00:00Eu queria colocar mais alguns elementos, queria chamar direto da nossa redação, da Núbia Braga, que vai falar sobre isso,
00:08né?
00:08Ela vai falar sobre essa questão que envolve toda essa nossa discussão, né, da Núbia? Bem-vinda.
00:13Isso mesmo, Fernando. A gente traz as informações a respeito de feminicídios, né, que ganharam grande repercussão nas últimas semanas.
00:21Primeiro falando sobre o feminicídio da Gisele, da policial militar, que foi morta pelo tenente-coronel Rosa Neto.
00:28O advogado dela pediu, então, a demissão de Rosa Neto da polícia militar.
00:35Ele, que num primeiro momento ali tinha dado o caso como, na verdade, um suicídio, e as investigações levaram pra
00:44outro caminho.
00:45Hoje ele está preso no presídio militar Romão Gomes, desde o dia 18 de março, e ele é indiciado por
00:53feminicídio e também por fraude processual.
00:56A gente aguarda também um posicionamento por parte da corporação pra saber como que vai correr agora os trâmites a
01:03respeito dessa demissão ou não dele.
01:07Mas a gente também tem um outro caso que chamou muita atenção e vem ganhando repercussão, que é a Deise
01:12Barbosa, de 37 anos,
01:13que foi morta pelo policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza.
01:18Na segunda-feira, ele teria invadido, não aceitava o fim do relacionamento, teria invadido a casa da mulher com uma
01:26escada,
01:27deu cinco tiros na cabeça dessa mulher, depois foi até a cozinha e tirou a própria vida.
01:32Segundo o pai da Deise, né, ela já tinha um relacionamento muito conturbado, tóxico, com violência.
01:40Uma vez o pai precisou tirar o Diego, que estava em cima dessa mulher, agredindo ela, e infelizmente, na segunda
01:48-feira,
01:49ela perdeu a vida. Então, com cinco tiros na cabeça. Ela deixa uma filha de oito anos, fruto de um
01:53outro relacionamento.
01:55Então, são dois casos de grande repercussão.
01:58Pra trazer ainda mais essa discussão que vocês estão fazendo a respeito agora dessa questão de ter arma pra mulher
02:05ou não,
02:06o fato é que a gente precisa de proteção e não de uma arma, né? Volto com vocês.
02:11Muito bem, Danúbia Braga, é isso mesmo. Carla estava dizendo exatamente isso aqui.
02:16Muito obrigado pelas informações, bom trabalho pra você aí na nossa redação.
02:21Duas mulheres que não só tinham direito a ter arma, como sabiam atirar, como eram legitimamente possíveis, né?
02:36Elas sabem usar arma, elas podem usar arma.
02:38Isso.
02:39Em legítima defesa, podem, inclusive, usar arma como pessoas físicas e não...
02:42Exato. E foram mortas.
02:43E foram mortas. Então, temos que refletir que não é ter uma arma em punho que vai nos defender.
02:48É muito mais do que isso, é muito mais amplo, né?
02:51Em relação a esse comandante aí, né?
02:53Aliás, esse policial rodoviário federal, que a gente reforça o nome dele,
02:57Diego Oliveira de Souza, de 38 anos, ele não só matou, ele disparou cinco vezes enquanto ela estava deitada,
03:07sendo três tiros na nuca.
03:10Ou seja, é totalmente sem condição dela se defender, dela reagir.
03:15É um crime cruel, é um crime bárbaro.
03:18E, muito bem destacado aqui pela Carla,
03:21contra uma profissional que tem toda a perícia pra também utilizar uma arma.
03:25Talvez ele tenha sido tão covarde justamente por isso.
03:28Pelo medo que ela pudesse reagir, pelo medo que ela pudesse revidar.
03:32Então, que esse criminoso, que ele não tenha os privilégios que muitos têm aí de ir pra uma cadeia separada,
03:39porque é um policial.
03:40Acho que a gente, em alguns crimes, a gente deveria extinguir esse benefício,
03:44como também desse tenente coronel, que agora tá lá confortável porque só tem pares dele.
03:49Deveria ir pra uma penitenciária comum.
03:51É um criminoso, é bárbaro, é nossa.
03:55E, como o Fernando falou, temos a Lei da Maria da Penha, que é um começo.
03:58Temos as delegacias da mulher, que já foi um começo.
04:01Temos outras atitudes que estão sendo tomadas, como talvez ter tornozela eletrônica,
04:06que também é um avanço.
04:07A Lei da Penha não prioriza esse estilo de autodefesa com arma de fogo.
04:13Eu aprendi com uma procuradora de justiça, inclusive,
04:16que a Lei da Penha, como toda lei, deveria ter um início e meio e fim.
04:19E a Lei da Penha só tem um início.
04:20O fim é que as leis penais protejam o depois, pra esse cara não voltar.
04:26Porque ela sabia que ele era agressivo, ela falou.
04:28Ô Carla, esse assunto está literalmente na boca do povo.
04:31Porque são casos recentes de feminicídio envolvendo policiais que acendem um alerta preocupante.
04:38Quem deveria proteger também pode ferir, também pode matar.
04:41A Jovem Pan foi às ruas.
04:43Pra ouvir a população, vamos ver e ouvir?
04:49Será que esses casos envolvendo policiais e agentes geram dúvida e medo na população?
04:56Viemos às ruas pra saber o que as pessoas pensam sobre isso.
05:05Eu acho que é uma preocupação geral pra toda a população, né?
05:09Quem deveria nos proteger, de repente, estão cometendo essas atrocidades.
05:14Eu acredito muito na corporação.
05:16E é o que eu disse, muitas profissões a gente encontra maus profissionais.
05:21E bons profissionais.
05:22E infelizmente, quando a gente encontra maus profissionais na polícia, existe um risco maior, né?
05:29Eu me sinto muito segura com a polícia.
05:31Obviamente, né?
05:31Tô aqui, todo dia eu ando com um taser, porque eu nunca sei o que vai acontecer.
05:35Inclusive, tá tendo muito casos de feminicídio, inclusive aqui na Paulista, né?
05:40Como a gente viu, tá tendo protesto.
05:42Mas as pessoas que deviam nos proteger, estão deixando a gente mais insegura.
05:46Então, tipo assim, comum, pra que a gente vai pedir ajuda, certo?
05:49Então, eu fico muito segura.
05:51Então, eu sempre procuro estar com alguma coisa, um spray de pimenta, alguma coisa, porque tá difícil.
05:56Já fui vítima também, já sofri bastante com o meu ex também, que é o pai do meu filho,
06:03que também foi o meu primeiro e último namorado.
06:05A delegacia que eu fui, bem dizer, eu tô falando sério, bem dizer, riram da minha cara.
06:12Como se me julgaram, como se dissesse assim, tá com ele, tá com ele, porque é que isso, entendeu?
06:16Nunca foi muito bem firmada.
06:19Então, os casos acontecendo, aumenta mais ainda a desconfiança com essa entidade.
06:25É um problema na sociedade mesmo.
06:27Os policiais não estão imunes a esse problema.
06:29E você, se sentiria segura em pedir ajuda?
06:33Fernando, e como está esse debate aí no estúdio?
06:36É com vocês.
06:38Jéssica Nunes, das ruas pro mundo.
06:41Valeu, Jéssica. Valeu. Obrigado pela reportagem.
06:44Então, gente, estamos vendo aí que existe mesmo essa insegurança, né?
06:49É, mas não dá pra generalizar, né?
06:51Não é porque uma parte que representa toda uma corporação.
06:54A gente tem que ter esse ponto de vista.
06:57Não é todo policial.
06:58Um profissional também, um profissional também que faz atrocidades, não representa toda uma categoria.
07:03Mas é pra se pensar em como isso pode ser revertido, porque eles têm que dar o exemplo.
07:07E como eu sempre falo, principalmente quando eu venho aqui, todo mundo tem que fazer terapia.
07:11Eles têm que ser preparados emocionamente.
07:12Como é que você acha? Como é que você acha que vai ser nossa enquete, Esther?
07:15Olha, eu, sinceramente, eu tenho uma opinião polêmica, né?
07:19Eu sou favorável ao porte de arma pra qualquer cidadão que reúna as capacidades psicológicas para tanto.
07:27E eu sou favorável a esse projeto, porque eu vou te falar, a única coisa que vai equiparar a força
07:31de uma mulher a um homem,
07:32ela é efetivamente estar armada.
07:34Então, eu sou, acho que eu sou a única aqui da bancada que é favorável ao projeto.
07:37Às vezes, uma arma pode piorar a situação.
07:40Foi o que aconteceu.
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