00:00Bom, a gente fala agora sobre a escala 6x1 aqui no Jornal Jovem Pan.
00:05Em meio às duas derrotas no Congresso, o governo vai exaltar a possibilidade do fim da escala 6x1
00:11em eventos pelo Dia do Trabalho nessa sexta-feira.
00:14E nós temos um convidado, o nosso entrevistado é o deputado Reginaldo Lopes, do PT de Minas Gerais,
00:18autor da PEC que reduz a jornada de 44 para 36 horas em uma transição de 10 anos.
00:26Tudo bem, deputado? Como sempre, muito obrigado pela sua atenção conosco aqui da Jovem Pan. Boa noite.
00:32Boa noite. Eu que agradeço mais uma vez esta oportunidade.
00:36Deputado, claro que eu preciso começar perguntando para o senhor sobre essas duas derrotas que o governo sofreu no Congresso
00:42Nacional.
00:42De uma certa maneira, isso enfraquece o governo para justamente discutir essas pautas voltadas, no caso do trabalhador,
00:51de que forma a configuração do Congresso pode interferir nesse processo?
00:56O senhor acha que não afeta absolutamente nada?
00:59São temas com aprovação popular de forma extremamente diferente.
01:08É bom lembrar que tem hoje uma rejeição até injusta, em parte, ao Supremo Tribunal Federal.
01:20Uma confusão do papel da sua importância e também o governo do presidente Lula é um governo que tem base
01:30parlamentar de composição.
01:34Às vezes constitui maioria, às vezes parcialmente maioria ou perde votações.
01:41Mas nesse caso, em relação ao fim da escala 6x1, é uma temática que tem aprovação popular em média de
01:5280% da população e na juventude mais de 90%.
01:57Não é uma matéria ideológica.
02:00É uma matéria daqueles que compreendem que o maior patrimônio de um país são os seus trabalhadores e não são
02:08as máquinas.
02:10De um lado também, daqueles empresários que compreendem o papel e o patrimônio que são os seus colaboradores,
02:18versus as máquinas.
02:21Portanto, nesse sentido, eu tenho muita convicção que nós vamos construir maioria.
02:26Nós vamos conseguir levar esta matéria ao plenário e essa matéria será aprovada.
02:32Na admissibilidade, apesar do pedido de vista dos bolsonaristas, eles não tiveram coragem de votar contrário à admissibilidade.
02:43Agora, no mérito, eu acho muito difícil os bolsonaristas, a extrema-direita, ficar contra esta matéria,
02:51porque esta matéria é superimportante para o futuro do país e para o futuro da economia.
02:57Ela também é estruturante, ela é mais que ideológica.
03:01Ela moderniza as relações do mundo do trabalho.
03:03E não tem nada que justifica não reduzir de 44 horas para 40.
03:10Apesar da minha PEC falar em 36 horas, eu apresentei uma emenda à minha proposição legislativa,
03:17que encontra-se com a proposta do presidente Lula, que é a redução de 44 horas para 40 horas
03:24e o fim da escala 6x1 para a escala 5x2.
03:28Então, não justifica, não tem nenhum dado, nenhum argumento de nenhum setor econômico
03:33para ficar contrário ao fim da escala 6x1.
03:36Portanto, eu estou convencido que lá para o dia 25, 26 de maio, nós vamos votar esta matéria
03:42no primeiro e no segundo turno na Câmara dos Deputados.
03:45Deputado, agora as questões dos nossos comentaristas.
03:47Denise Campos de Toledo.
03:49Deputado, boa noite.
03:50Boa noite.
03:51O senhor falava que não tem nada contrário à aprovação dessa matéria.
03:54Claro que tem adesão dos trabalhadores, mas a gente tem visto sucessivos estudos
03:59divulgados por entidades empresariais, estudos que apontam perdas potenciais para a economia,
04:05para atividade, aumento de informalidade.
04:08Eu coloco esse ponto para ver se isso não teria uma adesão neste momento do Congresso
04:14e que a gente percebe uma mobilização da oposição junto com o Centrão,
04:18que produziu as duas derrotas sofridas pelo governo nos últimos dois dias,
04:22no sentido de protelar as discussões.
04:26Já houve pedido de vista, a aprovação de uma PEC exige um coro maior,
04:31tem de passar pela Câmara, depois tem de passar pelo Senado.
04:34Estamos no ano de eleições, isso pode levar a uma desmobilização,
04:38talvez até intencional.
04:40O senhor deu a base do governo lidando da forma adequada com relação a isso?
04:46É um delícia. Primeiro, não tem evidência científica em relação aos argumentos
04:56dos que são contrários, mesmo dos setores econômicos com todo respeito.
05:00A evidência que tem é que em 88 nós reduzimos de 48 para 44,
05:06em 88, 58% de informalidade, 2026, 30% de informalidade, 36, desculpa.
05:17Os estudos apontam que os trabalhadores não topam mais.
05:21Tem depoimento aí, por exemplo, quem mais emprega no varejo?
05:25Os supermercados. Eles tiraram nota defendendo a escala 5x2.
05:29Sabe por quê? Nenhum trabalhador, em especial os jovens,
05:33não topam ser aprisionado nessa escala 6x1.
05:37Não tem possibilidade de um trabalhador aceitar e para entrevista,
05:42até aceitam, mas também desse trabalhador aceitar preencher aquela vaga.
05:46Então, não tem possibilidade. É pagão de mão de obra
05:49e os estudos apontam que nós vamos formalizar mais 30% com a escala humanizada,
05:54porque essa escala 6x1 é, sim, Denise, a escravidão moderna desse século.
05:58E, por outro lado, não justifica ficar contra a redução de 4 horas.
06:03Porque, na prática, 2 terços dos trabalhadores têm uma jornada menor que 40 horas
06:09e têm uma escala 5x2.
06:11O que nós estamos legislando, a legislação que nós estamos buscando,
06:15é proteger os que trabalham mais e ganham menos.
06:17Porque no Brasil, é assim, quem trabalha menos, ganha mais,
06:20e quem trabalha mais, ganha menos.
06:22E quem trabalha menos, entrega as obrigações operacionais dentro do prazo.
06:27Então, isso é um ganho de produtividade e os setores econômicos sabem disso.
06:31E não justifica ficar contra por causa de 4 horas.
06:35O trabalhador gasta 3 horas para ir e 3 horas para voltar,
06:38compromete a saúde mental dele, a qualidade de vida, o tempo com a família
06:42e a sua própria produtividade.
06:44Por isso, com paciência, com tranquilidade, desfazendo os fake news,
06:48nós vamos convencer todos os setores econômicos e empresariais
06:51que é uma política do ganha-ganha.
06:52Estamos falando sobre a escala 6x1, a discussão no Congresso Nacional,
06:58para você que nos acompanha.
07:00E, nesse momento, para você que estava acompanhando o pronunciamento do presidente Lula
07:04nas nossas praças, estamos aqui com o deputado Reginaldo Lopes,
07:08do PT de Minas Gerais, falando sobre a escala 6x1,
07:12fim da escala 6x1, esse dia do trabalho.
07:14E, deputado, eu peço licença para fazer uma outra pergunta
07:18sobre a derrota do governo ontem em relação à indicação de Jorge Messias.
07:22Pessoalmente, não sei, claro, se há informações do governo já,
07:25mas pessoalmente o senhor acha que o presidente Lula
07:27deve fazer uma nova indicação já em relação a outro nome,
07:31um outro nome que possa pacificar essa questão política?
07:35Ou, muito se fala até do presidente Lula,
07:37deixar para indicar não só no atual mandato,
07:42mas em uma eventual reeleição ele só indicaria para o ano que vem,
07:46deixar isso só para o ano que vem?
07:48Que ponto o senhor acha que deve ser discutido em relação a isso?
07:54Primeiro, com todo respeito à decisão dos senadores,
07:59foi uma perda para a democracia.
08:00Essa indicação é uma prerrogativa do presidente da República.
08:06E o Messias, Jorge Messias, é preparado,
08:09tem todas as condições de ocupar esse cargo.
08:12Segundo, entendendo que isso é uma prerrogativa do presidente Lula,
08:16se eu fosse o presidente Lula,
08:18eu indicaria imediatamente um nome para compor a vaga.
08:26Perfeito.
08:27Deixa eu chamar o Cristiano Vilela
08:28para continuar na nossa entrevista aqui.
08:30Diga, Vilela.
08:32Deputado, boa noite, satisfação recebê-lo novamente aqui na Jovem Pan.
08:37Deputado, dando sequência a esse ponto trazido pelo Tiago,
08:40com relação à derrota do governo no dia de ontem e também no dia de hoje,
08:44qual que é a leitura que o senhor faz?
08:46Houve ali algum erro de articulação do governo,
08:49especialmente no que se relaciona à questão da indicação de Jorge Messias,
08:53algo que há mais de 100 anos não se via na história da República,
08:58houve talvez ali uma certa influência em relação às polêmicas
09:03que têm surgido envolvendo o Supremo Tribunal Federal ultimamente.
09:08Qual que é a análise, agora já passada as 24 horas,
09:12um pouco mais de frieza, o senhor faz sobre esses episódios?
09:16Então, é uma tempestade de acontecimentos.
09:21Não é um caso isolado.
09:23Eu acredito que não é uma derrota do presidente Lula.
09:29É uma derrota de um conjunto, né?
09:32Na verdade, a impressão que tem é que os senadores
09:37buscaram mandar recado ao Supremo Tribunal Federal.
09:42Então, tipo assim, olha, nós podemos construir
09:45a maioria aqui para fazer impeachment de senadores.
09:48É lamentável que isso tenha ocorrido
09:50e não ter pensado no ser humano que é o Jorge Messias.
09:57Então, é uma combinação de fatores, na minha opinião.
10:01Isso não significa que o presidente Lula
10:07não tenha maioria em temas que não são tão ideológicos
10:15ou que não estão tão polarizados nesse momento.
10:19Então, eu acho que é um conjunto de fatores.
10:21Lógico que tem também os nossos erros.
10:24Eu acho que o governo, desde o início do seu mandato,
10:28tem errado na articulação política e nas relações
10:32tanto com a Câmara como com o Senado.
10:35É porque tem uma nova correlação no nosso novo presidencialismo.
10:40Lamentável, depois da criação do orçamento secreto,
10:46do empoderamento do parlamento de ocupar parte
10:49significante do orçamento discricionário
10:54do Estado brasileiro,
10:57os parlamentares e senadores passaram a ter
11:00outro tipo de relacionamento e de comportamento.
11:04Portanto, tem que compreender e levar todos esses fatores
11:08para a gente fazer uma boa análise.
11:09O que fica colocado é que hoje tem três poderes
11:13muito autônomos e, ao mesmo tempo, muito fortalecidos.
11:18O Supremo Tribunal Federal tem força,
11:20as duas casas têm muita força
11:23e o Poder Executivo também tem muita força.
11:26Por isso, precisa de coordenação política
11:29que tenha mais capacidade de construir diálogo
11:33nesses colégios de líderes.
11:35Seja da Câmara, seja do Senado.
11:37Perfeito. Rapidamente, para a gente fechar,
11:39voltando à discussão sobre a jornada de trabalho,
11:42eu pergunto para o senhor qual é a projeção,
11:44porque nessa comissão especial são 40 sessões
11:47para se discutir com a sociedade esse projeto.
11:51O senhor acha que até nesse semestre
11:54a proposta na Câmara estará aprovada?
11:57Qual é a projeção?
11:59Dez sessões e, na décima primeira,
12:02a aprovação do texto, do substitutivo,
12:06do relator Léo Prats, que já conhece a matéria,
12:09passou o ano de 2025 debatendo um PL
12:13na comissão que ele era presidente de trabalho e serviços públicos
12:18e depois levar ao plenário.
12:20Então, eu acredito que lá para o dia 25 a 28 de maio
12:23nós vamos votar no primeiro e segundo turno
12:25na Câmara dos Deputados.
12:27Logo após o Senado, o Senado vai ter que posicionar
12:31se eles estão a favor dessa modernização da legislação
12:34e da relação do mundo do trabalho
12:37e ter a possibilidade de a gente concluir
12:39todo esse trabalho ainda no mês de julho,
12:42antes ainda do recesso do primeiro semestre de 2026.
12:47Eu sou super otimista, não tem razão,
12:49o Brasil está maduro, está preparado,
12:51a escala 5x2 em 40 horas é uma regra.
12:54Nós estamos lesizando para aqueles que ganham menos,
12:57para os menos qualificados e mais vulneráveis,
13:00que não conseguiram nas convenções coletivas
13:02essa qualidade de vida e esse direito sagrado
13:05a dois dias de descanso.
13:07Então, só para ficar claro,
13:08houve essa redução das 40 sessões para 10, é isso?
13:13O mínimo é 10, o máximo 40.
13:16Nós vamos trabalhar para que na 11ª
13:18o relatório seja aprovado na comissão especial.
13:21Perfeito. Deputado Reginaldo Lopes, do PT de Minas Gerais,
13:24como sempre, obrigado pela atenção.
13:25Bom feriado, volto sempre, deputado.
13:27Obrigado.
13:28Muito obrigado.
Comentários