00:00Vamos falar novamente sobre o conflito no Oriente Médio, a gente vai analisar mais uma vez alguns pontos desse conflito
00:07que, pelo que tudo indica, pela fala de Donald Trump agora há pouco, a situação vai se prolongar.
00:13José Niemeyer, que é professor de Relações Internacionais, vai chegar ao vivo agora aqui com a gente em tempo real.
00:19Professor, o senhor conseguiu assistir esse último discurso de Trump e ficou muito claro que ele não está disposto a
00:27ceder em nenhum ponto.
00:28E me chamou a atenção também, professor, uma informação que eu recebi de manhã de alguns analistas digitais, assim, de
00:36inteligência artificial, que ele cortou um contrato com uma empresa de inteligência artificial que tinha drones automatizados, que poderiam ser
00:46utilizados nesses momentos de guerra, porque a empresa não queria ceder essa cláusula no contrato.
00:52E aí eles tiveram que trocar, de última hora, no dia 27 de fevereiro, a empresa para fazer isso. Ou
00:59seja, ele pode estar utilizando esse armamento já neste conflito. Bem-vindo, boa tarde.
01:05Oi, Márcia. Muito obrigado pelo convite, como sempre aqui na Jovem Pan, com vocês, há muito tempo. Fiquei muito feliz
01:12de ver agora os comentários do Mano e do Acácio sobre política doméstica.
01:16Eu comento pouco política doméstica, mas cada vez mais os comentaristas da Jovem Pan estão fazendo comentários institucionais, equilibrados, olhando
01:29todos os lados da política, olhando os políticos como adversários, não como inimigos.
01:35Então, eu fiquei muito feliz com os dois comentários que acabei de ouvir. Sobre a questão internacional, que a gente
01:41sempre trabalha aqui na Jovem Pan, e parabenizo vocês pelo trabalho sempre on time, sempre muito bem feito, é uma
01:51situação específica, de uma guerra específica, uma guerra ainda limitada, limitada no sentido do que é utilizado como meio, não
01:59é uma guerra total.
02:00Não se pensa. Pode ter um cenário de invasão do Irã, mas é muito pouco provável a invasão do Irã,
02:06porque é um país muito grande, é um país que o governo ainda tem uma estrutura forte de controle da
02:13população.
02:14Parte da população mais conservadora do ponto de vista teológico é próxima ao governo do Zé Atolaz.
02:19A Revolução de 1979 trouxe benefícios para a política no Irã. Por mais que o atual regime de Khamenei fosse
02:28o regime assassino,
02:29mas houve uma mudança importante do regime monárquico para o regime republicano no Irã.
02:35E sempre que você tem um modelo republicano de governo, com três poderes constituídos, você consegue preservar mais as liberdades,
02:44você consegue conversar mais com a população,
02:47que foi o que fez o regime nos últimos 30, 40 anos. Só que o regime se fechou muito e
02:53é o regime atual, sanguinário, pouco transparente e talvez pouco republicano.
02:59Mas essas estruturas que foram criadas na Revolução Islâmica de 1979, elas continuam presentes e elas vão, de alguma maneira,
03:10governar o Irã.
03:11Por isso que imagino que uma invasão do Irã seja muito difícil, porque os Estados Unidos da América e Israel
03:17teriam que contar com o apoio maciço da população
03:20pela queda do regime, como foi que aconteceu na guerra do Iraque.
03:25Invadiram, chegaram a Bagdá e derrubaram, depois capturaram o Estado da Rússia.
03:32Isso não vai acontecer no Irã. É muito pouco provável, muito pouco provável.
03:36Então continuará uma guerra limitada de ações, principalmente aéreas, com mísseis de Israel terra a terra contra alvos no Irã.
03:46Mísseis norte-americanos por aviões, lançados por aviões, com apoio dos quatro aviões ali presentes na região.
03:53Os Estados Unidos estão usando muitos drones que eles não usavam muito, estão usando mais.
03:57Estão imitando Moscou, que usa muito na guerra da Ucrânia.
04:02É uma novidade, parece na ação norte-americana de ataque.
04:05E vamos aguardar. Por isso eu me imagino uma guerra limitada e o Irã, de acordo com o seu estoque
04:11de mísseis,
04:12vai continuar lançando mísseis, basicamente mísseis terra a terra contra alvos norte-americanos do Oriente Médio,
04:18suas bases, países aliados e contra Israel. Por enquanto estamos assim.
04:23Vamos chamar o professor Niemeyer agora para ele falar justamente sobre esses apoios europeus, da França, da Alemanha.
04:31E como que isso vai impactar, então, nessa pressão maior por parte dos Estados Unidos e de Israel, professor?
04:37Olha, Marcia, é muito interessante isso que o Lucas trouxe.
04:41Eu não tinha ouvido ainda falar de um apoio direto, principalmente dos países centrais europeus, França e Alemanha,
04:48a ação militar norte-americana e israelense.
04:52Precisamos analisar. Isso é quase uma tese de doutorado, né?
04:56Porque vai ser a organização do Tratado Atlântico Norte que vai apoiar?
05:02Os outros países da OTAN estão cientes e concordando com isso?
05:06Ou vai ser uma ação mais específica da Força Armada francesa e alemã?
05:12Como Trump vai aceitar isso?
05:14Porque Trump tem descaracterizado a participação europeia,
05:18ou criticado a participação europeia dos aliados europeus dentro da OTAN.
05:24Inclusive se distanciando dos aliados.
05:26Então é realmente uma informação importante para a gente discutir, né?
05:32Como a Rússia vai entender isso?
05:35Países europeus atuando numa região que é estratégica para a Rússia, que é o Oriente Médio.
05:41A Rússia está negociando a paz com a Ucrânia.
05:45Como isso vai afetar as negociações e principalmente a postura de Moscou com relação à Kiev, à Ucrânia.
05:53Então precisamos aguardar um pouco mais para entender qual vai ser esse tipo de apoio
05:59de potências centrais europeias, estou falando de França e Alemanha, destas duas,
06:05com relação a esse conflito no Oriente Médio.
06:08Eu realmente não tinha essa informação, mas é uma informação muito importante para a gente discutir.
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