Em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, o presidente Lula (PT) abordou diversos temas da agenda global. Ele ressaltou a importância da COP30 em Belém, o combate à fome e à pobreza, e a busca do Brasil pela paz na Ucrânia. No campo bilateral, o presidente comentou a expectativa para o encontro com Donald Trump, dizendo ter sido "surpreendido" pelos elogios sobre a "química" entre eles. Fabrizio Neitzke analisa.
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00:00Coletiva feita então na Assembleia Geral da ONU e mais essa manifestação que tratou em 80% das perguntas e das falas do presidente da República do Brasil
00:09sobre esse possível encontro que ele terá com o presidente norte-americano Donald Trump.
00:14E aí, Fabrício Nights que tá aqui conosco, já tava fazendo a tradução simultânea ali das perguntas, vocês ouviram, e agora a gente faz um arremate aqui no nosso 3 em 1.
00:22Ele diz, um amigo pode um pouco, dois amigos podem muito, falando sobre uma possível relação também bastante próxima entre Donald Trump com Vladimir Putin.
00:31Mas vamos nos conectar e focar nesse encontro que deve acontecer, seja presencialmente, seja numa conversa por telefone.
00:39O presidente brasileiro diz, nós não vamos negociar nada relacionado à soberania, mas vamos sim falar de todos os negócios que sejam possíveis pra que ambos ganhem.
00:48E menciona, os Estados Unidos tomaram uma decisão baseados em informações duvidosas.
00:55Eu quero fornecer a informação correta no pensamento e na fala do presidente da República.
01:00Como é que se avalia, hein, Fabrício? Bem-vindo.
01:02Boa tarde, Ivandro. Boa tarde a todos que acompanham o 3 em 1.
01:05O presidente Lula é um presidente muito experiente.
01:07Ele não coloca nenhuma expectativa, não fala de nada que vai ser discutido,
01:11porque sabe que existe uma grande possibilidade de sentar pra conversar com o Donald Trump,
01:17seja presencialmente, seja à distância, por videoconferência, e sair de mãos vazias.
01:23É uma negociação que seja, na verdade, um beco sem saída pros dois lados.
01:28Há essa possibilidade.
01:29O que a gente tem visto quando líderes internacionais sentam pra negociar com o Donald Trump
01:35nesse segundo mandato do republicano?
01:38Que o presidente Trump é completamente imprevisível.
01:41A Índia foi taxada em 25% pelos Estados Unidos em abril desse ano.
01:47E a Índia é, sem sombra de dúvidas, um parceiro que os Estados Unidos não podem abrir mão de maneira alguma.
01:53É um país de mais de um bilhão de habitantes, fica na Ásia, é uma região que faz fronteira com a China.
01:58Quer dizer, é uma aliança que os Estados Unidos não podem perder.
02:01E aí, o que aconteceu?
02:03O primeiro-ministro Narendra Modi mandou delegações pra Casa Branca,
02:07se ofereceu pra viajar até Washington, tudo isso pra tentar negociar e baixar as tarifas.
02:13Qual foi a recompensa que ele ganhou?
02:15Mais 25% de tarifas porque compra petróleo da Rússia.
02:20Ou seja, as relações com o Donald Trump são completamente imprevisíveis.
02:24O presidente Lula certamente sabe disso.
02:27Por isso, ele tenta calcular as expectativas nesse momento.
02:31Não fala muito sobre o que vai ser discutido, sobre o que ele espera do encontro com o Donald Trump.
02:35Perceba que ele não fala da questão das tarifas, por exemplo, porque existe uma grande possibilidade de não haver redução nas tarifas.
02:42Existe uma possibilidade de ser negociado algum outro tipo de acordo.
02:46Trump negociou muitos acordos de investimento com países, com blocos, como a União Europeia, por exemplo.
02:52Mas se mostrou muito imprevisível.
02:54Negociando tanto com líderes de esquerda, quanto com líderes de direita.
02:57Narendra Modi é um líder de direita lá na Índia, por exemplo.
03:01Então, é difícil avaliar quais são as expectativas do governo brasileiro e quais são as expectativas do governo norte-americano.
03:09O presidente Lula deixa claro que não se negocia soberania com ninguém.
03:13Acho que é um recado pra dizer o seguinte.
03:15Não vamos interferir no Supremo Tribunal Federal.
03:17O Jason Miller tinha falado, tweetado ontem, né?
03:21É simples, é só chutar Alexandre de Moraes.
03:23Mas nem mesmo o Donald Trump pode chutar um ministro da Suprema Corte nos Estados Unidos.
03:28Então, acho que ele desenha ali quais são os limites.
03:31Agora, 5h51, quem nos acompanha pela rádio, um rápido intervalo.
03:35Daqui a pouco espero vocês.
03:36Nas outras plataformas seguimos.
03:38Vou seguir pro debate também.
03:39Fabrício Naitzky, muito obrigado pela contribuição conosco mais uma vez, meu amigo.
03:43Sempre à disposição.
03:43Você tá sempre bem-vindo aqui no nosso Trezinho.
03:45Muito bom tê-lo aqui.
03:46Alan Ghani, e o presidente da República diz, aproveitando que vamos então sentar a mesa,
03:51entre aspas, porque pode ser uma conversa por telefone, a ideia é se colocar todas as discussões
03:56que forem possíveis, inclusive a possibilidade de os Estados Unidos auxiliarem num provável
04:02acordo entre Rússia e Ucrânia para um cessar-fogo.
04:06Como é que você avalia a atitude do presidente da República ao responder esses questionamentos
04:10e ao fato dele se colocar ao lado de Trump como dois países protagonistas para muitas das articulações?
04:17Olha só, você sabe que em relação especificamente ao conflito Rússia e Ucrânia,
04:22Trump e Lula pensam de maneira muito parecida, entendendo que o Ocidente teve responsabilidade
04:30nessa guerra, entendendo que a Ucrânia não é uma vítima sozinha, o Zelensky não é uma vítima,
04:37enfim, não tem santo.
04:38É claro que pode haver algum tipo de sinergia aí, mas isso, lógico, depende de Donald Trump.
04:45Agora, em relação às tarifas, pode ser que ocorra algum ganho ali, alguma redução tarifária
04:51e o Brasil tem uma carta na manga que interessa a Donald Trump, que seria as terras raras.
04:55Inclusive, ele mencionou isso no discurso.
04:57Tem um minuto para você, Bruno Moza.
04:59Eu acho que o que o Fabrício falou é muito importante.
05:02O que toca aqui é a falta de previsibilidade como um todo.
05:05Vale lembrar que, acho que há um mês, um mês e pouco atrás, eu estava lembrando esses dias,
05:10que o próprio Donald Trump falou do Bolsonaro que eles não tinham uma amizade,
05:13mas que achavam ele legal.
05:15Ontem ele teve uma química com Lula.
05:17Ora ele fala bem de Narendra Modi, ora ele critica a própria Índia, o mesmo com Putin.
05:22Então, essa falta de previsibilidade é o que, obviamente, gera o campo de especulação
05:27e talvez deixe até os inimigos ou os opositores muito mais perdidos.
05:31Eu falei ontem sobre as tarifas, que eu acredito, venho falando isso há um tempo,
05:35que as tarifas vieram para ficar num nível muito mais baixo do que está hoje,
05:39mas num nível mais alto do que era da era pré-Trump.
05:42Então, isso até porque, como eu falei, eu concordo com o diagnóstico dele das disfunções
05:46do comércio internacional, mas eu acho que as tarifas, ele sabe que impacta também
05:50a economia interna americana.
05:52O Felipe Monteiro e o presidente Lula adotam um tom muito mais moderado
05:55ao responder os questionamentos sobre esse possível relacionamento com o Donald Trump,
05:59dizendo que a química também aconteceu do lado dele e que ele está disposto, sim,
06:04a oferecer todas as informações necessárias e negociar tudo aquilo que for necessário
06:10nesse possível diálogo com o Donald Trump.
06:12Você acredita que essa manifestação mais, digamos, diplomática possa ajudar
06:17nessa conversa que aconteceria na próxima semana?
06:20Certamente, a gente sabe que bravata não funciona de forma alguma, não é?
06:25Então, você vê o Lula mais moderado falando em tom propositivo, é muito bom.
06:29E nas palavras dele, ele colocou o limite ali, ele falou assim,
06:31ó, eu posso colocar tudo para negociar com o Trump, as terras raras,
06:34a questão dos minérios raros, o que eu não posso colocar é a questão de discutir
06:40a questão da democracia em relação ao Trump.
06:44Isso é o meu limite aqui, mas tirando tudo isso, o Lula está disposto a negociar.
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