00:00Aqui no Jornal Jovem Pan a gente fala agora sobre a possibilidade do governo Lula apressar as medidas econômicas em
00:05ano eleitoral, o que vem acendendo o alerta no mercado financeiro.
00:09De Brasília, chegando agora a repórter André Anelli aqui com a gente. Quais são as principais preocupações desse momento, André?
00:16Boa noite, bem-vindo.
00:21Obrigado, Tiago. Muito boa noite a você também e a todos aqui no Jornal Jovem Pan.
00:25Conforme inclusive a gente ouvi agora há pouco no relato do Matheus Dias, a expectativa é que o presidente Lula
00:31anuncie nessa semana um pacote de combate ao endividamento das famílias e empresas, até porque essa, nesse momento, é a
00:39principal preocupação.
00:40O programa pode injetar mais de 100 bilhões de reais na economia, acompanhado da liberação de recursos do FGTS, o
00:49aporte em fundos garantidores de crédito para renegociação de dívida e novas linhas para motoristas de aplicativos, taxistas e caminhoneiros
00:57trocarem os próprios carros, além de medidas para o setor de fertilizantes.
01:02Se concretizadas, essas ações vão se juntar a outras já implementadas nos últimos dias, como, por exemplo, a medida para
01:11desonerar o diesel, além do aporte de 20 bilhões de reais no fundo social para bancar programas de habitação, como,
01:18por exemplo, Minha Casa Minha Vida.
01:20Diante dessa injeção de recursos num curto espaço de tempo, a projeção da inflação medida pelo IPCA, o Índice de
01:29Preços ao Consumidor Amplo, subiu para 4,8% para esse ano e para 3,99% no final do
01:37ano que vem.
01:38Os ministros da Fazenda e do Planejamento, Dario Durigan e Bruno Moretti, têm negado que essas medidas sejam de estímulo
01:45ao consumo para ativar a economia em ano eleitoral.
01:49E até colaborando também com o que disse agora há pouco a apuração do Matheus Dias, saiu agora há pouco
01:56a agenda oficial do presidente Lula e está prevista para amanhã uma reunião do chefe do executivo com o ministro
02:03da Fazenda, Dario Durigan,
02:04justamente nesse sentido, então, de começar a colocar em prática o programa Desenrola e atacar, então, essa que, nesse momento,
02:12é a principal preocupação do governo brasileiro, o endividamento das famílias.
02:17Tiago.
02:19Desafio do endividamento, mas, claro, o governo tem esse olhar do ponto de vista eleitoral também. O André volta daqui
02:25a pouquinho. Deixa eu começar esse giro pela Dora Cramer. A Denise vai começar também.
02:28Dora, a gente falava agora há pouco sobre a história do endividamento, as famílias, o ministro da Fazenda anunciando esses
02:35pontos principais e, agora, o André traz esse olhar mais político de toda essa discussão.
02:41De que forma você faz no ano eleitoral um programa importante para ajudar as pessoas em relação ao endividamento, mas
02:47sem esbarrar nessas questões eleitorais que são inevitáveis, Dora Cramer?
02:51Ué, mas é para esbarrar na questão eleitoral mesmo que se faz, ué. O Desenrola, lá de 23, ele teve
03:00um prazo de validade curto. Depois as pessoas voltaram a se endividar e não deu efeito na popularidade,
03:08que aí não teve eleição, mas tinha pesquisa de popularidade de avaliação positiva do governo. E esse desenrola que também
03:16vai ser feito com o mesmo viés, é claro que tem uma preocupação que precisa, é um problema que precisa
03:24ser enfrentado,
03:25que é o endividamento das famílias, mas evidentemente o que o governo espera é que haja uma devolução, digamos assim,
03:36em matéria de apoio. Eu tenho a impressão que isso não vai acontecer, porque não é nessa toada que o
03:43eleitorado vem se comportando.
03:46E aí o risco do pacote de bondade, aliás, eu não sei se vocês repararam, devem ter reparado, porque são
03:52super atentos, Tiago, Denise e a nossa audiência,
03:56mas quando o ministro Dario Düring se referiu ao pacote de bondades de uma maneira crítica, né, falando aqui não
04:05se trata de pacote de bondades, muito pelo contrário,
04:08ou seja, ele não tem a preço por pacote de bondades que a gente poderia traduzir também por gastança. E
04:16gastança corresponde ao quê?
04:19A uma política monetária mais restritiva, o que quer dizer juros altos.
04:24Ele deixou isso claro quando estava assumindo, né, Denise, o Ministério da Fazenda. Agora, esse ponto que a Dora toca
04:30é interessante,
04:31porque não tem como separar uma coisa da outra, né? E isso vai esbarrar também nos juros, a gente vai
04:37falar daqui a pouquinho sobre isso também.
04:38É, exatamente, por isso que eu falava da forma como o governo vai dar alguma garantia para os bancos que
04:43concordarem em abater as dívidas entre 80% e 90%.
04:46Eles estão estudando a possibilidade de um abatimento ser maior, dependendo da idade dessa dívida.
04:52Tem gente que está endividada há muito tempo, vem rolando essa história, vai crescendo a dívida,
04:57e nós tivemos um levantamento recentemente que mostrou que pessoas que estavam com o nome sujo 10 anos atrás estão
05:03de novo agora inadimplentes.
05:05Então, a gente tem também um problema de falta de educação financeira aqui no país, é uma outra história a
05:10ser resolvida.
05:11Tem um endividamento também relacionado a Betis, provavelmente esse pacote vai colocar restrição de quem fizer a renegociação
05:18que vai ter de parar, suspender as apostas por algum tempo e só vai ficar com o nome limpo quando
05:24começar efetivamente a pagar.
05:26Então, eles devem limitar um pouco o alcance para fazer com que haja resultados efetivos em termos de redução da
05:32inadimplência.
05:33Agora, fora isso, o governo vem tomando outras medidas, porque a demanda por crédito, independentemente do endividamento elevado,
05:39da inadimplência muito alta, continua subindo.
05:42Então, eles estão tentando limitar agora, inclusive, o juro do crédito consignado.
05:46A instituição que passar muito da média do mercado para os trabalhadores pode ser punida,
05:51e, inclusive, sair daquele sistema lançado pelo governo para estimular esse tipo de crédito.
05:56Então, o governo vem agindo em várias frentes, quer criar uma percepção melhor quanto às finanças pessoais,
06:02quanto ao cenário econômico. Vamos ver se dá algum resultado.
06:04Dênis, e já aproveitando, as expectativas de inflação seguem alta na avaliação dos analistas do mercado,
06:09é o Boletim Focus de toda segunda-feira.
06:12Agora, quais as razões para esse constante cenário de piora?
06:16Olha, a piora está muito relacionada à crise, à guerra no Oriente Médio.
06:21Nós tínhamos, até o início da guerra, no começo de fevereiro,
06:24um movimento contínuo de queda das projeções do mercado para a inflação.
06:28O sinal virou exatamente depois da guerra, começaram as pressões sobre os preços dos combustíveis,
06:34aí aumento do frete, aumento de outros preços.
06:37A gente já tinha uma certa resiliência de alguns setores aqui no Brasil,
06:40como a questão de serviços, que vinha preocupando há muito tempo o Banco Central,
06:44e a própria conjuntura econômica também.
06:47O desequilíbrio fiscal também leva a mais pressões.
06:49Mas nós temos os dados do relatório Focus, que saiu hoje,
06:53a projeção para o IPCA subiu para 4,86% neste ano, 4% no ano que vem,
06:594,86% está bem acima do teto da meta, que é 4,5%,
07:03e estava bem abaixo antes de começar a guerra.
07:07O PIB, como reflexo da expectativa de manutenção dos juros,
07:11um patamar mais alto em função dessas pressões inflacionárias,
07:14pode sofrer um pouquinho.
07:16Então, ele teve uma queda, caiu para 1,85% no relatório anterior do Focus,
07:21a projeção média do mercado estava em 1,86%, para 2027, 1,80%,
07:26porque o mercado está trabalhando com a perspectiva de juros mais altos,
07:30de um ciclo de corte mais modesto.
07:33E nós tivemos a projeção do dólar também sendo alterada,
07:37para 5,25% houve queda, porque o Brasil continua atraindo recursos externos.
07:42Em meio a toda essa incerteza internacional, os investidores buscando novos portos para investir,
07:48que possam oferecer boa rentabilidade, o Brasil atraindo dinheiro, segura o dólar no patamar mais baixo,
07:54até ajuda a segurar um pouquinho a inflação,
07:56mas não na visão do mercado financeiro o suficiente para evitar esse salto que nós tivemos.
08:012027, cotação prevista em 5,35%, sempre muito difícil antecipar o que pode acontecer com o câmbio,
08:07mas essa é a projeção atual.
08:09E Selic, o mercado na semana passada já tinha elevado a projeção para 13% no fechamento deste ano.
08:15Nesta semana tem reunião do Copom, mas o mercado acha que vem um ciclo mais leve de corte dos juros,
08:21fechando em 13%, no ano que vem 11%, não é, Tiago?
08:25É, e falando um pouco mais sobre a superquarta, né, juros aqui, juros nos Estados Unidos,
08:30quais são as projeções gerais, né?
08:32E se o Brasil tivesse os juros nos Estados Unidos, estaria uma maravilha, né?
08:36Para a gente sim, para eles não, Trump ia dar muito nervoso, né?
08:39A expectativa lá é de manutenção na taxa, na faixa de 3,5% a 3,75%.
08:45Deve ser a última reunião do Federal Reserve sob comando de Jerome Powell,
08:49porque acaba o mandato dele, ele pode até continuar na diretoria,
08:53mas ele vem negociando isso, inclusive porque foi suspenso um processo aberto contra ele,
08:59questionando gastos na reforma da sede do Federal Reserve.
09:03Tudo pressão de Trump, porque queria um corte mais acentuado dos juros,
09:06mas a tendência é manutenção neste nível, que vem desde dezembro, entre 3,5% e 3,75%.
09:12E aqui no Brasil a projeção é a Selic em 14,5%, com mais um corte de apenas 0,25
09:18ponto percentual,
09:19como aconteceu já na reunião de março.
09:21É o que eu falava, uma desaceleração de ritmo, antes se esperava cortes de meio ponto,
09:26um ciclo maior, a Selic podendo cair até 12%, e agora o mercado trabalha com um corte agora,
09:32na quarta-feira de 0,25, não traz muito alívio no custo do crédito, e chegando no final do ano
09:38em 13%.
09:40Agora, Denise, como fechou o mercado financeiro nesta segunda-feira?
09:44A gente pode dizer que é o tradicional compasso de espera, tem o feriado na sexta-feira também, né?
09:50É, mas tem compasso de espera, mas o Oriente Médio continua atrapalhando muito, Thiago.
09:53Essas idas e vindas, essa negociação que não sai, que ninguém sabe qual vai ser o desfecho,
09:58está pressionando o mercado global.
09:59Nós vamos ver os números também.
10:01Nós tivemos o Ibovespa em queda de 0,61%, 189.578 pontos.
10:07É a primeira vez que cai abaixo dos 190 mil pontos desde 8 de abril.
10:11Nós tivemos, inclusive, alguns recordes em meio a toda essa instabilidade,
10:15a Bolsa ensaiando de novo essa recuperação com fluxo estrangeiro, ajudando muito.
10:20Lembrando que na semana passada o saldo já ficou negativo em 2,55, o Ibovespa caiu na última semana.
10:26O dólar cai também por reflexo do dinheiro que continua entrando no Brasil,
10:31só que o Ibovespa sofre influência das principais ações negociadas.
10:37O dólar caiu 0,31, cotação em 4,982, voltou a ficar abaixo dos 5 reais.
10:43O petróleo em alta, o Brent 2,75, a 108 dólares e 23 centos o barril.
10:49Esse acima dos 100 dólares, é a referência global.
10:51E o WTI, que é referência dos Estados Unidos, subiu 2%, mas abaixo dos 100 dólares e 96,37.
10:59É esse o ritmo do mercado, ditado principalmente pela guerra,
11:02mas também tem a expectativa dos juros no Brasil e nos Estados Unidos.
11:06Denise, temos dois minutinhos para o intervalo das nossas praças.
11:09E falando um pouco mais sobre a reunião do cupom,
11:12de que forma a questão política pode, nesse momento, interferir,
11:15as pressões para que o Banco Central tenha uma conduta,
11:20mas, tecnicamente, é algo totalmente diferente.
11:24Ele tem respondido muito às expectativas do mercado financeiro,
11:27demonstrando muita independência.
11:29Havia um temor de influência do governo,
11:31porque toda a diretoria, a maioria agora,
11:33já foi indicada pelo atual governo, pelo presidente Lula.
11:36E eles têm demonstrado total independência,
11:40mantendo os juros num patamar muito alto.
11:42Só houve corte na reunião de março,
11:44porque já havia sido sinalizado na reunião anterior,
11:47quando o clima estava mais favorável, o clima econômico,
11:50que haveria esse início do ciclo de cortes.
11:52Então, eles cortaram, mas 0,25,
11:55apenas para não reverter totalmente as expectativas do mercado financeiro,
11:59porque isso leva a ajustes na curva de juros,
12:02em rentabilidade das aplicações,
12:04rentabilidade de títulos das empresas,
12:07a cobrança por juros que são emitidos pelo Tesouro,
12:10títulos públicos.
12:11Então, para evitar um solavanco nas expectativas do mercado,
12:14veio esse corte.
12:15E aí, o mercado acha que ele vai seguir nessa atuada,
12:17até por problemas relacionados à inadimplência,
12:20ao endividamento da população,
12:21porque o Banco Central,
12:22embora não tenha preocupação, como o Federal Reserve,
12:25com o nível de emprego,
12:26lá eles têm esse duplo mandato,
12:28a preocupação com a inflação na meta
12:29e com o máximo de emprego possível,
12:32aqui o foco é fazer com que a inflação caminhe para a meta,
12:36cujo ponto central é 3%.
12:38Então, nós temos visto muita independência.
12:41Agora, como eu disse,
12:41a dúvida fica para os Estados Unidos,
12:44que deve ser a última reunião com o Jerome Powell.
12:46Depois, sendo confirmado o nome do indicado por Trump,
12:50a partir da próxima reunião já seria sobre a nova gestão.
12:53Perfeito, Denise.
12:54E então, só lembrando que a reunião do Copom
12:55começa nessa terça-feira,
12:57segue até quarta-feira,
12:59quando o Copom faz o anúncio
13:02sobre a taxa básica de juros do país.
13:04e também estaremos de olho nos Estados Unidos.
13:07Para mais informações também sobre a economia,
13:10é só acessar o nosso portal,
13:11note aí, jovempan.com.br.
Comentários