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CULTURA AFRO-BRASILEIRA: Reflexões sobre o Ensino da Cultura Afro-Brasileira e problematização do conceito de cultura negra
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Transcrição
00:00Ao refletirmos sobre o processo histórico de silenciamento e o apagamento das culturas
00:05afrodiaspóricas no Brasil, se faz necessário que olhemos para o ontem de nossa construção,
00:10como nação, para compreendermos os alicerces, que irão dar base a esta estrutura que é
00:14agressiva, massacrante, excludentes e desumana que chegou até a nossa atualidade.
00:19É a história de povos que foram arrancados de suas origens diversas, reis, rainhas, príncipes,
00:24princesas, trazidos do continente africano nos póruns dos navios negreiros, e que serviram
00:30a casa grande e a edificação da nação que era construída à base de sangue, suor, lágrimas
00:35e muito banzo.
00:36Ao chegar no Brasil durante o século XV o colonizador não encontrou uma terra de ninguém.
00:41Aqui já haviam povos nativos que vão ser chamados de índios, e depois viriam outros
00:46povos que iriam se juntando e dando forma a outros tipos de relações numa mescla que
00:50aos poucos iria dando identidade ao povo brasileiro.
00:53Apesar de parecer muito bonito este processo é marcado por sofrimentos, subjugação, exclusão,
00:59preconceito e racismo.
01:00É algo doloroso e pouco pensado, pois olhar para o retrovisor da história implica em se
01:05ter novas condutas que possibilitem novas construções no presentes, capazes de superar
01:10antigos estereótipos que claramente ainda estão presentes em nosso meio.
01:14Foram muitos os povos africanos que vieram ao Brasil e deixaram grandes contribuições
01:19no campo da cultura.
01:20E apesar de não terem chegado aqui por escolha própria se adaptaram às diversas situações
01:25desfavoráveis.
01:26Foram milhares de milhões que em terras brasileiras se estabeleceram a partir do mecanismo
01:30da escravidão que foi encerrada no ano 1888 pela Lei Áurea assinada pela Princesa Isabel,
01:37mas continua a existir até a pós-modernidade.
01:39Não é possível que seja esquecido a vida daqueles que de forma brutal foram não somente arrancados
01:45de sua terra, mas forçados também a absorverem outras culturas de forma brutal e desumana.
01:50Perder a condição de homem e mulher livre e passar a condição de escravo para ser submetido
01:55a uma cultura supostamente superior, não era algo somente humilhante mas degradante, pois
02:01tocava a vida daqueles homens e mulheres que foram marginalizados e profundamente feridos
02:06em sua dignidade física, psíquica, religiosa e social.
02:10Quando olhamos para o passado já intuímos o motivo pelo qual os afrodescendentes brasileiros
02:14em sua grande maioria não se encontram conectados de forma harmoniosa com o seu passado e sua
02:20ancestralidade.
02:21O silenciamento sentido é real, e em muitos casos há pouco interesse de se saber suas
02:26origens que com o passar do tempo vai deixando no esquecimento toda a memória que sempre deveria
02:31estar sendo visitada e celebrada não somente com alegria, mas, como sinal de forma,
02:36a força e resistência de uma cultura que permanece viva e no centro das lutas de cada
02:40dia.
02:41No Brasil apesar de termos muito material sobre a cultura dos povos africanos ainda é complexo
02:46falarmos sobre uma documentação oficial sobre a presença dos povos africanos trazidos
02:51da África, e este fato é algo que não somente atrapalha como também inviabiliza o conhecimento
02:56das pessoas que querem saber sobre suas origens 2.
02:59A importância dos coletivos sociais negros, em especial os terreiros das diferentes nações
03:04de candomblés, como espaços de enfrentamento vivos nas periférias das cidades.
03:08Ao nos defrontarmos com a história da escravidão em nosso país e em toda a sua estrutura, é
03:14possível vermos os traços do passado ainda em nosso presente, apesar de em muitos aspectos
03:19estarem velados, ou por outros motivos, serem silenciados de forma agressiva.
03:23Os povos da África que aqui chegaram e se estabeleceram a partir da imposição, foram
03:28se tornando presença marcante no espaço das cidades por meio do trabalho e de sua cultura.
03:33Na sociedade brasileira escravocrata a presença dos africanos vão sugar espaços sociais que
03:38são verdadeiros espaços de resistência na realidade urbana para aqueles que tinham sido
03:43retirados de suas origens, como é possível vermos no programa Mojuba onde a partir de
03:47testemunhos e de uma cultura que perpassou o tempo e se mantém viva até os dias atuais.
03:52Nas várias regiões do Brasil, e de maneira particular nas cidades, é muito forte a presença
03:58da população afrodescendente no século XIX e de maneira particular em Salvador, Recife,
04:03São Luís e até mesmo Porto Alegre.
04:05No tocante às religiões afro-brasileiras, podemos dizer que elas tiveram e têm um papel
04:10preponderante neste processo de constituição das cidades com forte presença negra, no período
04:15da colônia, do Império e da República.
04:18Neste período o catolicismo era predominante e a religião trazida pelos escravos era reprovada
04:23e até mesmo considerada crime, logo a macumba, o curandeirismo, a feitiçaria e o espiritismo
04:29não eram vistos com bons olhos e reprovados socialmente.
04:33Com o tempo vai acontecendo uma que vai ser denominada sincretismo com características
04:37próprias que obterão seu espaço na tecidura social, e com o passar do tempo será ressignificado,
04:43deixando seu contributo cultural, histórico e antropológico.
04:46Em contrapartida aos movimentos negros nas sociedades vão gerar problemas que desembocaram
04:51em conflitos, onde a religião de matriz africana terá que lutar para ter seu espaço
04:56num Estado que se autodenomina republicano, livre e laico.
04:59No decorrer deste processo a luta por espaço vai fazer com estas religiões deixem de ser
05:04vistas como somente cultura e folclore, e passem a ser valorizadas e inseridas na construção
05:10da sociedade.
05:11Basta percebermos que no programa Mojubá se relatou a experiência de uma política pública
05:16no campo da saúde, a partir da experiência religiosa de matriz africana.
05:20O movimento social negro tem em sua religião um aspecto unitivo capaz de unir a política
05:25à história de suas lutas em busca da liberdade.
05:28Neste sentido o mito das origens falam de sua ancestralidade e fortalece a sua identidade
05:33que fala de sua cor e raça.
05:35Logo fala de religião afro-brasileira é ter a consciência de que ela faz parte de
05:39nosso patrimônio histórico e cultural regional, nacional e internacional, diaspórico, e que
05:45a mesma deve promover a igualdade racial e combater qual tipo de preconceito, discriminação
05:50e intolerância étnica e racial.
05:523.
05:53O papel do movimento negro no combate aos negacionismos e a demonização das práticas culturais
05:58negras no Brasil e a importância da implementação da Lei 10.639-03.
06:04O movimento negro é um movimento de resistência, que não é uma teoria, mas encontra sua base
06:09nas lutas e questões cotidianas e de forma particular os negacionismos que geram desigualdade
06:14e problemas seríssimos como o preconceito e o racismo.
06:17Neste sentido é fundamental não somente refletir sobre estas questões, mas encontrar
06:22meios que favoreçam a solução destas questões de forma a proporcionar a boa conviveria no
06:27campo das relações sociais.
06:29Este movimento além de reivindicar uma nova consciente no tocante, a questão racial propõe
06:34a construção de uma identidade negra com suas peculiaridades e valores.
06:38Neste sentido a Lei 10.639-03, Diretrizes e Bases para a Educação das Relações Étnico-Raciais
06:45e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nos apresenta a possibilidade e a obrigatoriedade
06:52do ensino da história da África e dos africanos na Currículo Educação Básica, bem como o
06:57Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana em instituições de ensino fundamental
07:02e médio.
07:03Aqui vale salientar que a implementação desta lei é fruto de lutas, conflitos onde
07:08em vários momentos pessoas foram capazes de ofertar suas vidas para fazer valer os seus
07:12direitos de viverem tudo aquilo que é próprio de suas origens e identidade.
07:17Daí, é possível intuirmos que todos os processos que favoreçam suas conquistas, é fruto das
07:22lutas de pessoas, organizações e movimentos que reivindicaram uma educação que conscientizasse
07:27para a questão da raça e identidade negra.
07:30Não se pode negar a força dos movimentos sociais e de forma particular o movimento negro
07:35que a partir e debates e reflexões vai trazer para o espaço da educação em nosso país
07:40propostas no campo étnico-racial, que estará presente no Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira
07:45A Lei 10.639 foi aprovada em 1999 e sancionada somente em março de 2003 no governo do presidente
07:54Lula, que naquele momento histórico apoiou a luta da população negra.
07:58Tratar e refletir sobre a cultura afro-brasileira e o conceito de cultura negra deve nos levar
08:04a práticas cotidianas que sejam realmente libertadoras no campo das convivências dentro
08:09e fora do ambiente escolar.
08:10É preciso verdadeiras atitudes que nos abram novos horizontes de forma a proporcionar um
08:15tempo novo.
08:16Olhar para o nosso passado e toda a nossa história que está totalmente ligada à dos povos africanos
08:21faz-nos querer não somente compreender, mas também assumir as suas lutas no hoje da nossa
08:26história.
08:27É preciso criar uma nova consciência que supere o racismo e o preconceito.
08:31E a educação certamente é um caminho seguro para alcançarmos este objetivo.
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