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  • há 5 semanas
Em livro, Carlos Eduardo Ribeiro Lemos mostra realidade da atuação criminosa e urgência na mudança da legislação brasileira

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Transcrição
00:00O que é terrorismo em qualquer lugar do mundo, aqui no Brasil, virou mais um dia comum.
00:11Meu nome é Carlos Eduardo Ribeiro Lemos, eu sou juiz criminal há quase 30 anos,
00:16atualmente estou lá da sétima vara criminal de Vitória e professor de direito penal da FDV há 25 anos.
00:25Motoristas que passavam pela avenida Dante Michelini na noite desta quarta-feira gravaram vídeos do ônibus em chamas.
00:31A gente ouvi que botaram fogo em ônibus, com passageiros dentro, em qualquer lugar do mundo isso é terrorismo.
00:37Aqui não, é um mero crime de dano. A sociedade hoje está acuada e as facções estão nadando de braçada,
00:42cada vez crescendo mais, protegidas pela omissão de todos.
00:51A gente tem tráfico de drogas no mundo inteiro, ok, mas domínio territorial, como as facções fazem no Brasil,
00:57não existe em nenhum lugar do mundo. Quando eu tenho um domínio territorial, não tem democracia.
01:02Ou seja, naquela comunidade dominada pela facção é a que sofre, é o pobre que sofre,
01:07porque ali ele é obrigado a se submeter a tudo que a facção determina.
01:17No Rio de Janeiro, 60% da energia elétrica produzida é furtada pelas facções.
01:2160% de prejuízo para a companhia de produção de energia elétrica.
01:25E aí você fala assim, ah, mas então a facção furta e dá o gato para o morador.
01:29Dá o gato para o morador, mas a facção cobra do morador aquela energia, cobra do morador o gato net,
01:36cobra tudo do morador. Você tem uma ideia, o gás na Rocinha é 30 reais mais caro do que em
01:40Copacabana.
01:41E o morador não pode comprar fora de lá.
01:49O mundo conceitua terrorismo pelo resultado danoso para a comunidade.
01:54No Brasil, não. A nossa lei de terror, ela vinculou essas ações a ideologias políticas ou religiosas, em síntese.
02:03E aí acabou o quê? As facções não fazem nada para a ideologia política e religiosa.
02:08Elas fazem por domínio territorial e ganho de capital.
02:11Então tudo, por mais aterrorizante que a comunidade faça, que essas facções façam, não se encaixam na lei.
02:17Em qualquer lugar do mundo, se um indivíduo aparece com um fuzil, vamos botar na Champs-Élysées, no Central Park,
02:24que esse cara vai ser abatido em defesa da sociedade.
02:27Aqui não. A nossa cultura jurídica deturpada, vendida dessa bandidolatria,
02:33os entendimentos são que o policial só pode atirar se ele atirar no policial antes.
02:43Eu quero fazer um alerta para que as pessoas entendam os problemas
02:47e que exijam dos seus representantes, deputados federais, senadores e presidentes da República,
02:53e mais, independente de partido. Aqui não tem nenhuma questão partidária.
02:57Eu acho que todos tinham que comprar essa lógica e necessidade de mudar a nossa legislação.
03:01Eu vejo que a sociedade hoje está como se estivesse congelada, não entendendo o que está acontecendo.
03:06E isso que é o meu objetivo, tentar mostrar essa realidade para que eles entendam e saibam cobrar dos seus
03:13representantes.
03:14Eu vejo o seguinte, a gente tem um silêncio ensurdecedor por parte dos nossos políticos.
03:20E eu acho que é um silêncio muito suspeito. Interesses existem nesse sentido.
03:26Eu provo no livro. As facções hoje têm bancada. E essas bancadas estão crescendo.
03:38O que acontece no Rio de Janeiro é questão de tempo para chegar aqui.
03:42A logística do crime lá vem sendo trazida para aqui há anos.
03:46E o que acontece lá hoje, se nada for feito, em mais dez anos, nós vamos estar aqui, na Grande
03:52Vitória,
03:53tendo que sair dos nossos carros ali na Leitão da Silva, deitar no chão,
03:57e esperar acabar a troca de tiro de fuzil, igual acontece na linha amarela.
04:11Quando uma facção sai atirando a ermo só para mostrar para a comunidade que ela tem um domínio territorial,
04:17isso não pode ser um crime comum.
04:19Isso é terrorismo.
04:20Só que é terrorismo desde que a gente adequa a lei.
04:24É um absurdo o que está acontecendo. A gente não pode deixar isso acontecer.
04:37O livro é um chamado à honestidade institucional do país,
04:42é um chamado à coragem dos nossos políticos para mudar a lei necessária
04:46para que a polícia tenha ferramentas, o Ministério Público tenha ferramentas,
04:50e o Poder Judiciário tenha ferramentas para tentar ajudar o país.
04:53Legenda Adriana Zanotto
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