleramos e conseguimos voltar para a estrada.
10:16De volta à estrada, nada parecia certo.
10:20Não havia estrelas no céu noturno.
10:23Essa foi a primeira coisa que notei.
10:26Mas estava tão abalado que, de início, eu não pensei muito nisso.
10:32Mas não havia nuvens que pudessem estar encobrindo a escuridão.
10:37Havia apenas o vasto céu noturno, completamente sem luz.
10:43Então, alguns minutos, com o carro ainda acelerado e ainda suando e respirando com dificuldade,
10:51passamos pelo poço de gasolina.
10:54E meu coração disparou.
10:57O poço ficava a pelo menos meia hora de distância na direção oposta.
11:03Todas as luzes estavam acesas e vi a porta se abrindo.
11:08Quando passamos por ele em alta velocidade,
11:12Kate estava tão histérica que mal conseguia continuar dirigindo.
11:17Paramos o carro no meio da estrada deserta.
11:21Decidi que devíamos trocar de lugar para que eu pudesse dirigir.
11:25Ela começou a se ajeitar do banco dela para o meu e eu abri a porta para sair.
11:32Assim que saí, senti o cheiro nauseabundo do porão me dominando.
11:37Engasguei e vomitei na lateral do carro.
11:41Foi então que notei a coisa correndo.
11:44Uma coisa branca e pálida correndo em nossa direção através da neblina.
11:49Seus membros praticamente eram borrão.
11:53E não conseguia distinguir nenhum rosto.
11:57Há quanto tempo aquilo estaria nos seguindo?
12:00Talvez correndo atrás de nós durante toda a noite.
12:04Entrei no banco do motorista o mais rápido possível.
12:09Saímos dirigindo novamente,
12:11sem dizer uma palavra.
12:14Kate choramingava.
12:14E eu?
12:16Eu rezava em silêncio.
12:18Então, passamos pelo posto de gasolina mais uma vez.
12:23A porta estava aberta e havia duas figuras paradas na porta.
12:28Como se estivessem esperando algo.
12:31Foi quando ambos percebemos um choro baixo.
12:35Quase inaudível vindo do banco de trás.
12:38Nenhum de nós ousou se virar.
12:42Ignore isso.
12:44Eu sussurrei com as mãos trêmulas agarradas ao volante.
12:49Kate estava encolhida em posição fetal,
12:53segurando a cabeça entre as mãos.
12:55O som do choro aumentou,
12:58se tornando extremamente alto,
13:01ensurdecedor e horrível.
13:03Até que, finalmente,
13:06o meu cérebro ordenou a mim mesmo que olhasse para trás.
13:10Por um breve instante,
13:12pensei que fosse uma garota de vestido branco olhando para mim.
13:17Mas ela assumiu tão rápido quanto apareceu.
13:22Verifiquei os assentos cuidadosamente.
13:25Mas não havia nada.
13:27No meu cansaço e medo,
13:29eu sentia que perdia completamente a sanidade no meio daquela estrada.
13:35Continuei dirigindo.
13:37E Kate choramingava a noite toda.
13:41Toquei nela uma vez, mas ela gritou.
13:43Não tentei mais depois disso.
13:46E os ruídos vindo do banco de trás recomeçaram.
13:51Passamos pelo posto de gasolina mais duas vezes.
13:55E as pessoas na porta estavam mais perto
13:58e cada vez mais nítidas a cada passagem.
14:02Uma leve luminosidade avermelhada
14:06começava a se instalar no horizonte.
14:09Ainda estava escuro como o breu,
14:11mas pelo menos eu conseguia ver a estrada à minha frente.
14:16Kate agora estava em silêncio,
14:18com o rosto escondido sob as mãos há algum tempo.
14:22Decidi verificar as horas e liguei o rádio.
14:26A princípio, só havia estática.
14:29Em vez de horas ou qualquer outra coisa,
14:32o relógio digital simplesmente aparecia preto.
14:36Mexi no dial, tentando mudar de estação.
14:41Entre a estática encontrei apenas um canal audível.
14:45Havia um zumbido agudo ao fundo.
14:48E um homem murmurava nomes e números baixinho.
15:04Voltei com o rádio para a estática.
15:07Eu senti que sabia qual nome viria a seguir.
15:11Quando chegamos à casa das amigas de Kate,
15:15já era de manhã.
15:16O céu estava nublado e tudo cheirava a chuva.
15:20As amigas dela não estavam em casa.
15:24Elas moravam no interior, bem longe,
15:27sem ninguém por perto, num raio de um quilômetro e meio.
15:32A grama estava subindo pelas paredes do lado de fora.
15:36Afinal de contas, há quanto tempo elas estariam fora de casa?
15:41Assim que entramos, Kate começou a choramingar de novo.
15:45Percebi que, enquanto estiveram em silêncio,
15:49ela mordiu o lábio.
15:51O sangue escorria pelo queixo
15:54e a pele ao redor da boca estava ferida e roída.
15:58Ela pegou um jornal e uma fita adesiva
16:01que estava sobre a mesa e começou a bloquear as janelas.
16:06Depois dos acontecimentos da noite anterior,
16:09eu realmente não sabia se seria loucura me juntar a ela
16:13ou tentar impedi-la.
16:15Então eu simplesmente observei.
16:18Ela cobriu as janelas,
16:20trancou a porta e apagou as luzes.
16:23Por algum tempo,
16:24talvez minutos ou horas,
16:26nós ficamos sentados em silêncio no escuro.
16:29Eu me ofereci para ligar a televisão,
16:32mas Kate não disse nada.
16:34Ela ficou sentada com um olhar vago
16:38como se estivesse catatônica.
16:40Mesmo assim, liguei a televisão.
16:43Uma imagem granulada em preto e branco
16:47ganhou vida diante de nós.
16:49Um rosto branco com olhos vazios
16:52e um sorriso absurdamente enorme surgiu.
16:56O sorriso ficando cada vez maior
16:59quanto mais tempo nós olhávamos para ele.
17:02Ouvimos um choro.
17:03Vinha da televisão de dentro de casa.
17:06Eu não conseguia distinguir.
17:09Eu desliguei a TV.
17:12Já se passaram três dias inteiros.
17:15Não vi Kate em nenhum momento hoje.
17:19Ela passa o tempo no armário, chorando.
17:22Uma vez,
17:24abri a porta com violência e gritei com ela.
17:27Ela gritou de volta,
17:29com o rosto contorcido
17:31em algo grotesco e desumano.
17:33Bati a porta na cara dela.
17:36O telefone toca com frequência.
17:40Uma voz,
17:41acredito que seja, da minha mãe,
17:44sussurrando baixinho.
17:46Só consigo captar fragmentos do que ela diz.
17:51Volte sempre.
17:53Você será sempre bem-vindo de volta.
17:56E, às vezes, eu ouço risinhos baixinhos ao fundo.
18:02Normalmente, desligo o telefone sem dizer nada.
18:06A luz do banheiro estava acesa,
18:09brilhando por baixo da porta.
18:11Ouvi o chuveiro ligado e, quando entrei, não encontrei nada.
18:15Absolutamente nada.
18:18Então, enquanto estou no banheiro, eu ouço a televisão se ligando novamente.
18:23O rosto está lá novamente.
18:27Ao fundo, se ouvem vozes murmurando.
18:30Liguei para a polícia, duas vezes.
18:34Só consigo ouvir a voz sussurrando da atendente.
18:38Liguei também para as amigas da Kate, sem sucesso.
18:42E agora, batidas na porta com frequência.
18:47Através do jornal do outro lado da janela,
18:50eu vejo as silhuetas das mãos deles batendo no vidro e deslizando para baixo.
18:56Às vezes, fazem isso por horas sem parar.
19:01Eles pressionam os olhos contra o vidro.
19:05Através dos buracos no papel.
19:08À noite, ouvimos gritos vindos do quarto de hóspedes.
19:13Eu o bloqueei com tábuas.
19:17Às vezes, encontro pequenos pedaços de vidro no chão.
19:23Há cerca de um dia, surgiu vazamento no meu quarto, no andar de baixo.
19:29Manchas pretas de mofo apareceram nas paredes.
19:33E há um cheiro por toda a casa, que vem do meu quarto, do odor de decomposição.
19:40Eu rezo e rezo em vão.
19:44E desejo, juro por Deus que desejo, nunca ter saído daquele carro.
19:55Aplausos.
19:57Amém.
20:27Amém.
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