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00:05Muito bom dia, bem você está no ar, obrigada pela sua companhia.
00:10Uma descoberta que pode chegar tarde, mas que muda tudo.
00:14A atriz Letícia Sabatella revelou aos 52 anos ter recebido o diagnóstico de autismo leve
00:21e descreveu esse momento como libertador e esclarecedor.
00:26Ela falou sobre a hipersensibilidade e que sempre sentiu, né, e os rótulos errados, né,
00:32que ela carregou por tanto tempo sem entender o porquê.
00:36E a história dela não é a única, né, muitos adultos chegam à fase madura da vida
00:41sem saber que são autistas e quando o diagnóstico finalmente aparece
00:45é como se as peças de um quebra-cabeça se encaixassem de uma vez só.
00:49Para nos ajudar a entender melhor esse processo e o que muda na vida
00:53de quem recebe esse diagnóstico na vida adulta,
00:56a gente recebe a psicóloga cognitiva e comportamental Marli Cordeiro
01:00e também a pastora Flávia Santos.
01:03Bom dia, tudo bem, sejam bem-vindas.
01:05Bom dia, muito obrigada.
01:08Olha, deixa eu começar aqui com você, Marli.
01:10Eu queria que você falasse um pouco sobre o autismo na vida adulta, né.
01:14Como é que a pessoa pode desconfiar, né, que ela, quais são, o que é que ela sente,
01:21como é que ela se relaciona com o mundo, né, que pode de repente acender uma luzinha
01:25e dizer, não, peraí, será que eu faço parte, né, do espectro autista, né,
01:30será que eu devo consultar um profissional para tentar identificar?
01:35Primeiro que quando a gente fala de autismo na vida adulta,
01:38a gente está falando, né, como você falou da Letícia Sabatella,
01:41ela tem 52 anos. Então, há 50, 40 anos atrás, a gente não via se falar do TEA
01:47como se fala hoje. Então, assim, não tem como a gente falar nisso
01:50sem perpetuar a infância. Hoje, os profissionais, eles estão muito voltados
01:55para a infância. Então, quando a criança ainda está aprendendo a desenvolver
01:58essa capacidade cognitiva, ter esse controle, então isso fica muito visível
02:02dentro do TEA. E aí, como essa visão, enquanto adultos, não sentia isso,
02:09não sentia esse olhar. E na vida adulta, a maioria dos adultos que são
02:13diagnosticados tardiamente, é o nível 1 de suporte, que é aquele que não tem,
02:18não precisa de tanto suporte assim. Ele tem mais uma autonomia e, geralmente,
02:22ele tem a sua capacidade cognitiva, que é como a gente processa e entende
02:26as informações, preservada. E aí, o que fica mais? É a dificuldade na interação social
02:31e na parte comportamental. Que a gente acaba entendendo sobre isso no decorrer
02:37da nossa infância, sobre as regras sociais, como a gente deve se comportar,
02:41como a gente deve agir. Então, a gente está sempre ouvindo, né?
02:45Se comporta de determinada forma, olha, fala com fulano, abraça.
02:50Então, você já se sente incomodado com aquilo, mas só chega, você só chega a fazer sentido
02:56realmente na fase adulta, quando isso afeta várias áreas da sua vida.
03:00Ah, então, uma pessoa adulta que tem o autismo suporte 1, né?
03:06Ele, a pessoa tem dificuldade de interação social, por exemplo.
03:10Não gosta muito de sair. Se sai, fica muito reservada.
03:14Isso.
03:14Fica mais quietinha. É uma pessoa que tem hipersensibilidade também.
03:18Isso. Tem essa dificuldade da interação social e da comunicação.
03:22Então, ele está sempre fazendo um esforço muito grande para estar nesses ambientes.
03:26E a comunicação também. Além disso, também tem a questão da expressão, né?
03:31De entender como é que funcionam as emoções.
03:33Então, uma pessoa dessa, a longo prazo, ela é bem afetada.
03:37Agora, ó, não vai se autodiagnosticando aí não, tá?
03:39Porque tem que ter um profissional para fazer isso.
03:41Porque eu mesmo não gosto muito de sair.
03:43Quando sai, não interajo muito, mas porque é cansaço, tá?
03:46É uma vida cansada que eu tenho.
03:49Então, você não pode pegar o que ela está dizendo, aplicar para si e dizer que você tem, né?
03:53Que você é autista, né?
03:54Precisa de um acompanhamento profissional, né?
03:58Para identificar se, de fato, você pertence ao espectro autista aí.
04:03E, a partir daí, fazer terapia, né? Tudo que for necessário.
04:07Isso. Na realidade, quando é um adulto com essa condição e ele ainda não sabe,
04:10isso gera um sofrimento emocional muito grande.
04:13E aí, uma das comorbidades que mais se tem é a ansiedade e a depressão.
04:18E não tem como a gente deixar de falar nisso também, que há uma dificuldade também dos profissionais nessa área.
04:25Então, principalmente as mulheres, que como a gente estava falando, tem a questão do mascaramento social.
04:29A gente aprende como se comportar e como deve agir.
04:33Esse mascaramento acaba deixando as características muito sutis.
04:38E os profissionais também têm essas dificuldades.
04:41Então, existem testes e avaliações de rastreio, porém, a que mais dá o diagnóstico ainda é a escuta clínica.
04:50É a gente entender que vem desde a infância e vai acompanhar até a vida adulta.
04:55Agora, pastora Flávia, muitos espaços públicos ou espaços privados,
05:01ele ainda tem uma certa dificuldade e resistência no acolhimento e no recebimento da maneira correta de uma pessoa com
05:09autismo.
05:10É porque ainda falta muita informação, Thais.
05:12A gente estava falando, a Marli estava falando aqui e eu observando algumas coisas,
05:16porque o nível 1 de suporte, ele, na minha opinião, eu sempre falo isso com a minha neuro que me
05:22acompanha,
05:23eu falo assim, eu acho o nível 1 de suporte o mais difícil que tem.
05:26Por quê? Porque ele não tem tantas comorbidades como tem o nível 2,
05:30ele não tem tantas estereotipias como tem o nível 2 e 3,
05:33então ele acaba passando mais desapercebido.
05:37Então, as pessoas vão absorvendo, é meu jeito, não é porque eu sou assim.
05:42Não, mas é porque quando as coisas começam a te incomodar de um nível hard,
05:47você vai tendo elementos que aí você pode confundir com o TDAH,
05:51porque tem o TDAH, por exemplo, no meu caso eu tenho TDAH,
05:54então eu tenho algumas sensibilidades que se você olhar direto,
05:57não, está dentro do espectro, mas não fecha o DSM-5,
06:01então ele tem um número de conjunto de informações que precisa fechar para você ter um diagnóstico fechado,
06:08então por isso que acaba demorando mais quando demora buscar a avaliação.
06:14Então assim, por exemplo, sensibilidade auditiva, você tem um nível hard,
06:18e eu estou, imagina, eu pastora, mas o volume do som, eu chego no altar, já peço para diminuir o
06:25retorno,
06:26não, já diminui meu retorno, porque o barulho me incomoda, o excesso.
06:30Agora, quem está no espectro sente isso num nível muito mais elevado,
06:35nossa, essa pessoa é antissocial, nossa, essa pessoa não...
06:38Ela sai de simpática a chata, assim, num piscar de olhos, vive muito bem sozinha.
06:45Você está no seu mundo ali, então você vai confundindo isso com características do TDAH,
06:53do TDAH, do TEIA e a sua personalidade.
06:57Por isso que eu sempre falo que o nível 1, na minha opinião, eu acho mais difícil,
07:00porque ele é totalmente funcional, mas o comportamental é onde acontece tudo,
07:06é onde vai para a depressão, é onde as pessoas não se encaixam,
07:10porque ela fala, nossa, eu sou diferente, é onde eu não estou ali.
07:13E aí, como você falou, os ambientes não estão preparados.
07:15Em 2020, quando nós começamos o projeto da Igreja da Criança, a gente começou...
07:20Explica, nós quem?
07:22É, eu sou pastora, né?
07:23Gente, eu sou pastora, sou pastora da Igreja Quadrangular,
07:26e a nossa igreja, ela tem três espaços, ela tem a Igreja da Criança,
07:32a Igreja dos Adolescentes, dos teens e o Templo Maior para toda a família.
07:36Então, nós começamos um projeto no Departamento Infantil da Igreja,
07:40porque a gente tem a cultura de não ser salinha,
07:43a gente quer que as crianças entendam que ela vá para a igreja,
07:45então lá nas igrejas, igreja mesmo, é públicozinho, toda a estrutura para elas.
07:50E a gente começou a receber algumas famílias atípicas.
07:53E eu falei assim, nossa, a gente não está preparado.
07:56Só que falar que não está preparado e cruzar os braços,
07:59eu estou preparado, não estou preparado e pronto, não.
08:01Porque incluir, Thais, é diferente de integrar.
08:04Integrar. Integrar é quando quem está chegando precisa se adaptar ao que já existe.
08:10Incluir é quando o que já existe se transforma para receber quem está chegando.
08:14E foi isso que a gente fez.
08:16A gente transformou todo o ambiente da igreja para acolher a todos,
08:20tanto na igreja da criança, como na igreja dos adolescentes, como no Templo Maior.
08:24E o que, por exemplo, você fez?
08:26Diminuição do som, diminuição da luz, a gente tem uma área sensorial, uma área de regulação.
08:32Se a criança desregulou, se alguém desregulou, ela vai para aquele espaço e aí depois ela volta.
08:38Elas não ficam em espaços separados.
08:40Eu não tenho um cante, olha, esse é o espaço das crianças atípicas,
08:43esse é o espaço das crianças não atípicas.
08:45Não, eles estão juntos, eles estão preparados, está a nossa equipe da suporte.
08:50Então eles cultuam juntos, eles participam, eles se apresentam juntos.
08:55Porque a inclusão, ela não pode ser um departamento isolado na igreja.
09:00Ela precisa fazer parte da cultura da igreja.
09:03Não só da igreja, de todos os ambientes.
09:05Preciso entender que não é eles que precisam se preparar,
09:10é os espaços que precisam estar preparados.
09:12Hoje na nossa igreja nós temos 53 crianças, adolescentes,
09:16famílias atípicas que congregam na igreja.
09:18E assim, não é chegar lá e ficar desenhando, não.
09:21Eles cultuam mesmo, eles participam do culto.
09:24Porque tudo que é feito, é feito de uma forma que alcança a todos.
09:28O que a Bíblia diz?
09:30Como ouvirão se não houver quem pregue?
09:32Como eu prego para um surdo se eu não aprendo libras?
09:35Então como eu vou alcançar o coração de alguém neurodivergente,
09:39se eu sequer me importo, como eu vou fazer isso?
09:42Então são características, são detalhes,
09:44e a gente realmente vai se envolvendo nisso.
09:47E desde 2020, a nossa igreja, a gente é apaixonado por inclusão.
09:51Tanto recepção, diaconato, é assim, eu sou suspeita em falar, né?
09:56Ai, Camila, já está brilhando aqui, olha o olho brilhando.
09:58Eu vou lá.
09:58Para a gente encerrar, vou fazer uma pergunta aqui,
10:01queria que as duas respondessem, né?
10:02Até se complementando uma outra.
10:04A gente falou agora de espaços, né?
10:07De acolhimento e como o espaço se prepara.
10:09Mas como a gente preparar as pessoas que vão conviver com crianças, né?
10:15Com adultos que são neurodivergentes.
10:17Marli, vamos começar com você.
10:19Primeiro, eu acredito muito na inclusão atitudinal, sabe?
10:23É do ser humano mesmo.
10:24A gente tem que ter esse olhar sensível, essa sensibilidade.
10:28Para estar nesse espaço, numa igreja, numa clínica,
10:30ou que você escolha trabalhar com esse público neurodivergente,
10:34tem que ter essa sensibilidade.
10:35Então, muitas das vezes, a gente não chega em ambientes preparados
10:38como tem a igreja da pastora.
10:41Mas a gente, com esse olhar, eu consigo chegar numa igreja
10:44que talvez não tenha tanto esse suporte no espaço
10:46e eu pegue lá na mãozinha da criança e leve ela para participar
10:50e tente, encontre ali algum local ou algo que vá trazer essa regulação para ela.
10:57Então, eu acredito nisso.
10:59Eu acredito na atitude do ser humano mesmo,
11:02do ato de servir, do amor ao próximo.
11:04Tem uma frase que a gente usa, que a inclusão, ela começa no coração.
11:08Sim.
11:09Então, assim, tem uma grande diferença que eu bato numa tecla
11:12quando a gente vai falar sobre inclusão em várias igrejas,
11:15que precisa ser o ponto de partida.
11:16A igreja não é uma clínica.
11:18Então, a igreja, ela, antes de adaptar salas,
11:22antes de transformar salas, Deus quer transformar corações.
11:26Então, assim, com corações transformados, nós vamos mudando os ambientes.
11:30Então, nós temos um lema lá, é que quando amar for verdadeiro, o cuidar será natural.
11:36Então, quando eu amo vidas, eu me importo e eu vou aprendendo
11:39e eu vou sentindo a necessidade de se colocar no lugar do outro.
11:44Sabe, Thais, a gente fala muito de empatia, mas a empatia, só de palavras, o mundo está cheio.
11:49A gente vê no nosso estado, Pernambuco é o oitavo estado,
11:52com o maior número de autistas no Brasil, um dado do IBGE de 2022.
11:57Imagina quantos ainda não, são 150 e poucos mil com laudo.
12:02Imagina quantos ainda nesse período ainda não tem laudo e também foram laudados.
12:07Mas se a gente começar, começa em nós, para depois ser através de nós.
12:11Quanto mais informação, menos preconceito.
12:14Quando eu entendo que eu vou numa engrenagem ali, sabe?
12:17Começa por você, o que você está fazendo isso, alcança tantas pessoas.
12:21Porque o que eu escuto de relatos é pastora, essa semana mesmo eu ouvi pastora.
12:25Minha vontade é botar um fim em tudo, tirar minha vida, a vida do meu filho.
12:30Isso é... Por quê?
12:32Porque o emocional de uma mãe atípica é como os soldados, isso são dados,
12:37como um soldado num campo de batalha em plena guerra.
12:41Então, você imagina isso o tempo todo, o tempo todo.
12:43Então, nós só vamos conseguir alcançar corações elevando informação, dizendo assim,
12:48você não está só.
12:49Sabe?
12:49Olhar para a mãe atípica que está assistindo e falar assim, você não está só.
12:53Apesar da luta, apesar da dificuldade, a gente está tentando.
12:56Se importa de verdade ou se importar.
12:58Como eu disse, a empatia na palavra, apenas em palavra ela não resolve.
13:03Agora, empatia é quando realmente a minha luta, a tua luta se torna a minha luta.
13:10E a primeira coisa que eu escuto é, pastora, sua filha é autista?
13:13Não, a minha filha não é.
13:15Eu não tenho na minha família biológica?
13:17Não, eu não tenho.
13:17Mas eu tenho mais de 50 na minha família espiritual.
13:20E eu vivo com as famílias todos os dias.
13:22Então, é uma luta real, é uma luta minha.
13:24É uma coisa que não é só de tempo, sabe?
13:27É o dia a dia.
13:28Então, guarda no seu coração, assim, ó.
13:30Quando o amar for verdadeiro, o cuidar será natural.
13:33Ai, que lindo.
13:34Gente, muito obrigada por essa conversa tão inspiradora aqui, né?
13:38Eu acredito que quem está nos assistindo nesse momento, né?
13:42Vai se inspirar com essa conversa, vai refletir com essa conversa.
13:45Porque é muito importante a gente fazer a inclusão, né?
13:48Das pessoas, né?
13:50Autistas, das pessoas com deficiência, né?
13:54Pra que a gente viva numa sociedade mais justa para todos.
13:57Muito obrigada pela participação aqui.
13:59E olha, agora a gente faz um rápido intervalo e daqui a pouco a gente volta.
14:09Bem, você de volta.
14:11Obrigada pra você que está nos acompanhando até agora, tá?
14:14Siga a gente lá no arroba blog Trente Social e também no arroba Taicintra TV.
14:19E agora eu tenho um recadinho especial pra você, olha só.
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14:53E saiba mais.
15:03São 144 anos de existência.
15:06O restaurante que começou em 1882 com um português chamado Manuel Leite.
15:13Que abriu uma barraquinha vendendo doces e comidas portuguesas.
15:18E logo depois colocou seu restaurante aqui nesse marco.
15:22Hoje o restaurante Leite é o mais antigo do Brasil em funcionalmente.
15:27São 144 anos de muita história e tradição.
15:31A gente vai trazer um pouco pra você, do bem você, que faz o leite viver por tanto tempo.
15:38Atravessando gerações, atravessando o período monárquico, republicano.
15:44O leite centenário a gente vai conhecer agora.
15:48Bora lá!
16:00Logo na entrada a gente é recebido por um bar muito lindo.
16:05E logo aqui a gente já vê fotos de personalidades, pessoas importantes que já visitaram o restaurante Leite.
16:13Que a gente tem o Jean-Paul Sartre e a Simone de Beauvoir, escritores famosíssimos, Gilberto Freire.
16:20Muita gente, muita gente importante já passou durante esses 144 anos de existência do leite.
16:27Vamos entender o que é que o leite faz pra manter as portas abertas, atravessando gerações.
16:32Vendo a transformação do Brasil, a transformação do Recife e permanecendo como um marco, uma tradição da gastronomia pernambucana com
16:41comida portuguesa e cozinha internacional.
16:52Tudo bom, Jair?
16:52Bem, seja bem-vindo.
16:54Seja presente aqui ao pessoal do Bem Você.
16:55Você é um garçom, né?
16:58Há quanto tempo aqui no leite?
17:01Eu estou aqui há 23 anos no restaurante Leite.
17:03Quase a minha idade, viu, cara?
17:04Tá vendo?
17:05Então, assim, o restaurante tem muita história.
17:08A Sociedade Pernambucana frequenta o restaurante e nós temos uma culinária maravilhosa e estamos aí entre os melhores do Brasil.
17:17Jair, eu sei que tem um funcionário aqui, você tem 23 anos de casa, mas tem um funcionário aqui com
17:22mais de 50, é verdade?
17:23É verdade, sim.
17:24Tu me leva? Como é o nome dele?
17:25Levo, sim. É Manuel.
17:31Seu Manuel!
17:33Não tem problema, não. Como vai?
17:35Eu vou bem, e você?
17:36O senhor tem quantos anos de leite?
17:4050.
17:4150 a partir do meio século?
17:43Vou fazer, mas agora, para o mesmo mês, acho que eu faço 51.
17:47Desculpa lhe perguntar, quantos anos de vida o senhor tem?
17:5070.
17:51Me diga uma coisa, seu Manuel.
17:53Primeiro, já é a gente saber que um restaurante funciona há tanto tempo, já causa espanto, surpresa.
18:00E o senhor também trabalhando há mais de 50 anos aqui nesse mesmo lugar.
18:06O senhor sente que já mora aqui dentro? Como é que é aqui nessa cozinha?
18:09Olha, para lhe falar a verdade, eu sinto como se já fosse a minha casa.
18:12É a sua casa, né?
18:13É, porque eu vivo mais tempo aqui do que na minha própria casa.
18:21Janelão, na parte que acabou de ser inaugurada.
18:2550 novos espaços para atendimento.
18:28É uma janela que dá para a história do Recife.
18:31Aqui a gente está na Praça Joaquim Nabuco.
18:33Um grande nome abolicionista brasileiro.
18:38E que divide o centro das atenções aqui com um restaurante tão tradicional.
18:43Um painel, uma galeria de fotos de celebridades, de pessoas influentes na sociedade pernambucana brasileira.
18:51E muita gente de fora também internacional.
18:54Um ambiente moderno, né?
18:56É um privilégio, inclusive.
18:58Esse lugar que acabou de ser inaugurado.
19:01Isso mostra a tradição com a modernidade, fazendo do leite um restaurante realmente diferente.
19:09Agora a gente vai experimentar.
19:11Porque eu estou salivando.
19:13Vamos experimentar o famoso bacalhau do leite.
19:25Eita, famosa cartola.
19:26Tudo bom?
19:27Tudo bom.
19:28Que linda.
19:29Isso é queijo manteiga?
19:30Queijo o quê?
19:31Queijo manteiga.
19:32Queijo manteiga.
19:33E agora, o que a gente faz?
19:35Polvilha?
19:36Isso é o quê?
19:36Açúcar com...
19:38Açúcar com canela.
19:44A história é a seguinte.
19:45Lá em 1800...
19:47Obrigado, Lili.
19:481800 e tanto.
19:51Tinha um cliente do restaurante de Manuel Leite.
19:56O Leite, né?
19:57Cento e tantos anos atrás.
20:00Que ele vinha sempre de cartola.
20:02Naquela época todo mundo elegante, né?
20:03Não é feito a gente hoje tudo esculhambado.
20:05O povo andava chique na última, elegante.
20:08Cartolinha, terno.
20:10E esse senhor pedia sempre que vinha uma sobremesa que não tinha na casa.
20:17Que era banana assada com queijo.
20:22E aí, como ele usava uma cartola, diz a lenda que ele foi o criador da tão famosa cartola pernambucana.
20:32Hoje, a gente tem aqui uma banana assada, né?
20:35Ou frita, não sei.
20:37Um queijo manteiga maravilhoso polvilhado com canela e açúcar.
20:42E assim eu vou encerrando nossa pauta linda.
20:46Deliciosa.
20:48Que mistura tradição, modernidade, sabor.
20:51Tudo num só lugar.
20:52E vocês, sem dúvida, estão tudo morrendo de inveja.
20:56Cheiro!
21:07Obrigada pelo carinho da sua audiência.
21:09Amanhã a gente se encontra às 8h35 da manhã aqui na TV Tribuna, hein?
21:13Cheiro!
21:14Cheiro!