00:00O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o acordo de paz com o Irã está em estado gravíssimo.
00:07Respirando com a ajuda de aparelhos, Luca Bassani, agora, teve algum momento que esse acordo de paz esteve fora da
00:13UTI?
00:15Pois é, essa é uma ótima pergunta, Bia. De fato, o presidente Donald Trump, ontem, enquanto falava à emissora das
00:21norte-americanas,
00:22disse que a última proposta de paz do Irã é uma proposta, entre aspas, estúpida.
00:28Segundo ele, ele nem leu ela completamente porque os termos iniciais já eram absurdos e irrealizáveis, considerando essa guerra.
00:37Ele disse que o primeiro e o segundo escalão da liderança iraniana foram todos eliminados ao longo dessa guerra
00:43e o terceiro escalão estaria pela metade, portanto, eles não têm condições de fazerem os requerimentos que fazem neste momento.
00:51Lembrando que as opiniões, ou pelo menos as propostas, são bastante divergentes,
00:56já que os Estados Unidos querem o encerramento completo do programa nuclear iraniano,
01:01a limitação do seu programa de mísseis balísticos e a paralisação de qualquer tipo de financiamento aos grupos terroristas no
01:08Oriente Médio.
01:09O Irã, por sua vez, quer continuar enriquecendo o urânio, quer ter o seu programa de mísseis balísticos inalterado
01:16e também quer a soberania sobre o Estreito de Hormuz com a cobrança de pedágios.
01:21O presidente disse, então, que o cessar-fogo que está vigente desde o mês passado está em estado gravíssimo
01:27e que, fazendo uma alusão médica, respiraria por ajuda de aparelhos.
01:32Ele disse que é como se fosse um médico dizendo a um paciente terminal que há menos de 1%
01:37de chance de sobreviver,
01:39ou seja, dando indícios que essa guerra pode ser retomada a qualquer minuto.
01:43As falas de Donald Trump vão em encontro a uma entrevista dada também em uma emissora norte-americana
01:49pelo premier Benjamin Netanyahu, que disse que vários dos objetivos operacionais ainda não foram alcançados
01:56e, portanto, eles cogitam retomar a guerra, pelo menos para garantir outras medidas de segurança,
02:03como o impedimento do enriquecimento de urânio dentro do seu território.
02:08Óbvio que a gente vai ficar de olho em todas essas questões e, principalmente, na viagem do presidente Trump
02:13a partir de amanhã para a China, já que o gigante asiático é um dos principais interessados
02:19na finalização desse conflito, a reabertura do Estreito de Hormuz
02:22e pode fazer pressão nos bastidores sobre o Irã para que aceite alguma proposta dos Estados Unidos.
02:29A gente vai ficar aqui e voltaremos ao longo dessa edição com mais informações.
02:32Sem dúvida, Luca, obrigada pelas atualizações. A gente fica bem de olho nessa agenda do Trump amanhã na China
02:39porque sabemos que esse conflito no Oriente Médio tem toda a repercussão econômica, política, aqui no Brasil também.
02:44Só que, Merreiro, a gente não consegue vislumbrar no passado em que momento que esse sarfogo esteve fora dessa UTI.
02:52Porém, os Estados Unidos afirmam a todo instante que destruíram toda a força militar do Irã,
02:59que as lideranças do regime também já foram ali dizimadas, aniquiladas.
03:04Qual seria um possível novo alvo, então, em caso de retomada do conflito militar?
03:11Sabe qual é o pior, Bia? O pior é que é verdade.
03:15Eles realmente destruíram várias bases militares do Irã, mataram o Ayatollah
03:20e depois vários possíveis Ayatollahs que estavam lá tentando se eleger Ayatollahs.
03:25Eles realmente deram duros golpes, os Estados Unidos, dizendo aqui, contra o Irã.
03:30E mesmo assim, isso não foi o suficiente.
03:34Por que será que isso acontece?
03:36Vejam, em muitos casos, não basta um conflito militar vitorioso
03:41para definir se que você ganhou aquela guerra.
03:43Um exemplo clássico aqui é o da Guerra do Vietnã.
03:46Se a gente for ver, os Estados Unidos ganhou praticamente todos ou todos os conflitos bélicos,
03:52os conflitos de fato ali no Vietnã.
03:55E mesmo assim, aquela guerra é lembrada como a única guerra que os Estados Unidos perdeu na história e tudo
04:00mais.
04:00Por que isso acontece?
04:01Porque às vezes é possível você perder uma guerra politicamente,
04:04mesmo vencendo todos os conflitos bélicos.
04:07É o que a gente está vendo acontecer agora nessa questão do Irã.
04:09De fato, os Estados Unidos conseguiu destruir bases militares,
04:12conseguiu exercer duros golpes ali contra lideranças do Irã, matando diversas delas.
04:17Só que esses golpes, paradoxalmente, acabaram se tornando o próprio vetor de força do Irã.
04:24Porque o regime está conseguindo demonstrar que mesmo sofrendo tantos golpes dos Estados Unidos e de Israel,
04:30dois países extremamente poderosos, militarmente falando, o regime continua de pé.
04:35Então, ainda que ele esteja enfraquecido, por um lado, com menos lideranças, menos bases militares,
04:42destruições ali e tudo mais,
04:44ele se mostra fortalecido moralmente, porque o regime continua existindo.
04:48E não apenas continua existindo,
04:50como continua controlando o Estreito de Hormuz com uma certa facilidade, diga-se, de passagem.
04:55Para o Irã controlar o Estreito de Hormuz ali, basta alguns drones,
05:00não é algo que precisa de muito contingente, não precisa de muito dinheiro.
05:04Eles continuam exercendo o controle deles lá.
05:06Nem isso os Estados Unidos conseguiu tirar das mãos do Irã.
05:09E aí o Trump fica nessa situação, tentando dobrar a aposta,
05:12tentando falar que vai para cima,
05:13mas não resta muita coisa para os Estados Unidos,
05:16a não ser que eles estejam dispostos a, de fato, destruir o Irã,
05:19transformar aquilo num parque de estacionamento.
05:21Mas, até agora, o Trump se colocou aí entre a cruz e a espada.
05:24Não tem muita coisa que ele possa fazer.
05:27Túlio Nassa, a gente vê também o Donald Trump dizendo
05:29que esse acordo respira por aparelhos.
05:31Eu fico imaginando o mercado, né?
05:33Olhando para tudo isso e pensando,
05:35quem já está respirando por aparelhos somos nós,
05:38sem a possibilidade de um cessar-fogo no horizonte.
05:42Pois é, Ivano.
05:43E nós continuaremos a respirar por aparelhos e o mundo também.
05:46Essa guerra, ela entra no dilema que Tolstói falava em Guerra e Paz,
05:51que numa guerra, num conflito,
05:52o tempo e a paciência são eternos beligerantes.
05:55O tempo da política e a paciência da política
05:58são muito diferentes do tempo da guerra.
06:00O que acontece?
06:01O Irã não quer abrir mão do seu programa nuclear.
06:04O Irã não quer abrir mão do seu estatuto,
06:08que diz que o Estado de Israel deve ser eliminado,
06:11que ele deve financiar células terroristas ao redor do mundo
06:15contra o que ele chama de Ocidente.
06:17Tudo aquilo que representa a cultura, a religião, a política do Ocidente,
06:22o Irã quer eliminar.
06:23E, portanto, não é um adversário fácil de se derrotar.
06:27E Donald Trump não quer pagar o preço político
06:30de uma invasão terrestre,
06:32de dominar o Estreito de Hormuz,
06:34de uma vez por todas.
06:35Por quê?
06:35Porque as baixas serão muitas de soldados americanos.
06:38O revés político será gravíssimo.
06:41E, portanto, Donald Trump está apostando na paciência.
06:44O que ele tem feito?
06:45Um ser cotomano ali logo depois do Estreito de Hormuz
06:48para tentar asfixiar economicamente o governo teocrático de Irã.
06:53Mas isso leva tempo.
06:54Tempo que Donald Trump não tem,
06:56porque existem as eleições agora de midterms.
06:59Então, na verdade, o que Sun Tzu dizia na arte da guerra,
07:01que a vitória está reservada àqueles que querem pagar o preço,
07:04é aquilo que Donald Trump não quer fazer nesse momento.
07:07Por essas e por outras,
07:09nós vamos sofrer nos aparelhos por mais tempo.
07:12Oxalá que o Irã seja sufocado economicamente o quanto antes
07:16e não haja um escalamento desse conflito militar.
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