00:00Agora para repercutir uma fala de Tarcísio de Freitas.
00:02Ele comentou justamente o que aconteceu essa semana em Brasília,
00:06a rejeição histórica, praticamente inédita na história da redemocratização do país,
00:12do nome de um indicado ao STF.
00:14E durante a agenda na Baixada Santista, quando comentou sobre isso,
00:19Tarcísio disse que a decisão do Senado representa um sinal de fragilidade do governo.
00:26Foi esse o termo utilizado, né, Danúbia Braga?
00:32Exatamente. Ele disse ainda que escancara essa fragilidade
00:37e que o governo não tem condição de indicar e de aprovar um nome ao STF,
00:45algo que não acontecia há 132 anos.
00:48Como você disse, essas falas foram ditas ali durante um evento na Baixada Santista,
00:54no litoral aqui de São Paulo.
00:55ele seguiu dizendo que é, abre aspas, um sinal de que o governo não enxergou,
01:01que o Congresso enxergou que o governo não tem mais nada a oferecer.
01:05Não consegue conduzir um projeto estruturante no Brasil
01:08e que é um sinal de final dos tempos e de encerramento de ciclo.
01:12Seguiu dizendo que o ciclo do PT está chegando ao fim.
01:15Para o governador Tarcísio de Freitas, essa derrota do PT,
01:19então mostra que ele não tem mais força.
01:21Já é um projeto superado.
01:23Tarcísio ainda reafirmou que acredita que a escolha dessa indicação
01:29deva ficar para o próximo presidente da República.
01:33Aliado da família Bolsonaro, Tarcísio de Freitas,
01:36que é o grande opositor do governo Lula,
01:39também era cotado para concorrer à presidência nesse ano de 2026,
01:44antes de ter Flávio Bolsonaro como pré-candidato.
01:49Tarcísio, então, reafirmou que o PT é um projeto superado,
01:54que não tem condições, que mostra essa fragilidade
01:57quando não consegue articular e aprovar uma indicação ao STF.
02:04E aí reafirmou que essa indicação deve ficar para o próximo presidente.
02:09É isso que ele defende durante essa agenda
02:13em que ele participou aqui em São Paulo, no estado de São Paulo.
02:18É claro que a gente vai seguir acompanhando. Volto com vocês.
02:20Obrigada, Danúbia, pelas informações.
02:23Lucas Merreiro e Túlio Nassa para aprofundar a análise aqui conosco sobre esse assunto.
02:26Merreiro, há algumas décadas o brasileiro comum
02:29não se interessava em assuntos que envolvessem o judiciário.
02:32As pessoas sequer sabiam os nomes dos ministros.
02:35Infelizmente ou felizmente, por conta da circunstância,
02:37hoje todo mundo acompanha o que ocorre no judiciário,
02:41sabe quem são os ministros que compõem as cortes,
02:43passa a entender a diferença entre uma turma e outra,
02:46mas não é todo mundo que está ligado em uma nomeação,
02:49no impacto dessa rejeição.
02:51Eu gostaria até que você traduzisse isso, então, para a nossa audiência.
02:55Por que é tão relevante a gente observar isso como uma derrota de Lula
03:00e por que isso impacta no processo eleitoral?
03:02Claro, vamos lá.
03:04O Tarcísio está falando de uma situação de reprovação do governo.
03:08É claro que ele está certo.
03:09O governo Lula é muito reprovado, é muito rejeitado.
03:12Mas é muito mais do que isso.
03:14É muito mais do que uma simples rejeição
03:16ou um governo que é mal visto pela população
03:19ou por parte do legislativo.
03:21Vejam só, desde a redemocratização,
03:24aliás, desde muito antes da redemocratização,
03:26era de praxe que qualquer ministro indicado,
03:29ou melhor, qualquer possível ministro indicado pelo presidente da República,
03:34ou seja, para ocupar o cargo ali de ministro do Supremo Tribunal Federal,
03:37seria aprovado.
03:38Isso sempre aconteceu.
03:40Até mesmo, vamos pegar exemplos recentes aqui,
03:42como, por exemplo, quando o Lula nomeou o próprio advogado,
03:45Cristiano Zanin,
03:46que foi duramente criticado por essa nomeação,
03:48dizendo que violava ali um princípio da impessoalidade.
03:52Pô, você vai nomear o seu próprio advogado
03:54para ser ministro do Supremo Tribunal Federal?
03:55Mesmo assim, ele foi aprovado.
03:58Foi um nome que entrou.
03:59Ou então, o caso do Flávio Dino,
04:01que tinha uma aproximação ideológica muito grande com o Lula
04:04e o PT foi aprovado também.
04:06Então, agora, com esse caso do Zanin,
04:09se esperava que, mesmo frente a mais uma nomeação
04:12que muitos viam como antiética,
04:15afinal, já vi até o Zanin ser chamado...
04:17O Zanin, não, perdão.
04:18O mais recente agora, o Messias,
04:20já ser chamado até mesmo de ajudante de luxo do Lula,
04:23lembrando que ele estava carregando ali a maleta
04:25com a nomeação do Lula para ministro da Casa Civil,
04:27caso ele precisasse usar para tentar fugir das garras ali
04:32do juiz Sérgio Moro, né?
04:33Aquela ligação da Dilma que foi divulgada em 2016,
04:37a gente lembra muito bem.
04:38Então, por essas circunstâncias,
04:39estava sendo criticada também essa nomeação,
04:42mas se esperava que fosse ser aprovada.
04:44Porque, poxa, tantas outras nomeações absurdas foram aprovadas,
04:48que foram nomeadas por motivos absurdos, foram aprovadas,
04:50porque essa também não seria.
04:52Então, é uma derrota gigantesca que não acontecia no Brasil
04:56desde 130 anos atrás, 1894, com o presidente Floriano Peixoto,
05:01que não acontece uma derrota dessa.
05:03Então, isso demonstra que não há nenhum tipo de governabilidade mais,
05:06que o Executivo não consegue mais dialogar com o Legislativo.
05:10Apenas, é claro, para aprovar aqueles projetos populistas
05:13em ano eleitoral, que aí beneficia os dois, né?
05:15Tanto o Executivo como o Legislativo.
05:17Mas, tirando isso, não há mais um diálogo razoável
05:21entre a Câmara dos Deputados e o Senado e a Presidência da República.
05:25Ô Túlio Nassi, você entende que esse movimento envolvendo o Jorge Messias
05:29e que respinga diretamente no governo
05:31pode aparecer em aumento de rejeição
05:34ou até mesmo em aumento de apoio a Flávio Bolsonaro?
05:39Ou seja, uma desvantagem do presidente Lula nas próximas pesquisas?
05:45A política é a arte do possível.
05:47Tudo que diz respeito ao Supremo Tribunal Federal hoje,
05:51em especial as críticas ao Supremo Tribunal Federal,
05:54cola no presidente Lula.
05:55Por quê?
05:56Porque o presidente Lula ficou ao lado do Supremo Tribunal Federal
05:59nas pautas mais polêmicas e nas pautas políticas
06:02defendidas pelo Supremo Tribunal Federal.
06:04Há já vista aí a condenação das pessoas que se envolveram
06:07nos atos de 8 de janeiro
06:09e tantos outros casos que levam aí o STF na mídia.
06:13O STF hoje tem uma projeção nacional que não tinha anteriormente.
06:18E voltando a falar aí da questão política
06:20sobre o que está por trás da fraqueza ou da força do presidente Lula
06:24com a reprovação do nome Jorge Messias,
06:27eu quero lembrar aqui, como bem destacou o Lucas Merreiro,
06:29que lá em 1894, quando foram rejeitados cinco nomes ali
06:34para o Supremo Tribunal Federal,
06:36nós tínhamos uma condição em que Floriano Peixoto era o presidente
06:40e era um presidente militar e todo o Congresso queria um presidente civil.
06:44Ali, depois, o Doro da Fonseca já era para ter passado por um presidente civil.
06:48E um dos indicados ali era médico, inclusive, o Barata Ribeiro,
06:51que dá nome à rua aqui em São Paulo.
06:52Então, aquele contexto era tão absurdo
06:55que levou aquela reprovação.
06:57130 anos depois, nós temos um contexto de um outro absurdo.
07:01Ou seja, o Congresso Nacional realmente não está dando mais moral ao presidente Lula.
07:09É preciso realmente que o presidente Lula refaça,
07:12reformule a sua política e o seu relacionamento com o Congresso Nacional.
07:16Senão, vai ser muito difícil governar daqui até o final do mandato.