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Na madrugada deste sábado (28), Estados Unidos e Israel atacaram o Irã com mísseis. Para entender o peso geopolítico dos recentes ataques, a bancada recebe o professor de Relações Internacionais, José Niemeyer. Logo de início, o especialista classifica a atual escalada como uma "guerra conflagrada e real" ocorrendo no sistema internacional. Ele alerta que o cenário já se configura como uma guerra convencional, onde dois Estados soberanos uniram forças contra um terceiro Estado soberano, o Irã.

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Transcrição
00:00Falou também da questão de resistência, teve a guerra Irã-Iraque, que durou oito anos, é claro que um enfrentamento
00:06de forças mais próximas, umas das outras, não exatamente como os Estados Unidos, que tem uma força muito maior do
00:13que o Irã, por exemplo.
00:15A gente conversa agora com o professor de relações internacionais, José Niemeyer.
00:19Professor, bom dia, muito obrigado por atender mais uma vez a Jovem Pan. Qual é a avaliação que o senhor
00:24faz desse conflito que parecia cada vez mais iminente e aconteceu na madrugada desse sábado aqui pelo nosso horário? Professor,
00:32bem-vindo.
00:34Nonato, um prazer falar com você novamente, um abraço a Márcia também, o assinante da Jovem Pan.
00:38Irã, infelizmente, mais uma guerra conflagrada, quer dizer, uma guerra real ocorrendo no sistema internacional.
00:47Este ataque norte-americano e israelense já se configura como uma guerra convencional de dois Estados soberanos contra um Estado
00:56soberano, que é o Irã.
00:58Então, muito grave, mais um evento gravíssimo das relações internacionais neste primeiro quarto do século XXI.
01:05E aí há muitas questões para a gente discutir.
01:08A primeira questão é, eu não imaginava que Israel fosse atacar em conjunto com os Estados Unidos.
01:15Se o ataque for em conjunto é porque tanto o Pentágono como o Departamento de Defesa israelense estão buscando alvos
01:22mais estendidos no Irã, buscando mais objetivo estratégico dentro do ataque.
01:30Não foi um ataque tão pontual dos Estados Unidos.
01:34Além do auxílio de Israel, já países como a Jordânia, que são aliados dos Estados Unidos, já estão também intervindo
01:44a favor dos Estados Unidos e Israel contra interesses iranianos.
01:48Então, isso é grave porque você pode ter uma extensão do conflito, da guerra convencional, e a gente perder o
01:58controle, a partir do início da guerra, perder o controle do desenrolar da guerra.
02:03É grave também porque já foi mencionado aqui, é uma guerra que pode envolver aumento no preço do petróleo e
02:10de combustíveis em todos os países do mundo,
02:12em função de um possível fechamento do Estreito de Hormuz, precisamos ver se o Irã, a professora colocou bem, se
02:19o Irã vai ter condições de travar também uma guerra no Estreito de Hormuz,
02:25porque são lugares, uma coisa é você, um objetivo é defender o país contra um ataque, principalmente com mísseis do
02:32inimigo, né?
02:33Um ataque norte-americano e israelense.
02:35Outra coisa é deslocamento de tropas e operação logística para o fechamento e defesa do Estreito de Hormuz após esse
02:44fechamento.
02:44Então, são questões.
02:46Uma outra questão que você colocou muito bem, Nonato, é a questão da política interna norte-americana.
02:51Este ataque dos Estados Unidos hoje com Israel está fora da nova doutrina de segurança nacional norte-americana,
02:58que eu venho estudando muito, que diz que o espaço vital norte-americano hoje é a América Central do Sul,
03:07parte norte até a Groenlândia do Atlântico e parte norte do Pacífico até o Havaí.
03:12O Irã, o Oriente Médio, nesta nova doutrina estaria fora desses gitames da doutrina.
03:20Mas parece que alguém convenceu o presidente Trump, ou o presidente Trump convenceu a estrutura de Estado do Estado norte
03:28-americano,
03:29principalmente o Pentágono, Departamento de Relações Exteriores, Departamento de Estado, a fazer uma ação militar contra o Irã.
03:36Eu não tenho certeza em dizer para você claramente se esse é um objetivo do presidente Trump
03:42ou se é um objetivo das estruturas de Estado dos Estados Unidos da América.
03:47Para mim isso ainda não está claro, acho que a gente talvez nunca saiba exatamente
03:50de onde veio o interesse principal do ponto de vista da liderança em atacar o Irã.
03:56Mas aconteceu, nós estávamos aguardando isso, a Jovem Pan cobrindo muito bem nos últimos dias,
04:00e aconteceu, hoje temos uma guerra real entre Estados Unidos, Irã e também Estados Unidos auxiliado por Israel.
04:09Agora, professor, em relação aos objetivos americanos de conter, por exemplo,
04:15o enriquecimento de urânio no Irã, realmente era algo que já estava desenfreado desde o último acordo?
04:22Os Estados Unidos perderam um pouco o controle nessa questão?
04:25Olha, Márcia, é muito difícil.
04:28Nós aqui não temos informação, como tem a CIA, como tem o Mossad,
04:33como tem o serviço secreto de outros países, da China também, da Rússia.
04:36Nós não temos informação de como está o programa nuclear iraniano.
04:42O programa nuclear iraniano é uma questão.
04:45Os meios militares convencionais do Irã são outras, é outra questão.
04:50Quer dizer, qual é a capacidade do exército iraniano, qual é a capacidade da força aérea,
04:55da marinha iraniana, é uma questão.
04:57A gente tratar se o Irã tem tantas bombas nucleares,
05:00e se tem os vetores, que são mísseis, de lançamento dessas bombas,
05:05ou se tem uma força aérea preparada para, em caso de guerra nuclear,
05:09lançar essas armas nucleares, são questões completamente diferentes.
05:13Primeiro, a gente vai ter que analisar qual é o objetivo do conflito.
05:17O objetivo é destruir o processo de enriquecimento de urânio no Irã,
05:23que faz parte do programa nuclear iraniano.
05:25Se for esse, me parece, eu preciso analisar mais, né?
05:28Porque a Jovem Pan começou a analisar e eu não tenho tantas informações.
05:33Nós precisamos analisar qual é a extensão desse ataque.
05:36Porque o que está me parecendo aqui, pelas imagens que vocês estão colocando,
05:40que não é algo muito específico contra o programa nuclear iraniano,
05:46como foi a última guerra, a última guerra neste século também,
05:50entre Irã e Estados Unidos,
05:52quando os Estados Unidos tentaram anular o programa nuclear.
05:55Não devem ter conseguido anular completamente,
05:57porque é um programa que fica,
05:59como também os programas nucleares norte-americanos, russos, chinês,
06:03ficam sempre muito escondidos,
06:06dezenas de milhares de metros abaixo da terra.
06:10Isso é muito comum em processos de enriquecimento de urânio e em programas nucleares.
06:15Eles ficam muito escondidos,
06:17geralmente em montanhas de granito,
06:20para poder nenhum ataque causar muito dano ao programa.
06:23Nos Estados Unidos é assim.
06:25Uma das bases do programa nuclear norte-americano, que são algumas,
06:29fica em uma montanha muito abaixo do solo,
06:34de montanha de granito.
06:36Então, por isso que eu me lembrei da questão do granito.
06:38Para proteger o programa nuclear norte-americano,
06:40ou a parte, esta parte dele.
06:42O mesmo acontece com o Irã.
06:44Claro que em escala muito menor,
06:46é um programa nuclear muito menos avançado que o norte-americano,
06:49que o russo ou que o chinês,
06:50mas está muito bem guardado o programa.
06:53Então, eu não tenho certeza se, no primeiro ataque,
06:56houve total objetivo, não foi alcançado totalmente.
07:01Não tenho essa certeza.
07:02Mas volto a dizer, pelas imagens,
07:04me parece que não é apenas o programa nuclear iraniano
07:09que está na agenda deste ataque norte-americano e israelense.
07:13É mais do que isso.
07:14E isso pode fazer, porque isso vai envolver população.
07:18Na hora que envolve população, a moral da população,
07:21o governo dos iranianos e também dos ayatollahs,
07:25que a gente sempre fala do Irã,
07:26a gente fala o governo iraniano e os ayatollahs,
07:31que é todo o poder religioso
07:33que está embrenhado na nação governamental no Irã.
07:38No Irã, você tem um governo que atua muito a partir
07:41de um discurso daquilo que é divino,
07:44daquilo que tem a ver com a religião,
07:47com a religião islâmica,
07:49e isso faz com que a população ganhe,
07:52talvez, mais ímpeto em participar
07:55de um contra-ataque contra o inimigo,
07:57no caso, hoje, Estados Unidos e Israel.
07:59Por isso, quando você começa a perceber
08:01ruas sendo atacadas,
08:03infraestrutura civil,
08:05fora daquilo que seria o foco do programa nuclear,
08:09você pode dizer que agora temos uma guerra
08:13convencional entre os Estados Unidos e Irã,
08:15os Estados Unidos com apoio de Israel,
08:17mas uma guerra mais estendida,
08:20uma guerra com objetivos estratégicos
08:22não tão limitados como foi a primeira guerra
08:25nos últimos meses entre os Estados Unidos e Irã.
08:28Está certo. Professor Niemeyer conversando com a gente,
08:31quem está nos acompanhando com imagens,
08:33observe imagens de Jerusalém à esquerda
08:35e à direita, imagens de destruição inteira.
08:41A gente, daqui a pouco, vai atualizar essas imagens
08:43para você também.
08:44E o Fabrício Naitz, que, professor,
08:46tem pergunta aqui ao senhor também.
08:48Pois não, Fabrício?
08:48Bom dia, professor.
08:50Eu estava recordando uma conversa que nós tivemos
08:52no 3 de janeiro com a prisão de Nicolás Maduro
08:55por oficiais das Forças Armadas dos Estados Unidos
08:59lá em Caracas.
09:00E o senhor, naquela ocasião,
09:02mencionou que a entrada dos Estados Unidos na Venezuela,
09:05a captura de Maduro,
09:06reforçava um cenário de anarquia da lei internacional.
09:10Esse é o caso aqui também,
09:13porque a gente ouviu do governo de Israel,
09:16quando os ataques começaram durante a madrugada,
09:19que se tratava de uma ofensiva preventiva,
09:22quer dizer, atacar antes que nós sejamos atacados,
09:25atacados pelo inimigo.
09:27Mas não havia nenhuma evidência,
09:30pelo menos não uma prova cabal,
09:32de que o Irã estava prestes a lançar algum tipo de ataque.
09:35Poderia ser uma situação similar na sua avaliação?
09:39Fabrício, prazer falar com você novamente.
09:42Me lembro que a gente conversou sobre isso.
09:44O século XXI todo,
09:48você tem uma quantidade enorme de eventos
09:51que são eventos que vão contra o direito internacional.
09:55Os Estados Unidos foram atacados em 11 de setembro de 2001,
09:59e depois criaram a guerra ao terror,
10:01a partir do governo de Bush Filho,
10:03a doutrina daquela época de ataque ao inimigo
10:07antes que o inimigo lhe ataque,
10:08que também é muito questionada dentro do direito internacional.
10:13muitas ações não foram ou deveriam ter sido chanceladas pelas Nações Unidas,
10:20pelo Conselho de Segurança, e não foram.
10:22Então, desde 2001, você tem a Rússia agindo de maneira também ilegal.
10:29A invasão da Ucrânia, até que me prove ao contrário,
10:33ela está fora dos ditames de direito internacional,
10:37porque um país soberano e independente foi invadido e há quatro anos é atacado,
10:40e também hoje responde aos ataques,
10:42porque é uma guerra já formalizada há muito tempo entre a Ucrânia e a Rússia.
10:47Você tem as ameaças que a China faz a Taiwan.
10:50Se Taiwan buscar a independência, a China vai invadir Taiwan.
10:54Então, vivemos o século XXI numa perspectiva muito do interesse nacional
11:00de cada estado atuando no sistema,
11:03principalmente estados que nós chamamos de estados centrais,
11:07do sistema internacional.
11:08Eu diria que hoje nós temos, no sistema internacional,
11:13três agendas de três impérios.
11:15O Império Norte-Americano, o Império Russo e o Império Chinês.
11:20Posso até colocar entre aspas,
11:22mas na hora que nós percebemos que os Estados Unidos projeta poder
11:27desta maneira contra o Irã,
11:30projeta poder ou pretende projetar poder,
11:33e declarou isso a partir do presidente Trump
11:35contra a parte atlântica da Groenlândia,
11:38questiona a soberania do canal do Panamá
11:43com relação ao estado do Panamê.
11:45Eu estava lá essa semana e pude visitar o canal, inclusive.
11:48Quando a China ameaça o tempo todo Taiwan,
11:52quando a Rússia mantém a invasão de um país soberano e independente,
11:55e outras questões que nós percebemos no sistema internacional,
11:58mas são questões basicamente ligadas a estes três,
12:03essas três agendas de poder,
12:05a norte-americana, a Rússia e a chinesa.
12:07Nós percebemos que as Nações Unidas,
12:10que seria o local para uma discussão sobre o que acontece no Irã
12:17e como deveriam os estados que formam as Nações Unidas
12:21e o Conselho de Segurança proceder com relação ao Irã.
12:24Quando as Nações Unidas não participam mais disso,
12:28quando as ações partem muito a partir da ordem executiva,
12:32principalmente dessas três lideranças,
12:34chinesa, norte-americana e russa,
12:36você começa a questionar o direito internacional,
12:39porque o direito internacional pressupõe
12:42que os quase 200 países que formam o sistema internacional
12:47respeitam uma carta de direitos e obrigações dos países
12:52com relação ao próprio sistema internacional.
12:54Isso não está ocorrendo nos últimos anos deste século XXI,
13:00desta primeira quarta deste século XXI.
13:03Se nós analisarmos os 47 anos de Guerra Fria
13:06entre Estados Unidos e União Soviética,
13:09a gente vai poder dizer com uma certa certeza,
13:13os analistas de história das Nações Internacionais
13:15podem também ajudar vocês,
13:16que durante os 47 anos da Guerra Fria
13:18talvez tenha se respeitado mais o direito internacional
13:23do que esses 26 anos deste século,
13:27do ponto de vista da atuação dos países.
13:30Aí alguns vão dizer, é, mas durante a Guerra Fria
13:32não havia o agente terrorismo, né?
13:35O agente informal que nós chamamos de terror,
13:37os grupos terroristas, eles fizeram com que os estados,
13:41principalmente os estados centrais atacados,
13:43como por exemplo Estados Unidos,
13:44em setembro de 2001,
13:46fossem também a forra,
13:47numa perspectiva fora do direito internacional.
13:50É verdade, o terrorismo é uma variável
13:53que nós temos que considerar
13:54nestes 26 anos de século XXI,
13:58e talvez isso tenha feito com que os estados
14:01não esperem uma decisão das organizações internacionais,
14:05principalmente o ONU,
14:06para poder tomar uma iniciativa
14:08de proteger os seus interesses de território
14:11e interesses nacionais no geral.
14:13Mas, isso tudo está muito fora, né?
14:17Muito fora dos ditames
14:19do que prega o direito internacional.
14:21e até a próxima.
14:21Tchau, não.
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