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O programa EM Minas recebe Emanuel Carneiro em nova edição apresentada por Carol Saraiva. O episódio vai ao ar pela TV Alterosa e traz uma conversa aberta com o convidado.

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Transcrição
00:14Olá, sejam muito bem-vindos ao programa Em Minas.
00:19Hoje recebendo um convidado super especial, Emanuel Carneiro, jornalista e empresário.
00:25Emanuel, bem-vindo ao Em Minas.
00:27Obrigado pelo convite, suas ordens.
00:30É um prazer estar aqui com você, Emanuel, que agora a gente lançou no ar.
00:34E um livro que a gente já começa falando sobre ele.
00:38É verdade que esse livro surgiu do pedido de ouvintes de saber mais histórias
00:43que eram contadas ali no seu programa, Turma do Bate-Bola, é isso mesmo?
00:47Esse é um depoimento pessoal de fatos que eu vivi durante os anos e anos que eu estive na Itatiaia.
00:57Como repórter, como operador de som, como plantão esportivo, como vice-presidente e depois até como presidente.
01:06Então, é uma história longa.
01:09E depois que eu passei o comando da Itatiaia, em maio de 2021, eu era sempre perguntado
01:22como é que era isso na Itatiaia, como é que era aquilo.
01:26Aquela vinheta Itatiaia, ela foi gravada nos Estados Unidos?
01:32Não, foi.
01:33Bom, e como é que foi aquela cobertura da Copa?
01:36E como é que foi o período de regime militar?
01:42E eu fui juntando as histórias com a minha mulher, a Ilma Araújo, a gente estava fazendo uma viagem
01:49para a Espanha de carro, e ela pegou uma caderneta e começou a anotar.
01:58Quando nós voltamos, eu comecei a ser cobrado por ela e por outros,
02:03sobre fatos vividos na Rádio Itatiaia.
02:09Uma época maravilhosa, que eu só deixo boas lembranças.
02:14E resumi em algumas histórias, muitas ficaram faltando,
02:19elas vão ser contadas por mãos mais competentes.
02:25Mas é o que ficou assim, precisando de um esclarecimento definitivo,
02:35de uma assinatura embaixo para dizer, foi assim mesmo que eu vivi e posso testemunhar.
02:41Foram 65 anos, né?
02:43Agora, a sua paixão, é lógico que o futebol, tinha um programa de futebol,
02:47ele está na sua vida, permeando ali toda essa trajetória também na rádio.
02:51Agora, você conta aqui no livro algo muito curioso
02:55sobre como surgiu a sua paixão, inclusive, pelo Atlético Mineiro.
02:59Foi numa novena que aconteceu na sua casa,
03:01porque muitos atleticanos se tornam atleticanos ou cruzeirenses
03:05por influência dos pais ou familiar.
03:08No seu caso, foi por causa de uma novena,
03:10e isso está aqui no livro também.
03:11Conta um pouquinho dessa história para a gente, Manuel.
03:13Me desculpe aqueles que já ouviram essa história,
03:16que eu contei em outras ocasiões.
03:18Mas, resumindo para você, Carolina, é o seguinte.
03:22Em 1950, eu tinha 7 para 8 anos de idade,
03:28o Atlético foi fazer uma excursão à Europa.
03:32Foi o primeiro clube brasileiro a visitar a Europa
03:36depois da Segunda Guerra Mundial.
03:39Não sei porquê, a excursão foi marcada
03:43para o final de novembro, quando já era período de inverno.
03:49E o Atlético jogou em alguns campos que o gramado estava branco de neve.
03:55E foi assim a excursão.
03:58Ela foi caminhando...
03:58Foi que surgiu o termo campeões do gelo?
04:00É, exatamente.
04:02Que é um título simbólico.
04:03Não teve taça, campeão do gelo, nada disso.
04:06Mas, o Atlético foi caminhando até perto do Natal,
04:13quando a excursão também caminhava para o final.
04:17Aí, da noite para o dia, o empresário,
04:21depois de uma temporada vitoriosa,
04:24o empresário sumiu com as passagens de volta,
04:26com as últimas cotas do clube,
04:29e o Atlético ficou completamente perdido na Europa,
04:33sem recursos.
04:35Em Belo Horizonte, houve uma comoção.
04:40E deputados falando,
04:43e torcido do Atlético se manifestando e tudo mais,
04:47o Atlético vai acabar, o Atlético vai acabar.
04:49A minha mãe, que era costureira no bairro da Serra,
04:52ela tinha uma vizinha, chamada Augusta,
04:55que era atleticana.
04:57E mulher, no futebol, era até uma raridade, antigamente.
05:04Ela resolveu ir lá para casa,
05:06numa família católica,
05:07com a minha tia, que é a minha madrinha,
05:10a minha avó, que morava conosco,
05:12a minha mãe,
05:15e fazer uma novena para o Atlético voltar.
05:20E todo dia tinha um terço.
05:23Rezava o terço.
05:24E eles chamavam,
05:25Manelzinho, vem aqui,
05:27vem rezar o terço e tal, com o Atlético.
05:29Eu fui ficando impressionado com aquilo.
05:32Aquilo rezando,
05:33com o Atlético voltar e tudo.
05:36E,
05:38logo depois que a novena terminou,
05:42o governador de Minas, Milton Campos,
05:45mandou as passagens de volta para o Atlético.
05:48E o Atlético pôde regressar.
05:52E chegou a Belo Horizonte gloriosamente,
05:56como campeão do gelo e tudo mais.
05:58Aquilo, na minha cabeça,
06:02ficou marcado.
06:04Você torce.
06:05Eu conheço muito torcedor de futebol.
06:08Você torce para um clube de futebol
06:10porque você gosta da cor da camisa,
06:13é da sua cidade.
06:14O seu pai é torcedor do clube,
06:16seu irmão.
06:18Você tem um jogador no clube que tem o seu nome.
06:22Você se identifica com o clube.
06:25E, principalmente, aquele que ganha campeonatos.
06:28Os clubes vitoriosos é que formam as grandes torcidas.
06:32E, na época, o Atlético era o Bambambam.
06:34O Bambambam da cidade.
06:37Eu morava no bairro da Serra.
06:40E, no bairro da Serra,
06:42era muito torcedor do América.
06:47Alguma coisa do Vila Nova,
06:49que disputava os títulos mineiros.
06:52E o Cruzeiro era longínquo.
06:55Era o Barro Preto.
06:56Eu só fui, assim, conhecer bem o Cruzeiro
07:00porque, quando eu passei do grupo escolar para o ginásio,
07:04eu fui estudar no Colégio Arquidiocesano,
07:07ali na Avenida Augusto de Lima, no Barro Preto.
07:10Agarradinho no campo do Cruzeiro.
07:12Então, era um motivo ótimo para a gente mandar aula
07:15e assistir os treinos do Cruzeiro.
07:18E, ali, o Barro Preto, o Carlos Prat,
07:21tinha mais presença de cruzeirense,
07:24também por causa da colônia italiana,
07:27o bairro Bonfim e tudo mais.
07:29Então, a história da novena, resumida, é essa.
07:32Foi aí que nasceu um atleticano.
07:34Foi por conta da novena, né?
07:36É, mas eu sempre quis dizer o seguinte.
07:38A paixão, na verdade.
07:39Não, eu, o Paixão, não sei se tive isso ou tenho isso.
07:45Eu construí um tipo de relacionamento
07:53porque eu passei, depois de algum tempo,
07:57a ser jornalista esportivo, comandar a Rádio Tatiá.
08:00A imparcialidade era regra número um.
08:06Eu sempre dizia para um repórter, para um locutor
08:09que estava chegando aí, Tatiáia,
08:11que ele podia ter qualquer clube de coração
08:14porque é muito difícil um garoto ir para a crônica esportiva
08:19e não ter um tipo de futebol.
08:21Quando ele está falando, não, eu não torço por clube nenhum.
08:24Estava falando mentira.
08:26Mas aí...
08:27A imparcialidade tem que existir, não é isso?
08:28Exatamente, o tempo todo.
08:30E eu acho que eu convivi muito bem com isso.
08:34Até, às vezes, encontro com alguém
08:38que não sabe muito da minha história.
08:41É, Manuel, agora que você parou,
08:45é que tinha que ser tosse.
08:46Até hoje você não sabe.
08:48Não, eu nunca tive...
08:50Mas a imparcialidade ali na frente do microfone
08:53acabou mostrando isso, né?
08:54Eu tive essa virtude, eu reconheço,
08:57tive essa virtude de não ser em momento algum
09:03trocar a função de locutor para torcedor.
09:06Isso não.
09:06Isso é imperdoável num jornalista esportivo.
09:10Ele pode ter suas paixões de outra forma,
09:14mas, no ar, fazendo a sua análise,
09:19ele não tem esse direito.
09:20Isso eu sempre considerava regra básica
09:25na profissão de jornalista esportivo.
09:28O Em Minas está recebendo Emanuel Carneiro,
09:31empresário, jornalista, que está lançando o livro No Ar.
09:34Tem mais bate-papo que Emanuel.
09:36Daqui a pouquinho a gente vai para um rápido intervalo,
09:38mas nós voltamos já já com mais Emanuel Carneiro.
09:45Estamos de volta com o programa Em Minas,
09:48que hoje recebe Emanuel Carneiro, jornalista, empresário,
09:52e agora com o livro aqui, no ar, cheio de histórias,
09:56de bastidores, de curiosidades, de tudo aquilo que Emanuel viveu
10:01durante os 65 anos na Rádio Itatiaia.
10:05E à frente de um programa, Emanuel, como o Turma do Bate-Bola,
10:09um dos maiores programas de esporte, digamos assim,
10:12o senhor sente saudade?
10:13Tem saudade do microfone?
10:15Sim, sim.
10:15Tempo muito bom, época adorada.
10:19Eu adoro, assim, futebol, esporte.
10:26Eu, desde menino, assistindo jogos, amadores lá no Carlos Prats,
10:31Juventus e Vasco da Gama, Santanense e Tremedal,
10:34eu vibrava, ia para os estádios,
10:37e depois, acompanhando o meu irmão, que é o fundador da Itatiaia,
10:40o Januário Carneiro, ia com ele para os estádios,
10:43via, entrava, às vezes, no vestiário de um clube de futebol,
10:47via os jogadores.
10:49E aquele cheiro de éter, o massagista, antes,
10:54ele dava uma massagem com éter no vestiário,
10:57ficava aquele, sabe?
10:59Então, você sente saudade disso tudo?
11:01Até o cheirinho aí te veio na memória, né?
11:03Sinto saudade, mas eu estou vendo que o futebol precisa
11:09trocar alguns conceitos atuais,
11:12porque o jogo não pode ficar chato algumas vezes,
11:17como tenha acontecido.
11:19Sete, oito minutos parado para decidir um lance de impedimento e tudo mais.
11:25O futebol é um esporte que permite contatos,
11:30um jogador trombar no outro.
11:32Hoje, você vê um jogador trombar,
11:34ele põe a mão no rosto e rola,
11:36como se tivesse sido atropelado por uma carreta.
11:39Mas o VAR vem para mostrar esse tipo de coisa.
11:42Mas até que o VAR venha, fica parado o jogador...
11:46Você acha que não tinha que ter o VAR, por exemplo?
11:48Fazendo gestos de um cachorro atropelado,
11:50como diria o Nelson Rodrigues.
11:54Então, o futebol está com esse lado.
11:58Eu sei que existem até novos equipamentos
12:02que podem ser introduzidos no Brasil a qualquer momento,
12:06para a coisa ficar mais automática nas decisões fundamentais.
12:11Mas, por enquanto...
12:12Atrapalha um pouco, o senhor acha, então?
12:14Não, é que o futebol precisa resgatar
12:22a sua intimidade com o torcedor.
12:25O torcedor precisa ir nos treinamentos,
12:29de vez em quando.
12:30Não é todo treino, aquele decisivo,
12:33que vai escalar o time, talvez não.
12:34Mas o torcedor precisa frequentar, ver.
12:38Não tem mais isso, Amelio.
12:39A imprensa precisa...
12:41Acompanhar.
12:42Acompanhar mais de perto.
12:44Você não fica sabendo, hoje em dia,
12:47quando o jogador está contundido,
12:49qual é a previsão que ele vai...
12:51Volta.
12:52Ficar.
12:52Agora, o Papa é operado,
12:55você fica sabendo, o Papa voltará
12:58a dar a benção no Vaticano daqui a 15 dias.
13:01Pronto.
13:02Um presidente da República,
13:05um deputado,
13:07um empresário importante.
13:10Isso é...
13:11Importante.
13:13Importante.
13:13Importante.
13:14O futebol, e muito aqui em Minas Gerais,
13:18ele ficou muito restrito.
13:20É uma pena você ver,
13:22e eu constatei isso,
13:24na porta do centro de treinamento,
13:26os repórteres...
13:29Esperando.
13:30Esperando a oportunidade
13:32de ver um jogador chegar no carro dele,
13:36a hora que vai acabar,
13:37e não tem nenhuma informação pertinente
13:42aquilo que ele tentou ver.
13:45Ficou meio secreto ali?
13:46Exatamente.
13:47E, às vezes, permite conjecturas,
13:52adivinhações,
13:52o que não é bom
13:54para a credibilidade
13:55da empresa esportiva.
13:57Sim.
13:57Essa restrição,
13:59eu acho que ela é injusta e ingrata,
14:03e o futebol precisa disso.
14:05Um jogador vai estrear,
14:09um jogador importante,
14:12o treinador,
14:13ele não informa para a imprensa
14:16se vai ter ou não vai ter a estreia do jogador.
14:18O torcedor do Atlético,
14:21ele vai ao estádio,
14:23ele precisa saber,
14:25ele vai levar o filho,
14:26se o Hulk vai jogar ou não.
14:29Se é ordem técnica,
14:31se é isso,
14:32que é aquilo.
14:33O jogador do Cruzeiro,
14:37o Caio Jorge,
14:39se ele tiver alguma dúvida,
14:41o clube precisa informar.
14:45Quando você vai ao Palácio das Artes,
14:49vou assistir um show do Caetano Veloso,
14:54você sabe exatamente
14:55que o Caetano vai estar presente,
14:58os seus músicos,
14:59e qual é o estilo do show?
15:05Futebol tinha que ser a mesma coisa.
15:07Não,
15:07as músicas que ele vai tocar,
15:09de que época e tudo mais.
15:11O futebol acha que isso é favor.
15:16Os treinadores acham que isso é favor.
15:19E outra coisa,
15:21treinadores mal-humorados,
15:23brigados com a vida,
15:24sabe?
15:26Isso atrapalha o trabalho,
15:27tanto do jornalista,
15:30a informação para o torcedor.
15:32Agora, falando um pouquinho de torcedor,
15:33pegando esse gancho...
15:34Não estou aqui para reclamar,
15:36não.
15:36O que eu estou dizendo é o seguinte,
15:37são críticas positivas e observações.
15:39De quem hoje está um pouco de fora.
15:43Não,
15:44de quem esteve ali 65 anos
15:45e que viu várias fases
15:47dessa cobertura, inclusive.
15:49Você antes entrevistava um jogador de futebol,
15:53depois de uma partida,
15:54na banheira do Mineirão.
15:57Na banheira do Mineirão.
15:58Ou depois de um treino,
15:59ali na sala de imprensa do CT.
16:01Uma entrevista coletiva,
16:02do técnico e tudo mais.
16:04Agora não.
16:06Não tem mais esse contato.
16:08E a informação não chega como deveria.
16:10Agora, falando um pouquinho sobre torcedor,
16:13no livro, inclusive, você cita
16:14que em uma das suas coberturas,
16:16num gramado,
16:17um torcedor ficou ali te chamando
16:20e por insistência você foi lá ver o que ele queria.
16:23E esse torcedor, ele conta no livro, gente,
16:25que esse torcedor,
16:26ele pediu um punhadinho de grama ali do chão
16:29e esse torcedor foi lá,
16:30pegou a grama,
16:31você pegou a grama e entregou para ele.
16:33No que você entregou,
16:34ele comeu.
16:36Foi no jogo do Corinthians.
16:37Agora, eu quero te perguntar o seguinte.
16:39Tamanho, o fanatismo e o amor desse torcedor.
16:42Você acha que existe torcedor como esse
16:44que você contou aqui no livro?
16:45Muitos, muitos, muitos.
16:46Ou que não existe mais?
16:47Que faz promessa e tudo mais.
16:49O que eu quis destacar no livro
16:52é a paixão que existe
16:55entre o torcedor e o clube,
16:58como o torcedor se identifica com os ídolos,
17:01como ele adora jogadores que marcaram época,
17:06até aqueles que já pararam de jogar.
17:07Você vai hoje no estádio, lá na arena MRV,
17:10o Reinaldo, parece que ele vai entrar em campo
17:13daí a pouco, porque a torcida fica
17:16Reinaldo, rei.
17:18Isso é, isso é muito, muito bom.
17:22Muito bom.
17:23O que eu quis assalientar no livro
17:27é o seguinte.
17:28Eu estava num jogo,
17:30isso nos ídolos de 1968,
17:35tinha 12 anos que o Corinthians não ganhava do Santos.
17:40E tomava de quatro, cinco, seis, todo dia.
17:44Até que o Corinthians resolveu fazer
17:49um time de grandes jogadores.
17:51E contratou aqui em Belo Horizonte o Buião.
17:55Contratou no Rio de Janeiro o Paulo Borges,
17:57renovou o contrato com o Rivelino e tudo mais.
18:00E contratou um ex-técnico do Santos, o Lula,
18:03que foi o criador do time do Santos,
18:06o Pelé, Coutinho, Pepe, tudo mais.
18:09Pacaembu, lotado, 45 mil pessoas.
18:12Estreia do Buião.
18:13Estreia do Buião.
18:14Eita, Tchê, foi transmitir.
18:15Fomos eu, o Vilibaldo Alves e o Oswaldo Faria.
18:20Infelizmente, tinha falecido.
18:23E o jogo terminou com 2 a 0 para o Corinthians.
18:30Uma loucura, uma loucura no estádio.
18:33Eu estou enrolando os fios lá,
18:36depois da transmissão,
18:37na pista lá do Pacaembu,
18:40quando, de repente, um torcedor vem e...
18:43Ô, moço, aqui, pega um pedaço de grama para mim aqui.
18:47Não sei o que, insistiu umas três vezes.
18:49Primeiro eu fingi que não movia,
18:51mas depois fui lá,
18:53a pedido dele, fui lá e...
18:55E arranquei um tufo de grama com terra e tudo.
18:58E fui até a cerca do Pacaembu e passei para ele.
19:02Ele pegou aquilo e comeu com terra e tudo.
19:09E eu falei, mas aqui, como é que é o seu nome?
19:13Não, não vou dizer não.
19:14Aquilo seria até uma matéria boa para...
19:15Claro.
19:16Para o repórter, né?
19:18Não.
19:19Eu jurei que o dia que o Corinthians ganhasse do Sânio,
19:23eu ia comer a grama com terra e tudo.
19:25E comeu na minha vista.
19:27Aquilo me impressionou.
19:28E eu quis destacar isso,
19:30a paixão do torcedor.
19:32Já o doutor Cedro.
19:32Já o doutor Cedro.
19:33Ô, gente, que delícia estar aqui.
19:35Eu poderia continuar te ouvindo aqui por mais e por mais tempo.
19:39Mas a gente vai continuar esse bate-papo.
19:41Agora num bloco exclusivo no YouTube do Portal A.
19:43Inclusive, eu convido você que está em casa,
19:46acompanhando a gente agora na TV Alterosa,
19:48para vir para o YouTube,
19:49para a gente continuar o bate-papo aqui com o Manuel Carneiro,
19:52porque tem muitas histórias legais.
19:53E, Manuel, muito obrigada.
19:54Obrigado a você.
19:55Gente, o livro no ar.
19:57Quem quiser, encontra onde, Manuel?
19:59Rapidamente?
19:59Não, vai estar na leitura daqui uns dias, né?
20:04Porque a gráfica...
20:05Então, gente, é só procurar aí.
20:07Ela pediu um pequeno prazo.
20:10Mas tudo bem.
20:11Fiquei muito satisfeito com o lançamento e tudo mais.
20:14Eu não pude convidar tantos que eu queria,
20:18porque lá tinha um limite de público.
20:22Sim, a gente continua.
20:23Na sede da CDL.
20:25Mas aí, está as ordens.
20:27Manuel, a gente continua esse bate-papo.
20:29A você até o próximo programa em Minas.
20:32Obrigada.
20:33Tchau.
20:49Chicabu e Resposta.
20:50Estamos de volta.
20:51E o Emanuel está falando aqui comigo.
20:52Carol, quanto tempo a gente tem?
20:54Agora a gente está livre, porque a gente está no YouTube do Portal UI.
20:56Nós estamos recebendo o Emanuel Carneiro por um papo super agradável.
21:01Emanuel, que está lançando aqui o livro Noir com histórias de bastidores desses 65 anos,
21:07enquanto ele esteve ali na rádio, vivendo a rádio Itatiaia.
21:11Dos 13 aos 78 anos.
21:13Dos 13 aos 78 anos.
21:15E aí a gente aqui, né, encerramos o bloco da televisão.
21:18E ele falou, quanto tempo eu tenho?
21:19Agora a gente tem todo o tempo para contar um pouco mais da sua história.
21:23Só que eu quero te perguntar uma coisa bastante curiosa.
21:26Todos os meus colegas jornalistas que trabalharam na rádio,
21:29eu também, graças a Deus, tive a felicidade de ter uma passagem pela Rádio Extra,
21:34que hoje é a sua querida Light FM.
21:37O velho prédio da rua Itatiaia, 117.
21:41Eu passei por lá também.
21:42Mas todos os meus colegas trabalharam diretamente com o senhor,
21:45falam assim, com uma paixão muito grande desse chefe.
21:48O que você atribui a esse carinho que os seus funcionários têm e carregam até hoje,
21:54do tempo que tiveram ali na rádio com o senhor?
21:57Eu sempre me confundi com os funcionários,
22:03porque eu participava também da programação.
22:08Eu até brincava que de nove da manhã até a hora do almoço,
22:16quando eu apresentava o Rádio Esportes,
22:19eu era chefe do Oswaldo Faria.
22:21Na hora do almoço ele era meu chefe,
22:23porque eu ia participar de um programa de esporte.
22:26E à tarde também, na hora da Tom Bate-Bola,
22:28eu perguntava ao Oswaldo,
22:30vamos falar isso, não vamos fazer aquilo, o que você acha?
22:32Ele virava meu chefe.
22:34E nos demos muito bem durante mais de 40 anos.
22:39Eu penso que eu herdei muito da minha família, da minha mãe,
22:44pessoas simples, do meu irmão, o Januário Carneiro,
22:48que apostava muito em novos talentos,
22:53que teve muita dificuldade no início e precisou muito
22:57da camisa, do coração,
23:01da vontade de trabalhar, de muitos e muitos funcionários,
23:05dezenas de funcionários durante os anos.
23:09E eu penso que é uma maneira de viver
23:12que é saudável.
23:16As pessoas, independentemente de você ser patrão ou empregado,
23:22ser chefe ou funcionário,
23:26você convive com figuras humanas,
23:29que têm sentimentos.
23:33Então, para chamar a atenção de um funcionário...
23:36Eu ia perguntar isso.
23:37Se o senhor chamava a atenção, como é que era?
23:39O bichão de a orelha?
23:40Não era nunca na vista de ninguém.
23:42Era cercado numa sala que isso, isso e aquilo.
23:48Quando você ia elogiar, é na vista de todo mundo.
23:51Certo?
23:52Não, mas isso...
23:56São técnicas, né?
23:58Eu tive um período que eu considero muito frutífero na minha vida,
24:04que eu estudei dois anos e meio na UNA.
24:06No começo da UNA.
24:09E tive ótimos professores.
24:13E consegui com eles entender um pouco mais o relacionamento humano,
24:19como são as relações trabalhistas.
24:21Dentro de uma gestão mesmo, né?
24:23O respeito e tudo mais.
24:25Por quê?
24:26Por quê?
24:29Porque o funcionário que trabalha, o profissional que trabalha,
24:36no rádio, na televisão e até no jornal também,
24:42e ele está na função jornalística de buscar a informação,
24:49de transmitir a informação,
24:52às vezes ele tem que sacrificar o convívio familiar.
24:58O dia das mães, o aniversário do filho, a primeira comunhão da filha,
25:03o dia da coroação da filha.
25:06O Natal.
25:08Até, né?
25:09O Natal, porque nada para.
25:12No caso da Itatiaia, eram 24 horas por dia, 365 dias por semana,
25:18todos os dias, chuva, sol e tudo mais.
25:23Por isso é que se a relação...
25:27Não estou dando conselho a nada, hein?
25:30Sim.
25:30Não sei.
25:31Mas a relação, se ela for educada, se ela for respeitosa,
25:37ela funciona muito mais do que na base do grito, da bronca,
25:43porque a pessoa pode aceitar tudo aquilo durante um certo momento,
25:49mas ela aguarda aquilo para frente e dá o troco depois.
25:52Agora vamos falar da Light FM?
25:54Opa!
25:56Não podia ficar sem uma rádio, né?
25:58Então ela era a extra onde eu trabalhei,
26:01fui muito feliz ali com o Marcão e Cristiano,
26:04foi muito legal, foi uma experiência fantástica como jornalista também.
26:07E aí ela virou a Light, que agora está ao seu comando,
26:11Conta para a gente.
26:12Bom, quando foi feita a transferência da Itatiaia para o Rubens Benin,
26:21porque a venda não foi feita para a MRV,
26:24foi feita para o Rubens Benin, pessoa física.
26:28A extra funcionava no prédio da Itatiaia e pertencia à Rádio Itatiaia.
26:33Sim.
26:34Então ela ficou com a família, ela não foi junto.
26:38E nós continuamos funcionando mais algum tempo, mais alguns meses,
26:45no prédio da Itatiaia com o nome de extra.
26:50Até que depois fizemos a transferência para uma sede própria.
26:55E na transferência, tivemos a ideia de desativar a programação,
27:04que era sertaneja, pagode, axé,
27:06porque Belo Horizonte já estava bem servida com esse tipo de rádio.
27:11Ok.
27:11E quisemos fazer uma rádio com música de qualidade.
27:17O que a música tem de melhor é o slogan da Light.
27:21Da Light.
27:22103,9.
27:24Contratamos uma equipe muito boa, fizemos uma instalação muito boa.
27:28Vamos nos próximos dias, quem sabe ainda no mês de março,
27:34colocar no ar novos transmissores, novas antenas.
27:39Vamos dar um upgrade na parte técnica da Light,
27:45que já é muito boa, mas precisava de uma renovação.
27:52E, devagarzinho, nós constatamos, a cada resultado de pesquisa que vem,
27:58que temos um crescimento.
28:00No momento em que o rádio, em Belo Horizonte,
28:03tem uma concorrência muito grande,
28:07mas estamos satisfeitos com o resultado obtido até aqui.
28:12Falta um pouco mais, talvez, de conhecimento
28:16do que a Light faz, onde ela é encontrada no rádio,
28:23onde que a pessoa programa o botão...
28:27Sintoniza.
28:28No painel do carro, para sintonizar.
28:31E depois a gente até aceita sugestões e observações
28:39sobre o trabalho que estamos fazendo.
28:41Eu, desde menino, tenho uma paixão muito grande por música.
28:48Isso é talvez herança da minha casa.
28:53E adoro também cinema, filme, cinema.
28:56Morei na Serra, ao lado de um cinema chamado Cine Serrador,
29:01na antiga Rua do Chumbo, que se chama hoje Estêvão Pinto.
29:04E como a minha mãe era costureira da família Abras,
29:10que era dona do cinema...
29:12Você conseguia ir.
29:15Eu entregava as costuras dela e entrava de graça no cinema.
29:19Ótimo.
29:20Sede da família Abras e tudo mais.
29:23Ali, pertinho do Olímpico Clube, na Estêvão Pinto.
29:28E a Itatiaia tinha uma emissora chamada FM Itatiaia,
29:37que tocava música também adulto contemporâneo da época,
29:42pelos anos 2000, por aí.
29:45Quando chegou, assim, a conclusão de que o AM e o FM precisavam ter um fato novo.
30:05Então, nós desativamos a FM Itatiaia, que era uma estação muito ouvida
30:13e teve muito protesto do público e fizemos o que chamamos de clone.
30:21Colocamos a programação do AM e do FM simultaneamente.
30:29O que existe até hoje, com muito sucesso.
30:33Por isso, ficou essa saudade da FM Itatiaia.
30:39Vamos refazer um pouco.
30:40Da música.
30:41Só que é uma releitura, né?
30:43Você acha que é você, sem querer se afastar do rádio,
30:48porém de uma forma bem mais leve agora?
30:49Não, a paixão do rádio continua.
30:51Eu vou diariamente à live, acompanho e gosto muito.
30:58Vai todos os dias?
30:59Igual o Iapetatiaia?
31:00Todo dia.
31:01Enquanto esteve na Itatiaia, quantas vezes você não foi na Itatiaia?
31:05Quantos dias deixou de ir?
31:07Estava lá todos os dias, não era?
31:08Foi uma época, por isso que eu falo que, quando você parou e tal, não sei o que.
31:13Aqui.
31:14Tudo na vida tem princípio, meio e fim.
31:18Você cumpre um ciclo.
31:21Esse ciclo, eu acho que eu vivi.
31:26Num determinado momento, você precisa criar um novo espaço na sua vida,
31:35convivir com a família, com os filhos, com os netos, com a mulher.
31:39E aí é que veio a ideia de ir para essa rádio.
31:46Ela tem 25 funcionários, ela é uma rádio essencialmente musical.
31:55É uma outra proposta, né?
31:57É uma proposta mais leve para você continuar aí fazendo o que você gosta, que é estar também...
32:03Exatamente.
32:04Continuar no rádio, né?
32:07Eu não estou brincando de rádio, eu estou fazendo a série profissional.
32:11Porém, não com aquele peso do jornalismo diário, do esporte diário, do factual.
32:17Não, porque o jornalismo no rádio esportivo e de notícias gerais, ele cobra muito, sabe, Carolina?
32:29Ele exige que você já amanheça.
32:34Quando você liga o rádio pela manhã, você começou a trabalhar.
32:36A gente já está trabalhando.
32:37A gente trabalha 24 horas por dia.
32:38E quando você liga o rádio, eu desligava o rádio, às vezes, depois do apito final, à meia-noite,
32:44aí é que terminava a jornada do dia.
32:48Do dia.
32:48Mas você acostuma, quando você faz as coisas com carinho, achando que dá certo,
32:58e com os resultados chegando, com a audiência bem destacada, tudo fica bem mais fácil.
33:07Foi um período feliz.
33:09Foi um período feliz.
33:09E vai continuar sendo agora na Live FM.
33:11Eu estou folheando aqui o livro.
33:13Tem algumas fotos, algumas imagens.
33:17Você recorreu a algum acervo?
33:19Inclusive, teve uma conversa também com o Estado de Minas para...
33:24Como é que foi isso?
33:25Uma das primeiras ligações que eu fiz foi para o diretor José Margem Mendes,
33:34porque eu sei da qualidade que tem o arquivo fotográfico do Estado de Minas.
33:42E ele falou, não, está à disposição e tal.
33:45E eu conversei também com dois jornalistas, o Chico Brant e o El Jássio Silva.
33:55O Chico, inclusive, foi quem te ajudou com o livro, né?
33:58Exatamente.
33:58O Chico Brant...
33:59Vou mostrar essa foto aqui agora para o pessoal.
34:02Porque isso aqui é uma...
34:04Foda do Estado de Minas.
34:05Uma memória, né?
34:05Foda do Estado de Minas.
34:06Vou colocar aqui na tela.
34:07Mas Chico Brant...
34:09É, deixa eu ver se eu acho uma foto para você aqui que...
34:14Então, teve essa participação.
34:16Eu acho que o acervo do Estado de Minas, ele contribuiu para que eu ilustre cada uma das histórias que
34:21você contou.
34:22Ah, deixa eu mostrar aqui.
34:23Dá de ser, né?
34:25Aqui, gente.
34:26Isso aqui é acervo do Jornal do Estado de Minas.
34:29Mas eu procurei o Chico Brant e ele é escritor.
34:35Ele foi assessor de imprensa do governador Eduardo Azeredo.
34:39E ele me deu uma ajuda muito grande com a mulher dele, a Jane Faria.
34:45E eu não sou escritor, nem quero continuar como escritor.
34:49Não estou iniciando carreira de escritor.
34:51Quem sou eu?
34:53Não tenho pretensão para isso.
34:55Mas tem história.
34:56É, mas ele coordenou a sequência do livro, a paginação, arrumou a diagramadora.
35:07O pessoal do arquivo do Estado de Minas também teve uma boa vontade extraordinária.
35:17Então, não foi tão difícil assim.
35:22Deu trabalho.
35:22Mas está aqui com o resultado.
35:25Mas foi um ano de trabalho que eu fiz com muito carinho.
35:27Com muito carinho.
35:28É um depoimento pessoal do período que eu estive à frente desse veículo de comunicação.
35:36Muito importante para a cidade.
35:39Para o Brasil.
35:40A Itatiaia.
35:42E fiquei muito feliz com a presença de tantos amigos, tanta gente no dia do lançamento.
35:49De muita gente querendo ler o livro.
35:52Onde compro, faz, acontece.
35:55Mas eu não tenho patrocínio nenhum.
35:58O resultado financeiro é para a minha mulher, a Ilma Naújo.
36:03Ela fazendo um trabalho social que ela já faz há algum tempo.
36:07Então, eu fico muito feliz com tudo isso que está acontecendo.
36:10Está aí, gente.
36:11Conversamos com o Emanuel Carneiro, que lançou no ar histórias vividas por ele.
36:19Curiosidades sobre todo esse tempo de 65 anos no rádio.
36:24É uma leitura certamente imperdível.
36:26Emanuel, muito obrigada por essa conversa.
36:28Obrigada por tantas histórias.
36:29Poderia ficar aqui mais tempo de se ouvindo, contar cada uma delas.
36:33Mas vamos contentar com o livro e com uma próxima entrevista.
36:35Obrigada, viu?
36:36Estou.
36:37Estou às suas ordens.
36:38Gosto muito de todo o pessoal aqui.
36:41Muitos foram funcionários lá da Rádio Itatiaia.
36:46Vieram para a televisão, vieram para as emissoras de rádio dos associados.
36:53Então, muito obrigado pela oportunidade.
36:56Eu gosto muito de falar, além de rádio, eu gosto de falar também muito de Belo Horizonte,
37:01das coisas da cidade.
37:03Como nasci em Belo Horizonte, eu estou sentindo que a cidade precisa pulsar um pouco mais,
37:09precisa voltar aos tempos de uma Belo Horizonte, que muita gente tem saudade dela.
37:15Ela precisa ser...
37:17E isso é assunto para uma próxima entrevista, viu, Emanuel?
37:19Uma cidade diferente.
37:21Nós vamos fazer uma próxima entrevista para a gente falar um pouquinho mais sobre BH,
37:24porque tem muita coisa para a gente conversar, né?
37:25Já estou me convidando.
37:26Então, pronto.
37:27Muito obrigada.
37:29Você acompanha a íntegra desta entrevista, desse bate-papo, no Jornal Estado de Minas de Amanhã.
37:34Obrigada pela companhia e até o próximo em Minas.
37:37Tchau, pessoal.
37:38É amanhã, domingo?
37:39Muito bem.
37:43Muito bom.
37:48Muito bom.
37:57Obrigada pela companhia e até o próximo em Minas.
38:04O que é isso?
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