00:00O governo federal rejeitou a proposta de Donald Trump de receber estrangeiros capturados nos Estados Unidos.
00:06A ideia do republicano respondia ao plano brasileiro de combate ao crime organizado.
00:11De acordo com o governo, a contraproposta norte-americana não menciona classificar facções brasileiras como terroristas.
00:19E sobre este assunto, a gente conversa agora com o professor Henrique Silar, que chega conosco.
00:26Ele, que é advogado especialista em Direito Internacional, agora quando são meio-dia e 35.
00:31Professor, bem-vindo. Muito prazer te receber aqui na nossa primeira edição do Fast News na Jovem Pan.
00:37Boa tarde, Nelson. Prazer em tudo. Obrigado pelo convite.
00:40Professor, dá um panorama geral a respeito do grande debate que está se firmando em relação a essa classificação das
00:48facções brasileiras, principalmente PCC e Comando Vermelho, como facções terroristas.
00:53Qual é o primeiro efeito que isso gera, principalmente nas relações internacionais entre Brasil e Estados Unidos?
01:02Claro. Esse desencontro dessa classificação, o Brasil tem um entendimento sobre o que seria uma atividade terrorista, uma organização terrorista,
01:10e os Estados Unidos têm um outro entendimento.
01:12Isso acontece porque o legislador brasileiro, a preocupação dele é na finalidade daquele grupo.
01:17Ou seja, a pergunta que o operador do direito no Brasil faz é qual o objetivo daquela organização.
01:23Ela é simplesmente obter lucros através de atividades ilícitas ou existe uma motivação ideológica, política e religiosa?
01:31Nos Estados Unidos, a visão é um pouco mais ampla.
01:33A preocupação aqui nos Estados Unidos é, além da atividade ilícita, se aquela organização gera um impacto,
01:39ou tem potencial para gerar um impacto na segurança nacional e na estabilidade regional.
01:44Quando a gente analisa PCC e Comando Vermelho, me parece que a definição norte-americana é mais adequada e mais
01:50moderna.
01:51E por que o Estado Unidos chegou nessa classificação e tem o interesse de colocar ali um carimbo de terrorismo
01:58nessas organizações?
01:59Porque, através de uma investigação que aconteceu aqui nos Estados Unidos,
02:02foi detectado que esses grupos já possuem ramificações em território norte-americano.
02:07Então, essa preocupação americana aconteceu com outros países também, países da América Central, aconteceu com a Venezuela.
02:14Em relação a esses países, isso aconteceu por conta da proximidade geográfica.
02:18No Brasil, a preocupação talvez seja até um pouco mais profunda, porque, sim, esses grupos já possuem ramificações em território
02:26norte-americano
02:26e o que os Estados Unidos estão buscando é uma cooperação que existe, sempre existiu cooperação entre Brasil e Estados
02:32Unidos.
02:33Sempre foram dois países que conversaram em diversas situações na história.
02:38A grande diferença entre organização criminosa e organização terrorista é que essa etiqueta de organização terrorista
02:47ajuda aqui nos Estados Unidos para que as autoridades policiais consigam mais agilidade, maiores recursos,
02:56tendo o poder executivo como grande aliado e, claro, é uma forma de conseguir ajuda de outros países
03:02para fazer uma cooperação em conjunto e obter uma investigação muito mais eficiente.
03:08Professor, eu vou chamar para a nossa conversa o Rodolfo Maris e ele vai te fazer a próxima pergunta.
03:13Professor, boa tarde. Obrigado por participar conosco aqui do Fast News.
03:17Olha só, nas questões que foram colocadas aqui, ficou muito difusa algumas informações,
03:22principalmente dessas do Brasil receber aqui presos estrangeiros.
03:27Como é que funcionaria isso? Já foi vetado pelo nosso governo aqui no Brasil,
03:31mas, de fato, qual era a intenção desse texto?
03:35Perfeito. Boa tarde, Rodolfo. Obrigado pela pergunta.
03:39Esse texto está dentro de um pacote de negociações entre os países.
03:43Então, dentro dessa diplomacia, os Estados Unidos vêm buscando, através de outros países da América Central,
03:49países da América Sul também, lugares para que esses presos aqui nos Estados Unidos pudessem ser transferidos.
03:59Por trás dessa negociação, existe o aspecto de que, sim,
04:04o agente do PCC e do Comando Vermelho, hoje já estão, já tem conexões em presídios norte-americanos.
04:11Se essa cooperação existir, o Estados Unidos vai conseguir, de uma maneira muito mais rápida,
04:16muito mais eficiente, transferir esse preso.
04:19Talvez possa ser brasileiro ou não, pode ser americano,
04:22mas conexão pode ser de uma outra nacionalidade,
04:25mas com laços, com conexões com a organização criminosa brasileira.
04:29Então, a busca é por mais eficiência no combate ao crime organizado e às organizações terroristas.
04:37Professor, a gente viu algumas semanas, meses atrás,
04:41a iniciativa, inclusive do Brasil, de se colocar à disposição dos Estados Unidos
04:45em uma espécie de acordo de cooperação internacional para combater o crime organizado.
04:51E nessa esteira apareceu toda essa polêmica que a gente está discutindo aqui agora.
04:56Como seria um bom acordo de cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos,
05:01principalmente em relação a um método que tem sido utilizado por alguns criminosos
05:07de lavagem de dinheiro no território americano?
05:10Como poderia o Brasil e os Estados Unidos sentarem à mesa para uma boa negociação em relação a isso?
05:18O interessante desse assunto, desse tópico,
05:21que a cooperação entre os países já existiu, já tiveram situações criminosas,
05:28organizações criminosas que houve conversa entre a Polícia Federal norte-americana,
05:31a Polícia Federal brasileira,
05:32troca de informações entre a Receita Federal americana e a Receita Federal brasileira.
05:37Isso tudo já aconteceu em outros momentos da história.
05:39O problema é que quando a gente coloca ali questões políticas,
05:43de ideologias por trás de uma conversa que deveria ser técnica e pragmática,
05:48é muito importante, é fundamental a conversa entre os países.
05:53São crimes supranacionais.
05:55Já foi detectado que essas organizações possuem braços e utilizam empresas americanas
06:01como para a lavagem de dinheiro, por exemplo.
06:04Se as autoridades americanas conseguirem conversar de uma maneira muito mais ágil
06:10com as autoridades brasileiras, a resposta vai ser mais eficiente.
06:15Por exemplo, o Banco Central conseguir detectar uma movimentação financeira,
06:20a Polícia Federal conseguir conversar com a Polícia Federal norte-americana
06:23e realizar uma prisão de uma maneira muito mais eficiente.
06:26O objetivo é esse.
06:27O objetivo por trás dessa conversa é a eficiência,
06:30porque está entre nós.
06:32Nós não podemos dizer que o Brasil conseguiu combater essas organizações
06:36nas últimas décadas.
06:38Não, a resposta é negativa.
06:40Nós brasileiros sabemos disso e precisamos fazer um algo a mais.
06:44Talvez seja uma excelente oportunidade de aproveitar a inteligência
06:47e os recursos financeiros dos Estados Unidos
06:50e colocar as autoridades para conversarem.
06:53Eu acho que a conversa, a diplomacia, pode ser benéfica
06:56para o combate ao crime organizado nesse ponto específico.
06:59Professor, mais uma pergunta do Rodolfo Maris.
07:03Professor, escutando aqui o senhor discorrendo sobre esse caso
07:07de uma maneira tão simples, o que de fato não é tão simples assim, né?
07:11Sobretudo para as pessoas que tentam entender a geopolítica.
07:14E a gente vê um cenário onde os Estados Unidos
07:17têm de fato olhado para o Brasil em todas as questões,
07:21não só as questões mercantis, as questões financeiras,
07:24mas também agora a questão da segurança pública do nosso país.
07:28O que de fato os Estados Unidos esperam em resposta do nosso governo?
07:33Lógico, na opinião do senhor.
07:35Claro, claro. Obrigado, Rodolfo.
07:36A gente tenta aqui conversar com o público no Brasil,
07:40com o telespectador, tentando simplificar um assunto
07:42que realmente é extremamente complexo.
07:43Nós poderíamos passar horas aqui debatendo.
07:46Existem várias correntes, vários entendimentos.
07:48A gente tenta passar um pouco a nossa visão daqui dos Estados Unidos.
07:52O que eu vejo em relação a essa situação e essa comunicação com o Brasil e os Estados Unidos,
08:00o Brasil é um parceiro econômico muito importante para os Estados Unidos.
08:04Sempre foi.
08:04Eu estou aqui conversando com vocês da Flórida.
08:07A Flórida é um estado que existe em diversas empresas brasileiras com grandes atuações.
08:13O Brasil tem uma importância muito grande no PIB da Flórida,
08:16tem uma importância muito grande em relação ao turismo e vários outros meios da sociedade.
08:23Então, essa conversa é uma conversa de cooperação.
08:27Quando a gente fala do crime organizado, é mais profundo, obviamente,
08:31mas o grande asterisco que chama atenção quando você, do ponto de vista americano,
08:35olha para uma organização criminosa e vê que ela tem ramificações em território americano.
08:41Os Estados Unidos falaram, não, bom, independente de ser Brasil ou qualquer outro país,
08:44vamos conversar, vamos tentar resolver esse problema em conjunto.
08:47Mas como você tocou no ponto, além dessa organização criminosa,
08:51eu vejo o Brasil como um parceiro comercial histórico dos Estados Unidos
08:56e os Estados Unidos, através da administração atual,
08:59tem tido uma postura proativa de negociações com os mais variados países ao redor do mundo
09:05e o Brasil, sim, tem importância nesse cenário mundial.
09:08Muito bem, quero agradecer demais aqui a participação conosco do professor Henrique Silar,
09:13que é advogado especialista em Direito Internacional.
09:15Professor, sempre um prazer te receber aqui na Jovem Pan.
09:19Muito obrigado.
09:20Até a próxima.
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