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No JP Ponto Final, José Maria Trindade recebe o senador Nelsinho Trad (PSD-MS). O parlamentar comenta o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos, a missão de senadores brasileiros em Washington, o acordo Mercosul-União Europeia e o cenário político nacional, incluindo a possível alternativa de centro diante da polarização entre Lula e Bolsonaro. #PontoFinalComTrindade

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00:05Salve, seja bem-vindo. É bom estar aqui falando de política. Dos estúdios da Jovem Pan, aqui no
00:12Coração do Poder, o Planalto Central do país, nós vamos discutindo ali as entranhas da política e
00:17conhecendo políticos. A política é muito importante. Ela define a sua vida, a escola do seu filho, a casa
00:24que você mora e a projeção de futuro. Daí é bom conhecer exatamente os políticos. Hoje, aqui no
00:30ponto final, o senador Nelsinho Trade, do Mato Grosso do Sul. Ele é do PSD, um partido em ascensão.
00:38Senador, muito obrigado por estar aqui nos estúdios da Jovem Pan. Muito bom estar aqui com você, Zé Maria,
00:44no ponto final, dizer da minha alegria em voltar à Jovem Pan. Senador, o senhor vem de uma família
00:51tradicional do Mato Grosso do Sul, filho de um político que foi muito importante, né?
00:57Nelson Trade, né? E o que fez um médico virar político. Se você observar, a medicina, quando ela é feita
01:06com altruísmo, o médico, ele tem uma inserção em todas as camadas sociais. Desde aquele mais simples,
01:17feliz, daquele mais humilde, até o patrão dele, que por ouvir o mais simples falar bem de você,
01:26como médico, o patrão acaba indo. Então a gente se inseriu em todas as camadas sociais e vendo o
01:34exemplo do meu pai, comecei a ajudar ele nas campanhas em que ele concorria, fui pegando gosto da história
01:43e aí um dia eu falei pra ele, pá, eu vou ser candidato a vereador. Ele falou, mas você vai
01:49entrar pra política? Seu consultório tá indo tão bem. Falei, ah, eu acho que eu vou sim.
01:54Eu quero seguir o seu caminho. Aí ele falou, seja um profissional liberal, vírgula, político e não um
02:04político profissional. O senhor não abandonou o consultório, não, né? Fiquei sabendo que o senhor ainda atende, né?
02:09Eu atendo, eu tenho, meu consultório, tenho mais três colegas que atendem junto comigo, na verdade quatro,
02:16que acabou de entrar mais um. Nós somos cinco urologistas, todos da mesma área, um cuida mais da próstata,
02:25outro de cálculo renal, outro de infertilidade e assim a gente faz dali um verdadeiro centro de saúde.
02:32chama Urovida. É uma referência na urologia, eu não digo de Campo Grande, mas de todo o Mato Grosso do
02:40Sul.
02:40Pois é, o Mato Grosso do Sul e o Mato Grosso se transformaram ali numa bolha, uma bolha positiva.
02:48O desenvolvimento é visível e o agronegócio está promovendo um desenvolvimento que desequilibra,
02:56por exemplo, a prossoja da região é maior do que a prossoja nacional, para se ter uma ideia.
03:01Qual foi o pulo do gato ali, senador? Por que que essa região deu esse salto no agronegócio?
03:07Bom, primeiro, as terras próprias, apropriadas. Segundo, um povo destemido, trabalhador, de sol a sol.
03:19Terceiro, a influência da miscigenação brasileira.
03:22Tem muito gaúcho.
03:24É isso que eu ia falar. Então, por exemplo, em Campo Grande, em cada bairro tem um CTG.
03:30E você acaba tendo a cultura gaúcha inserida dentro do Mato Grosso do Sul.
03:36É o chimarrão, é o assado, é o galpão, é as prosas que eles acabam por fazer.
03:45E a gente recebe isso, assim, com muito bom grado, porque ali você vê mineiros, você vê paulistas, você vê
03:54gaúchos, você vê paranaenses.
03:57Mato Grosso do Sul é um celeiro de hospedagem de vários recantos do Brasil.
04:02É, isso transformou a região, mesmo as cidades pequenas, é visível o progresso.
04:09E, senador, há algum risco desta bolha estourar, ou seja, o agronegócio recuar?
04:16Eu penso que não, porque junto com esse progresso e esse desenvolvimento, até uma fala muito própria do governador atual
04:26do Mato Grosso do Sul,
04:27Eduardo Riedel, ele diz que vem a dor do crescimento.
04:31Lembra quando a gente está na adolescência crescendo, está com dor nas pernas, no braço, aí você vai no médico?
04:37Não, isso aí é porque esse menino está crescendo.
04:40Então, atrás do desenvolvimento vem a dor.
04:44Os problemas, né?
04:44Os problemas, por quê?
04:46Por exemplo, vou dar um exemplo para você.
04:49Está indo lá e já começou a obra, já está com 20% de obra, a maior fábrica de celulose
04:56do mundo.
04:58Ela se instalou numa cidade que tem aproximadamente 10 mil habitantes.
05:03Nossa!
05:04Sabe quantos trabalhadores vão ter só nessa fábrica?
05:0815 mil, não é?
05:0912 mil.
05:11O mais do que a população da cidade.
05:15Então, a cidade, em menos de um mês, ela duplica a sua população.
05:19Mas aí, onde é que fica esse povo todo?
05:21Escolas.
05:21Escola, posto de saúde, moradia, não tem nem conveniência, não tem bar, não tem padaria.
05:29A China faz isso em dois meses.
05:31Pois é.
05:31A China constrói uma cidade de um milhão de habitantes em dois meses.
05:36Apesar de que lá tem container para tudo que é lado, que acaba virando um alojamento de container.
05:44O cara vai primeiro, dali a pouco ele se adapta, se adequa ao serviço e leva a família dele.
05:50A gente, dias desses, fizemos uma audiência pública aqui no Senado, onde a gente levou as cinco cidades que estão
05:57diretamente impactadas por essa situação.
06:02Porque tem outras fábricas que estão se instalando em outras cidades.
06:07E levamos lá vários ministérios para mostrar para eles o que acontece.
06:14Então, e eles levaram um susto.
06:16Falaram, mas isso está acontecendo no Mato Grosso do Sul?
06:18Tá.
06:19Você precisa ter um olhar diferenciado.
06:22Verbas do Minha Casa Minha Vida vai ter que ir mais para lá, em detrimento de outra cidade que não
06:27tem isso.
06:28É, fazer unidades básicas de saúde, fazer novas escolas, novos CEINFs.
06:34Tudo tem que ter um olhar diferenciado para essas cidades.
06:37É, meio diferente mesmo, né?
06:39Senador, o Mato Grosso do Sul tem 3 milhões de habitantes, né?
06:45E a tendência lá é mais urbana ou rural?
06:49Onde estão esses...
06:50É mais urbana.
06:51Nós temos...
06:52O Brasil virou muito urbano.
06:55Mas nós temos muitas comunidades rurais, que vêm de berço, vêm de família.
07:01O avô passou para o pai, que passou para o filho, que vai passar para o neto.
07:06Tradicionais na cidade.
07:08E não perde essa ternura interiorana.
07:12Perfeito.
07:13Senador, o senhor é presidente do PSD no Mato Grosso.
07:17Conversa sempre com...
07:19Do Mato Grosso do Sul.
07:20Conversa sempre com, aliás, o Mato Grosso, no lugar que você chama do Mato Grosso do Sul.
07:24Ali, meu amigo, é uma rivalidade.
07:27É igual o Fla-Flu.
07:29Moritas e Palmeiras.
07:31Mas eu gosto bem dos cuiabanos.
07:34Eles para lá, eu para cá.
07:36É, irmãos.
07:37Eu assisti esse debate na Constituinte, né?
07:39Quando dividiu o Mato Grosso e também o estado de Goiás.
07:44E os dois se beneficiaram muito bem.
07:46E quando a gente disputou a cidade-sede para a Copa do Mundo?
07:50Aí foi uma ideia.
07:51Campo Grande com...
07:53Até hoje os caras me gozam, porque eu perdi para Cuiabá, né?
07:57Mas eles ficaram com um monte de problema lá, né?
08:00E eu peguei os recursos para poder adaptar a cidade para ser sede de Copa do Mundo.
08:05Fiz tudo o que tinha que fazer.
08:07Eles lá não fizeram.
08:08O VLT deles lá parou no meio do caminho.
08:11As obras de duplicação não andaram para frente.
08:14E lá no Mato Grosso do Sul.
08:15Um monte de órgãos de controle em cima dos ex-retores.
08:18E lá em Campo Grande eu peguei os recursos igual a eles e fiz tudo.
08:22A cidade se transformou.
08:24Perfeito.
08:24O senhor é presidente do PSD lá no Mato Grosso do Sul.
08:27Tem um contato sempre com Gilberto Kassab, né?
08:30É verdade.
08:31E ele é um trator para trabalhar.
08:34Ele faz política de manhã, de tarde, de noite e de madrugada.
08:38Não tem hora para esse cara.
08:40Ele liga para a gente, porque lá em Campo Grande o horário é uma hora menos.
08:44Certo.
08:45Lá no Mato Grosso do Sul.
08:46Então ele te acorda?
08:47Ele liga para a gente 5 horas da manhã e fala
08:49Como é que está o PSD aí?
08:51O presidente Kassab está dormindo.
08:544 horas da manhã, pô.
08:56Você quer o quê?
08:58E ele fala que vai montar, ou já montou, uma seleção.
09:02Em cada estado ele está definindo pessoas importantes e que podem crescer.
09:09Será o maior partido?
09:11Já é hoje, né?
09:12Sim.
09:13É, mas tem que passar pelo crivo popular para poder ser.
09:16É uma montagem.
09:17É uma montagem.
09:19Essa montagem já fez o PSD ter esse reconhecimento.
09:24Pelas análises daqueles marqueteiros, ninguém ganha sem os 10% que compõem o centro.
09:32É verdade.
09:32É esse 10% que vai pender para lá ou para cá para dar a vitória a quem vai ser
09:37presidente.
09:38E o Kassab está polindo a cereja do bolo.
09:42Exatamente, vai ficar um partido muito importante.
09:44Agora, se acontecer o que eu tenho ouvido dizer que poderá acontecer, que é esse cansaço
09:51da polarização entre o Bolsonaro e o Lula, ficam os dois extremos se retroalimentando,
09:59pode vir ter a chance das pessoas se despertarem para uma alternativa interessante, que é a alternativa
10:07diferente, que é essa alternativa de centro, pragmática, de resolutividade, de fazer as
10:15entregas, de mostrar o que fez cada um nos seus estados.
10:18Por exemplo, o Caiado.
10:21Fala de segurança pública, o primeiro nome que vem na sua cabeça de eficiência e de
10:27que foi um bom gestor para a segurança pública é o Caiado.
10:31Aí você vai para o Rio Grande do Sul, teve aquela enchente lá que inundou o Estado de
10:36ponta a ponta.
10:39Eduardo Leite tirou um Titanic de dentro do mar e botou na superfície de novo.
10:44Você quer uma comprovação maior do que um bom gestor?
10:47É, a arrecadação caiu, tudo caiu, o Estado não estava bem, não.
10:50Ratinho no Paraná, eficiência de entrega, resultado a tempo e a hora, ideias novas, arejadas,
10:59um cara diferenciado, diferente, levando o resultado para quem quer que seja.
11:07Esses dias eu vi um programa de educação dele, ele manda 4 mil jovens da rede estadual
11:14dele para os Estados Unidos fazer intercâmbio por ano.
11:18O cara volta falando inglês.
11:21Você lembra quando a gente era mais novo?
11:23Era um, vamos dizer, era um ou outro que conseguia fazer intercâmbio fora, porque o pai tinha
11:29que pagar aquela coisa, não tinha dinheiro.
11:31Hoje, no Paraná, isso acontece pelo programa do Ratinho.
11:37A dificuldade é viabilizar um candidato para chegar no segundo turno.
11:42Exatamente.
11:43Tudo indica que o Flávio Bolsonaro já polarizou.
11:47Não dá para desprezar o Flávio Bolsonaro.
11:49Eu gosto do Flávio, sou amigo dele, respeito ele, entendo essa missão que ele está passando.
11:58Nem sei se era isso que ele queria, porque ele estava com uma reeleição garantida no Rio
12:02de Janeiro para o Senado.
12:04com certeza ainda vai ter muita confusão que vai passar por debaixo dessa ponte.
12:09Isso atrapalha a vida da pessoa, da família, dos filhos.
12:14Mas é um cara bom, cara.
12:15É um cara que não tem o radicalismo que os outros têm.
12:19Não tem.
12:20O Flávio é moderado.
12:22Eu até brinco com ele.
12:23Pô, cara, você é diferente dos seus irmãos.
12:26Pois é, você viu?
12:27Você puxou a sua mãe, eu falo para ele.
12:30Mas é isso.
12:31A gente tem que procurar levar a política dentro.
12:34Sempre do bom humor, né?
12:36O senhor sente isso que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, fala sempre?
12:40De que as pessoas estão cansadas dessa polarização e dessa radicalização?
12:46Eu sinto isso.
12:47Eu escuto isso.
12:49Mas na hora da Vamos Ver, parece que por uma comodidade, acaba se retroalimentando.
12:55É o ódio ou o amor?
12:56É.
12:57É o não pelo não.
12:59É o contra pelo contra.
13:01E olha, é bom só para os dois.
13:05Porque eles ficam sempre na crista da onda.
13:08Eu chamo de codependência.
13:10Eu até falo que eles conversam entre eles toda noite para poder manter isso.
13:16Fala isso que eu falo aqui.
13:17É.
13:18E essa polemização continua, né?
13:21Continua.
13:22E esse processo é uma indicação clara.
13:27Líderes do PT me dizem que já esperava que qualquer um que fosse lançado lá do grupo
13:34do ex-presidente Jair Bolsonaro cresceria.
13:36Seria o Tacis, ou Flávio, ou a Michelle, qualquer um.
13:41Ou seja, o ritual está sendo seguido.
13:43É verdade.
13:44E o Bolsonaro escolheu o filho para poder dar esse espólio.
13:51O Lula torceu para que fosse um dos Bolsonaros, porque ele entende que fica mais...
13:57Ele está achando...
13:59É.
14:01Ele já conhece o métier para poder ganhar, né?
14:04E nós estamos nessa expectativa de ver uma candidatura do centro emergir para a gente
14:10poder mostrar uma alternativa para as pessoas.
14:12Muito bem.
14:14Senador, o senhor chegou na presidência da Comissão de Relações Exteriores num momento
14:19assim de mudança total do globo, né?
14:22O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mudou completamente o eixo das relações internacionais,
14:30da economia, da política de imigração.
14:32Ou seja, deu um giro no mundo.
14:35Como é que o senhor viu essa transformação?
14:39Surpreso.
14:43Porém, se você olhar um pouco para trás, como eu tive que olhar depois, ele disse que
14:49ia fazer isso na campanha eleitoral dele.
14:51Não foi isso mesmo.
14:52Não foi?
14:52Foi.
14:53Então, quem não se previniu, quem não se planejou com estratégia, enfrentou mais
15:02problemas para poder se adequar a isso.
15:04Eu te confesso que eu fiquei surpreso com a sua atitude.
15:07Logo depois do tarifácio contra o Brasil, o senhor arregaçou as mangas, criou uma comissão,
15:13colocou no avião aqui os senadores.
15:15Quantos senadores?
15:15Seis?
15:16Oito.
15:16Oito senadores e foi para o Capitólio, foi conversar com os senadores, com os deputados.
15:23O parlamentar fala com o parlamentar, né?
15:25É verdade.
15:25E como o senhor encontrou lá a política e os deputados e senadores sobre o Brasil?
15:30Eles sabiam do Brasil?
15:32Sabiam do tarifácio?
15:33Zé Maria, eu confesso para você que eu mesmo me surpreendi comigo mesmo.
15:37Aí uma vez, eu estava indo no meu consultório pegar minhas correspondências, eu já era
15:43prefeito.
15:44E estava chovendo muito na cidade e eu saí assim embaixo de um guarda-chuva e vinha vindo
15:53um senhor de lá para cá, numa descida também no guarda-chuva, ele parou, doutor Nelsinho,
15:59ninguém me chamava de prefeito ainda.
16:00Como é que está indo na prefeitura?
16:02Eu falei, olha, está muito difícil.
16:04O senhor está vendo chuva toda hora, estraga o asfalto, as coisas ficam mais difíceis.
16:13Aí ele pôs a mão no meu ombro e falou, fique tranquilo.
16:17Deus não escolhe os capacitados.
16:20Capacita os escolhidos.
16:23Aí eu olho para trás e vejo essa iniciativa que eu tive.
16:28Cara, em sã consciência, como que você ia imaginar que você ia ser recebido lá?
16:35Foram quantos que receberam o senhor lá?
16:36Nove.
16:37Nove senadores e uma deputada.
16:41Além do...
16:42Republicanos ou Democratas?
16:44Nove republicanos...
16:46Não, nove democratas e um republicano.
16:51Além da classe empresarial que chegou uma hora que a gente falou, não queremos mais agenda.
16:58Porque a...
16:58Americanos.
17:01Brasileiros, americanos...
17:02Estabelecidos lá.
17:03Estabelecidos lá, que tinham negócios com o Brasil.
17:05E aí, um olhou para o outro no meio da missão, cara, o negócio está dando certo, está indo bem.
17:12Que não sei o quê, vamos para frente, vamos bater de frente, vamos brigar pelo Brasil.
17:16Aí, no dia que nós estávamos voltando, já tinham passado quase uma semana que nós estávamos lá,
17:25veio um anúncio que o presidente Trump resolveu baixar a sobretarifa de 40%, que a somada aos 10% dava
17:3550%, em quase 50% dos produtos.
17:41Aí, um olhou para o outro e falou, já deu resultado, o que a gente veio fazer aqui.
17:46E aí, você vê em detalhe, por exemplo, será que foi o que a gente fez ou isso ia acontecer?
17:53Teve uma discussão lá, que a gente levou para os caras norte-americanos, para eles levarem para o presidente,
18:00que a gente falou assim, porra, não é justo vocês contratarem, como vocês contrataram as frutas brasileiras,
18:08ela já está no container, indo para os Estados Unidos, e chegar aqui e encontrar uma sobretarifa dessa.
18:15Não vai conseguir fazer essa venda, vai apodrecer essas frutas, vão ter que doar, vai ter que jogar tudo fora.
18:25Tem dezenas, centenas de containers assim.
18:29Um dos pontos que retirou a sobretarifa foram os containers com as frutas já embarcadas.
18:37Você acha que se nós não tivéssemos falado isso, isso ia aparecer lá?
18:42Então, foi a nossa dica que a gente deu, em função daquilo que a gente decendeu.
18:46Eu senti, senador, que houve uma junção, a parte política, comandada pelo senador Nelson Tratti,
18:54uma comissão de senadores, a parte da economia, a CNI, montou um grupo, foi lá, contratou um escritório de lobby,
19:02lobby, o lobby lá é institucional, é regulamentado, e os empresários de lá também atuaram,
19:09e evidentemente o governo, o ministro de Relações Exteriores, também atuou de uma maneira muito firme ali nos bastidores.
19:17É verdade.
19:18Tudo isso, eu fiquei com a impressão que os outros países não tomaram essa providência.
19:23Eu vi, o México, por exemplo, ficou só na fala da presidente.
19:27É, a gente tomou atitude, arregaçou a manga e foi para lá.
19:31Eu me lembro que uma vez um colega da comissão falou, você tem certeza que nós vamos para lá mesmo?
19:38Vamos apanhar aqui, vamos falar que nós estamos viajando, gastando dinheiro.
19:43Mas falaram isso aí também.
19:44Tem um pessoal lá trabalhando contra, como trabalhou.
19:48Mas a gente apartava as coisas.
19:51Aí eu me lembrei uma vez, eu estava lendo um livro do Walt Disney,
19:55E aí quando ele idealizou a Disneylândia, falaram para ele, mas isso é impossível.
20:01Sabe qual foi a resposta dele?
20:03Eu gosto de militar no impossível, porque a concorrência é menor.
20:08É, e é mesmo.
20:09E foi assim que a gente pensou.
20:11Então a gente acabou indo, teve um aparato dos assessores, que foi muito importante,
20:18um falando com o outro, amigos de lá, pegamos alguns diplomatas que trabalham com a gente
20:25na Comissão de Relações Exteriores e fomos, pegamos o conhecimento dos senadores
20:30que compuseram a comissão, por exemplo, o astronauta Marcos Pontes.
20:34Ele tem um senador que é astronauta, amigo dele, ligou para o cara,
20:38falou, pô, recebe a gente aí, vocês têm que ouvir o que está acontecendo.
20:42A Tereza Cristina.
20:42A Tereza Cristina, que já foi lá na condição de ministra,
20:47Espiridião Amin, o Jacques Wagner.
20:49Quando eu punha numa mesa a ex-ministra do Bolsonaro e o atual líder do presidente Lula
20:57pedindo a mesma coisa, os americanos falavam, epa, tem alguma coisa aí.
21:02O que vendia era que era um lado só, o Brasil não tinha direito a debater temas e tal.
21:11Me disseram, os bastidores, um integrante desse grupo, de que os senhores não falavam
21:17da próxima agenda para evitar que os contratos...
21:20Evitar que o outro lá me falasse.
21:23Vocês vão para onde?
21:23Nós vamos ali naquela esquina, que nada, já estava marcado com o outro.
21:27Aí a gente ia para não atrapalhar.
21:29Porque acho que a gente...
21:29É existir no mesmo trabalho assim?
21:31Existir, a gente...
21:33Isso aqui é mão desse, né, amigo?
21:36A gente...
21:36Quando a gente viu onde nós estávamos pisando, a gente procurou, mas sem agredir ninguém,
21:42buscando pragmatismo, sabe?
21:45Querendo...
21:47O setor do agro ia ser muito afetado.
21:50Muito.
21:51Então, a gente se uniu a isso.
21:53Pegamos esses empresários que militam nesse setor, na venda de exportação de carne,
22:00celulose...
22:01A celulose, sabe o que aconteceu?
22:03Eles tiraram toda a tarifa.
22:05Além dos 40 e 10, zeraram.
22:08Teve poucos produtos que fizeram isso.
22:10Mas alguns produtos ainda ficam, né?
22:12O setor de madeiras, não é isso?
22:13É.
22:14Aí, no dia que a gente acordava e ia tomar café, eu evitava de tomar no hotel.
22:19Eu falei, eu vou lá naquele bar, lá para ver como é que é o café desse povo.
22:23Café preto, suco de laranja.
22:26Eu falava, isso aí vai dar encrenca para esse presidente.
22:29Vai cair a popularidade dele.
22:31Porque não tem igual o nosso café, o nosso suco de laranja.
22:34Não tem.
22:36É, lá eles fazem um blend, né?
22:37Eles misturam o café brasileiro com o café do Vietnã, que é um grande produtor de café.
22:41Mas parece que eles tiveram uma queda na safra e eles iam ficar sem ter.
22:46Tem tudo isso também.
22:48Certo.
22:48E nessa sua presidência lá na comissão, outro assunto que eclodiu na sua gestão, que
22:55é esse acordo que é importante, o acordo Mercosul-Comunidade Europeia.
23:03A comunidade é o nosso segundo maior cliente.
23:09O Brasil exporta mais para a China.
23:12Isso.
23:12Depois para a Europa, se considerar a Europa com todos os países.
23:18Os Estados Unidos entram como segundo, se não considerar a Europa como bloco.
23:23Então é um assunto muito importante.
23:24Agora o que eu vejo é que todos falam da grande vantagem do Brasil, o agronegócio vai
23:31ter uma vantagem, teve uma reação muito forte da França, dos agricultores franceses,
23:37que são muito politizados.
23:38Qualquer coisa eles enchem a chanselizei de estrumbes, né?
23:42E esqueceram que o vinho brasileiro, tecnologia brasileira, equipamentos eletrônicos...
23:48Leite.
23:49Leite.
23:51Azeite.
23:52O azeite brasileiro, os cosméticos, né?
23:56Isso tudo será afetado, vai concorrer diretamente com produtos europeus.
24:01É.
24:01A gente, em função disso, a gente criou um grupo de trabalho, formado por técnicos,
24:07assessores legislativos, capacitados, que cada um com uma interlocução com o setor apropriado,
24:13um com a indústria, outro com o agro, junto a esse grupo de trabalho, senadores que estão
24:19dispostos a fazer parte, aí um setor levanta a mão e fala, ó, com a implantação do acordo
24:26o meu setor foi prejudicado.
24:28Está aqui os números.
24:29O que nós vamos fazer?
24:30Nós vamos pegar esse setor, levar no Ministério a fim, seja da agricultura, seja da indústria
24:38e comércio, para a gente poder achar mecanismos de compensação.
24:41Porque no todo, uma proteção nacional, porque no todo o acordo foi bom para o Brasil.
24:48Aquele Luiz Rua, do Ministério da Agricultura, ele tem uma projeção de um acréscimo de 5 bilhões
24:59de dólares ano para o Brasil nas exportações do agro, só do agro.
25:04Agora é interessante, senador, que esse tarifaço norte-americano melhorou as relações do Brasil
25:12com vários outros países, abriu novos negócios e agora o acordo com o Mercosul, quer dizer,
25:18o mundo anda exatamente assim.
25:21Mas nós vamos tomar vinho francês mais barato?
25:23Vamos.
25:24Champagne francesa mais barato, queijo deles lá mais barato.
25:27Se bem que igual o nosso queijo de Minas, não tem, né?
25:30Não tem, não, não.
25:30A nossa aguardente também é algo que é a Orconcur.
25:35Eu sou da região produtora de aguardente, a região do Vale do Jequitonha, Salinas, Medina,
25:40como é assim.
25:41Então, eu sou muito nacionalista, defendo muitas coisas do Brasil.
25:46Mas quem gosta de produto importado vai sentir que parateou.
25:50Isso é certeza.
25:51Muito bem.
25:53Senador, e o que fica de lição nessa história toda, nesse balanço do mundo de tarifas e
26:00de restrições de vírus?
26:01Ô Zé, a lição é o seguinte.
26:04Eu sou um cara que tem na minha personalidade muito forte o sentido da gratidão.
26:11Eu agradeço a Deus e ao povo do Mato Grosso do Sul por ter me dado a oportunidade de representar
26:18o meu Estado e o meu país no Senado, porque eu jamais ia imaginar na minha vida que eu
26:24ia poder bater uma foto com o presidente Trump, com o presidente Xi Jinping, com o presidente
26:30Putin.
26:31Eu tenho uma foto com esses caras, assim, eu do lado deles.
26:36Então, Deus e o povo do Mato Grosso do Sul me deu essa oportunidade.
26:40Eu agradeço dia após dia.
26:42Eu entro naquele Senado, eu passo na minha cabeça, tá a hora de agradecer.
26:47Faço uma prece e continuo o meu trabalho.
26:50Uma lição, assim, de ousadia e iniciativa.
26:56Eu não sou de extremos, Zé.
26:58Não sou.
26:59Se eu tiver que pagar um preço por isso, eu vou pagar.
27:02Porque eu não sou.
27:03Eu sou conciliador.
27:04Eu gostaria de pegar a mão do Bolsonaro com a mão do Lula e dar a mão dos dois e
27:09falar
27:10chega de confusão.
27:11Vamos achar aqui um caminho para a gente progredir para o bem do Brasil.
27:16Porque aquele que está lá na ponta e que porventura está me vendo, ele pode ter até
27:21uma paixão por um ou por outro.
27:23Mas, na hora do vamos ver, ele quer a vida melhorar para ele.
27:28Com as ações das políticas públicas que possam melhorar para ele.
27:32E é nesse sentido, eu sou de um, uma geração, forjado na política, através de exemplos,
27:40de quem faz entrega e resultado.
27:43Eu sucedi um prefeito que fez 870 obras.
27:49E eu, na sucessão dele, fiz 1.044.
27:53Porque todo dia eu acordava e falava, eu tenho que superar o número de obras que esse cara
27:58fez.
27:59E não é pintar meio fio, não.
28:01Eu não posso sair na rua da minha cidade que todo mundo olha para mim e fala,
28:05volta a ser prefeito, seu lugar é aqui, você tem que voltar a ser prefeito.
28:10E é isso.
28:11Muito bem, uma conversa boa aqui com o senador Nelsinho Trade, presidente da Comissão de
28:16Relações Exteriores do Senado Federal, que fez sim um grande trabalho aí nesse episódio
28:23do Tarifácio.
28:24Fico por aqui, muito obrigado e continue aqui na Jovem Pan.
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