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O programa EM MINAS da TV Alterosa e do Portal Uai recebe o empreendedor e jornalista especializado em gastronomia, Eduardo Tristão Girão.

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#emminas #gastronomia #queijo #minasgerais

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Notícias
Transcrição
00:14Olá, sejam muito bem-vindos a mais um programa em Minas.
00:19O meu convidado de hoje, Eduardo Girão, ele é empreendedor, jornalista, especialista,
00:26jornalista especializado em queijo, aliás, o único jornalista especializado em queijo do Brasil, é isso mesmo?
00:34Seja muito bem-vindo.
00:34Muito obrigado, é um prazer estar aqui com vocês para falar do queijo, né?
00:39É um alimento importante para o mineiro, né? De tantas maneiras, né?
00:43É um alimento que define a identidade da gente, né? Inclusive.
00:47Inclusive. Agora a gente começa falando sobre o lançamento do Mapa dos Queijos,
00:52que foi esta semana e hoje ele já foi distribuído de graça nos corredores do Mercado Central aqui em Belo
00:57Horizonte.
00:58Fala para a gente sobre esse mapa que, inclusive, já está aqui no telão para a gente, ó.
01:02Exatamente. Esse mapa foi uma parceria da Só Queijo Cura, que é a minha empresa, né?
01:09Com a cumbuca do Marcelo Vanderlei, né? Que nos convidou para estar junto dele nesse momento.
01:15Hoje, dia 16 de maio, é comemorado o Dia dos Queijos Artesanais de Minas Gerais e o Marcelo teve a
01:21ótima iniciativa
01:22de fazer a Semana dos Queijos Artesanais de Minas Gerais e nos convidou para fazer a palestra de abertura, né?
01:29Da programação, né? Teve muita coisa boa, né? Ao longo da semana.
01:34E nós fizemos a palestra e durante essa palestra a gente apresentou o mapa que vocês estão exibindo,
01:40que todos podem ver, né, nesse momento, que é um retrato, né, o retrato mais atualizado, né,
01:47que a gente tem da riqueza de queijos que existe em Minas Gerais atualmente.
01:53São sete variedades de queijos artesanais, tradicionais, em 16 regiões, né, ao todo, né?
02:00Então a gente não precisa ir na Europa. A gente viu aí o mapa, a gente já tem aqui em
02:04Minas as regiões.
02:05A Europa tem lá a Rota dos Queijos.
02:07Agora a gente tem o mapa dos queijos em Minas Gerais, mostrando quais são as regiões, onde estão os produtores,
02:12é isso, né?
02:13E quais são essas regiões? Quais são as principais? Conta pra gente.
02:16Pois é, a gente, quando a gente fala que tem sete queijos de 16 regiões, a conta aparentemente não bate,
02:22né?
02:22Pois é, como é que funciona isso? São sete tipos de queijo.
02:25Exato.
02:26Quais são esses sete tipos de queijos? Primeiro.
02:28Vamos lá, a gente tem o queijo Minas artesanal, que é um dos mais difundidos, né, um dos mais antigos.
02:34Ele tem cerca de 300 anos, né, de existência.
02:37E esse tipo de queijo, ele se desdobra em 10 micro-regiões, né?
02:43Então, são dessas 16 regiões que a gente está citando, né, 10 são produtores do mesmo tipo de queijo, né?
02:51É o mesmo tipo de queijo, mas como cada região tem características naturais e culturais diferentes,
02:58a mesma receita acaba se comportando de uma forma um pouco diferente.
03:01É o que a gente chama de terroir, né, o conjunto de fatores humanos e naturais, né, que cada lugar
03:05vai ter a sua composição.
03:07Então, a gente começa com esse tipo de queijo e essas 10, né, então a gente já sai com 10,
03:12né, por conta do Minas artesanal.
03:14E essas regiões são Araxá, Canastra, Serro, Campo das Vertentes, né, Diamantina, tem 10 só para o queijo Minas artesanal.
03:23E essas regiões são as que estão no mapa que vocês lançaram hoje.
03:27Exato.
03:28Vamos ver o mapa mais uma vez?
03:29Vamos, vamos.
03:30Aí me fala, por favor, quais são as regiões que estão no mapa.
03:33Claro.
03:34Então, a gente começa ali com o Serra Geral, que produz o queijo artesanal Serra Geral, um queijo fresco, né,
03:40e feito com leite cru de vaca.
03:42No Vale do Jequitinhon, a gente tem o famoso cabacinha artesanal do Vale do Jequitinhon,
03:46o queijo modelado à mão também de leite cru de vaca.
03:50Vale do Mucuri, que faz, é uma das regiões, né, que se produz requeijão moreno, uma especialidade fantástica.
03:58Vale do Soçui, um queijo de massa cozida, já do lado do Serro, que é a próxima região,
04:03que aí vai ser uma região de queijo Minas artesanal.
04:06Opa, pulamos ali para baixo.
04:07Para a Mantiqueira.
04:08Mantiqueira de Minas, também um queijo de massa cozida, que deriva da tradição italiana.
04:13Ali no meio, né, a região Serra, com uma outra região pequenininha, que é de um município só,
04:18região Alagoa, do queijo artesanal Alagoa, muito semelhante ao Mantiqueira de Minas.
04:23E aí a gente tem, por fim, as dez micro-regiões do queijo Minas artesanal.
04:28Não posso deixar de perguntar, porque já sei que além desses sete tipos de queijos,
04:33tem um oitavo, um outro que vai ser lançado agora, recente, é praticamente aí um furo.
04:39Vai dizer para a gente com exclusividade qual é o próximo queijo.
04:42Qual é o próximo queijo, exatamente. Qual é o próximo queijo que vem aí?
04:44Sim, o governo de Minas está próximo já de reconhecer um oitavo tipo de queijo tradicional, artesanal,
04:53que é o queijo cozido.
04:55É um queijo que tem um tratamento em água quente, mais ou menos semelhante ao que se faz para produzir
05:03uma mussarela.
05:04Por exemplo, você trabalha ela em água quente, tem peculiaridades, não é uma mussarela,
05:08embora tenha alguma semelhança, de leite cru de vaca também, e que vai ser numa região mais ao norte do
05:17estado,
05:18no Vale de Jequitinhonha, e essa região vai se chamar, pelo que a gente apurou até o momento,
05:23de Baixo Jequitinhonha, pelo fato da posição geográfica ali.
05:27Então tem o alto e o baixo, o médio Jequitinhonha, e essa região vai se chamar Baixo Jequitinhonha.
05:33Então o queijo, o oitavo que virá será o?
05:36Queijo cozido, da região Baixo Jequitinhonha.
05:40Legal.
05:40Minas Gerais é o maior produtor de queijo do Brasil, né Eduardo?
05:44Exato.
05:44São aí cerca de, vamos colocar, 9 mil produtores, isso segundo dados oficiais, a gente sabe que...
05:51Tem mais.
05:52Existem mais.
05:53Com uma média de 40 toneladas, 40 mil toneladas de queijo produzidas por ano.
05:59Importante dizer, esses números, tanto de produtores quanto de produção,
06:04são números referentes à produção artesanal.
06:06Então, quando a gente fala de queijo em Minas Gerais, nós não estamos falando apenas dos artesanais,
06:11embora a gente tenha um carinho especial por eles, trabalhe muito com eles,
06:16Minas Gerais também é o que é, porque tem uma produção industrializada muito expressiva também.
06:21Então a gente tem inclusive queijos que são típicos nossos,
06:25que são queijos já nasceram industrializados.
06:27O queijo prato, o queijo do reino, o Minas padrão, o Minas meia cura,
06:32são todos queijos industrializados típicos também, que também fazem parte da nossa cultura.
06:37Mas eu sei que hoje o assunto são os artesanais.
06:40Não, e agora me conta uma coisa.
06:41Os modos de fazer o queijo foi reconhecido, agora há dois anos, 2024,
06:47pela Unesco como patrimônio imaterial.
06:50Exato.
06:50É isso?
06:51Sim, e isso a gente mostrou vários tipos de queijos ali.
06:55Esses modos de fazer, eles são referentes a um tipo apenas, que é o Minas artesanal,
06:59aquele das regiões amarelas, das 10 regiões.
07:02Então o modo de fazer este queijo foi considerado patrimônio cultural e material da humanidade,
07:08pela Unesco.
07:09Foi o ápice de um processo que começou no início dos anos 2000,
07:13primeiro como patrimônio do Estado,
07:15depois como patrimônio nacional, pelo IFAM,
07:18e agora, há dois anos, pelo Unesco.
07:20Ele tem que ser feito só com leite cru?
07:22Só com leite cru de vaca, da propriedade, ordenhado no dia.
07:26Gente, e qual é a importância de ser reconhecido pela Unesco como patrimônio imaterial, hein?
07:30Isso é ótimo porque os produtores, eles têm um desafio, né,
07:34que é de produzir diariamente, que já é uma grande missão,
07:37mas eles precisam de um amparo também, uma proteção legal, eles precisam de incentivo, né?
07:42Então, quando a gente reconhece os modos de fazer,
07:47obviamente, acaba que o queijo também se torna reconhecido, né,
07:51e mais conhecido, difundido,
07:53a gente cria também um ambiente de cobrança, de pressão,
07:57em cima das instituições, do governo, né,
08:00para que o governo cuide ainda melhor, né,
08:03daquilo que é nosso, que é patrimônio,
08:05que é geração de emprego e renda para milhares de famílias
08:08em vários pontos do Estado, né?
08:10Então, além de saber que é importante, que existe, né,
08:13é bom que todo mundo, né, literalmente,
08:16saiba, né, que esse modo de fazer é patrimonializado
08:19e que existe algo que precisa ser cuidado, né, no nosso território.
08:23E a gente está falando aqui do Minas Artesanal.
08:25Então, é ótimo que ele seja reconhecido.
08:27Agora, falando sobre o cuidar, inclusive sobre o olhar do governo,
08:31sobre o produtor,
08:33qual é a dificuldade do nosso queijo
08:36sair Brasil afora, ser vendido em outros estados?
08:39O que você acha que dificulta esse processo?
08:41Olha, é...
08:42Porque há uma dificuldade da saída do queijo de Minas, né?
08:45Sim, já foi, né, ainda é um pouco difícil, né,
08:48já teve momentos piores, né,
08:50hoje a gente tem algumas, algumas formas, né,
08:54de certificação, desculpa, de fiscalização, né,
08:58para que esse queijo receba um selo, né,
09:01que ateste a sua sanidade, né,
09:03para ele poder ser vendido, né, fora do Estado.
09:04Isso, no início dos anos 2000, era uma grande polêmica,
09:08era uma grande dificuldade, né,
09:09a legislação foi evoluindo, né, felizmente, né,
09:12então, hoje, isso já está...
09:14Não resolvemos de todo o problema, né,
09:16tem muitos produtores que ainda têm dificuldade de acesso a isso, né,
09:19a essa regularização,
09:20mas é uma caminhada que já começou, né,
09:23em se tratando de melhorias, né.
09:25Então, a gente tem alguns selos, né,
09:27que permitem, né, a sua comercialização
09:30fora do Estado de Minas Gerais, né.
09:32Se ele tem, por exemplo, o selo SIM, né,
09:34a gente olha no contrarótulo, né, na parte de trás, né,
09:37se ele tem o selo SIM, teoricamente,
09:38ele só pode ser vendido no município.
09:40É uma questão um pouco difícil, né,
09:42de entender por que ele pode ser comercializado ali
09:44e não pode ser comercializado depois da divisa, né.
09:48Sim, em outra cidade.
09:49Em outra cidade, né, para nós, né,
09:52para leigos, né, isso é muito difícil de compreender.
09:54O selo do IMA, né,
09:56que permite que ele seja comercializado em âmbito estadual, né,
09:59em todo o Estado.
10:00E a gente tem selos, como, por exemplo, o selo SISB, né,
10:04permite que ele seja vendido em todo o Brasil, né,
10:07em todo o território nacional.
10:08Algumas poucas queijarias têm o CIF também,
10:10que é mais voltado para a indústria, né,
10:12também permite que seja vendido em todo lugar.
10:15Mas para queijarias artesanais,
10:17CIF é uma coisa muito incomum.
10:20Então, aí daí vem a dificuldade.
10:21Gente, o papo está bom demais,
10:23eu preciso ir para um rápido intervalo na volta.
10:25A gente continua falando sobre o nosso queijo,
10:27o queijo feito em Minas Gerais,
10:28sobre como escolher um queijo no supermercado.
10:30Eu quero a dica, hein, para a dona de casa que vai comprar um queijo,
10:33o que ela deve olhar,
10:34se o queijo, né, realmente vale a pena.
10:37Então, ó, a gente volta já, já, você não sai daí.
10:42Estamos de volta e o programa em Minas de hoje
10:45recebe Eduardo Girão, jornalista, empreendedor.
10:49Ele é especializado em queijos.
10:52O único do Brasil especializado em queijo,
10:54eu preciso repetir isso.
10:55E eu quero lembrar também que hoje, dia 16 de maio,
10:58é comemorado o dia do nosso queijo Minas, né?
11:00Dia dos queijos artesanais de Minas Gerais.
11:02O que você ia falar quando eu disse,
11:03o único no Brasil especializado em queijo?
11:05É, tem alguns outros colegas.
11:06Você deu uma respirada.
11:07O jornalista tem essa precaução na hora de cravar, né?
11:11Não, mas tudo bem.
11:12Mandar um abraço para a Débora,
11:13que é colega jornalista do queijo também.
11:16Agora me conta uma coisa,
11:17a dona de casa, ou eu mesma,
11:19quando vou ao supermercado comprar um queijo,
11:21o que eu devo levar em consideração na hora de escolher um queijo
11:23para saber, olha, esse é um bom queijo feito em Minas
11:26para eu levar para casa e servir na minha mesa.
11:28Tem uma dica?
11:29Tem. O mais importante na hora de escolher o queijo
11:32é comprar um queijo que seja rotulado, né?
11:36Que tenha identificação com o nome do produtor, né?
11:39Com um selo de inspeção sanitária,
11:42que é uma maneira, são formas simples
11:45e que são efetivas de você garantir
11:49que você não está levando gato por lebre
11:51e que o produto que você está comprando
11:54não oferece risco à sua saúde, né?
11:57Então isso é muito importante.
11:58A gente ter procedência e segurança sanitária, né?
12:01Isso vale para qualquer lugar?
12:03Por exemplo, eu estou viajando por Minas Gerais,
12:05eu chego numa cidade,
12:06você tem uma vendinha pequenininha com queijo
12:08e esse queijo não tem rótulo ok eu levar?
12:11Como é que funciona isso?
12:12Beira de estrada, às vezes tem um queijo,
12:14eu posso comprar em qualquer lugar?
12:16Olha, eu te diria que a única situação
12:18em que você pode comprar um queijo sem rótulo,
12:22que você deve sempre comprar com rótulo, né?
12:24Mas o único lugar em que isso poderia acontecer,
12:26embora não devesse, é dentro da queijaria, né?
12:29Digamos que você entrou dentro da queijaria
12:31e a pessoa tirou uma peça de queijo lá de dentro, né?
12:33Aí você acabou levando sem o rótulo, né?
12:36Acho que fora isso, não é aconselhável
12:39você comprar o queijo sem saber exatamente
12:42de onde ele veio e nem ter a garantia
12:44de que ele vai ser...
12:46Isso é para a proteção do próprio consumidor, né?
12:48Para a proteção do consumidor
12:49e inclusive incentivo ao próprio mercado.
12:52Produzir queijo é difícil, é caro, né?
12:55Então acho que isso é o mínimo que a gente pode fazer
12:57em respeito ao produtor que está lá todo dia, né?
13:00Mantendo essa tradição viva, né?
13:02De pé, para colocar comida na mesa da gente, né?
13:05Então é a gente comprar com procedência, né?
13:08De gente que é legalizada, né?
13:09Que trabalha direito.
13:11Acho que é a nossa parte dentro da sociedade
13:13para a coisa andar direito, né?
13:15Você, especializado em queijo, crítico de gastronomia
13:18na sua opinião, dos nossos queijos, qual é o melhor?
13:21O melhor queijo...
13:22Não vai sair pela tangente, hein?
13:24Não, já estou com a minha resposta pronta.
13:27O melhor queijo é aquele que a gente gosta
13:30e que está perto da gente.
13:32Ainda mais em Minas Gerais,
13:33que é um lugar que faz tanto queijo em tudo quanto é lugar, né?
13:36Se você está no Vale de Jequitinhonha
13:38tem um queijo tradicional.
13:39Se você está no Triângulo Mineiro
13:40tem um queijo tradicional.
13:41Na região da Mantiqueira tem queijos tradicionais, né?
13:44Se você está no Norte de Minas
13:45tem outros queijos.
13:47Se você está aqui entre Serras da Piedade Alcará
13:49você é a região mais próxima produtora de Belo Horizonte, né?
13:53Está separada de Belo Horizonte por Sabará.
13:55Sim.
13:55Acho que nem todo mundo sabe, né?
13:57É a região mais próxima, né?
13:58A cidade que está mais perto é Caeté
14:00que conecta com Sabará
14:02que conecta com Belo Horizonte.
14:03Então, a gente privilegiar aquilo
14:04que está ao nosso entorno
14:05é sempre a maneira da gente comer
14:07coisas boas e em boa forma.
14:09Agora, por exemplo, uma curiosidade.
14:11O queijo canastra, o queijo canastra
14:12ele não existe, né?
14:14Esse queijo, ele é feito na região do canastra.
14:16Explica pra gente.
14:17Existe o queijo canastra?
14:18É, essa é uma pergunta boa.
14:19Muitas pessoas se confundem
14:21e têm o hábito de falar queijo canastra.
14:23Eu sei que quando a gente fala queijo canastra
14:25todo mundo sabe do que a gente está falando
14:26e a gente consegue comprar.
14:28Mas canastra, na verdade,
14:29não é o nome de um queijo
14:30é o nome de uma região.
14:31Então, esse queijo
14:33que as pessoas chamam de queijo canastra
14:34ele tem um nome
14:35que é queijo Minas artesanal.
14:37E ele é produzido nas 10 micro-regiões.
14:39Fora delas, ele também pode ser produzido.
14:41Mas, no caso específico,
14:43são nove municípios
14:44que compõem a região da canastra.
14:46Então, quando ele vem de um desses nove,
14:48ele é o queijo Minas artesanal canastra.
14:50Feito na região da Serra do Canastra.
14:52Agora, me conta uma coisa.
14:53Qual a diferença do queijo artesanal
14:55que você considera as principais diferenças
14:57para um queijo que a gente encontra ali
14:59feito de forma industrial?
15:01Olha, tem exceções.
15:03Mas, a gente pode dizer de forma geral
15:05são produtos, em geral, com leite cru.
15:10Isso dá um resultado sensorial diferente.
15:14São queijos de pequeno volume.
15:18Não são grandes volumes que são produzidos.
15:21Porque isso está ligado também
15:22a uma questão muito manual.
15:24Ainda tem uma grande manualidade no fazer.
15:27O modo de fazer.
15:28Exato.
15:30A gente chega em uma fábrica
15:31que também pode produzir queijos muito bons também,
15:34com leite pasteurizado,
15:36que a gente vê muita automação.
15:38Então, tem máquina para fazer tudo.
15:40Desde a ordenha até a prensagem, salga e tudo.
15:44Tem um nível de tecnologia de automação muito grande.
15:48Tem muito equipamento.
15:49Em queijarias artesanais,
15:50a gente tem, normalmente,
15:51uma produção de caráter familiar.
15:53Às vezes, não tem nem funcionário.
15:55É a família fazendo manualmente.
15:58Então, é uma pequena quantidade.
15:59É leite cru, leite próprio.
16:01Não se compra leite.
16:02E fazendo em pequena escala,
16:05com processos bem manuais.
16:06E, em geral, o paladar também é bem diferenciado.
16:09É diferente.
16:10A gente até, no caso da nossa empresa,
16:13a gente trabalha com ensino, com educação,
16:16com consultoria, comunicação com os queijos.
16:19Então, a gente gosta de ver valor em todos os queijos.
16:21Cada um com a sua proposta.
16:23Tem queijos industrializados que são excelentes,
16:25tem a sua característica,
16:26conta a nossa história.
16:28Fazer parte da nossa cultura,
16:29mas que são diferentes dos artesanais.
16:31Então, cada um é pensado para uma situação.
16:33Queijo industrializado, em geral,
16:35é pensado para uma estabilidade.
16:36O ano inteiro ele está do mesmo jeito.
16:38Ele dura muito tempo na prateleira.
16:40Então, ele tem um perfil.
16:42Queijo artesanal já é outra coisa.
16:44Ele não é aquela coisa que sai exatamente do mesmo jeito.
16:47Ele reflete muito a época do ano.
16:49Então, na época das águas, ele é de um jeito.
16:51Na época da seca, ele muda um pouco.
16:54Tem um grau de mecanização muito menor.
16:58E tem um sensorial, em geral, mais diverso.
17:02Agora, durante a nossa conversa, a gente tem visto imagens de queijos aí que a gente está rodando.
17:06Vamos pôr de novo na tela.
17:07Eu queria que você falasse para a gente quais são esses queijos que estão aparecendo aí,
17:10para a gente já bater o olho e tentar diferenciar também.
17:13Você consegue explicar para a gente, mais ou menos, de qual região que é?
17:17Eu acho que pode deixar rodando, pessoal.
17:18Não precisa frisar, não, porque aí a gente vai vendo.
17:20Esse aí, por exemplo.
17:21Isso parece ser um queijo Minas artesanal recém-fabricado, né?
17:26Ou talvez um...
17:27É, acho que é um Minas artesanal.
17:29Isso aí deve ser um queijo da Mantiqueira de Minas ou Alagoa, de massa cozida, né?
17:35Está sendo defumado, né?
17:36Pelo que a gente está vendo aí.
17:37Esse aí com um vinhozinho, hein?
17:39Ou com cerveja, com café, vale tudo.
17:42Aqui a gente já tem, provavelmente, um queijo de forma grande, né?
17:46É um queijo maior.
17:47É o concurso da Ematero.
17:49Dá para ver vários tipos de queijo ao mesmo tempo.
17:51Esse aí é...
17:53Isso é...
17:54Deve ser a Lagô, a Mantiqueira de Minas também.
17:56Quer dizer, Minas Gerais é diversa demais de queijo, né?
17:58Demais, tem muita coisa.
18:00Agora, uma vez eu vi uma entrevista em que você disse que
18:04o queijo artesanal, ele tem poesia.
18:08Você falou isso.
18:09Por que você considera que o queijo, ele tem poesia?
18:12É...
18:13O queijo...
18:14O queijo, de forma geral, ele é um alimento, um produto,
18:21ele é um testemunho do que aconteceu no dia que ele foi feito, né?
18:27Porque se no dia que ele foi feito, e a época que ele estava maturando, né?
18:31Se estava chovendo muito, ele fica de um jeito.
18:34Se fez muito calor, ele fica de um jeito.
18:36Se mudou a pessoa que prensou o queijo naquele dia, fica de outro jeito, né?
18:41Ele foi mais apertado ou menos apertado.
18:43É uma pessoa que está fazendo, né?
18:45Se ele foi virado corretamente, né?
18:48Se ele foi...
18:49Se o produtor teve a opção de, às vezes, deixar os fungos naturais na casca,
18:55ou se ele decidiu lavar, né?
18:58A alimentação do gado, né?
18:59O que aconteceu naquele dia, se ele comeu as mesmas coisas, né?
19:02O leite tem o mesmo perfil ou mudou, né?
19:05Então, o leite, o queijo, né?
19:07O leite também, ele carrega muitas dessas informações, né?
19:11Ele traz essas pistas, né?
19:13Do que aconteceu naquele período que ele foi produzido, né?
19:15Então, é daí que a gente enxerga muito dessa poesia, né?
19:19Do queijo artesanal, porque cada dia é único.
19:22Então, ele carrega também uma história ali de quem está...
19:24Uma história própria dele, que nas fábricas, naturalmente, não tem isso, né?
19:28A fábrica tem uma dinâmica ali, para que tudo aconteça do mesmo jeito todo dia,
19:32com a mínima oscilação, né?
19:34Quando a gente está falando do artesanal, aí já é uma...
19:36A realidade é diferente.
19:37Agora, você falou uma coisa que me deixou curiosa aqui.
19:40Você falou sobre lavar, se lava, se não lava.
19:42A gente, de uma forma geral, quando compra o queijo ali no supermercado,
19:45mesmo sendo um queijo artesanal, a gente tem que lavar o queijo em casa ou não?
19:50Não necessariamente, tá?
19:53Inclusive, isso é bom, essa pergunta é boa para a gente dar uma dica.
19:56Tem muita gente que gosta de comprar o queijo para maturar em casa, né?
20:00Então, não é aconselhável fazer isso, porque o lugar de maturar é na queijaria
20:05ou num local especializado para isso.
20:07Na casa da gente, é quente, seco, né?
20:09A gente não sabe que fungos estão ali, então não é aconselhável fazer isso.
20:13A gente conservar isso embalado num pote fechado na geladeira,
20:18tira um pouquinho antes para ele chegar na temperatura ambiente,
20:20e caso a gente observe alguma coisa, aí sim a gente lavar, secar,
20:24e voltar com ele embalado para a geladeira,
20:26para a gente cuidar dele o melhor possível.
20:28Gente, o Em Minas de hoje, eu podia ficar aqui conversando muito mais,
20:31mas o Em Minas de hoje recebeu Eduardo Girão, jornalista e empreendedor
20:35especializado em queijo.
20:36Foi um prazer ter você aqui com a gente, tá?
20:38Muito obrigado.
20:38Prazer foi meu, muito obrigado.
20:39Eu quero te convidar para seguir esse bate-papo,
20:42para seguir nesse bate-papo com a gente no YouTube do Portal Uai,
20:45lembrando a íntegra da nossa conversa no Jornal Estado de Minas de segunda-feira, Eduardo.
20:50Obrigada.
20:50Obrigado.
20:51Te vejo no YouTube, pessoal, e até o próximo programa.
20:53Tchau.
21:03Pra você que está com a gente nesse bloco exclusivo do YouTube do Portal Uai,
21:09obrigada pela companhia.
21:10Em Minas de hoje, conversa com o Eduardo Girão, jornalista e empreendedor,
21:14especializado em queijo, crítico de gastronomia.
21:17A gente estava falando no encerramento do bloco, do programa na televisão,
21:21sobre a forma de conservar o queijo em casa.
21:24E aí você falou que depende, mas que o ideal é deixar num pote fechado,
21:28se observar alguma coisa do lado de fora, aí sim lavar.
21:30Mas tem o queijo, por exemplo, o frescal, né?
21:33Que é um queijo também feito aqui em Minas Gerais, em geral, o nosso, comprado aqui.
21:37Às vezes você leva pra casa, ele tem ali um caldinho, uma água, digamos assim.
21:42Ele não tem que ser lavado também?
21:44Ou ele já é um queijo que precisa ser lavado tanto pra comer quanto pra armazenar?
21:49Ele comeu um queijo que não é maturado, né?
21:53Ele é um queijo de alta umidade, né?
21:54Então tudo aquilo que tem muita umidade, tem muita água, né, tem a tendência de estragar mais rapidamente, né?
22:01Mais fácil. A gente sabe isso de forma geral pra alimentos, né?
22:04Então com o queijo não é diferente.
22:06Todo queijo que tem alta umidade, ele vai perder mais depressa.
22:09Então, por exemplo, um queijo tipo brie, um queijo tipo gorgonzola, né?
22:12Um queijo, um requeijão de barra, ele vai tender a mofar e a estragar mais rápido.
22:17Com o frescal, acontece às vezes dele melar, né?
22:20Ele baba, mela, né? Como a gente fala, né? Mais coloquialmente, né?
22:26Esse é um queijo que a gente deve, até por essa validade curta, consumir o mais rápido possível, né?
22:31Conservar sempre na geladeira, né?
22:33Deixar ele fora da geladeira o mínimo possível, apenas pra consumir e retornar ali.
22:39E se ele apresentar alguma característica desse tipo, né?
22:44De melar, alguma coisa assim, é recomendável que a gente assim que possível lave, né?
22:49Corra bem e volte pro pote pra poder guardar.
22:52Porque isso pode, a proliferação, né?
22:55Das bactérias que estão ali, que são naturais ali do queijo também.
22:57Do queijo.
22:57Pode acabar precipitando uma degradação muito acelerada dele, né?
23:02Então, o ideal é que a gente coma depressa, mas se apresentar isso,
23:06o quanto antes a gente já lavar, dá uma escorridinha nele e voltar.
23:11Porque ele é úmido mesmo.
23:12Então, ele pode soltar um pouco de líquido, né?
23:14Um pouco de soro, isso é normal.
23:15Agora, se ele começar a melar, aí realmente é melhor verificar, né?
23:21Lavar e consumir o quanto antes.
23:22Eduardo, você trabalhou aqui no Jornal do Estado de Minas com a gente de 2004, 2003 até 2016.
23:28É isso?
23:282003 até 2016.
23:29A 2016.
23:30Agora, uma curiosidade.
23:32Como é que você se tornou esse crítico gastronômico, primeiro, especializado em queijo?
23:39Como é que aconteceu isso aí na sua carreira, na sua vida?
23:41É, eu entrei aqui no Jornal em 2003, né?
23:45Comecei trabalhando em cidades, né?
23:47Fazendo ronda policial e tal.
23:49E aí, depois, há pouco tempo, eu passei para a cultura, né?
23:52Na época do saudoso João Paulo, né?
23:54Que era o nosso editor lá, deixou muita saudade, né?
23:57Foi um grande exemplo, né?
24:00Para todos lá.
24:01E comecei escrevendo sobre gastronomia, né?
24:04Fui chamado já para escrever sobre gastronomia.
24:06Então, isso desde 2004.
24:08E como eu sempre gostei muito de música, escrevi sobre música também.
24:11Então, isso sempre fez parte aqui da minha trajetória também.
24:13Muita música instrumental.
24:14Pouca gente sabe disso.
24:16É mesmo?
24:17É.
24:17Então, eu gostava muito de escrever sobre isso.
24:19E soldado no quartel, eu fazia de tudo, né?
24:22Tinha o dia do plantão e tal.
24:23Então, já fiz matéria de economia, política, né?
24:26Também já precisei fazer de um tudo.
24:30E, naturalmente, ao fazer as matérias de gastronomia, o queijo volta e meia aparecia,
24:35porque também em Minas, né?
24:36Então, reconhecia uma região, né?
24:38Saía um reconhecimento de um queijo novo, né?
24:41Algo desse tipo, né?
24:43Aí tinha alguma coisa para a gente escrever.
24:44E, num dado momento, essas notícias começaram a se avolumar mais, né?
24:48Já meados de 2000 e...
24:51Lá para 2010, alguma coisa assim.
24:54Começou o movimento do queijo, começou a crescer muito.
24:56Então, eu falei, opa, tem uma...
24:58Tem um tema forte aqui, né?
25:00Batendo, né?
25:01É um lixo interessante, né?
25:02Isso.
25:02E eu vi que as pessoas, embora nós, mineiros, gostamos muito de queijo e tal, a gente,
25:08na prática, a gente não entende muito sobre queijo, no fundo.
25:11A gente gosta muito de comer.
25:12Tem orgulho, curte, aprecia e tal, mas a gente não sabe diferenciar.
25:16Não.
25:16Então, para muitas pessoas, aquela história, né?
25:18A canastra, o queijo canastra, mas, na verdade, é uma região.
25:21Isso.
25:22Confunde o Minas artesanal com o Minas meia cura, com o Minas padrão, com o Minas frescal.
25:27Tem quatro queijos que têm nome de Minas, né?
25:29E, às vezes, as pessoas não sabem diferenciar.
25:31Depois nós vamos voltar nisso para você explicar.
25:33Lógico.
25:33Eu entendi esses quatro aí, que são os campeões de confusão do Mineiro, inclusive.
25:37É, do Mineiro.
25:37Mas aí, voltando na sua trajetória, foi aí que você...
25:40Aí eu falei, pô, tem uma oportunidade, né?
25:42Como jornalista, né?
25:44De tratar essa informação, né?
25:47Levar essa informação para as pessoas, né?
25:48Como fazer isso e tal.
25:49Então, começou a surgir a ideia de fazer degustações abertas ao público, assim.
25:53Então, tirar as pessoas de casa e levar as pessoas para provar queijos mineiros, numa
25:59época que isso não era, absolutamente, não era comum.
26:02Não me lembro de outra pessoa fazendo isso na época, né?
26:04Então, não era...
26:05Chamar a pessoa para ir comer um brie, um parmesão, alguma coisa, assim, na rua, acho
26:11que podia ser até normal.
26:12Mas não queijo Minas artesanal, cabacinho, requeijão moreno, eram queijos do nosso dia a dia,
26:18né?
26:18Mas que não tinham ainda essa visão como produtos artesanais, típicos, que devem
26:23ser valorizados.
26:24Então, isso estava muito no começo, né?
26:25Então, foi um trabalho pioneiro, né?
26:27Nesse sentido.
26:28E, aos poucos, a gente foi enxergando que dá para fazer outras coisas com...
26:33se tratando de informação.
26:35Levar a informação para as pessoas.
26:36Dentro da sua empresa.
26:37Isso, isso.
26:38Pois é, nós vamos falar sobre ela, que é o Queijo Cura?
26:41Só Queijo Cura.
26:41Só Queijo Cura.
26:42Olha que nome sensacional, Só Queijo Cura.
26:45Essa já é a sua empresa, como empreendedor, que você faz aí as degustações dos queijos.
26:50Mas como que foi essa transição?
26:52Então, foi ali já fazendo matéria e conhecendo um pouco do universo do queijo que você se especializou
26:57e viu a oportunidade e abriu a empresa.
27:00Isso, aí eu me desliguei do jornal em 2016, né?
27:04E aí eu me juntei com a minha irmã, que se chama Denise, e hoje nós somos os dois irmãos
27:10que são sócios da empresa, né?
27:12Então, a empresa somos eu e ela.
27:14E aí, com a entrada dela, a gente conseguiu entender de uma forma mais ampla as possibilidades
27:19que a gente tinha.
27:20Então, hoje a gente trabalha, além das degustações, a gente trabalha com serviços, ações de comunicação
27:25na área do queijo, com consultorias também e com atividades de ensino.
27:30Também na área do queijo.
27:31Então, volta e meia a gente está viajando para capacitar produtores numa região, ensinar
27:36lojistas sobre determinado aspecto comercial, estratégico, para falar sobre queijo, fazer
27:43degustações, geralmente corporativas, algumas abertas ao público.
27:47Então, a gente tem tudo que envolve cultura queijeira como um trabalho, tendo jornalismo
27:53no seu coração.
27:55Claro, quem quiser conhecer ou pesquisar, entrar em contato com você para acionar aí
28:01Só Queijo Cura, vocês têm o quê?
28:02Rede social, Instagram?
28:04Isso aí.
28:04A gente tem um perfil no Instagram, arroba Só Queijo Cura.
28:09Fácil demais.
28:10Facílimo.
28:10Gente, adorei.
28:11Só Queijo Cura.
28:12Agora, vamos voltar a falar sobre esses principais aí, os campeões de confusão do mineiro,
28:17porque eu sou uma que realmente também fico na dúvida.
28:20Queijo Minas, queijo padrão, cura, meia cura.
28:24Explica para a gente essas diferenças desses principais e por que que eles causam também
28:28essa confusão em nós, assim.
28:31É, o queijo Minas artesanal já é um queijo muito antigo, ele tem mais ou menos 300 anos,
28:37né?
28:37Esse é o nosso principal, né?
28:39É, mais difundido, né?
28:40Um dos principais, né?
28:41Tem mais produtores, né?
28:43Inclusive.
28:44Ele não nasceu com esse nome, né?
28:46Ele ganhou, foi ganhando pedaços desse nome ao longo da história, né?
28:49Quando ele surgiu, né, 300 anos atrás, ele era um queijo, feito num lugar que viria
28:55a se chamar Minas Gerais, né?
28:57Mais pra frente.
28:58Então, quando ele passou, se tornou, né, ganhou mais o status de produto, começou a
29:02ser vendido em outras regiões, em outros estados, né?
29:06Esse queijo, a gente sabe que ele foi muito para o estado de São Paulo por conta das linhas
29:10de trem, né?
29:11Na época, né?
29:12No século XIX, né?
29:13Principalmente.
29:14Ele foi para o mercado paulista.
29:16Esse queijo foi usado para abastecer a corte quando ela foi instalada no Rio de Janeiro, né?
29:22Então, atendeu a família real, né?
29:24Nessa época, né?
29:26Então, ele foi ganhando esse nome de queijo Minas, porque era o queijo que vinha daqui.
29:29Então, quando, só depois, lá no ano de 2002, né?
29:32Quando criaram o regulamento, a lei para dizer como ele deve ser produzido e tal, ele
29:36ganhou o nome que ele tem hoje de queijo Minas artesanal.
29:39E, com isso, se criou essa, por um lado, uma identificação necessária para ele, mas
29:46que acabou coincidindo com o nome de outros queijos industrializados que, naquela época,
29:50também já estavam consolidados naturalmente.
29:53A partir do século XIX, né?
29:54Fábricas de laticínio e tal foram desenvolvendo receitas com leite pasteurizado, né?
29:58O Minas artesanal é leite cru.
30:00Então, essas fábricas começaram a fazer adaptações desse queijo para serem vendidas
30:04em outros contextos, de outras maneiras, né?
30:06Então, primeiro, se criou o queijo Minas padrão ou padronizado, né?
30:11Que aí é um queijo feito com leite pasteurizado, também de vaca, mas é um queijo que não
30:16tem casca, né?
30:17É um queijo com maturação que não é muito prolongada.
30:21É um queijo um pouco mais ácido, bem branco, que não tem casca.
30:25Mas que a ideia era, vamos dizer assim, reproduzir mais ou menos como seria o Minas.
30:29E ele não é tão seco, né?
30:31Não, ele é bastante úmido.
30:33Ele é mais molhadinho, né?
30:34Não tanto quanto frescal, né?
30:36Mas é um queijo um pouco mais enxuto, mas que ainda tem alguma umidade.
30:40Mais branquinho, com uma certa umidade, tá?
30:42Esse é o...
30:43Minas padrão.
30:44E aí, daí, tem outro.
30:45A partir do Minas padrão, foi criada uma receita que ficou conhecida depois como queijo
30:49Minas Meia Cura, que foi uma...
30:52Podemos dizer assim, foi uma versão um pouco diferente dele, pensada para poder maturar
30:57mais depressa.
30:58Então, não é que ele matura menos, é para ele chegar num ponto de maturação mais rápido.
31:03Então, ele tinha uma tecnologia específica, não vou entrar muito em detalhe aqui, mas
31:08tinha uma tecnologia específica para poder fazer com que a massa dele se comportasse melhor
31:13para maturar, ele maturasse mais rápido.
31:15E aí, por isso que ele é menos ácido e tem uma casquinha levemente formada, em volta,
31:20um pouquinho mais amarelinha.
31:21E a gente tem o Minas frescal, que é um queijo totalmente diferente e não é prensado.
31:26É a massa coagulada, que é colocada na forma e salgada por cima.
31:31E é um queijo que não tem maturação e que já está praticamente pronto para ser consumido.
31:35Já consumido.
31:36Você faz ele e ele fica pronto, vamos dizer, de um dia para o outro.
31:39Agora, antes da gente encerrar esse papo, eu poderia ficar aqui, gente, conversando
31:42sobre queijo.
31:43Eu vou te falar mais uns três programas em Minas.
31:46Hoje, a fiscalização, a vigilância, a legislação, você acha que ela precisa ser mudada para
31:54dar mais visibilidade, para dar mais suporte e mais condição de crescimento para o próprio
32:00produtor de Minas Gerais?
32:01Como é que você vê essa questão?
32:03A gente tem hoje um cenário em que as ferramentas, os aparatos e acaba que a burocracia acaba ficando
32:12um pouco grande para lidar com esses produtos.
32:15Então, eu creio que hoje a gente tem selos diferentes, selo de abrangência municipal,
32:21estadual, federal, tem vários.
32:23E tem basicamente a finalidade de dizer que aquele produto foi fiscalizado, ele está
32:28apto para consumo.
32:29Eu creio que deveria ser, na minha opinião, deveria ser unificado no sentido de permitir
32:35que esses produtos sejam fiscalizados sempre da mesma maneira, com um padrão que seja
32:40rigoroso sim, porque a gente precisa ter garantia da sanidade do que a gente vai comer, mas para
32:45que isso seja uma coisa um pouco mais simplificada, para que esse produto possa ser vendido legalmente
32:49em todos os lugares.
32:50É aquela história, por que o produto que é fiscalizado no município, que tem o SIM,
32:54ele não pode ser vendido no município do lado, ou não pode cruzar a fronteira para ser vendido
32:59no Espírito Santo, no Rio de Janeiro, em São Paulo, na Bahia, em Goiás?
33:02Precisa desburocratizar essa fiscalização.
33:07É um selo municipal, é um selo estadual, é um selo nacional, e por que que se já
33:11recebeu um selo que ele tem para ficar legalizado no mercado?
33:15Isso acaba ficando confuso, é difícil, até não vou dar muita opinião nessa área
33:19que é muito técnica, mas é muito difícil explicar isso para as pessoas.
33:23Mas o que pode vender o produto que é feito em Araxá, vamos dizer, que pode ser vendido
33:29ali, mas dependendo do selo, ele não pode ser vendido em Belo Horizonte.
33:32É o que a gente falou no primeiro bloco, o que dificulta...
33:35Dificulta demais, essas instâncias de fiscalização, isso precisa ter uma comunicação melhor,
33:42uma padronização, uma integração, para que isso facilite a vida do pequeno produtor.
33:47Lembrando que ele é um cara pequeno, ele é uma família que está trabalhando, não
33:53é uma fábrica de laticínios e tal, é uma empresa séria que faz, mas é uma empresa
33:58familiar, é agricultura familiar, então acho que a gente precisa ter um olhar mais, vamos
34:04dizer, cuidadoso, carinhoso com eles, porque é uma tradição que inclusive precisa de
34:09ter o desejo de um carinho com essas pessoas, porque é uma tradição que aos poucos tem
34:16se mostrado de difícil sobrevivência.
34:20Muitos avós, pais, tios estão ficando sozinhos produzindo seus produtos, porque as gerações
34:27subsequentes não estão querendo ficar, não estão vendo muita dificuldade, ou pouco futuro,
34:32do ponto de vista financeiro, em produzir aquilo.
34:35Vêm as dificuldades todas de conseguir um registro, de conseguir vender para fora da sua
34:41localidade, um mercado que é muito competitivo, que ainda carece de educação, de informação,
34:47o papel da gente está nisso também, então essas gerações mais novas estão se afastando
34:54disso também, é preciso ter um olhar para isso, para que essas pessoas vejam que isso
34:59é um produto que tem sim futuro, mas a gente precisa cuidar dele com um pouco mais de carinho
35:05para que as pessoas enxerguem mais futuro nele, senão o queijo que a gente tem hoje, que
35:09a gente se orgulha, medalhas e tudo mais, ele vai morrer.
35:13Ah, é o que a gente espera, que não morra.
35:15Que não aconteça.
35:16Eu, como consumidora, falo isso, porque não só incentiva o produtor, incentiva a nós,
35:20também consumidores.
35:22Agora, para a gente encerrar sobre o mapa dos queijos, que nós falamos que foi lançado
35:28hoje, como é que quem está em casa tem a curiosidade de conhecer esse mapa, você vai
35:32disponibilizar também no Instagram da sua empresa, só queijo cura, como é que a pessoa
35:36pode fazer para conhecer esse mapa?
35:38Pode, quem tiver interesse, já foi distribuído, e acredito que vão ter outras impressões,
35:44talvez, mas para quem quiser, consegue acessar no site da Cumbuca, no site da Cumbuca, que
35:50é a empresa do Marcelo Vanderlei, idealizador da semana, dos queijos artesanais de Minas
35:55Gerais, pode entrar no site da Cumbuca para fazer o download lá.
35:59Do mapa.
35:59Do mapa, exato.
36:00Está aí o mapa mais uma vez na tela, para a gente poder encerrar o programa, e eu confesso
36:04que, vou te falar, fazer uma viagem, conhecer algumas dessas regiões, porque assim, a gente
36:09sabe que Minas Gerais, né, olha para você ver, ela é diversa demais, é um território
36:13extremamente extenso, mas a gente pegar um prazo, escolher uma dessas regiões, visitar
36:18uma queijaria, conhecer um pouco mais desse queijo feito no local, você já deve ter feito
36:21muito isso, na toa você é um crítico e um grande conhecedor especializado em queijo.
36:26Deve ser fantástico, né, Eduardo?
36:28Sim, é, viajar para a Europa para fazer esse tipo de turismo é ótimo, né, mas dá
36:31para a gente fazer coisas ótimas aqui também, que ainda dá até menos trabalho.
36:34Exatamente, então precisamos ir à Europa.
36:36Temos aí o nosso mapa dos queijos em Minas Gerais, Eduardo, muito obrigada.
36:39Obrigado a vocês.
36:41Foi uma delícia falar sobre queijos aqui no nosso programa em Minas, as portas estão
36:45sempre abertas, tá bom?
36:46Muito obrigado.
36:46A você que nos acompanhou até aqui, a íntegra desse bate-papo, amanhã, segunda-feira
36:53no Jornal Estado de Minas, obrigada pela companhia e até o próximo programa.
36:57Tchau!
37:16Tchau!
37:17Tchau!
37:17Tchau!
37:17Tchau!
37:18Tchau!
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