Pular para o playerIr para o conteúdo principal
A alta do petróleo, com o barril acima de US$ 100, tem pressionado a inflação e impactado diretamente o orçamento de consumidores e empresas. O aumento nos combustíveis encarece o transporte de cargas, refletindo no preço dos alimentos e de diversos produtos. Em entrevista à Jovem Pan, Thiago Valejo, gerente de Petróleo e Gás da Firjan, explicou que o cenário internacional e as tensões geopolíticas.

Assista ao Jornal Jovem Pan completo: https://youtube.com/live/s0os5QdGAdI

Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/

Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews

Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/

Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews

Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews

Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/

TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews

Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews

#JovemPan
#JornalJovemPan

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00tratando dessa questão, vamos entender melhor sobre o aumento do preço do barril do petróleo,
00:05como isso tem pressionado os países, as ações do governo federal para tentar mitigar, conter
00:11o aumento no preço dos combustíveis e além de outros produtos. Vamos conversar agora com o
00:17Tiago Varejo, ele é gerente de Petróleo e Gás da Federação das Indústrias do Estado do Rio de
00:22Janeiro, a Firjan, a quem agradeço demais pela participação. Tiago, seja muito bem-vindo aqui
00:27a programação da Jovem Pan, esse é um tema que vem ganhando muito destaque na imprensa,
00:33eu queria uma reflexão inicial a respeito, claro, da elevação no preço do barril do
00:38petróleo, como isso tem pressionado os mercados, mas a saída que foi adotada pelo governo federal,
00:43a retirada de alguns tributos, também aquela subvenção ao óleo diesel, com a possibilidade
00:49de uma greve dos caminhoneiros, isso depois foi colocado pelo menos em um primeiro momento
00:56dentro de uma gaveta por parte desses movimentos, porque o governo federal acabou atendendo parte
01:02das demandas, mas a gente vai falar sobre isso daqui a pouco, queria que você analisasse o cenário
01:06atual e essas medidas que foram tomadas pelo governo federal, seja bem-vindo.
01:12Boa noite, obrigado pelo convite, vamos começar do princípio do ano, a gente teve aí uma primeira
01:21intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, que já aumentou o preço do petróleo, mas para o final do mês de
01:28fevereiro, início desse mês, o conflito no Oriente Médio, o que escalou isso. Então, no acumulado, a gente tem
01:36uma alta de mais de 80% do preço do barril, que é referência internacional e que impacta tudo.
01:44Impacta não só o petróleo, a gente tem também ali na região escoamento de gás natural, liquefeito,
01:51a gente tem toda a parte de fertilizantes e, claro, os derivados combustíveis, que são a associação
01:59natural, vamos dizer assim, que as pessoas fazem. Bom, lembrar ali que o Estreito de Hormuz
02:05movimenta 20% desse petróleo do mundo. Ah, por que que não aumentou só 20%, né? A gente
02:14tem aí uma escalada com o tempo de prorrogação do conflito. A cada dia que passa, a gente tem
02:23menos barris de óleo disponíveis no mercado e se existem menos barris disponíveis no mercado,
02:31existe maior procura, né? Aumenta a demanda e você naturalmente sobe o preço. Bom, com isso a gente
02:41tem o reflexo imediato no valor também dos preços de combustíveis, né? Lembrando que a cotação dos
02:50combustíveis, né? Principalmente quando a gente fala do diesel, a gente tem aí uma taxa de importação
02:56de 30%, o Brasil não é alto o suficiente em diesel e, por isso, você tem essa escalada que acompanha
03:03o cenário de preços internacional e acompanha também a cotação do dólar, né? E o dólar vem subindo nos
03:10últimos dias. Então, a gente tem todo esse cenário, que é um cenário atípico, mas é um cenário
03:16importante para que o governo e para que as empresas se preparem, porque ele vai perdurar aí até que o
03:24conflito se resolva, as produções, né? As infraestruturas afetadas na região sejam
03:31reestabelecidas e toda a logística possa voltar a acontecer como era antes ou próximo do que era antes.
03:40Antes de passar, inclusive, para o nosso comentarista, queria tratar de uma outra questão.
03:44Você bem mencionou o aspecto que envolve os fertilizantes. Especialistas no tema dizem que
03:52essa sim é uma questão muito sensível, porque enquanto o represamento da distribuição do petróleo
04:00acontece por conta do bloqueio do Estreito de Hormuz, uma vez que o conflito pare, ou pelo menos
04:08haja um cessar-fogo ou libere um Estreito de Hormuz, a logística permitiria a distribuição desse
04:14petróleo que continua sendo produzido. Já na questão que envolve os fertilizantes, tem data para chegar
04:20por conta das safras, entendeu? Então haveria um impacto fora do comum na produção de alimentos.
04:25Isso poderia, inclusive, desencadear um processo de alta no preço dos alimentos em todo o mundo.
04:32O que é preciso considerar em relação à dificuldade de distribuição dos insumos para a produção
04:38dos fertilizantes ou dos fertilizantes já prontos que abasteceriam os principais mercados
04:43produtores de alimentos?
04:46Bom, quando a gente fala de fertilizantes, a primeira associação que a gente faz são os
04:52fertilizantes nitrogenados, que são aqueles que são produzidos a partir do gás natural,
04:57como insumo estratégico. E aí a gente tem um cenário de lá para cá e daqui para lá.
05:05São as nossas exportações de outros alimentos e a nossa necessidade aqui de nutrir a nossa
05:11terra do bar, corretamente a nossa terra, para a maior produtividade da nossa agricultura,
05:19que é um setor tão importante na economia do país. Para além disso, os fertilizantes também
05:27tem essa questão logística. Então, aqui a gente vai ter um limite de estoque das nossas safras,
05:38dos grãos e lá também vai ter um limite de estoque desses fertilizantes até que vai ser necessário
05:46parar a produção. Então, a gente tem esse cenário que não é muito favorável no momento,
05:54porque o fertilizante vai acabar, né? A falta dele impactando a agricultura, impacta o preço
06:02de alimento e com isso você pressiona a alimentação como um todo, né? A inflação como um todo,
06:08perdão.
06:09Tiago Valejo, gerente de petróleo e gás da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro,
06:14a Firjan, conversando ao vivo aqui com a gente. Tiago, eu peço licença, o Diego Tavares é o
06:19comentarista da noite, fará a próxima pergunta. Com você, Diego.
06:24Muito boa noite, Tiago. Um prazer conversar com você aqui no Jornal Jovem Pan. Tiago,
06:28explica para a nossa audiência por que o Brasil é um país tão impactado com essa alta mundial do
06:33petróleo, sendo que há muito tempo se diz que o Brasil é alto o suficiente na produção de seus
06:38combustíveis. Mesmo assim, tivemos um impacto aqui maior do que o da Rússia, por exemplo, que é um país
06:42que se encontra imerso em uma guerra e também não tem uma produção tão grande quanto a nossa.
06:47Por que o Brasil seguiu tão impactado com essa alta?
06:52Bom, obrigado pela pergunta, Diego. O Brasil não é alto o suficiente em combustíveis, apesar de ser
07:00alto o suficiente na produção de petróleo e exportador líquido de petróleo bruto, que é aquele
07:07petróleo ainda não processado, ainda não refinado. Nós não temos, como país, infraestrutura suficiente,
07:14refinarias suficientes para destinar ou para transformar esse petróleo bruto em combustíveis
07:23e outros derivados, agregando valor aí à molécula do óleo. Bom, com isso, né, isso se deu ao longo
07:32da história, a gente falta investimento no refino. Hoje existe um movimento de retomada desse ambiente
07:41de investimentos para o refino, mas ainda assim existe um prazo para a construção de novas refinarias
07:47e também da qualidade desse óleo que é refinado. Existe aí uma necessidade de misturar diferentes
07:57correntes de petróleo para se chegar ao combustível que a gente consome no posto. São algumas etapas
08:05ao longo dessa cadeia de valor. Bom, com isso, a gente não tem capacidade hoje para atender toda a nossa
08:13demanda interna. Lembrando que o nosso país tem um modal de escoamento rodoviário muito dependente
08:21desse combustível diesel.
08:24Agora, só para fechar, queria questionar o Tiago em relação ao tema da reportagem que nós exibimos
08:31há pouco, esse monitoramento dos preços. A gente observa que, mesmo com os estoques tendo sido
08:39adquiridos antes, muitos donos de postos de combustíveis já aplicaram reajustes ao preço
08:46de todos os combustíveis, inclusive do etanol, óleo diesel e gasolina. E haverá aí uma força-tarefa
08:53das autoridades para monitorarem os preços, para identificar se há abuso ou não. O que é preciso
08:59considerar em relação ao momento de crise ou pré-crise, ou problemas de distribuição de combustíveis
09:05e essa elevação de preços? O que é possível fazer em um momento como esse e o que compete ao
09:12governo
09:12federal e também às autoridades estaduais?
09:18Bom, as medidas precisam ser coordenadas. Não adianta só uma instância do poder público tomar ações.
09:28Existe aí esse movimento de adiamento da decisão com relação à incidência do ICMS, salvo engano,
09:37para a próxima sexta-feira. Então, isso é uma medida importante, mas ela, assim como a desoneração do PIS-COFINS,
09:45ela não pode ser a única. Esse aumento da fiscalização também é importante, mas talvez não seja suficiente.
09:53O país tem uma vasta área territorial e hoje a gente precisa entender onde é crítico esse abastecimento de combustível.
10:10O Brasil também não tem estoque, não tem reserva, na verdade, estoque tem, mas não tem reserva estratégica
10:19de combustível. Isso poderia ser avaliado até para uma próxima, perdão, uma próxima crise, a gente
10:29constituir essa reserva. Então, hoje, diante desse conflito, o país precisa de medidas estruturantes
10:37e coordenadas para lidar com os impactos. E esses impactos vão chegar a toda a população.
10:47Lembrando que não vivemos sem petróleo, não vivemos sem energia, precisamos dos derivados,
10:54tanto de combustíveis quanto de petroquímica e fertilizante. E a gente tem aí esse cenário,
11:02que é um cenário que a gente espera que esse conflito se resolva logo. É com isso, com essa expectativa
11:10que o preço do barril e os preços dos combustíveis no mercado internacional ainda não aumentaram mais
11:18do que já estão altos. Então, a gente tem esse cenário e vamos acompanhando os impactos no dia a dia
11:28para também a indústria. Isso, a indústria também depende do escoamento da sua produção, depende da energia
11:39do petróleo, depende de tudo isso. E a gente não pode, em momento algum, como foi colocado, onerar a iniciativa
11:48privada, né? Esse imposto sobre a taxa de exportação, a gente entende que é uma medida que tem uma preocupação
11:58associada a ela, tá?
12:01É isso. Bem, os impactos do conflito no Oriente Médio para a economia do Brasil e no mundo, especialmente
12:08para o segmento de petróleo e gás, falamos de perspectivas e também as alternativas para as autoridades,
12:15para o governo federal, em lidar com essa alta de preços. Quero agradecer muito a participação do
12:21Tiago Valejo. Ele é gerente de petróleo e gás da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro,
12:27a Firjan. Tiago, muito obrigado mais uma vez, viu? Seja sempre bem-vindo à Jovem Pan. Um abraço,
12:32bom fim de semana e até a próxima.
12:35Obrigado, Daniel. Obrigado, Diego. Até a próxima.
Comentários

Recomendado