00:00Mas só, Piperno, quero te perguntar, porque é um assunto extremamente delicado, o presidente Lula, claro, conversou com seus outros
00:06pares,
00:07que, querendo ou não, quando se fala de narcotráfico, é impossível não citar a Colômbia e o México nessa discussão.
00:13Donald Trump deixou esses países de lado, mas é claro que o presidente Lula tem no horizonte o encontro com
00:19Donald Trump.
00:20Aí sim, será um assunto extremamente sensível e o presidente Lula precisa estar muito bem, podemos dizer assim, armado de
00:26informações,
00:27armado de argumentos para que o próprio Estados Unidos não classifique ou equipare as organizações criminosas a terroristas.
00:34São muitas as camadas dessa história e a gente não pode perder de vista que nós estamos diante de um
00:41momento de intervencionismo explícito.
00:44Não há nenhum tipo de disfarce em relação a isso, né?
00:50Essa estratégia está absolutamente descortinada.
00:53Enfim, o chefão do mundo aponta, olha, você faz isso ou o seu país vai ter que acertar as contas
00:59comigo.
01:00Tem sido assim.
01:01Então, veja, aí tem agora esse discurso do que seria um grupo terrorista.
01:07Muito bem.
01:08Então, México, Colômbia e Brasil, obviamente, são três países importantes.
01:13Três das quatro maiores economias da América Latina, três das quatro nações mais populosas da América Latina.
01:21A quarta seria exatamente a Argentina.
01:24Portanto, trata-se da maior parte da América Latina.
01:28E são países que se alinham a um outro lado.
01:36Não estão sob o guarda-chuva ideológico do presidente dos Estados Unidos.
01:41Muito bem. Quando você fala em grupos terroristas, ou melhor, quando você fala desses grupos criminosos, dessas organizações criminosas,
01:50só para não ir muito longe, como é que vai se excluir, por exemplo, o Equador desse cálculo?
01:55Porque o Equador, nós mostramos aqui nesse programa algumas vezes, por exemplo, o que aconteceu no Equador no passado, se
02:02eu não estou enganado,
02:03quando eles chegaram ao extremo de invadir um canal de televisão, soltar um preso, invadir um canal de televisão,
02:11e anunciar em rede nacional que iriam cometer lá outros atos, caso o bandido fulano de tal lá não fosse,
02:20enfim, libertado.
02:21Então, o Equador chegou a esse extremo.
02:23Então, é um país que lida com extrema violência.
02:26Muito bem. Paraguai, por exemplo, é outro.
02:29Então, por que os alvos seriam esses outros três?
02:33Porque há uma distância ideológica muito grande.
02:38Então, isso também é, sim, briga política.
02:42É óbvio que, se alguém quiser chegar aqui no Brasil e falar,
02:45olha, nós vamos, queremos, estamos oferecendo recursos para que vocês combatam o crime organizado,
02:52há exemplo do que foi feito lá atrás, no Pano Colômbia.
02:55É óbvio, acho que dá pra, acho que dá pra conversar.
02:58Agora, apontar o dedo e falar, olha, é o seguinte,
03:00ou vocês aceitam ou vai ter intervenção,
03:03que parte, e com o apoio de grupos políticos locais,
03:08aí é um pouco de exagero, né?
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