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A estrategista de marcas Patrícia Chaccur analisa como a fornecedora oficial dos uniformes da CBF, a Nike, se envolveu numa polêmica graças à nova linha esportiva ligada à Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026.

Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores.

Apresentado por Madeleine Lacsko, Duda Teixeira e Carlos Graieb o programa traz contexto e opinião sobre os temas mais quentes da atualidade. Com foco em jornalismo, eleições e debate, é um espaço essencial para quem busca informação de qualidade.

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Notícias
Transcrição
00:00E olha, já estou falando aqui de propaganda e eu vou apresentar a vocês, você que leu o site do
00:06Antagonista,
00:07você que assina a nossa newsletter do Antagonista, você que nos segue nas redes sociais,
00:14já conheceu ela que está aqui, que em breve trará novidades aqui no audiovisual do Antagonista.
00:21Patrícia Chacur, boa noite, tudo bem?
00:25Boa noite, Madagra, Beduda. Boa noite, Antagonistas.
00:30A Patrícia está aqui, você já deve ter visto nas colunas dela que ela fala sobre marcas, sobre inovação.
00:40Ela foi representante do Antagonista agora lá nos Estados Unidos, um evento, se você conhece alguém da área corporativa,
00:46o mais cobiçado do mundo, que é o SXSW, ela esteve lá em nome do Antagonista nos Estados Unidos, acompanhando
00:54todas as novidades.
00:56E já que nós estamos falando de propaganda e de marcas e está todo mundo falando do Brasa, eu trouxe
01:03aqui a Patrícia Chacur.
01:06E a Patrícia Chacur, gente, vocês sabem que eu não sou condescendente.
01:10A Patrícia é, no Brasil, uma das pessoas, assim, top 5 que mais entende de marca é Patrícia Chacur.
01:18A Patrícia já atuou como CMO da Nike.
01:23CMO é a chefe do marketing da Nike, da Avon.
01:29Ela trabalhou com outras empresas grandes.
01:30E por que eu estou trazendo a Patrícia aqui hoje?
01:32Por causa de questões do nosso Brasa, né, Patrícia?
01:36Porque temos polêmica.
01:37O Brasa tem muitas questões para a gente lidar.
01:43Esse vídeo é uma intersecção da política com o futebol.
01:50Está todo mundo pedindo.
01:52Então, vamos lá.
01:53É a polêmica da nova camisa da seleção.
01:56Então, vamos começar com a linguagem do slogan.
02:00Bota aí.
02:02O pessoal, olha lá.
02:06Alegria que apavora.
02:09Nosso sorriso.
02:11Sua derrota.
02:14Imitando um cartaz de futebol.
02:18Assim, meninos, eu nem gosto de futebol, mas já cobri Copa do Mundo.
02:23Achei pesadinho.
02:26Eu achei uma coisa que, sei lá, que fosse assim, uma luta livre, Ted Boy Marino.
02:33Eu acho que é essa vibe, Ted Boy Marino.
02:37Não sei nem se o pessoal lembra o que é.
02:39Mas acho que nem no jiu-jitsu cabe esse tipo de rivalidade.
02:43Eu acho, Madá, que aqui eles quiseram passar um conceito de que o Brasil tem muita alegria.
02:50Quer dizer, o Brasil é visto em campo como joga com alegria, joga com ginga, joga com criatividade.
02:58Tudo isso a gente sempre usou muito no período em que eu trabalhei na Nike.
03:02Eu fiquei sete anos na Nike e tive o privilégio de estar lá durante duas Copas do Mundo, inclusive quando
03:07fomos pentacampeões, né?
03:09Que eu liderei a campanha do Penta.
03:12E aqui, depois de 24 anos sem ganhar, quer dizer, hoje nem dá mais para dizer que o Brasil é
03:17o país do futebol, infelizmente.
03:19Meu filho não viu isso acontecer, meu filho de 19 anos.
03:22Eles quiseram dizer que, olha, a gente tem uma alegria, mas a nossa alegria vai te assustar.
03:26Eu achei que não assustou ninguém.
03:28Eu achei que a alegria que apavora, na verdade, eu achei que ficou bonzinho demais.
03:33Então, entendi a intenção, mas não gostei da execução.
03:39E olha, esse vídeo, a questão é, a campanha em si, eu fiz o Narrativas Antagonistas hoje todo sobre isso.
03:47A Patrícia viu o roteiro.
03:49Eu trouxe, assim, a campanha tem canarinho de três pernas.
03:54Tem.
03:55Tem.
03:56Bunda tem, é claro que tem.
03:58Que não ia fazer uma campanha sem bunda.
04:01Os humoristas, gente, isso já virou febre.
04:04Mas qual que é o ponto alto e mais polêmico da campanha da Nike?
04:08É a estilista brasileira que fez o anúncio da campanha.
04:15Que, assim, isso virou uma chacota, uma piada para tudo que é canto.
04:22Assim, eu quero que você veja com o seguinte olho.
04:25Qual é o encaixe dessa estilista com o universo do futebol?
04:32Vamos ver.
04:33A ideia foi trazer o que é Brasil no seu mais puro, na sua mais pura versão, né?
04:39O que é o Brasil com S e não o Brasil com Z.
04:41O amarelo que a gente escolheu é o Canary, que é canário, que é canarinho, que é o nosso amarelo,
04:46que é o amarelo clássico do Brasil.
04:49Então, eu vi essa cor.
04:50Claro que o azul também é o clássico, mas a gente conseguiu pintar um pouquinho com as outras cores.
04:54Um pouquinho do verde-água e esse verde quase meio neon, assim.
04:58Esse é um dos privilégios de poder ser brasileira trabalhando na camisa do Brasil, assim.
05:01Tem coisa que a gente entende, que eu até brinquei antes de explicar isso para o pessoal de lá, que
05:07é brasa, não é Brasil.
05:08É Brasil, mas também é brasa quando está jogando, né?
05:11Para a gente é muito fácil de entender.
05:13Se a hora que você sabe vai brasa, a gente sabe o que significa, né?
05:15Então, a gente trouxe esse nome, esse apelido carinhoso que a gente dá.
05:19Ele está no Inner Pride, que é esse signo aqui dentro.
05:24Tem escrito vai brasa, que é uma coisa que a gente escuta nos estádios, escuta na rua.
05:28E agora os jogadores vão poder usar no corpo, carregando com eles.
05:31Além, claro, do Inner Pride, a gente também tem aqui no short um detalhe que é bem sutil, tá?
05:36Mas aqui tem duas listras no lateral e a ideia de usar a listra foi fazer uma referência à capoeira,
05:42né?
05:42Que as calças de capoeira, que a gente chama de abadá, né?
05:45Bom, e aqui no escudo, né? Que é a grande estrela, as cinco grandes estrelas,
05:49é que a gente quis misturar um pouquinho do retrô com uma coisa mais futurista, né?
05:52Então, tem uma estética, uma textura de feltro, que traz um pouco dessa coisa do retrô,
05:57e o silicone por cima, que é bem moderno, assim.
06:00Então, a gola que a gente fez esse ano, primeiro que ela tem um design um pouquinho mais retrativo,
06:05que ele entrou, assim, ele peça uma homenagem a um look um pouquinho mais retrativo,
06:08mas também ele é feito com material que estica bastante,
06:11que é meio para aqueles momentos do futebol, que está puxado pela bola.
06:18Brasa!
06:21Pois é, assim...
06:24Realmente engraçado.
06:27Eu posso te falar, quando me mandaram, me mandaram isso, o vídeo só está solto,
06:33não me mandaram, assim, um link, me mandaram o vídeo solto,
06:37eu te juro que eu achei, porque eu tenho muito amigo humorista,
06:41eu achei que era esquete de humor.
06:43Mas é, né?
06:45Mas é, é, que ninguém percebeu.
06:47Mas, assim, Patrícia, o que aconteceu ali?
06:49Não, eu não reconheço, eu não reconheço a Nike em que eu trabalhei,
06:52eu trabalhei lá de 2000 a 2007,
06:54e a Nike tem o poder de marca que ela tem,
06:58eu falo que, assim, foi a maior escola de branding que eu poderia ter na minha vida,
07:02e não existe outra marca que chegue perto da força de marca da Nike,
07:07mas a Nike construiu isso,
07:08e uma das crenças muito fortes dela é a autenticidade.
07:14Então, ser autêntico no esporte, ser autêntico para aquele consumidor.
07:18E eu não vejo autenticidade falando vai brasa,
07:22porque eu nunca escutei ninguém falar vai brasa num jogo de futebol, né?
07:26E nem na rua.
07:27E nem na rua.
07:28Então, assim, não existe.
07:30Então, já começa daí, já está quebrando um dos pilares da comunicação da Nike,
07:34que é a autenticidade.
07:36Tem que ser, tudo tem que ser muito genuíno.
07:38Então, aí já estamos com um problema, né?
07:41Temos também um outro problema, que é a segunda camisa da seleção,
07:46a camisa 2, né?
07:47A camisa que eles usam como camisa reserva,
07:51tem o logo do Jordan.
07:55Então, também, para mim,
07:57que talvez esteja sendo um pouco purista,
08:00mas também vendo,
08:02eu estava lá no momento em que a Nike decidiu ser líder de mercado em futebol.
08:08e fizemos uma baita reunião,
08:10olha, decidimos que seremos líderes de mercado,
08:13foi no ano 2001,
08:15e o objetivo era conseguir isso em 2005.
08:18A Nike conseguiu.
08:19Mas como que ela conseguiu?
08:20Ela conseguiu ultrapassar a Adidas em faturamento,
08:22a Adidas era líder.
08:24Porque ela tinha a decisão,
08:27era nós vamos ser do jogo,
08:30nós não vamos estar no jogo,
08:32então ser autêntica.
08:33Então, contratou os melhores jogadores,
08:36já tinha patrocínio da seleção desde 1996,
08:39aí começou a assinar os melhores jogadores e tal,
08:41e realmente ela cresceu, cresceu, cresceu, cresceu.
08:44E toda essa coisa de autenticidade,
08:46aí hoje você vê o Jordan,
08:48que é uma marca de basquete,
08:50que tudo bem,
08:50que está migrando para a lifestyle,
08:52entrar numa camisa 2 de futebol na seleção brasileira.
08:56Então, assim, são coisas que, para mim, não estão fechando, né?
08:59Eu não estou reconhecendo a marca que eu tanto admiro
09:03e que se construiu aí ao longo de décadas
09:05como um dos maiores DNA que tem de marca, né?
09:08E olha, para a gente fazer uma comparação,
09:11eu não sei quem chegou a ver o vídeo,
09:13eu não posso passar aqui,
09:14porque acho que ele vai dar direitos autorais.
09:16No Narrativas Antagonistas tem,
09:18porque a gente fez de um jeito recortado,
09:20que deu certo, que dá certo na estética de lá.
09:23Mas, assim, a propaganda do Brasa
09:28dá a impressão que a Nike acha
09:31que a gente é uma grande favela feliz,
09:35ouvindo funk, usando o short entalado no derriere
09:40e pintando o cabelo de descolorante, entendeu?
09:45Dá a impressão que a Nike acha isso da gente.
09:48Em termos de comparação, aí tem também.
09:51A gente é isso com vira-lata caramelo embaixo do braço
09:55e um canário de três pernas na gaiola.
10:00Mas eu quero fazer, para termos de comparação,
10:03vocês viram o vídeo dessa moça não sendo a camisa.
10:06A Patrícia recuperou para a gente o vídeo que a Nike fez
10:09quando a Patrícia era CMO para a Copa do Mundo.
10:12Penta, né?
10:12Liberava a parte de comunicação de marca.
10:15E esse foi o primeiro vídeo que a Nike permitiu
10:18que fosse feito fora da sede, né?
10:20Sim.
10:21Porque quando nós estávamos ali prestes a nos tornar pentacampeões, né?
10:27Eu conversei com a Matriz,
10:29porque essas grandes campanhas eram sempre feitas globalmente.
10:33Então, nunca tinha sido feito um filme de Copa do Mundo
10:38por uma subsidiária.
10:40Mas eu conversei com a Matriz e falei,
10:43gente, ninguém vai conseguir entender
10:46o que é a emoção de ter uma quinta estrela na camisa como brasileiro.
10:50Então, deixa a gente criar aqui.
10:52Obviamente, com a supervisão dos meus chefes de lá e tal.
10:55Então, foi um longo trabalho junto com a agência de propaganda,
10:59que era a EID, uma agência maravilhosa.
11:02E a gente conseguiu chegar num filme.
11:04Não foi o filme da Nike para a Copa do Mundo, né?
11:07Tem uma coisa que é o filme que é a Nike lançando a campanha de Copa do Mundo.
11:11Copa do Mundo, em todos os países, você não sabe quem vai ganhar.
11:13E tem o filme que você deixa preparado caso o país vença.
11:18Então, este filme, caso o país vencesse, a gente conseguiu criar no Brasil.
11:24E a gente fez um filme muito singelo.
11:26A gente fez um filme com orçamento baixíssimo.
11:28A gente fez a toque de caixa.
11:29A gente fez em nove dias, porque a gente teve que esperar chegar até lá
11:33o momento onde não daria mais tempo de esperar
11:36para você não ter que gastar aquele orçamento
11:38caso o país fosse desclassificado e tal.
11:42E o comercial é muito simples.
11:45Tem um conceito, depois eu posso até falar um pouco sobre isso.
11:47mas ele foi um sucesso absoluto dentro da própria matriz
11:52a ponto de que o presidente da Nike na época
11:54a Nike tinha dois presidentes, um que cuidava de marca exclusivamente
11:57e um que cuidava de business.
11:59Esse presidente que cuidava de marca, ele fechou uma reunião da alta liderança
12:03mostrando esse exemplo do Brasil e falando
12:05está aqui como o país conseguiu capturar um momento na vida dos consumidores.
12:11E por isso depois até fui convidada para trabalhar na matriz.
12:13Então, o que eu acho que está acontecendo nessa campanha do Brasa
12:17nessa campanha do Apavora e tal, é que está faltando brasileiros envolvidos aí
12:24que realmente estejam entendendo, que estejam criando essa conexão com o mercado local.
12:29Não estou vendo isso.
12:30Isso não é culpa da Nike Inc.
12:33Não é culpa da matriz.
12:34Isso é problema da equipe que está aqui, que não está sabendo entender o momento.
12:40Eu achei que ficou muito samambá e chão de taco para futebol.
12:45Mas, enfim, vamos voltar lá para a época do Penta
12:48para vocês verem a diferença do vídeo.
12:50É um vídeo que ele não tem boina, ele não tem vira-lata caramelo.
12:55Ele tem uma coisa que parece ter sido esquecida nessa campanha
12:59que chama Brasileiro.
13:00Vamos ver.
13:01Quem disse que eu sou o melhor do mundo?
13:07Minha ginga carioca.
13:13Minha criatividade pernambucana.
13:19Minha raça gaúcha.
13:25Minha ousadia baiana.
13:31Minha habilidade mineira.
13:39Minha garra paulista.
13:45Quem disse que eu sou o melhor?
13:46A melhor.
13:47Eu sou o melhor?
13:48Quem disse que eu sou o melhor do mundo?
13:54Minha certidão de nascimento.
14:03É uma diferença porque aí só tem coisas que são do universo do futebol.
14:07Não tem nada fora.
14:09Não, e aí foi uma ideia muito simples.
14:11É muito simples depois que está pronto, né?
14:13Que está executado.
14:13Até chegar na ideia não é fácil.
14:15Mas, assim, o que a gente pegou?
14:16A gente pegou os principais jogadores da seleção,
14:18cada um de uma região,
14:19e a gente traduziu aqueles jogadores nos meninos,
14:23nos adolescentes, loucos por futebol.
14:25Então, eles são os melhores do mundo.
14:28Por quê?
14:28Porque a certidão de nascimento deles é do Brasil.
14:31A gente era, ainda naquele momento, o país do futebol.
14:33Então, a gente falou de Rivaldo, que é o pernambucano,
14:37Ronaldinho Gaúcho, que era o gaúcho, obviamente,
14:40Ronaldo Fenômeno, que era o carioca.
14:41Então, a gente foi pegando cada uma das regiões do Brasil
14:45e traduzindo nos garotos, né?
14:47Denilson, Cafu, que levantou a taça, Paulistas e tal.
14:51E ele é muito verdadeiro, porque ele fala do coração desse menino,
14:56que ama futebol.
14:57Ele fala, pô, eu sou o melhor do mundo porque eu nasci no Brasil.
15:00Então, assim, verdadeiro, autêntico, genuíno,
15:03uma produção simples, uma produção que eu me emociono até hoje.
15:07Eu lembro que eu estava assistindo a final da Copa no Cinemark
15:11e o filme estava nas emissoras de TV e ele fica lá guardadinho
15:15e a gente fala, olha, se ganhar, veicula, se não ganhar,
15:19põe um outro da Nike que estava lá de stand-by, né?
15:22E na hora que o Brasil ganhou, foi uma emoção absurda dupla para mim, né?
15:25Porque foi a emoção do Penta e foi a emoção de que,
15:28poxa, meu filme vai para o ar, né?
15:30Foi muito bacana.
15:31Agora, esse novo aí que eles fizeram, esse teaser que eles fizeram,
15:34eu achei igualzinho o Ted Bunny, o Bad Bunny no Super Bowl, né?
15:40Igualzinho.
15:41É aquela coisa, né?
15:43E já é uma linguagem ultrapassada, né?
15:46Essa linguagem, até estética eu achei ultrapassada.
15:49Você sabe o que...
15:50Ai, Deus me perdoe, mas sabe o que me parece?
15:53O olhar de Odete Reutemann sobre o Brasil.
15:57Não parece?
15:58Ai, aquela pô, braiada.
16:01Mas, assim, eu acho que tem Odete Reutemann...
16:03A Odete Reutemann, eu gosto que ela, pelo menos, se assume.
16:06Ela odeia.
16:07Mas tem aquele olhar esquenta com Regina Cazé,
16:10que você vê que a pessoa tem nojo de quem está com cheiro de ônibus.
16:16Que a pessoa não tem nenhum respeito por pobre,
16:19que estigmatiza o pobre.
16:22E tratar como essas coisas deles lá, que eles gostam.
16:26Eu achei péssimo o jeito que fala e tudo.
16:29Eu achei uma linguagem antiquada, acho que não representa o que a gente é,
16:35acho que a gente é muito mais do que aquilo.
16:37E, realmente, eu não sei o que está acontecendo.
16:40E tive umas inside information lá da Nike,
16:44que tem muita gente muito descontente, até,
16:47por essa coisa de duas camisas, duas campanhas,
16:49uma completamente desconectada da outra,
16:51porque foi feito o lançamento da camisa 2, que é a camisa azul,
16:54com um tagline, que é o joga sinistro.
17:00Foi uma história.
17:01Depois vem a outra amarela, que é a alegria que apavora.
17:04Então, as pessoas não estão enxergando a conexão.
17:06Vamos ver como é que vai se desenrolar a história.
17:09É artificial tudo, né?
17:11Joga sinistro.
17:12Tudo meio, assim, aleatório.
17:16Não tem uma conexão evidente com a vida das pessoas.
17:20Ah, eu escolhi uma gíria aqui, sei lá, do Rio.
17:24E uma gíria antiga também, né?
17:25Sinistro já é uma gíria antiga, né?
17:27É uma gíria de molecada mais antiga, né?
17:29Porque a campanha de agora 2006, se não me engano, sei lá,
17:33era Joga Bonito.
17:34É.
17:35E aí eles quiseram, dessa vez eles estão com essa coisa da agressividade,
17:39do tipo, a gente está entrando para ganhar, né?
17:40Porque a gente está muito tempo sem ganhar.
17:42E aí quiseram pôr o Joga Sinistro.
17:44Eu achei ok, mas assim, achei uma gíria meio já ultrapassada, né?
17:48É que são gírias que não são do futebol.
17:51Por exemplo, o Brasa.
17:54O Patrícia e hoje passam o dia inteiro querendo saber
17:56onde você já ouviu falar Brasa.
17:59Ela achou um, que é comunidade de brasileiro nos Estados Unidos.
18:03Do mesmo jeito que em Angola...
18:05De alunos, é.
18:06É, do mesmo jeito que em Angola e Portugal,
18:10o brasileiro se chama de Zucca.
18:12Você não vai ouvir falar em lugar nenhum o Zucca.
18:16E aí a gente entende, porque a menina tem um olhar enviesado de americano,
18:20para a gente, que é uma coisa que a gente não vê, né?
18:22Agora, eu quero dizer uma coisa.
18:24Na hora que eu vi aquelas duas faixas ali no short,
18:28eu falei capoeira.
18:30Imediatamente.
18:31Você matou a capoeira.
18:33Você matou, né?
18:33Eu achei que era a fitinha do Senhor do Bonfim.
18:35Pois é.
18:36Eu oei.
18:37E aí, de novo, né?
18:38Cadê a autenticidade?
18:39Quer dizer, o que a capoeira tem a ver com futebol?
18:41Bom, então, assim, está tudo uma salada mista ali,
18:44que eu não sei onde que vai dar.
18:48Bom, gente, a gente falou desse tema que vocês pediram aqui.
18:53Eu acho muito interessante que, às vezes,
18:55tem pessoas que acham que falar de política é falar de políticos.
18:58Falar de política é falar do seu Brasil.
19:00De todos os posicionamentos políticos sobre o nosso país.
19:04que é exatamente o que aconteceu aqui.
19:07E eu quero agradecer muito a Patrícia Chacur
19:10por vir falar aqui com a gente no Papo Antagonista.
19:12Vocês vão ver a Patrícia falando de economia,
19:15falando de marcas.
19:16Ela já tem uma coluna no Antagonista
19:18que você pode conferir, pode ir lá agora ler.
19:21E ela vai trazer muita novidade aqui no audiovisual.
19:25Música
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