00:00É lá que tem todo esse começo de caminhada, quando a gente fala de preços disparando e também de ameaça,
00:08uma ameaça até mesmo à paz em outros países.
00:12Eu quero falar sobre isso porque o Conselho de Defesa do Irã afirmou que vai minar todo o Golfo Pérsico,
00:19caso os Estados Unidos e Israel ataquem a sua costa ou ilhas iranianas que servem de posicionamento estratégico também.
00:26Quem sabe sobre tudo isso, está atento a toda essa situação, é Luca Bassani, que está conosco diretamente da Europa
00:32e traz todos os detalhes.
00:34Meu amigo Luca Bassani, bem-vindo ao Morning Show. Conte tudo pra gente. Que ameaça é essa do Irã, hein?
00:41Boa manhã você também, Fernando. A todos que nos acompanham aqui mais uma semana no Morning Show.
00:46De fato, uma ameaça iraniana que pode, mais uma vez, trazer grandes transtornos para a navegação na região do Estreito
00:54de Hormuz
00:54de todo o Golfo Pérsico, algo que já está severamente comprometido durante esses quase 23 dias de guerra.
01:02O Irã, então, agora ameaça minar o Golfo Pérsico com essas várias minas navais, minas marítimas,
01:10que vão tornar, caso sejam de fato realizadas, a navegação ainda mais perigosa, ainda mais arriscada
01:17nessa região que já não tem um trânsito normal de embarcações desde o início do conflito.
01:22De acordo com alguns analistas militares, o Irã teria uma capacidade de produzir e até mesmo colocar
01:29de 5 a 6 mil minas de diferentes impactos, o que tornaria a navegação extremamente perigosa
01:36e poderia elevar ainda mais o preço das commodities energéticas.
01:40Aqui na Europa, o preço do gás bateu recorde na semana passada, assim como o preço do barril
01:45do petróleo Brent já gravitando sempre na faixa dos 110, 115 dólares, algo que preocupa
01:52os economistas e os países mais dependentes do mercado do Oriente Médio, seja na Ásia,
01:58seja aqui na Europa também.
01:59Eles dizem, todavia, que vão realizar essas ameaças, concretizar as ameaças, melhor dizendo,
02:05caso os Estados Unidos optem por atingir a ilha de Kharg, a ilha de Kharg, chamada assim,
02:11em Persa, que é uma localidade extremamente estratégica, um pouco mais para dentro do
02:16Golfo Pérsico, mas por onde passam cerca de 80% do petróleo produzido no Irã antes
02:22de seguir o seu caminho para o restante do mundo.
02:24Uma localidade que está dentro dos alvos principais das operações israelenses e norte-americanas
02:30e que podem, de fato, pressionar o Irã, que por sua vez também tem armas para pressionar
02:35o restante do mundo.
02:37Aquilo que vemos, todavia, na manhã desta nova semana é que o presidente Donald Trump
02:42dá primeiros sinais, primeiras sinalizações que estaria disposto a negociar com os iranianos
02:48uma trégua parcial em detrimento da reabertura do Estreito de Hormuz, já que os preços altos
02:54dos combustíveis também têm afetado os Estados Unidos e colocado para baixo a sua popularidade
03:00em um ano tão fundamental como é o ano de 2026 com as eleições de meio de mandato.
03:05A gente vê que todo mundo está ligado nesta cadeia de produção global que depende do preço
03:12do petróleo estabilizado, algo que não temos no momento.
03:16Óbvio que ficaremos de olho mais uma semana em todo esse conflito para saber os impactos
03:20não só humanitários que uma guerra representa, mas os impactos econômicos sentidos em todo
03:26o mundo, inclusive aí no Brasil.
03:28É isso aí, Luca Bassano.
03:29A gente está percebendo isso aqui no nosso dia a dia.
03:32Estamos falando aqui já há algumas semanas.
03:34Estamos vendo como é que algo tão longe chega tão perto aqui de todos nós.
03:38Muito obrigado, Luca.
03:39Boa semana para você aí.
03:41Bom trabalho.
03:42Valeu.
03:43A gente segue falando sobre essa questão porque os impactos são diversos e isso amplia
03:49muito o nosso cuidado e também amplia também a capacidade de nos atingir de uma forma global.
03:56A gente conversa agora para entender mais ainda sobre tudo isso com Alexandre Ostroviec,
04:02que é especialista em política externa do Oriente Médio pela Universidade de Jerusalém.
04:07Está aqui conosco, Alexandre.
04:08Bom dia.
04:09Parece que temos aí uma situação muito arriscada.
04:15ameaçar Trump nunca foi um bom negócio.
04:18Deixá-lo irritado nunca é uma boa estratégia.
04:22Será que dessa vez vai funcionar ou a reação dele pode ser até desproporcional?
04:29Bom dia, Fernando.
04:31Bom dia a todos os ouvintes da Jovem Pan.
04:33Nesse caso, o Trump está encontrando adversários que tenham um nível parecido ou até maior
04:41de doideira.
04:43Por quê?
04:43O Trump, quando ele lida com países como a União Europeia, as tarifas, com China, etc.,
04:49você está falando de uma racionalidade econômica e política.
04:52E no Irã isso tem uma camada adicional que é a ideologia religiosa.
04:58É um regime fanático religioso que, em muitos aspectos, não tem medo da morte.
05:05Morte, para eles, é até um prêmio, se for pela Guerra Santa.
05:09Então, basicamente, o que a gente está vendo, a impressão que dá olhando de fora, analisando,
05:14é um jogo como se fosse aquele jogo todo mundo no carro, dirigindo um na direção do
05:19outro, para ver quem pisca primeiro, quem desvia o carro primeiro.
05:24Trump bombardeou as instalações nucleares, pontos de mísseis, alvos do regime iraniano,
05:31imaginando que o Irã iria, de certa forma, capitular ou ceder ou começar a negociar.
05:36E o Irã dobrou a aposta agora, dizendo basicamente o seguinte, olha, se você continuar essa guerra,
05:42eu vou colocar fogo no parquinho.
05:44Ou seja, eu vou começar a atirar em todo mundo, eu vou começar a destruir ativos econômicos,
05:48eu vou começar a cometer atos ilegais, como, por exemplo, o fechamento do Estreito de
05:53Hormuz, isso é proibido pelas convenções internacionais, proibido pelas regras da ONU.
05:58O uso de armas de fragmentação, os cluster bombs contra Israel, isso é proibido também
06:03pela Convenção de Genebra.
06:05Vamos bombardear, diz o Irã, alvos econômicos de toda a região, usinas de dessalinização,
06:11para não ter mais água potável, vamos bombardear a produção de petróleo.
06:16Então, o Irã, ele tem muito pouco poder de atacar diretamente os Estados Unidos,
06:21mas ele pode atacar a infraestrutura econômica da qual depende a economia global.
06:28Alexandre, meu querido, tudo bem?
06:29Bom dia.
06:31Você falou bastante sobre a estrutura global, né?
06:33Nós sabemos que o Qatar, ele é um país muito importante para essa questão energética,
06:37e também dentro da cadeia, o hélio, o Qatar, ele é responsável por cerca de um terço
06:44dessa produção e dessa disponibilidade do hélio, que é fundamental para várias produções,
06:48como chips, questões eletrônicas e tantas outras situações.
06:52O Irã tem ameaçado esses países, tem bombardeado esses países.
06:57Como que você vê esse agravamento dessa situação em relação a esses países próximos,
07:03como Qatar, Arábia Saudita, Emirados?
07:07Qual que é a lógica que você vê, até mesmo de entrada deles, possivelmente,
07:11um conflito direto com o Irã por conta disso?
07:14Você acredita que isso vai acontecer nesse momento?
07:18Na minha opinião, o regime do Irã tem um objetivo apenas, que é sobreviver.
07:24Eles precisam que essa guerra termine, eles precisam retomar o controle total do país
07:31sobre uma população que, de modo geral, é contrária ao regime.
07:35Antes da guerra, já se estimava que mais de 80% do povo iraniano não gosta do regime,
07:42quer derrubar o regime ditatorial deles.
07:45Então, quanto mais tempo demorar, mais bombardeio eles tomarem,
07:48mais postos da guarda revolucionária forem destruídos,
07:52maior a chance de uma grande revolta popular que vá derrubar o regime,
07:56acabar com os planos deles de guerra santa, prender, fuzilar, executar esses líderes religiosos aí
08:03que cometeram tantos crimes, tanto fora do Irã quanto dentro.
08:07Então, o racional deles agora me parece que não interessa mais a lei internacional,
08:11não interessa mais se a gente vai ficar bem ou mal, se o vizinho é amigo ou é inimigo nosso.
08:17A Arábia Saudita, por exemplo, é historicamente um rival iraniano na região,
08:22mas o Qatar tem uma proximidade ideológica muito grande.
08:25Tanto o Qatar quanto o Irã patrocina os terroristas do Hamas.
08:30Então, eles estão amigos nessa situação.
08:32O Qatar patrocina ideologia religiosa fundamentalista nos países ocidentais,
08:38assim como o Irã.
08:39Mas nesse momento o Irã vai atirar em todo mundo no seguinte sentido,
08:44não tenho nada a perder, vocês que tratem de pressionar os americanos,
08:48vocês que tratem de interromper o suprimento do petróleo,
08:51para que o preço do petróleo suba, para que a economia global seja um caos,
08:55e aí todo mundo começa uma gritaria para o Trump parar a guerra.
08:58Ô Alexandre, então, a gritaria para o Trump parar a guerra pode ser também com alvos civis.
09:04Isso parte também, atinge também Israel.
09:07Porque nessa luta de ameaças, e disse-me-disse,
09:12o Irã já falou em ameaçar até o cidadão israelense, o cidadão americano,
09:19em alvos fora de Israel e Estados Unidos, em pontos turísticos, por exemplo,
09:24o terrorismo puro e simples, né?
09:27Que é uma ameaça tão baixa quanto várias atitudes de guerra que a gente vê.
09:32Então, por enquanto, o Irã não tem capacidade de atingir o território americano.
09:36Os mísseis deles chegam no máximo a 4 mil quilômetros,
09:39que é bastante, que chega em boa parte da Europa,
09:42mas eles não poderiam, por exemplo, bombardear Nova York ou Miami, etc.
09:46Israel, desde o dia 1, ficou claro que o Irã vai sempre mirar em alvos civis,
09:51que é um crime de guerra também,
09:53porque Israel e Estados Unidos estão mirando exclusivamente em alvos militares.
09:58Claro que guerra nunca é limpinha, toda guerra, sem exceção nenhuma,
10:02morre em civis também, mas é diferente você mirar num quartel
10:06e, eventualmente, um civil que está próximo,
10:08alguma coisa acontece com um efeito indesejado.
10:11Isso é uma coisa, é uma tragédia, mas é diferente de você mirar os seus mísseis
10:15nos centros populacionais para atirar realmente em escola, em hospital, de propósito,
10:21que é o que o Irã tem feito desde o começo.
10:23Agora a gente tem visto as cluster bombs,
10:25que são armas também proibidas pelo Tratado de Genebra,
10:28que a arma se explode no ar próximo do alvo
10:32e se transforma em centenas de pequenos estilhaços.
10:35É como se fosse uma granada gigante,
10:37que é um dano muito grande para civis,
10:40inclusive alguns não explodem, então fica como minas terrestres,
10:43e essa é a estratégia do Irã.
10:45Eu não acho que isso vá mudar a ideia em Israel, por exemplo,
10:48porque Israel, ao contrário dos demais países,
10:51se sente ameaçado existencialmente pelo Irã.
10:54Quando tem o Irã armando os terroristas que estão em volta de Israel,
10:58construindo bomba atômica, fazendo programas de mísseis,
11:01apontando para Israel e dizendo claramente, com todas as palavras,
11:05que o objetivo do Irã é o extermínio de Israel,
11:08os israelenses levam a sério,
11:09então eles estão bastante resolutos,
11:12que essa guerra tem que ser feita mesmo,
11:14que é pela vida deles, que é uma guerra defensiva,
11:16e eles vão até o fim.
11:17Agora, os países do Oriente Médio,
11:20os do Golfo Pérsico,
11:21que entendem que eles não têm nada a ver com a história,
11:24aí a dor é muito maior.
11:25Porque um Catar, por exemplo,
11:27o Emirado dos Árabes,
11:28fala, poxa, estou aqui produzindo meu petróleo,
11:30tocando minha vida,
11:31e agora, de repente, começou a cair níceo iraniano aqui.
11:33Não tem nada a ver com esse conflito.
11:35E aí a pressão sobre os Estados Unidos é maior.
11:38O Strowieck, muito obrigado pela sua participação.
11:42Você é sempre bem-vindo aqui.
11:44Uma ótima semana para você.
11:46Tudo de bom.
11:47Até a próxima. Valeu.
11:49Ótima semana.
11:50Sempre um prazer.
11:51Boa tarde.
11:51Bom dia.
11:52Alexandre Strowieck falando sobre essa situação do Golfo Pérsico.
11:56E aqui eu quero comentar com vocês,
11:58do meu sofá da discórdia democrática,
12:00porque entra em composição aí, na guerra,
12:03um elemento muito perigoso chamado medo.
12:05E o medo não tem pátria, não tem nacionalidade.
12:10O medo é mundial.
12:12Vira essa ameaça aí de retaliação sem medida e sem critério, né?
12:17Que me faz até lembrar,
12:18a gente comentou esses dias sobre o período da Guerra Fria,
12:21quando Cuba serviu como um posto de possíveis ataques
12:25para a União Soviética.
12:27E aí, conectando com esse avanço dos Estados Unidos sobre Cuba,
12:31também me faz pensar,
12:33será também que já não foi uma antecipação de um possível, né,
12:38uma possível parceria entre Israel e Cuba?
12:40Então, os Estados Unidos já foi ali,
12:42já meio que garantiu o território para evitar Israel,
12:45não, perdão, Irã,
12:46entre Cuba e Irã.
12:47Estados Unidos foi lá, já garantiu o território e falou,
12:49não, se o Irã quiser me atacar,
12:51porque o Alexandre bem adiantou,
12:52eles não têm um míssil de tão longo alcance.
12:55Mas se eles colocassem uma base,
12:56como a União Soviética também colocou em Cuba,
12:58será que o cenário não seria outro?
13:00Então, conectando os pontos, né, Fernando,
13:02acho que a retaliação é o sinônimo do medo.
13:04Medo, medo.
13:05Tem gente que tem medo de tudo.
13:07Tem gente que tem medo de segunda-feira, né?
13:09Chega uma segunda-feira e começa a falar assim,
13:12nossa senhora,
13:14a segunda-feira até dói, né?
13:16Não.
13:16Até dói.
13:18E uma segunda-feira já animada,
13:21com o preço de tudo subindo por causa da guerra.
13:23Então, tá valendo a pena ter medo na abertura dos negócios.
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