00:00Neste domingo, fez um ano que a Prefeitura de São Paulo declarou o fim da Cracolândia no centro da cidade.
00:06Para falar sobre esse assunto, sobre eleições, chapa confirmada, nós recebemos aqui no nosso estúdio o vice-governador de São
00:13Paulo, Felício Ramut.
00:14Seja muito bem-vindo ao Jornal da Manhã. Obrigada pela atenção. Beatriz Manfredini também aqui ao vivo conosco para participar
00:20da entrevista. Bom dia.
00:21Bom dia, Beatriz. Bom dia, Bia. Bom dia, Evandro. Prazer em estar com vocês. Vamos falar da Cracolândia.
00:25A Cracolândia aqui acabou e não voltará. Falar de política. Estou aqui à disposição de vocês.
00:30Exatamente. Pra gente começar sobre esse tema, né, que é de grande preocupação por parte do morador de São Paulo,
00:36das pessoas que vêm de fora, entender exatamente o que aconteceu com a Cracolândia.
00:41Alguns comerciantes reclamam sobre um possível espalhamento dos usuários pela cidade, do tráfico também, e não de uma solução definitiva.
00:50Como que o senhor avalia isso?
00:51Bom, Beatriz, vamos dividir esse tema. Primeiro, entender por que que ao longo dos últimos 30 anos, nenhum governo, nenhuma
00:58gestão, seja da Prefeitura ou do Governo do Estado, conseguiu trazer uma solução.
01:02Foi um erro de diagnóstico, de fato. Na verdade, ali a gente tinha duas questões. Primeiro, identificar bem quem eram
01:08aqueles usuários.
01:09E segundo, entender que aquilo e o crime organizado não se tratava só daquele região, daquele território ou daquele quarteirão.
01:17O crime organizado tinha um sistema ali com vários braços, como Ferros Velhos, a Favela do Moinho, e era preciso
01:25atuar em todas as frentes.
01:27Aí nós criamos o Hub de Cuidado com Crac e outras drogas, tão importante pra acolher os usuários, saúde, área
01:34social, área de habitação.
01:36E claro, na segurança pública, nós somos muito duros, foram 1.900 prisões de traficantes ali.
01:41E mais o fechamento dos Ferros Velhos, hospitais e pensões, também a Favela do Moinho, que hoje tem por volta
01:48de apenas 20 famílias.
01:49Estamos na fase final da remoção e a transformação pro Parque do Moinho.
01:54Agora, o que de fato existia era um lugar no centro da cidade de São Paulo, Beatriz, onde o governo,
02:00onde o poder público não entrava.
02:02Era uma área de exceção, o melhor lugar do Brasil pra se esconder.
02:06Pra se esconder da família, pra se esconder da polícia.
02:08E foi isso que nós acabamos.
02:10Nós passamos a atuar ali na região, passamos a identificar aqueles usuários.
02:1570% deles, por exemplo, tinham passagem pelo sistema penitenciário.
02:20Então, a gente precisava entender quem eram aquelas pessoas.
02:22O público da noite era diferente do público do dia.
02:25A gente precisava oferecer um atendimento e um tratamento no Hub de Cuidados individualizado pra cada um.
02:31Por isso que nós atendemos 30 mil usuários com internações.
02:35Ora, se a gente tinha ali entre 13 e 4 mil usuários, como que nós internamos 30 mil usuários?
02:43E aí que tá a grande diferença que eu falei do diagnóstico.
02:46A população não se atentou e os especialistas que trabalharam ali, os governos, que a população dali era flutuante.
02:52Entrava centenas de novos usuários ali e saíam centenas de novos usuários todos os dias.
02:59Então, apenas 13% deles, de fato, ficavam ali ao longo de um período mais extenso.
03:06Então, aí a gente passou a atuar nisso.
03:09Começamos, aos poucos, levar pra internação.
03:12E aí os resultados foram acontecendo.
03:13A Cracolândia não terminou da noite pro dia ou do dia pra noite.
03:17Foi um trabalho de ciência e paciência.
03:19Agora, o que muitos questionam, primeiro dizer claramente, não existe hoje mais nenhum ponto da cidade de São Paulo
03:25onde o governo do estado não entre, onde a polícia não esteja, onde a prefeitura não esteja.
03:30Então, isso deixou de existir.
03:32Agora, existem, sim, pequenos grupos que consomem crack em várias regiões da cidade de São Paulo, como sempre existiram.
03:39E isso não tem absolutamente nada a ver com o fim da Cracolândia.
03:43Posso citar, por exemplo, ali na Roberto Marinho, posso citar ali no CEA GESP, entre outras regiões que sempre existiram.
03:49E mais, Beatriz, o mesmo trabalho que a gente tinha na Cracolândia de qualificação e identificação dos usuários,
03:57a gente continua fazendo agora em vários bairros do centro.
04:00E começamos há 15 dias lá na Roberto Marinho, ao longo da linha 17.
04:05Então, de fato, a Cracolândia acabou, aquele sistema onde tudo era permitido, onde o crime dominava,
04:11o crime tinha as regras, tinha uma figura ali que era o disciplina.
04:15Eram as pessoas do crime organizado que cuidavam ali das ordens e das regras dentro de um lugar,
04:21dentro da maior capital da América Latina, Evandro.
04:24É claro que isso não existe mais e não voltará a existir.
04:28Nós vamos continuar atuando.
04:28Em relação ao consumo de drogas e ao tráfico de drogas, a polícia vai continuar atuando,
04:34identificando, investigando em qualquer canto do estado de São Paulo e também na cidade de São Paulo.
04:39Governador, obrigado pela presença.
04:40E quem articulou essa entrevista aqui ao vivo no estúdio do Jornal da Manhã foi a nossa querida Beatriz Manfredini.
04:45Bia, obrigado por estar conosco e compartilhar o espaço aqui conosco também.
04:48Por isso, eu já vou abrir um espaço, então, para você também já conduzir a entrevista.
04:52Minha amiga, vai lá.
04:53Eu que agradeço, governador, claro, pela presença, Evandro e Bia também pelo espacinho aqui no estúdio.
04:58Sempre bem-vinda.
04:59Obrigada, Bia.
04:59Governador, também queria continuar um pouco ainda falando sobre Cracolândia
05:03e pensando, então, se há um número hoje desse monitoramento de grupos.
05:08Dá para a gente saber quantos grupos, quantas pessoas ainda existem
05:11nessas locais que as pessoas ainda reclamam de ver esse fluxo.
05:15E como garantir?
05:16Tudo bem, tem um ano que não tem aquele fluxo ali que a gente conhecia ali na região central.
05:21Como garantir que esse fluxo não retorna em outro lugar, que esses grupos se juntem
05:25ou, de repente, num novo, um eventual novo governo.
05:28Ações diferentes podem resultar num agrupamento novamente?
05:32Bia, primeiro que o trabalho, todo aquele expertise que a gente teve com esse trabalho
05:36na Rua dos Protestantes.
05:38Na verdade, no início era na Rua dos Gusmões, depois avançou para a Rua dos Protestantes
05:42e nós temos uma metodologia implementada.
05:45Essa mesma metodologia agora a gente atua nos bairros do centro,
05:48em um número maior de bairros, onde a gente faz a contagem diária, faz a qualificação.
05:54Então, a gente tem um dado interessante.
05:55Apenas 10% daqueles que a gente encontra, em pequenos grupos de três pessoas,
05:59cinco pessoas, dizem que já passaram algum dia lá na Cracolândia, na cena aberta de uso.
06:05Então, isso comprova o que a gente acabou de falar, que não é um espalhamento.
06:08Porque aquelas pessoas que ali estão, na verdade, nunca estiveram lá na Cracolândia.
06:12Esse é o primeiro ponto.
06:13O segundo ponto, é claro, essa política todos os dias a gente continua trabalhando,
06:18mas, claro, que se corre risco.
06:19Por exemplo, todos nós sabemos que, em gestões anteriores, como, por exemplo, do ex-prefeito Adalio,
06:25nós tínhamos a Bolsa Crac, onde os usuários recebiam o valor e, imediatamente,
06:30toda sexta-feira, quando recebiam esse valor, já gastavam no consumo de drogas.
06:35A gente tem que tomar cuidado para que isso não volte a acontecer.
06:37A política pública implementada por nós, que envolveu saúde, social, habitação e segurança,
06:43deve permanecer.
06:44E a gente vai continuar trabalhando nesse sentido, inclusive ampliando as áreas de atuação
06:49até mesmo para o interior, porque já começa a ser um problema para o interior usuários de Crac.
06:54Então, a gente tem cidades médias, como Ribeirão Preto, Campinas,
06:57que precisam também de um hub de cuidado com o Crac e outras drogas.
07:01E a ideia é levar essa política e expandir também para as cidades do interior do estado de São Paulo.
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