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Ao videocast de O Liberal, Rodrigo Souza detalhou como a atividade física pode ajudar no prolongamento da expectativa de vida.
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NotíciasTranscrição
00:00Olá para todo mundo que está acompanhando aqui pelo Grupo Liberal, eu sou Yuri Costa
00:05e estamos aqui mais uma vez para falar sobre a Corrida do Sal, que está chegando perto,
00:10faltam exatos 45 dias para a realização da Corrida do Sal.
00:15Como sempre, eu tenho aqui do meu lado o diretor da Chip Belém, o Anatólio.
00:19E aí, Anatólio, tudo bem?
00:21Prazer, Yuri, estar aqui em mais um bate-papo aqui no Grupo Liberal, aqui nos canais da Liberal.
00:28E hoje a gente está trazendo aqui um amigo, doutor Rodrigo, que é cardiologista,
00:36e era uma entrevista muito esperada por conta da pergunta, dos questionamentos que todo mundo que corre quer saber.
00:48Você entende que tem muitos corredores que começam a praticar o esporte,
00:54mas não tem oportunidade de fazer um exame, fazer uma análise, né?
00:59Que eu, particularmente, acho que deveria ter, né?
01:04Toda assessoria, todo professor devia exigir do aluno um atestado, uma passagem, né?
01:13Uma consulta com um cardiologista.
01:15Mas a pergunta para iniciar o nosso bate-papo com o doutor Rodrigo é...
01:21Corrida faz bem para o coração, doutor?
01:23Bom, então, antes de mais nada, agradecer, né, Anatólio, o convite de estar aqui com vocês hoje discutindo esse assunto,
01:29que é, assim, a corrida está na moda, né?
01:33É impressionante a quantidade de eventos que tem tido em nossa cidade e Brasil e mundo afora, né?
01:39Eu acompanho alguns colegas, inclusive alguns cardiologistas que viajam aí para correrem.
01:45Ainda não me inspirei, ainda não entrei nessa vibe, mas é algo que está no planejamento de curto e médio
01:52prazo.
01:52Mas, respondendo a tua pergunta, de fato, a realização de uma avaliação prévia clínica,
02:01eu não diria nem só cardiológica, mas uma avaliação clínica prévia,
02:05sem dúvida nenhuma, é fundamental para qualquer tipo de atividade física.
02:09E, obviamente, correr ou malhar, eu diria que se tiver que escolher, escolha os dois, porque eles se complementam, né?
02:19E a gente tem visto a nossa população envelhecer e aqueles que praticaram as duas coisas têm se beneficiado mais
02:27lá na frente,
02:28mantendo a sua massa muscular e, ao mesmo tempo, tendo reserva cardíaca para fazer as suas atividades do dia a
02:34dia.
02:34Isso é bastante interessante.
02:36É interessante a gente reparar, até mesmo pelo dia a dia, andando pela rua, que existem dois tipos de idosos,
02:42né?
02:42E a gente consegue ver, saber diferenciar entre aqueles que praticaram exercícios físicos durante a vida, né?
02:48Que são aqueles que, por exemplo, conseguem abaixar para amarrar o cadarço,
02:53que é uma coisa básica do dia a dia, mas a gente já percebe a diferença aí, não é, doutor?
02:58É, até pegar o teu gancho aí, se me permite, recentemente teve um congresso norte-nordeste de geriatria aqui na
03:05nossa cidade
03:05e uma das coisas que foi discutida também é, de fato, são esses perfis diferentes de idosos, né?
03:13Então, nós temos o idoso robusto, aquele que chega com esse padrão, consegue fazer a sua atividade,
03:19mantém a sua funcionalidade, a sua autonomia na idade mais velha, né?
03:23E aquele idoso frágil, que muitas vezes, ou por doença, ou por uma falta de atividade física,
03:29enquanto jovem, já chega numa situação mais, digamos assim, precária na idade mais avançada.
03:35E como a corrida pode beneficiar esse envelhecimento?
03:37Então, como eu falei, em especial aí para o idoso, o ideal são as duas coisas, né?
03:42Mas a corrida em si, ela vai te ajudar a ter reserva cardíaca.
03:46Reserva cardíaca nada mais é do que você ter a capacidade de encarar um desafio,
03:53de encarar um esforço que você não faz todo dia, muitas vezes.
03:56Mas o exercício físico, em especial, o exercício aeróbico.
04:00E aí, alguns vão dizer, ah, não pode ser natação?
04:02Pode ser natação.
04:03Pode ser um futebol?
04:05Pode ser um futebol.
04:06Pode ser dança de salão?
04:07Pode.
04:08Você está criando reserva cardíaca para que você possa encarar esses desafios lá na frente.
04:13E agora, voltando para a corrida, uma pessoa que é sedentária, que não costuma correr,
04:19quer começar a correr e, ao mesmo tempo, para garantir a saúde cardiovascular, para evitar que algo aconteça.
04:25Como é que funciona essa preparação para ela, doutor?
04:27Isso é muito interessante porque a maior parte das doenças cardiovasculares, elas são silenciosas.
04:33A hipertensão, a alteração de colesterol, triglicerídeos, o próprio diabetes passa anos sem dar nenhum tipo de sintoma no indivíduo.
04:42Então, achar, não, sou jovem, sou saudável.
04:46Não é bem assim que funciona.
04:48Então, fazer uma avaliação clínica, eu falei, não precisa ser necessariamente com cardiologista,
04:53mas uma avaliação clínica inicial.
04:55Uma boa anamnese, um bom exame físico, levantamento dos fatores de risco, do histórico familiar.
05:02Aí, sim, determinar se ele vai precisar de algum outro exame mais sofisticado, algum outro exame mais detalhado.
05:08Mas as próprias diretrizes que tratam desse assunto com relação à avaliação para atividade física,
05:15falam que a avaliação clínica, anamnese, exame físico e um eletrocardiograma costumam ser suficientes,
05:22na maioria dos casos dos pacientes jovens que vão, assintomáticos e sem fatores de risco,
05:27que precisam iniciar uma atividade física.
05:29Muda o cenário, obviamente, quando esse indivíduo já é hipertenso, já é diabético,
05:34quando ele está muito obeso, quando ele já tem gordura no fígado, já tem outras doenças associadas,
05:40que aí, sim, você vai precisar aprofundar essa avaliação para você garantir a segurança desse paciente.
05:45Agora, um indivíduo com essas características que o senhor acabou de pontuar,
05:49ele quer começar a correr por conta própria para garantir uma vida mais saudável,
05:54porém sem fazer exames ou esses fatores que o senhor numerou agora.
05:58Quais os principais riscos ele corre?
06:01Eu acho que o principal é a morte súbita.
06:05Por esse indivíduo nem se conhecer, nem nós conhecermos o corredor, mas nem ele se conhece.
06:12Às vezes ele nunca fez um eletro, nunca mediu a pressão arterial dele na vida.
06:15Então ele não sabe efetivamente o que ele tem, o que ele deixa de ter,
06:19porque ele nunca foi atrás para saber.
06:21Tem alguns pacientes até que dizem assim, eu não vou no médico, quem procura acha.
06:24Mas nessa situação é o ideal, você procurar e se tiver que encontrar alguma coisa,
06:29até alguma alteração congênita, alguma coisa que aquele indivíduo já tem desde que nasceu,
06:34só que nunca se manifestou, está lá silente e no momento de uma corrida pode sim gerar uma morte súbita.
06:41A gente viu recentemente o jogador, mais uma vez o Eriksen,
06:46acabou tendo mais uma morte súbita revertida em campo.
06:49A segunda vez.
06:50A segunda vez, ele não morreu porque agora ele está com um aparelho, com um CDI,
06:54que salvou a vida dele.
06:56E o objetivo do aparelho é essa mesmo.
06:57É interessante a gente pontuar que é um atleta de alto nível,
07:00não é uma pessoa sedentária ou despreparada.
07:03E já é a segunda vez que eu conheço com ele.
07:04Exatamente.
07:05E digamos que ele deu sorte da primeira vez e na segunda ele estava preparado,
07:09porque o equipamento estava lá.
07:12Até mudaram um pouquinho até a própria política relacionada a isso
07:17para permitir que ele voltasse a jogar.
07:18porque a rigor não deveria, né?
07:21Por conta de até um trauma, pode eventualmente deslocar e eventualmente desconectar
07:26algum eletrodo e ele ficar, perder a proteção dele, né?
07:30É óbvio que com o passar do tempo ocorre uma cicatrização, a fibrose ali,
07:34de onde os eletrodos estão, isso não acontece.
07:37Mas lá atrás, no início, isso era perigoso no caso dele.
07:40E para essa pessoa, ela vai ter sintomas, né?
07:44Antes de acontecer algo mais grave, geralmente é assim que ocorre.
07:47Quais sintomas ela deve ficar mais atenta?
07:49Pois é, não necessariamente.
07:50Não necessariamente.
07:51Às vezes a manifestação é a morte súbita.
07:53Esse é o grande problema, entendeu?
07:55E a gente não sabe, não consigo dizer, não, você vai ter, você não vai ter.
07:59Isso não é possível de ser.
08:00Você faz estimativas de risco.
08:03E aí, óbvio que você não consegue fazer estimativa de risco sem analisar o histórico
08:07daquela pessoa, né?
08:09Sem ter pelo menos um eletrocardiograma que, olha, esse eletro está normal, mas mesmo os
08:14eletros normais podem esconder algo mais.
08:17Então, por isso é necessário uma avaliação um pouco mais ampla nesse sentido.
08:20E a gente não recomenda que ninguém comece por conta própria sem nenhum tipo de orientação, tá?
08:27Ah, mas hoje em dia eu vou lá no chat GPT, eu jogo lá, ele já me dá meu treino,
08:31eu
08:31digo o quanto eu peso, qual é a minha altura e qual é o meu objetivo, ele já me dá
08:36o treino formatado já pra mim e eu vou fazer isso aqui.
08:39O doutor chat, né?
08:40É, o doutor chat, que era o doutor Google, agora é turbinado, né?
08:45Anabolizante.
08:45Mas esse indivíduo está correndo um sério risco, né?
08:50E muitas vezes ele vai sair o quê?
08:51Pra correr sozinho, de madrugada, né?
08:56Tem uma morte súbita na rua, dá tempo de recorrer, de salvá-lo, né?
09:00De socorrê-lo, né?
09:01Porque ele não vai ter ninguém por perto pra ajudar.
09:04Então, isso é perigoso.
09:05A gente precisa entender que, ok, a tecnologia está aí, ela pode nos ajudar sim, mas você
09:12quer efetivamente começar de forma séria?
09:14Por exemplo, eu quero me preparar pra correr na Corrida do Sal.
09:18Pô, cara, não dá pra ser, eu vou correr domingo e começo a me preparar hoje.
09:22Isso não existe.
09:23Você não vai fazer acontecer.
09:25Puxando logo esse gancho, o senhor mesmo pontuou que a corrida agora é moda, né?
09:31Com essa moda, dessa prática esportiva, o senhor tem notado um aumento no número de consultas
09:36cardiovasculares?
09:37As pessoas que estão aderindo a essa moda, digamos assim, elas estão se prevenindo também?
09:41Eu vou te confessar que eu esperava mais.
09:43Porque a gente vê, às vezes, tem mais de uma, duas corridas em Belém ao mesmo tempo,
09:49no mesmo final de semana, três corridas.
09:51E eu esperaria ver mais no consultório essas pessoas preocupadas em fazer uma avaliação,
09:59ver efetivamente trabalhar ali o seu cardio pulmonar pra chegar bem pras corridas.
10:06E ainda tem alguns agravantes, a gente tava conversando mais cedo aqui, o Anatólio,
10:11em algumas situações, o indivíduo vai pra uma corrida dessa como um desafio, ele se desafia.
10:17E aí ele chega lá, ele mete um pré-treino que falaram que era bom, aí ele mete mais um,
10:23como é, os estimulantes lá, os Red Bull da vida, não sei se pode falar marca aqui,
10:28mas os energéticos, mete uns energéticos e diz, ah, vou botar essa gasolina aditivada aqui
10:33pra chegar até o final.
10:35Meu amigo, algumas situações podem não acabar muito bem por conta disso.
10:40Vamos falar desse uso, doutor, indiscriminado de estimulante tipo cafeína em excesso,
10:47esses próprios suplementos de pré-treino, que tipo de risco eles oferecem pra um corredor?
10:51Então, o que eles causam?
10:54Taquicardia, ou seja, aumento da frequência cardíaca e aumento da pressão arterial.
10:58Aí o indivíduo vai fazer um esforço físico, no caso de uma corrida, um esforço físico mais extenuante,
11:05que já vai naturalmente ocorrer isso, ou seja, quando a gente faz o exercício físico,
11:10basta você fazer um teste ergométrico, que é o teste da estrela, você vai perceber.
11:13A sua pressão arterial vai subindo com esforço, a sua frequência cardíaca vai subindo com esforço,
11:19e aí você mete mais um estimulante, mais triquinina em cima.
11:23Meu amigo, isso não vai acabar bem.
11:24O risco de arritmia acontece.
11:26Então, até pra quem estiver nos vendo, nos escutando, 220 menos a idade, grave isso.
11:33Essa é a sua frequência cardíaca máxima.
11:35Você não deveria treinar nem fazer qualquer tipo de atividade acima dessa frequência.
11:41220 menos a sua idade.
11:44E existem as faixas de treinamento.
11:46Então, por exemplo, eu quero perder peso, eu não preciso ficar com um estímulo muito elevado.
11:51Eu posso trabalhar numa faixa de treino ali na 70, 75% da minha máxima, e tá trabalhando perda de
11:58gordura.
11:59Se eu quero trabalhar o cardiovascular pra aguentar uma corrida mais longa,
12:02eu vou ter que trabalhar com uma frequência, um percentual mais alto.
12:05Numa submassa, uma linha de 80, 85%.
12:09Agora, você não vai saber disso se você não tiver a orientação de um profissional.
12:13Seja um educador físico ou um professor da corrida e até do seu cardiologista.
12:19Você sabe, doutor, que nessas provas de maratona, meia-maratonas que existe aí, mundo afora, Europa, América,
12:30quando você entra no site pra se inscrever, existe lá um documento que você tem que imprimir, preencher,
12:40e tem que ter um laudo médico, ou seja, ele tem que passar pelo médico e o médico examinar e
12:48atestar que ele tá apto.
12:50Aqui no Brasil, o que existe é uma declaração.
12:54Quando a pessoa vai se inscrever, ela clica dizendo que tá apta, que tá com a saúde em dia.
13:04E hoje em dia existe esse questionamento muito grande nas federações, redes sociais e tudo.
13:11Mas eu acredito que a gente tem que chegar nesse ponto.
13:16A gente já tem que começar a fazer isso.
13:20Porque os organizadores de evento, o que é que eles acham?
13:24Eles dizem que, se por um acaso, todo atleta tiver que ir no médico fazer uma consulta
13:32pra conseguir um atestado pra poder correr, muitos não têm esse poder aquisitivo pra fazer isso,
13:39vai cair muito.
13:41Mas acaba que a emenda acaba sendo maior do que o soneto, entendeu?
13:45É porque por mais que ele declare lá que ele tá apto, se acontecer qualquer coisa,
13:51as responsabilidades elas são divididas.
13:53Você vê que algumas academias, né?
13:57Hoje em dia ela exige um atestado médico, que é renovável.
14:02Renovado anualmente.
14:03E em alguns casos até semestre ao mês.
14:05É, que eu acho que isso é uma...
14:06Já tive que fazer alguns.
14:08Então, eu acredito que isso é uma situação boa que deveria ocorrer,
14:15essa situação anual, entendeu?
14:19Mas eu queria lhe fazer uma pergunta.
14:21Existe idade mínima pra pessoa?
14:26Ah, eu quero correr.
14:28Porque o que é que acontece?
14:29Se não, no nosso site de inscrições, até seis meses atrás, a gente só aceitava maiores de 18 anos.
14:38E pesquisando, vemos que no Brasil inteiro, todos os organizadores estão aceitando a partir dos 16, 16, 17, com autorização
14:49do pai.
14:50Mas eu gostaria de ouvir um pensamento de um médico a respeito desse assunto.
14:59A rigor, não.
15:00Eu não veria nenhum tipo de restrição com relação à idade, tá?
15:08Óbvio, atrelado a isso que você falou, uma autorização dos responsáveis, né?
15:11Porque essa pessoa ainda não responde por si, né?
15:15Ela pode votar, mas ainda não responde por si em uma série de outras coisas.
15:21Mas também com uma avaliação prévia, né?
15:23Porque não é porque tem 16, 17 anos que, como eu falei, pode ter uma doença congênita, uma miocardiopatia hipertrófica,
15:30pode ter uma válvula órtica, só com duas válvulas, uma válvula órtica bicúspide, que a gente chama.
15:36Pode ter nascido com algum problema cardíaco, que a rigor não deu nenhum problema até aquele momento,
15:41mas que na hora que fizer um esforço físico extenuante possa se manifestar, né?
15:46Então, tendo o mesmo tipo de responsabilidade de avaliação prévia, eu não vejo problema nenhum nesse sentido,
15:55ainda mais nessa faixa etária, que a gente já está no...
15:59O adolescente já está no finalzinho do seu desenvolvimento, ou seja, a estatura muitas vezes já está praticamente definida,
16:06a questão muscular já está muitas vezes definida e, obviamente, dali ele vai trabalhar para ganho, né?
16:13O que vier dali é lucro, mas muitas vezes o que é geneticamente determinado já está definido até essa faixa
16:20etária de 16 anos,
16:21então eu não veria problema nesse sentido.
16:22Eu pergunto isso porque eu tenho visto, não é permitido, mas eu vejo muitas crianças de 8 anos, 10 anos,
16:31correndo 10 quilômetros e correndo forte.
16:35Eu fico impressionado com os garotos, entendeu?
16:38Aí eu fico com esse pensamento, será que isso faz bem, entendeu?
16:42Ou é uma situação assim...
16:46Se for...
16:47Olha, sendo recreativo, talvez a gente enfrente alguns problemas aí, em especial porque, como eu falei,
16:54tem o desenvolvimento que aí não é só hormonal, mas também o desenvolvimento ósseo muscular,
16:59ósseo muscular dessas crianças, né?
17:01Então, eu ia até comentar que muito mais do que, ou além da avaliação cardiológica,
17:09uma avaliação ortopédica interessante, né?
17:12O cara tem uma pisada errada, né?
17:15Que pode prejudicar, ele vai começar a correr, a pisada dele não é boa,
17:19as articulações começam a gritar, é o tornozeiro, é o joelho,
17:23e os maiores índices de lesões osteomusculares é justamente na fase inicial,
17:28como o cara tá começando, aí ele já dá aquela desestimulada, né?
17:32Que, pô, comecei a correr, tem um meia, já me machuquei.
17:36Então, se não houver essa preocupação também, né?
17:39De usar um tênis adequado, de fazer essa avaliação,
17:42onde você tem a avaliação de pisada, você consegue corrigir isso com palmilhas,
17:47você consegue orientar, olha, o teu tipo de tênis tem que ser assim, assado, cozido.
17:51Então, você dá uma orientação pra esse indivíduo evitar se machucar.
17:55Quando a gente tá falando de crianças e adolescentes no início da puberdade,
18:00você ainda tá naquela fase de desenvolvimento, crescimento, desenvolvimento osteomuscular,
18:05ainda tem aquela camadazinha no joelho, principalmente na coluna de crescimento, né?
18:12Então, tem que ter um cuidado maior com essa turma, né?
18:16Porque se, eu não vou falar isso de forma absoluta pra não ser irresponsável aqui,
18:23mas pode sim ter algum tipo de malefício no desenvolvimento final dessa criança.
18:28Alguns vão dizer, ah, mas eles fazem esporte, fazem futebol, fazem...
18:33Tem os mesmos riscos, né?
18:35Então, muitas vezes você quer estimular um maior crescimento,
18:37você põe na natação, você põe no basquete, você põe pra jogar vôlei.
18:40Tu põe pra jogar futebol, não sai.
18:44Eu sou um, eu adorava jogar futebol e não cheguei a ganhar tanta altura assim, né?
18:51Mas também não teve aquele estímulo do esporte.
18:53Então, pra você ver como isso interfere.
18:56Então, se você estimular adequadamente, você vai alcançar os benefícios aí.
19:01Agora, doutor, falando de maneira mais geral,
19:04que conselho o senhor dá pra quem tá se preparando exclusivamente pra corrida do sal?
19:10Seja corredores de primeira viagem ou até um pessoal que já é mais experiente
19:14pra manter a saúde cardiovascular?
19:16Bom, os de primeira viagem é tentar, né?
19:19Fazer essa avaliação prévia, então, conhecer os seus números,
19:22saber o quanto é a sua pressão, como é que tá o seu colesterol, a sua glicose,
19:26como é a função do seu rim.
19:29Se habituar, se hidratar adequadamente.
19:31Normalmente, a gente vive numa cidade extremamente quente e úmida,
19:34mas, normalmente, a gente tá em ambiente com ar-condicionado
19:36e a gente pouca sede sente no nosso dia a dia.
19:39Então, a gente não tem esse hábito.
19:41E a pessoa que vai fazer uma atividade física mais intensa,
19:44ela precisa adotar esse hábito.
19:45A quantidade de água é muito maior, né?
19:48E até mesmo hoje, a gente vê um uso bastante disseminado de creatina, por exemplo.
19:54Não tem problema.
19:56Só que a creatina só vai ter o seu efeito máximo
19:58se você efetivamente tomar mais água.
20:01Porque ela vai atuar lá no músculo, puxando água lá pra dentro.
20:05Se você não tomar água suficiente, não adianta.
20:07Tá jogando dinheiro fora todo mês, né?
20:11Então, essa avaliação inicial, uma orientação,
20:14não fazer da sua própria cabeça nem o que a vizinha ensinou,
20:17porque tem os seus riscos.
20:19Então, dá pra se preparar adequadamente.
20:21E não achar que vou me inscrever pra uma corrida domingo.
20:25Não fiz nenhum tipo de preparo.
20:27Não sei como funciona.
20:29Eu só vou chegar lá pra fazer a corrida.
20:31Pode dar mal.
20:32Pode dar ruim, como fala.
20:33E uma coisa interessante, Yuri, doutor,
20:37é o aumento da melhoridade nas corridas.
20:45É incrível, incrível.
20:48Entendeu?
20:48Antigamente, a gente olhava quantas pessoas 60,
20:53acima de 60, tá participando.
20:55Era algo em torno de 10%.
20:56Hoje é algo em torno de 35%.
21:00Entendeu?
21:01E uma situação também que eu fico fazendo uma relação.
21:06Essas corridas que são feitas Europa, América, até Argentina, Chile,
21:13os pontos de hidratação, eles ficam de 5 em 5 quilômetros.
21:19Ou seja, o povo tá correndo num lugar frio, então eles não sentem necessidade.
21:27Aqui, nós estamos colocando hidratação hoje de 2 em 2 quilômetros.
21:32A pergunta é, essa questão da hidratação, isso pode levar a um problema mais sério
21:39da pessoa estar praticando um esporte, uma corrida, eu vou correr 10 quilômetros
21:44e eu estou indo numa performance, se eu parar ali para beber uma água,
21:48eu vou perder meu tempo, eu vou perder para o meu amigo.
21:51Isso pode levar a um problema mais sério?
21:55Pode, sem dúvida nenhuma, porque todo esforço físico mais intenso
22:02leva a dano muscular.
22:06Intencional ou não.
22:07E o dano muscular leva a liberação de uma proteína chamada CPK, creatinofosfoquinase.
22:15Quando ocorre uma liberação excessiva dessa CPK, a gente chama de rabidomiólise.
22:20Isso aí é grave.
22:22Isso aí pode levar uma pessoa a ser internada e até ter um desfecho ruim,
22:25porque essa proteína pode causar disfunção renal aguda, quando é excessiva.
22:31Então, a hidratação é uma das formas de você diminuir ou mitigar os efeitos da elevação da CPK.
22:39Então, não tenha dúvida que a hidratação, tanto pré, durante e pós corrida, é fundamental.
22:46Não só corrida, mas uma atividade física mais intensa, em que com certeza vai ocorrer
22:52uma lesão muscular, por conta do esforço físico em si, e essa lesão muscular leva à liberação dessa proteína.
23:00Você tem que tomar esse cuidado.
23:01Isso é interessante.
23:03Eu já vi, assim, ao longo desse período, no tempo que eu corria, né?
23:08Que agora eu só estou organizando a corrida, mas antigamente eu corria.
23:11E eu vi vários amigos, vários conhecidos em corridas, aqui em Belém mesmo,
23:17ao final chegar na linha de chegada lá e passar mal, convulsionar.
23:26Você pode estar diante de uma hipoglicemia, você pode estar diante de até de algumas alterações
23:32dos eletrólitos, você suando, ainda mais aqui na nossa região, que é extremamente quente,
23:38essa troca de calor é muito intensa, então você perde eletrólitos, perde sódio, perde potássio.
23:44E isso leva também, predispõe a uma arritmia, por exemplo, com alterações relacionadas ao potássio
23:51e o próprio sódio, se estiver muito baixo, pode levar a uma crise convulsiva, por exemplo.
23:58Então, existem essas nuances que a gente precisa ter atenção para isso, né?
24:03E não à toa se desenvolveram aí não só a água mineral, mas alguns isotônicos, né?
24:08Que nada mais é líquido, água, por exemplo.
24:11Ganha um corantezinho lá para um açucazinho, mas tem os eletrólitos lá dentro para repor,
24:17porque a gente perde muito pelo calor, pelo suor.
24:19Então, fica a dica, né, Yuri?
24:21Fica a dica, doutor, quero agradecer a sua presença aqui.
24:24Anatólio, algum recado para quem está se inscrevendo, está se preparando para a Corrida do Saldo esse ano?
24:29Olha, o recado já foi dado pelo doutor Rodrigo, né?
24:35Inclusive, eu acho que o doutor tem que vir mais vezes aqui, porque o assunto é bem amplo, né?
24:40Dá para a gente explorar muito mais.
24:43E assim, a dica é, beba água, né?
24:48Vá num cardiologista, ou num ortopedista, ou num médico, né?
24:52E aí depois começa a fazer a sua atividade, né?
24:56Exatamente.
24:56Muito obrigado pela sua presença, pela sua audiência.
24:59A gente vai ficando por aqui e até mais.
25:04A gente vai ficando por aqui e até mais.
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