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Os comentaristas Cristiano Beraldo e Roberto Motta analisaram o impacto de políticas sociais no Brasil e criticaram o que chamam de aumento da dependência da população em relação ao Estado. Segundo eles, programas de transferência de renda podem acabar sendo utilizados como instrumento político, criando um cenário de dependência que prejudica o desenvolvimento econômico e a autonomia dos cidadãos.

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Transcrição
00:00Existe riqueza cada vez mais com a população dependente do Estado para um país?
00:05Não existe, né Marcelo? Se a gente observar tudo que o governo faz é para gerar dependência das pessoas,
00:13de um número cada vez maior de pessoas, do Estado brasileiro.
00:17Porque é assim que a política tradicional continua controlando, comandando essas pessoas.
00:25O Brasil sofre de forma brutal de compra de votos, até hoje, algo que destrói a democracia,
00:32mas é um instrumento comumente utilizado para definir eleições.
00:38E o que é a compra de votos?
00:40É a total incapacidade da pessoa, do eleitor, de compreender qual é o seu papel no processo democrático,
00:48qual é o seu papel em relação ao país.
00:51Então você tem uma massa de pessoas que olham para os políticos e para o Estado
00:58com a expectativa de que eles é que vão resolver os seus problemas.
01:02Não há um estímulo para que as pessoas avancem, prosperem, melhorem,
01:07assumam as redes das suas próprias vidas.
01:10Então este governo fez o pé de meia.
01:12O que é o pé de meia?
01:13É um esforço para se acostumar jovens a viverem do dinheirinho do Estado
01:20enquanto ainda estão na escola.
01:22E por que o governo fez isso?
01:24Porque a rejeição do atual presidente, junto aos mais jovens, passa dos 70%.
01:30Só que não vai ser assim.
01:33Os mais jovens têm uma referência completamente diferente,
01:37uma forma diferente de olhar a vida.
01:39Os mais jovens já estão crescendo, sofrendo influência e exposição à informação
01:45a partir das redes sociais.
01:47Portanto, a forma de tratar esses jovens, a forma de mostrar aquilo que eles querem,
01:52que estão ali numa fase em que querem crescer, conquistar o mundo, ter uma vida melhor,
01:58querem muito, mas o Estado entrega uma esmola.
02:02Então, realmente, a gente vê que esta dinâmica é extremamente nociva,
02:06mas alimenta um país que não tem projeto, que não tem estratégia, que não tem futuro.
02:12É tudo feito pensando na eleição.
02:15Nada é feito pensando no futuro do país.
02:18Porque essa questão social, né, Mota?
02:20A gente sabe que é trazida a questão do Bolsa Família.
02:24A gente sabe que é preciso haver uma assistência social
02:26para aqueles que não têm a oportunidade, evidentemente, de procurar emprego.
02:31Mas a gente não pode comemorar quanto mais pessoas entram.
02:34Mas sim, deveria haver as pessoas saindo, tendo aquele momento mais emergencial
02:40e depois conseguindo viver com suas próprias contas, evidentemente.
02:43Se não vira, como o Beirado colocou, vira um Bolsa Voto.
02:49Se não vira, não, né, Marcelo?
02:53Já virou há muito tempo.
02:55A verdade é que essa tendência do Estado de ser populista
03:01beneficia incrivelmente os políticos.
03:05Políticos de todas as matizes,
03:08mas principalmente os políticos de esquerda,
03:11porque eles fazem dessa dependência a peça central do seu programa.
03:17Não se trata de ajudar aqueles que não podem trabalhar.
03:23Na cabeça do esquerdista, se trata de redistribuir a riqueza.
03:28Então, cobrar impostos altíssimos,
03:32tirar dinheiro de quem paga os impostos
03:34para dar esse dinheiro para outras pessoas,
03:38não necessariamente aquelas que não podem trabalhar
03:43porque estão doentes ou são muito idosos.
03:46Trata-se de uma compra indireta de votos.
03:51E aí a gente tem que lembrar aquilo que Magaretá te ensinou uma vez.
03:56Toda sociedade tem que ter uma escada
04:00para que as pessoas possam subir e melhorar de vida por iniciativa própria
04:04e uma rede para amparar aqueles que não têm condição
04:10porque são muito idosos ou são doentes.
04:13Não se trata de criar um mecanismo populista de compra de votos.
04:20Mas é isso mesmo que se criou no Brasil.
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