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Em entrevista nesta terça-feira (24), o ministro Guilherme Boulos apresentou as diretrizes do governo para a regulamentação do trabalho por aplicativos. Boulos classificou a medida como um "debate civilizatório" e questionou a disparidade de direitos entre categorias.

"Os enfermeiros e professores têm piso. Por que os entregadores não podem ter?", indagou o ministro, afirmando que esses trabalhadores são tratados como "invisíveis".

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https://youtube.com/live/YsN5779Fc24

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Transcrição
00:00Guilherme Boulos divulga o relatório final que trata da regulamentação do trabalho dos entregadores por aplicativo.
00:07Ele critica a ganância das plataformas.
00:10O documento propõe mais transparência nos preços e um piso de R$ 10,00 por serviço.
00:16Guilherme Boulos e o ministro Luiz Marinho avaliam que as empresas espalham desinformação
00:21para evitar que as medidas sejam regulamentadas.
00:25O relatório também sugere o pagamento integral para rotas agrupadas e um adicional por distância.
00:32Uma parceria com o Banco do Brasil tem o objetivo de criar pontos de apoio para os entregadores.
00:38Enquanto isso, a Câmara dos Deputados pode votar a regulamentação do trabalho por aplicativos no país até o começo de
00:45abril.
00:45E o nosso entrevistado agora é justamente o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República,
00:50que está na Jovem Pen lá em Brasília, Guilherme Boulos.
00:53Tudo bem, ministro? Muito obrigado por aceitar o nosso convite.
00:55Bem-vindo.
00:57Obrigado, Tiago. Obrigado pela oportunidade de falar com o público da Jovem Pan.
01:01Boa noite para você e para todos os comentaristas do jornal.
01:04Ô, ministro, um ponto principal é sobre o piso.
01:07Essa discussão que foi feita e ainda está sendo feita.
01:10De que forma o senhor acha que esse projeto vai ser esquadrinhado justamente para o Congresso Nacional aprovar
01:16e o objetivo do governo é ter essa medida aprovada ainda no primeiro semestre?
01:23Pessoal, Tiago, teve muita mentira circulando quando a gente fez esse debate do piso dos entregadores.
01:30As grandes plataformas, o iFood, 99, no caso dos motoristas, a Uber e tudo mais,
01:37jogaram uma ideia de que se o trabalhador for pago com dignidade, o serviço vai aumentar muito, vai se tornar
01:44inviável.
01:44Isso não é verdade.
01:46Aliás, a gente precisa se perguntar, enquanto sociedade, se alguém que fica debaixo de chuva e sol,
01:52se arrisca em acidente numa moto, trabalha igual doido, leva comida quente para nossa casa,
01:57às vezes sem ter comido, se essa pessoa não merece ser tratada com dignidade.
02:01Esse é um debate civilizatório, é um debate humano, sabe?
02:05E o que acontece é que quando a gente defendeu esse piso para os entregadores,
02:11quer dizer, isso várias categorias já tem.
02:14Os enfermeiros têm piso, os professores têm piso.
02:18Isso é ajuste salarial.
02:21Por que os entregadores, só porque eles servem a uma plataforma de aplicativo,
02:25eles não podem ter um piso e ser bem valorizados?
02:28Como é que funciona hoje?
02:29Eu acho que é importante a gente dizer.
02:31Hoje, o iFood, que é a principal empresa do delivery,
02:35ela já paga para o entregador R$ 7,50 por cada entrega,
02:41que é até 4 quilômetros, que é a entrega padrão.
02:44Se passar dos 4 quilômetros, ela vai passar a partir do 5º quilômetro,
02:49paga R$ 1,50 por quilômetro adicional.
02:53É assim que funciona hoje.
02:54Qual que foi a demanda dos trabalhadores e que o governo do Lula encampou,
03:00assumiu essa demanda?
03:01Que a gente pague R$ 10,00, ou seja, a plataforma pague R$ 10,00 para os entregadores,
03:09nessas até 4 quilômetros, e nas adicionais, em vez de pagar R$ 1,50, pague R$ 2,50.
03:14É passar de R$ 7,50 para R$ 10,00 e de R$ 1,50 para R
03:17$ 2,50.
03:18E eles deram um xilique, que não tem razão de ser,
03:22porque o ganho das plataformas do iFood, por exemplo, não é nem com a entrega.
03:28O ganho deles é um ganho enorme com os restaurantes.
03:32Eles cobram 30% de cada pedido.
03:34Imagine, nesse momento que nós estamos falando,
03:36devem estar sendo feitos milhares de pedidos pelo iFood.
03:40O iFood está ganhando 30% só para fazer a intermediação tecnológica.
03:44Cada restaurante tem que pagar 30% do pedido para eles.
03:49Quer dizer, eles têm um ganho fenomenal, bilionário,
03:52controlados por um fundo estrangeiro, lá na Bolsa de Valores, um fundo holandês.
03:57E essa turma não quer tratar o motoqueiro com dignidade.
04:00Então, o nosso governo, o governo do presidente Lula,
04:03tomou a definição de olhar para esses trabalhadores,
04:06que sempre foram tratados como invisíveis.
04:08Aí você pega, Tiago, no caso do motorista de Uber,
04:11porque são esses dois casos, né?
04:13É o duas rodas, que é a moto,
04:15e o quatro rodas, que é o motorista de Uber.
04:18Sabe como é que funciona hoje?
04:20O carro é do motorista,
04:21e às vezes o carro dele é alugado,
04:23ele passa metade do dia, metade das corridas dele é para pagar a diária do carro.
04:28A gasolina, quem paga é o motorista.
04:30Se tiver um acidente, é problema do motorista,
04:32o risco é dele, o conserto é dele,
04:34o trabalho é dele, o tempo é dele,
04:36e a Uber chega a ficar com 40%,
04:39às vezes 50% de uma viagem.
04:42Você paga 100 reais de uma viagem,
04:44o motorista está recebendo 50, 60%.
04:46Não tem cabimento isso.
04:49Eles chamam de taxa de retenção.
04:51Isso é a taxa de exploração.
04:53Não faz sentido.
04:55Nós estamos propondo um limite para essa taxa,
04:58como já existe na Espanha,
04:59como já existe em vários outros países.
05:00Isso não é novidade.
05:02Ninguém está inventando a roda.
05:03É só garantir um direito para esses trabalhadores.
05:06Então, nós estamos nessa batalha.
05:08O projeto, o relator da Câmara é o deputado Augusto Coutinho,
05:12eu, o ministro Luiz Marinho do Trabalho,
05:14temos feito um diálogo com ele
05:15para incorporar essas pautas dos trabalhadores,
05:18e o governo Lula vai brigar na Câmara
05:20para que isso seja atendido.
05:22Deixa eu chamar os nossos comentaristas.
05:24Na sequência, a pergunta de Dora Kramer.
05:26Dora.
05:28Boa noite, ministro.
05:30Vamos falar de política partidária.
05:32Já, já o pessoal volta para o assunto dos aplicativos, está certo?
05:41Olha só.
05:42Não?
05:45Não quero falar desse...
05:46Eu não estou te escutando, Dora.
05:48Deu algum problema aqui no sinal,
05:50e eu não estou escutando a sua pergunta.
05:52Está mudo aqui para mim no estúdio de Brasília.
05:55Não está me ouvindo?
05:57Oi.
05:58Agora eu estou.
05:59Agora ligaram.
06:00Agora consegui.
06:01Então está bom.
06:02Eu estava avisando que eu vou sair dos aplicativos
06:06e vou para a política, é claro, está certo?
06:10Olha só.
06:11Vamos falar dessa história do PT e do pessoal.
06:14Já sei, já li tudo, que é nas próximas semanas.
06:17Mas queria saber dois pontos.
06:19Primeiro, o que vai definir essa decisão, sabe?
06:25O que está em jogo?
06:26Isso é um ponto.
06:27O outro ponto.
06:28Qual é o seu desejo?
06:30O desejo, aqui no fundo do coração, é de ir ou é de ficar?
06:37Dora, você sempre adora com perguntas afiadas.
06:42É da tradição jornalística da Dora Kramer.
06:46Dora, deixa eu te falar.
06:48Nós estamos discutindo com o nosso grupo político.
06:52Eu faço parte de um time que tem vários outros parlamentares, militantes espalhados pelo Brasil,
06:59gente que está nos movimentos sociais.
07:01E por respeito a essa decisão coletiva, eu tenho evitado fazer o debate público.
07:07Eu acho que debate interno de um partido precisa se fazer de maneira tranquila, respeitosa com os tempos.
07:16E mesmo quando você leva uma polêmica a público, como nós levamos o tema da federação,
07:21de unificar o PSOL, o PT, numa mesma federação, isso tem que ser feito com um debate qualificado,
07:27como nós buscamos fazer.
07:29O que eu posso te dizer agora é o que eu disse de que nós vamos fazer um debate nas
07:34próximas semanas.
07:35Temos feito esse debate já para discutir rumos estratégicos do campo progressista no Brasil,
07:42do campo popular no Brasil.
07:44Uma coisa é certa.
07:45Nós estaremos com o presidente Lula buscando a sua reeleição
07:50e vamos definir no nosso grupo qual é o melhor caminho para fazer isso.
07:56Ou seja, como você, quando fez essa pergunta, já esperava,
08:01eu não tenho condições de te adiantar mais o que eu disse.
08:05Esse debate está sendo feito e no tempo que ele se concluir,
08:08pode ter certeza que vamos colocar isso publicamente para você,
08:12para todos os jornalistas e para a sociedade.
08:15Ministro, eu vou chamar a Denise Campos de Toledo para fazer a próxima pergunta.
08:18Voltando ao tema, Denise.
08:20Voltando ao tema, ministro, boa noite.
08:22Vamos falar de aplicativos, então.
08:25Eu queria falar do ponto de vista financeiro.
08:27A gente sabe que mesmo sem a definição desse piso,
08:30independentemente do valor, o custo, no geral, é repassado para restaurantes.
08:36Por exemplo, no caso do iFood, que o senhor citou,
08:39isso amplia o preço, aumenta o preço para o consumidor final
08:44e muitos restaurantes, exatamente para não terem de se submeter a essa situação,
08:50estão tendo uma frota própria.
08:51Então, quando as empresas falam que podem inviabilizar o negócio,
08:55é porque passa por esse processo também.
08:57Eles transferem esse custo, e aí não só para restaurantes,
09:01para empresas que distribuem também alimentos,
09:04outros produtos, porque agora há uma diversificação muito grande
09:06dessa entrega por aplicativo.
09:09Esse não é um outro problema, e eu queria saber também
09:11da preocupação com relação à previdência, a seguro.
09:15O senhor citou, por exemplo, a questão dos acidentes,
09:18que o custo recai sobre os motoristas,
09:21e é o que nós temos na prática, a impossibilidade, muitas vezes,
09:25deles continuarem trabalhando por um longo período.
09:28Há preocupação em relação a isso e do ponto de vista financeiro?
09:33Não, há preocupação sim, Denise.
09:36Aliás, isso está na proposta do relatório que nós publicizamos hoje do governo,
09:41que é garantir previdência, ou seja, seguridade social para esse trabalhador,
09:46ele ter direito a seguro-acidente, ele ter direito a auxílio-doença,
09:49ele ter direito ao que a legislação brasileira prevê para os trabalhadores.
09:54Porque as pessoas dizem, ah, o cara que está dirigindo uma moto no iFood,
09:58ele é um empreendedor.
10:00Não, ele é um trabalhador.
10:02Antes de qualquer outra coisa, rala, trabalha para caramba,
10:06e não é reconhecido como tal, assim como um motorista de Uber.
10:09É importante a gente dizer isso.
10:11Esse cara é um trabalhador, é um batalhador,
10:14e precisa ter o reconhecimento que os outros trabalhadores também têm na sociedade.
10:20Então, é garantia de um seguro, é garantia desses direitos de previdência,
10:25e é poder também garantir, junto com isso, a transparência do algoritmo,
10:31que é um ponto que entrou.
10:32Hoje, esse trabalhador não sabe os critérios que o algoritmo usa,
10:36inclusive até para bloquear um trabalhador.
10:38Tem um monte de bloqueio indevido, sem justificativa.
10:41É dizer, o algoritmo manda nele e é impenetrável.
10:45Não tem nenhuma transparência.
10:47Esse é um ponto que a gente entrou.
10:49Ainda sobre esse valor mínimo, esse piso,
10:52Denise, veja, eu nunca vi
10:57ninguém dizer, porra, se o padeiro ganhar um pouquinho mais,
11:02isso vai explodir o preço do pãozinho na padaria e ninguém vai poder...
11:05É justo que o padeiro seja remunerado dignamente pelo seu trabalho.
11:10Como é justo que o motoboy e que o motorista de Uber
11:13seja pago dignamente pelo seu trabalho.
11:16Pega no caso da Uber.
11:18A Uber puxou a inflação no Brasil no ano passado, Denise.
11:22Você deve ter visto isso, uma notícia que saiu em janeiro ou fevereiro,
11:26amplamente divulgada.
11:27Eles aumentaram em mais de 50% o custo da viagem.
11:30E não aumentaram em nada a parcela que fica para o motorista.
11:35Aí tem a cara de pau de dizer
11:37que é pagar decentemente o motorista que vai levar um aumento?
11:41Não é assim, não é assim.
11:43Sabe?
11:44Isso são as empresas com o seu olhar ganancioso
11:49querendo passar por cima do trabalhador,
11:52não garantir nenhum respeito.
11:53E aí quando a gente fala em garantir,
11:55opa, vamos garantir dignidade,
11:57são seres humanos, são pessoas que estão ralando, trabalhando,
11:59eles vêm com sete pedras na mão,
12:03com fake news, com mentira.
12:04Agora, sobre esse tema ainda,
12:06eu queria...
12:07Eu estava vendo a reportagem anterior,
12:09o comentário do Tiago,
12:10antes de iniciar a entrevista.
12:12Eu queria destacar quatro entregas
12:15que o nosso governo, do presidente Lula, fez hoje.
12:19Assinou hoje essas portarias.
12:21Porque uma coisa é o projeto que está sendo discutido no parlamento,
12:24é mudança de lei, de legislação.
12:26Isso depende dos deputados e senadores.
12:28O governo coloca a sua posição,
12:30mobiliza a sua bancada,
12:32mas no fim do dia são os deputados e senadores que vão decidir.
12:36Outra coisa é medidas que o próprio governo pode tomar por conta própria.
12:40E nós tomamos quatro hoje em favor dos motoristas de Uber
12:44e dos entregadores de iFood.
12:45Pela primeira vez um governo olha para esses trabalhadores.
12:49Isso nunca tinha acontecido no Brasil.
12:51Primeira medida que foi tomada.
12:53Nós vamos fazer no Brasil cem pontos de apoio.
12:58O que é um ponto de apoio?
12:59É um lugar onde esses motoristas e esses motoqueiros
13:02vão poder parar para usar o banheiro,
13:04para se alimentar, para descansar,
13:06para carregar o celular e com Wi-Fi livre.
13:09Em todos esses lugares.
13:10Vão ser cem nas grandes cidades brasileiras
13:12que é onde estão concentrados esses trabalhadores no Brasil.
13:16As empresas não fazem.
13:18Não existe isso hoje.
13:19E nós vamos iniciar.
13:20Essa é uma demanda dos trabalhadores.
13:22Vai começar a ser feita a partir de agora.
13:24Assinamos hoje o acordo com a Fundação Banco do Brasil
13:27que vai executar esses pontos.
13:30Segundo, isso é muito importante.
13:32Isso vai ajudar a responder, inclusive,
13:34a questão que a Denise colocou.
13:36Hoje nós assinamos com o ministro da Justiça,
13:38com a Senacom, a Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor,
13:43uma portaria que exige transparência.
13:47Agora, quando você pedir iFood,
13:49na nota fiscal, vai estar lá escrito
13:51quanto que está indo de verdade para o restaurante,
13:54quanto que está indo de verdade para o entregador
13:57e quanto que o iFood está embolsando.
13:59Eles vão ter que dizer isso.
14:01Aí, quando eles vierem falar em
14:04ah, vai aumentar o preço e não sei o quê,
14:06toda a sociedade vai saber a parcela enorme
14:10que eles estão ficando
14:11de cada um dos pedidos que as pessoas fazem.
14:13A mesma coisa para o Uber.
14:15Você vai receber ali no seu aplicativo
14:17quanto que você está pagando
14:20e que o motorista recebe
14:21e quanto que fica com a Uber.
14:23Isso é importante.
14:24É transparência.
14:25Eu acho que quem não tem medo da verdade
14:27não tem que temer a transparência.
14:29Essas empresas, essas plataformas
14:31jogaram na mentira
14:32e agora vão ter que expor a verdade.
14:35Tem 30 dias para se adaptar
14:36e começarem a expor esses dados
14:39para todos os consumidores.
14:41Além disso, medida do Ministério da Saúde
14:43para que os acidentes dos motoqueiros
14:46sejam considerados como acidentes de trabalho
14:48nas UPAs, nos prontos-socorros,
14:50ali no prontuário desse trabalhador,
14:52para que ele possa buscar o seu direito
14:55na justiça do trabalho.
14:57Enfim, várias medidas.
14:59Nós vamos criar uma mesa permanente.
15:01É o quarto ponto.
15:02Por favor.
15:03A Secretaria-Geral da Presidência,
15:04que é o ministério que eu coordeno,
15:07junto com o Ministério do Trabalho,
15:09para dialogar e ouvir permanentemente
15:11esses trabalhadores do Brasil inteiro,
15:13é o governo Lula olhando de verdade
15:16para quem sempre foi tratado como invisível.
15:19Quando o governo aparecia para esse povo
15:21era para prejudicar,
15:22para criar burocracia,
15:23para cobrar taxa, imposto, não sei o quê.
15:25O governo Lula está aparecendo para esse povo
15:27para poder estender a mão
15:29e garantir as demandas da categoria.
15:32Ministro, o nosso tempo está chegando ao fim,
15:33mas o Cristiano Vilela faz mais uma pergunta para o senhor.
15:36Vilela?
15:38Ministro, boa noite.
15:39Ministro, o posicionamento do governo
15:42é de que os motoristas de aplicativo
15:44devem ser inseridos na CLT?
15:47E caso ele seja positivo a sua resposta,
15:50de que forma é possível fazer
15:53com que uma atividade
15:54que não tem característica,
15:56não tem natureza
15:57de uma atividade subordinada,
16:00que possa haver
16:01esse enquadramento
16:04na legislação,
16:05especialmente no caso da CLT.
16:08Boa noite, Cristiano.
16:10Não, não é a proposta
16:12que o governo apresentou
16:13inserir o motorista de Uber
16:15ou o entregador de iFood
16:17no sistema de CLT.
16:18Não é essa a proposta.
16:19até porque uma parte
16:21desses trabalhadores
16:23não querem o regime CLT.
16:25Eles querem manter
16:26um grau de flexibilidade,
16:28por exemplo,
16:28para poder estar no aplicativo da Uber,
16:30estar no aplicativo da 99,
16:32ou o entregador
16:33estar no aplicativo do iFood
16:34na 99,
16:35da Quita,
16:37seja,
16:37para poder, de algum modo,
16:39fazer o seu horário.
16:41Isso, nós ouvimos
16:42esses trabalhadores,
16:43foram três meses
16:44de um grupo de trabalho
16:45escutando esses trabalhadores
16:47no Brasil inteiro.
16:49Então, o resultado
16:51foi um resultado
16:52construído junto
16:53com representantes
16:54desses trabalhadores.
16:55Então, não é essa a proposta.
16:57A proposta é, sim,
16:59garantir
17:00que as plataformas
17:01tenham responsabilidade,
17:03porque elas não podem
17:04só ficar com bônus
17:06e deixar o ônus
17:07para o motorista,
17:08deixar o ônus
17:08para o motoqueiro.
17:10Está errado isso.
17:11Existe aí uma relação
17:12que é uma relação
17:13de trabalho.
17:14Não é uma relação
17:15de trabalho formal
17:16seletista,
17:17mas é uma relação
17:18de trabalho
17:19em que esse trabalhador
17:21tem que ter
17:21garantias mínimas
17:23de remuneração,
17:24de seguro,
17:25de previdência,
17:27de transparência,
17:28dele poder ter os dados,
17:30de pontos de apoio
17:32para que ele possa descansar.
17:34Hoje, imagine,
17:35um motorista de Uber
17:36ou um motoqueiro,
17:37ele tem que ficar
17:38implorando, às vezes,
17:39num bar, num restaurante
17:40para poder usar o banheiro
17:41no meio do seu serviço.
17:43Não dá.
17:44Ele tem que ter
17:45um espaço para isso.
17:46É isso que o governo Lula
17:47está entregando hoje,
17:48junto com um conjunto
17:49de medidas
17:50para olhar
17:51para esses trabalhadores
17:52com respeito,
17:54com dignidade.
17:55Eu acho que todos nós
17:56gostamos da comodidade
17:58de receber comida quente
18:00sem precisar sair de casa,
18:01sem precisar levantar
18:02do sofá,
18:03só para pegar ali
18:04na porta de casa.
18:05Todo mundo gosta.
18:06Só que a gente
18:08precisa garantir
18:09que esse motoqueiro
18:11que leva a comida,
18:12muitas vezes,
18:13em condições adversas,
18:14na chuva,
18:15passando por risco,
18:16ele tem que ser valorizado,
18:17tem que ser tratado
18:18como gente.
18:19Qual é a dificuldade
18:20da gente colocar
18:20esse debate?
18:21Para as plataformas,
18:22isso é um escândalo.
18:23Para o iFood,
18:24isso é um escândalo.
18:25A mesma coisa
18:26da Uber.
18:27Eu ando de Uber.
18:28Eu peço iFood
18:29na minha casa.
18:30Todo mundo gosta
18:31dessa comodidade,
18:33mas isso tem que,
18:35não pode ser
18:35às custas
18:36de arrancar o couro
18:37desses trabalhadores.
18:39É só isso
18:39que o governo
18:39do presidente Lula
18:40defende
18:41e é isso
18:41que nós estamos fazendo.
18:43Ministro Guilherme Boulos,
18:44da Secretaria
18:44da Presidência
18:45da República,
18:46que nos concedeu
18:47essa entrevista
18:47diretamente
18:48da Jovem Pan
18:49em Brasília.
18:50Muito obrigado,
18:51ministro,
18:51como sempre,
18:51pela atenção,
18:52pela gentileza.
18:52Até a próxima.
18:54Obrigado, Tiago.
18:56A você,
18:57a Dora,
18:58ao Cristiano,
19:00a Denise
19:00e a todo mundo
19:02que nos acompanhou
19:02aqui na Jovem Pan.
19:03Boa noite para vocês
19:04e bom resto de semana.
19:06Obrigado.
19:07Obrigado.
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