3 Creepypastas sobre T3RROR SUBTERRÂNEO
Adaptação do texto original, narração e edição: Extro
Os 32: https://www.reddit.com/r/nosleep/comments/5zzoj7/the_32/
As Câmaras de Pedra https://creepypasta.fandom.com/wiki/Stone_Chambers
A Boca de Deus: https://creepypasta.fandom.com/wiki/God%27s_Mouth
Músicas:
REPULSIVE - Confusion: https://www.youtube.com/watch?v=tWLsrVs26LQ
REPULSIVE - Cry Of The Unheard: https://www.youtube.com/watch?v=5uSKe49aUtg
#creepypasta #conto #sobrenatural #paranormal #fantástico #caverna #exploração #horror
Adaptação do texto original, narração e edição: Extro
Os 32: https://www.reddit.com/r/nosleep/comments/5zzoj7/the_32/
As Câmaras de Pedra https://creepypasta.fandom.com/wiki/Stone_Chambers
A Boca de Deus: https://creepypasta.fandom.com/wiki/God%27s_Mouth
Músicas:
REPULSIVE - Confusion: https://www.youtube.com/watch?v=tWLsrVs26LQ
REPULSIVE - Cry Of The Unheard: https://www.youtube.com/watch?v=5uSKe49aUtg
#creepypasta #conto #sobrenatural #paranormal #fantástico #caverna #exploração #horror
Categoria
😹
DiversãoTranscrição
00:15Muitos de vocês provavelmente já ouviram falar do acidente da Minas Chilene em 2010,
00:21também conhecido como Los 33, devido aos 33 mineiros presos no subsolo.
00:31É incrível que todos os 33 tenham sobrevivido aos 69 dias que passaram lá, até serem resgatados.
00:41Houve um verdadeiro circo midiático em torno disso.
00:46Cerca de um bilhão de pessoas assistindo ao resgate pela TV ou pela internet.
00:51Havia tanta notícia que um fato acabou sendo completamente ofuscado.
00:57E que para mim esse é o mais importante de todos.
01:01Comecei a me interessar pelo assunto por causa de um trabalho escolar que estava escrevendo.
01:08Mencionei o trabalho para o meu avô.
01:10O que foi um erro terrível, porque ele é fã de tudo relacionado à escola.
01:16Ele estava tentando convencer minha mãe a me matricular em uma escola preparatória para o programa de bacharelado internacional logo
01:26na primeira série.
01:28Segundo ele, educação é o meu futuro.
01:32Ele gostaria de ter tido essas oportunidades quando era criança.
01:36E eu sou um pirralho ingrato por não aceitar a minha sorte como uma benção.
01:42Você sabe como é.
01:44Enfim, ele não me deixou usar a Wikipédia nem nenhuma outra fonte fácil para a redação.
01:51Ao invés disso, ele ligou para um velho amigo que trabalhava na equipe de resgate no Chile.
01:58Então, o que deveria ter sido um trabalho de uma hora, se transformou em uma entrevista por telefone.
02:05De uma hora.
02:07Mais três horas de viagem e um livro inteiro sobre operações de resgate.
02:12Quem, desde que a internet foi inventada, precisa ler um livro sobre qualquer coisa?
02:19Conhecer o socorrista foi bem interessante.
02:23Ele tinha uma pele bronzeada.
02:25Tipo a de um banco de carro, não de uma pessoa.
02:29O sotaque dele era meio carregado.
02:32E às vezes ele não encontrava a palavra certa.
02:36Então, tinha que falar em espanhol.
02:39Eu não sei quase nada de espanhol.
02:41Mas meu avô me fazia anotar tudo o que ele dizia, palavra por palavra.
02:47Para eu poder traduzir em casa.
02:49Meu avô disse literalmente.
02:52Se você tentar pegar o caminho mais fácil na vida, a vida vai pegar o caminho mais fácil com você.
02:59Bem na sua bunda.
03:01Eu não sei o que isso significa.
03:04Mas eu também não quis pedir para ele explicar.
03:08Na metade da entrevista com o cara do resgate, meu avô se levantou para ir no banheiro.
03:14E eu estava perguntando quantas pessoas estavam lá embaixo.
03:18Ele continuava dizendo.
03:20Trinta e dois.
03:22Ou trinta e dois.
03:24Lembra do filme que fizeram sobre o assunto?
03:27Até ele se chamava Los 33.
03:30Tudo na internet dizia Os 33.
03:34Mas ele insistia nesse número.
03:38Então ele me lançou um olhar estranho.
03:41Como se estivesse em um estado de choque ou algo assim.
03:45Aquele tipo de olhar vago que você espera verem sobreviventes do holocausto.
03:52Ele se aproximou bastante e começou a falar algumas coisas em inglês e outras em espanhol.
03:59E eu fiz o possível para o acompanhar.
04:03Só consegui traduzir o que ele disse durante a viagem de carro para casa.
04:09Revisei a transcrição umas seis vezes.
04:11E até mostrei para o meu avô, que é fluente.
04:15Mas mesmo assim ele me fez traduzir tudo primeiro.
04:19E aqui está o que nós conseguimos traduzir.
04:23Todos os meios de comunicação, os noticiários, os criadores de histórias.
04:30Todos dizem que 33 mineiros ficaram presos.
04:35E por que não diria?
04:3633 pessoas saíram daquela mina.
04:40Os mineiros ficaram presos a 700 metros de profundidade.
04:45E não havia como entrar nem sair.
04:48Mas todos os mineiros que saíram.
04:51Todos os que foram retirados, todos dizem a mesma coisa.
04:57Havia 32 mineiros presos.
05:01Eles contavam e contavam.
05:04Todos os dias a cada poucas horas.
05:07Para garantir que todos estivessem atentos e vivos.
05:12Então um dia eles contaram novamente e havia 33.
05:17Mas eles eram como irmãos.
05:20Não dá para passar por uma aprovação dessas sem se tornar uma família.
05:26E eles se apoiavam mutuamente.
05:29Nunca disseram que um deles não pertencia ao grupo.
05:33Mas eu ouvi histórias.
05:36Dizem que um mineiro não dormia próximo aos outros.
05:40Ele simplesmente se sentava encostado na parede e cantarolava alguma melodia que ninguém reconhecia.
05:49Dizem que esse mineiro não comia com os outros.
05:53Mas eles não reclamaram porque precisavam economizar as suas provisões.
06:00Dizem que esse mineiro nunca falou nada sobre sua família, amigos ou sobre querer sair.
06:08Tudo que esse mineiro falava era sobre como a escuridão era reconfortante.
06:14Como eles, os mineiros presos eram sortudos.
06:19Que a terra só engolia os merecedores, porque ela os manteria em segurança.
06:25E todos os demais se afogariam um dia em um mar de fogo, que eles mesmos acenderiam.
06:34Bem, isso agora não tem mais a ver com o trabalho de escola.
06:40Na semana que vem eu vou voltar de carro para visitar esse amigo do meu avô.
06:46E vou tentar encontrar esse mineiro desaparecido e descobrir o que aconteceu com ele.
06:53Então, se alguém tiver alguma sugestão de perguntas que eu deva fazer, me avise e eu as incluirei na minha
07:02próxima entrevista.
07:12Espalhadas pelas florestas do oeste da Nova Inglaterra e do leste de Nova Iorque,
07:18se encontram milhares de construções enigmáticas conhecidas como câmaras de pedra.
07:26Tendo pouca atenção do interesse acadêmico tradicional,
07:30Essas estruturas unipresentes parecem fazer parte da paisagem desde que os humanos habitam a região.
07:40Apesar das alegações evasivas de historiadores locais de que elas se tratam de adegas subterrâneas do período colonial,
07:49nunca houve uma única prova que permitisse determinar quem as construiu, quando ou para quê.
07:57Nenhuma tribo indígena jamais reivindicou a propriedade dessas terras.
08:03E não existem dados que corroborem as especulações mirabolantes que pesquisadores de história alternativa costumam fazer sobre as suas origens.
08:14Nenhum artefato, nenhuma marca, nenhum sinal de habitação, nada além da construção uniforme e precisa,
08:24denuncia a sua natureza artificial.
08:28E tudo o que temos é um pequeno conjunto de lendas que surgiram em torno dessas estruturas,
08:36como tentativa de preencher a lacuna das informações verificáveis.
08:41Em maio de 1988, Frank Mullen e seu filho passaram um fim de semana pescando e acampando no Parque Estadual
08:53de Fenestoke,
08:55no condado de Dutchess, Nova York.
08:58Na segunda noite da viagem, os dois decidiram montar a barraca perto de uma dessas câmaras de pedra.
09:06Ao acordar, na manhã seguinte, o Sr. Mullen percebeu que o seu filho, Terence, havia desaparecido.
09:14Ele passou horas procurando por conta própria antes de, finalmente, contatar as autoridades locais.
09:22Nenhum sinal do menino foi encontrado na área ou ao redor.
09:27E equipes que vasculharam toda a extensão do parque também não encontraram nada.
09:32O único sinal encontrado deixou a polícia perplexa.
09:38Dentro da câmara, havia um conjunto de pegadas pertencentes ao filho do Sr. Mullen.
09:44Tudo indicava que, em algum momento da noite, o rapaz havia dado 4 ou 5 passos para dentro da câmara
09:52e, em algum momento, parado.
09:55O que intrigou aos investigadores não foi apenas a ausência de pegadas saindo da câmara,
10:02mas sim a descoberta de um conjunto de pegadas maiores e não identificáveis,
10:09partindo da parede do fundo e se encontrando com as de Terence.
10:13Uma delas se sobrepunha completamente ao último passo do rapaz.
10:19As estranhas pegadas nunca foram identificadas e, com certeza, nenhuma explicação adequada foi dada para elas.
10:29Terence e Mullen continua desaparecido.
10:33Muitos condados e municípios tornaram ilegal a destruição ou modificação das câmaras.
10:41Essas leis parecem nunca ter sido aprovadas por razões de preservação histórica.
10:46A maioria está em vigor há centenas de anos e, geralmente, se justifica como uma forma de garantir a segurança
10:55da população local contra danos externos.
10:59Muitas pessoas relatam vertigem severa e desorientação ao passarem longos períodos dentro de uma dessas câmaras.
11:08Algumas afirmam se sentir observadas quando estão de costas para a entrada.
11:14Uma lenda originária da região do lago Champlain, geralmente ambientada na década de 1920,
11:23conta a história de uma mulher que usava uma adega de pedra em sua propriedade para armazenar conservas.
11:31Certa manhã de verão, ela saiu para pegar um pote de geleia e descobriu que não conseguia sair da adega
11:38depois de entrar.
11:39Alguma força invisível bloqueava o seu caminho.
11:44Ela entrou em pânico e logo desmaiou.
11:47Ao acordar, descobriu que conseguia sair.
11:50Lá fora, a neve que cobriu o chão e a sua casa haviam desaparecido.
11:56E disse que as árvores pareciam muito estranhas.
12:00Ao percorrer uma trilha na mata, onde deveria estar a sua rua, ela viu dezenas de câmaras de pedra ladeando
12:08o caminho.
12:09E de dentro, ela disse que viam sonhos horríveis de rangidos.
12:14Apavorada, ela correu de volta para a câmara, onde havia acordado e se encolheu lá dentro até desmaiar de exaustão.
12:22Em um tempo não determinado, ela foi encontrada pelo marido depois.
12:28Ela perguntou quanto tempo havia ficado desaparecida.
12:32Ele explicou, com alívio e confusão, que ela havia desaparecido por dois anos.
12:38E que planejava demolir o porão, porque ele lhe lembrava do desaparecimento dela.
12:46Não existem cópias do único texto sério já escrito sobre as câmaras.
12:53De uma análise das adegas de pedra da Nova Inglaterra,
12:58restam apenas algumas menções em publicações históricas e uma única citação em um jornal de Massachusetts.
13:07Escrito por um autor anônimo em 1919,
13:10o livro era aparentemente uma obra acadêmica que descrevia uma série de propriedades físicas e matemáticas
13:19expressas na arquitetura das câmeras e relacionadas à física do éter.
13:26O capítulo final do livro postulava que as câmaras funcionavam como condutos para a energia do éter
13:34e podiam ser ajustadas para visualizar o exterior.
13:40Esses parecem ser os motivos pelos quais o livro atraiu a atenção negativa do mundo acadêmico na época,
13:48visto que a física einsteiniana estava se tornando popular.
13:53A palavra retorno é frequentemente associada às câmaras,
13:58embora a origem dessa ligação nunca tenha sido descoberta.
14:03Apesar das histórias estranhas e sombrias que cercam as câmaras de pedra,
14:09aqueles que vivem ao redor delas, as gerações parecem em sua maioria as ignorar.
14:15Quando lembrados das lendas das câmaras,
14:18os moradores da região costumam descartar as histórias como superstições sem fundamento.
14:25No entanto, será difícil encontrar alguém disposto a passar uma noite sozinho em uma dessas.
14:38Respirei fundo e bufei enquanto encarava a boca de Deus.
14:43Eu me sentia como um lobo mau, pronto para entrar na casa dos três porquinhos.
14:50Eu sorri pensando nisso quando virei a cabeça para procurar a Margaret.
14:56Ela estava a poucos metros da entrada da caverna, segurando uma bengala junto aos seus pequenos seios.
15:04Anda logo, eu gritei para ela e me voltei para a caverna, ainda sorrindo.
15:09Uma placa velha, apodrecida do lado de fora, dizia
15:14Caverna da boca de Deus, proibida a entrada.
15:19Que clichê batido.
15:21Margaret finalmente chegou à entrada e parou ao meu lado, quase curvada e sem fôlego.
15:28Olhei para baixo e sorri.
15:30Dá uma olhada, a boca de Deus.
15:33Onde é que será que fica o ano de Jesus?
15:36Eu dei uma risadinha, mas Margaret não achou graça nenhuma.
15:40Me dá essa desgraça dessa garrafa d'água, disse ela, fula da vida.
15:46Ela levou a garrafa aos lábios e, por um instante, eu senti uma certa paz ao vê-la beber.
15:52Aliás, retira o que eu disse.
15:55Não é exatamente paz o que eu quero dizer, mas sim algo mais próximo do contentamento.
16:02E, naquele momento, foi bom sentir uma felicidade um pouco estranha e confusa.
16:09Pelo menos uma vez.
16:12Suspirei, liguei minha lanterna e apontei para dentro da caverna.
16:17Total escuridão.
16:19A boca de Deus.
16:21Aquilo parecia a antítese do Espírito Santo.
16:25Me virei novamente para Margaret e perguntei.
16:28Pronto?
16:29Ela sentiu com a cabeça.
16:31Eu dei um tapinho amigável em suas costas e entramos juntos.
16:35O interior não era muito diferente da prévia que eu consegui ver do lado de fora com a minha lanterna.
16:43Escuro, sombrio e infinitamente negro.
16:47Parecia se estender para sempre.
16:50Não importava como eu posicionasse a lanterna.
16:53E o terreno rochoso era úmido e imponente.
16:57A última luz natural desaparecia lentamente atrás de nós enquanto nos embrenhávamos cada vez mais fundo.
17:07Achei estranho como o mundo ao meu redor parecia suave e envolvente agora.
17:12Apesar das estalactites, estalagmites e outras formações rochosas serem tão irregulares.
17:20Parecia que, mesmo entre os dentes pontiagudos de Deus, eu poderia me deitar e descansar ali para sempre.
17:28Era confortável.
17:31Aparentemente, Margaret não concordava.
17:35Ela estremecia desconfortavelmente agarrada ao meu braço.
17:40Cheguei a perguntar a ela se ela queria o casaco por causa do frio.
17:45Mordi o lábio e esperei.
17:47Mas ela não respondeu.
17:50Então, por alguns minutos, nós caminhamos em silêncio.
17:54Então, ela, de repente, ficou imóvel e eu parei também.
18:00Ela falou.
18:01Por que, inferno, nós viemos para cá?
18:04Ela parecia irritada, mas eu dei de ombros.
18:08Mais para me acalmar do que para tentar agradá-la.
18:12Enfiei a lanterna por baixo do rosto, fiz uma careta e disse.
18:17Para nos assustarmos.
18:20Eu exclamei rindo baixinho e ela nem se mexeu.
18:24Eu pensei que você quisesse ver.
18:27Quer dizer, você disse que queria ver um pouco da natureza nas nossas férias.
18:32E você me pareceu impressionado quando eu contei sobre a minha visita às cavernas Mamute há alguns anos atrás.
18:41Então, nesse ponto, a minha voz se perdeu.
18:44E eu só conseguia sentir a irritação dela.
18:48Então, ela respondeu.
18:49Fula da vida.
18:51Não.
18:52Você queria vir para cá.
18:54Eu queria ir para uma praia ou algo assim.
18:56Mas não para uma caverna.
18:59Uma caverna, Nathan.
19:01Eu sei que você tem esse fetiche estranho por espeleologia ou algo do tipo.
19:06Mas eu realmente não quero mais ser arrastada para isso.
19:10Não me entenda mal.
19:11Eu adoraria fazer uma viagem, entrar em contato com a natureza e o ar fresco.
19:16Mas isso?
19:17Isso aqui é um ar de caverna.
19:20Não é ar fresco.
19:21Esse ar está praticamente fermentado.
19:24Além disso, entrar aqui não é ilegal?
19:27Nós podemos, por favor, só ir embora?
19:32Nós ficamos ali parados, um olhando para o outro.
19:35O único som que se ouvia era a eletricidade no ar, abafada pela atmosfera úmida.
19:43Finalmente comecei a andar.
19:46Não ouvi Margaret me seguindo.
19:48Só continuei em frente.
19:50Então ela disse.
19:52Nathan, pare.
19:53Por favor, pare.
19:54E eu parei.
19:57Desculpe, ela disse.
19:59Eu estou cansada e não estou acostumada a correr, escalar e coisas do tipo.
20:04Eu estou apenas cansada.
20:07Está tudo bem, eu disse.
20:09Ela apertava meu braço e eu dizia.
20:12Sério, está tudo bem.
20:13Só que depois eu balancei a cabeça negativamente e perguntei.
20:19Qual é mesmo o caminho da saída?
20:22Eu não me lembro.
20:24Senti Margaret congelando.
20:27Nenhum de nós se lembrava.
20:29De alguma forma, na confusão da nossa discussão, eu tinha esquecido para que lado nós estávamos indo.
20:38Idiota, eu pensei comigo mesmo.
20:40Eu devia ter trazido uma corda ou algo assim para usar como guia desde a entrada.
20:45Tive que tomar uma atitude.
20:48Então, sem pensar muito, eu virei 180 graus e disse.
20:52Por aqui.
20:53Acabamos caminhando por horas.
20:56Meus pés estavam cansados e doloridos e eu conseguia ouvir os gemidos da Margaret atrás de mim.
21:03Ela segurava minha mão com força e eu me sentia péssimo.
21:07Porque no final das contas, a culpa era minha.
21:10No meio do caminho, enquanto eu me apoiava na parede, em alguns momentos, eu sentia algo estranho.
21:17Então, eu falei.
21:20Margaret, estende a mão.
21:23Sente essa pedra.
21:24Quando escutei a palma da mão nua de Margaret pressionando a pedra, eu perguntei a ela.
21:31Você não acha que está anormalmente quente?
21:35Ela não disse nada.
21:37Ela ainda devia estar fula comigo.
21:40Então, eu comecei a percorrer a parede, a sentindo enquanto avançava, iluminando o caminho com a lanterna.
21:49De repente, eu senti uma dor aguda na cabeça, quando o teto da boca de Deus deu de cara com
21:56o meu couro cabeludo.
21:58Eu soltei um bom...
22:00Ai, merda!
22:01Margaret parecia prestes a entrar em pânico nesse momento.
22:06Ela perguntou.
22:07Nata, você está bem?
22:09Eu disse para ela que era para ela se acalmar.
22:13Que tudo estava bem, que nós íamos sair logo dali.
22:17E eu prometi isso.
22:19E comecei a andar apontando a lanterna para o alto, para poder ver o teto acima de mim.
22:26A caverna parecia estar ficando mais estreita.
22:30Muito mais estreita.
22:33Então, eu disse entre os dentes.
22:35Escuta, Margaret, querida, eu acho que nós precisamos voltar.
22:41Margaret suspirou do meu lado.
22:44Voltamos a caminhar e eu mantive a lanterna apontando para cima.
22:48E como esperado, o espaço na caverna parecia ficar cada vez menor.
22:55Se ainda houvesse alguma luz refletida na boca de Deus, além da minha lanterna, eu tenho certeza de que Margaret
23:03teria conseguido ver o branco dos meus olhos, arregalados de pânico, porque nós estávamos completamente perdidos.
23:10Soltei a mão de Margaret e comecei a tatear freneticamente pelas paredes.
23:17E fiquei escutando gritar, não, Nathan, não, Nathan.
23:21E eu continuei.
23:23Tínhamos que sair dali.
23:25Se nos perdêssemos, ninguém conseguiria nos encontrar.
23:29Continuei tateando a parede até que, de repente, eu cheguei a uma quina.
23:35Droga, eu disse em voz alta.
23:36Margaret, parece que chegamos a um beco sem saída.
23:41Eu me virei e...
23:43Margaret?
23:45Nenhuma resposta.
23:47Comecei a voltar pelo caminho, quase correndo, enquanto sentia a parede roçando na ponta dos meus dedos.
23:56Rochas frias e úmidas e lanças pontiagudas.
24:01De repente, eu me vi encurralado novamente.
24:03Merda, merda, merda, merda, eu gritei.
24:07Margaret!
24:08Eu estava berrando o nome dela agora.
24:11De repente, eu escutei um ruído.
24:13Parecia uma estática abafada de televisão.
24:18Encostei o ouvido na rocha.
24:20A rocha parecia agora estar ficando mais quente.
24:24E ouvi os sons fracos da Margaret do outro lado da rocha.
24:28E ela estava gritando.
24:30Não, não, não, não, eu disse, não.
24:34Comecei a correr desajeitadamente em paralelo às paredes ao meu redor.
24:40Com a compreensão repentina, veio uma onda de puro horror.
24:44Não havia entrada.
24:46Não havia saída.
24:48Eram apenas esses quatro cantos e eu.
24:51Comecei a sentir o sangue escorrendo de cortes que eu fiz ao bater meu corpo contra as paredes da caverna.
25:00Elas estavam se aproximando.
25:02Elas estavam se fechando para matar.
25:05E logo estariam pressionando meu crânio e esmagando minha caixa torácica.
25:11Eu fiquei ali sentado por horas, esperando a morte.
25:16A luz da minha lanterna estava ficando fraca e piscando.
25:21Finalmente, senti o toque suave daquelas paredes rochosas pressionando minhas costas.
25:28Comecei a chorar enquanto me deitava no chão.
25:33Deixei a lanterna rolar sobre os pequenos montes de pedra,
25:38enquanto permanecia deitada em silêncio com lágrimas escorrendo pelo rosto.
25:44Eu me virei e olhei para ela.
25:47Seus últimos feixes de luz, já quase apagados, apontavam para algo não muito longe do meu rosto.
25:55As pedras perfuravam a minha pele.
25:58E o sangue escorria por todos os lados.
26:02Ali, na última luz da minha lanterna, estava o aperitivo.
26:06O foco de luz iluminou uma mão, com as unhas pintadas de vermelho.
26:12E gritei de agonia ao ver a boca de Deus mastigar a sua última refeição.
26:36E gritei de agonia.
26:39O Hino e Rodalina.
26:57Amém.