00:05Música
00:13O programa em Minas hoje recebe Tatiane Ferreguetti, diretora de promoção à saúde e vigilância epidemiológica de Belo Horizonte.
00:21A gente segue agora com esse bate-papo exclusivo pra você que nos acompanha no YouTube do Portal Uai.
00:26Doutora, eu quero te perguntar especificamente se houve alguma situação dentro da vigilância que tenha exigido uma ação rápida da
00:36equipe?
00:37Alguma que você possa ter pontuado assim?
00:39Possa pontuar pra gente?
00:41Sim, a gente tem algumas, né?
00:44Vou colocar uma mais recente.
00:48Caso de suspeita de sarampo.
00:51A gente precisa agir rapidamente pra esclarecer o diagnóstico, pra mapear as pessoas que tiveram contato com aquele caso suspeito
00:59e deflagrar a ação de imunização de bloqueio pra gente evitar a disseminação da doença.
01:07Felizmente o caso não confirmou pra sarampo, mas as medidas de resposta rápida precisam ser adotadas antes mesmo da confirmação
01:16ou da gente descartar aquele caso.
01:18Agora, por exemplo, aqui em Belo Horizonte, às vezes a gente escuta falar a doença transmitida pelo morcego.
01:24A raiva.
01:25A raiva.
01:25Teve um caso de raiva não sei aonde e tal.
01:27É preocupante quando aparece um caso como esse?
01:30O que vocês fazem?
01:30Correm pra fazer justamente essa identificação?
01:33Como é que funciona?
01:33Sim, há muito tempo a gente não tem caso de raiva humana aqui em Belo Horizonte, felizmente.
01:38Mas, eventualmente, a gente acaba se deparando com casos de raiva animal.
01:44E aí, nesse caso, a vigilância epidemiológica humana precisa adotar algumas medidas de controle.
01:52Inclusive, imunização, profilaxia, pras pessoas que tiveram contato com aquele animal.
01:58E isso precisa ser muito rápido, porque a raiva é uma doença muito, muito grave.
02:04E letal, quase que em 100% dos casos.
02:08São raríssimos os casos no mundo que sobreviveram à raiva.
02:11E, mesmo assim, uma sobrevivência numa condição que não é funcional exatamente.
02:20Então, é uma doença muito grave que a gente tenta evitar a qualquer custo.
02:25Doutora, agora voltando a falar um pouquinho sobre a pandemia,
02:28sobre aquela época da Covid-19 mais latente,
02:32o que mudou da pandemia para cá?
02:35Eu acho que a gente aprendeu muito na pandemia.
02:38A gente aprendeu de um jeito muito duro,
02:41mas foi uma curva de aprendizado intensa.
02:43E não tem como a gente fazer a mesma vigilância que a gente fazia antes da pandemia.
02:50Então, os processos se tornaram mais ágeis, mais robustos,
02:55mais organizados, mais coordenados.
02:58Então, foi muito aprendizado, inclusive em relação à inteligência de dados.
03:04A necessidade de cruzar rapidamente dados epidemiológicos com dados assistenciais,
03:11com dados operacionais, com capacidade e plasticidade dessa rede para atender.
03:17Então, fazer tudo isso ao mesmo tempo gerou, na vigilância epidemiológica, ao meu ver,
03:25uma cultura de inteligência de dados mesmo.
03:29E não só aquela vigilância que a gente fazia, que olhava muito para o retrovisor,
03:34de doenças de notificação compulsória,
03:37onde a gente acompanhava ali o que estava acontecendo nas séries históricas,
03:41e traz a gente para um cenário que a gente precisa entender o agora rapidamente.
03:45E não só isso, a gente também ter a necessidade de montar e de ter modelos preditivos,
03:54que possam, com os dados do passado e do presente, prever o futuro.
03:59Agora, como que a tecnologia ajuda num caso como esse, por exemplo?
04:02Como é que funciona dentro da prefeitura?
04:04A tecnologia ajuda de várias formas.
04:06Primeiro, facilitando a composição desses bancos de dados.
04:10Segundo, fazendo o cruzamento dessas informações de forma automatizada.
04:14E até muito pouco tempo era tudo muito artesanal, manual.
04:20Então, fazendo o cruzamento de forma automatizada,
04:23e ainda, através de inteligência artificial e algoritmos,
04:29a gente consegue fazer cálculos com essas informações todas,
04:34que dizem para a gente qual que é a probabilidade
04:37de algum evento determinado acontecer ou não no futuro próximo.
04:41Agora, doutora, para a gente fechar, ainda encerrando essa situação da pandemia,
04:45Belo Horizonte saiu mais preparada daquela situação para enfrentar situações importantes e emergenciais?
04:53Certamente.
04:54A pandemia da Covid nos encontrou e nos trouxe a consciência de que a gente não estava preparado
05:02para um evento epidemiológico dessa proporção.
05:07Acho que não só a gente, Belo Horizonte, mas o mundo todo sentiu isso.
05:11E depois desse evento, certamente a rede está mais preparada para poder receber esses eventos,
05:20que a gente acredita, inclusive, que serão cada vez mais frequentes.
05:23Dada a globalização, a velocidade que as pessoas conseguem se movimentar no mundo hoje,
05:29a chance de a gente ter transmissão de doenças em escala global,
05:34com potencial pandêmico, é cada vez maior.
05:37Eu espero que não, viu, doutora?
05:40Muito obrigada pela entrevista, obrigada por estar com a gente aqui no Em Minas.
05:43Você aí em casa que está com a gente,
05:45e o Em Minas hoje recebeu a doutora Tatiane Ferreguetti,
05:48diretora de promoção à saúde, vigilância epidemiológica da Prefeitura de Belo Horizonte.
05:52Lembrando a vocês, a íntegra dessa entrevista,
05:55você acompanha no jornal Estado de Minas, de segunda-feira.
05:59Obrigada pela companhia, doutora.
06:00Muito obrigada mais uma vez.
06:01Muito obrigada pelo convite.
06:03E a você de casa, até o próximo programa.
06:05Tchau, tchau.
06:17Transcrição e Legendas Pedro Negri
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