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Videocast detalha novo protocolo oficial de avaliação da qualidade da bebida, que, além do sabor, considera atributos físicos, afetivos e descritivos
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00:00Nós estamos começando mais um Momento Agro e hoje eu recebo aqui a Ariadna Passamani,
00:07ela que é filha de produtor rural, é também engenheira agrônoma,
00:12e o Rodrigo Fernandes, que é kill grader. Falei certo, Rodrigo?
00:16Falou, falou.
00:17Falei certo, né? O Rodrigo é coordenador da unidade de referência de cafés especiais lá de Alto Rio Novo.
00:25E hoje, gente, nós vamos bater um papo sobre o novo protocolo de avaliação de cafés especiais.
00:34Teve uma mudança aí que começou a valer, melhor dizendo, que foi anunciada no ano passado,
00:39que entra em vigor este ano, não é isso, Rodrigo?
00:42Isso aí.
00:43E a gente vai conversar um pouco sobre esse assunto.
00:46Vamos entender o que mudou, por que mudou, se melhora, se piora.
00:52Vamos bater um papo aí para a gente entender tudo isso aí sobre esse novo protocolo de avaliação dos cafés
00:59especiais.
00:59E eu vou começar com o Rodrigo, que já tem uma longa caminhada aí, não é, Rodrigo?
01:05Nossa, me parece muito velho isso.
01:07Não, não é isso. Eu quero dizer experiente, gente.
01:10Mas tem uma caminhadinha aí.
01:12Com essa coisa de provar cafés, né?
01:14É um grande incentivador, gente, dos cafés especiais da região de Alto Rio Novo ali e do entorno.
01:21E eu queria que você começasse falando para a gente, Rodrigo, quem que promoveu essa mudança?
01:28Como é que começa essa mudança? Conta um pouco disso aí para a gente.
01:32Então, o protocolo de bebida, de cafés especiais, ele já vem há muito tempo sendo proposto uma mudança dele.
01:43Ele foi pensado, esse protocolo, para que poucas pessoas estivessem usando ele nos países.
01:48No máximo 10, 15 provadores por país.
01:51E aí eles foram pensando isso aí.
01:53Esse antigo protocolo é de 2004, mas mesmo quando foi feito esse protocolo em 2004, né?
02:00Eles já pensavam em melhorar isso aí.
02:02E aí quando foi em 2020, eles...
02:06A SCAR, né? Que define esse protocolo de bebida, né?
02:09Tanto para o Cone Long, quanto para o Arábica, ela pensou que teria que ter uma mudança.
02:13Porque tinha muita gente fazendo o Key Grader, né?
02:16Mas que algumas coisas não estavam batendo muito, entendeu?
02:19Estavam sendo meio subjetivas as questões de notas.
02:22E os cafés, para que possam ser valorizados, os formulários, eles eram para ser mais descritivos do café,
02:27para que pudessem valorizar, né?
02:29E até então, o protocolo foi feito em 2004, para que todo café especial que atingisse uma pontuação acima de
02:3680 pontos, né, Ariadne?
02:38Ele fosse considerado café especial.
02:41Só que tem muitas nuances quando você vai provar um café, que é muito mais do que pontuação.
02:46Tem como foi feito esse café, quem fez esse café, se foi homem, se foi mulher,
02:50qual o jeito do processamento desse café via úmida, via seca,
02:54como que esse café fez para chegar ali na mesa dos coffee lovers, né?
03:00Da gente que gosta de provar café.
03:02E aí, eles estudando isso, né, eles resolveram fazer um novo protocolo, o CVA,
03:07que é para valorizar o que vem atrás desse café, né?
03:11É tanto que mudou agora o conceito que é um café especial.
03:14O conceito do café especial agora é aquilo que a pessoa considera especial.
03:19Por exemplo, eu vivo numa dificuldade danada lá no Vietnã,
03:23que chove muito mais do que aqui, ou em Rondônia também acontece isso.
03:27E aí, os cafés que chovem muito, é mais difícil para secar esse café.
03:32Então, geralmente, quando a gente prova um café desse,
03:34porque ele ficou muito mais úmido do que o normal,
03:38a gente vai batendo esse café, que é despontuar ele, falar que ele não é especial.
03:42Mas como falar isso de uma região que chove o tempo todo?
03:45Você não tem todas as características que a gente tem aqui no Brasil, por exemplo,
03:48que a gente consegue secar esse café.
03:50Tem a tecnologia de secadores aqui no Brasil, que a gente cada vez cresce nessa tecnologia de café.
03:55A gente é primeiro em qualidade, primeiro em tecnologia em cafeicultura, né?
03:59Então, para valorizar essas pessoas, esse tipo de café, foi feito esse protocolo.
04:05E ele agora, ele valoriza o descritivo, que é se você mora aqui no Brasil,
04:09ou mora lá na Europa, ou você mora lá nos Estados Unidos,
04:12você vai conhecer esse café pelo descritivo, né?
04:15E também tem a parte ainda subjetiva, que é a parte agora, o formulário afetivo,
04:20que é onde o provador, ele dá a nota dele, pessoal, né?
04:23Ele fala um pouquinho daquilo que ele acha do café, que vai continuar dando a pontuação.
04:28E mesmo não sendo limitante, hoje ainda vai ser considerado um café de 80 pontos acima,
04:33um café especial.
04:33Entendi.
04:34Rodrigo, vamos fazer meio que uma linha do tempo aqui,
04:37para quem está em casa entender do que a gente está falando.
04:41A gente tinha um protocolo desde 2004.
04:43Desde 2004.
04:44Que vinha seguindo, o mundo inteiro seguia esse protocolo?
04:46Como é que é isso?
04:47O mundo todo seguia esse mesmo protocolo.
04:49O mundo todo seguia esse mesmo protocolo.
04:50Mas ele já começou com algumas falhas, com algumas coisas,
04:54que sentia-se necessidade de dar uma melhorada.
04:57Sim, sim, sim.
04:58E a partir de 2020, então, começa-se a colocar em prática essas mudanças?
05:04Começa essa discussão, principalmente porque aí entram os robustos,
05:08os canéferos, os coinlons, né?
05:10A melhorar a qualidade.
05:11E aí, por exemplo, eu não sei se a gente ia falar isso mais para frente,
05:14mas a gente tinha uma distorção, né?
05:15O coinlon, ele entrava com 30 pontos para a gente tirar defeitos de 30 pontos.
05:19Mas ele entrava com 30 pontos.
05:21O coinlon, o canéfero, ele já entrava com 20 pontos só,
05:23porque a gente avaliava a doçura dele.
05:25Então, o protocolo veio para ser...
05:27Ele já entrava meio que como inferior.
05:29Isso, isso aí, isso aí.
05:31Entendi.
05:32Sendo que ele tem características totalmente diferentes.
05:35Sendo que ele tem características diferentes,
05:36mas ele não deixa de ter qualidade, assim como o arábica.
05:38Sim, eu compreendi, compreendi.
05:41E aí, de 2020 para cá, veio-se fazendo, então, essas mudanças, esse estudo.
05:46E aí, chega em 2025, começa-se, então,
05:50entra esse protocolo que é o CVA, é isso?
05:54Na verdade, esse protocolo, ele era para ter começado o ano passado,
05:57mas, assim, por algumas coisas técnicas que eles estão...
06:00Esse protocolo, na verdade, ele é muito flexível,
06:02ele ainda está sendo estudado para algumas coisas mudarem,
06:05mas ele, a partir desse ano, ele começa a valer aqui no Brasil.
06:08A BSA, né, que é o braço aqui da SCA,
06:11assinou lá um acordo, né, com a SCA,
06:14que aqui no Brasil seria usado o protocolo CVA
06:17a partir de 1º de outubro de 2025.
06:19Então, agora, em outubro, daqui pouquinho tempo,
06:22daqui pouco tempo, né, daqui pouco tempo, né,
06:25a gente vai estar aí, então, com esse novo protocolo valendo definitivamente.
06:30Definitivamente.
06:32Rodrigo, o que muda para vocês, provadores de café?
06:37Então, o protocolo antigo, ele dava uma limitação para a gente,
06:40porque os espaços para você colocar os sensoriais,
06:44para você valorizar a história do produtor, era pouco, né?
06:49E aí, agora, ele se dividiu em três formulários,
06:52que é um formulário descritivo, aonde que você...
06:55Antes era um formulário só?
06:56Era um formulário só, uma planilhazinha só,
06:59uma linha lá que você colocava acidez, sabor, retrogosto,
07:06como o corpo, o equilíbrio do café,
07:08e aí você também valorizava ou não,
07:10as xícaras podiam ter defeitos, né, fenólico, no caso do Conilon,
07:13Riado, no caso do Arábica, né?
07:15E agora não, se dividiu em três, né?
07:17Agora a gente tem o formulário, que é o descritivo,
07:19que você descreve o café,
07:21e aí agora a gente não pode mais pensar no que a gente...
07:25Eu senti um aroma lá de biscoito da casa da minha avó.
07:31Isso é afetivo, isso aí, uma pessoa que mora nos Estados Unidos
07:34não vai saber o que é.
07:35E aí, agora, no descritivo, ele vai ter que resumir o que é esse biscoito.
07:39Então, é uma coisa muito doce, é uma coisa muito azeda, fermentada?
07:42O que ele acha daquilo?
07:44E aí ele vai ter que colocar, ele tem opções para marcar com o X, né?
07:47Ele é mais floral, ele é mais azedo, ele é fermentado,
07:50ele é doce, doce mascavo, ele é fruta, fruta cítica, fruta secas,
07:53frutas vermelhas, né?
07:56E aí tem lá, porque quando a gente acabar essa descrição,
07:59e também a gente trabalha com intensidade, de 0 a 15,
08:02por exemplo, cheiro, o aroma dele seco,
08:04não é uma fragrância, na verdade.
08:06Você cheirou lá, é de 0 a 15, qual que você é.
08:08E aí depois, quando a gente for dar nota no café de verdade,
08:11que é na parte mais afetiva, né?
08:15Aí você vai usar o que você descreveu para poder dar nota.
08:18Então vai ficar um café com a igualdade,
08:22tanto o colo long, quanto o arábico,
08:23quanto as histórias vão se encontrar, entendeu?
08:26Tanto a história do produtor, da produtora que está fazendo esse café,
08:29quanto do comerciante que está comprando esse café,
08:32quanto ao exportador que está exportando esse café,
08:34vai bater tudo ali, é muito mais fácil para vender.
08:36E ainda tem o formulário estrícico,
08:38que é o formulário onde vai vir todas as características desse café.
08:42Como que ele foi fabricado, em qual local, qual região,
08:46o terroir, que terroir que tem, que vem, entendeu?
08:50Vai dar uma esmiçada bem mais fundo nesse café.
08:53Vai, vai ficar mais fácil para os leigos que queriam provar café,
08:58conhecer mais o café especial.
09:01Entendi.
09:02Ariadna, você acabou de fazer também aí um curso para entender esse protocolo.
09:10Quais as principais diferenças que você nota, assim,
09:13do antigo protocolo para esse?
09:15Por que você acha que melhorou, que piorou?
09:17Qual a sua avaliação?
09:19Então, eu acho que melhorou, para te falar a verdade.
09:23Eu acho que a gente vai ter uma melhor forma de avaliar esse café,
09:26porque, como o Rodrigo falou,
09:28a gente vai estar avaliando uma história dele.
09:30Então, a gente vai ter como valorizar mais, né?
09:33Dar mais valor a esse café, a esses atributos.
09:36E aí, para o produtor rural,
09:40ele vai estar tendo, levando esse trabalho dele, né?
09:44Em consideração no momento da sua venda, né?
09:47Esse esforço dele, esse café dele.
09:49Se ele tiver uma história, ele vai ser considerado especial.
09:51Esse produtor, então, ele pode ter esse café especial,
09:55esse café dele especial vai ser considerado pela história dele,
09:59se ele tiver uma história, né?
10:01Essa trajetória.
10:02E, além disso, o que eu vejo de diferente nesses dois protocolos?
10:06A gente teve, agora a gente vai trabalhar com uma régua,
10:11porque na avaliação descritiva,
10:15todos os provadores vão ter que estar meio que calibrados
10:18para estar fazendo, para todo mundo seguir essa regra.
10:22Aqui no Brasil, eu vou saber que o meu café vai estar assim lá,
10:25meu café, a pessoa também vai estar conhecendo que o café,
10:28esse mesmo café vai estar assim.
10:30Já na afetiva, a gente vai trabalhar com mercados.
10:34Então, a gente vai saber para onde mandar esse café,
10:37para quem a gente vai estar vendendo.
10:38Então, meio que essa divisão ajudou a estar melhorando para a venda
10:45e tanto também para o...
10:47No protocolo antigo, a gente seguia o mercado que a gente está, entendeu?
10:52O que é o mercado?
10:53Aqui no norte do Espírito Santo,
10:55que tipo de café que um exportador,
10:58que alguém quer comprar esse café para colocar lá na xícara, né?
11:03Isso num protocolo antigo.
11:04Agora, com esse descritivo,
11:06a gente vai poder dar uma calibrada aí, como ela falou, né?
11:11E aí a gente vai poder falar para o todo, entendeu?
11:15Não é só o pessoal aqui do norte,
11:17que eu mais aliás já estamos acostumados,
11:19que vão saber o que tem esse café, entendeu?
11:21Assim, da mesma forma, os outros provadores que estão no sul do Espírito Santo,
11:24que estão lá nas Matas de Minas, no Cerrado,
11:28no Nordeste, na Europa,
11:30a gente vai ter um equilíbrio disso, entendeu?
11:33Entendi, entendi.
11:35A Ariadna falou da questão da venda, Rodrigo.
11:40Vai valorizar mais o café do produtor?
11:43Muda alguma coisa quando a gente fala de valor comercial desse café?
11:48Eu tenho certeza disso.
11:50Eu acho que a Ariadna pode falar que está melhor do que eu,
11:52porque ela é filha de produtor aí que comercializa esse café.
11:56Então, vai estar valorizando sim,
11:58porque a gente vai valorizar os atributos,
12:00além da bebida, os atributos da história do produtor.
12:04Então, para mim, eu quero produzir o meu café.
12:07Então, o meu café vai ser especial,
12:09porque eu tenho essa história.
12:11Então, eu posso atribuir um valor maior a ele.
12:14E dependendo desses atributos da bebida,
12:17eu posso trabalhar para estar vendendo um valor a mais.
12:20Então, eu acho que vai valorizar ainda mais os cafés.
12:24E eu falo mais.
12:25Eu acho que vai contar uma historinha, assim, né?
12:27Eu tenho tanta história bonita,
12:28e você, como repórter,
12:30conta tanta história bonita aí,
12:31quando você provar um café,
12:32você vai falar assim,
12:33poxa, esse café aqui é um frutas brancas,
12:35uns frutas vermelhos,
12:36mas da onde que ele veio?
12:37Ah, foi produzido por uma mulher lá de...
12:40Governador de Neyberg, né?
12:41E essa mulher, ela tem três filhos, é viúva,
12:44e fez...
12:44Isso vai valorizar o que essa pessoa chegou...
12:48O que ela fez para chegar ali,
12:49aquele cafezão que está ali na mesa do consumidor, né?
12:52Isso vai ajudar a vender, né?
12:53Porque as pessoas gostam de história.
12:55Vai ser muito mais do que matemática, né?
12:57Vai ser história, experiência, né?
13:00O que eu tenho feito para chegar aí, né?
13:03A Ariadna, que é produtora,
13:05ela tem toda uma experiência por trás dela,
13:07para a gente estava vindo para cá e estava conversando,
13:09ela está fazendo um café para ela, entendeu?
13:11E ela vai entregar naquele café
13:12tudo o que ela conquistou ali,
13:15até chegar naquele café, né?
13:17E isso até então não era valorizado?
13:18Não.
13:20Às vezes era valorizado depois, entendeu?
13:23Ah, o produtor foi lá para o COI e ganhou,
13:25mas era desconhecido.
13:28Aí a história dele aparece.
13:29Hoje não, hoje a história vai na frente.
13:32E aí o comprador vai...
13:33Desculpa, a gente.
13:34Não, e aí o café vai ser conhecido como café especial,
13:38por conta dessa história.
13:40Por conta dessa história dele.
13:42Ele vai se tornar especial por causa dessa história, né?
13:44Por causa da história, vai deixar de ser por causa de 80 pontos, né?
13:47Isso aí vai ser um limitador para a gente por enquanto,
13:50porque está na cabeça de todo provador,
13:52de toda pessoa que conhece café especial, café de qualidade.
13:55Olha, abaixo de 80 é um café bebida dura,
13:58acima de 80 é café especial, né?
14:01Mas aí com essa questão da experiência aparecendo agora no protocolo,
14:04no formulário, que é o que eles querem, né?
14:07Isso vai aparecer primeiro, exato.
14:09Olha, que trabalho que essa pessoa teve.
14:11E aí vai também tirar um pouquinho dos oportunistas, né?
14:14Tem muita gente que navega nessa onda, né?
14:16Ah, temos aqui, por exemplo, em Linhares, um ótimo café.
14:21É a cidade que mais produz café coronel do Espírito Santo.
14:25Ah, eu tenho...
14:25O meu café é de Linhares, é de qualidade,
14:27mas às vezes a lavoura dele nem é daqui.
14:30É daqui de perto, entendeu?
14:31Mas ele aproveita por isso.
14:32Então, na hora que for provar esse café,
14:34ele vai ter que contar a verdade sobre aquele café.
14:36Como que ele foi produzido, como é que ele foi feito.
14:38E aí o degustador, a pessoa que vai estar provando,
14:42vai ser mais fácil para contar a história.
14:44Por que chegou ali?
14:44Porque na maioria das vezes, quando a gente prova,
14:47a Ariadna prova muito também,
14:48a gente consegue sentir o que aconteceu naquele café pela prova, né?
14:52E aí tem avaliadores que eles são humanos.
14:55E aí eles vão contar aquela história.
14:57Por exemplo, a gente prova cinco xícaras de cada lote de café.
15:01E aí, às vezes, uma xícara, a gente fala que estourou,
15:04que ela está diferente, ela está fora do convencional que está ali, né?
15:08Está piorzinha um pouquinho, vamos dizer, um fenólico, um químico.
15:11Mas aí, se você pensar que tem mais quatro xícaras ali que ficaram muito boas,
15:15você vai pensar que dificuldade que esse produtor teve lá, né?
15:19Foi processamento, né?
15:20Na hora de pilar, ele passou um café lá e aconteceu de fazer isso.
15:24Foi na hora da secagem?
15:26Foi na hora de pegar esse café para poder secar, para poder lavar e secar?
15:30Ou foi uma coisa que ele fez com o que ele tinha e foi o que ele conseguiu entregar para
15:36a gente lá?
15:36E aí, esse café vai ser considerado especial, não é por causa de uma xícara a mais
15:40que ele não vai ser considerado especial.
15:42Entendi.
15:43Agora, gente, para o produtor, né?
15:46Porque eu imagino o produtor que está nos assistindo agora,
15:49ele está pensando, o que muda para mim?
15:53Na prática, para o produtor, ele vai ter que mudar alguma coisa na sua propriedade?
15:57Ele vai ter que mudar alguma coisa na forma de fazer esse café?
16:01O que muda para ele?
16:02Ou não muda nada?
16:04Então, Rodrigo, vê se você concorda comigo.
16:07Então, ele pode continuar produzindo dessa mesma madeira que ele produz,
16:11mas ele vai ser considerado, então, um café especial, porque tem essa história.
16:16Mas a gente também tem que lembrar que o café é um alimento.
16:19É uma coisa que eu bato muito nessa tecla.
16:21Café é um alimento.
16:22Então, se ele quer produzir um café especial, tem a história.
16:26É um café especial.
16:27Mas ele tem que lembrar para produzir um café especial de qualidade.
16:31Então, a gente tem que bater muito nisso.
16:33Lembrar para o produtor que o café é um alimento.
16:36E é interessante ele ter, além de ser especial, ter essa qualidade.
16:40Um café limpo, livre de defeitos, os processos serem feitos com consciência própria, né?
16:47Porque ele está vendendo isso para outras pessoas.
16:49Ele saber que aquilo que ele está fazendo, ele tem que ter coragem de tomar também, né?
16:53Isso mesmo, que é muito complicado.
16:55Acontece muito de produtor.
16:56Ah, eu faço café, mas ele nunca tomou o café dele.
16:59Então, será que é bom esse café?
17:01Isso mesmo.
17:03Aí, assim, deixa eu ver se eu entendi, assim.
17:07Porque fazer café especial é um trabalho diferenciado.
17:15Vamos ser sinceros aqui.
17:17O negócio do café especial, eu vou puxar o que a Ariagem falou de alimento.
17:20Quando você está na sua casa, que você vai comer uma fruta, você lava ela para comer?
17:26Lava.
17:27Sim.
17:28Quando você está lá fazendo o seu arroz, você vai colocar o seu arroz lá na águazinha para cozinhar o
17:35arroz.
17:36Você coloca na última temperatura para ele queimar?
17:38Não.
17:40O café, o que os produtores têm feito?
17:42Principalmente aqui no norte, a gente tem essa cultura, né?
17:44Eu pego o café lá da lavoura, que às vezes fica dois, três, quinze, vinte, trinta dias lá.
17:51Depois de colhido, você fala.
17:52Depois de colhido, no sol, aí às vezes você vai jogar ele lá para o terreiro ou para o secador.
17:56Ele está em blocos, mofado ele está.
18:00Será que no alimento da sua casa você faria a mesma coisa?
18:02Café é alimento, né?
18:04Então, fazer qualidade, fazer café especial é fazer direito, né?
18:08Eu pego por um exemplo, lá em Alto Rio Novo, a gente conseguiu colocar os cafés especiais para a merenda
18:15escolar das crianças.
18:16Olha que bacana!
18:17E aí, antes de eu chegar, a nutricionista tinha lá a descrição de todos os alimentos.
18:21Fruta, não pode ser amassada, tem que ser uma fruta bonita, vermelha, madura.
18:27Aí o café, 500 gramas moído.
18:29Eu não queria saber do processo que teve o café.
18:31Então, aí a gente conseguiu mudar isso.
18:34Colocamos uma descrição que ele tinha que ter pontuação até 80 pontos, seguindo já o protocolo antigo.
18:40No mínimo, né?
18:40No mínimo, né?
18:41Que outra coisa, que todo café que chegasse, mesmo que ele tivesse o laudo do provador,
18:48ele teria que ser provado de novo esse laudo, porque às vezes o cara aproveita, né?
18:52E aí está a mudança para fazer café de qualidade.
18:56Café de qualidade, você tem que tentar fazer uma qualidade de um alimento que vai chegar para todo mundo.
19:02Quando me perguntam, é difícil fazer café especial?
19:04Não é difícil.
19:05Se você fizer o certo, você consegue chegar.
19:08Você acha justo você pegar um café que é uma fruta e ele ir para mesmo o consumidor sujo.
19:14Ele ir com palha, com pau, com pedra, não sei mais o quê.
19:17Quando você vai secar o café, você liga em 600 graus lá o secador e acaba que você perde aí
19:2516, 18 sacos para o secador,
19:28porque você colocou lá café verde, maduro, com um monte de coisa lá.
19:31E aí, isso não é qualidade, tá?
19:33Ah, mas eu consigo vender esse café da mesma forma.
19:38Tá, mas até quando você vai conseguir isso?
19:40Porque o consumidor de café hoje, cada vez mais, ele quer aquilo que a gente está discutindo aqui.
19:45Da onde que esse café veio?
19:47O rastreio dele.
19:48Como que ele foi feito?
19:50Eu posso tomar esse café e não ter problema com nenhum, né?
19:55Sei lá, o estômago.
19:56Ou eu vou provar esse café e eu tenho muito colega que fala assim,
19:59Rodrigo, você me converteu para a seita do café especial.
20:04Porque antes disso, eu tomava qualquer café.
20:07Hoje, eu tomo café especial, eu chego numa padaria, num lugar e eu já começo a cheirar café para saber
20:12se é que é café bom.
20:13Eu não consigo tomar.
20:14Quando eu tomo, eles falam, ah, meu estômago dói, eu não consigo dormir, entendeu?
20:19Então, acaba que a gente, quando a gente fala de café de qualidade, primeiro, a gente tem que falar de
20:24café de qualidade primeiro.
20:25Não tem como eu chegar em café especial se eu não fizer qualidade.
20:28Se não fizer o dever de casa.
20:30E aí, se você fizer o deverzinho de casa lá, que é o básico, que a gente faz na nossa
20:34vida já,
20:35a gente não fica sem tomar banho.
20:37Então, por que a gente não vai lavar um café, né?
20:39Ah, eu não vou lavar porque eu consigo vender.
20:41Não, isso aí não é justificativa mais.
20:43Hoje, a gente tem agregação de valor em cima dos cafés que são produzidos melhores, entendeu?
20:47Às vezes, só lavar o café, o cafeitor consegue 10% a mais do café.
20:52Isso acontece muito em Minas, acontece muito no sul do Espírito Santo Norte.
20:55A gente tem que levar uns puxão aí os produtores para poder estar melhorando isso aí.
20:59Mas, Rosa, agora, quando você vai para uma pessoa que produz café em massa, maior assim,
21:07a gente acha que a pessoa está produzindo pior, não.
21:10Ela está melhorando.
21:11Eu tenho um produtor aí que produz 10 mil sacas que já mudou o tipo de secagem dele.
21:15É de caldeira, é a gás, que é mais lento, é para produzir.
21:19Porque ele já viu que o mercado está mudando, entendeu?
21:23E aí, a gente tem que continuar batendo nessa teclazinha aí,
21:26porque o CVA veio para valorizar os cafés cada vez mais,
21:30mas os produtores também têm que se valorizar, né?
21:32Entendi. Então, essa mudança nesse protocolo vai mexer com os produtores nesse sentido, né, Rodrigo?
21:37Vai mexer com os produtores nesse sentido.
21:40Entendi.
21:40Vai ser muito mais do que matemática, mas vai continuar sendo qualidade.
21:44Você falou aí de rastreio, Rodrigo, que vem descrito, né?
21:49Nesse novo protocolo, o café, a amostra que o produtor levou para provar,
21:54ela vai vir com todo esse descritivo, além de estar lá assim,
21:57ah, 70 pontos, 72 pontos.
22:00Ela vai ter esse descritivo com essa historinha do produtor?
22:02Vai ter sim. Você quer falar?
22:04Ah, a gente, eu estou só...
22:05Pode falar.
22:06Só eu?
22:07É, eu falo, você complementa aí.
22:09Pode ser.
22:09É, vai ter sim.
22:11A gente, por além dessa rastreio, de onde que vem,
22:14a gente pode contar essa história de como foi feito, né,
22:17todo o processo, de quem produziu.
22:20E, além disso, se esse café ganha um concurso, a gente também pode colocar,
22:24porque isso daí valoriza ainda mais o café, né?
22:28Está certo?
22:28Sim, sim, sim.
22:29Aí, essa valorização se dá porque tem o protocolo físico,
22:32que agora eles vão valorizar mais.
22:34O que é o protocolo físico?
22:35É classificar o café lá.
22:36Quantos defeitos ele tem?
22:38Qual o aspecto desse café?
22:40Antigamente a gente fazia isso, mas era para comprador de comodity.
22:43Agora vai ser valorizado...
22:44Isso, tipo café tipo 7, tipo 7, 8, né?
22:46Ainda tem muito isso.
22:47Ainda tem muito isso, né?
22:48Se você pegar as cooperativas mais fortes aqui do Estado,
22:51elas têm isso ainda, né?
22:53Mas elas já estão valorizando.
22:54Vou pegar aqui, nada contra as outras cooperativas,
22:58mas a Coabriel, ela dá uma porcentagem a mais para quem tem bebida.
23:01Entendeu?
23:02É um pouquinho, acho que são 2 a 5%,
23:04mas já é alguma coisa de valorização.
23:07E se você pega no volume, isso vai fazer uma diferença?
23:09Com certeza, com certeza.
23:11Entendeu?
23:12E aí, agora tem o formulário extrínseco, né?
23:14Que você vai colocar.
23:15Ah, o arroz, vamos lá, seu café é da onde?
23:18Ah, meu café é de Linhares.
23:19Como foi produzido esse café?
23:22Ele foi despoupado?
23:23Ele foi cereja natural?
23:25Ele foi só lavado, né?
23:27Ah, não, foi cereja natural, só lavei ele, né?
23:31E quem fez isso?
23:32Ah, foi eu e minhas filhas.
23:33Olha, a gente está contando uma historinha ali.
23:35Como que chegou isso aí?
23:36Foi, ah, não, minha família veio para Linhares em 1900 e alguma coisa,
23:40e aí ele produziu.
23:42Hoje a gente tem lá uma SAF, a gente não tem só café,
23:45a gente tem uma SAF, que é o consórcio ali, né?
23:47Tem banana, tem café, entendeu?
23:50Estou pensando em mexer com café regenerativo,
23:53então essa história vai ser contada nesse formulário, entendeu?
23:56A gente também não pode deixar de falar que é o seguinte,
23:59o formulário sempre teve aí, o antigo e esse novo tem,
24:02mas para alguns mercados ele não vai servir tanto,
24:05mas o CVA pensa nisso, entendeu?
24:07Olha, se é isso que você queria, de onde que vem essa história?
24:10A Europa, os Estados Unidos?
24:12Eu estou aqui agora, você vai ver.
24:14Então a maioria dos cafés de exportação vão ter isso.
24:17Entendi.
24:18Voltando na coisa da venda,
24:20quando eu chego com uma amostra de café,
24:23eu contei essa historinha, isso veio lá toda na avaliação,
24:26quando eu chego para um comprador de um outro país, por exemplo,
24:31isso vai ajudar a vender?
24:32Isso é o que a gente estava falando da venda, Ariadna?
24:35É, é sim, porque ele vai ter todo esse rastreio, né,
24:39vamos dizer assim, ele vai saber como que foi feito,
24:42todos os processos, e além disso, nas avaliações,
24:45como vai ter essas duas formas de avaliação afetiva e descritiva,
24:49e vai ter essa régua, né, vamos dizer assim,
24:53ele vai ter todas as intensidades, né,
24:56então ele vai saber, ó, eu quero um café menos intenso,
24:58esse café então está menos intenso,
25:00então é o café que está dentro dos padrões que eu quero, né,
25:04ou caso ele quiser, ele vai, olha essa parte mais afetiva,
25:07ele prova esse café, olha mais para a parte afetiva do que ele quer, né,
25:11esse mercado.
25:12Ah, eu quero um café assim, então eu vou olhar mais para essa parte afetiva.
25:19Entendi.
25:20Isso que a Ariadna está falando...
25:21Eu só queria complementar o negócio que ela falou, né,
25:24agora eu vou puxar um peixinho para onde que eu trabalho,
25:26em Capé.
25:27Eu vou deixar, gente, eu vou deixar.
25:29O Encapé tem feito um trabalho muito legal aí de qualidade, né,
25:33montando lá o CKF, Centro de Cafés Especiais do Espírito Santo em Venda Nova, né,
25:38e tinha já uma unidade aqui com o Altino em Linhares,
25:41e aí montou mais três unidades, né,
25:43uma em Alto Novo, que é aqui no Noroeste,
25:45e outra lá em São José dos Calçados,
25:47com a Patrícia que faz um trabalho muito bonito com as mulheres do café.
25:50Sim, com as mulheres, legal o trabalho dela.
25:51O Tasso, que é lá em Muki, que não precisa nem apresentar, né,
25:56é referência de todo mundo.
25:58E também o, ai, esqueci o nome dele agora,
26:02que é lá de Irupi, né,
26:04e aí esse trabalho tem feito isso que você falou.
26:07Antigamente o cara ia lá e vendia o café dele,
26:10e não contava a história, ele acreditava naquilo que o comprador queria, entendeu?
26:14E aí a gente começou a contar a história já nesses laudos que a gente tem feito aí,
26:18e aí ele falou, não, esse seu café é bom,
26:20o seu café é feito de maneira significativa,
26:24e eu falo pelas minhas experiências aqui,
26:26eu tenho uma produtora lá em Alto Novo chamada Rosângela,
26:30que ela conta uma história muito bonita,
26:31o café dela chama Novo Começo,
26:33porque ela teve um novo começo de vida.
26:35ela veio lá de São Manuel do Mutuno,
26:37tem uns quatro anos,
26:38comprou uma terra em Alto Novo,
26:39ela e o marido dela e o filho dela.
26:41Ela não fazia café especial,
26:43em 2023 ela procurou o escritório do Incapé,
26:45foi quando a gente começou lá,
26:47e aí ela começou a perguntar como é que faz,
26:50como é que era,
26:51e aí ela teve uns problemas no marido dela,
26:53e ela conseguiu fazer o café sozinha,
26:55esse café especial.
26:56Em 2023 ela ficou lá em oitavo,
26:59no nosso concurso,
27:00e ficou ali,
27:00mas ela conseguiu fazer o café especial,
27:02quando a gente conseguiu colocar a merenda escolar,
27:04ela foi para a merenda escolar,
27:05e aí ela teve,
27:06ela teve um pezinho,
27:07tipo assim,
27:08eu posso fazer que agora eu vou poder vender meu café,
27:10entendeu?
27:11O ano passado ela conseguiu fazer um cafezão,
27:14que ela ficou em terceiro na premiação,
27:16foi para a semana internacional do café,
27:18conseguiu vender vários cafés lá,
27:21tanto cru quanto torrado,
27:22contou a história dela,
27:24e por causa desse café especial,
27:25e o preço do café no ano passado estava bom,
27:27ela conseguiu pagar a propriedade dela,
27:28comprar um carrinho,
27:29ela também é feirante,
27:31ela conseguiu fazer,
27:33melhorar a vida dela,
27:34da família dela,
27:35ela tem um filho menorzinho,
27:36e um filho que está estudando técnico agrícola agora,
27:39então ela conseguiu melhorar a vida dela,
27:40e da família dela todinha,
27:42transformou a vida dela,
27:43entendeu?
27:44E aí agora,
27:45com esse formulário novo,
27:46eu posso levar essa história,
27:47para que seja uma coisa que,
27:49sempre que ela for vender o café dela,
27:51olha aí,
27:51toma aqui,
27:52meu café novo começo,
27:53tem essa história.
27:54Você está falando dessa história,
27:56Rodrigo,
27:56e eu sei que Alto Rio Novo,
27:59você já me contou essa história,
28:00que Alto Rio Novo vendeu cafés,
28:02para cafeterias importantes,
28:04premiadas da Itália,
28:06quando esse comprador vem do exterior para cá,
28:11essa historinha para ele,
28:14é muito importante,
28:15não é?
28:16Aí a gente volta para a questão de vender,
28:18de ser mais fácil de vender.
28:20Às vezes,
28:21agora eu vou pegar esse exemplo que você deu,
28:23o italiano lá,
28:24o Carlos Bittencourt,
28:25que é o dono da cafeteria cafezal lá,
28:28ele veio aqui,
28:29e a primeira coisa que ele queria,
28:31eu quero provar o café,
28:32eu quero ir para casa dos produtores,
28:33que eu quero conhecer como é a vida deles,
28:35eu quero saber,
28:35né?
28:36E aí o Carlos,
28:36ele teve essa oportunidade de vir assim,
28:38como outros,
28:39mas tem gente que compra o nosso café lá fora,
28:41que não tem essa oportunidade.
28:42Com o CVA,
28:43ele vai ter essa oportunidade,
28:45e o produtor,
28:46ele vai poder mostrar a história,
28:47ele vai,
28:47olha,
28:47a minha história não foi eu que contei,
28:48tem gente que está contando a história num café,
28:50toma aqui,
28:51ó.
28:51Rodrigo,
28:52como é que fica a questão da pontuação?
28:55Agora,
28:56porque antes a gente tinha o café 80 pontos,
28:5782,
28:5890,
28:59não,
28:59não,
28:59agora,
29:00como é que fica,
29:00continua existindo essa pontuação?
29:02Continua tendo a pontuação na parte afetiva,
29:05no protocolo afetivo agora,
29:07que a parte de provas de pontuação,
29:11desculpa,
29:12ela sempre foi afetiva,
29:13sempre foi o que cada degustador achava de um café,
29:16né?
29:16E aí ele expunha as notas sensoriais,
29:18e ele colocava também o valor que ele achava que era para cada nota lá,
29:22sem variar muito,
29:23Ele tinha ali um teto para variar.
29:26Agora não,
29:27agora a gente só vai da pontuação na parte afetiva,
29:31né?
29:31Vai de 0 a 9 pontos,
29:33Antigamente no protocolo novo,
29:34era números decimais de 25 a 25,
29:38no coronel era de 5 a 5,25,
29:41até 9,75,
29:43o arábica era de 6 até 10,
29:47né?
29:48E agora não,
29:49agora é números fechados,
29:50né?
29:50De 0 a 9,
29:51você vai dar uma pontuação,
29:52e aí muito vai se dever também a parte descritiva,
29:56né?
29:56Porque lá na descritiva a gente vai colocar o sensorial de qual intensidade,
30:00por exemplo,
30:01de aroma,
30:01de fragrância,
30:03de sabor,
30:04e aí em cima disso a gente vai dar uma nota,
30:06e aí em cima dessa nota vai ter a pontuação igual era antes,
30:10só que agora a gente,
30:11antigamente a gente conseguia a gente mesmo calcular,
30:13né?
30:13Fazer uma soma ali,
30:16e agora não,
30:16agora tem uma calculadora que a Scar preparou,
30:18né?
30:19Futuramente isso aí deve ir para um aplicativo para ficar mais fácil,
30:22porque se tiver offline,
30:23né?
30:23Só tem na internet por enquanto,
30:24e aí ela dá pesos em cima de algumas coisas,
30:28por exemplo,
30:28o aroma e fragrância tem um peso,
30:31sabor e retrogosto tem outro peso,
30:33e no final ela dá uma pontuação.
30:35Por que essa calculadora é diferente?
30:37Para diferenciar um pouquinho dos cafés que eram 79,75 e 80,
30:43Que eram muito próximos e às vezes eram um valor de mercado,
30:46que você estava falando de preço, né?
30:48Era totalmente diferente,
30:49entendeu?
30:50Por causa de 25 décimos.
30:52Agora com essa calculadora,
30:53que ela considera peso,
30:55o que que acontece?
30:56Não tem mais as mutuações,
30:57um café 79, 75,
30:58ele pode ser um 78,
30:59e um café 80 pode ser 82,
31:02entendeu?
31:03Então está valorizando os cafés mais,
31:05geralmente dois pontos a mais,
31:07a gente conversando aí com os provadores,
31:09entendeu?
31:09E os cafés que eram bebida dura,
31:12né?
31:12Eles estão perdendo aí um ponto,
31:14um ponto e meio,
31:15entendeu?
31:15Entendi.
31:16Rodrigo,
31:16mas aí assim,
31:17a minha dúvida, né?
31:18Quanto a essa questão da pontuação é a seguinte,
31:20quando você for dar o resultado para um produtor,
31:22você vai falar para ele,
31:23ele vai ter uma pontuação do café,
31:25por exemplo,
31:25ah,
31:25meu café é 82 pontos,
31:27mas aí tem toda aquela análise descritiva.
31:29Sim.
31:29Mas essa pontuação,
31:30a gente continua tendo.
31:31Essa pontuação ainda vai continuar valendo,
31:33porque ainda na cabeça da gente,
31:35dos produtores,
31:36está esse negócio de 80 pontos mais,
31:37é café especial.
31:39Só que assim,
31:40segundo o protocolo novo,
31:41não existe isso mais,
31:42entendeu?
31:43Inclusive,
31:44antigamente a gente não pontuava o café com morte,
31:46agora pode pontuar o café com morte com um protocolo novo,
31:49entendeu?
31:50Entendi.
31:50Ele vai pontuar,
31:51todos vão pontuar agora,
31:52né?
31:53Só que aí com esse protocolo novo,
31:55a gente vai ter uma pontuação
31:56que vai falar mais a realidade,
31:59a Ariagem não estava falando aqui,
32:00acho que pode ter falado melhor,
32:01que o provador,
32:02às vezes,
32:03ele inventava uma nota ali,
32:04agora não tem como fazer isso mais,
32:05entendeu?
32:06É,
32:07isso é verdade,
32:08porque assim,
32:09igual você falou do produtor,
32:10o meu café vai ser assim,
32:11isso vai ser,
32:12o café dele vai estar em cima do,
32:14daquele gosto do mercado,
32:16o que aquele provador,
32:17naquela região,
32:18gosta.
32:19e bom,
32:20essa questão do provador não inventar mais a nota,
32:24é porque a gente vai estar usando o aplicativo,
32:26então vai ser a partir do gosto dele,
32:29e aí o peso dessas notas de 0 a 9,
32:32vai ter esse peso lá no aplicativo,
32:33então o provador,
32:34vai ser mais difícil para ele,
32:35ah,
32:36um café daqui,
32:37então eu vou jogar para dar uma nota mais alta,
32:40mas a gente não vai conseguir por conta desse aplicativo.
32:43Vai ficar mais confiável,
32:44gente,
32:45digamos.
32:45Vai ficar mais confiável.
32:46Mais confiável,
32:47uma nota mais apurada.
32:48Agora vai ficar mais apurada as notas,
32:50com certeza,
32:51só que assim,
32:52a gente tem que entender que esse protocolo novo,
32:54ele está começando agora,
32:56como tudo que começa tem aprimoramento,
32:59né?
32:59Eu ia fazer essa pergunta também,
33:01que a gente está falando,
33:02vocês falaram aqui de tantos benefícios e tal,
33:04tem alguma crítica a esse novo protocolo?
33:07Ou são tudo flores?
33:09Não,
33:10não é tudo flores não,
33:11mas pode falar,
33:12a gente estava até comentando aqui.
33:13A gente estava falando mesmo,
33:14porque lá mesmo,
33:16no momento do curso lá,
33:19a gente que estava aprovando,
33:20a gente do Conilão,
33:21a gente achou muitas coisas que faltavam para o Conilão,
33:25e algumas coisas que ficaram subentendidas,
33:27que até mesmo o próprio instrutor não sabia dizer para a gente
33:32sobre algumas coisas referentes ao gosto da bebida,
33:38tinha coisas lá,
33:39uma amanteigada,
33:39a gente não sabia se era algo bom ou ruim,
33:41aquele teor de a intensidade do amargo,
33:45a gente não saberia se para o Conilão,
33:47isso,
33:48porque o Conilão ele é mais amargo,
33:50né?
33:50Por causa da febre,
33:51porque até então,
33:52a gente atrapalhou um pouquinho,
33:53a gente tinha dois protocolos diferentes para provar,
33:56um para o Conilão e outro para o Arápica,
33:57agora é um só para os dois.
33:59Muda isso também,
34:01Muda também.
34:02E aí,
34:02entra naquilo que eu comentei com você aí,
34:05numa reportagem que a gente fez,
34:07que veio para melhorar para o Conilão isso,
34:09entendeu?
34:09Vai valorizar mais o Conilão.
34:11A gente falou do dia 1º de outubro para entrar em vigor esse novo,
34:15para passar a valer.
34:16A gente tem algum risco aí de,
34:18devido a essas inconsistências que vocês estão falando,
34:21isso ser adiado?
34:22Não.
34:23Não existe?
34:24Não.
34:24A Scar falou que até dia 1º de outubro,
34:26todo o Key Grader,
34:27pelo menos que não fizer,
34:29ele vai perder a certificação dele de Key Grader,
34:33e aí a partir do dia 1º de janeiro,
34:35ele vai começar o curso novo de Key Grader,
34:37que a gente está para mudar,
34:38a gente nem sabe,
34:39hoje ele chama Evoluments,
34:41mas pode ser outra coisa,
34:42eu já falo em Key Evolution,
34:43o nome,
34:44a nomeação do profissional.
34:46A nomeação ainda,
34:46até então é Key Grader,
34:48vai continuar,
34:49e aí isso vai começar a partir de janeiro,
34:51acaba em outubro,
34:52o protocolo antigo,
34:53e começa em janeiro os cursos de Key Grader,
34:56entendeu?
34:56Entendi.
34:57E aí eles não tem como mais voltar atrás,
34:59eles vão,
35:00tipo assim,
35:01da agora para frente,
35:02eles vão consertando com...
35:04Vão trocando pneu com carro andando.
35:06Isso, isso, isso, isso aí.
35:07Isso aí.
35:08É isso aí, né?
35:09Mas assim,
35:09a ideia em si,
35:11apesar de ter essas inconsistências,
35:13é que ficasse mais fácil para todo mundo entender
35:15por que é que um café é especial.
35:17Eu sou um defensor do CBA por causa disso,
35:20eu acho que ele veio para poder dar...
35:23Eu já estudei para ser professor,
35:25eu acho que ele é mais didático,
35:27para as pessoas entenderem.
35:28Mais claro, Rodrigo.
35:29Eu, é...
35:30Quando a gente...
35:31A Ariadna ajuda a dar curso aí,
35:33acho que ela já deu o curso de análise sensorial e classificação,
35:36eu também já dei,
35:38e eu achava muito mais difícil nesse protocolo,
35:40quando você ia lá para a bebida,
35:41para explicar às pessoas em si o que quer.
35:43O que fazia a pessoa aprender é o quê?
35:45Provar, provar, provar, provar.
35:47Hoje, quando você faz o descritivo, o físico,
35:51eu acho que ele é mais explicativo, entendeu?
35:53A gente deu um curso para uma escola lá do CIR de Boa Esperança,
35:57e os meninos pegaram muito melhor.
35:59Na hora de provar, eu acho que eles sentiram melhor,
36:01a pontuação estava batendo legal ali, entendeu?
36:05Entendi, entendi.
36:06Bom, nós vamos, então, terminando aqui o nosso momento agro.
36:11Eu espero que tenha ficado mais claro para todo mundo, né,
36:14sobre esse novo protocolo,
36:16que já está aí prestes a entrar em vigor.
36:19Eu quero agradecer a Ariadna pela presença,
36:23por ter vindo aqui bater esse papo com a gente.
36:25Quero agradecer também o Rodrigo, né,
36:27que veio aqui bater esse papo com a gente,
36:29explicar isso para a gente melhor.
36:32E torcer aí, né,
36:33para que essas inconsistências sejam ajustadas o quanto antes,
36:37e que realmente traga aí essas novidades,
36:40e seja aí benéfico ao produtor.
36:43Porque, no final das contas, gente,
36:44o que interessa é isso, não é, Rodrigo?
36:46É que seja bom para o produtor.
36:49Que o produtor, que tem essa dedicação toda
36:51para fazer esse trabalho, para fazer esse café,
36:53que esse retorno para ele seja ainda maior e ainda melhor.
36:57Para que ele possa ser valorizado, né,
36:59todo o trabalho que ele teve ali.
37:01O trabalho não terminou ali quando ele colheu o café,
37:03começou muito antes.
37:04Muito antes.
37:05E termina muito depois da colheita também.
37:06E termina muito depois da colheita.
37:08Começa antes e termina depois, né?
37:10Isso aí.
37:11Exatamente.
37:11Então, é isso, gente.
37:13Muito obrigada aos nossos convidados de hoje.
37:15Obrigada.
37:16Pela presença.
37:17E a gente volta na semana que vem
37:19com mais um Momento Agro.
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