00:00Estamos de volta com este plantão de domingo, agora 3 horas 32 minutos.
00:06A televisão estatal iraniana afirmou ter sido alvo de ataques após uma série de fortes explosões que abalaram Teherã,
00:14embora sua transmissão não tenha sido interrompida.
00:16A equipe técnica está avaliando os danos, disse a emissora, que também foi alvo de ataques durante a guerra de
00:2412 dias
00:25entre Estados Unidos e Israel contra o Irã no mês de junho.
00:30Líderes mundiais expressaram preocupação com a escalada de tensões e o respeito ao direito internacional.
00:37Nos Estados Unidos, democratas e republicanos fizeram críticas à ação de Trump,
00:42dizendo inclusive que o Congresso foi atropelado e que o povo americano não quer outra guerra interminável e custosa no
00:49Oriente Médio.
00:50Agora, como fica a imagem de Donald Trump?
00:53A gente relembra que 2026 é ano de eleição legislativa nos Estados Unidos.
00:58Sobre esse tema, a gente aciona mais de uma vez Guilherme Ravache para a gente tentar também entender um pouco
01:04nesse sentido, né, Guilherme?
01:05A guerra também vai causar impactos?
01:08Pode causar impactos, inclusive, para a própria popularidade de Donald Trump,
01:13que nos últimos dias a gente vê pesquisas apontando que ela está em queda, né?
01:19Qual pode ser o risco também para ele dentro da sua própria base?
01:25Tem um dado que é inegável.
01:29O Trump já não é mais tão popular quanto era.
01:31Para muitos, esse ataque dos Estados Unidos ao Irã pode ter sido uma aposta.
01:40O Trump fez uma grande aposta que pode dar muito errado.
01:46Já tem notícia de militares americanos que morreram durante a ação.
01:51São três militares já mortos na ação.
01:54Se esse número escalar, pode ser muito ruim.
01:56Por outro lado, se o Trump de fato conseguir uma mudança radical de regime,
02:01ele vai conseguir algo que os Estados Unidos não fez desde 1979.
02:07Então, seria uma grande vitória para o Trump.
02:10O Trump poderia usar isso como um trunfo a favor dele nas próximas eleições.
02:15Eu digo a favor dele.
02:16A eleição, na realidade, para o Congresso e para o Senado é importante para o Trump não perder o controle
02:22dessas duas casas
02:23por uma série de razões para ele conseguir aprovar legislações,
02:28mas até para evitar qualquer tipo de sanção ou mesmo um risco de impeachment.
02:33É muito difícil avançar um impeachment.
02:35Para avançar um impeachment a algo semelhante, ele teria que perder o apoio do Partido Republicano.
02:41Nesse momento, nada indica que o Trump vai perder o apoio dos republicanos.
02:46Tem ainda algumas dissidências em questões pontuais, não é uma animosidade entre a base e Trump.
02:55Não existe essa animosidade.
02:56Então, isso dificulta qualquer medida mais dura.
02:59Mas perder a casa seria um duro golpe para o Trump e para os republicanos.
03:04Tem ainda uma outra lógica do Trump ao atacar o Irã.
03:10Ele também pode desviar o foco de questões internas dos Estados Unidos.
03:15O que se ouve das pessoas aqui é que está caro.
03:21O dia a dia está aumentando de preço.
03:23Ir no restaurante está mais caro, comprar no supermercado está mais caro.
03:27Esse tipo de inflação que impacta as pessoas de classe média e mesmo de menor poder aquisitivo,
03:33por mais que o Trump diga que está tudo sob controle, os Estados Unidos nunca teve tão bem.
03:38A economia vai muito bem.
03:40Não é o que as pessoas estão sentindo no dia a dia, no bolso.
03:43E essa lógica de desviar o foco para o Irã, é bom que se diga, é uma ambição do Trump.
03:50Ele quer mover essa conversa, mas diversos aliados do Trump não estão de acordo.
03:56Nos bastidores tem uma pressão grande para que o Trump foque suas atenções para a economia americana,
04:02para as questões de acessibilidade, saúde, de redução de preços, questões mais pertinentes no dia a dia das pessoas.
04:16Inclusive você avalia até que Trump não estaria continuando com esses ataques, por conta disso que você falou,
04:24tenta fazer um ataque mais pontual, inclusive não envolvendo um exército, geralmente um ataque aéreo mesmo,
04:31como que você vai lá e só dá um tapa e volta, diríamos assim.
04:36Aí acaba não envolvendo o exército, americanos, e aí pode ter aquela perda, aí a comoção popular dos filhos,
04:42que são mortos nas guerras pelos americanos, ou até uma outra situação que ele vislumbra com um ataque como esse.
04:53Pablo, tem duas razões.
04:55A primeira, sim, ela é essa questão de relações públicas, de imagem.
05:00Você perder tropas americanas é muito negativo.
05:02Mas tem uma questão legal também.
05:04Nenhum presidente americano, pela Constituição americana, pode declarar guerras.
05:09Tem poucas exceções para isso.
05:10Uma dessas exceções é se o país for atacado.
05:13Aquela lei foi criada em 1973, no final, nos ecos ainda da guerra do Vietnã,
05:21justamente para impedir que um presidente sozinho pudesse tomar a iniciativa de levar os Estados Unidos para uma guerra.
05:27Os Estados Unidos entraram em uma guerra, isso tem que ser votado.
05:30Os congressistas precisam aprovar, isso não aconteceu.
05:32Mas, inclusive, no governo Obama, isso foi sendo, essa lei foi sendo esgarçada, né?
05:38Ela foi sendo contornada e, principalmente, durante vários governos,
05:45mas, principalmente, durante o governo Obama, ele passa a dar interpretação
05:49que, quando você realiza um bombardeio aéreo, você não coloca tropas americanas em risco.
05:55Então, essa interpretação da lei, segundo a interpretação, que se passou a fazer desde Obama,
06:01é que, quando você usa só bombardeio aéreo, você não está numa guerra,
06:06porque não tem tropa americana correndo risco direto.
06:09É muito mais seguro você bombardear do alto de aviões super modernos.
06:13Hoje, o risco até aumentou, porque os países adversários desenvolveram tecnologias mais avançadas.
06:21Mas, desde Obama, bombardeio aéreo é algo que se entende como passível de acontecer
06:26ou possível de acontecer sem ter uma guerra declarada, para, de fato, ter tropa no solo.
06:31Em tese... Por que eu digo em tese?
06:34A gente sabe que o Trump, ele primeiro faz e depois discute se está dentro da lei ou não
06:38ou espera ir até a Suprema Corte.
06:41Mas, tem uma questão legal aí que impede o Trump, de fato, colocar tropas no solo.
06:46O que não impediria que Israel tentasse uma incursão em solo iraniano.
06:52Aí, é uma decisão de Israel.
06:54Mas, os Estados Unidos têm uma limitação de relações públicas
06:57e também uma limitação legal para fazer esse tipo de movimento, Pablo.
07:01Agora, Guilherme, você até falou em questão de trunfo, né?
07:06A morte do líder supremo talvez possa ser utilizada pelo Trump como esse trunfo,
07:14uma grande vitória e daí acabar explorando de uma certa forma?
07:20Sem dúvida o Trump já sai com um argumento de campanha.
07:23Por quê?
07:24A gente precisa lembrar, né?
07:26Esse Ayatollah estava no comando do Irã desde 1989.
07:33Inclusive, uma das razões para o bombardeio ter sido realizado no horário que foi
07:38e do jeito que foi feito, na data que foi feita,
07:41é justamente porque surgiu a oportunidade de matar as principais lideranças do Irã.
07:49Então, os Estados Unidos tinham informação de uma reunião de alta cúpula acontecendo
07:55não só com os principais líderes militares.
08:01Claro que tinha uma série de militares de seguranças, não ser no mesmo lugar,
08:04mas, enfim, as reuniões aconteceram.
08:06E aí, Israel recebeu a informação e bombardeou onde estava o Kameine,
08:13onde estava a liderança militar da Guarda Revolucionária, da Defesa.
08:20Então, todos esses locais bombardeados, durante o dia,
08:23só para a gente lembrar no ano passado,
08:25quando os Estados Unidos bombardeou Israel, também bombardeou Irã,
08:28bombardearam de noite, de madrugada.
08:30É mais seguro para você realizar esse tipo de ação.
08:33Dessa vez, a ação foi realizada de uma maneira diferente.
08:37Foi feita ao amanhecer, já tinha luz no dia.
08:39Por quê?
08:40Para pegar justamente essa reunião.
08:42Então, sem dúvida, tem uma intenção de decapitar o comando do regime,
08:45cortar a cabeça do regime iraniano,
08:48mas também, bem sucedido como foi,
08:51sem dúvida, vira um trunfo para a campanha do Trump,
08:56e mesmo para defender a realização da guerra.
08:58Porque ele havia dito que existia uma linha vermelha
09:03que não deveria ser cruzada pelo regime iraniano.
09:06Essa linha vermelha seria a morte de civis.
09:10Isso no passado aconteceu.
09:12O Obama estabeleceu uma linha para a Síria.
09:18A Síria não deveria matar civis, protestos de civis.
09:21Não deveria matar nenhum civil.
09:23Isso foi feito.
09:25Se usaram, inclusive, armas químicas.
09:27O limite na guerra da Síria seriam as armas químicas.
09:30As armas químicas foram usadas.
09:32E os Estados Unidos pouco fez no governo Obama.
09:35Isso pegou muito mal para o Obama.
09:37E o Trump também não quer repetir esse erro.
09:39Como ele foi muito duro, não tinha como recuar,
09:44até pelo custo de manter uma armada do tamanho que está lá no Oriente Médio,
09:49à beira do Irã.
09:51Ou ele saía com uma vitória clara, com uma grande vitória,
09:53ou ele teria que ir para o bombardeio, como aconteceu.
09:56Surgindo essa oportunidade de matar os principais líderes do regime,
10:02ele avaliou que fazia sentido aproveitar a chance.
10:06Agora, isso não garante que o regime, que teve meses para se preparar,
10:11não tenha criado células para operar independentemente.
10:15Ravash, você acha, até agora, como a gente já tem algumas informações a mais,
10:20em comparação com o dia de ontem,
10:22e também a gente sabendo que Donald Trump está muito interessado em petróleo,
10:26não só do Irã, Venezuela, do mundo inteiro.
10:30Você acha que, para Trump, foi já uma operação bem-sucedida?
10:38A minha leitura é que, sim, Pablo, me parece uma ação bem-sucedida,
10:43porque, se a gente imaginar que tem um alvo, um outro alvo,
10:49que também é a China, a China já vinha reduzindo a compra de petróleo do Irã,
10:56a frota fantasma, como são chamados,
10:59o setor de 1.500 navios que operam levando o óleo da Rússia e do Irã,
11:04já estava com uma ação mais limitada,
11:06com o governo americano apreendendo esses navios no mar
11:11e, principalmente, próximos da Venezuela.
11:13Então, o óleo da Venezuela, a China já não tem mais.
11:16O óleo do Irã, que ainda iria para pequenas refinarias,
11:21as chamadas T-Pot,
11:22são refinarias independentes, chinesas, pequenas,
11:27elas recebiam petróleo do Irã,
11:29que chegavam ilegalmente por meio desses navios,
11:32e essas pequenas refinarias, chaleiras, que eles chamam,
11:36elas são limitações, elas não conseguem armazenar um grande volume de petróleo.
11:40Então, mesmo que a China tentasse se adiantar a invasão,
11:45o ataque americano,
11:46teria pouco lugar para armazenar todo esse petróleo.
11:50A consequência disso é a China, hoje,
11:52muito dependente de um único fornecedor de petróleo,
11:56que é a Rússia.
11:57A Rússia, que tem questões com a Ucrânia,
12:00obviamente, o conflito,
12:02mas se você compra de um único lugar,
12:04a tendência é que o preço suba.
12:06A gente já vê isso na prática,
12:08porque, mesmo com o petróleo iraniano
12:10sendo vendido por um preço mais baixo do que o petróleo russo,
12:14para a China, nesse momento,
12:15a China está comprando praticamente todo o petróleo dela,
12:18com a Rússia,
12:19mesmo tendo que pagar um ágio
12:21em comparação ao que o Irã está cobrando.
12:24O Irã vai ficar com o petróleo ainda mais difícil de sair,
12:28porque, das condições atuais,
12:29até mesmo para a prota-fantasma operar no país,
12:33se torna praticamente inviável.
12:35É muito difícil que isso aconteça.
12:36Então, a China fica muito dependente da Rússia,
12:40e isso também pode ser usado como moeda de negociação
12:44na visita do Trump,
12:45que acontece agora, em abril, à China.
12:48Perfeito.
12:48A gente ainda vai repercutir bastante os efeitos também
12:51no preço do petróleo tipo brand ao longo dessa semana.
12:55Obrigada, por enquanto, o Havashi,
12:56também ao Pablo, que segue aqui comigo nessa cobertura.
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