00:00A gente começa por Brasília, o presidente Lula foi ausência dos atos do dia do trabalho pelo segundo ano consecutivo.
00:07Em 2025, o petista evitou as suas por causa do escândalo das fraudes do INSS.
00:13Repórter André Anelli chegando com as últimas informações, o não comparecimento é registrado depois das duas derrotas dessa semana do
00:21governo no Congresso Nacional.
00:23Bem-vindo, André. Boa noite pra você.
00:27É isso mesmo, Tiago. Muito obrigado. Boa noite a você também e a todos aqui no Jornal Jovem Pan.
00:33O Palácio do Planalto emitiu um comunicado dizendo que a saúde do presidente Lula não tem nenhum tipo de relação
00:40com essa ausência dele em eventos alusivos ao feriado do dia do trabalhador.
00:46A gente destaca nesse contexto que no último final de semana o presidente Lula passou por dois procedimentos.
00:52O primeiro deles pra retirada de uma mancha na pele, na cabeça.
00:57Mancha essa cancerígena, mas sem grande gravidade, de acordo com os médicos.
01:02Outro procedimento foi em relação a uma tendinite na mão direita.
01:07Isso fez com que ele precisasse de intervenções médicas, um certo repouso, mas sem grandes restrições em relação à sua
01:15rotina.
01:15E aí o Palácio do Planalto diz então que a ausência do presidente Lula nos eventos alusivos ao dia do
01:21trabalhador não tem relação com essa situação de saúde.
01:25Por outro lado, a gente destaca sim que de fato o cenário político do presidente da república não foi muito
01:33favorável essa semana.
01:34Primeiro e principalmente por conta da recusa da indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União para o Supremo Tribunal
01:42Federal, por 42 votos contrários, apenas 34 favoráveis.
01:47Ele não conseguiu passar pelo crivo do plenário do Senado.
01:51Foi a primeira derrota desse tipo em mais de 130 anos, desde 1894, algo que abalou o presidente da república,
02:01todo o Palácio do Planalto.
02:03E um dia depois, no caso ontem, houve ainda a derrubada do veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria,
02:11estabelecendo então vantagens para os condenados pelos atos do dia 8 de janeiro de 2023.
02:17Mais uma derrota, menos de 24 horas depois da primeira para o governo federal.
02:23E diante desse contexto, então, o presidente Lula resolveu não participar desses eventos do dia do trabalhador,
02:30assim como fez também no ano passado.
02:32Ele também não participou no 1º de maio de 2025.
02:35Na época, estava em alta o escândalo do INSS em relação às fraudes, os descontos indevidos nas aposentadorias e pensões.
02:46Isso fez com que o presidente Lula também não participasse.
02:49E agora, então, o último feriado do dia do trabalhador, que contou com a presença do presidente Lula em eventos
02:56nesse sentido, foi o de 2024.
02:59Ainda assim, naquela ocasião, houve polêmica também.
03:02A gente destaca que o presidente Lula deu uma bronca pública no então ministro da Secretaria-Geral da Presidência da
03:09República, Márcio Macedo.
03:11Na ocasião, o público que estava acompanhando presencialmente o presidente Lula em um dos eventos era considerado muito baixo,
03:19tinha cerca de 1.600 pessoas e o presidente Lula criticou a mobilização do governo federal por meio da Secretaria
03:27-Geral da Presidência da República.
03:28Com esse retrospecto, a gente, então, destaca que o feriado do dia 1º de maio tem sido, de certa forma,
03:36envolto em polêmicas para o presidente Lula.
03:38E para se livrar, então, para ficar mais protegido dessas polêmicas, nesse feriado do dia 1º de maio de 2026,
03:46ele resolveu não participar dos eventos do Dia do Trabalhador.
03:49Ao contrário, por exemplo, do atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos,
03:55que marcou presença em um dos atos de metalúrgicos no ABC Paulista, em São Bernardo do Campo,
04:01e aí fez, então, todo aquele discurso relativo à defesa dos interesses do trabalhador,
04:07em especial à proposta de emenda à Constituição, que prevê reduzir a jornada de trabalho
04:12e que deve ser usada como uma das bandeiras principais nesse ano eleitoral para o governo.
04:19Tiago.
04:20Daqui a pouco você vem com a discussão sobre o fim da escala 6x1 no Congresso Nacional.
04:24Até daqui a pouquinho, André, deixa eu já dar as boas-vindas para os nossos comentaristas,
04:28Denise Campos de Toledo nos estúdios e o Cristiano Vilela, aqui no nosso telão.
04:31Começa por você, Denise.
04:33Era melhor ter ido ou fez bem não ter ido aos atos?
04:37Boa noite, Tiago.
04:39Boa noite, Vilela.
04:39Boa noite a todos.
04:40Eu acho que ele fez bem de não ter ido, viu, Tiago?
04:42Já houve um grande esvaziamento dessas mobilizações de trabalhadores,
04:46no 1º de maio e em outras ocasiões.
04:48Isso cria situações constrangedoras quando se pensa no presidente Lula,
04:53que teve todo o histórico, a origem dele é no movimento sindical.
04:57Então, esse esvaziamento da ideia de falta de apoio político a ele mesmo
05:01e ele está num momento desfavorável.
05:03Há uma divisão também entre as centrais sindicais, inclusive do ponto de vista político,
05:07não ter aquela adesão por ele ser um representante dos trabalhadores lá na origem,
05:12que hoje todas as centrais o apoiam, tem uma certa divergência.
05:15E mesmo que ele tenha uma bandeira agora a defender do interesse dos trabalhadores,
05:21que é a redução da jornada, falta essa mobilização nas ruas.
05:24A gente até tem visto aqui na Paulista, que é um centro de manifestações,
05:28algumas mobilizações pontuais, mas com poucas pessoas.
05:31Hoje, o eleitorado, a população de modo geral, tem acompanhado mais à distância
05:38tudo o que está acontecendo em Brasília e tem esses dados desfavoráveis,
05:42como está sendo destacado, contra o presidente, uma semana pesada,
05:46com duas derrotas aí, uma delas histórica.
05:48Pois é, Vilela, o dia do trabalho já teve mais mobilização aqui no Brasil.
05:54De qualquer forma, a ausência do presidente Lula, que é o líder do país,
05:59comanda o Planalto, de qualquer forma ele evita as críticas, evita eventuais vaias,
06:05mas também não se posiciona, como a Denise falou, com esse passado dele,
06:10da liderança sindical.
06:11Bem-vindo, Vilela.
06:13Pois é, Tiago, uma ótima noite a você, a Denise e todos que acompanham o Jornal Jovem Pan.
06:18É importante a gente resgatar que o fato do presidente Lula ter esse histórico
06:24no movimento sindical e, muitas vezes, ter posições, talvez consideradas antiquadas
06:29hoje em dia, mais vinculadas àquele período onde ele atuou mais efetivamente,
06:34onde a lógica do mundo do trabalho era totalmente diferente da lógica atual,
06:38isso acaba fazendo, por vezes, demonstrando, talvez, um certo anacronismo,
06:43uma certa percepção errónea e equivocada em relação à realidade atual do mundo do trabalho.
06:49Não é à toa que, dois anos atrás, quando ele esteve na última vez, na última manifestação,
06:54ele ficou muito bravo ao constatar uma realidade,
06:57que aqueles segmentos tradicionais do movimento sindical brasileiro
07:02não conseguem mais botar um milhão de pessoas nas ruas, em eventos, em atividades.
07:07O mundo mudou e, nesse sentido, quando a gente trata da visão de trabalho,
07:13não se pode mais manter determinadas lógicas que eram defendidas nos anos 70,
07:19nos anos 80 ou nos anos 90.
07:21A realidade hoje é diferente e o governo, se quiser se aproximar mais
07:26de uma visão mais moderna, mais jovem, mais atualizada,
07:30vai ter, realmente, que mudar o seu discurso, que repensar o seu discurso
07:34e tomar um banho de atualidade.
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