00:00Bruno, vamos com ele agora?
00:01Vimos juntos então, repercutindo mais informações de olho também no cenário do mercado econômico.
00:07O Tesouro Nacional informou que as contas do governo registraram um déficit primário de 30 bilhões de reais em fevereiro.
00:17Assunto para Denise Campos de Toledo, que chega ao tempo real.
00:22Novamente a gente vê essa discussão, o que gera uma insegurança para o mercado, esbarra na responsabilidade fiscal.
00:28Não é só arrecadar, é saber como também usar esse dinheiro, né Denise?
00:33Exatamente Bruno, boa tarde, boa tarde Márcia, boa tarde a todos.
00:37Exatamente, o governo conseguiu garantir uma receita muito grande, continua batendo recordes de arrecadação desde o ano passado,
00:44mas isso não tem sido suficiente porque há um aumento das despesas superior ao aumento da receita.
00:50E a receita cresceu, as contas tiveram esse déficit de 30 bilhões em fevereiro, é um dado negativo,
00:55mais 8,4% abaixo do que foi registrado em fevereiro de 2025.
01:00Houve um aumento real de 5,6% na receita líquida no mês, após as transferências já para estados e
01:07municípios,
01:08que é uma questão constitucional, somando 157,8 bilhões, isso de receita.
01:13Agora, as despesas totais somaram 187,7 bilhões e aí tem pressões.
01:19Com educação, aporte do programa Pé de Meia, saúde cresceu 1,4 bilhões, pessoal em encargos 2,2 bilhões,
01:27teve reajuste do funcionalismo no ano passado e que começa a pesar no início deste ano,
01:32e benefícios previdenciários 1,7 bilhões, tanto pelo aumento do número de beneficiários,
01:38como pelo reajuste real do salário mínimo, que é uma questão que vem tendo um impacto muito forte nas contas
01:43da Previdência.
01:44Então, o governo arrecada mais, porque tem mais gente empregada em relação ao ano passado,
01:48então isso gera mais contribuições, só que, por outro lado, tem mais gente se aposentando,
01:53recebendo benefícios da Previdência e com reajuste real do salário mínimo.
01:57Então, tudo isso tem um impacto muito grande, é uma questão que deve seguir ao longo deste ano,
02:02mas dá para o governo cumprir a meta fiscal.
02:04Só que, dentro da margem de tolerância, não vai gerar o superávit de 0,25% do PIB,
02:09que era a meta deste ano, mas pode ter um déficit.
02:12E, no cálculo desse déficit, ainda dá para excluir cerca de 63,5 bilhões de reais como gastos com precatórios.
02:21Estão nesse cálculo também.
02:23Isso é autorizado pelo arcabouço fiscal, foi autorizado pelo Congresso.
02:26Então, se tem, como eu sempre falo, aquele retrato melhor, o governo cumpre a meta,
02:31só que continua com um déficit e, tendo déficit, não consegue barrar o avanço da dívida pública,
02:36que já sofre o impacto também da manutenção de juros muito altos.
02:40O governo reclama muito dos juros, mas não é só isso.
02:43Tem essa composição toda, que não é apenas gastança do governo, é importante ressaltar.
02:48Tem esse programa de governo, por exemplo, de reajuste do salário mínimo, pé de meia,
02:51mas tem uma composição orçamentária de destinação obrigatória de dinheiro, por exemplo,
02:56para a educação, que eu até citei, que acaba tornando mais difícil um reequilíbrio fiscal
03:02e a obtenção desses superávites tão necessários.
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