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  • há 2 dias
Toy Story 5 chegou aos cinemas no dia 18 de julho. No novo filme, acompanhamos o encontro de Woody, Buzz, Jessie e dos outros brinquedos com a tecnologia. Eles se deparam com uma câmera, um dispositivo em formato de rolo de papel e a temida Lilypad, um tablet que compete pela atenção das crianças.

Também temos o retorno de Garfinho, personagem introduzido em Toy Story 4 e que agora está oficialmente integrado à turma dos brinquedos. Seu interesse amoroso é a Faquinha, que havia aparecido na cena pós-créditos do filme anterior.

Por trás de muitas das cenas de Garfinho está o animador brasileiro Cláudio de Oliveira. Criado em São Paulo, ele trabalha na Pixar desde 2013 e participou de produções como Divertida Mente e Os Incríveis 2.

Em conversa com a Superinteressante, Cláudio contou como foi retornar ao universo de Toy Story e dar vida a Garfinho mais uma vez.
Transcrição
00:00Toy Story 5 chegou aos cinemas no dia 18 de junho.
00:03No novo filme, acompanhamos o encontro de Woody, Buzz, Jesse e dos outros brinquedos com a tecnologia.
00:10Eles se deparam com uma câmera, um dispositivo em formato de rolo de papel e a temida Lily Pad,
00:16um tablet que compete pela atenção das crianças.
00:19Também temos o retorno de Garfinho, personagem introduzido em Toy Story 4,
00:24que agora está oficialmente integrado à turma dos brinquedos.
00:28Seu interesse amoroso é a faquinha, que havia aparecido na cena pós-crédito do filme anterior.
00:34Por trás de muitas das cenas de Garfinho está o animador brasileiro Claudio de Oliveira.
00:39Criado em São Paulo, ele trabalha na Pixar desde 2013 e participou de produções como Divertidamente e Os Incríveis 2.
00:47Em conversa com a Super Interessante, Claudio contou como foi retornar ao universo de Toy Story e dar a vida
00:53a Garfinho mais uma vez.
00:57Claudio, primeiro eu queria saber um pouco das cenas que você fez no Toy Story 5.
01:01Você teve alguma cena com a Lily Pad? Teve algum momento mais desafiador de animar? Como é que foi?
01:06Com a Lily Pad não necessariamente, porque eu tenho uma história que eu gosto muito com o Garfinho,
01:14desde o Toy Story 4, então quando a gente tem a oportunidade no início do projeto de conversar com os
01:20supervisores
01:21e dizer quais são as nossas preferências e qual personagem que a gente gostaria de trabalhar mais.
01:27E eu pedi para fazer o que eu pudesse fazer com o Garfinho.
01:31Então, eu acabei ficando mais com ele e com cenas do Buzz Lightyear.
01:38Eu tive só alguns testes com os personagens dos brinquedos digitais,
01:44porque quando a gente começa num projeto,
01:47muitas vezes a gente faz testes com os personagens novos daquele projeto
01:52para entender um pouco mais o que funciona e o que não funciona.
01:57Então, no filme em si, eu acabei não trabalhando com a Lily Pad,
02:01mas eu trabalhei com os personagens que eu queria, na verdade.
02:06E falando de personagem novo no Toy Story 4, a gente teve uma prévia da faquinha
02:10e agora ela aparece oficialmente como o interesse amoroso do Garfinho.
02:14Como que foi explorar essas dinâmicas entre esses dois personagens?
02:18Para mim é interessante porque eu já tenho uma história com eles.
02:21Até no Toy Story 4 eu tive a chance de trabalhar com eles bastante.
02:27Até depois que o filme acabou, nós trabalhamos na série do Fork,
02:31que foi para a Disney Plus, de algumas curtas bem interessantes.
02:39E até naquela cena final do Toy Story 4, do Garfinho com a faquinha,
02:43e eu acabei animando aquela cena, eu e quem era o meu colega de trabalho aqui no momento,
02:51ele animou a faquinha e eu animei o Garfinho naquelas cenas.
02:55Então foi legal ter essa oportunidade novamente de brincar com eles.
03:00E eu tive a oportunidade de animar a cena que eles estão se casando também.
03:06Então foi, para mim, eu adorei.
03:09É sempre, é mais, eu acho que ele é o brinquedo, o mais brinquedo para mim dos brinquedos,
03:18porque ele é muito simples e você tem que se virar para achar o que funciona,
03:23para aquela simplicidade ali dele.
03:25Com certeza, eu fiquei muito feliz com a cena do casamento deles.
03:28Eu ia te perguntar especificamente sobre ela, mas eu não sabia se você tinha feito.
03:32Mas uma coisa que eu fiquei curiosa é porque eu acho que os personagens do Toy Story,
03:36tipo Buzz Lightyear, eles têm um jeito de falar muito específico,
03:39que já estão no nosso imaginário.
03:40E eu queria saber como é para você, como animador,
03:42trabalhar com essa identidade já estabelecida e também criar algumas coisinhas novas.
03:46Tem, tem muito esse lado.
03:48Tem esse lado de você ter que se ajustar a alguns lados da personalidade do personagem
03:56que já são característicos.
03:58Então, quando você trabalha num filme que não é o original, sempre tem esse cuidado.
04:03Às vezes a gente tem o que a gente chama de especialistas dos personagens,
04:08que é alguém que já trabalha com aquele personagem em algum outro filme
04:11e entende bem o que funciona para eles ou não.
04:15Então, às vezes a gente está recebendo algumas notas do diretor e o que tem que ser ajustado,
04:23mas aí também vem alguém que trabalha junto com a gente e fala,
04:25ó, o personagem se mexe dessa maneira ou fala um pouco menos dessa maneira.
04:32Eu também fiz um pouco disso no Garfinho,
04:35que a gente tinha animadores que não tinham trabalhado com ele antes
04:40e o normal é a gente querer animar, mover ele demais.
04:44Então, a maioria das vezes eu tinha que falar, ó, não, é mais simples.
04:47A gente tem que ser mais, prestar mais atenção no material dele e brincar um pouco mais.
04:54Realmente como se a gente estivesse movendo um brinquedo em cima da nossa mesa e brincando com eles.
05:01Com certeza.
05:03Inclusive, no filme anterior, o Garfinho era o novato da turma
05:07e aí no Toy Story 5 ele já faz parte da gangue, assim.
05:10E como foi para você acompanhar a evolução desse personagem
05:12que se conectou com vários fãs, assim,
05:14e agora voltar como um expert do Garfinho nos estúdios da Disney, assim.
05:20Foi muito gostoso porque
05:23aqui no estúdio a gente não necessariamente trabalha em todos os filmes,
05:27em todos os projetos,
05:28porque os projetos se intercalam.
05:30Então, às vezes você está trabalhando em um projeto
05:32e o outro passa e você acaba não trabalhando.
05:34E eu não tinha ainda pedido para trabalhar no Toy Story 5
05:38quando eu tive a oportunidade de ir na D23
05:41que aconteceu aí no Brasil e em São Paulo
05:44e era uma celebração dos 30 anos do Toy Story
05:48e foi legal porque eu consegui sentir
05:52como que o Garfinho era importante para muita gente.
05:56então, depois daquela viagem
06:01eu voltei já pedindo para trabalhar no Toy Story
06:04e já pedindo para fazer o que eu pudesse mais
06:07no Garfinho em si.
06:09Então, é gostoso porque você vê
06:12o cuidado e o trabalho que foi colocado
06:15no início daquele personagem
06:17sem a gente saber
06:18como ia ser aceito
06:22ou interpretado
06:24ou o impacto daquele personagem ia ter.
06:26E depois você vê aquilo acontecendo.
06:28É meio que um filho
06:30que você está ali ajudando
06:33a meio que não moldar
06:36mas ajudando
06:40com que a personalidade deles apareça
06:43da melhor maneira possível
06:44e aí eles vão para o mundo.
06:46Você não sabe como eles vão ser tratados
06:49como eles vão tratar os outros.
06:50então é legal
06:51é meio que você
06:53encontrar o seu filho
06:54com amigos
06:57e amigos de Vinhera
06:58e falar bem dele para você.
06:59Então, é aquele sentimento
07:00de você
07:03sentimento de pai mesmo
07:04quanto aquilo.
07:06Com certeza.
07:07Eu acho que a gente tem só mais um minutinho
07:08mas eu queria saber
07:09você brasileiro
07:10como que a nossa cultura
07:11influencia um pouco
07:12a sua forma de animar
07:13seja nos expressões
07:15da mão dos personagens
07:16como que você relaciona.
07:18Sim, eu não posso dizer assim.
07:19Aqui, Ana
07:20eu ainda me seguro um pouco aqui
07:23eu tento às vezes
07:24me segurar um pouco
07:25mas
07:26na verdade
07:27é algo muito positivo para nós
07:29porque eu acho que a gente tem
07:31uma gama de expressão
07:35corporal muito grande
07:36por causa das influências
07:37de tantas culturas
07:39e como a gente
07:41não só aceita essas culturas vindo
07:44mas a gente também se entrelaça com elas
07:46não é a mesma coisa
07:47eu vejo em alguns outros lugares
07:49que você pode ter uma
07:53uma comunidade grande
07:54de vários países
07:56mas eles não necessariamente
07:59se juntam.
08:01No Brasil, eu acho que
08:02tem essa cultura de se juntar
08:04então muitas vezes
08:05até tem sinais
08:06que eu cresci fazendo
08:08sem saber que era
08:09que era de origem italiana
08:12ou de algum outro lugar
08:13e aí é legal você
08:15você perceber isso
08:17um fato interessante
08:19é que aqui
08:20por exemplo
08:21ninguém sabe fazer isso
08:23Mentira!
08:25É
08:25ou
08:26ou
08:26sul-americano
08:28ou
08:29a
08:30América Central ali
08:33é engraçado
08:34porque você faz daqui
08:35as pessoas
08:36é como se você estivesse
08:37tentando fazer na mão esquerda
08:39Sim
08:40Então é um lado
08:42interessante
08:43que eu tento colocar isso
08:44nos personagens
08:45às vezes não funciona
08:47não encaixa
08:47mas eu continuo tentando
08:49então se um dia você ver
08:50alguém fazendo assim
08:51nos filmes da tua história
08:52a chance é que eu
08:53que eu tentei colocar isso
08:55
08:55ou tentei
08:55que eu tentei
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