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  • 2 weeks ago
“A última geração de primeiros” | “The last generation of firsts”

O objetivo desta roda de conversa é compartilhar processos de ascensão e apropriação de movimentos de ineditismo e autonomia. Sobre como é e está sendo construído nossos espaços e o sentimento de ser "a última geração de primeiros", como diz Samatha Almeida.

✅ Vitor Martins | Especialista em Diversidade e Inclusão LATAM do Nubank
✅ Samantha Almeida | Diretora de criação na Globo

Mediada por Monique Evelle

RODAS DE CONVERSA NUBANK + AFROPUNK

AFROPUNK BAHIA vem honrar o legado dos que vieram antes e dos que aqui estão para ser o primeiro festival de celebração de trajetórias e protagonismos afroindígenas no Brasil.

Junto a NUBANK, vamos exaltar a memória, reinterpretar o passado e construir futuros a partir da partilha e da construção de muito AFETO, AUTONOMIA e PODER.

Celebramos a alegria de sermos “a última geração de primeiros”.
Transcript
00:00:00Because if the system doesn't make any sense, we can change the system.
00:00:13My friends, I'm back, I'm back, I'm back as always, because here is Afropunk Bahia.
00:00:24Afropunk Bahia desembarcando diretamente na primeira capital do Brasil, o estado mais negro, estou falando de Salvador e também da Bahia, é Afropunk Bahia, o maior festival de cultura negra do mundo.
00:00:37Só que o Afropunk, assim como você, espero, porque eu faço isso, reconhece quem veio antes e também passa o bastão, o legado, para quem está chegando agora também.
00:00:48E a parte boa é que o Afropunk não veio sozinho, não veio aqui só com o Monique, conversar com vocês, porque a gente veio com o Nubank.
00:00:57O Nubank é uma das maiores plataformas digitais de serviço financeiro do mundo, é muita grandeza, perspectiva de abundância, gente.
00:01:06Afropunk Bahia, Nubank juntos e os nossos convidados aqui, nossas convidadas de hoje, para a gente falar sobre autonomia, sobre ascensão.
00:01:15E como uma das convidadas que está aqui mesmo diz, seremos a última geração de primeiros.
00:01:22Eu estou falando de Samanta Almeida. Por favor, Samanta, chegue mais e se apresente para além do currículo.
00:01:31Fale do currículo que é importante, mas quem é Samanta quando ninguém está vendo?
00:01:36Mãe, estou na Afropunk, gente. Ai, que divertido.
00:01:43Primeiro, um imenso prazer, muito obrigada pelo convite.
00:01:47Monique sempre muito gentil, muito querida, levando a gente nos lugares mais carinhosos,
00:01:53nos lugares mais negros juntos desse Brasil.
00:01:57Então, muito obrigada por me convidarem, estou muito animada de estar aqui.
00:02:02Meu nome é Samanta Almeida.
00:02:04Antes de tudo, eu sou uma mulher preta de 40 anos, apaixonada por música, por arte,
00:02:11apaixonada por boas histórias, apaixonada e muito curiosa pela vida,
00:02:16e eu acho que é por isso que eu faço o que eu faço.
00:02:19Hoje eu estou diretora da área de estúdios da TV Globo,
00:02:23área de estúdios que cria os conteúdos,
00:02:26que ajuda a construir esse imaginário coletivo das novelas, das séries,
00:02:31dos programas que você vê aí na sua casa.
00:02:34Então, é um imenso prazer poder estar aqui para me apresentar
00:02:38e também para participar dessa conversa com pessoas que eu amo e admiro.
00:02:41Então, essa sou eu e a gente vai conversando ao longo do dia aqui.
00:02:46Ainda bem que você aceitou, né?
00:02:49Porque o medo é sempre não ter agenda.
00:02:51Essa galera que em Salvador, na Bahia, a gente chama de barril dobrado, né?
00:02:55Que significa que é incrível, entende?
00:02:57Às vezes não tem agenda, mas está tudo bem,
00:02:59porque está colocando as pautas em outros lugares também.
00:03:01Então, que bom que você está aqui no AfroPunk.
00:03:04E vou chamar ela também, Vitor Martins,
00:03:07que é a pessoa, assim, ainda bem que a gente trabalha juntos também,
00:03:11porque eu estou ali no Nubank, ver minha gente,
00:03:13daqui a pouco eu vou me apresentar primeiro as convidadas aqui,
00:03:16depois eu falo um pouquinho.
00:03:17Então, tenho muito orgulho de estar com você nessa jornada também,
00:03:20junto com o Nubank, Vitor.
00:03:25Olá, gente. Boa noite.
00:03:27Boa noite não, né?
00:03:28Bom, vou voltar para não marcar o tempo.
00:03:32Olá, gente. Tudo bem?
00:03:34É um prazer inenarrável estar com vocês.
00:03:36Já queria super agradecer esse convite.
00:03:39Sim, trabalho com o Monique, né, gente?
00:03:42Ai, isso é babado a gente fofoca e falar mal dos outros, né?
00:03:46Porque se tem uma coisa que eu gosto, assim...
00:03:48Quem é Vitor?
00:03:49O Vitor gosta de uma fofoca e eu nem pergunto nada para ninguém, tá?
00:03:53É o povo que vem me contar.
00:03:54Eu fico sabendo, né?
00:03:55Ai, fazer o quê, né?
00:03:57Não sou obrigada a não saber das fofocas da vida.
00:04:00Bom, eu sou uma pessoa trans, barra queer,
00:04:03mas vocês podem me tratar em qualquer pronome do universo de vocês,
00:04:07porque eu vou continuar aqui bonita, toda natural, inteligente, né?
00:04:10Porque foi para isso que eu vi no mundo.
00:04:12E quando eu ando na rua, o povo fica dizendo assim,
00:04:14Ê, fulano é feio.
00:04:16Eu nem olho para trás, porque eu sei que não é comigo.
00:04:18Definitivamente não é comigo, né?
00:04:20Porque se tem uma coisa que eu entrego,
00:04:22é beleza na sociedade, né?
00:04:24Além de ser muito inteligente, né?
00:04:25Depois vocês podem observar o meu currículo Lattes
00:04:29ou o meu LinkedIn, que lá tem todos os meus títulos,
00:04:32todos os meus prêmios,
00:04:33tudo aquilo que eu já ganhei nessas coleções
00:04:35que a gente vai adquirindo ao longo da vida.
00:04:37E como a própria Monique falou,
00:04:39hoje estou especialista em diversidade e inclusão Latinoamérica.
00:04:42Agora eu não sou mais Brasil, né?
00:04:44Agora me gusta hablar em espanhol
00:04:46com los chiquitos e las chiquitas.
00:04:48E sigo atuando aí como especialista
00:04:52dentro da nossa empresa global, Nubank.
00:04:54E é isso, assim.
00:04:55Estou aqui nesse espaço
00:04:56para contar um monte de coisa para vocês
00:04:58que Monique já disse assim,
00:04:59olha, contar tudo sem filtro.
00:05:01Então hoje vocês vão saber absolutamente tudo,
00:05:03exceto a minha idade.
00:05:05Porque eu não vou contar esse fato para vocês.
00:05:07Diferente da amiga Samanta,
00:05:08que já foi dizendo de cara a idade dela, né?
00:05:1140 com cara de 20.
00:05:16Ai, Vitor.
00:05:17Que figura, gente.
00:05:18Está tudo bem.
00:05:19Tem gente que é jovem há mais tempo aqui,
00:05:21tem gente que é jovem há menos tempo, entendeu?
00:05:24E está tudo certo.
00:05:25E eu sou Monique Evelyn, minha gente.
00:05:27Eu sou Salvador.
00:05:28Eu sou de Salvador.
00:05:29Sou Nordeste duas vezes.
00:05:31Nascida e criada no Nordeste de Amaralina.
00:05:33Só que é importante a gente estar circulando pelo mundo.
00:05:36Inclusive agora estou em Nova York, entendeu?
00:05:38Cada pessoa aqui na tela está em um lugar do mundo
00:05:40porque a Diazpora se encontra
00:05:42nesse ponto de encontro chamado celebração
00:05:45que é o Afropunk Bahia.
00:05:47E eu queria ouvir de você, Samanta.
00:05:49Quando e como você se descobriu negra?
00:05:56Ai, Monique.
00:05:57Pergunta difícil.
00:05:58Porque eu não sei se eu me descobri negra, na verdade.
00:06:01Eu acho que talvez eu tenha descoberto essa negritude
00:06:06no lugar de potência que ela é hoje, nos últimos anos.
00:06:10E isso tem muito a ver com o calor da pauta racial na sociedade.
00:06:19Mas eu não me descobri negra.
00:06:22Quando você nasce, especialmente, é importante dizer,
00:06:25eu sou uma garota do Rio de Janeiro,
00:06:27nascida e criada na comunidade da Rocinha.
00:06:29Eu fui para São Paulo.
00:06:31Hoje eu fico entre São Paulo e Rio por causa do trabalho.
00:06:34Mas eu fui para São Paulo com 13 anos.
00:06:36E a minha relação com essa negritude,
00:06:40especialmente no Rio,
00:06:42ela sempre teve muito atrelado a ter tido acesso a lugares
00:06:46onde, geralmente, pessoas negras não têm acesso.
00:06:49Então, vinda de uma família periférica,
00:06:52durante toda a minha infância bolsista,
00:06:54eu transitei em muitas escolas, em cursos,
00:06:58em muitos acessos, onde eu era a única pessoa negra naquele espaço.
00:07:02E isso, por si só, acabou construindo com muita...
00:07:07Até, de uma maneira, muitas vezes, muito dura,
00:07:11mas isso acabou construindo com muita evidência
00:07:13de que eu não era igual às pessoas que estavam ali
00:07:17e que isso estava relacionado à minha negritude.
00:07:20Óbvio que, cada vez mais,
00:07:22e eu acho que com o amadurecimento
00:07:25do que significava essa negritude nos espaços,
00:07:29já que eu era única,
00:07:31como é que eu iria construir essa identidade
00:07:34a partir de não ter referências,
00:07:36a partir de me afirmar naquele espaço,
00:07:38a partir de me entender também naquele espaço,
00:07:41é claro que ela foi se modificando.
00:07:43E hoje, eu falo da minha idade com 40 anos
00:07:45porque eu tenho muito orgulho
00:07:47de ter construído uma trajetória de mulher negra aos 40 anos,
00:07:51porque a gente sabe que viver por si só para as mulheres negras
00:07:55ela é um grande...
00:07:57Eu diria...
00:07:58Ela é mais que um desafio,
00:07:59mas ela é um grande valor para a gente, né?
00:08:03Então, eu gosto de dizer que, obviamente,
00:08:06nos últimos anos, essa negritude se transformou
00:08:09não só uma questão de identidade
00:08:12e não só o fato do reconhecimento enquanto indivíduo,
00:08:15mas ela se tornou também ferramenta de existência
00:08:18na sociedade e de trabalho.
00:08:21Então, hoje, eu tenho cada vez mais sustentado em mim,
00:08:27cada vez mais desenhado em mim
00:08:29que, como dizia muito a minha mãe,
00:08:32que o mundo não é sobre você,
00:08:35mas ele é sobre o que você é capaz de fazer nele
00:08:39a partir de quem você é.
00:08:41Então, essa atuação no mundo hoje
00:08:44ela é a partir de cada vez mais uma consciência
00:08:47dessa mulher, dessa mulher negra,
00:08:50dessa mulher negra periférica de 40 anos
00:08:53que tem uma posição, hoje, social
00:08:56que pode influenciar os espaços onde ela está inserida.
00:08:59Então, a minha negritude foi descoberta com o meu nascimento,
00:09:03mas ela, sem sombra de dúvidas,
00:09:05hoje ela se transforma em uma ferramenta
00:09:08de atuação no mundo que é cada vez mais sólida.
00:09:12Então, é daí.
00:09:13Ai, maravilha!
00:09:16Eu estou ouvindo você falar aqui e eu tenho 27 anos
00:09:19e eu lembro que quando eu tinha 24
00:09:22você falou uma frase para mim
00:09:24e essa frase virou a chave a ponto de eu estar aqui hoje
00:09:27no Afropunk, por exemplo, com o Nubank.
00:09:29Você falou...
00:09:31A gente estava conversando sobre várias coisas, viu, gente?
00:09:33Não vou abrir também tudo, não.
00:09:34Não vou abrir a caixa de Pandora.
00:09:36Mas aí você falou, faça o seu momento.
00:09:38Você é o momento.
00:09:39Porque hoje é o...
00:09:40Virou meme, né?
00:09:41É o momento e não sei o quê, mas você falou comigo...
00:09:43Eu acho que foi com 23 para 24,
00:09:45quando eu pedi demissão ali do Profissão Repórter.
00:09:47A galera...
00:09:48Não, por quê?
00:09:49Pedir demissão, não sei o quê.
00:09:50Eu falei, eu acho que não é isso.
00:09:51Mas não significa que eu não tenha um momento de volta.
00:09:55Eu volto também num lugar de podcast, de entretenimento.
00:09:58E aí eu entendi que eu sou o momento,
00:10:00assim como Jay-Z nos ensinou,
00:10:03que ele não é um homem de negócios.
00:10:05Ele é um negócio.
00:10:06E eu quero te entender também, Vitor,
00:10:08assim, nesse lugar de como é que você
00:10:11e a gente também, até para trazer dicas, por favor.
00:10:13Quero saber, viu?
00:10:14Como é que tem sido esse caminho de se apropriar
00:10:17de processos de ascensão no âmbito profissional?
00:10:20Porque é muito potente te ver fazendo isso.
00:10:23Há um ano estava sendo contratada.
00:10:25Aí agora é Latam, entendeu?
00:10:27Contratada para Brasil.
00:10:28E agora é América Latina.
00:10:30Como tem sido esse lugar?
00:10:34Boa, ótima pergunta.
00:10:35Assim, vou ser obrigada a revelar a minha idade, gente.
00:10:38Porque todo mundo falou, eu tenho 15.
00:10:43É isso.
00:10:44Depois me sigam para as mais dicas de beleza.
00:10:47Bem, esse ponto, assim, para mim,
00:10:50ele é muito crucial no sentido de...
00:10:52Hoje eu falei disso numa talk que eu dei em uma empresa.
00:10:56E assim, a minha mãe era empregada doméstica.
00:10:59Ela inclusive foi demitida faz um mês e 15 dias.
00:11:01Assim, olha, quem tiver aí uma vaga de emprego,
00:11:03Santa Catarina, Florianópolis, por favor, me avise depois.
00:11:06Mas acho que ela não vai querer voltar a trabalhar, não.
00:11:08Acho que agora ela vai querer se sentar pela bicha preta.
00:11:11E, em paralelo, eu sou essa pessoa
00:11:16que a renda é muito diferente da renda da minha mãe.
00:11:19Assim, é absurdamente diferente.
00:11:22E esse processo de...
00:11:24Vejam bem, né?
00:11:25Porque, imagina, eu me constituí,
00:11:28sempre fui a viadinha, a gayzinha,
00:11:31desde os seis anos de idade,
00:11:33onde as pessoas se sentiam autorizadas
00:11:35a dizer que eu seria ou cabeleireira ou prostituta,
00:11:38desde os seis anos autorizadas a dizerem isso para mim.
00:11:42E eu nunca quis isso para mim.
00:11:44Não que eu tenha preconceito com as profissões.
00:11:46Eu acho elas super importantes e necessárias.
00:11:49No sentido de...
00:11:52Mas no sentido de eu não queria que essas profissões...
00:11:56Eu não me imaginava nesses lugares.
00:11:58Eu queria ser outra coisa, né?
00:11:59Porque eu queria ser professora de religião.
00:12:01Depois eu fui ressignificando isso
00:12:03e cheguei a, finalmente, o que eu queria,
00:12:05que é ser psicóloga.
00:12:06Inclusive, a minha colação de grau é na semana que vem,
00:12:09a segunda, porque eu já sou formada.
00:12:12E no meio desse processo,
00:12:14de ir entendendo o meu processo de ascensão,
00:12:20coisas que eu queria,
00:12:21eu sabia muito que eu não queria mais ser pobre
00:12:24e a minha mãe sempre me criticou por isso
00:12:26e eu dizia assim para ela,
00:12:28se você tem vocação para ser pobre, eu não tenho.
00:12:31Mas é de um lugar de que a pobreza, para mim,
00:12:34foi uma pobreza de quase passar fome.
00:12:36Então, eu não queria reproduzir,
00:12:39eu não queria que essa experiência se perpetuasse.
00:12:42Eu gostaria de ter outras experiências na minha vida.
00:12:46E essas outras experiências,
00:12:48elas caminhavam para o lugar que é o acesso financeiro.
00:12:51Então, hoje, mesmo estando,
00:12:54tendo alcançado esse espaço de acesso financeiro,
00:13:00de ascensão profissional,
00:13:01ele também continua sendo um lugar questionado.
00:13:05E eu vou dar um exemplo prático para vocês.
00:13:07Outro dia, eu estava no supermercado,
00:13:09escolhendo o extrato de tomate,
00:13:11o homem parou atrás de mim,
00:13:13bateu nas minhas costas e perguntou
00:13:15o quanto era o meu programa.
00:13:17Essa pergunta só é possível
00:13:20porque há uma leitura sobre a minha identidade de gênero
00:13:24e também há uma racialização sobre quem eu sou.
00:13:27Então, é muito provável, gente,
00:13:29que eu ganhe, sei lá, dez vezes mais
00:13:31do que aquele homem que bateu no meu ombro
00:13:33perguntando quanto é que era o meu programa.
00:13:36Mas, na cabeça dele, isso jamais vai encaixar.
00:13:39Porque há uma lógica de funcionamento
00:13:41que nunca vai me reconhecer socialmente
00:13:44como essa pessoa que, por exemplo, ascendeu na vida.
00:13:48E está tudo bem, né?
00:13:49Porque o dinheiro é para mim, o dinheiro não é para ele.
00:13:52Mas o meu processo, assim,
00:13:54foi muito relacionado a um processo de educação.
00:13:58Eu estudava muito, gente.
00:14:00Eu estudava absurdamente.
00:14:02Obviamente, não parto do lugar de que talvez
00:14:04várias horas que eu dediquei a estudo
00:14:07eu gostaria de estar brincando,
00:14:08mas eu não tive essa oportunidade.
00:14:10E aqui não é para romantizar o processo,
00:14:13mas para dizer que foi essa a minha realidade,
00:14:17eu tive essa experiência de vida.
00:14:19E todo esse tempo dedicado a estudo
00:14:22ele resultou em alguma coisa.
00:14:24Eu lembro que, no total, assim, gente,
00:14:27acho que eu passei em 13 vestibulares.
00:14:2913 eu fui 14 vestibulares.
00:14:31Eu estudava, de fato, em demasia.
00:14:34E aí, quando eu resolvi ingressar no mercado de trabalho,
00:14:38eu já fiz...
00:14:39Até o meu processo, assim,
00:14:41de reconhecimento no mercado de trabalho,
00:14:43eu sempre julguei o meu primeiro emprego
00:14:46num salão que eu trabalhava na área administrativa.
00:14:49E depois, ao repensar muito e elaborar o que era trabalho para mim,
00:14:54eu entendi que o meu primeiro emprego
00:14:56foi vendendo brigadeiro na quinta série
00:14:59porque eu queria lanchar.
00:15:00A minha mãe não tinha dinheiro para lanchar.
00:15:02Então, eu vendia brigadeiro para comprar meu lanche.
00:15:05Era basicamente.
00:15:06Aquilo foi o meu primeiro emprego na quinta série.
00:15:10Então, os processos de aprendizagem
00:15:12do chegar aqui hoje...
00:15:14As pessoas podem ir lá no meu LinkedIn
00:15:16e elas vão ver que antes do meu cargo no Nubank,
00:15:19eu era estagiário.
00:15:20Alguém vai lá e vai dizer assim,
00:15:21nossa, mas de estagiário para especialista,
00:15:23que é o cargo mais sênior técnico dentro de uma empresa.
00:15:27Gente, mas não é aquela história de
00:15:29de zero a um milhão
00:15:31que as pessoas contam aí nas revistas.
00:15:36A minha história é que eu sempre me preparei muito.
00:15:39Eu só estava estagiária naquele momento.
00:15:42Mas a minha senhoridade não era de uma pessoa estagiária.
00:15:45Então, eu acho que esse processo de me reconhecer,
00:15:49de me apropriar,
00:15:51eu acho que boa parte disso também foi no sentido de me apropriar,
00:15:55de saber que a minha carreira,
00:15:57de reconhecer os meus títulos,
00:15:59de reconhecer os meus diplomas,
00:16:01de saber que eu era muito boa,
00:16:03e que não são...
00:16:05As pessoas vão querer te nivelar,
00:16:07mas você também é a pessoa que pode determinar quem você é.
00:16:11Esses foram processos muito importantes para mim,
00:16:14sobretudo no sentido de passar a negociar
00:16:17os espaços onde eu gostaria de estar.
00:16:20Hoje eu sou uma pessoa trans, uma pessoa queer,
00:16:24reconhecida nacionalmente
00:16:27pelas agendas que eu cuido, agendas de diversidade,
00:16:31eu adquiri visibilidade na minha carreira,
00:16:33mas eu sou tão poucas
00:16:35dentre várias outras que estamos,
00:16:37deveríamos ser muito mais nesses espaços.
00:16:40Então, eu acho que tem, obviamente,
00:16:43tem algo que é estar neste lugar,
00:16:46me faz querer trazer outras pessoas junto comigo,
00:16:49mas também me faz pensar
00:16:51de que há toda uma estrutura
00:16:53que precisa ser mudada para que essas pessoas
00:16:55cheguem a esses lugares sem passar pelo que eu passei,
00:16:59sem ter quase passado fome,
00:17:01sem muitas vezes não ter o dinheiro da passagem
00:17:03para ir para a escola,
00:17:04e todos os etc. da vida.
00:17:11E eu fico aqui pensando,
00:17:12porque comigo não foi diferente não, tá?
00:17:14Daqui a pouco não sei para onde vai o caminho dessa conversa,
00:17:18e as coisas vão ficando mais emocionantes,
00:17:20porque a gente vai lembrando, né?
00:17:21Porque muita gente, quem vê de fora,
00:17:23você que está assistindo a gente, por exemplo,
00:17:24eu acho que a gente brotou.
00:17:26Brotamos.
00:17:27Eu saí do Nordeste, ok, ganhei o mundo.
00:17:29Samantha saiu do Rio de Janeiro, ganhei o mundo.
00:17:31Vitor...
00:17:32Não é assim, gente.
00:17:33Existe uma jornada.
00:17:34Reconheçam também as jornadas de vocês.
00:17:36E só voltando para você ainda, Vitor,
00:17:39a cabeça.
00:17:40Como é que você cuida com tantas mudanças aceleradas
00:17:43e quando você fala também, né?
00:17:45Você ganha provavelmente dez vezes,
00:17:47vinte vezes mais que muita gente, inclusive sua mãe.
00:17:50Como é que você cuida do seu emocional
00:17:52e da sua saúde mental para continuar fazendo o trabalho que faz?
00:17:55Tá.
00:17:56Bom, tem várias estratégias, assim.
00:18:00Uma, minha preferida, eu amo comer.
00:18:03Ah, então assim, olha, me convidou para comer, é comigo mesmo.
00:18:07Ai, vamos ali.
00:18:08Gente, eu tenho pena de gastar dinheiro com muita coisa,
00:18:11mas eu não tenho pena de gastar dinheiro com comida.
00:18:13Que tem dois lugares.
00:18:15O lugar do...
00:18:16Eu passei tanta necessidade na minha infância e na minha adolescência
00:18:21que, para mim, toda vez que eu saio para comer,
00:18:23é sempre uma experiência.
00:18:25E, em geral, juro para vocês, gente, sempre volta memórias,
00:18:29às vezes, do passado.
00:18:30Especialmente quando eu vou em restaurantes
00:18:32que o prato da refeição é muito caro.
00:18:34E eu lembro que, tempos atrás, eu jamais poderia estar naquele lugar
00:18:39comendo aquela comida.
00:18:41Então, uma das minhas formas de me autocuidar é a comida, assim.
00:18:46Eu realmente como, assim...
00:18:48Ai...
00:18:49Por exemplo, agora eu inventei que eu não gosto mais de sorvete de pote
00:18:52de supermercado.
00:18:53Agora eu só como...
00:18:55Agora eu só como gelados.
00:18:57E é isso.
00:18:59E dá tudo bem.
00:19:00É...
00:19:01Então, esse é um ponto.
00:19:02Porque eu não vou ficar aqui dizendo para vocês...
00:19:04Ai, façam terapia.
00:19:05Eu sou uma pessoa quase psicóloga.
00:19:07É psicóloga.
00:19:08A terapia, ela é importante.
00:19:10Ela é extremamente importante e relevante.
00:19:12Mas as formas de autocuidado, elas não vão ser só num psicólogo.
00:19:17Senão, a gente passa a normatizar de que só há uma forma de se autocuidar.
00:19:21Há várias outras formas de se autocuidar.
00:19:23A terapia é uma possibilidade, eu super indico, mas não é a única.
00:19:28Uma outra coisa que eu faço é...
00:19:31Eu passei a fazer atividade, voltei para a academia.
00:19:34Agora que eu já estou vacinada, tomei minhas duas doses de vacina.
00:19:37Então, se vacinem, quem ainda não se vacinou e está aí nos assistindo,
00:19:41se vacinem, por favor.
00:19:43E a academia me ajuda muito a oxigenar.
00:19:47Demais, demais, demais, demais, demais, demais, demais.
00:19:50Porque eu respiro melhor, eu processo melhor.
00:19:54Então, tem tudo isso.
00:19:56A terapia, né?
00:19:58A terapia é super importante.
00:19:59Ela até está parada por conta do mês da consciência negra.
00:20:02Mas eu estava fazendo terapia até outubro.
00:20:05Retomo a terapia em dezembro.
00:20:07Se minha psicóloga estiver me assistindo, em dezembro eu volto, viu?
00:20:11Então, eu acho que isso, sim.
00:20:13E dicas além.
00:20:14Porque a terapia, e aí falando do meu lugar de psicologia,
00:20:18nem sempre ela é acessível.
00:20:20Financeiramente acessível.
00:20:22Nós somos um curso de uma área, de um produto, de um serviço ainda muito elitista.
00:20:27Nem todas as pessoas conseguem acessar esse serviço.
00:20:30Então, eu acho que isso, assim.
00:20:32Eu super indico.
00:20:33Converse com as pessoas, com seus amigos.
00:20:36Agora que a gente já está vacinado e consegue ter algum tipo de mobilidade nas ruas.
00:20:41Tenha oportunidade de se sentar num parque e olhar para o horizonte e não fazer nada.
00:20:47Uma coisa que eu super valorizo no meu discurso, e eu digo isso para as pessoas, é valorizem o ócio.
00:20:52Não tem nada de errado vivenciar o ócio em alguns momentos.
00:20:56Essa ideia de que a gente tem que ficar 24 horas trabalhando, inclusive é uma produção moderna.
00:21:03De que a gente precisa estar sempre numa loja de produtividade.
00:21:07O ócio também é parte do nosso autocuidado.
00:21:10Maravilha.
00:21:11E no início aqui, minha gente, não sei se vocês lembram, mas eu citei logo Samanta, uma frase que ela costuma falar e eu quero que ela explique para todo mundo.
00:21:22E tentando também projetar, Samanta, como é que a gente realmente pode se tornar essa última geração de primeiros.
00:21:29Porque eu não aguento mais ser a primeira da minha família a ter casas.
00:21:33A primeira da minha família a poder ficar fora estudando nos Estados Unidos.
00:21:36A primeira a...
00:21:37Como é que a gente rompe esse ciclo que é perverso de ser a primeira da família em uma sociedade como a nossa?
00:21:44Explica para a gente.
00:21:46Eu acho que quando eu escrevi sobre isso, eu gosto muito de escrever.
00:21:50Eu acho que esse é um ponto...
00:21:51Uma coisa que o Vitor traz que eu concordo plenamente é que existem muitas maneiras de cuidar da gente,
00:21:56cuidar do nosso emocional.
00:21:58O que eu faço é escrever.
00:22:00Eu escrevo muito, escrevo desde sempre.
00:22:02E há muito tempo que eu escrevi essa frase sobre ser a primeira geração,
00:22:07ser a última geração dos primeiros.
00:22:09Porque, obviamente, quando a gente vai contando aqui as nossas histórias,
00:22:13eu sou uma geraçãozinha antes de vocês,
00:22:16tinha muito um certo valor em ser o único, em ser o primeiro.
00:22:22Olha que interessante como a gente fala sobre esse lugar do debate da construção coletiva.
00:22:28Ele é tão importante porque em determinado momento da nossa história,
00:22:32ser colocado como o único negro na sala,
00:22:35ou ser colocado como o primeiro da sua família a se formar,
00:22:38isso era um grande orgulho.
00:22:40E durante muito tempo esse lugar foi até muito protegido
00:22:44para garantir que tivesse esse olhar de exclusividade.
00:22:48Daí, com o passar do tempo, e eu acho que isso há uns 20 anos atrás,
00:22:53logo quando eu comecei a minha carreira,
00:22:55agora eu vou fazer 24 anos de mercado,
00:22:58eu comecei a sentir que era muito difícil conseguir construir coisas novas,
00:23:03pautar novas ideias quando você está sozinho.
00:23:06Porque apesar da gente falar muito sobre um trabalho coletivo,
00:23:11a gente sabe que no nosso dia a dia é muito difícil fazer novos processos,
00:23:17engajar as pessoas a mudar o formato do que elas sempre fizeram
00:23:21e sair daquela zona de conforto para pensar em outras realidades possíveis,
00:23:26ao mesmo tempo que o nosso mercado, eu sou da área de comunicação,
00:23:30vive muito sobre o novo, a busca do novo, da tendência,
00:23:34mas sem perceber que a gente mesmo cria modelos
00:23:37que inibe a construção desse novo.
00:23:39E aí eu comecei a perceber na prática que ser a única do espaço,
00:23:44que ser a primeira me fazia não avançar,
00:23:47me fazia não conseguir construir uma identidade cultural coletiva,
00:23:52propor coisas novas para além da minha própria perspectiva,
00:23:56de compartilhar com outras pessoas esse lugar de futuro possível
00:24:00e, obviamente, ainda não consciente nesse começo de carreira,
00:24:05o que eu estava dizendo era estar nesse lugar é muito desconfortável
00:24:10porque olhar para o lado e não ver pessoas como eu me faz menor,
00:24:15mas eu não conseguia materializar isso até que
00:24:19a primeira oportunidade que eu tive num cargo gerencial,
00:24:23porque eu acho que hoje a gente vive uma linha hierárquica
00:24:27nas companhias cada vez mais compartilhada,
00:24:30mas isso também é um processo novo,
00:24:34acho que a gente tem percebido que mais do que hierarquias,
00:24:37a gente precisa de colaboração para processos,
00:24:40e ali no primeiro momento onde eu tenho a oportunidade
00:24:43de construir times, de propor coisas e ter um lugar de voz na mesa,
00:24:48o meu movimento não foi, e eu sempre falo isso,
00:24:51não foi pensado, mas foi um movimento de sobrevivência
00:24:54que é de trazer para a mesa pessoas que compartilhassem
00:24:57essa mesma visão de mundo, para poder criar um coro alto,
00:25:01para criar uma construção, uma voz alta,
00:25:04para compartilhar um lugar, um sonho, um desejo,
00:25:12e aí ali no finalzinho dos anos 90, no início de 2000,
00:25:18eu começo a querer pensar que, calma,
00:25:22se isso me faz falta, se eu tenho essas demandas pessoais
00:25:28que eu acho que estão faltando no meu mercado de trabalho,
00:25:31na época eu trabalhava ainda com produto,
00:25:34ainda no universo de...
00:25:38eu trabalhei bastante com moda, com comunicação, com PR,
00:25:42ainda nesse lugar eu dizia, cara,
00:25:45será que isso que me faz falta não faz falta para mais pessoas?
00:25:48E quanto mais pessoas eu trazia para construir esse lugar,
00:25:51mais essa vontade se tornava mais ampla,
00:25:54mais perspectivas novas eu conseguia entender na mesa,
00:25:58e mais atuante eu era e mais visibilidade no meu trabalho eu tinha.
00:26:02Então eu comecei a perceber que a ferramenta de transformação
00:26:05que eu buscava não era só dividir um sonho,
00:26:07mas dividir uma prática.
00:26:09E é por isso a última geração dos primeiros,
00:26:11porque quando você adentra o lugar,
00:26:13vocês sabem tão bem quanto eu,
00:26:15quando você sendo uma pessoa que adentra o lugar
00:26:18e você não tem as mesmas referências
00:26:20do que as pessoas que já estão nesse lugar,
00:26:22só a sua presença modifica aquele espaço,
00:26:25porque você pensa diferente,
00:26:27você vê o mundo diferente,
00:26:29você responde a estímulos diferentes.
00:26:32E aí pensar que isso era um movimento
00:26:36e que isso não era uma carreira individual
00:26:38mudou, fez um plot twist mental para mim.
00:26:42Me colocou no lugar de começar a pensar
00:26:45que então aquilo não se resumia a mim,
00:26:48tinha muito mais coisas que eu não estava vendo,
00:26:50tinha muito mais novidades,
00:26:52objetivos, pessoas, perspectivas
00:26:55e quanto mais isso foi se montando,
00:26:57mais eu percebi que a gente estava fazendo uma geração
00:27:00e que esse movimento,
00:27:01hoje especialmente eu estou muito feliz
00:27:03porque eu recebi grandes notícias
00:27:06e por isso que eu falo sobre ser o formato de uma geração,
00:27:09porque eu percebo existe uma ascensão individual,
00:27:13aqui a gente está contando nossas três trajetórias,
00:27:15mas existe também um mundo lá fora
00:27:18que precisa saber que esses lugares pertencem a essas pessoas.
00:27:22E aí a gente começa a criar
00:27:24o que eu falo que é uma rede de construção do futuro,
00:27:27porque para que eu, para que o Victor,
00:27:29para que Monique pudessem chegar nesse lugar,
00:27:31nós vivemos tempos de ascensão econômica histórica,
00:27:35nós vivemos as leis de cota,
00:27:37nós vivemos acesso aos espaços,
00:27:39nós vivemos um processo de educação institucional profundo,
00:27:44que eu me pergunto hoje, e é por isso,
00:27:47tanta preocupação desse olhar no futuro,
00:27:49se é que nós estamos construindo as mesmas coisas
00:27:52para que venham essas novas gerações
00:27:54e possam nos abastecer de visões que a gente ainda não tem.
00:27:58Então, a ideia de que nós seremos a última geração dos primeiros
00:28:02é uma tentativa de sobrevivência,
00:28:05da nossa sobrevivência enquanto comunidade,
00:28:08mas também da sobrevivência dos projetos,
00:28:11dos produtos, dos serviços
00:28:13que precisam desses novos olhares
00:28:15para continuar relevante na vida das pessoas.
00:28:17Então, é um convite ser a última geração dos primeiros,
00:28:22para que a gente possa entender que viemos de algum lugar,
00:28:25mas que também precisamos entregar um mundo para uma geração
00:28:29e a gente precisa preparar essa geração com os acessos que nós tivemos.
00:28:34É um convite para todo mundo que está aqui,
00:28:37você aí que está assistindo, minha gente,
00:28:39o Afropunk inteiro, em peso,
00:28:41porque dia 27 tem show, tem Mano Brau,
00:28:45tem Duquesa, Ilê Aê, tem Malia,
00:28:48tem tanta gente que chega, é tanto peso que chega,
00:28:51minha voz falhou, minha gente, é tanta gente pesada.
00:28:54E continuando com você, assim, eu estou te ouvindo
00:28:56e fico pensando como será que Samanta consegue equilibrar
00:29:00o que é responsabilidade do que é fardo,
00:29:03até para não transformar a responsabilidade em fardo
00:29:05e você paralisar.
00:29:07Como é que você faz isso?
00:29:09Porque eu tento todos os dias, às vezes,
00:29:11pesa, peço ajuda.
00:29:13Como é que você faz no dia a dia?
00:29:15Faz ébó, tem dia que faz ébó.
00:29:17É, muito ébó.
00:29:20Mas você sabe, Monique, que eu tenho...
00:29:23Eu preciso ser muito honesta, porque, de uma certa forma,
00:29:27eu acho que nós somos um coletivo, mas também somos indivíduos.
00:29:32E na minha individualidade, eu nunca entendi
00:29:36nem a minha profissão, nem os meus espaços como fardo.
00:29:40E eu te explico o porquê, assim, sabe?
00:29:42Eu fui criada num lugar e, obviamente,
00:29:45acho que todo mundo tem as suas histórias
00:29:47e eu acho importante que a gente valide ela.
00:29:49Mas eu fui criada num lugar onde, muitas vezes,
00:29:52o que a gente precisava ter é sonho de futuro.
00:29:55Porque o presente em si era muito duro,
00:29:58ele era muito...
00:30:02Ele era muito pouco valioso para as pessoas.
00:30:06Aquele presente representava alguns destinos certos.
00:30:11Eu falo sobre isso porque eu acho importante lembrar
00:30:14que para que eu conseguisse chegar no lugar,
00:30:18nos lugares e sonhar e estar nesses espaços que eu estou hoje,
00:30:22eu precisei sonhar esses espaços
00:30:24e os meus pais sonharam muito esses espaços.
00:30:27Eu também sou filha de uma família típica brasileira.
00:30:30Minha mãe era auxiliar de enfermagem,
00:30:32se formou com 50 anos de idade.
00:30:35Meu pai é um eletricista.
00:30:37Eles abdicaram de muitas coisas na vida
00:30:40para que a filha deles pudesse ter acesso a uma boa escola,
00:30:43para que eu pudesse ter feito inglês, teatro.
00:30:47Eu brinco que meus pais fizeram escolhas
00:30:49que hoje eu fico pensando
00:30:51como é que eles apostaram que a educação daria certo desse jeito.
00:30:55Eu brinco que o brasileiro,
00:30:59e especialmente os pais, eu falo muito da minha mãe,
00:31:03é um sonhador nato,
00:31:05assim, tem muita fé, né?
00:31:07Um Paulo Freire treinano, assim, muito clássico,
00:31:09que acreditava que a educação seria revolucionária.
00:31:13Então, eles não me criaram no fardo,
00:31:17eles me criaram no sonho.
00:31:19E é claro que sem romantizar nem um pouco
00:31:21que a trajetória é muito difícil,
00:31:23que às vezes sonhar é muito difícil,
00:31:25e que é difícil sonhar quando você tem condições de vida muito precárias,
00:31:29mas é fundamental que a gente não perca essa capacidade,
00:31:33porque é também no assassinato do sonho que assassina-se o futuro.
00:31:37Então, eu nunca tratei e não trato como fardo.
00:31:41Absolutamente nada.
00:31:43Eu faço aquilo que dá,
00:31:45eu faço o melhor que eu tenho,
00:31:47eu entrego o melhor que eu posso,
00:31:49e eu entendo também as minhas limitações.
00:31:51E muitas vezes eu tenho dito muito isso,
00:31:53talvez eu não seja tudo que as pessoas esperam,
00:31:57ou talvez eu não entregue tudo que as pessoas esperam,
00:32:00mas eu sei que eu entrego tudo aquilo que eu posso.
00:32:02E que eu faço aquilo dentro do ambiente onde eu estou,
00:32:05eu tento ser o mais honesto com aquilo que eu acredito.
00:32:08E é por isso que a gente teve as nossas conversas,
00:32:13e várias pessoas,
00:32:15eu sempre tento estar disponível para as conversas,
00:32:18para contar que, cara,
00:32:19tem caminhos que eu já trilhei que podem ser mais fáceis,
00:32:22tem coisas que eu já aprendi que pode ser mais,
00:32:24que você pode ter uma perspectiva de alguém que passou por isso.
00:32:28E muitas vezes eu acho que esse lugar,
00:32:31esse lugar que a gente coloca para a gente,
00:32:34é um lugar que ele precisa ser prazeroso,
00:32:37ele precisa ser celebrado.
00:32:39Eu celebro muito as coisas que eu conquistei,
00:32:42eu celebro muito as oportunidades que eu posso criar hoje para a minha família,
00:32:46para as pessoas que eu cuido,
00:32:48eu celebro muito para uma geração.
00:32:50Então, minha mãe tinha uma coisa,
00:32:52ela dizia que...
00:32:54E essa é uma experiência que eu carrego muito.
00:32:57Às vezes, você está num lugar e você está sozinho,
00:33:01porque muitos dos espaços, eles são determinados para algumas pessoas,
00:33:07essas pessoas não são como você.
00:33:09Mas eu sempre tive uma idealização mental de que eu jogo para a minha torcida,
00:33:15sabe?
00:33:16Porque eu sempre soube que, de alguma forma,
00:33:19nós estamos conectados globalmente,
00:33:21nós estamos conectados em diáspora,
00:33:23tem muita gente torcendo por mim.
00:33:25E não por mim, Samanta,
00:33:26mas para que pessoas como Samanta consigam exercer a sua máxima potência.
00:33:31Então, nessas épocas de escola que eu estudava em colégios particulares,
00:33:36muito como bolsista,
00:33:38e minha mãe sabia que muitas vezes estar naquele lugar por si só era muito difícil,
00:33:43ela fazia questão de sentar na primeira fila,
00:33:46sempre, em qualquer evento.
00:33:48Fosse uma apresentação de colégio,
00:33:50ela sentava sozinha lá na primeira fila.
00:33:52E ela ficava me olhando com aquela cara de
00:33:54estamos todos aqui por você.
00:33:56E eu nunca vou me esquecer,
00:33:58porque hoje, seja qualquer lugar que eu estou,
00:34:00às vezes eu entro numa reunião global,
00:34:02como em Cannes,
00:34:03onde eu apresentei os cases vencedores do Brasil na minha categoria,
00:34:07e eu falava para a câmera,
00:34:09mas eu olho lá e eu vejo aquela minha torcida sentada.
00:34:12Porque eu sei a responsabilidade que é,
00:34:16mas é uma responsabilidade muito prazerosa.
00:34:19É muito prazer, sim, poder exercer o máximo da potência
00:34:23e conquistar ainda mais espaços.
00:34:25Eu não tenho humildade no sentido de não garantir de que eu sempre acho que estou só começando
00:34:34e que o mundo é o limite e que tem muita coisa para ser feita, para ser conquistada,
00:34:38porque eu sei que quando eu avanço, muita gente avança comigo porque eu me comprometo a avançar muita gente.
00:34:46Então, honestamente, eu não separo o fardo porque eu também entendo os meus limites.
00:34:52E quando eu não atendo, eu acho que quando eu não atendo as expectativas,
00:34:56eu também entendo que as expectativas são do outro, não são minha.
00:34:59Eu estou absolutamente confiante que eu estou entregando o melhor que eu posso
00:35:03e quando eu não posso, eu deixo para a próxima, na próxima eu volto, sabe?
00:35:08Então, eu te confesso que eu sou muito grata, cara, com a vida que eu tenho.
00:35:15Porra, da onde eu sair e até aqui, tudo isso aqui é prazeroso, essa luz aqui,
00:35:20receber essa água, estar com vocês aqui.
00:35:23Eu levo, tenho muito prazer e muita diversão nisso.
00:35:28E tem que ser assim, né, minha gente? Porque não só a dor nos une.
00:35:31Eu não estou aguentando mais, assim, sério.
00:35:33Porque não dá para a gente ser o tempo todo clandestinamente felizes.
00:35:39O que eu quero dizer com isso?
00:35:41A gente tem que comemorar as vitórias e parar de ficar com receio
00:35:44porque está dando certo, que bom que está funcionando.
00:35:47A gente quer que funcione para mais pessoas também.
00:35:50Então, por favor, quem está assistindo, saia dessa sombra aí de ser clandestinamente feliz.
00:35:55Celebre, porque a gente sempre celebrou.
00:35:57A história da humanidade mostra que tentaram acabar com a nossa felicidade.
00:36:01Vamos resgatar. Afropunk é a celebração.
00:36:05E por isso, eu queria te ouvir, Vitor.
00:36:07Considerando que você já falou aqui sobre quase passar fome
00:36:10e considerando o que Samanta apontou de sonho,
00:36:13como continuar sonhando estando no limite?
00:36:17Boa.
00:36:19Eu, assim, gente, eu tenho um monte de sonho.
00:36:21Eu digo hoje assim, menino, eu tenho tanta correntinha para fazer na minha vida.
00:36:25Primeiro que os meus filhos estão me esperando daqui 10 anos, né?
00:36:29Daqui 10 anos eu vou adotar 3 adolescentes e irmãos.
00:36:33Eu tenho certeza que o universo vai me preparar para recebê-los e eles me receberem.
00:36:41Isso é uma certeza da minha vida.
00:36:43Esse é um sonho.
00:36:44Um outro sonho meu, gente, é montar uma padaria.
00:36:46Então, assim, em breve eu quero ser aquela pessoa que vai estar sentada.
00:36:51Ei, seu Luiz, o pão acabou de sair.
00:36:53Você não vai vir pegar os seus pães hoje, não.
00:36:55E aí eu passei, eu cultivo muito essa ideia do sonho.
00:37:01Eu acho que a Samanta falou que esses sonhos basicamente funcionam como motores da nossa vida.
00:37:08Eu acho isso tão potente e aí a gente precisa avaliar com o respectivo cuidado no sentido de...
00:37:16Eu sempre tive muitos sonhos, mas toda vez que eu mirava nas coisas que eu queria fazer e que eu tentava encontrar materialidade,
00:37:25ou seja, exemplos, me careciam de exemplos.
00:37:29E aí muitas vezes a gente tenta limitar esse sonho porque a gente não encontra uma materialidade.
00:37:36A gente não encontra mil Moniques, a gente não encontra mil Samantas,
00:37:41a gente não encontra um milhão de nós mesmos nos espaços onde a gente quer tanto ocupar e estar.
00:37:50E só que isso não pode ser um limitador da nossa jornada.
00:37:55Porque a gente deve endereçar...
00:37:57E pra mim foi muito isso que eu trouxe para mim.
00:38:00E eu não quero universalizar isso, mas foi como funcionou pra mim.
00:38:03Eu entendia que, já que não tinha ninguém, por que não ser eu?
00:38:08E por mais difícil que fosse acreditar nessa mensagem,
00:38:11foi exatamente essa mensagem que me trouxe até aqui.
00:38:15Então, quando eu falo de adoção de três crianças,
00:38:22e eu vou adotar três crianças negra que é para arrumar barraco na rua, né?
00:38:26Que é para...
00:38:27Está chamando meu filho de feio, de feio por quê?
00:38:30E aí quando eu penso no meu processo de adoção no futuro,
00:38:35quando eu penso na minha padariazinha assim,
00:38:37sentada e eu vendo o pão com o pão quentinho,
00:38:39o pão dessa padaria é bom.
00:38:42É sobre a possibilidade de nos manter vivos.
00:38:47É sobre a possibilidade, inclusive, de ressignificar esses sonhos
00:38:53e que a gente, às vezes, não precisa ser a pessoa mais rica do mundo para ser feliz.
00:38:58Os sonhos de felicidade também podem ser aqueles onde a gente se reconhece.
00:39:04Pode ser um de aqueles onde, de fato, nós vamos poder ser quem nós queremos ser.
00:39:10Eu sempre digo para as pessoas que eu não tenho...
00:39:13Eu sempre disse para minha mãe que eu não queria ser pobre,
00:39:16mas eu também não quero ser essa pessoa que, sei lá,
00:39:19aparece na capa para dizer que tem uma fortuna avaliada
00:39:22e não sei quantos bilhões de reais.
00:39:24Por que eu não quero isso?
00:39:26Porque este não é meu sonho.
00:39:28Mas eu tenho outros tipos de sonho que alimentam a minha expectativa de vida,
00:39:32que alimentam a minha trajetória.
00:39:34Muitos de vocês devem parar nesse exato momento
00:39:38ou em vários momentos da vida de vocês
00:39:40e pensar em aposentadoria
00:39:42ou pelo menos tentar pensar em aposentadoria.
00:39:46Gente, eu tenho 28 anos.
00:39:48Agora eu falo em minha idade de verdade.
00:39:50A expectativa de vida de pessoas trans negras é 28 anos.
00:39:56Eu estou na minha velhice.
00:39:58Sim.
00:40:00Isso é tão complexo de pensar.
00:40:02Reflitam sobre isso.
00:40:04Que enquanto as pessoas estão planejando aposentadorias financeiras,
00:40:09eu estou vivendo a minha velhice aos 28 anos.
00:40:12E se eu passo dessa estatística,
00:40:15significa que é muita potência de vida
00:40:19pensar que eu posso superar este lugar.
00:40:22Então, todos os dias, quando eu saio na rua,
00:40:25eu corro o risco de não voltar.
00:40:27É isso, assim.
00:40:28Eu corro o risco de não voltar.
00:40:30Mas há algo que me move em direção a querer voltar para casa,
00:40:38independente da possibilidade de não poder voltar.
00:40:42E uma das coisas que me move são os meus sonhos.
00:40:46Alguns dos meus sonhos são uma padoca e três filhos.
00:40:52Eu só queria fazer um comentário,
00:40:56porque eu sempre penso...
00:40:58A gente está falando muito de tempo de sonhos urgentes, né?
00:41:01Porque quando a gente fala que a gente sonha,
00:41:04não é esse lugar utópico, não,
00:41:05de que você só projeta
00:41:07como se você não tivesse ação para esse projeto.
00:41:10Mas eu tenho, e eu acho que talvez
00:41:13o que a gente esteja vivenciando agora,
00:41:15nesse momento onde você tem o debate
00:41:18sobre a inserção de grupos minorizados
00:41:21dentro do mercado corporativo,
00:41:24onde você tem pessoas sendo inseridas
00:41:26até para construir esse lugar para outras pessoas.
00:41:29Tudo isso foi sonhado
00:41:31e foi construído pelo movimento negro.
00:41:33Tudo isso foi sonhado
00:41:35e foi construído pelos que vieram antes.
00:41:37E eles precisaram acreditar
00:41:39que a gente entenderia esse lugar
00:41:41e que a gente faria algo com esse lugar.
00:41:44Então, eu penso muito de que a gente talvez,
00:41:48e quando você falou sobre ser o primeiro,
00:41:51durante muito tempo as pessoas falam assim,
00:41:53a primeira pessoa negra no borde,
00:41:55a primeira pessoa negra em canes,
00:41:57a primeira pessoa negra...
00:41:58E esse lugar de primeiro é importante
00:42:01para que ele seja entendido como possível.
00:42:05Precisa ser possível,
00:42:06porque depois que tem o primeiro
00:42:08vem o mundo inteiro.
00:42:10É sobre esse lugar de ser o primeiro,
00:42:12o primeiro deixou de ser peso
00:42:14porque ele se tornou a responsabilidade
00:42:16de quebrar uma barreira,
00:42:18de quebrar um espaço
00:42:19e determinar que aquele é seu também.
00:42:21E fazer um bom trabalho,
00:42:23e fazer uma grande presença nesses espaços
00:42:26para que a gente seja mais do que ponte,
00:42:29mais do que a gente seja fonte.
00:42:31A gente tem falado muito sobre isso,
00:42:33ser fonte de onde brota a nossa vivência,
00:42:37a nossa experiência.
00:42:38E aí, de novo, né?
00:42:40Vitor trouxe lindamente de que
00:42:42é necessário sonhos ativos
00:42:45porque só chega no futuro
00:42:47quem olha para ele e se vê lá.
00:42:49A gente precisa de um futuro
00:42:50onde a gente caiba também.
00:42:53Não, sem dúvidas, né?
00:42:54E eu só estou aqui também por causa de sonhos, tá, minha gente?
00:42:57Vocês vão falando, eu vou lembrando,
00:42:59tem uma frase que meus pais falavam muito comigo,
00:43:01de sonhar, imaginar e criar.
00:43:03Então, tudo o que eu sonhava,
00:43:05minha mãe falava assim, tá, qual o próximo passo?
00:43:07E o dia seguinte?
00:43:09Então, minha gente, essas frases são de minha mãe, entendeu?
00:43:11Junto com meu pai, que eu cresci ouvindo
00:43:14e entendi que poderia ser muito potente
00:43:16quando eu verbalizasse para outras pessoas.
00:43:18Então, eu sonhei muito com esse momento, por exemplo.
00:43:20E agora a gente está criando juntos.
00:43:22É muito melhor criar de bonde,
00:43:24vir de bonde, coletivamente.
00:43:26Isso não deixa,
00:43:28isso não vai deixar a minha subjetividade ser anulada.
00:43:31Eu sou a Monique Evelyn,
00:43:33tenho meus sonhos individuais também,
00:43:34tenho meus sonhos coletivos,
00:43:36mas é tão bom ver tudo isso acontecendo aqui,
00:43:38principalmente no Afropunk,
00:43:40que me dá, sei lá,
00:43:42eu vou ficar emocionada se eu falar mais.
00:43:44Mas eu tenho mais umas duas dúvidas para vocês.
00:43:47E pensando nisso de futuro ainda, Samanta,
00:43:49assim, quais são as trilhas e os acessos
00:43:52que vocês e você, principalmente, deseja, né?
00:43:55E está ativamente abrindo,
00:43:57construindo para o futuro,
00:44:00para passar o bastão para pessoas como eu,
00:44:02como o Victor,
00:44:03como outras que estão assistindo a gente aqui agora.
00:44:07A primeira coisa que a gente precisa trabalhar,
00:44:09e eu acho fundamental que a gente coloque isso
00:44:12em todos os espaços que a gente tiver,
00:44:14são metas.
00:44:16Com quais metas, né?
00:44:18Aonde eu quero chegar,
00:44:20e quanto eu quero chegar,
00:44:22e quanto tempo eu vou levar para chegar,
00:44:24quanto gasta para chegar.
00:44:26Eu gosto muito da ideia de projetar esse espaço
00:44:30e desenhar ele de trás para frente
00:44:32de onde eu estou hoje
00:44:33e onde eu vou estar amanhã.
00:44:35E é óbvio.
00:44:36É claro que a gente está falando de metodologias pessoais,
00:44:38cada um vai construir a sua jornada,
00:44:40mas para que a gente construa,
00:44:42foi o que eu disse,
00:44:43para que exista uma segunda geração
00:44:45de primeiros, terceiros,
00:44:46e um bonde todo,
00:44:48é preciso que essas pessoas recebam
00:44:50essa oportunidade no agora.
00:44:52Porque sonhar o futuro é construir no agora.
00:44:55Então, quais são?
00:44:56Eu acho fundamental que a gente exija
00:44:58os acessos sejam construídos para todos.
00:45:01É fundamental que a gente use
00:45:03cada vez mais as ferramentas
00:45:05que nós temos disponíveis
00:45:06para distribuir esses acessos,
00:45:09para sentar nos lugares.
00:45:11E aí, eu sempre deixo a cargo
00:45:14das individualidades,
00:45:16de como cada um desenvolve
00:45:18a sua relação no seu espaço,
00:45:20mas que a gente nunca esqueça
00:45:22que você é mais forte
00:45:23quando você está fortalecido
00:45:24pelo seu coletivo.
00:45:25Então, em todos os espaços
00:45:27onde você está,
00:45:28como é que você constrói
00:45:29o espaço para o coletivo?
00:45:30Como é que você traz as pessoas
00:45:32para dividir o pensamento com você?
00:45:34Isso é um exercício, tá?
00:45:35É muito importante que a gente pense
00:45:37que a gente está mudando
00:45:38um modelo de comportamento
00:45:40e de pensamento
00:45:41que foi totalmente construído
00:45:42no indivíduo,
00:45:43construído nos méritos únicos.
00:45:45E o que a gente está dizendo
00:45:46e está propondo
00:45:47que para a nossa sobrevivência
00:45:48no mercado de trabalho,
00:45:49a nossa sobrevivência
00:45:51no planeta,
00:45:52a nossa sobrevivência
00:45:53como futuro possível,
00:45:54a gente está caminhando
00:45:55para essa construção
00:45:56que é do coletivo.
00:45:57Então, para que a gente faça isso,
00:45:58precisa ter intencionalidade.
00:46:01Intencionalidade
00:46:02é fazer isso que a gente
00:46:03está fazendo aqui,
00:46:04é verbalizar quais
00:46:05são os seus sonhos
00:46:06e como você quer construir
00:46:07esses sonhos.
00:46:08Quais são as metas?
00:46:09Quando a gente diz
00:46:10nós queremos mais pessoas
00:46:11negras no mercado corporativo,
00:46:12quantas pessoas a gente
00:46:14está falando?
00:46:15Qual é o seu plano
00:46:16de ação para isso?
00:46:17O tempo inteiro,
00:46:18construir o sonho
00:46:19e o plano de ação.
00:46:21Hoje, eu acho que dá,
00:46:22talvez,
00:46:23o nosso grande desafio
00:46:24e aí,
00:46:25seja,
00:46:26como é que a gente usa
00:46:27essa grande janela
00:46:28de oportunidade
00:46:29que tem acontecido
00:46:30nos últimos cinco anos,
00:46:32onde o debate está,
00:46:33onde o debate é real,
00:46:35onde existe uma consciência
00:46:37coletiva sendo formada,
00:46:39onde as pessoas apontam
00:46:40uma marca,
00:46:41apontam um produto,
00:46:42apontam um produto cultural
00:46:43e dizem,
00:46:44isso não me representa,
00:46:46isso daqui não faz sentido
00:46:48para mim.
00:46:49Como é que a gente aprofunda
00:46:50esse debate?
00:46:51Como é que a gente sai
00:46:52dessa fotografia
00:46:54que hoje a gente olha e fala,
00:46:55ah, nós queremos mais
00:46:57pessoas negras
00:46:58num produto,
00:46:59como é que a gente sai
00:47:00para dizer, calma,
00:47:01mas nós queremos mais
00:47:02pessoas negras
00:47:03em todos os espaços,
00:47:04nós queremos pessoas negras
00:47:05em tomadas de decisão,
00:47:06nós queremos pessoas LGBTQIA
00:47:08e mais,
00:47:09desenvolvendo o seu máximo potencial,
00:47:11não tendo limite
00:47:13para a sua existência.
00:47:14Como é que a gente
00:47:15constrói esses lugares?
00:47:16Acho que cada um
00:47:18vai descobrindo
00:47:19o seu formato
00:47:20para construir esse lugar,
00:47:22mas é importante
00:47:23que a gente tenha
00:47:24o mesmo objetivo.
00:47:25O meu lugar,
00:47:26o meu espaço,
00:47:27sempre foi através
00:47:28da empregabilidade.
00:47:29Eu acredito profundamente
00:47:30na empregabilidade,
00:47:31no rodar das oportunidades,
00:47:33eu acredito no lugar
00:47:34de cocriação profissional
00:47:36e aí essa é a minha
00:47:38batalha individual.
00:47:39Cada um tem o seu espaço
00:47:41dentro dessa mesma trincheira,
00:47:42dentro dessa mesma guerrilha
00:47:44e a gente precisa encontrar
00:47:45qual o seu.
00:47:46O meu é entender
00:47:47que eu sou absolutamente
00:47:48apaixonada pelo meu trabalho,
00:47:49eu sou absolutamente apaixonada
00:47:51por construir realidades
00:47:53a partir de perspectivas múltiplas,
00:47:55então eu preciso dessas pessoas
00:47:56trabalhando comigo,
00:47:57eu preciso dessas pessoas
00:47:59trabalhando em rede comigo
00:48:00e não à toa
00:48:01que todas as pessoas
00:48:02que eu acredito
00:48:03que têm um trabalho
00:48:04muito interessante,
00:48:05um grande potencial,
00:48:06eu de alguma maneira
00:48:07coloco ela ali
00:48:08no meu banco de informações
00:48:09para distribuir
00:48:10para as pessoas
00:48:11que já me reconhecem
00:48:13por isso,
00:48:14aonde eu posso buscar
00:48:15uma referência.
00:48:16Então eu uso esse lugar
00:48:17para distribuir
00:48:18dentro dos acessos
00:48:19de empregabilidade
00:48:20que eu tenho.
00:48:21Mas a pergunta é,
00:48:22qual é cada um
00:48:23dentro desse espaço?
00:48:24Seja você parte
00:48:25do grupo minorizar,
00:48:26seja não você parte,
00:48:27que lugar,
00:48:28se a gente está olhando
00:48:29para o mesmo lugar,
00:48:30esse lugar de futuro
00:48:31aonde as pessoas
00:48:32têm a oportunidade
00:48:33de desenvolver
00:48:34o seu grande potencial,
00:48:35e isso vai ser legal
00:48:37para todo mundo?
00:48:38Qual é o seu lugar
00:48:39dentro desse espaço?
00:48:40E quanto mais,
00:48:41e aí eu acho isso
00:48:42muito importante,
00:48:43quanto mais destaque,
00:48:45quanto mais espaço
00:48:46você ganha,
00:48:47quanto mais voz
00:48:48você tem,
00:48:49também vem uma grande
00:48:50responsabilidade
00:48:51em relação a isso.
00:48:52E essa responsabilidade
00:48:53não é um fardo,
00:48:54mas essa responsabilidade
00:48:55é uma conquista.
00:48:56Porque a gente diz
00:48:57o tempo inteiro
00:48:58que a gente quer
00:48:59ocupar os espaços,
00:49:00que a gente quer
00:49:01fazer parte do debate,
00:49:02e quando a gente faz parte
00:49:03do debate,
00:49:04é uma conquista.
00:49:05Então, como é que
00:49:06através das suas conquistas
00:49:07a gente consegue
00:49:08colocar em pauta,
00:49:09dentro das limitações
00:49:10dos espaços
00:49:11de cada um,
00:49:12esse olhar macro
00:49:13do coletivo?
00:49:14Para mim,
00:49:15não existe uma fórmula,
00:49:17sabe Monique?
00:49:18Muitas vezes a gente
00:49:19quer dizer para as pessoas
00:49:20como elas devem
00:49:22influenciar o futuro,
00:49:23como elas devem atuar,
00:49:25isso por si só
00:49:26eu já não acredito.
00:49:27Eu acredito que nós
00:49:28vamos construir
00:49:29um lugar único
00:49:30se estivermos olhando
00:49:31para o mesmo lugar,
00:49:32mas cada um entendendo
00:49:34as suas limitações
00:49:35para não ser fardo,
00:49:36mas também as suas potências
00:49:38para ser fonte.
00:49:41Anotado.
00:49:42Espero que todo mundo
00:49:43que está aqui assistindo
00:49:44anote tudo isso.
00:49:45Pelo amor de Deus, gente.
00:49:46É aula,
00:49:47não é uma conversa.
00:49:48Foco na missão.
00:49:49Foco na missão.
00:49:50Exato.
00:49:51Foco na missão.
00:49:52E tem uma coisa, Vita,
00:49:54que eu fico pensando,
00:49:55e eu sempre fiquei,
00:49:56será que eu mando uma mensagem
00:49:57no privado para perguntar?
00:49:58Mas estamos aqui em público,
00:49:59esse é o meu momento
00:50:00de fazer essa pergunta,
00:50:02que é assim.
00:50:03Por que você faz
00:50:04o que você faz?
00:50:05Melhor, calma.
00:50:06Por que você continua
00:50:07fazendo o que você faz
00:50:09junto com o Nubank?
00:50:11Tá.
00:50:12Ótima pergunta.
00:50:14Bom,
00:50:15hoje
00:50:17eu trabalhava
00:50:18em plano de saúde,
00:50:19já começa daí,
00:50:20a pessoa estava lá
00:50:21no plano de saúde,
00:50:22auditando conta
00:50:23bem lindamente.
00:50:25E aí eu sempre estudei,
00:50:28vejam,
00:50:29o meu processo
00:50:30com diversidade e inclusão
00:50:31foi estudando.
00:50:32Eu vim de um lugar
00:50:34onde eu estudei na FGV
00:50:36e todos os meus colegas
00:50:38fizeram monografias
00:50:39sobre a empresa
00:50:40dos seus pais, né?
00:50:42Eu não tinha empresa
00:50:43do meu pai, gente,
00:50:44nem da minha mãe.
00:50:46Então,
00:50:47mas eu tinha,
00:50:48vejam bem,
00:50:49eu tive uma criação
00:50:51tão potente
00:50:52como a tia minha,
00:50:53que era uma pessoa
00:50:54com deficiência,
00:50:55ela era uma cadeirante,
00:50:56e na minha cabeça
00:50:58sempre tive,
00:50:59eu sempre quis explorar mais
00:51:02estudos no campo da deficiência.
00:51:04Então,
00:51:05eu fiz a minha,
00:51:06o meu primeiro TCC
00:51:07da minha primeira faculdade
00:51:08foi a administração,
00:51:09estudando pessoas com deficiência,
00:51:11estudando
00:51:12Desability Study, né?
00:51:13Que é estudos
00:51:14sobre pessoas com deficiência.
00:51:16Depois disso,
00:51:18eu fui fazer psicologia
00:51:20e eu caí num grupo
00:51:21de estudos
00:51:22que estudava gênero
00:51:24e pessoas com deficiência.
00:51:26E depois,
00:51:27eu fui estudar
00:51:28relações raciais.
00:51:29Então,
00:51:30todo o meu processo,
00:51:31o meu repertório,
00:51:33foi de alguém
00:51:34que estudava
00:51:35em demasia
00:51:36esses temas.
00:51:37E aí,
00:51:38eu tive uma oportunidade, né?
00:51:40No meu momento
00:51:42de estágio obrigatório
00:51:43na psicologia,
00:51:44em transformar
00:51:45esse meu conhecimento teórico,
00:51:47que eu já debatia,
00:51:49em conhecimento prático.
00:51:50E aí,
00:51:51eu comecei a trabalhar
00:51:52com diversidade e inclusão.
00:51:54Diversidade e inclusão
00:51:55com o Nubank
00:51:56vem de um lugar
00:51:57de uma responsabilidade.
00:51:59E eu disse isso
00:52:00na minha contratação.
00:52:02A minha contratação foi em...
00:52:04Eu entrei no Nubank
00:52:05dia 16 de novembro de 2020
00:52:08e eu fiz um post,
00:52:10um post que inclusive
00:52:12acho que deu 380 mil visualizações.
00:52:15E nesse post eu dizia assim,
00:52:18a partir de agora,
00:52:20vocês têm um aliado
00:52:22dentro dessa empresa.
00:52:24E no sentido de...
00:52:27É exatamente o que a Samanta falou.
00:52:30A GEM,
00:52:31esse lugar de ocupar o primeiro lugar,
00:52:33ele vem com o lugar
00:52:34da representatividade,
00:52:36ele vem com o lugar
00:52:37da responsabilidade.
00:52:38Obviamente,
00:52:40nem todas as pessoas lidam bem
00:52:43com este fato.
00:52:44E está tudo bem.
00:52:45Porque a gente também não é obrigado
00:52:47a assumir essa responsabilidade
00:52:50quando na verdade
00:52:51a gente só quer trabalhar
00:52:52no final do dia.
00:52:53A gente também precisa entender
00:52:55que existem pessoas
00:52:56que não querem estar nesses espaços.
00:52:58Não querem ter a responsabilidade
00:53:00de saberem que são as primeiras
00:53:02e levar uma...
00:53:04Ampliar essa discussão.
00:53:08Mas eu entendi que
00:53:10no momento
00:53:11onde eu fui para a companhia,
00:53:13eu tinha uma responsabilidade
00:53:15especialmente,
00:53:17especialmente
00:53:18com todas as pessoas negras
00:53:20que me seguiam,
00:53:21que me seguem,
00:53:22que me escrevem,
00:53:23que acreditam no meu trabalho,
00:53:25que acreditam na potência
00:53:27de quem eu sou.
00:53:28Então, desloca um lugar
00:53:31de individualidade,
00:53:33inclusive produzida,
00:53:35a partir de uma narrativa moderna.
00:53:38Somos todos,
00:53:39somos responsáveis
00:53:40por nós mesmos.
00:53:42E eu passo a entender isso
00:53:43de uma perspectiva
00:53:44de que
00:53:45eu sou um sujeito,
00:53:47eu sou o Vitor,
00:53:48eu tenho uma subjetividade,
00:53:50eu tenho uma corporeidade,
00:53:52mas isso é dado
00:53:53dentro de um espaço-tempo
00:53:55onde várias outras pessoas
00:53:57caminham comigo
00:53:58para estar neste lugar.
00:54:00Eu sempre digo,
00:54:02em todas as entrevistas
00:54:03que eu dou,
00:54:04eu não cheguei aqui sozinha.
00:54:06Eu gosto de uma frase
00:54:07da Sueli Carneiro
00:54:08quando ela vai falar de
00:54:10como se juntou pretos e pardos
00:54:12numa única categoria racial
00:54:14chamada negros.
00:54:15Ela usa expressão,
00:54:17isso foi uma grande engenharia social.
00:54:20A minha carreira,
00:54:22ela é uma grande engenharia social.
00:54:24E ela não foi produzida
00:54:26só por mim.
00:54:27Ela foi produzida
00:54:28por toda a minha rede.
00:54:30Ela foi produzida
00:54:31pela minha mãe
00:54:32quando ela dizia
00:54:33que ela não estava com fome
00:54:34para deixar
00:54:35eu e minha irmã comer.
00:54:36Ela foi produzida
00:54:38pelos meus amigos
00:54:39quando eu mudei do Maranhão
00:54:40para Santa Catarina
00:54:41e eu me vi sozinha
00:54:42e os meus poucos amigos
00:54:44aqui foram redes.
00:54:45Então todas essas pessoas
00:54:47elas significam o meu trabalho.
00:54:49Todas essas pessoas
00:54:51elas dão sentido e significado
00:54:53para aquilo que eu faço.
00:54:55Então hoje fazer isso
00:54:57dentro do Nubank
00:54:58e talvez daqui sei lá
00:55:01quantos anos
00:55:02eu vou fazer isso
00:55:03em outras empresas
00:55:04em outros lugares
00:55:05em outros fóruns
00:55:06mas no momento eu faço
00:55:07aqui neste espaço
00:55:09fala de um lugar
00:55:11de que o meu trabalho
00:55:13é possível potencializar
00:55:15a experiência
00:55:17de várias outras pessoas
00:55:19de várias outras pessoas negras
00:55:21de várias outras pessoas
00:55:22LGBTQIA+,
00:55:23de várias outras mulheres
00:55:25e saber que
00:55:27não precisamos estar sozinhos
00:55:29e saber que este espaço
00:55:31que eu ocupo
00:55:32ainda que tenha uma responsabilidade
00:55:34eu consigo distribuir
00:55:36essa responsabilidade
00:55:37porque tem várias outras pessoas
00:55:40cuidando de mim
00:55:41me incentivando
00:55:43me apoiando
00:55:44é o que dá sentido
00:55:45e significado
00:55:46para isso que eu faço.
00:55:47Eu poderia fazer isso
00:55:48em muitos outros lugares
00:55:50porque parte de coisas
00:55:51que eu acredito
00:55:52no meu campo de vida pessoal
00:55:54parte no impacto
00:55:56que eu tenho gerado
00:55:57na sociedade
00:55:58mas eu faço isso
00:55:59dentro dessa companhia
00:56:00e eu me sinto muito satisfeito
00:56:02de por exemplo
00:56:03ter impactado
00:56:04no primeiro semestre
00:56:05
00:56:06de 2021
00:56:07nós temos
00:56:09ter conseguido contratar
00:56:10por exemplo
00:56:1150%
00:56:12de colaboradores negros
00:56:13ou seja
00:56:14das nossas 1.200 vagas
00:56:15600 pessoas
00:56:17foram
00:56:18600 pessoas negras
00:56:19foram contratadas
00:56:20este
00:56:21não é um sonho
00:56:22só meu
00:56:23este é um sonho
00:56:24de várias outras pessoas
00:56:25que estão nessa jornada
00:56:26uma pessoa negra
00:56:28bem remunerada
00:56:29impacta
00:56:30toda uma cadeia
00:56:31de outras pessoas negras
00:56:33porque enquanto
00:56:34a renda do branco
00:56:35em geral
00:56:36é uma renda individual
00:56:38a renda de uma pessoa negra
00:56:40em geral
00:56:41é uma renda
00:56:42distribuída
00:56:43ao longo da sua cadeia familiar
00:56:45então quando eu penso
00:56:47no impacto
00:56:48que esse trabalho gera
00:56:50no impacto
00:56:51de saber que eu fui
00:56:52uma pessoa
00:56:53que colocou uma pesa
00:56:54nesse quebra-cabeça
00:56:55isso pra mim
00:56:56me potencializa
00:56:58isso pra mim
00:56:59me dá sentido
00:57:00e significado
00:57:03que maravilha
00:57:04que maravilha
00:57:05que maravilha
00:57:06minha gente
00:57:07Samanta
00:57:08pra gente fechar com você
00:57:09o que você continua fazendo
00:57:10o que você faz
00:57:11porque
00:57:14eu acho que
00:57:17o verbo
00:57:18fazer
00:57:19ele é imperativo
00:57:20em algumas vidas
00:57:21sabe
00:57:22eu acho
00:57:23que
00:57:24eu gosto muito
00:57:25das conversas
00:57:26eu gosto muito
00:57:27do pensamento
00:57:28eu gosto muito
00:57:29dos grandes debates
00:57:30da filosofia
00:57:31mas eu sobrevivo
00:57:33no fazer
00:57:34e esse fazer
00:57:37cada vez mais
00:57:38ele ganha corpo
00:57:40porque ele ganha gente
00:57:41dentro desse
00:57:42esse megazord
00:57:43
00:57:44dessa construção
00:57:45dessa identidade
00:57:46então quando eu
00:57:47eu fico aqui ouvindo
00:57:49o Victor falar
00:57:50assim como eu ouço
00:57:51você falar
00:57:52eu tenho uma
00:57:53eu fico com uma sensação
00:57:55de que a gente está construindo
00:57:57alguma coisa verdadeira
00:57:59que a gente está construindo
00:58:00alguma coisa
00:58:01do tempo
00:58:03
00:58:04eu sei que a gente
00:58:05só sabe se alguma coisa
00:58:06ela é consistente
00:58:08ou se ela realmente
00:58:09é uma
00:58:10é um grande movimento
00:58:11com o passar do tempo
00:58:12mas eu tenho
00:58:13sabe Monique
00:58:14uma
00:58:15de novo
00:58:16pode ser
00:58:17uma pretensão
00:58:18gigante
00:58:19de achar
00:58:20que a gente está vivendo
00:58:21um tempo revolucionário
00:58:22de que a gente está vivendo
00:58:24um tempo
00:58:25de entendimento
00:58:27da nossa potência
00:58:28da construção
00:58:29desses lugares
00:58:30coletivamente
00:58:31que vai refletir
00:58:32muito no futuro
00:58:33não só no futuro
00:58:34das nossas companhias
00:58:35nos lugares
00:58:36onde nós estamos
00:58:37mas no futuro
00:58:38do Brasil
00:58:39no futuro do mundo
00:58:40isso que Victor traz
00:58:42dizendo que uma pessoa negra
00:58:43o dinheiro dessa pessoa
00:58:44é compartilhada em rede
00:58:46isso é de uma profundidade
00:58:48numa verdade
00:58:49sobre a nossa comunidade
00:58:50porque em geral
00:58:51para que a gente
00:58:52pudesse chegar aqui
00:58:53muita gente construiu
00:58:55essa rede familiar
00:58:56e ao redor da família
00:58:58eu falo
00:58:59as redes são muito potentes
00:59:00então quando a gente
00:59:01vai lá
00:59:02e de uma maneira
00:59:03a gente acende
00:59:04a gente volta
00:59:06com muita potência
00:59:07para essa comunidade
00:59:08
00:59:09Jamila uma vez
00:59:10me disse que
00:59:11é por isso que nós
00:59:12é muito difícil
00:59:13pessoas negras
00:59:14ficarem ricas
00:59:15porque quando a gente
00:59:16vai buscar
00:59:17a gente volta
00:59:18para dividir com muita gente
00:59:19e você sabe que
00:59:20no momento que ela disse isso
00:59:21a gente estava conversando
00:59:22eu fiquei pensando
00:59:23nossa
00:59:24mas isso é muito bom
00:59:25não é
00:59:26porque a riqueza
00:59:28pensar sobre a riqueza
00:59:29sobre o acúmulo
00:59:31por si só
00:59:32dividir
00:59:33é uma revolução
00:59:34reconstruir
00:59:35os nossos espaços
00:59:36poder
00:59:37oportunidade
00:59:38distribuir
00:59:39é uma revolução
00:59:40econômica
00:59:41então o que a gente
00:59:42está dizendo
00:59:43é que a ascensão
00:59:44de pessoas negras
00:59:45é uma grande revolução
00:59:46econômica para o país
00:59:47então é isso
00:59:48que me faz pensar
00:59:49o futuro possível
00:59:50o que me faz pensar
00:59:51de que eu estou
00:59:52literalmente
00:59:53ativamente
00:59:54construindo o mundo
00:59:55que eu tanto desejo
00:59:56e isso me deixa
00:59:58de uma certa maneira
00:59:59assim no nível de
01:00:00pretensão
01:00:02ego grandioso
01:00:03de não achar
01:00:04que eu morro em mim
01:00:05não achar
01:00:06que a gente faz
01:00:07tá no agora
01:00:08que isso me motiva
01:00:10que nem eu falei
01:00:11assim eu gosto de pensar
01:00:12que se a média
01:00:13do Brasil aí
01:00:14é 80 anos
01:00:1585
01:00:16Brasil mulher
01:00:17eu tô pensando
01:00:18em viver sem
01:00:19não tô nem na metade
01:00:20do caminho
01:00:21e olha só
01:00:22o que já deu para fazer
01:00:23até agora
01:00:24imagina o que está por vir
01:00:25saca?
01:00:26eu fico nesse lugar aí
01:00:27é isso que me motiva
01:00:28eu acho
01:00:29exato
01:00:30é isso minha gente
01:00:31essa conversa foi maravilhosa
01:00:32se eu pudesse
01:00:33ficava aqui horas
01:00:34conversando com vocês
01:00:35mas é um motivo
01:00:36para chamar mais vezes
01:00:37seja no Afropunk
01:00:38seja no Nubank
01:00:39seja em qualquer lugar
01:00:40que a gente se encontre
01:00:41e vocês falando
01:00:42me lembrou de uma coisa
01:00:43que eu ouvi
01:00:44tem uns dois anos
01:00:45uma pessoa falou assim
01:00:46para mim
01:00:47Monique quando você me presenteou
01:00:48com aquele livro
01:00:49eu não entendi muito bem
01:00:51eu sabia que era importante
01:00:52mas não sabia como
01:00:53quando você falou aquela frase
01:00:55para mim
01:00:56eu sabia que era importante
01:00:57mas não sabia como
01:00:58e foi listando um monte de coisa
01:00:59que nem eu lembrava
01:01:00do que eu estava fazendo
01:01:01com aquela pessoa
01:01:02e no final ele falou assim
01:01:03dois anos depois
01:01:04estou aqui para dizer
01:01:05que naquela época
01:01:06eu não sabia que era importante
01:01:07eu não sabia como
01:01:08e agora eu sei
01:01:09então isso que a gente
01:01:10está fazendo aqui minha gente
01:01:11com Afropunk
01:01:12Nubank
01:01:13com Samanta
01:01:14com Vito
01:01:15comigo
01:01:16é sobre isso
01:01:17talvez vocês não saibam agora
01:01:19neste exato momento
01:01:20a importância dessa conversa
01:01:22daqui a dois anos
01:01:23dez anos
01:01:24mil anos
01:01:25vocês vão entender a importância
01:01:26não sabia agora
01:01:27como
01:01:28mas daqui a um tempo
01:01:29vai saber
01:01:30o porquê
01:01:31de tudo isso
01:01:32então é isso minha gente
01:01:33essa foi mais uma conversa
01:01:35aqui do Afropunk Bahia
01:01:37e não esqueçam
01:01:39tem Afropunk dia 27
01:01:41e também não esqueçam
01:01:42eu sou Monique Eve
01:01:43tchau tchau
01:01:44o Nubank está construindo
01:01:46comigo
01:01:47com você
01:01:48e com Salvador
01:01:49uma história de impacto
01:01:50inovação
01:01:51e novas oportunidades
01:01:52essa história se chama
01:01:53Nulep
01:01:54um espaço para que talentos negros
01:01:56possam desenvolver as suas potências
01:01:58e já tem caso
01:01:59aqui
01:02:00no Rio Vermelho
01:02:03Salvador
01:02:04licença
01:02:05estamos chegando para construir isso juntos
01:02:07porque se o sistema não faz mais sentido
01:02:08a gente muda o sistema
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