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O programa EM Minas, da TV Alterosa em parceria com o jornal Estado de Minas e o Portal Uai, recebe neste sábado (2/5) Tatiani Fereguetti, diretora de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica de Belo Horizonte.
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NotíciasTranscrição
00:14Olá, sejam muito bem-vindos ao programa em Minas e hoje nós vamos abordar um tema,
00:20um assunto extremamente importante para todos nós, saúde pública.
00:24A nossa convidada, a doutora Tatiane Ferreguetti, diretora de Vigilância em Saúde e Epidemiologia de Belo Horizonte.
00:34Bem-vinda, doutora.
00:35Muito obrigada pelo convite, vai ser um grande prazer trocar a ideia.
00:40Falar sobre saúde, falar sobre saúde pública é sempre uma prestação de serviço.
00:44Eu já começo te perguntando qual é o principal papel da Vigilância Epidemiológica atualmente, principalmente em Belo Horizonte.
00:51O principal papel da Vigilância Epidemiológica é entender aquilo que interfere na saúde das pessoas.
01:00Às vezes a gente pensa só em doenças, que também é papel da Vigilância monitorar, entender o que está acontecendo
01:07com essa população,
01:08mas também outros condicionantes que muitas vezes perpassam as questões de saúde, como saneamento básico, emprego e renda,
01:16entender em que contexto essa população está inserida.
01:19E a partir desses dados a gente gera informação para instruir a tomada de decisão dos gestores em saúde,
01:27para a gente conseguir aplicar os recursos naquilo que é exatamente necessário.
01:32Tanto para o controle de doenças, mas também para a prevenção dessas doenças e para a promoção da saúde.
01:40Aquelas ações que a gente planeja e executa para evitar que as pessoas adoeçam.
01:45Que é o melhor e o que todo mundo tem que trabalhar, evitar que a doença chegue.
01:49Doutora, um assunto que preocupa principalmente nessa época do ano são as doenças respiratórias.
01:55Belo Horizonte decretou a situação de emergência por conta do aumento do número de casos,
01:59mas vamos falar, esse aumento de doenças respiratórias nessa época é um aumento esperado?
02:06A gente espera que no período de outono, inverno, tenha uma maior circulação de vírus respiratórios.
02:13A gente conhece alguns, por exemplo, influenza, vírus essencial respiratório, o rinovírus, entre outros.
02:22A covid-19.
02:23Então a gente espera que nessa época do ano tenha um aumento dessa circulação.
02:27Isso acaba provocando o adoecimento das pessoas.
02:29E a gente espera que esse adoecimento vá acontecendo, aumentando de forma gradativa durante essa época do ano.
02:37E o que explica esse aumento? É exatamente a mudança climática?
02:42Algumas coisas favorecem o aumento da circulação desses vírus.
02:46O clima é um fator bastante importante, mas também às vezes o comportamento.
02:52Alguns eventos de aglomeração.
02:55Nessa época do ano, com a queda das temperaturas, a gente tende a deixar os ambientes mais fechados, com pouca
03:02ventilação.
03:02Isso tudo acaba promovendo ou criando um ambiente mais favorável à transmissão desses vírus.
03:08Agora, eu estou com um dado aqui, doutora, de Belo Horizonte, que houve em Belo Horizonte,
03:13foi registrado um aumento na procura por atendimento ligado a doenças respiratórias,
03:17que são em média 71 atendimentos por hora, a gente fazendo um cálculo do número que a gente tem de
03:22atendimentos
03:23de doenças respiratórias em Belo Horizonte, de janeiro até 27 de abril.
03:28O que explica? E esse aumento, historicamente, ele está dentro do que já foi registrado
03:33ou é um aumento considerável mais expressivo do que nos anos anteriores, por exemplo?
03:39Perfeito. E a gente pode, inclusive, fazer uma outra conta.
03:42Se a gente for comparar os atendimentos feitos em janeiro, hoje a gente está atendendo o dobro
03:47do número de atendimentos que a gente atendia antes.
03:51Mas isso é esperado, a gente ainda está atendendo dentro da capacidade operacional da cidade,
03:56mas é algo que deixa a gente em situação de alerta mesmo, né?
04:01Para monitorar o aumento desse fluxo de atendimentos e também do número de pessoas
04:08que acabam precisando de internação hospitalar.
04:12Porque antes mesmo que a gente tenha um colapso da rede de saúde, que não é o caso ainda, né?
04:18Mas antes que isso aconteça, a gente precisa planejar ações de expansão dessa rede
04:23para que a gente consiga atender as pessoas conforme a necessidade da população.
04:29E aí Belo Horizonte decretou situação de emergência?
04:31E não só Belo Horizonte, outras cidades também do estado decretaram situação de emergência em saúde
04:35por causa do aumento de doenças respiratórias graves.
04:42Para que serve esse decreto de situação de emergência?
04:46As pessoas têm que ficar com medo, alarmadas? Qual que é a situação?
04:50Pelo contrário, esse é um instrumento de proteção para a população.
04:54Porque é por meio dele que a gente consegue fazer contratações mais rápidas,
04:58tanto de serviços quanto também compra de insumos, se for necessário, né?
05:04Para poder atender esse aumento do número de atendimentos.
05:08Então é um instrumento de proteção à saúde das pessoas
05:12que viabiliza uma resposta mais rápida, mais ágil e proporcional
05:18à medida que essa população precisa de atendimento e de suporte à saúde.
05:24A senhora chegou a citar, doutora, algumas doenças respiratórias.
05:28Quais delas ou qual seria a mais grave no momento, assim,
05:33que levaria a um quadro de exigência de internação?
05:37Todos esses vírus respiratórios, eles podem causar doenças graves.
05:41E para essa doença grave, a gente chama síndrome respiratória aguda grave.
05:47Alguns grupos são mais suscetíveis e vulneráveis à forma mais grave dessa doença, né?
05:53Então algumas pessoas que acabam adquirindo vírus respiratórios
05:58podem apresentar sintomas leves, como uma síndrome gripal,
06:03uma coriza, tosse, espirro, e que vai evoluir ali de forma espontânea e muito tranquila.
06:08Outras pessoas podem evoluir com mais gravidade,
06:11inclusive podem vir a precisar de internação hospitalar.
06:15E também a síndrome respiratória aguda grave pode ser causa de óbito.
06:19E aí, como eu disse, algumas pessoas, alguns grupos...
06:22Quais são os grupos que são mais afetados dentro desse cenário?
06:27Isso, a gente pode falar que alguns grupos estão mais suscetíveis, né?
06:31Mais vulneráveis à forma mais grave.
06:33Essas pessoas são geralmente crianças com menos de 6 anos,
06:37os idosos, né? Pessoas com mais de 60 anos,
06:40as gestantes, pessoas que já tratem alguma outra doença, né?
06:45Que a gente chama de comorbidade, pessoas que têm alguma questão relacionada à imunidade.
06:51E aí, essas pessoas acabam ficando mais suscetíveis, né?
06:55E quando que um quadro respiratório, ele deixa de ser leve,
06:58ele passa a ser preocupante e se enquadrar numa situação grave?
07:05A gente identifica a síndrome respiratória aguda grave
07:08quando ela passa a comprometer a função orgânica mesmo, né?
07:12Então, a gente pode ter uma deterioração da função respiratória,
07:16a gente pode ter aí a sobreposição de outras doenças, né?
07:20Então, o adoecimento por doenças virais pode ser o ambiente propício
07:25para a sobreposição por uma doença bacteriana, né?
07:28Uma pneumonia.
07:29Uma pneumonia.
07:30Então, a gente identifica o agravamento disso
07:33quando a gente tem uma dificuldade para respirar,
07:36um comprometimento maior do estado geral,
07:38às vezes uma dificuldade para se alimentar ou para manter a hidratação,
07:43principalmente quando a gente vai falando de crianças pequenas e de idosos
07:48que muitas vezes têm uma dificuldade maior de autocuidado.
07:52Então, quando a gente identifica qualquer sinal ou sintoma de agravamento
07:57que foge daquela gripe comum,
08:00a gente deve se preocupar e procurar atendimento médico.
08:05Doutora, agora sobre a vacinação, ela é importantíssima, né?
08:10Nesse quadro, nesse caso, principalmente talvez para esses grupos.
08:14Como é que está a cobertura vacinal da gripe em Belo Horizonte?
08:18Belo Horizonte começou a campanha de imunização contra a influência no dia 23 de março.
08:23E a gente ainda está imunizando o público-alvo mais vulnerável, né?
08:28As crianças, os idosos, as gestantes e outras populações que são alvo da campanha ainda.
08:35Até esse momento, para o grupo vulnerável, a gente está com uma cobertura em torno de 39%.
08:41Ainda aquém do que a gente pretende.
08:45Qual é a meta, assim?
08:47O que seria uma porcentagem boa de vacinação? 90% do público-alvo?
08:51Isso. A gente espera imunizar pelo menos o público-alvo prioritário da campanha com pelo menos 90% de cobertura.
08:59Você falou que atualmente é quanto? Que já foi? 39%?
09:0139%
09:02E isso está muito abaixo, né? Tem vacina nos postos? Está sobrando? Como é que está, doutora?
09:06Tem vacina em todos os postos. É importante destacar que a vacina é segura, é gratuita, está amplamente disponível no
09:16SUS.
09:16Aqui em Belo Horizonte, a gente tem 153 centros de saúde, todos com sala de vacina.
09:22E temos também um outro serviço, que é o serviço de atenção à saúde do viajante, que também é um
09:27posto de vacinação.
09:29Eles funcionam em horário comercial, né? O horário de funcionamento, o endereço desses postos estão todos atualizados lá no portal
09:38da Prefeitura.
09:39E a população pode e deve procurar a vacinação o quanto antes, porque a tendência é que a gente tenha
09:47cada vez mais vírus respiratórios circulando até a gente chegar no auge do inferno.
09:53Nós vamos para um rápido intervalo, daqui a pouco a gente continua falando sobre vacinação, prevenção e a importância da
09:59população nesse cenário.
10:01Aqui em Minas, com a doutora Tatiana Fereghetti, diretora de promoção à saúde e vigilância epidemiológica de Belo Horizonte.
10:08Homem comprido, a gente volta já já, não saia daí.
10:25Estamos de volta com o programa em Minas, hoje recebendo a doutora Tatiana Fereghetti, que é diretora de promoção à
10:34saúde e vigilância epidemiológica da Prefeitura de Belo Horizonte.
10:37Tatiana, vamos continuar, doutora, falando um pouquinho sobre a vacinação.
10:41Muitas vezes as pessoas, elas não procuram os postos de saúde para se vacinar, não por desinformação, é uma decisão.
10:50Eu acho que o que a gente pode fazer para que as pessoas tenham a consciência da importância de se
10:55vacinar?
10:56Porque às vezes a pessoa deixa de ir, não porque não tem vacina, mas por decisão própria.
11:02Infelizmente, a hesitação vacinal é um movimento que cresceu durante e após a pandemia da Covid-19 e é algo
11:13que a gente tem tentado combater com informação.
11:16Eu acho que é o melhor caminho para a gente não só convencer, mas também orientar e demonstrar a importância
11:27da vacina, esclarecer que vacinas salvam vidas, vacinas são seguras.
11:33E existe um esforço e um investimento muito grande do ponto de vista científico para desenvolvimento dessas vacinas e que
11:42elas são a principal forma de prevenção das formas graves das doenças respiratórias e o mesmo vale para outras doenças
11:49imunopreveníveis.
11:51Que tipo de informação equivocada é mais prejudicial com relação às vacinas hoje em dia?
11:57Olha, eu acho que a mais equivocada que a gente escuta é que as vacinas de gripe foram inventadas para
12:06matar os velhos.
12:07A gente ouve esse absurdo, né?
12:12Ou que nunca adoeci, então eu não preciso tomar vacina.
12:18Quando eu tomo a vacina, aí é que eu fico gripado?
12:21Aí que eu tomo a vacina e fico gripado.
12:22Ou adoeço.
12:23Ou adoeço, né?
12:24E é justamente o contrário.
12:27Essa percepção de ficar gripado com a vacina, ela é muito comum, mas as pessoas não percebem que estão protegidas,
12:35uma vez vacinadas estão protegidas pelas formas graves da influenza, mas existem inúmeros vírus respiratórios circulando e eventualmente a gente
12:44vai ficar resfriado mesmo.
12:46Como é que a senhora orienta a população a procurar informação confiável?
12:50Seria o quê?
12:50Fontes oficiais?
12:51Fontes oficiais do Ministério da Saúde, do Estado, da Prefeitura.
12:58Temos outros órgãos, como as universidades, que tenham informação confiável.
13:06E também o profissional de saúde, que está ali, às vezes, no centro de saúde perto de casa ou perto
13:12do trabalho,
13:13mas que sempre busquem informação em fontes oficiais, em fontes confiáveis.
13:17Agora, além da vacina, doutora, quais outros hábitos, no caso de doenças respiratórias, por exemplo, podem evitar o adoecimento?
13:26Outras vacinas?
13:27Não, além das vacinas, quais outros hábitos?
13:30Por exemplo, o que as pessoas podem fazer, além da vacina, para se proteger nessa época do ano, principalmente contra
13:34as doenças respiratórias?
13:36Perfeito. Além das vacinas, a gente tem algumas medidas comportamentais que são capazes de livrar a gente da contaminação por
13:45vírus respiratórios e muitas outras doenças, né?
13:48Então, são hábitos que são saudáveis e devem fazer parte da nossa rotina, como a higienização das mãos, principalmente usando
13:55água e sabão.
13:56Mas se não tiver água e sabão, a gente pode usar o álcool gel e também evitar a aglomeração, principalmente
14:03nessa época do ano, né?
14:04Com a circulação maior de vírus respiratórios.
14:07Manter os ambientes limpos e ventilados.
14:10E se a gente tiver com sintoma de doença respiratória, usar máscara.
14:14Hábitos que foram, assim, largamente divulgados e adotados durante a pandemia, mas que muita gente acabou deixando de fazer com
14:24o passar do tempo, agora com o relaxamento da situação.
14:26Então, a senhora acha que usar máscara ainda hoje é importante?
14:30É importante, principalmente para as pessoas que estão com sintomas respiratórios.
14:34É uma forma muito eficaz de evitar a transmissão das doenças respiratórias para outras pessoas, né?
14:41Principalmente se a gente for ter contato próximo com pessoas mais vulneráveis.
14:46Então, uma criança pequena, um idoso, alguém que esteja fazendo algum tratamento de saúde, uma gestante.
14:52E para convivência em transporte coletivo, no trabalho.
14:56Se a gente tiver com sintoma respiratório, o ideal é que a gente consiga também proteger as outras pessoas.
15:02A rede municipal de Belo Horizonte está preparada para um aumento ainda mais expressivo do que o atual do número
15:11de casos de doenças respiratórias?
15:13Sim, a gente tem instaurada hoje na Secretaria Municipal de Saúde uma sala de situação, onde a gente monitora os
15:20dados assistenciais e epidemiológicos diariamente.
15:23E a gente toma decisões à medida que o cenário coloca a gente num nível diferente do plano de contingência.
15:30Então, para cada etapa desse plano, a gente tem medidas a serem adotadas, inclusive a expansão da rede de atenção
15:37à saúde, expansão de leitos, se for necessário.
15:41Eu ia perguntar exatamente qual era o plano, se tem algum plano específico para esse período.
15:45Então, é isso? Ampliação de leitos?
15:47Sim, a gente tem um plano estruturado, um plano de contingência, onde a partir de indicadores assistenciais e epidemiológicos,
15:55a gente é como se fosse uma régua, né?
15:58Então, a gente entende em que cenário a gente está, em que etapa do plano a gente está e para
16:04cada etapa desse plano a gente tem ações a serem deflagradas.
16:07Não só de assistência, mas também de prevenção de agravos e também medidas a serem adotadas, como expansão de leitos,
16:19compra de insumos, se for necessário.
16:20Agora, me conta uma coisa, doutora. Em momentos como esse, né, de aumento de casos de doenças respiratórias, como é
16:26que funciona dentro da Secretaria de Saúde uma tomada de decisão, por exemplo?
16:34Talvez de uma atuação de um plano de contingência, como é que funciona essa tomada de decisão?
16:39A gente tem uma equipe técnica que compõe essa sala de situação. Essa equipe, ela faz a leitura desses indicadores,
16:46identifica em que fase do plano de contingência a gente está e deflagra as ações necessárias,
16:51inclusive instruindo a autogestão em relação ao que precisa ser adotado naquele momento.
16:58Então, a partir da necessidade de uma ampliação ou de estartar uma nova etapa desse plano, essa equipe técnica deflagra
17:08para o gestor máximo, que é o nosso secretário de saúde,
17:12ele, por sua vez, para o prefeito e a gente vai adotar todas as medidas necessárias.
17:16A senhora acha, doutora, que o mineiro, de uma forma geral, ele precisa avançar um pouco mais nessa cultura de
17:22prevenção?
17:23Ou você acha que as informações já estão ali, que o mineiro já faz o que é preciso fazer, ou
17:30que o mineiro e o brasileiro precisam melhorar muito na cultura de prevenção?
17:34A minha percepção, aí eu vou falar com o meu CPF, é que o mineiro tende a ser mais conservador.
17:42Então, muitas vezes um pouco mais desconfiado com as coisas, em relação à vacina, alguma inovação.
17:50Então, isso é algo que a gente precisa trabalhar, mas por outro lado, por ser tão cuidadoso, geralmente é um
17:56povo que cuida bem da saúde, né?
17:58Então, em geral, são pessoas que estão realmente preocupadas com a saúde, né?
18:04Em geral, né? Se a gente for generalizar, acho que são pessoas que estão preocupadas, que se cuidam,
18:09mas que às vezes ficam um pouco desconfiados, ressabiados quando chega alguma coisa nova.
18:14Doutora, a senhora como epidemiologista, médica, infectologista, médica, na sua trajetória profissional, principalmente dentro da saúde pública,
18:24o que foi mais desafiador? O que você viveu de mais desafiador até hoje?
18:29Eu acho que a pandemia da Covid-19 foi um marco inesquecível na vida de todo mundo, né?
18:37E todo mundo, todo mundo mesmo, mundo inteiro, né? Em escala global.
18:41Mas, como infectologista, nessa época eu estava atuando como gestora num hospital de referência em infectologia,
18:51pra mim foi a experiência profissional mais impactante.
18:56Fazer gestão de crise num cenário que a gente ainda não conhecia muito bem a dinâmica da doença,
19:03e ainda, né? Essa necessidade de abrir leito rapidamente, de atender pessoas com doenças muito graves.
19:11Então, isso foi realmente desafiador.
19:14Doutora, o que você diria pra população, não só pros belo-horizontinos, mas pros mineiros agora,
19:21como forma de orientação sobre o cuidado à saúde?
19:24Aquela dicasinha pra população, pra se cuidar, pra evitar, de prevenção mesmo.
19:30Então, vamos lá. Acho que... Vamos começar pelas vacinas.
19:35Acho que reforçar que vacinas salvam vidas nunca é redundante.
19:39A gente precisa introjetar essa informação, levar essa mensagem pras crianças, pras pessoas que a gente conhece,
19:48pra aquelas que a gente ama, que a gente convive.
19:51A mensagem da prevenção, ela precisa ser disseminada e compartilhada.
19:55E sempre procurar ir ao atendimento médico, pra fazer os exames que são necessários,
20:04cuidar da saúde, praticar esporte, se alimentar bem.
20:07O sono é algo imprescindível.
20:10Manter a hidratação e os cuidados com a saúde em geral.
20:14É isso. Recado dado pra você aí de casa.
20:17O Emina de hoje recebeu a doutora Tatiane Ferreguetti,
20:21que é diretora de promoção à saúde e vigilância epidemiológica de Belo Horizonte.
20:26Doutora, muito obrigada pela entrevista.
20:28Obrigada.
20:29Volte sempre. Estamos aqui de portas abertas.
20:32Pra você que nos acompanha agora, a gente continua um bate-papo exclusivo no YouTube.
20:36Vem com a gente, é claro, a íntegra desta entrevista.
20:38Você acompanha no Jornal Estado de Minas de segunda-feira.
20:41Obrigada pela companhia, pessoal, e até o próximo Em Minas.
20:44Tchau.
21:05O programa Em Minas hoje recebe Tatiane Ferreguetti,
21:09diretora de promoção à saúde e vigilância epidemiológica de Belo Horizonte.
21:13A gente segue agora com esse bate-papo exclusivo pra você,
21:16que nos acompanha no YouTube do Portal Uai.
21:19Doutora, eu quero te perguntar, especificamente,
21:22se houve alguma situação dentro da vigilância
21:25que tenha exigido uma ação rápida da equipe?
21:29Alguma que você possa ter pontuado, assim?
21:31Possa pontuar pra gente?
21:33Sim, a gente tem algumas, né?
21:36Vou colocar uma mais recente.
21:40Caso de suspeita de sarampo.
21:43A gente precisa agir rapidamente pra esclarecer o diagnóstico,
21:47pra mapear as pessoas que tiveram contato com aquele caso suspeito
21:52e deflagrar a ação de imunização de bloqueio
21:55pra gente evitar a disseminação da doença.
21:59Felizmente, o caso não confirmou pra sarampo,
22:03mas as medidas de resposta rápida precisam ser adotadas
22:07antes mesmo da confirmação ou da gente descartar aquele caso.
22:11Agora, por exemplo, aqui em Belo Horizonte,
22:12às vezes a gente escuta falar a doença transmitida pelo morcego.
22:16A raiva.
22:17A raiva.
22:17Teve um caso de raiva não sei aonde e tal.
22:20É preocupante quando aparece um caso como esse?
22:22O que vocês fazem?
22:23Correm pra fazer justamente essa identificação?
22:25Como é que funciona?
22:25Sim, há muito tempo a gente não tem caso de raiva humana
22:29aqui em Belo Horizonte, felizmente,
22:31mas eventualmente a gente acaba se deparando com casos de raiva animal.
22:36E aí, nesse caso, a vigilância epidemiológica humana
22:40precisa adotar algumas medidas de controle,
22:44inclusive imunização, profilaxia,
22:47pras pessoas que tiveram contato com aquele animal.
22:50E isso precisa ser muito rápido,
22:53porque a raiva é uma doença muito, muito grave e letal.
22:58Quase que em 100% dos casos, né?
23:00São raríssimos os casos no mundo que sobreviveram à raiva
23:03e mesmo assim uma sobrevivência
23:08numa condição que não é funcional exatamente.
23:12Então é uma doença muito grave
23:14que a gente tenta evitar a qualquer custo.
23:17Doutora, agora voltando a falar um pouquinho sobre a pandemia,
23:20sobre aquela época da Covid-19 mais latente,
23:24o que mudou da pandemia pra cá?
23:27Eu acho que a gente aprendeu muito na pandemia.
23:30A gente aprendeu de um jeito muito duro,
23:33mas foi uma curva de aprendizado intensa
23:35e não tem como a gente fazer a mesma vigilância
23:41que a gente fazia antes da pandemia.
23:42Então os processos se tornaram mais ágeis,
23:46mais robustos, mais organizados, mais coordenados.
23:51Então foi muito aprendizado,
23:53inclusive em relação à inteligência de dados, né?
23:56A necessidade de cruzar rapidamente dados epidemiológicos
24:02com dados assistenciais, com dados operacionais,
24:05com capacidade e plasticidade dessa rede pra atender.
24:09Então fazer tudo isso ao mesmo tempo
24:13gerou na vigilância epidemiológica, ao meu ver,
24:17uma cultura de inteligência de dados mesmo, né?
24:21E não só aquela vigilância que a gente fazia
24:23que olhava muito pro retrovisor, né?
24:26De doenças de notificação compulsória,
24:29onde a gente acompanhava ali o que estava acontecendo
24:32nas séries históricas
24:33e traz a gente pra um cenário que a gente precisa entender
24:36o agora rapidamente.
24:37E não só isso.
24:39A gente também ter a necessidade de montar
24:44e de ter modelos preditivos
24:46que possam, com os dados do passado e do presente,
24:50prever o futuro.
24:51Agora, como que a tecnologia ajuda num caso como esse, por exemplo?
24:54Como é que funciona dentro da prefeitura?
24:56A tecnologia, ela ajuda de várias formas.
24:59Primeiro, facilitando a composição desses bancos de dados.
25:03Segundo, fazendo o cruzamento dessas informações
25:05de forma automatizada e até muito pouco tempo
25:09era tudo muito artesanal, né?
25:12Então, fazendo o cruzamento de forma automatizada
25:15e ainda, né?
25:16Através de inteligência artificial, né?
25:20E algoritmos, a gente consegue fazer cálculos, né?
25:25Com essas informações todas que dizem pra gente qual que é a probabilidade
25:29de algum evento determinado acontecer ou não no futuro próximo.
25:33Agora, doutora, pra gente fechar, ainda encerrando essa situação da pandemia,
25:37Belo Horizonte saiu mais preparada daquela situação
25:40pra enfrentar situações importantes e emergenciais?
25:46Certamente.
25:46A pandemia da Covid nos encontrou e nos trouxe a consciência
25:52de que a gente não estava preparado
25:54pra um evento epidemiológico dessa proporção.
25:59Eu acho que não só a gente, Belo Horizonte, mas o mundo todo sentiu isso.
26:04E depois desse evento, certamente a rede tá mais preparada
26:10pra poder receber esses eventos que a gente acredita, inclusive,
26:13que serão cada vez mais frequentes, né?
26:15Dada a globalização, a velocidade que as pessoas conseguem se movimentar
26:20no mundo hoje, a chance da gente ter transmissão de doenças
26:25em escala global, né, com potencial pandêmico, é cada vez maior.
26:30Eu espero que não, viu, doutora?
26:32Muito obrigada pela entrevista, obrigada por estar com a gente aqui no Em Minas.
26:35Você aí em casa que está com a gente.
26:37O Em Minas hoje recebeu a doutora Tatiane Ferreguetti,
26:40diretora de promoção à saúde, vigilância epidemiológica da Prefeitura de Belo Horizonte.
26:44Lembrando a vocês, a íntegra dessa entrevista,
26:47você acompanha no jornal Estado de Minas, de segunda-feira.
26:51Obrigada pela companhia, doutora.
26:52Muito obrigada mais uma vez.
26:53Muito obrigada pelo convite.
26:55E a você de casa, até o próximo programa.
26:57Tchau, tchau.
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