00:00A pesquisa do BTG Pactual revela que o mercado financeiro brasileiro
00:03demonstra a crescente preocupação com a estrutura orçamentária do país,
00:08caracterizada por um orçamento engessado e despesas indexadas,
00:12o que limita a capacidade do governo de realizar ajustes fiscais
00:16e de controlar a dívida pública.
00:18Estudos recentes indicam que a indexação de gastos automáticos
00:22no orçamento federal, impulsionada principalmente pela valorização
00:26do salário mínimo acima da inflação e seu reflexo nas despesas
00:30previdenciárias e assistenciais, projeta um aumento acumulado de gastos
00:35que vai de R$ 32 bilhões em 2027, praticamente para R$ 1,4 trilhão em 2034.
00:43A pesquisa aponta para a necessidade de novas reformas fiscais
00:48ou ajustes no arcabouço para evitar uma paralisia nos investimentos federais
00:53a partir de 2027 e aqui você consegue enxergar, visualizar do que estamos falando.
01:00O impacto acumulado da indexação de gastos, olha onde vai chegar de 2027,
01:05isso aqui é tudo futuro, 27, 28, 29, 30.
01:09Quando chegar em 2034, olha aqui, 1 trilhão, porque estamos em bilhões
01:15aqui nesses outros números, 1 trilhão 397 bilhões, a tal da indexação e tal.
01:21Eu quero chamar o Alan Gani para traduzir, de uma maneira muito didática como sempre,
01:26do que estamos falando.
01:27Há aqui uma grande preocupação, Gani.
01:30Pois é, o que acontece hoje?
01:32Tem dois grandes problemas nas contas públicas brasileiras.
01:36Então, o primeiro é a vinculação dos gastos de saúde e educação com as receitas da União.
01:43Isso mais ou menos na ordem de 15% e 18%.
01:46Então, 18% para educação e 15% para saúde.
01:50O que acontece, Coba?
01:51Sobe a receita, sobe automaticamente o gasto com saúde e automaticamente o gasto com educação.
02:00Então, existe essa vinculação que tinha acabado lá no governo Temer,
02:05continuou no governo Bolsonaro, estava ajudando a equilibrar as contas públicas
02:09e aí o governo Lula retrocedeu e voltou com isso daí.
02:13Então, isso aí é explosivo, porque sobe a receita, automaticamente sobe o gasto.
02:18E não necessariamente subir um gasto com educação significa que está sendo eficiente.
02:24Você tem escola lá que é obrigada a gastar e não tem no que gastar,
02:28pinta lá a cantina da escola e tal.
02:31Se ingessa o orçamento.
02:33Esse é o primeiro ponto.
02:34Segundo ponto é que o atual governo também voltou com uma regra do reajuste do salário mínimo,
02:41que é a inflação mais a variação do PIB de dois anos anteriores.
02:45Então, a valorização real do salário mínimo.
02:47Muito bem.
02:47O que acontece?
02:49Se sobe, sistematicamente, o salário mínimo com ganhos reais acima da inflação,
02:55Coba, isso impacta as contas públicas.
02:57Por quê?
02:58Porque os benefícios do governo, as aposentadorias, são atreladas ao salário mínimo.
03:04Sobe o salário mínimo, sobe também a aposentadoria, sobe tudo.
03:08Só que dinheiro não nasce em árvore.
03:10Porque o dinheiro do governo, o orçamento é limitado.
03:13Por que o orçamento é limitado?
03:14Porque o dinheiro do governo vem de uma tributação de tudo que foi produzido na sociedade em um ano,
03:19de bens e serviços, que a gente chama de PIB.
03:21E a produção é limitada.
03:22Então, não tem dinheiro para tudo.
03:24Esse que é o problema.
03:25Só que na cabeça da turma, principalmente da esquerda,
03:31há dinheiro para tudo.
03:33Tem dinheiro sobrando.
03:34Mas não.
03:35A lógica é escassez.
03:37O orçamento é limitado.
03:37Então, por isso que preocupa muito esse gráfico aí.
03:41Deixa eu explorar um pouco mais aqui, porque o Piperninho já está se coçando ali.
03:44Ficou didático?
03:45Ele vai falar.
03:45Ficou muito didático, muito claro.
03:47Tá bom.
03:48Você vai obrigatoriamente gerando gastos, porque o arcabouço novo foi desse jeito que fizeram.
03:53Quanto mais você arrecada, você obrigatoriamente tem que gastar e tal.
03:57E nem sempre você arrecada de maneira que possa suprir os gastos todos.
04:04É isso, né?
04:04É isso aí.
04:05A questão é a seguinte.
04:06Deixa eu explorar um pouco mais.
04:07À medida em que a gente tem esta previsão de tanto gasto a mais, em razão dos indexadores,
04:15do salário mínimo, por exemplo, a gente tem também um país que a gente tem diminuição
04:20na produtividade.
04:21Mais do que isso.
04:22A gente tem a proposta do fim da escala 6 por 1, que você estava falando agora há pouco,
04:25que pode gerar um aumento da informalidade.
04:28Não é isso?
04:28Se a gente tem aumento de informalidade, a gente tem diminuição de arrecadação, não é?
04:32Exatamente.
04:33Ou seja, a gente está vendo, vamos gastar mais.
04:36Por outro lado, vamos arrecadar menos.
04:39E aí?
04:39É.
04:40Aí, qual que é a solução?
04:41Taxar?
04:42É.
04:42Governo taxador?
04:43É.
04:43Inventar mais taxações, é isso?
04:45É.
04:45Você vai cobrindo buracos.
04:47Isso aí.
04:47E pode incentivar ainda mais a produção, tá achando, né?
04:50Porque num primeiro momento pode arrecadar mais, mas depois também pode incentivar a produção.
04:55Então a solução...
04:55Aliás, esse governo taxou pra caramba e resolveu o gasto?
04:59Não, o individualmente subiu, então não resolveu.
05:01Precisa cortar, cortar na carne.
05:03Eu já sei o que o Perno vai falar.
05:04O individualmente subiu por conta da taxa de juros do Banco Central.
05:07É isso, Piperno?
05:08Fala você.
05:08Bom, claro que isso é um componente importante.
05:11É óbvio.
05:11Até porque eu quero que a sociedade, que as pessoas que assistam, elas entendam o seguinte.
05:15O sujeito que trabalha no Banco Central, o diretor do Banco Central, o funcionário de alto escalão,
05:21o que ele pensa em fazer da vida quando ele sair do Banco Central?
05:25Ele quer voltar pra Faria Lima.
05:26Então ele vai atuar contra os interesses desse povo?
05:29É óbvio que não.
05:30Agora não é só isso, né?
05:32Isso conta.
05:33Isso é muito importante.
05:34Mas não é só isso.
05:35Primeiro porque eles também foram acostumados a pensar assim.
05:39Vários economistas, gente importante escrevendo sobre isso nos últimos dias.
05:43E até porque, quando se fala em mercado pra decidir isso, raramente você vai chamar alguém do mercado produtivo
05:49pra ajudar a tomar essas decisões que realmente impactam o custo do Brasil.
05:54Eu fico imaginando como é que, por exemplo, o pessoal da indústria se sente estando totalmente alijado
05:59dessas grandes decisões macroeconômicas do país.
06:03Agora vejam só, pegando o que o Alan Ghani disse, eu também fico muito preocupado com essa curva de alta
06:08aí,
06:09porque eu acho que tem que cortar sim.
06:13Eu acho que tem que cortar.
06:14Então, por exemplo, acaba o plano safra.
06:18Já pensou?
06:19Isso custa.
06:20O país paga.
06:22Acaba o plano da nova indústria.
06:24Isso custa.
06:25Vamos acabar com todos os programas, tipo o PESC, não sei o quê.
06:28Isso custa, isso tá jogando o custo lá em cima.
06:31Ou vocês vão me convencer de que a culpa pela alta dessa curva é do sujeito que vai ter 2
06:38% de aumento real no salário mínimo
06:41e não da turma do Bolsa Elite.
06:43Então, pera lá, que país que a gente quer?
06:46A gente quer aumentar essas distorções ou a gente quer realmente equilibrar algo mais?
06:51As duas coisas.
06:51Então, não.
06:52As duas coisas.
06:53Dá pra equilibrar?
06:54Então, dá.
06:54As duas coisas.
06:55Perfeito.
06:55Chegamos, então, ao consenso.
06:57As duas coisas.
06:57Chegamos a um consenso.
06:58Então, nós vamos...
06:59Que país a gente quer?
07:00Então, nós vamos dar uma moratória.
07:02Durante uns 10 anos, só se corta o Bolsa Elite.
07:05Porque esses já ganharam desde 1.500.
07:08Aí, depois, nós vamos pensar em cortar o resto.
07:10Ora, mas me parece muito lógico.
07:12Até porque essa turma daí, essa turma daí, não moveu uma palha, uma palha, não fez um comentário crítico,
07:21nenhumzinho.
07:22E eu desafio, eu entrego o meu diploma se essa turma fez algum comentáriozinho.
07:27No tempo em que o Paulo Guedes cobrava imposto de renda de quem recebia dois mil reais.
07:31Mas essa medida agora é populista, Piper.
07:34Você até aqui não paga, agora a partir daqui paga.
07:36Por que você não faz uma progressividade?
07:38Isso, vamos fazer uma progressividade.
07:39Até dar uma cidadania fiscal pra cobrar o governo.
07:41Vamos dar, vamos.
07:42Tem que ter essa progressividade.
07:43Ou seja, porque essa turma não é populista, porque essa turma aí...
07:47Claro que é.
07:47Essa turma aí, vulgo Alangani.
07:49Essa turma do salário mínimo, essa turma do salário mínimo, pagou muito da conta a vida inteira.
07:54Não, eu não...
07:55Veja bem, eu não tô dizendo que eles não têm que pagar nunca.
07:59Primeira coisa.
08:00No dia que o...
08:00Então, vamos fazer dois desafios.
08:02No dia que o Brasil tiver um salário mínimo do nível de Bolívia e Paraguai,
08:06nós vamos parar de aumento real.
08:08A primeira coisa.
08:09A segunda.
08:10Vamos dar uns 10 anos de moratória.
08:12Por quê?
08:13Porque essa turma pagou a conta e o Bolsa Elite não.
08:16Então, eu quero primeiro compensar em cima do Bolsa Elite.
08:18Mas sabe qual que é o equívoco nesse pensamento aí?
08:23Ah, é que o salário mínimo, o nível de salário, não o salário mínimo,
08:25mas o nível de salário de uma sociedade é determinado na caneta.
08:28O salário, na verdade, ele vem da oferta e demanda de trabalho e do nível de produtividade.
08:35Então, eu acho que é.
08:35É do salário mínimo.
08:36Você vai ter pessoas que ganham mais em cima do salário mínimo.
08:40Então, a caneta...
08:40Então, tem que aumentar a produtividade do Brasil para as pessoas ganharem mais.
08:44Provavelmente, a tinta da caneta da Bolívia e do Paraguai deve estar mais cheia,
08:47porque o salário mínimo é maior que o mundo.
08:49É, o salário mínimo é uma invenção política, né?
08:51Não sustenta aí na realidade econômica.
08:53E existe no mundo inteiro.
08:55Porque, infelizmente, quem toma as decisões são políticos, não são economistas.
08:59Senão, seria muito mais racional.
09:00No mundo inteiro.
09:01Agora, taxa de juros, Selic, 15% para enriquecer a Faria Lima,
09:06que é uma região que está sem o gigante.
09:07Não é para enriquecer a Faria Lima.
09:09O banco também ganha quando a taxa de juros está mais baixa, porque não empresta mais.
09:13E o mercado de capitais é altamente penalizado com taxa de juros elevada.
09:16Nossa, coitadinho.
09:17Claro que é, porque quando a taxa de juros está elevada, o mercado de ações não anda.
09:22Isso aí é uma falácia.
09:23Ou seja, então, enquanto a turma do Banco Central tiver todo mundo vindo do mesmo lugar,
09:30sabendo que eles vão querer trabalhar de volta no mesmo lugar, vai ficar muito difícil.
09:35Por quê?
09:35Então, para a reflexão de vocês, por que o Brasil, historicamente, tem as maiores taxas de juros do mundo,
09:41sendo que não é a economia mais arrumada, a economia com mais déficit, a economia com mais inflação?
09:46Eu respondo, porque o Estado aqui é muito inchado.
09:51Dois terços da riqueza do país é para financiar o governo.
09:55É por isso que a taxa de juros é muito elevada.
09:57Primeira coisa, você já está dando dado econômico errado.
10:01Dois terços, não.
10:02Não, dois terços per capita.
10:03Errou, errou.
10:05Não, não, dois terços per capita.
10:06Vamos pegar e correr.
10:07Se eu pegar e dividir pelo total da população.
10:10Então, você está dando de novo uma resposta incompleta.
10:13Porque quando você diz que o Estado é mais inchado,
10:16dá a impressão que o Estado brasileiro é o mais inchado por ter a maior taxa.
10:21E isso não é verdade.
10:22Não é o Estado...
10:23Existe ouro.
10:24É um Estado inchado, um Estado gastador, ele é uma taxa de juros.
10:27Pera, pera, pera.
10:28Ter um Estado inchado não significa que o Estado seja o mais inchado.
10:33Então, já começa por aí.
10:35Segunda coisa, ele está inchado principalmente por conta do Bolsa Elite,
10:39que a vida inteira onerou mais do que o benefício de um salário mínimo.
10:43Você tem os...
10:44Eu concordo que parte da equação passa por subsídio.
10:47Mas tem auxílios demais, auxílios sociais demais.
10:50Tem privilégios no setor público demais.
10:53E tem essas regras ruins de indexação também.
10:55A gente vai seguir acompanhando esse debate acalorado e apaixonado.
10:59Vocês colocam o Piperninho e o Gani de novo?
11:02Ou o Vitinho?
11:02Esses dois, quando acaba aqui o 3 em 1, eles vão ali, sentam no bar da DIRS,
11:06e eles ficam conversando apaixonadamente nessa amizade até tarde da noite.
11:11Aliás, o pessoal fala de chapa, se tivesse lá Flávio com o Tereza...
11:17A melhor chapa seria esses dois.
11:19Ah, seria...
11:20Gani e Piperno.
11:21Gani e Piperno.
11:21Aí a briga ia ser para...
11:23Se um dia eu sair, eu chamo o Piperno.
11:25Para ver se o Piperno sair, ele me chama para ver.
11:27A briga é para ver quem seria o vice de Piperno ou de Gani.
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