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Os Estados Unidos enfrentam uma pressão inédita sobre suas reservas militares após o consumo acelerado de munições no confronto com o Irã. De acordo com análises, a velocidade com que armamentos e projéteis têm sido utilizados superou a capacidade da indústria de defesa de repor os estoques, levando ao gasto do equivalente a anos de produção em menos de duas semanas. Alan Ghani analisou.

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Transcrição
00:00E em menos de duas semanas de guerra, os Estados Unidos já teriam consumido anos de estoques de munições consideradas
00:06críticas contra o Irã.
00:08Vamos lá, Langane.
00:10Pois é, nova reportagem do Financial Times.
00:13O Financial Times deu este alerta baseado em documentos oficiais.
00:18E agora que se passaram praticamente 15 dias de guerra, há uma preocupação na redução de estoques.
00:26E muita gente acredita assim, ah, pelo fato dos Estados Unidos serem a nação mais poderosa do mundo, do ponto
00:33de vista militar e econômico, eles têm lá estoques infinitos.
00:36Não é assim, produzir um armamento é algo bastante complexo.
00:39E a produção industrial dos Estados Unidos, Evandro, ela diminuiu muito ao longo do tempo.
00:45Tanto é que o próprio Trump fala isso, né, dessa perda de capacidade industrial.
00:50Então, veja, só pra você ter uma ideia, hoje a Rússia, aí são dados, produz 3 mil mísseis por ano.
00:593 mil mísseis por ano, a Rússia.
01:01Os Estados Unidos produzem metade, 1.500 mísseis por ano.
01:07Se a gente for para mísseis de longo alcance, a tal do Tomahawk, lá que os Estados Unidos utilizam, eles
01:12produzem mais ou menos 100 por ano.
01:15O equivalente da Rússia, né, que não é exatamente o Tomahawk, é o KH-101, se eu não me engano,
01:21eles produzem 1.300 por ano.
01:25Ou seja, é 13 vezes mais a produção dos Estados Unidos, né.
01:30Então, é claro que há também essa dificuldade por conta dos Estados Unidos, né, justamente de, se essa guerra se
01:39prolongar, ele não consegue, por muito tempo, continuar com os ataques aéreos.
01:44Mais um agravante aí, mais uma dor de cabeça para o Tomahawk.
01:47Quer dizer, né, Langani, não é que os Estados Unidos não tenham condições.
01:50A questão toda também envolve a logística pra você enviar esses armamentos e etc. pra aquela região.
01:57Então, além de uma, digamos, de um estoque que é gasto de maneira intensa por conta de um período muito
02:04curto, de ataques também que são intensos,
02:07você tem também o desafio de encaminhar parte desses armamentos para as equipes que estão atuando naquela região, né.
02:14Então, e olha só, Evandro, diminuiu o estoque, o que você precisa fazer?
02:19Você precisa produzir.
02:20Só que produzir um míssil não é um troço simples.
02:23Produzir um míssil de longo alcance, você não faz da noite pro dia.
02:26Ver, produzir um programa de televisão já não é uma coisa simples.
02:29Imagina produzir um míssil, né, não é algo que você faz da noite pro dia e você precisa mobilizar ali
02:36mão de obra e tal.
02:38Tanto é que o próprio Trump, de maneira correta, ele diz o seguinte, os Estados Unidos perderam muito essa capacidade
02:44industrial, né, de produção industrial.
02:47Então, hoje, por exemplo, a Rússia e a China conseguem ter uma produção militar maior do que a do próprio
02:54Estados Unidos.
02:55Eles têm condições, evidentemente, de conseguir repor esses míssil.
02:58Claro que eles têm, só que é algo que demora um certo tempo.
03:03É diferente, por exemplo, do que aconteceu na Segunda Guerra Mundial, quando o país inteiro se mobilizou pra uma economia
03:09de guerra.
03:10Mas aí você pegou toda a mão de obra do país, todas as indústrias do país e canalizou pra produzir
03:15armamento.
03:16Evidentemente que essa situação hoje, ela não se sustenta, né.
03:21Você vai pegar lá toda a indústria agora de inteligência artificial, tudo não.
03:24Agora o foco é só na produção de armamentos para o Irã?
03:28Não faz sentido.
03:29Valeu, Gani.
03:30Até.
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