00:00Inclusive sobre o que você comentou, a entrevista coletiva do embaixador do Irã,
00:04a gente separou um trecho onde ele critica as ações de Donald Trump. Vamos ouvir.
00:11O presidente atual dos Estados Unidos pensa que é o rei do mundo.
00:18Pode ser que alguns países, devido aos seus interesses,
00:23possam se redimir e aceitar essas alegações e essas imaginações.
00:33Mas a República Islâmica do Irã, por meio da sua revolução,
00:37que aconteceu 47 anos atrás, busca a sua independência.
00:44Olha, a gente vai comentar agora essa fala do embaixador com Acácio e Mano.
00:50Acácio, quando a gente vê esse repúdio, fica bem claro que eles também não vão ceder.
00:56E a nota do Brasil em relação ao conflito?
01:01Como é que você analisa, Acácio?
01:04Eu acho que a nota do Brasil foi uma nota em cima do muro até,
01:10dadas as circunstâncias e dado os países envolvidos.
01:15Primeiro que o Irã, por mais que o Irã tenha proximidade com a Rússia,
01:21tenha proximidade com a China, é uma teocracia sanguinária.
01:25Então é muito difícil qualquer tipo de defesa do regime iraniano.
01:31Mas nós sabemos também que o governo brasileiro não morre de amores pelos norte-americanos,
01:37apesar da proximidade, neste momento, entre Lula e Donald Trump.
01:44Diante disso e diante das dificuldades do contexto,
01:49acho até que a nota saiu bem estruturada.
01:53Confesso que esperava, dadas as últimas notas, algo um pouco pior.
01:59Mas é óbvio também que nós estamos num ano eleitoral,
02:02é necessário que façamos essa leitura.
02:05Nós estamos num ano eleitoral no Brasil
02:08e tanto Lula como Flávio Bolsonaro miram aquele eleitor plêndulo,
02:14aquele eleitor de centro, aquele eleitor mais ponderado e mais racional.
02:19Então não era esperado que o governo brasileiro tomasse uma medida radical
02:25neste contexto de ano eleitoral.
02:28E lembrando que além de ano eleitoral,
02:31tem um encontro marcado com Trump nos próximos dias, né, Mano Ferreira?
02:35Então a estratégia é, vamos ser solidários,
02:39como eles colocaram na nota ao Irã em algum ponto,
02:42mas também não vamos atacar os Estados Unidos nesse momento, né?
02:46Exatamente, Marcia.
02:47Até porque a gente sabe como foi todo o esforço de tentativa
02:52de reconstrução do relacionamento entre Brasil e Estados Unidos
02:57após a imposição do tarifácio por parte de Donald Trump.
03:02E nesse sentido é um motivo eleitoral do atual governo
03:06poder dizer que as relações foram retomadas com alguma normalidade
03:13ou, para usar a expressão de Donald Trump,
03:16com uma química entre os dois líderes.
03:19O que chama a atenção de um ponto de vista mais institucional,
03:23saindo da situação eleitoral e pensando do ponto de vista
03:28da construção da credibilidade da diplomacia brasileira
03:32é a assimetria de posicionamento
03:36quando comparamos, por exemplo,
03:38com a postura da nossa política externa
03:41diante do conflito entre Rússia e Ucrânia.
03:45Na verdade, a invasão russa ao território ucraniano,
03:49quando muitas vezes o governo brasileiro trata como
03:53posições equivalentes e não como uma guerra de invasão inaceitável
04:00e que desrespeita o direito internacional por parte da Rússia.
04:05Então, esse tipo de assimetria no posicionamento
04:09é algo que acaba no longo prazo
04:11corroendo a credibilidade da política externa
04:15do governo Lula e do Brasil de forma mais ampla.
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