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  • há 5 semanas
Videocast aborda os impactos do tarifaço americano na produção da fruta.

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Transcrição
00:00Nós estamos iniciando mais um Momento Agro e hoje a gente vai falar sobre o mamão,
00:08exportação de mamão para os Estados Unidos. Então hoje nós vamos conversar com José Roberto Macedo Fontes,
00:14que é o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Papaya,
00:19e com o Rodrigo Martins, que é produtor de mamão, não é Rodrigo?
00:24E exportador, exportador inclusive para os Estados Unidos.
00:29Zé, vamos começar com você aí que deve ter um panorama de toda essa situação aí por causa da associação.
00:36Qual o cenário, Zé Roberto, das exportações do mamão diante dessa situação aí do tarifaço?
00:43Bem, bom dia a todos. Bom dia, Rosa. Bom dia, Rodrigo.
00:47O processo de exportação para o mercado americano, que iniciou na década de 90,
00:52ele é um mercado bem estratégico e as empresas iniciaram esse processo com aumento de volume considerável.
01:00Mas devido a toda a dificuldade, porque é interessante que se entenda que produzir mamão
01:05para exportação para o mercado americano, ele tem uma dificuldade muito superior para qualquer outro país.
01:10Porque nós temos aqui no nosso país pragas quarentenárias para os Estados Unidos, principalmente mosca da fruta.
01:17E aí o processo demanda...
01:19É mais exigente.
01:20Mais exigente, mais caro, muito mais caro do que produzir mamão para a Europa ou outros países.
01:26Então, todo esse volume que iniciou com um apetite muito grande de abertura de mercado e crescente,
01:35ele teve uma queda ao longo do tempo devido a essas dificuldades normais
01:39e o alto investimento necessário para a abertura de mercado.
01:42Nós estamos falando de um país como os Estados Unidos, que também é continental.
01:46Então, não é puro e simplesmente demandar e exportar mamão à vontade.
01:51Então, esse volume veio decrescendo, decrescendo até a gente atingir ultimamente de 6% a 10% do volume que
01:58a gente exporta.
02:00Então, hoje, o mercado americano, por exemplo, vamos colocar em país, é o sétimo país em volume de exportação.
02:08É estratégico, é interessante, mas é um volume considerável, obviamente, 6% a 10%,
02:14mas não impacta tanto no global.
02:19E aí, o que aconteceu?
02:21Com esse tarifaço, a gente já tinha uma tarifa de 10% para o mamão entrar no mercado americano,
02:27que se ajustava a esse preço local, e 50%, obviamente, é um impacto muito alto.
02:34Então, como a maioria, atualmente 100% do nosso modal é aéreo,
02:40a gente conseguiu enviar até próximo à entrada do tarifário tranquilamente.
02:45Nos últimos dias ali, né, antes de começar.
02:47Diferente de outros produtos que vão via marítimo, que você já tinha que tomar precauções antes.
02:52As precauções foram tomadas, né, os exportadores, obviamente, com o assunto,
02:57entraram em contato com seus clientes lá e tudo, e tentaram essa conversa.
03:01O que a gente percebeu é que está acontecendo um ajuste.
03:06Houve, obviamente, uma pequena redução no volume enviado até se ajustar melhor isso,
03:12mas os exportadores estão mantendo o mercado até mesmo porque sair desse mercado ou tirar o pé dele não é
03:20interessante,
03:21é estratégico.
03:22Uma vez que você sai de um mercado, dificilmente você consegue retornar.
03:25Sim, não dá para deixar de enviar, né?
03:27Exatamente.
03:28Então, eles têm mantido esses envios nessa conversa.
03:32Obviamente, esse preço final tem sido repassado ao consumidor americano,
03:38porque, como eu disse, é bem ajustado essa questão de valores e custos de produção.
03:46Então, o que a gente espera é que novas conversas e acordos entre os governos aconteçam
03:53para que isso reduza ou venha melhorar um pouco as condições,
03:58para se voltar a pensar num aumento de volume.
04:03Mas, digo, é um mercado estratégico e a gente não deve sair dele, obviamente.
04:10Não dá para deixar de lado, né, Zé?
04:11A gente sabe, assim, o Brasil, o Espírito Santo, é o maior produtor e exportador de mamão, Zé.
04:19Quando a gente fala de Estados Unidos, você falou aí de 10% da produção.
04:2510% nós estamos falando de quantas toneladas?
04:28Então, é importante dizer outra coisa também.
04:30O Brasil, ele é um grande produtor de frutas e também com mamão,
04:37mas a gente exporta no máximo, não só para os Estados Unidos, mas para todos os locais,
04:42é, às vezes, 3%.
04:43Aqui no estado, que tem um pouco mais o perfil, não chega a 5% de volume, muitas vezes.
04:50Então, nós estamos falando de um pequeno percentual exportado.
04:55Então, quando a gente trabalha o assunto de exportação de frutas,
04:58é interessante dizer que grande maioria fica no nosso país e trabalha-se o mercado aqui dentro.
05:07Atualmente, por exemplo, nesse ano, a gente exportou até agora em volume para o mercado americano
05:15o valor aí de 1 milhão e 750 quilos.
05:20Isso de janeiro?
05:21De janeiro até julho, mais ou menos.
05:24Mas é um valor considerado, 2 milhões e 360 mil dólares já.
05:30Então, o Brasil exportou e vinha numa crescente de exportação também.
05:35Ano passado, a gente já havia batido um recorde de exportação, não só de volume, de valores também.
05:41Esse ano, a tendência também é essa, vem acontecendo.
05:46A gente só precisa verificar se esse pequeno volume de redução para o mercado americano
05:50não compensaria isso e a gente não volte a bater recorde.
05:54Mas a gente está falando aí de um volume que pode ser ampliado.
05:58Então, nós temos hoje competência no Brasil de exportar muito mais do que exportamos em frutas.
06:05O que a gente precisa fazer é essa organização e principalmente logística.
06:09Nós temos uma logística que peca muito, que faz muita perda de produto ao longo do arranjo produtivo
06:18e isso atrapalha bastante as exportações.
06:21No caso do mercado americano, é um mercado bem seletivo.
06:25Nós estamos falando aí de atualmente quatro empresas apenas exportando.
06:30Basta lembrar também que para exportar para o mercado americano,
06:35apenas empresas associadas à Abrapex realizam esse processo de exportação do mamão.
06:40Porque a Abrapex é a signatária do acordo bilateral do plano.
06:45Ah, entendi.
06:46Tem que ter essa...
06:47Tem que ter essa credencial associada a Abrapex para realizar a exportação para o mercado americano.
06:53E essas quatro empresas, então, associadas a Abrapex, têm realizado.
06:57As quatro empresas hoje dentro do Espírito Santo.
07:00Então, 100% hoje, praticamente, das exportações sai do Espírito Santo.
07:05Alguma coisa dessas mesmas empresas de produção no Nordeste tem também um pequeno volume
07:12que consegue enviar de lá, alguma logística que facilite isso.
07:17Mas vamos dizer, 99% do mamão sai daqui do Espírito Santo e via aéreo.
07:23Então, a gente precisa trabalhar essas questões logísticas.
07:26A gente tem um aeroporto de Vitória que já poderia estar operando e facilitando
07:32para a gente aumentar esse volume.
07:33Então, Rose, a questão logística nos impede muito esse avanço de volumes de exportação, sem dúvida.
07:41Entendi.
07:42Rodrigo, você é uma dessas quatro empresas aí que o Zé falou, né?
07:47Como é que vocês estão encarando essa situação do tarifácio nas exportações para os Estados Unidos?
07:56Bom dia.
07:57Bom dia, Rose.
07:58Bom dia, Zé Roberto.
07:59Então, antes de mais nada, a gente vale ressaltar que o produto mamão não era tarifado, né?
08:06Lá atrás, até as medidas adotadas pelo governo americano, nós éramos isentos de tarifação.
08:13Então, estávamos num mercado onde a fruta já chega mais cara, porque o modal dela é 100% aéreo de
08:20exportação,
08:21não só para os Estados Unidos, mas para outros países da Europa também.
08:24Então, assim, é uma fruta que a gente já tem dificuldade de competir, porque os Estados Unidos, por exemplo,
08:29é um dos grandes importadores de mamão do mundo, né?
08:32E ele importa basicamente essa fruta do México, que é um país que está geograficamente falando, é um vizinho, né?
08:41Então, é muito mais fácil e muito mais barato exportar.
08:45As exportações lá, a grande maioria são via caminhões.
08:48Então, assim, esse é o nosso grande concorrente.
08:50Não esbarra na questão da logística que o Zé acabou de pontuar.
08:53Justamente. A nossa logística, além de ser uma logística um pouco mais complicada, né?
08:58A gente demanda de aviões aí, de companhias aéreas e tal, e também muito mais cara.
09:05Então, a fruta, ela era isenta, né? Voltando a falar da tarifação.
09:10Quando o governo implantou, em primeiro momento, nós estávamos pagando 10%.
09:16Esses 10%, quando começou a entrar em vigor, nós colocamos no preço e tudo, a coisa foi ainda passando.
09:24Quando veio a notícia dos 50%, quer dizer, aumentar mais 40% do que já estava tarifado,
09:32aí foi um susto, porque a dúvida era a seguinte, será que a gente vai conseguir repassar isso para o
09:37cliente?
09:37A fruta já é tão cara em relação ao nosso concorrente principal, como que a gente vai fazer?
09:42Porque a nossa, como o Zé falou, o volume exportado para os Estados Unidos chega mais ou menos aí,
09:49quando chega a 10% do volume total exportado brasileiro.
09:52É um volume, assim, que poderia ser muito maior se a gente tivesse condições melhores de frete aéreo e tudo,
10:00né?
10:00Haja visto que o Brasil já exportou no passado a fruta por via marítima,
10:05que chegava a ser mais barata e mais competitiva.
10:08Por isso que a gente, para o mercado americano, se a gente for ver lá as estatísticas lá atrás,
10:14a gente tinha até um volume maior de exportação.
10:17É um dado interessante, a gente chegou a fazer 8 milhões de toneladas no ano.
10:23É, 8 mil toneladas, isso aí.
10:24Quer dizer, hoje a gente faz aí com muito esforço por via aérea 4 mil toneladas,
10:29então praticamente a metade.
10:31Então assim, toda fruta que tem essa característica de exportação por via marítima,
10:35é natural que ela se exporte mais.
10:37Por exemplo, a manga hoje, que é quase que 100% por via marítima,
10:40é uma das frutas mais exportadas pelo Brasil.
10:44Manga, uva, melão.
10:45Então assim, o mamão, não.
10:47O mamão é uma fruta perecível, ela precisa de uma logística rápida.
10:50É possível fazer por via marítima?
10:52É, mas tem vários entraves aí, as questões...
10:57O próprio tempo, né?
10:58É, a gente, assim, a gente está esperando esse porto da Imetama,
11:02e eu acho que vai ser uma grande, de grande valia para o setor, né?
11:06Não só de fruticultura, mas para café, enfim, para o agro em geral, né?
11:09E outros setores também, a gente espera muito ansioso com isso.
11:14Mas assim, quando veio, voltando à questão da tarifa,
11:17nós ficamos muito preocupados e assim, começamos a operar.
11:20Conversamos com todos os clientes que nós tínhamos, né?
11:24Tanto varejista como distribuidores.
11:26Eles também ficaram um pouco apreensivos,
11:28porque a fruta, como eu falei, já chegava cara.
11:31Quer dizer, vai chegar mais cara?
11:32Como que isso vai ser tratado pelo consumidor?
11:35Enfim, é notório que o volume caiu, né?
11:40No primeiro momento, chegou-se a gente,
11:44nas primeiras semanas aí, a gente está fazendo metade do que fazia.
11:48Caiu pela metade, então, Rodrigo?
11:50É, vamos dizer assim, nas primeiras semanas.
11:51E agora a coisa está se assentando.
11:53A gente está conseguindo, né?
11:55Repor um pouco desse volume que foi perdido lá atrás.
11:58Mas ainda é um volume menor do que a gente vinha fazendo
12:02na época da tarifação zero a 10%.
12:06É uma preocupação para o futuro.
12:08A gente não sabe porque a economia, né?
12:10Não só brasileira, mas mundial, é muito instável.
12:13Você vive numa corda bamba, né?
12:15Um dia é uma coisa, outro dia outra notícia.
12:17Então, assim, a gente vai vivendo um dia de cada vez
12:21e tentando montar estratégias para que certas coisas como essa, né?
12:26Não influenciam tanto no nosso negócio.
12:29É claro que nós temos outras saídas.
12:32Mercado interno, mercado europeu, como foi falado.
12:34Mas, como o Zé Roberto bem falou,
12:36é um mercado muito importante.
12:37Nós não podemos desprezá-lo.
12:40Exatamente.
12:40Era um dos mercados que mais rentabilizava para nós.
12:43Talvez não tanto hoje, mas...
12:45Então, é um mercado especial.
12:47E, assim, nós vamos trabalhar para que não...
12:52Para não perder esse mercado, né?
12:54Haja visto que, principalmente nos Estados Unidos,
12:56se você tira um produto de gôndola para você retornar com ele,
12:59é uma luta.
12:59Aí o investimento é muito mais caro.
13:01Então, vamos trabalhando, vamos tentando aí colocar
13:05esse valor agregado aí no produto.
13:09Tenho certeza que a gente, com o tempo, a gente vai conseguir.
13:12E, principalmente, porque a nossa fruta,
13:15em termos de qualidade, sabor e segurança alimentar,
13:19não é porque é nossa, mas é muito diferente
13:22das que é comercializada de outros países lá.
13:25Entendi.
13:26Rodrigo, tem perigo de risco, né?
13:28De perder fruta, de estragar fruta,
13:30por causa dessa queda de exportação para os Estados Unidos?
13:34Ou isso não está no radar?
13:36Não, não chega a esse ponto, porque, como o Zé Roberto falou,
13:38o país é um país altamente, o consumo de mamão, né?
13:43Dessa fruta no Brasil, então, é bem alto.
13:48Então, assim, não chega a perder.
13:50Mas, claro que a rentabilidade vai diminuir.
13:53Uma fruta que eu coloco no mercado americano,
13:56que eu tenho aqui, por ventura, trazer para comercializar no Brasil,
14:00eu não vou ter a mesma rentabilidade que eu teria lá.
14:03Então, essa é a perda, entendeu?
14:05Entendi.
14:06Zé, se sobra mamão aqui, né?
14:09O Rodrigo falou, não vai perder, porque o mercado interno absorve.
14:12Pode acontecer uma queda no preço da fruta para o consumidor final ou não?
14:17Então, é importante que se diga que cada mamão direcionado a cada mercado,
14:22ele tem um mecanismo diferente de produção.
14:25E, como eu disse, o mamão produzido para o mercado americano,
14:28ele tem seu custo, suas exigências.
14:30Não é o mesmo mamão, muitas vezes, que eu vou produzir para a Europa.
14:34A Europa, por exemplo, é um continente que pega mais na questão de resíduo químico.
14:40Então, muitas vezes, o mamão que eu estou produzindo para o mercado americano,
14:43eu não consigo colocar e exportar para a Europa automaticamente.
14:47Porque ele pode conter algumas moléculas permitidas para os Estados Unidos,
14:51que não são permitidas na Europa.
14:53São legislações diferentes, internas.
14:55Exigências diferentes, então, por exemplo, mesmo um produto registrado,
15:00um defensivo agrícola registrado para o mamão que eu posso usar para o mercado americano,
15:05eu não posso usar, muitas vezes, para a Europa.
15:08No Brasil, é menos complicado, porque eu trago todos esses produtos utilizados,
15:13permitidos aqui, são aceitos no Brasil, e eu trabalho no mercado interno.
15:17Com uma diferença, é que para trabalhar o mercado interno,
15:21o preço do mamão, muitas vezes, no mercado interno,
15:25como a gente está muito controlado pela oferta e demanda,
15:29e o mamão é uma fruta climatérica também, um fruto tropical,
15:33e que muitas vezes não tem previsão de volume,
15:37muitas vezes o volume produzido em uma semana dobra na outra,
15:41basta ter um mormaço, um calor.
15:43Então, esse tempo mais frio, a fruta fica mais tempo na planta,
15:47então, reduz volume, o preço aumenta.
15:50Então, o mercado interno, diferente do exportação,
15:53ele é muito sensível à oferta e à demanda,
15:57diferente do fruto de exportação.
15:58Então, nesse caso, eu trazer esse produto também para o mercado interno,
16:03eu acabo reduzindo muito esse preço,
16:06e que chega muitas vezes, nós passamos aí alguns períodos,
16:09alguns dias atrás, que o produtor realmente reclamou
16:12que estava abaixo do preço de custo.
16:15E isso é uma realidade do mercado brasileiro.
16:19E as exportadoras, para também agregar valor a todo esse volume
16:24que ela recebe do produtor,
16:26se ela fosse tirar apenas o fruto de exportação,
16:29o produtor descartaria um volume muito grande de fruto.
16:33Então, as exportadoras, buscando ajudar esse arranjo produtivo,
16:37compra do produtor tanto o tipo exportação quanto o tipo mercado interno
16:41e tenta encaixar isso no melhor mercado.
16:44As exportadoras trabalham com grandes redes de supermercados, por exemplo,
16:48que já é um valor mais agregado nos grandes centros
16:50e que espera-se que remunerar melhore esse valor.
16:55Mas, muitas vezes, isso não é a realidade.
16:57Então, eu brinco muito porque as pessoas falam assim,
17:00ah, Zé Roberto, mas o mamão realmente de qualidade exporta,
17:03o ruim fica aqui no Brasil.
17:04É, a gente ouve isso, né?
17:06Essa não é a realidade.
17:07O mesmo mamão que as exportadoras produzem para exportar,
17:11comercializa no mercado interno,
17:13porque vem da mesma lavoura,
17:15dos mesmos tratos culturais,
17:18com a mesma responsabilidade contra contaminantes do alimento,
17:22contra a responsabilidade social, ambiental.
17:25Vamos dizer que isso é considerável aqui no Brasil,
17:28porque as regras trabalhistas sociais aqui no Brasil
17:31são pesadas para o produtor, então é muito caro produzir no Brasil.
17:37Então, essas exportadoras produzem o mesmo produto.
17:39A única diferença é que, como a gente está falando de um fruto
17:43que é exótico lá fora, mas é muito comum no Brasil,
17:46eu não deixo de consumir o mamão que está com algumas manchas,
17:49alguns defeitos de pele, uma cicatriz,
17:52porque eu conheço a fruta, para mim não é uma fruta exótica,
17:54sei que aquilo não é nenhum problema,
17:56mas a qualidade interna do mamão, de segurança do alimento,
18:00é a mesma de exportação.
18:01Então, por isso que eu brinco sempre,
18:03você quer comer um mamão garantido com a segurança do alimento,
18:07compre mamão de exportadora nas gôndolas dos supermercados nacionais.
18:12Então, se você vai a um mercado comprar mamão,
18:15procure aquele mamão que tem o selo de uma exportadora.
18:17Você vai estar comprando um mamão de qualidade sem contaminantes,
18:21com certeza.
18:22Então, a qualidade é a mesma.
18:24Então, mas voltando ao que o Rodrigo disse,
18:26o grande problema é a margem de se trabalhar isso aí.
18:31Não compensa ficar só desviando o mamão de exportação para o mercado interno
18:35nos casos desses, porque a margem realmente não se suporta.
18:40Não aguenta, não consegue.
18:42Não aguenta, o valor agregado no mercado interno é baixo.
18:45E como eu disse, até hoje, no arranjo produtivo do mamão,
18:49o que segura realmente o nosso arranjo produtivo economicamente
18:52é o pagamento de tipo exportação.
18:55Entendi.
18:56Zé, negociação com o mercado.
19:01A gente vê no caso do café, eu tenho acompanhado da carne bovina,
19:06que os Estados Unidos é um grande comprador,
19:08eles estão aí em constante negociação.
19:10Falei até ontem com o pessoal da Ccafé.
19:12No caso do mamão, existe alguma negociação em curso?
19:16Como é que está isso?
19:17Então, o nosso mamão, como o Rodrigo falou,
19:20é o mamão mais desejado do mundo inteiro.
19:22Nós temos a melhor qualidade, nós temos o melhor fruto internacional.
19:27Outros países, principalmente a América Central,
19:30vieram, copiaram não só técnicas, mas também genética nossa,
19:34estão avançando um pouco nessa qualidade,
19:37mas o nosso ainda é o fruto preferido.
19:39A abertura de mercado, ela depende basicamente de negociação
19:44entre os países, de tarifas, que é o caso que nós estamos falando,
19:49depende de possibilidades de pragas quarentenárias,
19:53e aí tem que se tomar esse cuidado, e aí vai para o lado técnico,
19:57e depende também de todo esse arranjo com fornecimento de possibilidade de exportação.
20:05Hoje, por questões logísticas, a gente não tem ainda como acessar os mercados asiáticos,
20:11que são mercados de altíssimo valor agregado.
20:15Haja vista que, algum tempo atrás, frutas tropicais no Japão, por exemplo,
20:22você compra uma cesta de fruto tropical com cinco, seis frutos,
20:26pagando 800, mil dólares.
20:27É um presente, muitas vezes, que é dado, uma cesta de fruto tropical.
20:34Só que a logística, muitas vezes, não nos permite esse acesso,
20:38e algumas questões também que são, não tarifárias, mas barreiras sanitárias.
20:43Recentemente, nós trabalhamos o mercado do Chile.
20:46Sim.
20:46O mercado do Chile foi aberto, nós conseguimos,
20:49via Abrapex, Ministério da Agricultura,
20:52apoio do Incaper, do IDAF,
20:54e a gente conseguiu trabalhar essa negociação e chegamos a um acordo.
20:58Hoje, a gente tem um acordo de exportação para o mercado chileno.
21:02Só que esse desenho do plano,
21:04ele ficou um pouco engessado,
21:07porque as regras superaram as regras para o mercado americano.
21:12Mais exigente ainda.
21:14Tecnicamente, ficou inviável no atual momento,
21:17e nós estamos buscando uma saída para isso,
21:20para tentarmos iniciar essa exportação para o mercado chileno.
21:25Mas é interessante dizer que o mercado chileno
21:28é mais um potencial nosso de exportação,
21:30para ampliar a exportação.
21:32Se eu já tenho um mercado americano,
21:34não é trocar o americano pelo chileno,
21:36é permanecer com o americano e aumentar também via o mercado chileno.
21:42Essas negociações, a gente está sempre aberto,
21:44a gente tem uma negociação também em andamento
21:46há vários anos para a África, também de exportação,
21:50que ainda não avançou devido.
21:52É porque essas questões de abertura de mercado,
21:55ela depende basicamente do governo federal
21:59e objetivos de trocas internacionais.
22:02Então, é algo bem complexo.
22:05Não depende só do ramo produtivo e do cliente lá fora
22:10desejar o nosso produto.
22:11Depende de uma força comum entre os governos desses países.
22:16Então, isso engessa muito
22:18e tem que entrar na cesta de negociação entre os países.
22:22A gente vê aí a questão do Mercosul,
22:25como que está com a Europa até hoje.
22:28Deve agora divulgar o que deve avançar um pouco.
22:31Então, são expectativas que nós temos também de ampliação.
22:35Mas é um mercado bem complexo trabalhar.
22:39Obviamente, o mercado interno é bem mais facilitado nesse aspecto.
22:43Entendi.
22:44Zé, e quando a gente fala de negociação com os Estados Unidos
22:47para essa tarifa de 50% baixar,
22:51existe alguma negociação?
22:52Existe alguma expectativa para isso acontecer?
22:55Num curto prazo?
22:56Num médio prazo?
22:57Então, a questão da tarifa em si,
23:00que é o principal problema,
23:01nos preocupa muito porque isso está na mão do governo.
23:05Governo federal.
23:06É isso aí.
23:07E a gente não vê,
23:09pelo menos a nossa expectativa,
23:11que isso tivesse caminhado um pouco para a negociação
23:14e até hoje não se tem essa negociação de fato.
23:19Tem acontecido investimento privado
23:22de comissões conversando para tentar resolver isso,
23:27mas nada disso resolverá se não houver um acordo entre países.
23:32Esse é um problema.
23:32Outra frente que nós temos trabalhado,
23:35além dessa frente que o Rodrigo colocou de negociação,
23:38mas aí é transferência desse valor para o cliente final
23:41e que também não resolve o problema,
23:43é reduzir os nossos custos.
23:45E aí sim,
23:46a gente tem uma tarefa de casa bem interessante a se fazer,
23:50porque esse plano bilateral assinado com a Abrapex,
23:54e o EIFES e o SDA são os órgãos americanos oficiais para isso,
24:00determina algumas considerações necessárias.
24:03Quando a gente trouxe esse programa para o mercado,
24:06para o Brasil,
24:09e oficializou isso dentro do Ministério da Agricultura e tudo,
24:14outras barreiras foram criadas e algumas burocracias desnecessárias.
24:18Só que é a burocracia que traz custo para o exportador.
24:22Então, a tarefa que a gente tem atuado junto com o governo do Estado,
24:26nessas reuniões que são feitas,
24:28a gente está tentando viabilizar,
24:31não uma facilitação do processo,
24:34mas uma redução de burocracia que cria custos para a gente.
24:38A gente vê...
24:39Facilite, né, Zé?
24:40E nós vamos ter que nos tornar mais eficientes,
24:43baixar custo de produção para conseguir enfrentar
24:47caso essas barreiras de tarifa permaneçam.
24:51Então, nós temos que trabalhar isso,
24:53porque não é só colocar e transferir para o cliente final,
24:57a gente tem que fazer esse dever de casa.
24:59Estamos também nessa frente de trabalho,
25:01também na parte de redução de custos da produção para o mercado americano.
25:05Como eu disse, é um custo bem mais alto
25:08do que produzir para a Europa e outros países.
25:10Essas são as frentes que hoje a gente tem buscado enfrentar.
25:14E a associação, como trabalha toda essa parte institucional,
25:17a Abrapex não comercializa mamão,
25:20a Abrapex é apenas institucional e de suporte às exportadoras.
25:25A gente tem buscado tramitar nesses meios,
25:28nessas comissões e nessa discussão nacional.
25:31E temos sido convidados para estar presente
25:34a todo momento nessas discussões.
25:37E a gente vê essas frentes de trabalho.
25:39redução de custo interno,
25:41mas a expectativa é grande
25:43de que haja uma conversa oficial
25:46entre os nossos governantes.
25:48O que, infelizmente, ainda não aconteceu.
25:51É, exatamente.
25:52Também.
25:53Rodrigo, é fácil reduzir custo?
25:56É o nosso grande desafio hoje.
25:59É fácil reduzir?
26:01Ainda mais como está difícil a mão de obra,
26:03a questão da mão de obra.
26:04Hoje a gente tem um déficit grande de postos.
26:09Na verdade, nós temos postos de trabalho
26:11e não temos mão de obra qualificada
26:13para atender nesses postos de trabalho.
26:16Então, hoje, o que as empresas estão buscando
26:18é investir em tecnologia,
26:21em melhorar seu pátio operacional
26:25para que a gente dependa menos dessa questão.
26:28Infelizmente, da mão de obra.
26:29Nós queremos empregar,
26:30mas nós temos essa dificuldade.
26:32E isso está tornando cada vez mais caro para o processo.
26:36E impossibilitando, muitas vezes,
26:37de abrirmos novas áreas de produção.
26:39E isso é a grande preocupação.
26:41Então, assim, não é nem o desafio,
26:43nem crescer, é se manter.
26:45Entendi.
26:46Então, assim, quando eu falo isso,
26:48porque nós temos colegas de vários segmentos,
26:51além do agro e outros também.
26:53Então, assim, há tempos atrás,
26:55nós trabalhávamos para sempre buscar crescimento
27:00no nosso negócio,
27:02empregar mais, gerar mais receita.
27:05Mas hoje, o grande desafio é se manter.
27:07Então, buscando alternativas aí
27:10na busca de tecnologia,
27:13de melhorar mais a informação dentro do processo
27:16e criar, sair fora da caixa.
27:20Criar novas estruturas.
27:22Inovar, né, Rodrigo?
27:23Inovar.
27:24Rodrigo, quando a gente fala,
27:26como o Zé falou,
27:27a Abrapex não faz negociação,
27:29não comercializa.
27:30E vocês fazem isso,
27:32que são os exportadores para os Estados Unidos.
27:35Por parte dos importadores,
27:38os clientes de vocês,
27:40vocês sentem que eles fazem alguma pressão
27:42para o governo americano reduzir essa taxa?
27:44Ou não tem isso?
27:45Quando a gente fala do café, por exemplo,
27:47a gente vê um movimento
27:48de quem compra lá também,
27:50negociando e buscando formas
27:52de chegar aí num acordo e de reduzir.
27:55No caso do mamão,
27:56os compradores lá,
27:57tem esse movimento também ou não?
28:00Os movimentos são feitos via associações, né?
28:03São um conjunto de,
28:05por exemplo,
28:06aqui no Brasil,
28:07a gente estava falando agora,
28:09o Zé estava falando,
28:10existe uma associação brasileira
28:12da fruticultura,
28:14onde nós também somos filiados, né, Zé?
28:17Então, assim,
28:18o mamão por si só,
28:19ele não tem tanta força
28:20para ir lá e brigar quanto a isso.
28:22Mas a fruticultura, em geral,
28:23ela tem uma força.
28:25O conjunto, né?
28:26Isso, um conjunto.
28:27Aí você junta frutas
28:28de várias características
28:31que também são exportadas
28:32e estão sofrendo a mesma dificuldade
28:34ou até mais do que o mamão.
28:35Então, assim,
28:36a manga,
28:37a uva,
28:38o melão brasileiro,
28:40então,
28:40são esse conjunto de forças aí
28:43e que está sendo pleiteado
28:45essa redução da tarifa
28:46ou até o corte dela, né?
28:48Tanto é que você viu
28:50que o setor do suco de laranja
28:52conseguiu, né?
28:53Exatamente.
28:53Pelo potencial que ele tem de consumo
28:56e pela necessidade
28:57que o americano tem de consumo.
28:58Até porque os Estados Unidos
29:00eram um dos maiores produtores
29:02de suco de laranja,
29:04coisa que hoje não é mais.
29:05O mercado imobiliário
29:06tomou toda aquela área.
29:08O greening,
29:08que é uma doença
29:09que ataca as lavouras
29:10de cítrus lá,
29:12então,
29:12devastou muitas áreas.
29:14Então, assim,
29:14eles sentem a necessidade,
29:15opa,
29:15então isso aqui
29:16a gente vai tirar a tarifa.
29:18Entendi.
29:18Então,
29:18e tudo é uma negociação, né?
29:20Então,
29:20a fruticultura está tendo
29:21esse movimento,
29:22como o café está tendo
29:23e outros setores também.
29:24E a carne também,
29:25por exemplo, né?
29:26Eu acho que cada setor
29:28organizado ali
29:29está trabalhando para isso.
29:31Creio eu
29:31e espero
29:32que dentro em breve
29:34teremos boas
29:35notícias, né?
29:36Eu acho que é assim
29:37que a gente tem que pensar,
29:37pensar positivo.
29:38Pensar positivo.
29:39Vamos ver como é que vai ser
29:40essa negociação
29:41entre os governos.
29:42Os importadores,
29:42a mesma coisa,
29:43eles também têm
29:43as associações deles.
29:45Então,
29:45essas conversas aí
29:47que fazem fortalecer
29:50ainda mais
29:50a negociação.
29:52Vamos falar um pouco
29:54de produção agora.
29:55Como é que estamos
29:56de produção este ano?
29:58Como é que está
29:58a expectativa
29:59para esse ano
30:00de produção,
30:01de exportação?
30:02como é que o clima
30:04tem agido aí?
30:05Como é que estão
30:05os negócios
30:06para essa cultura
30:07este ano?
30:07Vamos começar com você,
30:08Rodrigo,
30:08que é produtor.
30:09A gente já vem
30:10em dois anos aí
30:11com a produção
30:14mais forte, né?
30:16E a gente
30:17tem uma expectativa aí
30:19pelo que a gente
30:20vem vendo, né?
30:21Catalogado junto
30:22aos produtores,
30:23que o próximo ano
30:25ele entra
30:25com uma produção menor.
30:272026?
30:282026,
30:29a gente espera aí
30:30uma produção menor
30:31do que foi 2025
30:32e 2024 principalmente.
30:34São dois anos aí
30:36que a gente já vinha
30:36com uma produção
30:37bem razoável.
30:38Um dos fatores disso
30:40também,
30:40porque o mamão
30:41ele é um produto
30:43que é muito
30:43consorciado com café, né?
30:45Isso.
30:45Ele planta o mamão
30:46e planta o café embaixo.
30:47É um consórcio
30:48que tem uma casadinha
30:49muito boa.
30:50E muitos produtores
30:52com esse preço,
30:52essa alta de café,
30:53não fizeram renovação, né?
30:56Sim, não estão querendo
30:57cortar as lavouras.
30:58E aqueles que fizeram,
31:00muitos,
31:02teve até casos
31:03próximos a nós,
31:05que já plantaram café
31:06sem o mamão,
31:07porque ele consegue
31:09ter uma produtividade
31:11maior inicial.
31:12Então, assim,
31:13o preço do café
31:14atraiu muito
31:15essa questão
31:16do produtor
31:18em não optar
31:20pelo plantio inicial
31:21com o mamão, né?
31:22Porque o mamão
31:23ele sombreia muito café,
31:25então tem aquela questão
31:25que você tem que fazer
31:27a poda do...
31:29A gente chama
31:29de capar o café
31:31por cima ali,
31:32então aquilo atrasa
31:32um pouquinho a produção.
31:34E ele plantando o café
31:35sem outra cultura
31:38junta,
31:39então a produção dele
31:40é mais...
31:41É uma produção melhor
31:43inicialmente.
31:43Então isso aí
31:44foi um dos fatores
31:44que afetou
31:45a diminuição do plantio.
31:47Um outro fator,
31:48que é um fator principal
31:49que a gente pode
31:49constatar também,
31:50que é a questão
31:51da rentabilidade
31:52para o produtor
31:52que diminuiu
31:53por conta
31:54da alta produtividade,
31:55principalmente
31:56no ano de 2024.
31:58Entendi.
31:59Então existe aí
31:59essa expectativa
32:00de queda
32:01para o ano que vem,
32:01então?
32:02Nós esperamos,
32:03a gente vem vendo
32:04isso, né?
32:05Vem catalogando
32:06pelas áreas
32:07que estão sendo plantadas.
32:09Porque assim,
32:09mamão praticamente
32:10é anual, né?
32:11Então você planta
32:11num ano
32:12para produzir no outro, né?
32:13Mais ou menos aí
32:14nove, dez meses
32:15para iniciar a produção.
32:16Então o que a gente
32:17vem vendo
32:18que vem sendo
32:19plantado esse ano
32:20é um número menor
32:21de área
32:22do que foi plantado
32:23em 2023 e 2024.
32:25Pode faltar?
32:27Acredito que faltar, não.
32:29Mas é possível
32:31que os preços
32:31subam nas gôndolas.
32:33Entendi.
32:33Por conta da diminuição
32:35da produção.
32:36Entendi.
32:36Isso é preocupante, Zé?
32:38É sempre preocupante, né?
32:40Porque a gente
32:40está falando
32:41num produto
32:42que tem o perfil
32:44do brasileiro,
32:45tem o perfil
32:46de país tropical.
32:47Então o ideal
32:48seríamos
32:49como se a gente
32:49conseguisse produzir
32:51o necessário
32:52para comercialização
32:53e manter um preço estável
32:54na gôndola
32:55dos nossos supermercados
32:56porque aí
32:57você teria
32:58um preço adequado
32:59pago
33:00na ponta final
33:02pelo consumidor
33:03e remuneração
33:04adequada
33:04para o produtor.
33:05A gente sempre fala isso,
33:07nunca é bom
33:08quando o preço
33:09está alto demais
33:10e muito menos
33:11quando está baixo demais.
33:13Quando está alto demais
33:14a gente expulsa
33:16os nossos consumidores
33:17das gôndolas
33:17dos supermercados.
33:18até ele retornar
33:19porque a gente
33:20tem muita opção
33:21de fruto tropical.
33:22Então se o mamão
33:23está muito caro
33:23eu vou comprar
33:25o abacaxi,
33:26vou comprar o melão,
33:27vou comprar o maracujá,
33:28vários outros.
33:29Só vai consumir mamão
33:30aquele que faz
33:31o uso quase que medicinal
33:32porque aí sim
33:33também vale exaltar
33:34o valor da fruta.
33:35Sim, nutricionalmente.
33:36O mamão realmente
33:38nutricionalmente
33:39e até mesmo
33:40da questão
33:40da saudabilidade,
33:41de saúde realmente
33:43o que o mamão
33:44oferece
33:44é uma coisa fantástica.
33:46Então isso não é bom
33:47essa oscilação.
33:48Mas a gente lembra
33:50sempre assim
33:50são vários desafios.
33:52As questões climáticas
33:53em si
33:54são desafios
33:55que a gente já absorve
33:56automaticamente.
33:58A gente fala
33:59o velho jargão
34:00a produção
34:02do produtor
34:03é no tempo.
34:05Tem que aprender
34:06a conviver com ele
34:06e a gente aprende
34:08isso tranquilamente.
34:09Então o clima
34:10a gente contorna
34:11sem dúvida nenhuma.
34:12mas temos outros
34:13problemas sérios.
34:15A gente começou
34:16essas exportações
34:18na década de 90
34:19e a gente foi
34:21evoluindo muito
34:22chegamos aí
34:22no início
34:23dos anos 2000
34:23só aqui no estado
34:25do Espírito Santo
34:26com mais de 13 mil
34:27hectares de mamão
34:28plantados.
34:29Hoje
34:30menos da metade
34:31disso
34:32talvez
34:33e com essa queda
34:35ainda um pouco
34:35mais prevista
34:36para o próximo ano.
34:37Tudo isso devido
34:38a várias situações
34:39não só questões
34:40de custo
34:41investimento
34:42o investimento
34:42subiu demais
34:44coisa assim
34:45que mais
34:46que triplicou
34:47os valores
34:48de custos
34:49agrícolas
34:50e tudo mais.
34:51Então
34:51e um outro
34:52grande desafio
34:53é justamente
34:54a gente fala
34:55que a dobradinha
34:56café e mamão
34:58ela é muito benéfica
34:59tem sustentado
35:00muito o sistema
35:01mas ela precisa
35:02de alguns certos
35:03cuidados também.
35:04Não dá
35:05para produzir
35:06de qualquer forma
35:07o mamão
35:07tipo exportação.
35:09ele tem regras
35:10ele tem
35:11principalmente
35:12com relação
35:12ao controle
35:13fitossanitário
35:15porque é a contaminação
35:16final do alimento
35:17a principal fonte.
35:19Então a gente
35:20precisa ter esses cuidados.
35:21E essa dobradinha
35:23ela oscila muito
35:24também devido
35:25a essas questões
35:26que o Rodrigo colocou
35:27de preço de mercado
35:28e tudo.
35:29E um grande desafio
35:30nosso é enfrentar
35:31realmente
35:31o avanço
35:32das viroses
35:33em nossas lavouras.
35:34Então além
35:35de ser um produto
35:37que ficou mais caro
35:38de produzir
35:39o risco
35:40aumentou
35:40e muito
35:41porque a virose
35:43do mamoeiro
35:43ela pode
35:44dizimar a lavoura
35:45inteira
35:46e não depende
35:47só do produtor
35:48o produtor
35:49pode fazer
35:50100% correto
35:51se o seu vizinho
35:52não faz
35:52ele sofre
35:54o mesmo impacto
35:55então esse também
35:56é uma luta
35:57constante
35:58que a Brapex
35:58na parceria
36:00com o IDAF
36:02e a antiga
36:03com o Ministério
36:03da Agricultura
36:04tem buscado
36:05contornar isso
36:06a gente está
36:07sempre à frente
36:08dessas ações
36:09de conscientização
36:10inclusive
36:11do produtor
36:12quanto a isso
36:13então essa área
36:14plantada
36:15vai muito também
36:16em direção
36:16a essas questões
36:18mas o que realmente
36:19determina
36:20é aquilo que o Rodrigo
36:20falou
36:21se eu estou tendo
36:22uma cultura
36:23de alto retorno
36:24ela avança
36:25é natural
36:27
36:28eu ia falar
36:29isso é natural
36:30e é cíclico
36:30mamão tem disso
36:32muito
36:32porque como é uma
36:32cultura rápida
36:33então você planta
36:34com nove meses
36:35está colhendo
36:35e mais um ano
36:36um ano e meio
36:37se você
36:38dizima a lavoura
36:39então assim
36:40como é uma cultura rápida
36:41é muda muito
36:42é muito dinâmico
36:42então você tem anos
36:43que você tem
36:44preços muito bons
36:46de mercado
36:46que a rentabilidade
36:47aumenta
36:48para o produtor
36:49então ele se anima
36:50a plantar
36:50e isso vai
36:52virar uma consequência
36:54lá na frente
36:54contrária
36:55
36:55se o clima ajudar
36:56e tudo ajudar
36:57os preços lá
36:58na frente vão cair
36:59porque você vai ter
37:01uma alta produtividade
37:02é muito dinâmico
37:03então você tem
37:04que estudar muito
37:05esse mercado
37:05e o outro
37:07um outro fator
37:08também primordial
37:09nisso
37:09que quando o produtor
37:10ele se vira
37:11para o café
37:12com a rentabilidade
37:13que está
37:14e a mecanização
37:16o poder de mecanização
37:17do café
37:18da cultura do café
37:18hoje é muito maior
37:19do que do mamão
37:20então ele fala assim
37:21poxa está muito mais fácil
37:22produzir café
37:23do que mamão
37:24eu preciso de muito
37:24mais mão de obra
37:25no mamão
37:25que eu nem tenho
37:26sim
37:27que nem tem
37:28verdade
37:28então é
37:29é um conjunto
37:30de fatores
37:31
37:31eu li uma matéria
37:33eu li uma matéria
37:34em dia desse
37:34falando do custo
37:36de que pode faltar
37:38e pode subir muito
37:38o preço dos fertilizantes
37:40de alguns fertilizantes
37:41a cultura do mamão
37:43corre esse risco
37:44de enfrentar mais
37:44esse custo
37:45de aumento
37:46ou de falta
37:47de fertilizante
37:48ou não
37:49Rodrigo
37:49eu acho que falta não
37:50mas essa questão
37:52do aumento
37:53ela é também
37:54ela está muito associada
37:55a questão de especulação
37:57
37:57ah entendi
37:58eu acho que assim
37:59a guerra lá fora
38:00a Rússia
38:01não sei o que
38:02enfim
38:03tem muito essa questão
38:04eles falam que não
38:05está faltando lá
38:06mas eu vejo muito
38:08pelo lado especulativo
38:10nós vivemos lá
38:11na pandemia
38:11chegamos a pagar
38:12adubo aí
38:12de 8 mil reais
38:13a tonelada
38:14se não me engano
38:158, 9 mil reais
38:16porque precisava
38:17a lavoura não espera
38:18você precisa
38:19adubar
38:20
38:21existe ali
38:22as práticas culturais
38:24que se você
38:25atrasar
38:25você não vai ter
38:26produtividade na frente
38:27então se torna mais caro
38:28então aí você
38:29acaba pagando
38:30um custo
38:32exorbitante
38:32para você manter
38:33a lavoura em pé
38:34mas ao mesmo tempo
38:36você fica nessa
38:37corda bamba aí
38:38
38:38de
38:38é guerra
38:39é pandemia
38:40a mercê né
38:41qualquer notícia
38:43que venha de fora
38:43foge do controle
38:44pode fugir do controle
38:46e torna as coisas
38:48aqui muito instáveis
38:50entendi
38:50e daí também
38:51é interessante
38:52porque aí vem
38:53a tecnologia de novo
38:54e muitas vezes
38:54a gente fala
38:55se a tecnologia
38:56é coisa de
38:56de invenção
38:57rápida
38:59nova
39:00ninguém nunca se fez
39:01mas uma das questões
39:03que a gente tem aprendido
39:04muito hoje
39:05é retornar de novo
39:06com a natureza
39:07com os ensinos
39:08da natureza
39:09e aí quando você fala
39:10é esse aumento
39:11de custo
39:12todo
39:12dessa demanda
39:13de insumos
39:14da agricultura
39:15convencional
39:16a gente tem buscado
39:18também alternativas
39:19de outros
39:21modelos
39:22é
39:23também
39:24e muitos mais sustentáveis
39:25igual hoje
39:26entrou
39:27aí já há um bom tempo
39:28está em voga
39:29mas agora
39:30mais otimizado
39:31a agricultura
39:32regenerativa
39:33onde você entra
39:35numa redução
39:36de insumos
39:37e essa é a agricultura
39:39do século
39:39não dá para ficar
39:41só com insumo
39:42e achar que
39:43que a terra
39:44tem só que receber
39:44e vai aguentar
39:46ela precisa também
39:47passar pelo processo
39:48e aí
39:49a grata surpresa
39:51nossa é essa
39:51quando a gente entra
39:53com o programa
39:53da agricultura
39:54regenerativa
39:55a gente reduz custos
39:58melhora a produtividade
39:59melhora a qualidade
40:00do produto final
40:01porque a gente está falando
40:02de um produto
40:03com contaminante
40:04praticamente zero
40:05no processo
40:07então ofertando
40:08uma fruta
40:09de melhor qualidade
40:10mais produtiva
40:11e com custo menor
40:13então nós estamos
40:14falando de margem
40:15então esse
40:17é um caminho
40:18que a Abrapex
40:18também junto
40:19com seus associados
40:20tem buscado fazer
40:21a gente tem um programa
40:23intitulado
40:24mamão resíduo zero
40:25não é uso zero
40:27de defensivo químico
40:28não é isso
40:29é uso
40:30de normal
40:32das técnicas
40:33de cultivo
40:34dando prioridade
40:35à agricultura
40:35regenerativa
40:36e quando necessário
40:38usando sim
40:39a ferramenta
40:40do defensivo químico
40:41mas no momento certo
40:43na hora certa
40:43sem causar um desequilíbrio
40:45tão grande
40:46quanto causa
40:47e a gente sabe
40:47então é fugir um pouco
40:49dessa agricultura
40:50100% convencional
40:51e trazer isso
40:53para a tecnologia
40:54que há hoje
40:55e quando o Brasil
40:58permitiu isso
40:59e com uma lei
41:00trouxe a possibilidade
41:01dos on farms
41:02que é você produzir
41:04o seu próprio controle
41:05biológico
41:06dentro da sua propriedade
41:07isso facilitou muito
41:08para o produtor
41:09só que tem que ser
41:10algo controlado
41:11com tecnologia
41:12não dá para fazer
41:13aquelas bateladas
41:15que se faziam
41:16antigamente
41:16mistura
41:17aquela mistura
41:18na caixa d'água
41:18e achar que isso
41:19vai resolver
41:20não, não resolve
41:21pode piorar
41:21mas as tecnologias
41:23hoje
41:24dos bioreatores
41:25inclusive aí
41:26nós temos produtores
41:27hoje
41:28com uma tecnologia
41:29fantástica
41:30de biosalas
41:31nas suas propriedades
41:33produzindo
41:33e multiplicando
41:34fungos e bactérias
41:36com uma destreza
41:38fantástica
41:38e com um controle
41:39total
41:40inclusive para o mamão
41:41Zé?
41:42o mamão também
41:43obviamente
41:43e a gente está
41:45com esse trabalho
41:45porque as culturas
41:46de exportação
41:47demandam mais isso
41:48então o mamão
41:49também está
41:50nesse processo
41:51e a gente tem
41:52obtido bons resultados
41:54já com redução
41:55de custo
41:55aumento de produtividade
41:56e qualidade
41:58do mamão
41:59maravilha
41:59gente
42:00a gente ficaria aqui
42:01mais meia hora
42:02falando
42:02eu tinha um monte
42:03de coisa
42:03o Zé foi falando
42:04aí eu fui pensando
42:05em um monte de coisa
42:05que a gente não consegue
42:06tratar
42:07em um programa só
42:09então a gente vai
42:10chegando ao fim
42:10aqui de mais um
42:11momento agro
42:12eu gostaria de agradecer
42:13ao Zé Roberto
42:14pela disponibilidade
42:16por vir aqui
42:16falar para a gente
42:17tirar essas dúvidas
42:18aí sobre essa questão
42:20da tarifa
42:22de 50%
42:23no produto brasileiro
42:24no mamão brasileiro
42:25e aí a gente acabou
42:26aqui conversando
42:27sobre várias outras coisas
42:29muito obrigada Zé
42:30por ter vindo aqui
42:31e por ter atendido
42:32aí o nosso pedido
42:33o nosso convite
42:34eu é que agradeço
42:35estou sempre disponível
42:36para esse bate-papo
42:37agradável
42:38como foi
42:38e a Abrapex
42:40está à disposição
42:41nós somos uma associação
42:42brasileira
42:43de produtores
42:44e exportadores
42:45então estamos lá
42:47abertos
42:47para juntar forças
42:49eu vejo que
42:50é importante dizer também
42:52que nós somos
42:52uma associação
42:53de produtores
42:54e os produtores
42:55não produzem só mamão
42:55produz outros produtos também
42:57então a gente está
42:58nesse meio
42:58e inteiramente
42:59à disposição
43:00ali na nossa sede
43:01no Center Norte Conceição
43:03disponível
43:04para parcerias
43:05obrigada Zé
43:07Rodrigo
43:07obrigada
43:08eu sei que você deve
43:08estar aí cheio de coisa
43:09você falou de tanta coisa
43:11aqui né
43:11além do tarifácio
43:12é preocupação com custo
43:13é preocupação com mão de obra
43:14mas você tirou um tempinho
43:15para vir aqui
43:16demorou para a gente
43:17conseguir marcar essa agenda
43:18mas deu certo
43:19então eu quero te agradecer
43:20e te desejar boa sorte também né
43:23porque o produtor
43:24ele é muito resiliente
43:25e quando você fala
43:26desse monte de coisa aí
43:27a gente vê que realmente é
43:29se não tiver resiliência
43:30não vai né
43:31então te agradecer
43:32com certeza
43:33eu que agradeço
43:34Rose está presente com vocês aqui
43:36sempre aprendendo um pouco mais
43:37com Zé Roberto
43:38do nosso professor
43:39e assim
43:40dizer que nós
43:41como produtores
43:41é isso mesmo
43:42a vida é
43:43um dia após o outro
43:44claro que com planejamento né
43:46e aqui uma saudação
43:48a todos os produtores né
43:49não só do nosso estado
43:50mas do nosso Brasil
43:51o Brasil é uma potência agrícola
43:52vai continuar sendo
43:53os problemas vão vir
43:55para ser solucionados
43:56a gente não vai ficar
43:58parados
43:58eu acho que
43:59a gente tem um potencial
44:00muito grande de produção
44:02e o Brasil é destaque
44:03no mundo
44:04é isso
44:05eu acho que isso vai crescer
44:06cada vez mais
44:07é só melhorar um pouco mais
44:08as políticas agrícolas né
44:10eu acho que tudo isso aí
44:11tende a se resolver
44:13e a gente vai crescer
44:14com certeza ainda mais
44:16porque a locomotiva
44:17do PIB brasileiro
44:19é o agro né
44:20e vai continuar sendo
44:21se Deus quiser
44:22tá certo
44:23obrigada Rodrigo
44:24então é isso gente
44:25a gente fica por aqui hoje
44:27com mais um momento agro
44:29e a gente se encontra
44:29na próxima semana
44:31um abraço
44:32e até lá
44:37e aí
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