00:00Sem oficialização, a equipe de Fernando Haddad já busca um vice para a chapa que disputará o governo de São
00:06Paulo.
00:07A apuração é de Matheus Aleoni e Beatriz Manfredini.
00:10O Partido dos Trabalhadores busca um nome para a vaga de vice de Fernando Haddad na disputa ao Palácio dos
00:16Bandeirantes,
00:16que dialogue com setores mais distantes à sigla.
00:20Em conversa com a coluna, o deputado Kiko Seleguin, que é o presidente estadual do partido em São Paulo
00:26e favorito para coordenar a campanha do ministro, disse que um nome de centro seria muito bem-vindo para compor
00:32a chapa.
00:33O tema tem ganhado espaço desde que o ministro da Fazenda anunciou que deixará o governo na semana que vem.
00:39Segundo fontes do PT, ouvidas pela reportagem, o escolhido ou a escolhida não precisam necessariamente serem vistos como totalmente de
00:47centro,
00:48mas sim serem pessoas com amplo diálogo com setores produtivos e de mercado.
00:53Um interlocutor resumiu que é necessário ter diálogo com segmentos mais refratários ao PT.
00:59Os ministros de Lula seguem como cotados.
01:02Nomes como Marina Silva e Márcio França, por exemplo, não são descartados.
01:06Mesmo tendo ligação direta com o partido, são vistos como figuras com maior capacidade de transitar entre o eleitorado mais
01:13resistente.
01:14Os articuladores destacam, no entanto, que Márcio França precisaria aceitar uma espécie de rebaixamento nesse cenário,
01:21já que até o momento foi colocado como pré-candidato cabeça de chapa.
01:25Como antecipou a reportagem, a legenda espera que Haddad desembarque em São Paulo em abril, após alguns dias de descanso.
01:32O ministro ainda não admite publicamente que concorrerá ao governo do Estado, mas internamente a questão já é dada como
01:38certa.
01:39Além de Seleguim, o PT já definiu outros nomes para a campanha.
01:43O publicitário Otávio Antunes será o marqueteiro e atuará junto com o deputado Gilmar Tato, que vai ficar com a
01:49coordenação de comunicação.
01:52Assunto para os nossos comentaristas que estão com a gente hoje nessa edição do Jornal da Manhã.
01:57Vou começar com a Ana Beatriz Hirsch.
01:59Ana, Fernando Haddad quer realmente ir para o governo de São Paulo?
02:03Ou isso é uma estratégia, ou ele age assim, de forma como uma aliança eterna ao presidente Lula?
02:11Paula, tudo o que a gente ouviu dizer nos últimos meses era que Fernando Haddad queria sossego.
02:17Que ele não gostaria de se candidatar, muito menos a um cargo no executivo, porque dá uma exposição ainda maior
02:25durante a campanha.
02:26O que a gente vê, se isso vier mesmo a se confirmar, é que Fernando Haddad vai fazer exatamente aquilo
02:33que o presidente Lula pede para ele fazer.
02:35É uma dívida de gratidão, não dá para entender exatamente, porque por tudo que ele falou nos últimos meses, ele
02:44estaria esgotado neste momento e não gostaria de concorrer a um cargo nestas eleições.
02:51Isso chama atenção também para a gente ver como a esquerda não tem novos nomes.
02:59Como sempre a esquerda brasileira volta para essas mesmas pessoas, seja o próprio presidente Lula, na campanha presidencial, como o
03:10ministro Fernando Haddad, que acaba sendo colocado como esse número dois do PT, mesmo contra a sua vontade.
03:16A gente vê que falta uma inovação nos candidatos e aí colocar nomes que não são diretamente ligados ao PT
03:25é algo que a gente vê, e isso se repete nessas eleições, se a candidatura de Fernando Haddad vier a
03:31se confirmar, que eles não aceitam muito bem qualquer tipo de coligação que não tenha o PT como cabeça de
03:37chapa.
03:37O PT quer esse protagonismo para si no espectro ideológico da esquerda, mas ele acaba não tendo novos nomes a
03:44apresentar à sociedade, o que no fim das contas faz com que os candidatos existentes fiquem muito esgotados perante a
03:53opinião pública e acabem não se elegendo, o que a gente viu acontecer também nas últimas eleições, em que o
03:59PT perdeu muitos cargos que tinha até então.
04:03Gesualdo Almeida, eu queria te ouvir também nessa questão, à medida em que, como a Ana chama a atenção, a
04:11impressão que dá é que faltam muitos nomes mesmo para a esquerda, se você olhar para o espectro mais à
04:16direita da nossa política, você tem talvez uma pluralidade de nomes maior, ainda que muita gente peça a benção do
04:25Bolsonaro ou a benção do Lula no outro extremo.
04:29Então, essa falta de novas lideranças me parece algo muito palpável.
04:33E aqui em São Paulo, o Tarcísio, pelas pesquisas, tem boas chances de ser reeleito.
04:40Ou seja, o Fernando Haddad vai entrar numa disputa muito difícil de inverter o atual cenário apresentado pelas pesquisas, não?
04:49Nonato, você tem tanta razão que, quando a gente olha para o PSD, são três potenciais candidatos a presidente da
04:55República no mesmo partido, que é um partido de centro-direita, se não um partido de direita, o que mostra
05:00que a direita vem se renovando com outros nomes, como inclusive Nicolas Ferreira, como o próprio Cleitinho em Minas Gerais,
05:06e a esquerda não.
05:07A esquerda parou no tempo. E o Fernando Haddad, embora ele não quisesse, ele está indo para o sacrifício.
05:13O Lula precisa, aqui em São Paulo, o maior número de eleitores que existem em um estado, de um palanque.
05:19E o Haddad sabe que a eleição dele é praticamente improvável.
05:23Segundo as pesquisas hoje, claro, pesquisas são sempre prematuras, sempre superficiais.
05:28A gente costuma dizer que pesquisa mostra o bonito, mas esconde o óbvio, como um biquíni, mostra o bonito, mas
05:34esconde o óbvio.
05:35De qualquer forma, o Tarcísio performa com 45% em algumas pesquisas e o Haddad com 31%.
05:42Mas o Haddad também sabe que indo para o sacrifício, e caso o Lula venha a vencer a eleição para
05:47presidente, os benefícios lhes serão estendidos.
05:51Algum ministério lhe aguarda, alguma contraprestação ele terá.
05:55Então não é assim um sacrifício todo para colocar fim a uma carreira eleitoral.
05:59Pelo contrário, quer seja o Lula o vencedor, quer seja o Flávio Bolsonaro o vencedor, o fato é que 2030
06:07está logo ali.
06:08E em 2030 outros nomes surgirão, sem o espectro político e sem a batuta do Lula, que já terá quase
06:1485 anos, terá saído da vida eleitoral, e também de Jair Bolsonaro.
06:18Eu acho que a grande preocupação desses novos nomes, ou potenciais novos nomes, é marcar um território agora em 2026,
06:26para se tornarem competitivos de fato em 2030.
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