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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em pronunciamento nesta quarta-feira (1º) que os objetivos militares da guerra contra o Irã estão próximos de serem atingidos. “Tenho o prazer de informar que esses objetivos estratégicos fundamentais estão quase concluídos”, declarou. Segundo ele, as ações visam impedir ataques contra os EUA e limitar a capacidade militar iraniana. Trump também afirmou que poderá atacar a infraestrutura de energia do Irã caso não haja acordo. “Vamos atacá-los com extrema força nas próximas duas ou três semanas”, disse. Para falar sobre o assunto, a Jovem Pan entrevista Manuel Furriela, professor de relações internacionais.

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Transcrição
00:00Os nossos destaques internacionais aqui no Jornal da Manhã de hoje, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que
00:06os Estados Unidos estão perto de atingir os objetivos na guerra do Irã e que não é necessário reabrir o
00:13Estreito de Hormuz.
00:15Para falar mais sobre esse assunto, a gente vai receber o professor de Relações Internacionais, Manuel Furriella.
00:21Professor, seja muito bem-vindo sempre ao Jornal da Manhã. Bom dia.
00:24Bom dia.
00:25Professor, esse impacto para não reabrir o Estreito de Hormuz, para ele ficar fechado, qual seria o impacto maior aí
00:34para o mundo, inclusive aqui para o Brasil?
00:37Bom, para o Brasil o impacto é que a subida do preço internacional do petróleo, apesar do Brasil já ter
00:43autonomia na produção do petróleo e ter alternativas em termos de combustíveis,
00:48tanto para a geração de energia elétrica, que basicamente nosso sistema é com as hidrelétricas, e também nós termos o
00:55etanol e hoje em dia também os carros elétricos,
00:58apesar disso tudo, de nós termos um impacto menor do que teríamos anos atrás, como o petróleo é uma commodity,
01:06a Petrobras é uma empresa que tem que seguir os preços internacionais,
01:10até porque tem outros acionistas, o impacto é inflacionário, mas não de desabastecimento.
01:15Agora, em termos mundiais, realmente continuar a obstrução, se continuarem a obstrução do Estreito de Hormuz, o impacto será muito
01:25significativo,
01:27principalmente para a China e para a Europa, que são grandes importadores, já que pelo Estreito de Hormuz, 20%
01:33do petróleo que é comercializado internacionalmente passa.
01:36Então, por aquele Estreito de Petróleo produzido por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Oman, e até mesmo pelo Irã, que
01:45mesmo com restrições ainda continuava com algum fluxo internacional,
01:50será muito representativo.
01:51Então, a necessidade de uma negociação para a liberação do Estreito de Hormuz, ou até mesmo, se cogitarem aí uma
02:01questão de âmbito ou uma intenção de imposição militar,
02:05realmente as forças, não somente dos Estados Unidos, mas da OTAN, teriam que se posicionar para a liberação do Estreito.
02:13Porque, respondendo aí a tua pergunta, o impacto nos preços internacionais e em alguns países no abastecimento será muito representativo.
02:22Professor Manuel Furriella, conversando ao vivo com a gente aqui no Jornal da Manhã, trazendo as reflexões, os aspectos importantes
02:29em relação ao conflito no Oriente Médio.
02:31Agora, professor, o que lhe chamou a atenção do pronunciamento feito por Donald Trump ontem à noite?
02:38Eu me lembro que no início do dia, no início desta quarta-feira, havia uma sinalização de que a guerra
02:45poderia ser encerrada,
02:47ou os países poderiam alcançar um acordo.
02:50Foi divulgada uma informação que o Irã teria solicitado um cessar-fogo, ou estaria em uma tratativa para colocar um
02:58ponto final, um ponto e vírgula, nesse conflito.
03:01E aí, no pronunciamento à nação, Donald Trump reforça a informação de que os Estados Unidos vão avançar com os
03:09ataques,
03:10reforçar os bombardeios, inclusive, destacando, inclusive, a manchete que estampa a nossa manchete principal.
03:18Vamos levar o Irã para a idade da pedra, ou seja, vamos acabar com o Irã.
03:23O que é possível acompanhar agora que nós entramos no segundo mês de conflito, hein, professor?
03:29Bom, bom dia novamente também a você.
03:32O que nós temos em relação às negociações do Irã, com o Irã, é que efetivamente elas estão acontecendo.
03:39Então, o Irã diz que não negocia, afirma que não mantém diálogo,
03:43mas sempre dá resposta às demandas que são apresentadas em termos de composição.
03:49Lembrando aqui que quando o Donald Trump apresentou os 15 pontos,
03:52que entendia que teriam que ser atendidos para que a guerra acabasse, né,
03:57ou seja, para que houvesse uma composição com o Irã, o Irã respondeu aos 15 pontos.
04:01Então, sim, há um diálogo, né?
04:04Ele não é constituído, construído, como é em outras regiões do mundo,
04:09onde há uma relação mais harmônica,
04:12já que desde 1979 os Estados Unidos não têm representação diplomática no Irã,
04:18porque houve ali uma invasão, né, por parte de partidários do antigo Ayatollah Khomeini,
04:26uma invasão à embaixada americana em Teherã,
04:29a época onde ficaram presos diversos diplomatas americanos por mais de um ano.
04:35Então, assim, há um desgaste diplomático, mas isso não significa que não haja diálogo,
04:41até mesmo porque todas as partes envolvidas têm interesse numa composição,
04:46já que a continuidade do conflito causa estragos a todos os lados,
04:51que é o que o Irã tem feito.
04:52Ele não tem como vencer Israel e Estados Unidos num conflito,
04:57aliás, ele não tem nem como atacar diretamente esses alvos,
05:02ele não tem como enviar tropas,
05:04ele não tem como entrar numa guerra convencional contra Estados Unidos e Irã,
05:08desculpe, Israel.
05:09Então, o que ele pode fazer é causar estragos, causar prejuízos,
05:14causar problemas à economia internacional.
05:17Isso ele tem feito.
05:18E no caso dos Estados Unidos e Israel também,
05:22eles não têm interesse numa continuidade nesse tipo de desgaste.
05:25Então, todo mundo tem interesse numa composição.
05:27O problema é em qual composição?
05:30Como chegar a um acordo?
05:32Então, a gente não pode acreditar nessas questões em que as partes não se falam.
05:36se falam que têm interesse em chegar a um bom termo,
05:39porque há consequências ruins para absolutamente todos os lados.
05:44Agora, o que a gente tem efetivamente aqui no discurso de Donald Trump
05:48é que ele deu um recado ao Irã de que pode levar aquele país
05:53a consequências muito piores do que chegou até agora.
05:56E se a gente quiser pegar em termos propriamente da expressão dele
06:01de levar a idade da pedra,
06:02os Estados Unidos podem atacar usinas de geração de energia elétrica
06:06e tem um outro ponto importante
06:08que grande parte do abastecimento da água do país
06:11é feita por usinas de dessalinização.
06:14Então, você também tem esse tipo de prejuízo.
06:17Os Estados Unidos deram um recado claro.
06:19Irã, se prosseguir no conflito,
06:21nós vamos colocar o seu país numa situação ainda mais difícil
06:25do que já está no momento,
06:27sendo certo que o Irã vive uma crise econômica profunda
06:30mesmo antes da guerra.
06:31E um ponto interessante também para a gente destacar,
06:34professor Daniel também,
06:35Zé Maria que está aqui na tela também com a gente,
06:37é que o presidente Donald Trump já havia feito uma sinalização
06:40para outros presidentes, outros líderes de outros países
06:42para que interferissem em relação ao estreito de Hormuz.
06:45E aí agora ele fala que não é necessário a reabertura.
06:48Então, isso de fato gera impactos na economia mundial.
06:52Deixa eu passar para o Zé Maria para ele também participar
06:54dessa nossa conversa, Zé, sua pergunta.
06:57Pois é, professor, as guerras não são exatamente racionais, né?
07:03Mas nesse caso, os Estados Unidos estão lidando com um país
07:07que tem uma teocracia e que tem menos racionalidade ainda.
07:11Então, eu vejo uma grande novidade,
07:14que é a possibilidade do Irã atacar as empresas norte-americanas.
07:19Eu não conheço nada mais tradicional dos Estados Unidos do que os advogados
07:23e essas grandes big techs norte-americanas.
07:26Quer dizer, é uma novidade e um risco muito grande
07:31para a economia dos Estados Unidos, né?
07:34Sem dúvida, bom dia, Zé Maria.
07:36O que acontece aqui nesse caso é que cada lado está tentando mostrar
07:40onde pode causar prejuízo maior para o outro.
07:44Então, o Irã, o que ele pode fazer, conforme eu mencionei,
07:47já que ele não tem condições de entrar num confronto direto
07:51com seus agressores, né?
07:53Com os Estados Unidos ou com Israel,
07:55e inclusive com alguma chance de vencer um conflito,
07:59também não teria, mas um embate direto
08:01que pudesse ser uma guerra convencional,
08:04o que lhe resta é causar prejuízo.
08:06Ele tem o domínio do Estreito de Hormuz,
08:09então ele causa prejuízos a esse tráfico internacional,
08:12esse trânsito internacional de petroleiros, né?
08:16Para abastecer grandes mercados,
08:18isso aí é uma medida que realmente causa muito impacto,
08:20conforme eu mencionei, mas tem outras, né?
08:23O Irã, ele tem dois grandes tipos, né?
08:28De armamentos que ele estava desenvolvendo,
08:31está desenvolvendo e traz muito risco internacional.
08:34Um é o maior deles, o mais importante,
08:36que é o desenvolvimento de uma bomba nuclear.
08:39Ele não chegou ainda ao ponto de propriamente ter esse tipo de artefato,
08:45mas estava progredindo no sentido de ter.
08:48Então, barrar o Irã no sentido de ter um armamento nuclear
08:52é uma questão de preocupação das Nações Unidas,
08:56não é uma questão só de preocupação de Israel e Estados Unidos.
08:59Esse é um fator.
09:00Tanto é que ele estava sob sanções internacionais
09:02por conta dessa questão.
09:04E o outro é de mísseis balísticos,
09:06onde ele já tem um certo nível dessa tecnologia.
09:09Então, o que acontece?
09:11Com esses mísseis balísticos,
09:13só para explicar aí onde eu quero chegar,
09:15ele consegue atingir alvos distantes até 4 mil quilômetros.
09:19Então, ele consegue potencialmente
09:23atingir empresas do interesse americanos na região toda.
09:27E até mesmo algumas bases americanas localizadas ali,
09:32em algumas ilhas na região.
09:34Então, ele sim, ele tem condições de atacar alvos americanos,
09:39com ou não, com sucesso ou não,
09:41mas há um potencial de agressão que causa alerta aos Estados Unidos.
09:47Próxima pergunta, do Lucas Merreiro.
09:50Professor, bom dia.
09:52Obrigado por nos conceder essa entrevista.
09:54Eu venho acompanhando desde o começo as declarações do Trump
09:58e eu acho curioso que, inicialmente,
10:00ele disse que a guerra acabaria em cinco semanas
10:03e ela acabaria com o fim da ditadura dos ayatollahs,
10:07o fim da ditadura iraniana.
10:09Depois, ele disse que, na verdade,
10:11a guerra acabaria quando eles resgatassem,
10:14pegassem ali o urânio enriquecido do Irã.
10:17Aí, agora, ele diz que, na verdade,
10:19os objetivos já foram quase cumpridos.
10:21Quer dizer, os Estados Unidos estão alterando os objetivos
10:24de acordo com os acontecimentos
10:26ou, na verdade, o que vem acontecendo
10:28é, de fato, o que o Trump estava planejando?
10:30Novamente, obrigado.
10:32Bom dia, Lucas.
10:34Realmente, se a gente pegar os interesses
10:36que os Estados Unidos tinham e têm,
10:39eles são maiores do que, propriamente,
10:42algumas concessões que estão pedindo ao Irã.
10:44Então, desconstituir, desconstruir,
10:48acabar com o regime atual,
10:50que é o regime dos ayatollahs.
10:52Você tem uma república islâmica,
10:53onde tem um presidente eleito,
10:55um parlamento eleito,
10:56nesse aspecto há democracia,
10:58mas você tem um líder que não é só religioso,
11:01que é o ayatollah,
11:02que é o nome da figura
11:04que é ocupada
11:06pelas lideranças religiosas,
11:08que tem liderança política
11:10e é quem toma as principais decisões do país.
11:13E não é eleito.
11:13Então, você tem esse tipo de constituição
11:16desde 1979,
11:18quando a monarquia do Shahez Aparnaev
11:20foi derrubada no país,
11:21monarquia que era aliada
11:23tanto de Israel
11:24quanto dos Estados Unidos à época.
11:26Então, quando houve essa derrubada,
11:28criou-se ali um regime
11:29que nunca foi interessante
11:31aos interesses americanos e israelenses
11:33na região,
11:34já que esse regime declara,
11:36efetivamente,
11:38que quer destruir Israel,
11:39que entende que o Estado de Israel
11:41não deva existir.
11:42Então, desmontar esse sistema político
11:45também seria um objetivo,
11:47entendendo-se que, a partir daí,
11:49arrumariam-se quase todos os outros problemas
11:51na sequência.
11:53Como esse objetivo não é facilmente atingido,
11:55porque há uma reposição
11:57de lideranças no país,
11:59então, é um regime
12:00com forte aspecto ideológico e religioso
12:03onde ele se perpetua.
12:05Então, derrubá-lo é muito difícil,
12:07até porque não há liderança
12:09de oposição efetiva
12:11que pudesse substituir.
12:12Então, esse tipo de objetivo,
12:14ele não é factível
12:16ou é muito difícil de ser alcançado.
12:19Esse é um dos pontos que fez o ajuste.
12:21Mas que os Estados Unidos
12:22não iam querer mais esse regime,
12:24ninguém pode ter dúvida.
12:25Não interessa esse regime.
12:27De qualquer forma, o que a gente tem aqui?
12:29A gente tem os Estados Unidos
12:31mudando o discurso,
12:33que está fazendo concessões
12:34para chegar a uma composição.
12:36Eu não estranho isso.
12:37É normal,
12:38em conflitos,
12:40onde se quer chegar a um acordo,
12:42vão havendo sessões de todos os lados
12:44até que se chegue a uma composição.
12:47Mas o que os Estados Unidos querem?
12:49Trazer os países da OTAN
12:50dizendo que é interesse deles
12:53liberar o estreito de Hormuz,
12:55porque eles são abastecidos pelo petróleo.
12:57E não os Estados Unidos.
12:58Ou seja, colocar mais países nesse conflito
13:02e tentar levar o Irã
13:04às concessões mais básicas.
13:07Chegando nisso,
13:08começam a conversar.
13:09Professor Manuel Furriella,
13:11sempre com a gente aqui no Jornal da Manhã.
13:13Obrigada pela sua participação,
13:14trazendo os desdobramentos da guerra
13:16entre o Irã e os Estados Unidos,
13:18especialmente falando aí
13:20sobre as falas do presidente Donald Trump,
13:23seus reflexos.
13:24Obrigada, professor,
13:25mais uma vez pela participação.
13:27Muito obrigado.
13:28Até a próxima.
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