- 2 weeks ago
Nossos sentidos de inovação e investimento em futuros plurais e potentes | Our senses of innovation and investment in plural and powerful futures
Nesta conversa, nossos convidades vão discutir a importância de construir novas linguagens e sentidos sobre o que chamamos de inovação. Como nossas vivências e pesquisas juntas podem potencializar a construção de futuros plurais e potentes.
✅ Géssica Justino | Especialista em cultura e comportamento
✅ Obirin Odara | Mestra em Políticas Sociais e pesquisadora dos temas de colonialidade, racismo e Estado
✅ Gabriela Rodrigues | Head de Cultura e Impacto na SOKO
✅ Helena Bertho | Head de D&I no NUBANK
RODAS DE CONVERSA NUBANK + AFROPUNK
AFROPUNK BAHIA vem honrar o legado dos que vieram antes e dos que aqui estão para ser o primeiro festival de celebração de trajetórias e protagonismos afroindígenas no Brasil.
Junto a NUBANK, vamos exaltar a memória, reinterpretar o passado e construir futuros a partir da partilha e da construção de muito AFETO, AUTONOMIA e PODER.
Celebramos a alegria de sermos “a última geração de primeiros”.
Nesta conversa, nossos convidades vão discutir a importância de construir novas linguagens e sentidos sobre o que chamamos de inovação. Como nossas vivências e pesquisas juntas podem potencializar a construção de futuros plurais e potentes.
✅ Géssica Justino | Especialista em cultura e comportamento
✅ Obirin Odara | Mestra em Políticas Sociais e pesquisadora dos temas de colonialidade, racismo e Estado
✅ Gabriela Rodrigues | Head de Cultura e Impacto na SOKO
✅ Helena Bertho | Head de D&I no NUBANK
RODAS DE CONVERSA NUBANK + AFROPUNK
AFROPUNK BAHIA vem honrar o legado dos que vieram antes e dos que aqui estão para ser o primeiro festival de celebração de trajetórias e protagonismos afroindígenas no Brasil.
Junto a NUBANK, vamos exaltar a memória, reinterpretar o passado e construir futuros a partir da partilha e da construção de muito AFETO, AUTONOMIA e PODER.
Celebramos a alegria de sermos “a última geração de primeiros”.
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00:00:00My friends, you are in Afropunk, Afropunk Bahia, that's right, and with me, I'm Monique Evelyn,
00:00:25I'm a professor of Salvador, I'm here with all the Afropunk, one of the biggest festivals of culture negra in the world,
00:00:31who doesn't come so alone, comes with you, recognizes who came before,
00:00:35passes the bastion for you that's coming now, you know, and comes with Nubank,
00:00:39one of the biggest digital platforms of financial services in the world.
00:00:44It's for us to celebrate our autonomy, affection, power, it's a place of power,
00:00:49pensa na abundância, chega de escassez, minha gente, ainda mais aqui, a população negra, a comunidade negra, afro-indígena,
00:00:57então vamos colocar aí na cabeça o lugar de potência, o lugar de abundância,
00:01:01pra gente começar a entender, prosperar e agir a partir disso.
00:01:06E nessa conversa de hoje, eu sei que vocês estão ansiosos, toda vez que eu apareço,
00:01:10é pra trazer coisa boa, conversa boa, a gente vai trazer uma galera incrível,
00:01:14que eu não tenho nem roupa, por isso que eu tô pausando pra esse encontro, essa conversa de hoje,
00:01:20e a gente vai falar sobre construir realidades abrindo a roda.
00:01:24Por que roda? Porque roda todo mundo se enxerga.
00:01:27Então como é que a gente cria novas linguagens, novas possibilidades do mundo?
00:01:33Ressignifica sim alguns termos, o que seria inovação, considerando a perspectiva afro-indígena,
00:01:39na nossa diáspora, cada um no lugar do mundo, e a gente se encontrando aqui,
00:01:42no Afropunk Bahia, desembarcando em Salvador, desembarcando na Bahia, desembarcando no Brasil.
00:01:49E pra eu parar de falar e vocês não cansarem de mim, vou chamar essa mulherada incrível.
00:01:55Por favor, Jéssica, Odara, Gabriela, Helena, apareçam, apareçam aqui comigo.
00:02:03Tá vendo, minha gente? A galera é incrível, olha tanta beleza na tela.
00:02:06Quando eu falo que eu não tenho roupa e fico pausando, é porque falta ar pra falar sobre vocês.
00:02:11Eu poderia aqui ficar lendo o currículo e tudo, que a gente sabe aí um pouquinho de cada uma,
00:02:17mas eu gostaria que vocês se apresentassem, por favor, em primeira pessoa.
00:02:22Se você quiser se apresentar logo, Jéssica, fica à vontade, o Afropunk é seu.
00:02:26Oi, gente! Como que vocês estão? Um prazer enorme estar aqui.
00:02:31E confesso, Monique, ó, um desafio tremendo falar sobre si, né?
00:02:36Eu acho que é sempre muito difícil você se ler e conseguir falar pras pessoas quem você é.
00:02:42Porque, muitas das vezes, a gente vive, vai vivendo, vivendo, vivendo, vivendo.
00:02:46Quando vê, você se construiu ou está se construindo, né?
00:02:51Mas, falando um pouquinho de mim, eu sou uma carioquíssima,
00:02:55não tenho nem como negar com esse sotaque rasgado, cheio de R's e S's.
00:03:00Mas, hoje, residente em São Paulo, né?
00:03:03Eu venho de uma família essencialmente negra brasileira,
00:03:09com todas as questões, com todas as soluções que uma família negra brasileira tem.
00:03:14E aí, um ponto norteador para a construção, assim, da minha família e perspectiva de valores que minha família tem
00:03:24é o meu tataravô, seu espiridião, que foi um menino que chegou aqui no Brasil,
00:03:29ele veio de Moçambique para cá para ser escravizado.
00:03:33E, quando ele chega aqui, ele cria uma solução, ele consegue reverter o direcionamento pelo qual ele foi trazido para cá
00:03:43e se constitui.
00:03:45E, a partir dessa constituição dele, né, enquanto pessoa, ele dá uma vida longa, uma cauda longa para a família,
00:03:53deixando aí um legado cultural e de valores que, hoje, me traz uma perspectiva de vida, né?
00:04:03Seu espiridião me ensinou a aproveitar as oportunidades e caminhar sempre da melhor forma, né?
00:04:13Eu sempre fui uma pessoa muito inquieta, que sempre tive uma curiosidade ali de sempre ir além,
00:04:21de pisar e entender onde eu estou pisando e o porquê e qual era a função daquilo.
00:04:26E, assim, eu fui caminhando, me conectando com os valores que esse meu tataravô e que minha família trouxe
00:04:34e construindo, assim, sendo ponte de diálogo entre pessoas, entre territórios.
00:04:40E, hoje, me tornei, venho me tornando uma especialista em cultura, onde, profissionalmente e dentro da minha práxis de vida cotidiana,
00:04:54olho para o mundo, olho para os objetivos de onde eu estou e crio essas soluções.
00:05:02Essa é um pouquinho de mim só, um pouquinho do que eu sou.
00:05:06É um pouco complexo falar sobre si, mas eu acho que, ao longo da conversa, a gente vai trocando um pouco mais.
00:05:12Mas é muito melhor te ouvir falar do que eu sei de trabalho.
00:05:17É muito potente essa sua história.
00:05:19Está vendo que é bom falar em primeira pessoa, seja do singular ou do plural?
00:05:23Então, por favor, Dara, faça o mesmo.
00:05:25Se apresente, apresente-se para o afropunk, para o mundo todo.
00:05:28Olá, gente. Tudo bem?
00:05:30Primeiro, uma honra estar aqui nesse diálogo.
00:05:33Fiquei super nervosa com o convite.
00:05:34Muito honrada de poder trocar com vocês, mulheres que eu admiro tanto.
00:05:38E eu, Abirim, para começo de conversa, Abirim é o nome que eu me dei, abusada que sou,
00:05:45há uns sete anos atrás, quando eu entendi que o movimento de resgate da minha identidade
00:05:50passa necessariamente pela forma como eu me apresento ao mundo, como eu me nomeio.
00:05:54Então, Abirim Odara é esse nome de luta, é um nome que faz referência à potência das mulheres negras
00:06:01enquanto gestoras de uma comunidade.
00:06:03E é assim que eu tento me colocar no mundo, a partir desse lugar.
00:06:06Eu sou de Brasília, filha do meio, venho de uma família que, por conta da democracia racial
00:06:14e de tudo que se imputa enquanto racismo na construção da nossa sociedade, é uma família interracial.
00:06:22Consequentemente, esse é um lugar de muita dúvida, de muita confusão,
00:06:26que ali nos meus vinte e poucos anos eu consegui entender melhor de onde vinha essa ausência,
00:06:33essa falta, esse desejo de me entender e, para além disso, a construção de um repertório que de fato fale sobre mim.
00:06:41Eu não precisei criar nada, eu precisei, na verdade, retomar e me vincular a outras pessoas negras
00:06:47na formação de um quilombo, de um acolhimento.
00:06:50Isso tem sido muito potente na minha vida.
00:06:52Para além do currículo, hoje eu sou aprendiz de capoeira angola, iniciante.
00:06:57É um espaço para mim que, inclusive, na minha apresentação, vem antes de qualquer outra coisa,
00:07:04porque ser assistente social, ser mestre em política social, diz muito sobre uma trajetória
00:07:09que informa para o outro lugar no mundo, mas que muitas vezes não informou nada para mim sobre o meu lugar.
00:07:15E ser e estar hoje na capoeira angola tem me devolvido essa memória ancestral
00:07:20que, por vezes, eu não tive acesso, sobretudo na academia.
00:07:22Então, para além disso, eu sou uma pessoa que acredito muito no poder da palavra,
00:07:27na saliva, no axé, no ebó, da presença, do comprometimento,
00:07:33daquilo que a gente faz e acredita de uma forma em que a gente alinha o que a gente diz
00:07:37com a nossa prática, que é a prática profissional, as relações com as pessoas,
00:07:41a forma como eu me coloco no mundo e entendo o meu corpo.
00:07:45Esse tem sido, basicamente, o meu exercício.
00:07:47E eu acho que é a partir daí que eu tento me apresentar.
00:07:50Eu sou uma pessoa cheia de contradições que tenta se descolonizar
00:07:54para poder se curar dessas violências pelas quais eu e, consequentemente, vocês passamos
00:08:00por conta dessa dor coletiva, mas também reencontrando essa potência do que nós somos.
00:08:06Então, esse é um pouco do lugar de onde eu falo,
00:08:08mas aí a gente vai conversando mais ao longo do processo.
00:08:11Eu estou muito bem acompanhada, entendeu?
00:08:13Vou reforçar aqui, minha gente, não estava preparada para essa conversa, não.
00:08:18Então, achei que eu estava, e quando vocês começam a falar, eu falei,
00:08:20meu Deus, o que é que eu estou fazendo aqui?
00:08:22Agora, com você, Gabi, se apresente também.
00:08:26Pressão me apresentar depois de duas deusas, assim, é muito difícil, assim.
00:08:31Até, acho que a pergunta, né, a gente se apresentar para além do profissional,
00:08:35acho que essa cultura ocidental ensina a gente muito a se olhar e se definir
00:08:39através da nossa profissão, através do nosso trabalho, né?
00:08:43O que não é nada legal, no fim das contas.
00:08:47Eu sou nascida em São Paulo, em Zona Leste, um bairro chamado Ermelino Matarazzo.
00:08:53Cresci lá, saí de lá faz quatro anos apenas.
00:08:56Minha família é uma família de muitas ausências, assim.
00:08:59Eu cresci com a minha mãe e a minha irmã presentes,
00:09:02e o resto da família é muito ausente, inclusive pai.
00:09:06Minha família também é interracial, então, assim, como o Dara,
00:09:09eu fui entender algumas coisas no meio do caminho, assim,
00:09:12fui aprendendo a nomear as coisas conforme eu fui vivendo elas, né?
00:09:16Eu sou uma mulher lésbica também, além de uma mulher negra,
00:09:19então, conforme eu fui vivendo, eu fui entendendo, inclusive,
00:09:22o que estava em cada caixa.
00:09:24Quando falavam do meu cabelo, por que falavam do meu cabelo?
00:09:27Era porque ele era curto ou era porque ele não era liso?
00:09:31Muitas intersecções foram surgindo, assim, ao longo da minha caminhada.
00:09:35Eu tenho 31 anos, continuo em São Paulo ainda hoje,
00:09:42e eu acho que uma das coisas que mais me definem, assim,
00:09:45e eu talvez não soubesse isso conscientemente antes de me forçar
00:09:49a responder essa pergunta aqui com vocês,
00:09:52é que eu cresci tendo que projetar uma vida diferente para a minha família.
00:09:57E hoje, ainda bem, eu consigo oferecer isso para a minha família,
00:10:00não por mérito, né? Mérito Cassiano existe,
00:10:05mas por, inclusive, muitas ações sociais, como o próprio ProUni.
00:10:09Fui bolsista do ProUni na faculdade, me orgulho muito disso.
00:10:13E eu acho que hoje, podendo ajudar a minha família,
00:10:17podendo ter um pouco menos de perrengues na vida,
00:10:20eu estou num papel de ajudar outras famílias.
00:10:23Então, hoje, o que eu faço no meu trabalho,
00:10:25eu trabalho numa agência de publicidade aqui de São Paulo,
00:10:28e nessa agência, o meu grande propósito é usar a comunicação
00:10:33para criar algum impacto positivo no mundo, né?
00:10:35A gente entra com a publicidade na casa de muitas pessoas,
00:10:39na casa de milhões de pessoas todos os dias, né?
00:10:41E eu sempre falo que a gente não está só vendendo margarina,
00:10:45a gente está construindo o que as pessoas pensam sobre famílias, né?
00:10:48E isso com todos os assuntos, com todos os projetos
00:10:51e todas as marcas que a gente trabalha.
00:10:53Tem uma responsabilidade muito grande,
00:10:54e hoje eu coloco essa minha vontade de mudar as coisas
00:10:58nesse meu trabalho de comunicação
00:10:59dentro de uma agência de publicidade aqui de São Paulo.
00:11:03E obrigada pelo convite, gente.
00:11:05Eu não sei nem agradecer tanto.
00:11:07Oxente, não agradeça, comemore,
00:11:09porque dia 27 tem afropunk, entendeu?
00:11:12Aqui é uma prévia de conversas.
00:11:14A celebração acontece no dia 27.
00:11:16Tem Duquesa, Mano Brau, Ilê Aê,
00:11:18Margarete Menezes, Malia, Tássia Reis.
00:11:21Cansei. É muita gente boa.
00:11:23E tem mais gente que eu não sei ter aqui ainda.
00:11:24Então corre logo para garantir aí,
00:11:26quem está me ouvindo, que está assistindo, por favor,
00:11:29porque ainda temos a apresentação dela, de Helena.
00:11:32Por favor, Helena, quem é você?
00:11:35Gente, estou muito feliz de estar aqui com vocês hoje.
00:11:39Estou muito feliz de estar aqui entre mulheres que eu admiro tanto,
00:11:42algumas que eu já queria conhecer,
00:11:44e eu sempre entendo isso como uma dádiva, sabe?
00:11:48São aqueles presentes que a gente ganha no meio do caminho.
00:11:50Eu espero que todo mundo esteja bem.
00:11:53Eu espero que todos vocês estejam com saúde.
00:11:56E esse é um super exercício, né?
00:11:58Da gente falar sobre a gente.
00:11:59A gente está acostumada a chegar em evento,
00:12:01e as pessoas dizem quem nós somos, né?
00:12:04E ao longo da vida, a gente também aprende da mesma maneira, né?
00:12:07As pessoas dizem quem nós somos.
00:12:10Então eu acho que quando a gente se apresenta,
00:12:12a gente diz quem é,
00:12:13que a gente vai falar da nossa história,
00:12:15que a gente vai falar da nossa vida,
00:12:16a gente vai falar de como a gente se vê,
00:12:18é um exercício muito poderoso quando a gente é pessoa preta nesse país, né?
00:12:22E eu adoro, Monique,
00:12:24eu adoro quando as pessoas me perguntam, assim,
00:12:26e normalmente quando eu converso com as pessoas, assim,
00:12:28me conta aí o que LinkedIn não conta,
00:12:30me conta o que está na entrelinha.
00:12:31Porque LinkedIn é igual tabela, né, gente?
00:12:34É informação pública, está lá.
00:12:37E não é sobre isso, né, gente?
00:12:38Não é isso que faz a gente.
00:12:39Então, eu sou carioca,
00:12:43moro no Rio ainda,
00:12:44carioca, suburbana,
00:12:47eu sempre me apresento como,
00:12:49sou a Helena,
00:12:51filha da Maria Helena,
00:12:52mãe da Olivia Helena,
00:12:54bisneta da Dona Helena,
00:12:55e sim, tenho umas nove Helena na minha família,
00:12:58sou companheira de vida do Igor,
00:13:00a gente está aí há quase 20 anos juntos,
00:13:02desde o iniciozinho da adolescência,
00:13:04sou uma mulher preta,
00:13:06filha de dois pretos,
00:13:08e eu descobri isso muito cedo,
00:13:10lá com uns quatro anos de idade,
00:13:11eu não me lembro,
00:13:12quem lembra disso é minha mãe,
00:13:13e isso é importante,
00:13:15porque isso me ajudou a entender
00:13:16quem era a minha família, né?
00:13:18Foi no dia que eu cheguei em casa
00:13:19chorando da escola,
00:13:20dizendo que eu não queria ser preta, né,
00:13:22porque ninguém era onde eu estudava,
00:13:25e todo mundo falava que eu era feia,
00:13:27e aquela coisa toda que a gente já conhece,
00:13:29e a minha mãe me acolheu,
00:13:30e ela me explicou por que eu era preta,
00:13:32porque mamãe é preta e papai é preto.
00:13:34Eu sou mãe,
00:13:36e isso fala muito sobre mim,
00:13:37porque quando a gente é mãe
00:13:38de uma criança preta
00:13:39num país como o Brasil,
00:13:40a gente, a maternidade vai me reconstruindo, né?
00:13:44Então, eu tenho que ser,
00:13:46e eu tenho que ser pra minha filha,
00:13:48e eu preciso ser,
00:13:49e eu sei que ela tá se construindo
00:13:51a partir do que ela tá vendo em mim.
00:13:54Eu sou comunicadora,
00:13:56eu sou publicitária de formação,
00:13:59sou aquela pessoa,
00:14:00como a maioria,
00:14:01e muitos de vocês,
00:14:02aquela primeira geração
00:14:04que entrou no nível superior,
00:14:05na verdade,
00:14:06eu sou a primeira geração da minha família
00:14:07que conseguiu ter o ensino médio,
00:14:09e isso traz, né,
00:14:11uma responsa grande,
00:14:12isso às vezes traz um peso grande.
00:14:15A minha formação não é em relações étnico-raciais,
00:14:19eu sou da comunicação,
00:14:21eu sou aquela pessoa que pega trem,
00:14:23que vai na feira,
00:14:24a pessoa que se constrói pagando boleto todo dia,
00:14:27a gente vai se formando.
00:14:29Eu acredito muito, né,
00:14:31e isso fala de quem eu sou,
00:14:32na coletividade,
00:14:34só vai tá bom se for bom pra todo mundo.
00:14:35Enquanto estiver sozinho,
00:14:37não faz o mínimo sentido.
00:14:40Então, como a Gabi trouxe,
00:14:43quando eu decidi ser comunicadora,
00:14:46foi porque eu olhava pra televisão,
00:14:48e eu falava assim,
00:14:49eu acho tudo lindo,
00:14:50e eu quero ser isso aí quando eu crescer.
00:14:52Eu quero contar histórias,
00:14:53mas eu quero contar histórias da minha família,
00:14:56do meu território,
00:14:57das pessoas que parecem comigo.
00:14:59E como publicitária,
00:15:00todos os dias eu acordo de manhã,
00:15:02Monique, todos os dias,
00:15:03eu juro pra vocês que é de verdade,
00:15:04falando assim,
00:15:05o que a gente tá fazendo?
00:15:06Porque a publicidade tá aqui,
00:15:08construindo representações sociais.
00:15:10A publicidade tá aqui,
00:15:11reforçando representações sociais.
00:15:14Elas são inclusivas,
00:15:15ou elas estão dizendo
00:15:16que a gente deve se odiar,
00:15:19ou que a gente não é possível,
00:15:20porque a gente não é realizável.
00:15:23Então, o meu papel,
00:15:25enquanto comunicadora,
00:15:26vocês devem estar ouvindo a minha filha gritando,
00:15:28e que bom que ela tá gritando,
00:15:29gente,
00:15:29que ela tomou mó tombaço hoje.
00:15:30Então, o meu coração de mãe tá pequenininho.
00:15:33E ouvi-la gritando,
00:15:35tá me dando uma tranquilidade enorme.
00:15:37E aí, fechando isso, gente,
00:15:38pra mim,
00:15:39é sobre nós.
00:15:41Pra mim,
00:15:41só faz sentido estar nessa tela,
00:15:43porque eu tô nessa tela
00:15:43com outras quatro mulheres
00:15:45que me dizem diariamente
00:15:46quem eu sou,
00:15:47quem eu posso ser,
00:15:47onde eu posso chegar.
00:15:49E elas me dizem
00:15:49que eu não vou chegar sozinha.
00:15:51Porque como eu ouvi um dia desse,
00:15:53do que adianta a gente chegar, né,
00:15:54na linha de chegada,
00:15:56terminar a maratona,
00:15:57se a gente não tiver quem abraçar?
00:15:58Então, isso fala sobre a Helena.
00:16:00A Helena é essa pessoa possível,
00:16:02com as suas inquietações,
00:16:04muito questionadora,
00:16:06porque, gente,
00:16:07nada tá dado
00:16:08e nem nada tá conquistado.
00:16:10A gente tem que conquistar
00:16:10todo santo dia
00:16:12e a gente tem que colocar à prova
00:16:13tudo aquilo que não faz sentido.
00:16:15E, ultimamente,
00:16:15o mundo tá fazendo muito pouco sentido.
00:16:17Então, a gente tem que ter a coragem
00:16:18de olhar pro lado e falar assim,
00:16:19não tá fazendo sentido,
00:16:20acho que tá errado.
00:16:21Qual é o meu papel
00:16:22pra mudar isso aí?
00:16:23E aí, eu vou lá e vou fazer,
00:16:24porque nós somos essas pessoas.
00:16:26A gente só chegou até aqui hoje,
00:16:27a gente só tá tendo
00:16:28essa conversa lindona,
00:16:29porque teve um grupo de pessoas,
00:16:31como, por exemplo,
00:16:32o tataravô da nossa amiga,
00:16:36que falou assim,
00:16:37vai ser possível ela sonhar
00:16:39e eu vou sonhar
00:16:40e eu vou realizar
00:16:41pra que ela esteja.
00:16:42Então, eu tô aqui
00:16:43passando o bastão pra alguém
00:16:44do bastão que eu recebi.
00:16:46Eu acho que isso
00:16:46fala um pouco de mim,
00:16:48fala de quem eu sou,
00:16:49fala de onde eu venho,
00:16:50para onde eu vou,
00:16:51qual é o chão que eu caminho,
00:16:52de onde eu parto,
00:16:53aonde eu quero chegar
00:16:54e quem é que no final do dia
00:16:56tá segurando os meus B.O.s,
00:16:57que são os meus.
00:17:00Maravilha.
00:17:00Eu não sei se você ouviu
00:17:02essa frase de Emicida,
00:17:03porque semana passada
00:17:03eu acho que ele falou
00:17:04essa frase.
00:17:05Foi Emicida, Monique.
00:17:06Foi Emicida que falou
00:17:07do que adianta a gente chegar
00:17:09no final da jornada,
00:17:10da linha de chegada
00:17:11e não ter quem abraçar.
00:17:14Exatamente.
00:17:14Eu acho que ela tava
00:17:15no mesmo lugar que eu,
00:17:16ouvindo o mesmo lugar.
00:17:17Ah, vamos, é isso aí.
00:17:18Obrigada,
00:17:19porque a gente ouve tanta coisa.
00:17:20Depois a gente fica assim,
00:17:21eu ouvi um negócio legal.
00:17:22Eu só vou fazer a questão
00:17:24de dizer que não fui eu,
00:17:25porque a gente precisa
00:17:26dar créditos
00:17:27pras nossas intelectualidades,
00:17:29pras nossas produções,
00:17:31porque já roubaram
00:17:32durante muito tempo, né?
00:17:34Não, e a branquitude
00:17:34só existe por conta
00:17:35de citações, minha gente.
00:17:37Essa é a realidade.
00:17:38A gente fica citando
00:17:39o tempo todo a branquitude
00:17:40e esquece de reconhecer
00:17:41os nossos.
00:17:42É tão legal reconhecer
00:17:43quem fez, quem criou,
00:17:45porque a gente vai passando
00:17:46o bastão,
00:17:47por isso que a gente tá aqui
00:17:47nessa conversa,
00:17:48passando também
00:17:49o nosso bastão de bagagem
00:17:51para as pessoas
00:17:52que estão nos assistindo.
00:17:53E eu, minha gente,
00:17:54eu sou a Monique Evelyn,
00:17:54tá reforçando,
00:17:55sou de Salvador,
00:17:56Nordeste duas vezes,
00:17:58filha única de Neuze Ari,
00:18:00entendeu?
00:18:01E tudo que eu tenho feito
00:18:02é pra não chegar atrasada
00:18:03na vida das pessoas,
00:18:04seja na comunicação,
00:18:06na tecnologia,
00:18:06na educação,
00:18:07é isso que eu gosto de fazer.
00:18:09E pensando nesse lugar
00:18:10que Emicida cita
00:18:12e a Helena traz aqui
00:18:14pra nossa conversa
00:18:15do que adianta
00:18:16a gente correr tanto
00:18:17e na linha de chegada
00:18:18não tem ninguém
00:18:18pra abraçar,
00:18:19como é que você tem
00:18:20feito isso, Jéssica,
00:18:22no seu dia a dia?
00:18:23Tentar chegar nessa linha
00:18:24de chegada
00:18:24e ter pessoas como nós
00:18:26pra te abraçar?
00:18:31É sempre um desafio,
00:18:32né, Monique?
00:18:33Porque
00:18:33eu não sei
00:18:36se vocês compartilham
00:18:37do mesmo sentimento,
00:18:40mas muitas das vezes
00:18:41eu me sinto
00:18:42num não lugar.
00:18:44Sabe?
00:18:44O lugar de
00:18:45não pertencer aqui,
00:18:47eu estou aqui
00:18:48construí esse lugar,
00:18:50mas tem algo
00:18:52que as estruturas
00:18:53ainda...
00:18:55Eu tenho a sensação
00:18:56de que essas estruturas
00:18:57elas não foram feitas
00:18:58pra mim.
00:19:00Então,
00:19:01essa coisa
00:19:02do caminhar
00:19:03pra chegar
00:19:03na linha de chegada
00:19:04tem uma...
00:19:06Eu tenho uma necessidade
00:19:07muito grande
00:19:08da coletividade.
00:19:10Eu não consigo
00:19:11e eu fico muito feliz
00:19:13por não conseguir.
00:19:15É caminhar
00:19:16até a linha
00:19:16de chegada
00:19:17sozinha.
00:19:19Eu sei que outras
00:19:20pessoas já caminharam
00:19:21e estão lá esperando.
00:19:23Mas,
00:19:23hoje,
00:19:24nessa jornada,
00:19:25eu quero olhar
00:19:26pro lado
00:19:27e encontrar a Monique,
00:19:28olhar pro lado
00:19:28e encontrar
00:19:30a Odara,
00:19:31olhar pro lado
00:19:31e encontrar
00:19:32a Helena,
00:19:36olhar pro lado
00:19:36e encontrar
00:19:37tantos outros
00:19:38e poder caminhar
00:19:40nessa jornada
00:19:42junto,
00:19:43né?
00:19:43Desfrutando
00:19:44dos mesmos
00:19:45valores
00:19:46e propósitos,
00:19:48entendendo
00:19:49que,
00:19:51de verdade,
00:19:52às vezes,
00:19:53esse nosso incômodo...
00:19:55Travou um pouquinho
00:19:56aí quando você falou
00:19:57olhar pro lado
00:19:59e ver a Odara,
00:20:00a Helena,
00:20:00a Gabi.
00:20:01Travou nessa parte.
00:20:02Você pode voltar?
00:20:04Volto, volto.
00:20:05Devo ter perdido
00:20:05já o fim da meada,
00:20:06mas vamos que vamos.
00:20:07Eu quero...
00:20:09Posso falar?
00:20:10Pode.
00:20:12Opa,
00:20:13tá travando pra mim
00:20:14a sua voz,
00:20:14tá, Monique?
00:20:16Será que a minha
00:20:16interessa aqui?
00:20:18Tá rolando?
00:20:18Agora ficou ótima,
00:20:19só foi aquela parte mesmo.
00:20:20Vai lá.
00:20:21Eita!
00:20:22Eu quero,
00:20:22de verdade,
00:20:23assim,
00:20:24olhar pro lado
00:20:25nessa jornada
00:20:26e nessa caminhada
00:20:27e ver a Monique
00:20:29olhar pro lado
00:20:30e contar
00:20:31com a Helena,
00:20:33olhar pro lado
00:20:34e contar
00:20:35com a Odara,
00:20:36tantas outras,
00:20:37tantos outros.
00:20:38E, de verdade,
00:20:40entender que
00:20:41essa jornada,
00:20:42até a linha de chegada
00:20:43pra abraçar o outro,
00:20:45ela também se constrói
00:20:46com outros
00:20:47que compartilham
00:20:49dos mesmos valores,
00:20:50dos mesmos desafios.
00:20:52E tem uma coisa
00:20:53que eu acho
00:20:54muito curiosa,
00:20:55é que,
00:20:56por muito tempo,
00:20:58eu sofria muito,
00:21:01mas muito,
00:21:03por não me encaixar
00:21:04dentro da proposta
00:21:05de sociedade
00:21:06que o Brasil me dava,
00:21:07que o mundo,
00:21:08de uma certa forma,
00:21:09me dava.
00:21:10Eu falava,
00:21:10a gente tem alguma coisa errada,
00:21:11o problema é comigo,
00:21:13o que está acontecendo?
00:21:14Mas não,
00:21:15o problema não é com a gente,
00:21:17né?
00:21:17De verdade,
00:21:18quando a gente fala
00:21:19de estruturas sociais,
00:21:22elas,
00:21:22estruturas sociais
00:21:23de,
00:21:24de,
00:21:24de,
00:21:25de,
00:21:25de,
00:21:25de,
00:21:25de,
00:21:26de,
00:21:26de,
00:21:26de,
00:21:27de,
00:21:27de,
00:21:27de,
00:21:28de,
00:21:28onde a gente,
00:21:28de verdade,
00:21:29hoje tem almejado estar,
00:21:30de verdade,
00:21:31elas não foram feitas
00:21:32para a gente.
00:21:33Então,
00:21:33de uma certa forma,
00:21:35esse não lugar,
00:21:35ele é positivo,
00:21:36porque eu vou achar
00:21:37muito estranho
00:21:38quando eu chegar
00:21:39dentro de uma estrutura
00:21:40que não foi feita
00:21:41para a gente
00:21:42e me sentir confortável.
00:21:44Então,
00:21:44acredito que nessa jornada
00:21:45de olhar para o lado
00:21:46e ver outros tantos
00:21:49iguais a,
00:21:50a,
00:21:50a,
00:21:50a mim,
00:21:52é também um movimento
00:21:53de construir
00:21:54novos lugares
00:21:56aonde a gente
00:21:58realmente tenha
00:21:59propriedade,
00:22:01aonde a gente
00:22:01realmente faça parte,
00:22:03aonde a gente seja
00:22:04pedaço
00:22:05e parte dessa estrutura.
00:22:07Maravilha.
00:22:08Eu fico aqui pensando
00:22:08enquanto você fala,
00:22:09eu lembrei
00:22:10do que Gabi trouxe,
00:22:11né?
00:22:12Você falou, Gabi,
00:22:13que seus pais,
00:22:14família,
00:22:14veio muito da ausência,
00:22:16mas como é que a gente
00:22:17constrói outras realidades,
00:22:19outros imaginários?
00:22:21Como é que a gente
00:22:21abre essa roda
00:22:22para mais gente entrar
00:22:23a partir da ausência?
00:22:25Como é que essa conta,
00:22:27a gente resolve essa equação?
00:22:28Eu vou falar do ponto
00:22:29de vista do meu trabalho,
00:22:32que é numa agência
00:22:32de comunicação,
00:22:33então vai para esse viés
00:22:34um pouco a minha resposta.
00:22:36O que a gente está
00:22:36aprendendo nesse processo?
00:22:38Às vezes com erro,
00:22:39às vezes com acerto.
00:22:41Uns anos atrás,
00:22:42a gente passou
00:22:43por uma reflexão
00:22:44que a Helena até trouxe
00:22:45um pouco na resposta dela,
00:22:47que é as pessoas,
00:22:47elas não se viam
00:22:48na comunicação, né?
00:22:49A gente ligava a TV,
00:22:50só tinham pessoas brancas,
00:22:52cis, hétero,
00:22:53dentro de uma realidade
00:22:54elitizada, né?
00:22:55A gente falava,
00:22:56meu Deus,
00:22:56isso não é o Brasil,
00:22:57porque eu estou assistindo
00:22:58aqui no intervalo
00:22:59da minha novela, né?
00:23:02E aí a gente teve
00:23:02um processo
00:23:03de cobrança social,
00:23:05essas conquistas,
00:23:06esses avanços,
00:23:07vêm muito por cobrança social,
00:23:08movimento social,
00:23:10e a comunicação
00:23:11se viu forçada,
00:23:12não foi uma vontade
00:23:13da comunicação,
00:23:14ela foi forçada
00:23:15a mudar.
00:23:16E aí a comunicação,
00:23:17o primeiro avanço foi,
00:23:18vamos colocar então
00:23:19pessoas que representem
00:23:20essas camadas populacionais
00:23:22que não estão representadas
00:23:23na nossa comunicação.
00:23:25Só que aí não deu
00:23:26100% certo,
00:23:27por quê?
00:23:27Porque quem estava
00:23:28criando essa comunicação
00:23:29não sabia retratar
00:23:30essas realidades.
00:23:32Então a gente caiu
00:23:33num momento de história
00:23:34da comunicação,
00:23:35que foi o momento
00:23:36dos erros
00:23:36de estereótipos, né?
00:23:38Tudo estava muito estereotipado,
00:23:39e a gente falava,
00:23:40meu Deus,
00:23:40tentaram representar o Brasil
00:23:42e caíram em leituras
00:23:43muito erradas
00:23:44da coisa, né?
00:23:47E aí veio-se
00:23:48uma segunda camada,
00:23:49que foi,
00:23:49isso está acontecendo?
00:23:50Porque quem está criando
00:23:52essas histórias
00:23:53não vive essas histórias.
00:23:54E aí teve um momento
00:23:55de cobrança também
00:23:58para que as agências,
00:23:59nesse caso, né?
00:24:00As empresas que criam
00:24:01essas comunicações,
00:24:03elas contratassem
00:24:04essas pessoas.
00:24:06E aí houve um avanço
00:24:07de contratação,
00:24:08não ideal,
00:24:09pequeno,
00:24:09ainda mais houve.
00:24:11Só que como que aconteceu
00:24:12esse avanço
00:24:12no primeiro momento?
00:24:13Nos cargos de base,
00:24:15que era mais fácil.
00:24:16Então contratavam
00:24:17para estágio,
00:24:18para cargo de assistente,
00:24:20e aí também
00:24:20não deu 100% certo.
00:24:22Por quê?
00:24:22Porque não eram
00:24:23esses cargos
00:24:24os que tomavam
00:24:25a decisão final, né?
00:24:26Os cargos de poder
00:24:27não eram esses.
00:24:28Então, no fim das contas,
00:24:29essas pessoas
00:24:30entravam na ficha,
00:24:31mas o que ia para a rua
00:24:33não era 100%
00:24:34o que elas acreditavam.
00:24:35E a gente está vivendo
00:24:36agora um momento,
00:24:37um terceiro momento,
00:24:38que é,
00:24:38essas pessoas,
00:24:39elas estão tendo
00:24:41um pouco mais de espaço
00:24:42para chegarem
00:24:43em cargos de liderança,
00:24:44e sim cargos
00:24:45que vão tomar esse poder.
00:24:47Eu acho que eu sou
00:24:48uma dessas pessoas
00:24:48que conseguiu agora
00:24:50chegar a um cargo
00:24:51de liderança,
00:24:52eu estou como
00:24:52head dessa agência
00:24:53que eu trabalho,
00:24:54dentro de um recorte
00:24:55de cultura e impacto.
00:24:57E aí,
00:24:57o que eu estou descobrindo
00:24:58nessa posição agora?
00:25:00Que a forma
00:25:01que a gente tem que fazer
00:25:01para abrir essa roda,
00:25:03deixar mais gente entrar,
00:25:04aumentar um pouco
00:25:05o repertório,
00:25:06discussão,
00:25:07ponto de vista,
00:25:09é muito mais fácil
00:25:10a gente fazer isso
00:25:10mexendo em estrutura,
00:25:11porque a gente acelera.
00:25:13Antes eu fazia
00:25:14muito por exceção,
00:25:15então quando eu estava
00:25:16numa equipe,
00:25:17eu arrumava uma vaga
00:25:18para através dessa vaga
00:25:20conseguir contratar
00:25:21uma pessoa,
00:25:22por exemplo,
00:25:23preta,
00:25:24dentro de uma realidade
00:25:25periférica
00:25:26que não tinha na agência.
00:25:27Mas era uma vaga,
00:25:29eu não ia construir
00:25:29mudança grande
00:25:30através de uma vaga,
00:25:31infelizmente.
00:25:32Então o momento
00:25:33que eu estou agora,
00:25:34e o que eu venho
00:25:34discutindo muito,
00:25:35é como a gente
00:25:35dá escala para isso
00:25:36mexendo em estrutura.
00:25:38Inclusive para além
00:25:38da minha agência.
00:25:40Eu falo muito isso,
00:25:40eu falo,
00:25:40gente,
00:25:41minha agência,
00:25:42eu consigo mudar ali
00:25:43um universo pequeno,
00:25:44eu não consigo mudar
00:25:45o universo de comunicação,
00:25:47então a gente tem
00:25:47que fazer conversas
00:25:48entre as outras agências,
00:25:49entre as empresas também,
00:25:50que são as empresas
00:25:51que contratam as agências,
00:25:53para que a gente garanta
00:25:55que a comunicação
00:25:55que entre na casa
00:25:57de milhões de pessoas
00:25:57no intervalo do Fantástico
00:25:59também seja parte
00:26:00da solução
00:26:01e deixe de ser parte
00:26:02do problema
00:26:02como ainda é hoje.
00:26:04Então eu acho
00:26:04que a resposta simples,
00:26:06tentando resumir
00:26:07para a sua pergunta,
00:26:08Monique,
00:26:09é mexendo em estrutura.
00:26:10Eu acho que só dá
00:26:11para a gente fazer
00:26:12o que tem que ser feito hoje
00:26:14com a urgência
00:26:14que a coisa pede,
00:26:16porque é urgente,
00:26:17não dá para ir devagar mais,
00:26:18nunca deu,
00:26:19na verdade,
00:26:20mas não dá,
00:26:21não dá,
00:26:21tem que acelerar,
00:26:23é mudando estrutura,
00:26:24mudando estrutura
00:26:25e trazendo para dentro
00:26:27o máximo de poder possível
00:26:28que a gente tiver na mão,
00:26:30porque por exceção
00:26:30a gente não vai conseguir mais.
00:26:32Eu acho que isso
00:26:33tem que virar um tweet aí,
00:26:34viu galera,
00:26:35começa a tweetar,
00:26:35por exceção
00:26:36a gente não vai mais,
00:26:37entendeu?
00:26:38Já anotem aí,
00:26:39porque é muita aula
00:26:40e eu fico pensando também
00:26:42nesse lugar
00:26:42da subjetividade,
00:26:43Helena,
00:26:44como é que a gente consegue
00:26:45entender a demanda do outro
00:26:48e agir também
00:26:49com a demanda do outro,
00:26:50mas sem esquecer
00:26:51da nossa subjetividade,
00:26:52porque muitas vezes
00:26:53vai engolindo,
00:26:55a gente vai fazendo,
00:26:55fazendo,
00:26:56e esquece que existe
00:26:57uma Helena aí
00:26:58que é mãe também,
00:26:59como é que faz isso?
00:27:00Ah, gente,
00:27:02eu adoraria ter uma receita,
00:27:05um segredo assim,
00:27:06tipo, pá,
00:27:07faça isso e resolve,
00:27:09mas eu acho que tem caminhos,
00:27:11e eu acho que um dos caminhos,
00:27:13e a gente está muito atento
00:27:14e vigilante,
00:27:15que o racismo,
00:27:16ele é tipo sistema operacional,
00:27:18ele vai se atualizando,
00:27:20ele vai se atualizando,
00:27:21e no que ele se atualiza,
00:27:22ele se sofistica,
00:27:24e muitas vezes,
00:27:25esse não olhar para mim,
00:27:27essa devoção de eu preciso,
00:27:30eu estou aqui para atender
00:27:32todas as demandas coletivas
00:27:33e do mundo inteiro,
00:27:35que cuidado é esse
00:27:37que é sobre o outro
00:27:38e não é sobre mim mesma?
00:27:40Então, a gente precisa
00:27:41sempre estar atento,
00:27:42que às vezes a gente acha
00:27:43que está arrumando
00:27:43uma super solução,
00:27:45mas na verdade,
00:27:46a gente só está se enredando
00:27:47num lugar que daqui a um tempinho
00:27:49fica muito tempo de si mesmo,
00:27:51fica muito pouco da gente,
00:27:53então é importante
00:27:54que a gente olhe,
00:27:55primeiro que assim,
00:27:56eu preciso garantir
00:27:56a minha saúde mental,
00:27:58eu preciso estar bem,
00:27:58sabe a máscara de oxigênio
00:28:00no avião,
00:28:01ela cai,
00:28:01aí a moça,
00:28:02a comissária de bordo
00:28:04sempre fala,
00:28:05ou o comissário,
00:28:07coloca a máscara em você primeiro
00:28:08para depois botar no outro,
00:28:10então a gente precisa se cuidar,
00:28:11e a gente precisa reconhecer
00:28:13que a gente sempre
00:28:14negligenciou a nossa saúde mental,
00:28:16porque ninguém considerou
00:28:17que a gente tivesse saúde mental,
00:28:19porque a gente era só braço,
00:28:20esse país entendeu a gente
00:28:22só como força,
00:28:23força física,
00:28:24e não o cuidado
00:28:27do emocional,
00:28:28o cuidado com a cabeça,
00:28:29então a gente precisa estar bem,
00:28:30depois a gente precisa reconhecer
00:28:31que o meu primeiro coletivo,
00:28:33o meu primeiro quilombo
00:28:34é esse núcleo familiar
00:28:34que é a Olívia,
00:28:36sabe,
00:28:36é o Igor,
00:28:37meu marido,
00:28:38é minha mãe,
00:28:39é minha família,
00:28:39é minhas primas,
00:28:41e aí tem a música do Emicida
00:28:42como ele fala,
00:28:43aquele sonho imundo,
00:28:44só água na geladeira,
00:28:46eu tentando salvar o mundo,
00:28:47gente,
00:28:47essa equação não vai fechar,
00:28:49e no final,
00:28:50a gente vai terminar
00:28:51tudo quebrado,
00:28:52e fraco,
00:28:53a gente não consegue mudar nada,
00:28:54então a gente precisa estar bem,
00:28:55a gente precisa reconhecer
00:28:57que o nosso primeiro coletivo,
00:28:58o nosso primeiro quilombinho,
00:28:59é esse núcleo aqui,
00:29:00para onde a gente precisa estar olhando,
00:29:02e aí a gente precisa também reconhecer
00:29:05que muitas vezes,
00:29:06aquilo que me motiva,
00:29:08aquilo que me fortalece,
00:29:10aquilo que me faz ir mais longe,
00:29:12é estar ao lado de pessoas,
00:29:14é me cercar de pessoas,
00:29:16que me inspiram,
00:29:17que me apoiam,
00:29:18e como diz Samanta Almeida,
00:29:20joga para a torcida,
00:29:21porque sempre vai ter uma torcida
00:29:23ali do lado,
00:29:24então eu preciso pensar em mim,
00:29:26pensar nesse meu núcleo melhor,
00:29:27menor,
00:29:28me cercar de pessoas,
00:29:29que vão me apoiar,
00:29:30e que vão me ajudar,
00:29:31e que vão me fazer chegar mais longe,
00:29:33e isso é tão poderoso,
00:29:35porque tira de sobre a gente,
00:29:37aquela responsabilidade,
00:29:39de ser forte o tempo todo,
00:29:41estar sempre bem,
00:29:42ou ter todas as respostas,
00:29:44porque é poderosíssimo,
00:29:45eu poder dizer,
00:29:46não sei,
00:29:46enquanto uma mulher preta,
00:29:47e ter a certeza,
00:29:49que ao meu lado,
00:29:49terão pessoas,
00:29:50que vão me ajudar,
00:29:52porque a gente não aprendeu,
00:29:53a dizer não sei,
00:29:54e por que a gente não aprendeu,
00:29:55a dizer não sei,
00:29:56porque todas as vezes,
00:29:56que uma mulher preta,
00:29:57um homem preto,
00:29:58diz não sei,
00:29:59a gente já tem,
00:30:00toda a nossa potência,
00:30:01nossa intelectualidade,
00:30:03reduzida,
00:30:04a gente tem,
00:30:04a nossa subjetividade,
00:30:05colocada em questão,
00:30:07e aí a gente precisa,
00:30:08ter essa força,
00:30:09e estar com pessoas,
00:30:10do nosso lado,
00:30:11para além disso,
00:30:12porque eu acho,
00:30:12que toda solução,
00:30:13é multifatorial,
00:30:14toda solução,
00:30:15envolve muita gente,
00:30:16a gente precisa entender,
00:30:19que as coisas vão mudando,
00:30:21elas vão se atualizando,
00:30:23mas a gente tem,
00:30:23uma estratégia ancestral,
00:30:25e a gente estava conversando,
00:30:26sobre isso gente,
00:30:26antes de começar essa live,
00:30:28que já foi incrível,
00:30:29não sei se Monique gravou,
00:30:30mas já foi maravilhoso,
00:30:32a gente estava falando,
00:30:33justamente sobre isso,
00:30:35quando a gente entende,
00:30:37que quem nós somos hoje,
00:30:38é fruto muito,
00:30:39de quem veio antes,
00:30:41e quando eu olho,
00:30:42para a minha filha,
00:30:43eu vejo,
00:30:44que ela também,
00:30:44é uma extensão de mim,
00:30:45mas não é a minha copy,
00:30:46nem a minha reprodução,
00:30:48isso me dá,
00:30:49uma força motriz,
00:30:50que eu consigo entender,
00:30:51que toda a minha potência,
00:30:53ela não tem,
00:30:54a minha idade física,
00:30:55né Monique,
00:30:56a minha idade biológica,
00:30:57ela vem de muito antes,
00:31:00ela vem de um lugar,
00:31:01que já entendeu o mundo,
00:31:03né Jéssica,
00:31:03você falou do seu tataravô,
00:31:05que já entendeu o mundo,
00:31:06que já entendeu,
00:31:06as suas atualizações,
00:31:08e que ela me impulsiona,
00:31:09para caramba,
00:31:10e aí Monique,
00:31:11eu queria muito rapidinho,
00:31:12falar um negócio,
00:31:14que a Gabi falou,
00:31:14eu estou um pouco,
00:31:15nesse lugar da Gabi,
00:31:16que eu sou publicitária,
00:31:18mas eu fiz uma opção,
00:31:19de carreira,
00:31:19eu fiz uma opção,
00:31:20de estar do lado de dentro,
00:31:21das organizações,
00:31:22das empresas,
00:31:23e eu sempre falo,
00:31:24que eu sou intraempreendedora,
00:31:26eu sempre falo,
00:31:27a gente está aqui,
00:31:27hackeando o sistema,
00:31:28a gente está aqui,
00:31:29para furar a bolha,
00:31:29pelo lado de dentro,
00:31:31a gente está aqui,
00:31:31para olhar,
00:31:32e entender as estratégias,
00:31:34e se apropriar,
00:31:36de um conhecimento,
00:31:36muitas vezes,
00:31:37que nos foi negado,
00:31:39e potencializar,
00:31:40com tudo aquilo,
00:31:41que a gente já carrega,
00:31:42e aí,
00:31:43a gente consegue pensar,
00:31:44em quem foi que construiu,
00:31:46os imaginários coletivos,
00:31:48desse país,
00:31:49como é que agora,
00:31:50eu coloco em perspectiva,
00:31:52outras narrativas,
00:31:53outras vozes,
00:31:55que vão me ajudar,
00:31:56a construir,
00:31:57novos imaginários,
00:31:59que vão impactar,
00:32:00na construção,
00:32:01de novas subjetividades,
00:32:02só que quando eu faço isso,
00:32:03como empresa,
00:32:04eu consigo virar,
00:32:05por exemplo,
00:32:06para uma agência,
00:32:06e falar assim,
00:32:07cadê a ficha técnica,
00:32:08gente?
00:32:09Cadê todo mundo,
00:32:10que deveria estar aqui?
00:32:11E aí,
00:32:11eu não estou falando,
00:32:12só sobre pessoas pretas,
00:32:13porque,
00:32:13por exemplo,
00:32:14nós somos aqui,
00:32:15cinco mulheres negras,
00:32:16que viemos,
00:32:17e falamos de lugares,
00:32:18muito diferentes,
00:32:19eu sou uma mulher cis,
00:32:20hétero,
00:32:20cadê a perspectiva,
00:32:21da mulher trans,
00:32:23preta?
00:32:24Cadê a perspectiva,
00:32:25da mulher periférica?
00:32:26Cadê a perspectiva,
00:32:27da mulher do norte?
00:32:28As nossas vivências
00:32:29não são iguais,
00:32:30e a gente precisa reconhecer,
00:32:32que quando eu estiver atento,
00:32:34e vigilante o tempo todo,
00:32:35de falar assim,
00:32:36se eles estão considerando,
00:32:38somente a Helena,
00:32:39isso aqui não vai dar certo,
00:32:40no final,
00:32:41eu preciso da Helena,
00:32:42eu preciso da Monique,
00:32:43eu preciso da Gabi,
00:32:44eu preciso da Odara,
00:32:46eu preciso da Faustina,
00:32:47eu preciso de que esteja,
00:32:48todo mundo aqui dentro,
00:32:49porque eu me construo,
00:32:50e eu me reconstruo,
00:32:52e eu me dou,
00:32:53enquanto pessoa,
00:32:54nesse encontro,
00:32:55e esse futuro,
00:32:57mais saudável,
00:32:58melhor,
00:32:59que a gente quer ter,
00:33:00ele só vai ser possível,
00:33:02à medida que a gente,
00:33:03trouxer todo mundo para a mesa,
00:33:05e a gente conseguir compreender,
00:33:07que a gente se dá,
00:33:08nesse encontro,
00:33:09encontro de afetividade,
00:33:11encontro de conflito,
00:33:12mas num encontro,
00:33:13tão produtivo,
00:33:15que me permite,
00:33:16expandir até o meu conhecimento,
00:33:18sobre mim mesma,
00:33:19quando eu olho para mulheres,
00:33:20como vocês,
00:33:21e vejo assim,
00:33:22caraca,
00:33:23dá para ser possível,
00:33:25e dá para ir além,
00:33:26daquilo que eu sonhei,
00:33:27porque eu tinha um outro,
00:33:29uma outra fronteira,
00:33:31e estar com outras pessoas,
00:33:34vai rompendo essas fronteiras invisíveis,
00:33:36que se colocam,
00:33:37e me permite possibilidades de sonhar,
00:33:40com coisas que eu não sabia,
00:33:41nem que eles eram possíveis,
00:33:43então assim,
00:33:44cuida dessa saúde aqui,
00:33:45dessa cabeça,
00:33:46desse núcleo,
00:33:47com quem eu convivo,
00:33:49e depois eu entendo,
00:33:50a minha responsabilidade,
00:33:52porque eu sei,
00:33:53que eu já sou ancestral,
00:33:54da minha filha,
00:33:55hoje nós já somos,
00:33:57ancestrais de alguém,
00:33:59e deixa eu falar uma coisa,
00:34:00eu não gravei como justificativa,
00:34:03entendeu,
00:34:03para a gente voltar para o afropunk,
00:34:05para conversar mais,
00:34:05ano que vem,
00:34:06entendeu,
00:34:06para o afropunk,
00:34:07mas isso aí,
00:34:07larguei,
00:34:08joguei para o universo,
00:34:09mas o Dara,
00:34:10você falou uma coisa,
00:34:11né,
00:34:12que só o serviço social,
00:34:14só o que você estava atuando,
00:34:15profissionalmente,
00:34:16não era o suficiente,
00:34:17aí você vai para a capoeira,
00:34:18mas tem um momento,
00:34:20aquele momento,
00:34:21mágico,
00:34:21não sei,
00:34:22que você fala assim,
00:34:23gente,
00:34:23não faz sentido não,
00:34:24não dá para ser apenas o meu crachá,
00:34:26teve um momento desse,
00:34:28se sim,
00:34:28você poderia compartilhar com a gente,
00:34:30por favor?
00:34:31Então,
00:34:31assim,
00:34:32para mim,
00:34:32o que eu percebo na minha trajetória,
00:34:34acredito que isso,
00:34:35de algum modo,
00:34:36possa ser compartilhado com vocês,
00:34:37inclusive,
00:34:38na trajetória de vocês,
00:34:40é que a gente é ensinado,
00:34:41enquanto pessoa negra,
00:34:42que o nosso trabalho nos dignifica,
00:34:45essa é uma máxima colocada para todo mundo,
00:34:47mas no caso das pessoas negras,
00:34:50a dignidade que se vem com o trabalho,
00:34:51é uma dignidade que supostamente
00:34:53nos devolveria a nossa humanidade,
00:34:56não obstante,
00:34:57algumas pessoas pretas,
00:34:58faveladas,
00:34:59quando abordadas pela polícia,
00:35:00respondem o quê?
00:35:01Eu sou trabalhador,
00:35:02ou seja,
00:35:03ser trabalhador deveria ser suficiente
00:35:05para que a gente eliminasse
00:35:07essa violência racial
00:35:08sobre a qual a gente está acometido,
00:35:10e não é isso que acontece,
00:35:12a gente se submete às relações de trabalho,
00:35:14a gente busca essa dignidade,
00:35:16essa humanidade,
00:35:17a partir de uma identidade profissional,
00:35:19daquilo que a gente pode contribuir,
00:35:21socialmente,
00:35:22a partir da nossa formação,
00:35:23a partir do mestrado,
00:35:25e tudo isso,
00:35:26para mim,
00:35:27está no campo de que a racionalidade,
00:35:30supostamente,
00:35:31traria para a gente uma inserção nesse mundo,
00:35:34ou seja,
00:35:35se eu me formar,
00:35:36se eu trabalhar,
00:35:37se eu me desenvolver intelectualmente,
00:35:39se eu citar os clássicos,
00:35:42se eu conhecer mais sobre filme francês,
00:35:45se eu me comportar de um jeito específico,
00:35:47se eu falar baixo,
00:35:49se eu seguir um determinado protocolo
00:35:51do que é ser moderno,
00:35:52enfim,
00:35:52eu seria aceito.
00:35:53E aí a gente,
00:35:54por vezes,
00:35:55faz esse caminho,
00:35:56essa expectativa do que é prosperidade,
00:35:59do que é uma vida de sucesso,
00:36:00e não adianta,
00:36:02porque existe algo,
00:36:03para além disso,
00:36:04para além de todo esse caminho já
00:36:06defendido como um caminho
00:36:08que nos livra
00:36:09dessa culpa de ser quem nós somos,
00:36:11que não dá conta da ausência,
00:36:13da violência,
00:36:14da falta
00:36:15que esse mundo colonial
00:36:17imprimiu nas nossas identidades.
00:36:19Então,
00:36:20a gente se dedica para ser o melhor
00:36:21e isso não é suficiente.
00:36:24Quando a gente chega lá e fala
00:36:25poxa,
00:36:26isso não está me realizando,
00:36:27existe um buraco,
00:36:28uma falta,
00:36:29algo que eu preciso identificar,
00:36:31esse movimento,
00:36:32para mim,
00:36:32foi exatamente a falta do corpo,
00:36:35a falta da prática,
00:36:36a falta de um alinhamento
00:36:38em que a energia da cabeça,
00:36:40que supostamente traria
00:36:41a minha inserção,
00:36:44pudesse
00:36:45enraizar para todo o corpo,
00:36:49se ramificar.
00:36:50O corpo é extremamente indispensável
00:36:51para as culturas africanas,
00:36:53porque é a partir do corpo
00:36:54que a gente se coloca no mundo.
00:36:55A gente não está falando
00:36:56de viver o mundo
00:36:57a partir do olhar ou da escuta,
00:36:59a gente está falando
00:36:59de sentir o mundo
00:37:00a partir do corpo todo.
00:37:02E a capoeira
00:37:03trouxe isso para mim,
00:37:04em que medida eu consigo
00:37:06desenvolver a minha racionalidade,
00:37:08a minha forma
00:37:09de sentir,
00:37:11de observar,
00:37:11de entrar em situações
00:37:13e sair,
00:37:14a partir da lógica
00:37:15da mandinga,
00:37:16do sussurro,
00:37:17da brindeira,
00:37:18da risada,
00:37:19do movimento lento,
00:37:20de uma compreensão
00:37:21do meu corpo.
00:37:23Então,
00:37:24durante muito tempo,
00:37:26esse exercício
00:37:26da racionalidade,
00:37:28de tentar fazer bons artigos,
00:37:30escrever bem,
00:37:31falar bem,
00:37:32ler todos os clássicos,
00:37:34construir uma boa retórica,
00:37:36inclusive falar alto,
00:37:38falar de forma efusiva,
00:37:39trazer tudo isso
00:37:41para o campo
00:37:42da racionalidade,
00:37:43na minha cabeça,
00:37:44me ensinaram
00:37:44que isso ampliaria
00:37:46o meu lugar no mundo.
00:37:47E eu fiz,
00:37:49eu fiz,
00:37:49eu me formei,
00:37:50fiz o mestrado,
00:37:52tentei trilhar
00:37:53esse caminho
00:37:54da intelectualidade,
00:37:56e aí eu senti
00:37:57que isso não estava
00:37:58sendo suficiente,
00:37:59e a capoeira
00:37:59me devolve,
00:38:01as tradições africanas
00:38:02me devolvem
00:38:03esse lugar do corpo.
00:38:04O corpo não como um lugar
00:38:05que precisa ser controlado,
00:38:07que precisa ser diminuído,
00:38:08que precisa ser,
00:38:10enfim,
00:38:13desconsiderado
00:38:14nos processos.
00:38:15O corpo não é profano,
00:38:17o corpo é de onde
00:38:17vem todo prazer,
00:38:18inclusive.
00:38:19E para nós,
00:38:20sobretudo pessoas negras,
00:38:22se a gente não alinha
00:38:23o que a gente pensa,
00:38:25o que a gente propõe,
00:38:26esses caminhos
00:38:26que a gente está construindo
00:38:27mentalmente,
00:38:28como perspectiva,
00:38:29como ideia,
00:38:31e vive isso,
00:38:32a gente vai viver
00:38:33uma lacuna
00:38:34e essa ausência
00:38:34como norma da vida.
00:38:36Então,
00:38:37parte de uma,
00:38:38para mim,
00:38:39a capoeira,
00:38:40a intelectualidade,
00:38:41o diálogo,
00:38:42o ebó,
00:38:43o axé,
00:38:44a saliva,
00:38:45tudo isso
00:38:46é o que me devolve
00:38:47essa integralidade
00:38:48de estar no mundo.
00:38:49A gente precisa
00:38:51amolecer
00:38:52aquilo que o racismo
00:38:54coloca como dor,
00:38:55como violência,
00:38:56a gente precisa
00:38:57considerar o nosso corpo
00:38:58nas trocas,
00:38:59nos prazeres,
00:39:01a gente precisa
00:39:02aprender com os nossos
00:39:03que vieram antes,
00:39:04inclusive,
00:39:04que a nossa emancipação
00:39:06não vai vir necessariamente
00:39:07do campo do discurso,
00:39:10do campo da teoria,
00:39:11a gente precisa
00:39:12materializar isso
00:39:13e é o corpo
00:39:14quem materializa.
00:39:15Então,
00:39:15é um pouco
00:39:16do que eu aprendo
00:39:17com o samba,
00:39:17por exemplo,
00:39:18com o maracatu,
00:39:19com o jongo,
00:39:20com o terreiro.
00:39:21A gente está o tempo todo
00:39:22nessas referências africanas,
00:39:24nessa África
00:39:25reterritorializada
00:39:26no Brasil,
00:39:27aprendendo
00:39:28que é a partir
00:39:29do corpo
00:39:30que a gente
00:39:30se emancipa,
00:39:31que a gente
00:39:32se reeduca,
00:39:32que a gente
00:39:33se descoloniza,
00:39:34que a gente
00:39:35vai tirando
00:39:36o peso
00:39:37e as dores
00:39:37do racismo
00:39:38num exercício
00:39:40de coletividade,
00:39:41de sentir,
00:39:42de cosmopercepção.
00:39:43Acho que é um pouco
00:39:43disso.
00:39:44E se é num coletivo
00:39:45e tudo mais
00:39:46que a gente se emancipa,
00:39:47então a gente pode
00:39:48também ressignificar
00:39:49o que é inovação,
00:39:49porque se a gente
00:39:50for ver hoje,
00:39:51tudo é tech
00:39:52e a gente esquece
00:39:53de tecnologias
00:39:54ancestrais,
00:39:55sociais,
00:39:56porque tem que ser
00:39:56digital.
00:39:57Se não for smartphone
00:39:58na palma da mão,
00:40:00isso não é considerado
00:40:01inovador.
00:40:02Eu realmente acredito
00:40:03que inovação
00:40:03é fazer funcionar.
00:40:05Sim, funciona.
00:40:06A gente vive no Brasil,
00:40:07gente, entendeu?
00:40:08Olha a comunidade preta.
00:40:10Está funcionando,
00:40:11isso para mim é inovador.
00:40:12Estou vendo acontecer.
00:40:14Então eu queria ouvir
00:40:15de todas vocês
00:40:16o que seria inovação,
00:40:18o que é inovação
00:40:19e como é que a gente
00:40:19pode também tirar
00:40:20esse imaginário
00:40:21de inovação
00:40:21ser apenas
00:40:22no universo digital.
00:40:24Se você quiser
00:40:25já começar,
00:40:26Odara,
00:40:27porque você finalizou,
00:40:27você já pega o gancho
00:40:28e, por favor,
00:40:29traz para a gente
00:40:30o que é inovação
00:40:31que eu quero ouvir
00:40:31de todas vocês.
00:40:34Então, inovação
00:40:34para mim
00:40:35é deslocar o corpo,
00:40:37e a gente volta no corpo.
00:40:38Estou bem matemática
00:40:39com o corpo,
00:40:39porque eu estou tentando
00:40:41refazer a minha conexão
00:40:42com esse corpo
00:40:43que foi ensinado
00:40:44que ele precisa
00:40:44de ser deixado de lado.
00:40:46Estou tentando mandar energia
00:40:48para todos os meus órgãos,
00:40:49para os braços,
00:40:50para os pés,
00:40:51esse corpo que me informa
00:40:52onde eu estou,
00:40:53que se relaciona com o outro,
00:40:54que sente a dor,
00:40:55mas também sente a alegria,
00:40:56que samba, por exemplo.
00:40:58Inovação para mim
00:40:59é deslocar esse corpo
00:41:00que foi ensinado
00:41:01a olhar para o futuro
00:41:02como um espaço
00:41:03ainda em construção,
00:41:05mas que a gente pouco
00:41:06tem agência.
00:41:07Quem é que constrói
00:41:08o futuro hoje?
00:41:09Na mão de quem
00:41:10está o nosso futuro?
00:41:12Isso está na mão
00:41:13de poucas pessoas,
00:41:14e essas poucas pessoas
00:41:14inclusive têm cor,
00:41:16não só no Brasil
00:41:17como no mundo.
00:41:18Então, quando eu olho
00:41:19para esse futuro,
00:41:19eu realmente não consigo ver
00:41:21dentro dessa perspectiva
00:41:23hegemônica
00:41:24algo que seja potente
00:41:25para nós.
00:41:26Eu vejo a continuidade
00:41:28do genocídio,
00:41:29novas formas de dor,
00:41:30de violência,
00:41:32e por uma insistência
00:41:34e aprendizado
00:41:35com as mais velhas
00:41:36e os mais velhos,
00:41:37esse corpo precisa
00:41:38voltar para trás,
00:41:39ele precisa olhar
00:41:40para outras perspectivas.
00:41:43Eu acredito muito
00:41:43que a inovação
00:41:44é voltar às raízes.
00:41:46Eu acredito que
00:41:47os nossos povos,
00:41:49o lugar de onde a gente vem,
00:41:51já criou inúmeras ferramentas
00:41:53que a gente não precisa pegar
00:41:54e realocar elas
00:41:56na nossa realidade atual
00:41:57de uma forma não pensada
00:41:59ou de uma forma não adaptada.
00:42:03Mas eu acredito
00:42:04que é necessário
00:42:05olhar para aquilo
00:42:05que já funcionou,
00:42:07para todo o conhecimento
00:42:08que o Ocidente
00:42:09insiste em destruir,
00:42:10porque ali está a resposta
00:42:12para novas estratégias.
00:42:14Para mim,
00:42:15tudo o que o Ocidente
00:42:16tenta destruir
00:42:17é porque guarda
00:42:18alguma potência.
00:42:19O homem branco,
00:42:20a mulher branca,
00:42:21a sociedade branca,
00:42:23ela não teme o negro
00:42:24e o indígena
00:42:25simplesmente porque
00:42:26ele é diferente,
00:42:27porque ele supostamente
00:42:28acha que são bestiais,
00:42:30muito pelo contrário.
00:42:31Eles nos temem
00:42:32porque sabem que a gente
00:42:33guarda uma potência
00:42:34de transformação
00:42:35de sociedades
00:42:37em que a diferença
00:42:39não é pressuposto
00:42:40de dominação,
00:42:42em que o individualismo
00:42:43não é e não está acima
00:42:45do quilombo,
00:42:46da comunidade,
00:42:48em que o corpo
00:42:49e o racional,
00:42:50a mente e o espírito
00:42:51não estão desintegrados,
00:42:52muito pelo contrário,
00:42:54eles coexistem.
00:42:56Então,
00:42:56esse saber
00:42:56coloca em xeque
00:42:57todas as bases
00:42:58de organização desse mundo
00:43:00que cria os problemas
00:43:00que a gente vivencia.
00:43:02Então,
00:43:02se esse mundo,
00:43:03tal como ele funciona,
00:43:04esse mundo colonial,
00:43:05capitalista,
00:43:06patriarcal,
00:43:07racista,
00:43:08cria problemas
00:43:09e eu busco nele
00:43:10a resposta para a solução,
00:43:12eu estou falada ao fracasso.
00:43:14Então,
00:43:14é fora dele
00:43:15que existem as respostas.
00:43:17A gente estava falando
00:43:17um pouco aqui
00:43:18no final da fala da Helena,
00:43:19ela falou sobre
00:43:20a gente sentar à mesa,
00:43:23trazer outras pessoas negras
00:43:25para sentarem à mesa.
00:43:26E eu concordo
00:43:27em alguma medida
00:43:28com isso sim,
00:43:28mas pensando em uma metáfora
00:43:30que se complementa
00:43:31ao que ela trouxe
00:43:31e não que é contrária,
00:43:33eu acredito que a gente
00:43:34precisa,
00:43:35ao invés
00:43:35e não só,
00:43:38de sentar à mesa
00:43:38e a gente se senta à mesa
00:43:39como estratégia assim
00:43:40de se infiltrar,
00:43:41de hackear o sistema,
00:43:42de alargar os espaços,
00:43:44as possibilidades,
00:43:45a gente precisa quebrar a mesa.
00:43:48A gente precisa voltar
00:43:49a sentar no chão,
00:43:50a gente precisa voltar
00:43:51a se organizar
00:43:52de uma forma
00:43:54em que
00:43:54aquilo que dizem
00:43:56que é moderno
00:43:57não seja mais
00:43:58o norte,
00:43:59literalmente,
00:44:00o norte do nosso comportamento.
00:44:02Existem outras formas
00:44:03de estar no mundo.
00:44:04Eu estou falando
00:44:04desde a forma
00:44:05como a gente se relaciona
00:44:06com o nosso corpo
00:44:07intimamente
00:44:08até a forma
00:44:09como a gente se relaciona
00:44:10com a política,
00:44:11com a democracia,
00:44:12o que é tecnologia.
00:44:13A gente precisa
00:44:14convocar novos autores,
00:44:17novos protagonistas
00:44:18para responder
00:44:19perguntas
00:44:20que aparentemente
00:44:21já estavam respondidas.
00:44:23O que é Estado?
00:44:24O que é sustentabilidade?
00:44:25O que é gênero?
00:44:27Eu não quero mais
00:44:28que os autores europeus
00:44:29me respondam sobre isso.
00:44:30Eu quero que os povos africanos,
00:44:32os povos indígenas,
00:44:33esse corpo aqui
00:44:34que sente a vida
00:44:36tenha a possibilidade
00:44:38de responder
00:44:38e trocar
00:44:39com as suas iguais
00:44:40e com os seus iguais
00:44:41sobre essas coisas
00:44:42que aparentemente
00:44:43são inquestionáveis.
00:44:44Então, para mim,
00:44:44inovação é isso.
00:44:45É questionar aquilo
00:44:46que aparentemente é óbvio
00:44:47e responder de outras formas.
00:44:51Maravilha.
00:44:52Não tenho nem palavras
00:44:53para isso,
00:44:53porque eu não vou ter
00:44:54no final dessa rodada aqui
00:44:55sobre inovação.
00:44:56Porque agora é Helena.
00:44:58Inovação, Helena.
00:44:59Que bicho de sete cabeças
00:45:00é esse que a galera
00:45:01reduz em apenas no digital?
00:45:03Em ser apenas digital?
00:45:03Nossa, gente.
00:45:04Mas é tão reducionista
00:45:06achar que inovação
00:45:07é digital.
00:45:10Não vou nem falar tecnologia.
00:45:11Sim, é tecnologia,
00:45:11mas é o digital,
00:45:12é o device,
00:45:14é isso aí.
00:45:14Gente, sérião.
00:45:16Assim, sérião.
00:45:17Então, quer dizer que assim,
00:45:18antes de termos o...
00:45:19Antes de criarmos
00:45:20supercomputadores
00:45:21e o smartphone,
00:45:22a gente não inovou em nada,
00:45:24né?
00:45:24Enquanto civilização,
00:45:25enquanto mundo.
00:45:27Eu adoro fazer
00:45:28essas reflexões, gente,
00:45:29porque é só a gente
00:45:30fazer três perguntas
00:45:31que a gente percebe,
00:45:32às vezes,
00:45:33o quão óbvio
00:45:33e o quão raso
00:45:35são algumas conclusões.
00:45:37E eu adorei
00:45:38o ponto da Odara, né?
00:45:39Porque vai trazendo
00:45:40outra perspectiva
00:45:41e é isso mesmo, Odara.
00:45:42Assim, não é só
00:45:43exclusivamente
00:45:44sobre estar na mesa,
00:45:45é como é que eu trago
00:45:46outras formas também.
00:45:48E eu acho isso muito...
00:45:49E eu acho isso
00:45:50de uma beleza
00:45:51incrível.
00:45:52Gente, eu falei,
00:45:52eu sou do Rio,
00:45:53eu sou carioca.
00:45:54O que é o mototáxi,
00:45:56se não uma inovação
00:45:57em logística
00:45:58e transporte,
00:46:00dentro de uma geografia
00:46:01de comunidades
00:46:02e favelas do Rio de Janeiro
00:46:03que estão em sua
00:46:04grande maioria
00:46:05nos morros?
00:46:06O mototáxi
00:46:07é uma inovação.
00:46:09É você entender
00:46:09que dentro de vielas
00:46:11e ruas estreitas
00:46:12e na subida,
00:46:13você precisa arrumar
00:46:14uma solução
00:46:15para carregar
00:46:15as bolsas da tia,
00:46:16que estava chegando
00:46:17com as compras
00:46:18e ia subir o morro.
00:46:20Para mim,
00:46:21inovação
00:46:22é você conseguir
00:46:23a genialidade
00:46:24de enxergar o óbvio
00:46:26que ninguém
00:46:27enxergou ainda.
00:46:29É a genialidade
00:46:30de você fazer
00:46:31diferente funcionar
00:46:32de uma maneira melhor
00:46:34que faça sentido.
00:46:35Porque para mim,
00:46:36gente,
00:46:36eu sempre vou falar isso,
00:46:37é sobre fazer sentido.
00:46:39E às vezes,
00:46:40a gente faz coisas
00:46:41que não fazem sentido
00:46:43algum.
00:46:45Nenhum.
00:46:46E a gente só reproduz.
00:46:47Então,
00:46:47para mim,
00:46:48inovação
00:46:48é quando eu consigo
00:46:50trazer perspectivas
00:46:51diferentes,
00:46:52de soluções diferentes,
00:46:53porque pessoas diferentes
00:46:54não demandam
00:46:55as mesmas coisas.
00:46:57E está tudo bem.
00:46:59É quando eu paro
00:47:00de hierarquizar
00:47:01as soluções
00:47:02achando que
00:47:03só que porque tem
00:47:04base tecnológica
00:47:05ou é a versão
00:47:0637 do rolê,
00:47:08que esse é
00:47:09o mais inovador.
00:47:10Não é sobre isso,
00:47:12é sobre o quanto funciona
00:47:13e o quanto é útil.
00:47:14Por quê?
00:47:15Porque não adianta
00:47:16eu trazer,
00:47:18estou dando só
00:47:18esse exemplo,
00:47:19tá, gente?
00:47:20A versão 527,
00:47:22se a minha mãe
00:47:23não consegue usar.
00:47:24Se uma pessoa
00:47:25cega,
00:47:26eventualmente,
00:47:27não consegue usar.
00:47:28Então,
00:47:29isso não é inovador.
00:47:30Inovador é o que funciona,
00:47:31faz sentido
00:47:32e que talvez
00:47:34consiga trazer sentido.
00:47:36E não vai ter inovação
00:47:37se são as mesmas pessoas
00:47:38sempre pensando,
00:47:40né, gente?
00:47:40Não vai ter inovação
00:47:41se for o mesmo grupo
00:47:43e aí a gente pode
00:47:43falar disso assim,
00:47:44se for o mesmo grupo
00:47:45de homens brancos,
00:47:46cis,
00:47:47heteronormativos
00:47:47do eixo Rio-São Paulo,
00:47:49pensando,
00:47:50porque o Brasil
00:47:51é muito maior
00:47:52do que isso.
00:47:53Gente,
00:47:54eu moro numa casa.
00:47:56O que não é inovador
00:47:58eu pegar um cano
00:47:59e tirar a manga do pé
00:48:01sem que ela caia estourada?
00:48:04Isso é inovador.
00:48:05Só que a gente
00:48:06vive numa sociedade
00:48:07ocidental
00:48:08que só valoriza
00:48:10como bem de Ciodara
00:48:11os saberes
00:48:13que vêm da academia.
00:48:15Em alguma medida,
00:48:17Faustina,
00:48:18porque eu chamo
00:48:18às vezes as pessoas
00:48:19pelo sobrenome,
00:48:20me perdoe, irmã,
00:48:21é que às vezes,
00:48:22em alguma medida,
00:48:23a gente absorve isso
00:48:24como a única forma possível
00:48:26de se reconhecer
00:48:26nessa sociedade
00:48:27e a gente passa
00:48:28a valorizar
00:48:29única e exclusivamente
00:48:30o saber
00:48:31e a produção de conhecimento
00:48:32que vêm da academia.
00:48:34Só que esse paradigma,
00:48:37na verdade,
00:48:37esse marco epistemológico
00:48:39e a Gabi é a pessoa
00:48:40para falar sobre isso aqui,
00:48:41ele é absolutamente europeu,
00:48:43eurocentrado,
00:48:44branco, etc.
00:48:45Os nossos saberes,
00:48:46gente,
00:48:47as coisas mais geniais
00:48:47que eu aprendi,
00:48:48as coisas mais profundas
00:48:50sobre a vida
00:48:50e as coisas que me fazem
00:48:51caminhar e ser a pessoa
00:48:53que eu sou hoje,
00:48:54eu aprendi de mulheres
00:48:55que não tinham
00:48:56a quarta série primária,
00:48:59que são as mulheres pretas
00:49:00da minha família.
00:49:01Eu aprendi
00:49:02a hackear o sistema,
00:49:04dar meu jeito,
00:49:05como a gente fala,
00:49:05dar meus pulos,
00:49:06a ler o contexto,
00:49:08a gente precisa aprender
00:49:09a ler o contexto,
00:49:11entrar e permanecer
00:49:12nos lugares
00:49:13pelos quais eu passei,
00:49:14porque eu aprendi
00:49:15com mulheres
00:49:16que não foram
00:49:16para a universidade,
00:49:18elas inovaram,
00:49:20a minha mãe inovou,
00:49:22porque teve muito
00:49:23banheiro lavado aqui,
00:49:24teve muita roupa passada
00:49:25para a gente estar aqui,
00:49:26isso não é estratégia,
00:49:28isso não é tecnologia,
00:49:29isso não é entendimento
00:49:30sobre a vida,
00:49:31como se dão as relações
00:49:32e que é isso,
00:49:33o que eu preciso fazer
00:49:34para dar o pulo,
00:49:35a beleza disso tudo
00:49:37agora é que a gente
00:49:37não vai continuar
00:49:38lavando o banheiro,
00:49:40a potência disso tudo
00:49:41agora é que a gente
00:49:41já parte de outro lugar,
00:49:43e aí a gente já consegue
00:49:45compreender
00:49:46que eu posso pegar
00:49:46toda a minha potência
00:49:48que vem de um outro lugar
00:49:49que não da academia
00:49:50e transformar isso
00:49:51em tecnologia
00:49:52e tecnologia
00:49:53não entendida
00:49:54como o digital
00:49:55e fazê-la funcionar
00:49:57e fazê-la chegar
00:49:58e chegar fora da bolha,
00:50:00porque não é inovador
00:50:01se ele não é compreensível,
00:50:03não é inovador
00:50:04se não cabe
00:50:05para todas as pessoas,
00:50:07não é inovador
00:50:08se não faz sentido
00:50:09para todo mundo,
00:50:10porque a gente pode achar
00:50:11que a gente está assim,
00:50:11mandando no rolê,
00:50:13se não chega na quebrada,
00:50:15se a minha tia,
00:50:16vó,
00:50:17se as minhas tias,
00:50:17se as minhas primas,
00:50:19elas não compreenderem,
00:50:21gente,
00:50:21não inovou não,
00:50:23assim,
00:50:24sou sorry,
00:50:24como a gente gosta de dizer,
00:50:26sou sorry,
00:50:27mas Monique,
00:50:28para mim,
00:50:28passa sobre isso,
00:50:29inovação,
00:50:30para mim,
00:50:30é aquilo que faz sentido,
00:50:32que dá sentido,
00:50:33que é democrático
00:50:34e que faz funcionar
00:50:35cada vez mais e melhor
00:50:37e que não precisa
00:50:38do selo,
00:50:40né,
00:50:41da trademark,
00:50:44desse lugar
00:50:45que durante tantos séculos
00:50:47deteve
00:50:49algum poder
00:50:50e algum conhecimento.
00:50:53Anotadíssimo,
00:50:53não sei vocês aí
00:50:54que estão assistindo,
00:50:55espero que estejam anotando,
00:50:56porque não é todo dia
00:50:57que a gente tem essa aula aqui,
00:50:58não,
00:50:58tá bom,
00:50:59porque tem mais gente
00:50:59para falar,
00:51:00por favor,
00:51:00Gabi,
00:51:01sua perspectiva de inovação.
00:51:04Eu lembro de uma história,
00:51:06eu estava ouvindo
00:51:06a resposta de Helena,
00:51:08eu lembro de uma história
00:51:09muito boa,
00:51:09eu estava conversando um dia
00:51:10com o homem branco,
00:51:13cis e hétero do mercado,
00:51:15e eu lembro que ele falou assim,
00:51:17Gabi,
00:51:17a gente tem que despertar,
00:51:18e super bem intencionado,
00:51:20ele falou assim,
00:51:20Gabi,
00:51:21a gente tem que despertar
00:51:22na galera preta,
00:51:24que a gente tem aqui
00:51:25na nossa rede e tal,
00:51:26essa vontade de empreender.
00:51:28E eu falei,
00:51:30mas calma,
00:51:31quem disse que essa galera
00:51:32já não entende,
00:51:34já não empreende,
00:51:35já não sabe tudo sobre isso,
00:51:36eu acho que tem um descolamento
00:51:38de interpretação no nosso país,
00:51:41muito ligado a essa resposta
00:51:42que a Helena trouxe,
00:51:44que é,
00:51:45essa galera,
00:51:46que não é essa camada branca,
00:51:49cis e hétero,
00:51:50que está no poder do nosso país,
00:51:52em várias esferas de poder,
00:51:54já empreende,
00:51:56já inova,
00:51:57há muito tempo,
00:51:58o país só está em pé
00:51:59por conta dessa galera,
00:52:00sabe?
00:52:01A minha mãe,
00:52:02por exemplo,
00:52:03enquanto ela era viva,
00:52:04eu lembro quantas vezes
00:52:06ela mudou de carreira,
00:52:08usando a garagem
00:52:09da nossa casa,
00:52:10assim,
00:52:10ela transformava a garagem
00:52:11da nossa casa
00:52:11uma vez por ano
00:52:12em algum negócio diferente,
00:52:13assim,
00:52:14era para vender artesanato,
00:52:15depois ela virou manicure
00:52:16e pedicure,
00:52:17assim,
00:52:18aí teve uma época
00:52:18que a gente fez casquinha
00:52:19de sorvete,
00:52:21são três negócios
00:52:22completamente diferentes,
00:52:24assim,
00:52:24você vai falar
00:52:25que isso não é inovação,
00:52:26como é que ela aprendeu
00:52:26tudo isso uma vez por ano,
00:52:27assim,
00:52:28então é muito doido
00:52:29olhar isso,
00:52:30né,
00:52:30como a gente faz isso
00:52:31como país,
00:52:32e eu acho que
00:52:34tem algumas coisas
00:52:36que são muito básicas,
00:52:37eu fico até brava
00:52:38das pessoas não saberem
00:52:39hoje em dia,
00:52:39né,
00:52:40quando eu falo pessoas,
00:52:40tem um grupo bem específico
00:52:42que eu estou falando aqui,
00:52:43que é,
00:52:44basicamente,
00:52:45primeiro,
00:52:45tem o estudo de neurociência,
00:52:46eu sempre gosto de citar estudos,
00:52:47porque a gente sabe
00:52:48que para a gente colocar
00:52:49essas coisas em pé,
00:52:50em pauta,
00:52:50a gente tem que mostrar,
00:52:52né,
00:52:52base,
00:52:53assim,
00:52:53senão as pessoas vão ficar
00:52:54questionando e falam,
00:52:55não,
00:52:55mas isso é opinião sua,
00:52:56não é opinião,
00:52:57tem estudo,
00:52:58isso que a Helena falou,
00:52:59tem estudo por trás
00:53:01que diz,
00:53:01assim,
00:53:01então tem o estudo de neurociência
00:53:03que ele colocou
00:53:04o mesmo problema
00:53:05para diferentes grupos
00:53:06de pessoas,
00:53:08e a conclusão desse estudo
00:53:09é que quanto mais pessoas
00:53:11de pontos de vista,
00:53:12de vivências,
00:53:13de recortes identitários
00:53:15diferentes num grupo,
00:53:17juntas,
00:53:18olhando o mesmo problema,
00:53:19mais soluções diferentes
00:53:21para aquele problema
00:53:22as pessoas vão achar,
00:53:23então é comprovado
00:53:25cientificamente
00:53:26que um grupo
00:53:27mais diverso
00:53:28produz mais soluções
00:53:30para um mesmo problema,
00:53:31e aí você fala assim,
00:53:33tá,
00:53:34mas se a ciência comprovou isso,
00:53:35por que as empresas
00:53:36ainda estão questionando
00:53:37se elas criam vagas
00:53:39para pessoas negras?
00:53:40Não sei,
00:53:41negacionismo talvez,
00:53:42assim,
00:53:42porque isso traria muito resultado
00:53:44inclusive para elas,
00:53:46em 2021,
00:53:48a gente ainda está tendo
00:53:48que comprovar isso,
00:53:50assim,
00:53:50então,
00:53:51eu acho que é um ponto
00:53:52muito doido
00:53:52da gente pensar,
00:53:53né,
00:53:54mas quando eu olho
00:53:55para a pergunta,
00:53:56assim,
00:53:56o que é inovação,
00:53:57né,
00:53:57acho que a resposta simples
00:54:00é olhar para como
00:54:03a gente resolve um problema
00:54:04de uma forma diferente
00:54:05que ninguém achou ainda,
00:54:06mas eu acho que tem
00:54:07uma resposta que
00:54:08eu pensei agora,
00:54:10que é
00:54:11a capacidade de achar
00:54:13novas formas
00:54:13de nos manter vivos,
00:54:15assim,
00:54:15eu acho que é isso,
00:54:16sabe,
00:54:16e eu não só como pessoas,
00:54:18mas eu acho que como negócio
00:54:19também,
00:54:20se a gente for trazer isso
00:54:20para uma camada
00:54:21de discussão de negócio,
00:54:23olha quantas coisas
00:54:24já deixaram de existir,
00:54:25né,
00:54:26recentemente,
00:54:26assim,
00:54:26de negócio,
00:54:27a gente fala,
00:54:27nossa,
00:54:28tanto tempo atrás
00:54:29tinha quantas locadoras,
00:54:30agora a locadora
00:54:31não existe mais,
00:54:32olha só,
00:54:33faz pouquíssimo tempo,
00:54:34né,
00:54:35e para mim,
00:54:36do ponto de vista
00:54:36de negócio,
00:54:37eu acho que é a mesma coisa,
00:54:39o que você consegue
00:54:39fazer diferente
00:54:41para manter o seu negócio
00:54:43vivo,
00:54:43e aí que eu entro
00:54:44numa camada que eu,
00:54:45eu sempre,
00:54:46né,
00:54:46alguém fala assim,
00:54:47eu tenho uma inovação
00:54:47aqui nessa minha rede social,
00:54:50por exemplo,
00:54:50eu criei uma coisa nova
00:54:52aqui que acontece
00:54:52nessa minha rede social,
00:54:54e aí eu já perguntei isso,
00:54:55inclusive,
00:54:55eu falei,
00:54:55tá,
00:54:56mas como que isso
00:54:57resolve o problema
00:54:58da crise dos algoritmos
00:54:59e da bipolaridade política
00:55:00que a gente está gerando
00:55:01no mundo?
00:55:02Porque se não resolver
00:55:04esse problema,
00:55:04que para mim é o maior problema
00:55:05envolvendo rede social hoje,
00:55:06não é inovação,
00:55:08não é,
00:55:09não é,
00:55:09não tem inovação hoje,
00:55:10em 2021,
00:55:11no mundo,
00:55:12num cenário pandêmico
00:55:13de crise,
00:55:14de milhares de crises juntas,
00:55:15né,
00:55:15não é só uma crise,
00:55:16infelizmente,
00:55:17que a gente está vivendo,
00:55:18para mim não existe inovação
00:55:19que não seja social,
00:55:20se trouxer uma inovação
00:55:22que não seja social,
00:55:23para mim não é inovação,
00:55:23não é só um feature novo
00:55:25que você achou bonito
00:55:27de criar na sua ferramenta.
00:55:28E o time de produto
00:55:30que achou bonito,
00:55:31né,
00:55:31porque tem isso.
00:55:32É.
00:55:33O time de produto
00:55:33fica viciado ali
00:55:34na ferramenta X
00:55:35e aí a gente nem quer
00:55:37aquela ferramenta,
00:55:37a gente nem usa,
00:55:38entendeu?
00:55:39Ninguém que não sabe
00:55:40para nada.
00:55:41E tem uma coisa
00:55:42quando você cita
00:55:43que já tem estudos,
00:55:45é isso que eu não entendo,
00:55:46né,
00:55:46porque assim,
00:55:46a gente entende na verdade,
00:55:48o capitalismo inclusive
00:55:49prefere perder dinheiro
00:55:51para continuar fazendo
00:55:52a manutenção do racismo,
00:55:54ponto.
00:55:55Porque a prova está aí,
00:55:57a gente está reforçando agora,
00:55:58uma coisa que já foi dita,
00:56:00já foi provada,
00:56:02e a gente está aqui
00:56:02reforçando uma coisa
00:56:03que deveria ser óbvio sim
00:56:05quando a gente pensa
00:56:06nesse mercado.
00:56:07Então, assim,
00:56:08eles preferem sim
00:56:09perder dinheiro
00:56:10para continuar fazendo
00:56:12a manutenção do racismo
00:56:13do que qualquer outra coisa
00:56:14relacionada à prosperidade
00:56:16da maioria dos brasileiros
00:56:17e também do mundo, né,
00:56:18se a gente for ver
00:56:18esse recorte.
00:56:19Jéssica,
00:56:20por favor,
00:56:21complemente aqui.
00:56:24Gente,
00:56:24eu estou aqui,
00:56:25ó,
00:56:25em êxtase,
00:56:27em êxtase.
00:56:27E é muito doido,
00:56:29né, Monique?
00:56:30Porque, de verdade,
00:56:31assim,
00:56:31eu costumo dizer
00:56:33que eu vivo sempre
00:56:33no Fantástico Mundo de Bob,
00:56:35assim,
00:56:35eu estou sempre viajando muito
00:56:37e sempre criando,
00:56:38assim,
00:56:39pensamentos,
00:56:41exercícios visuais
00:56:43para ilustrar
00:56:44o que eu quero falar
00:56:45e, às vezes,
00:56:46não cabe nem na palavra,
00:56:47não cabe,
00:56:48não cabe na boca,
00:56:49porque eu vou criando
00:56:49exercícios visuais.
00:56:51E, de verdade,
00:56:52quando você fala inovação
00:56:53e a gente olha
00:56:54para tudo que está posto
00:56:56como inovação,
00:56:57a gente começa a ver
00:56:58um monte de coisa
00:56:59azul,
00:57:00cinza,
00:57:01prateada,
00:57:03né,
00:57:03um monte de códigos
00:57:05esquemáticos,
00:57:06assim,
00:57:06para ilustrar o que é inovação,
00:57:08algo muito ligado
00:57:09à tecnologia
00:57:10com ferramentas
00:57:12tecnológicas digitais,
00:57:14né,
00:57:15e pouco se fala
00:57:16sobre
00:57:17uma prática
00:57:19de inovação,
00:57:20que é, talvez,
00:57:22de novo,
00:57:22voltando para esse
00:57:23meu exercício visual,
00:57:25essa imersão aqui,
00:57:27quando eu olho
00:57:28e penso,
00:57:28caramba,
00:57:30o que é inovar
00:57:31de fato, né,
00:57:32e aí eu faço,
00:57:34de novo,
00:57:35esse exercício
00:57:37de olhar para trás,
00:57:38olhar para os nossos
00:57:39que vieram
00:57:40antes de nós
00:57:41e entender,
00:57:41cara,
00:57:42o que essa galera
00:57:43dizia,
00:57:44o que essa galera
00:57:44falava
00:57:45como inovação,
00:57:47né,
00:57:48e aí eu chego
00:57:49no ponto,
00:57:50assim, Monique,
00:57:50que é muito
00:57:51entender
00:57:52que inovação
00:57:54é,
00:57:55uma vez que o que está posto
00:57:56te pressiona,
00:57:57como que você hackeia
00:57:59o que está posto,
00:58:01né,
00:58:01e de maneira
00:58:03a criar soluções,
00:58:04soluções criativas,
00:58:07né,
00:58:07e que tenham impacto,
00:58:09e esse impacto,
00:58:10óbvio,
00:58:10que existem
00:58:11várias,
00:58:12várias perspectivas
00:58:14e várias escalas,
00:58:15pode ser
00:58:16para o âmbito pessoal,
00:58:17mas quando a gente fala
00:58:18de verdade
00:58:19para o nosso recorde,
00:58:20né,
00:58:20então como que
00:58:21esse hackeamento,
00:58:24essa solução criativa
00:58:25e que muitas das vezes
00:58:26está no caminho
00:58:27de simplicidade,
00:58:30é o cara
00:58:30que precisa chegar lá
00:58:31no topo do morro,
00:58:33da quebrada,
00:58:34e ele cria ali
00:58:35um mototáxi,
00:58:36isso se torna
00:58:37um,
00:58:38isso se torna
00:58:40um movimento
00:58:41de economia,
00:58:42isso movimenta
00:58:43a economia local,
00:58:44isso movimenta,
00:58:46gera emprego,
00:58:46então assim,
00:58:48você falou
00:58:49de uma solução
00:58:50que era
00:58:50a princípio
00:58:51para uma pessoa
00:58:52que se torna
00:58:53o interesse
00:58:53do coletivo
00:58:54e que causa
00:58:55impacto
00:58:56numa escala
00:58:57muito maior,
00:58:58e aí fazendo
00:58:59um outro exercício
00:59:00muito através
00:59:00do que a Odara,
00:59:02do que Gabi
00:59:03e também do que
00:59:04a Helena trouxe,
00:59:05mas muito do que
00:59:06Odara falou
00:59:07sobre corpo,
00:59:08e Odara,
00:59:08eu vim da dança,
00:59:09né,
00:59:09hoje eu estou
00:59:10alimentando a publicidade
00:59:11como especialista
00:59:12em cultura,
00:59:13mas eu vim da dança,
00:59:14porque essa minha curiosidade,
00:59:16né,
00:59:16de tentar entender
00:59:17o mundo,
00:59:19eu falava,
00:59:20gente,
00:59:20eu não estou conseguindo
00:59:20entender o mundo,
00:59:21fui estudar filosofia,
00:59:22não é isso,
00:59:23mas também fui estudar
00:59:24filosofia onde?
00:59:25No mosteiro,
00:59:26aí eu falei,
00:59:26não,
00:59:26pior lugar para estudar
00:59:27filosofia,
00:59:28fui estudar pedagogia,
00:59:29eu falei,
00:59:30entendi,
00:59:30mas eu falei,
00:59:31cara,
00:59:31eu preciso entender
00:59:32a partir dos lugares
00:59:35em que os meus
00:59:37me ensinaram,
00:59:38que era o corpo,
00:59:39lá em casa todo mundo
00:59:39se toca,
00:59:40todo mundo dança,
00:59:41todo mundo se movimenta,
00:59:42então,
00:59:43para mim,
00:59:43o corpo é uma ferramenta
00:59:45de comunicação,
00:59:46a forma,
00:59:47o lugar onde você se coloca,
00:59:49o lugar onde você coloca
00:59:50esse corpo,
00:59:51ele se constrói
00:59:53a partir
00:59:54dessas
00:59:55comunicações mesmo,
00:59:57enfim,
00:59:58e o seu corpo
00:59:58acaba trazendo
00:59:59essas memórias
01:00:00coletivas
01:00:02e expressando
01:00:03para aquele todo ali
01:00:04o que você está construindo,
01:00:06e olhando muito
01:00:07para esse nosso reporte,
01:00:08eu olho muito
01:00:09para o lugar em que
01:00:09a gente hoje está,
01:00:11o lugar que nós
01:00:12estamos ocupando,
01:00:13falo do nosso
01:00:14recorte específico,
01:00:15porque a gente tem
01:00:16aí um caminho
01:00:19de ascensão,
01:00:20a gente hoje
01:00:20ocupa lugares
01:00:22onde a maioria
01:00:22das pessoas
01:00:23como nós
01:00:24ainda não estão,
01:00:25e o que eu,
01:00:27de novo,
01:00:27nesse exercício
01:00:28visual,
01:00:29quando eu vejo
01:00:30esses nossos corpos
01:00:31nesses espaços,
01:00:33uma coisa que me
01:00:34preocupa muito,
01:00:35que a gente vai falar
01:00:35também sobre inovação
01:00:36aí,
01:00:37é que muitas das vezes
01:00:38a gente se coloca
01:00:41nesse lugar
01:00:41criando uma performance
01:00:43muito parecida
01:00:45com o que
01:00:45essas estruturas
01:00:47brancas
01:00:47propõem para a gente,
01:00:49ou ao que
01:00:49essas estruturas
01:00:50brancas
01:00:51elas querem
01:00:51da gente.
01:00:52Eu não lembro
01:00:53quem trouxe aqui
01:00:54uma fala
01:00:54sobre o quanto
01:00:58os nossos códigos,
01:00:59eu falo nossos
01:01:00porque,
01:01:01cara,
01:01:01não dá para definir
01:01:02qual é o único
01:01:03código negro brasileiro,
01:01:05mas a gente tem sim
01:01:06alguns pontos de encontro,
01:01:07que a gente fala
01:01:08opa,
01:01:09aquilo ali
01:01:10é um lugar
01:01:11que eu reconheço,
01:01:12eu não sei nem
01:01:12exatamente
01:01:13de onde vem,
01:01:15mas eu sei que aquilo ali
01:01:15me conecta
01:01:16àquela pessoa,
01:01:17àquele território,
01:01:18àquele movimento,
01:01:19àquilo que está acontecendo.
01:01:20E aí,
01:01:21quando eu olho
01:01:21para o mercado
01:01:22e vejo
01:01:23o quanto que,
01:01:24às vezes,
01:01:25a gente
01:01:26começa,
01:01:28a gente,
01:01:28porque eu também
01:01:29me sinto
01:01:29muitas das vezes
01:01:30dentro desses corpos,
01:01:31a gente começa
01:01:33a abrir mão
01:01:34desses nossos códigos,
01:01:35a tentar performar
01:01:37próximo ao que
01:01:38essas estruturas
01:01:39nos propõem,
01:01:40ao que eles querem
01:01:41ouvir de nós
01:01:41e abandona
01:01:44esse nosso jeito
01:01:47muitas das vezes
01:01:48por negação
01:01:50do tipo,
01:01:50cara,
01:01:51se eu continuar
01:01:51sendo a pessoa
01:01:52que fala alto,
01:01:54a pessoa que
01:01:55se movimenta
01:01:57de um jeito
01:01:57mais expressivo
01:01:58ou que confessa
01:02:00que gosta
01:02:00de comer tal coisa
01:02:01ou outra,
01:02:02ou que,
01:02:03por exemplo,
01:02:03gente,
01:02:04eu sou fã do Belo,
01:02:05por exemplo,
01:02:05então,
01:02:06quando às vezes
01:02:06eu chego
01:02:06nessas estruturas
01:02:07e falo
01:02:07que eu sou fã
01:02:08do Pagode,
01:02:08do Belo,
01:02:09mas peraí,
01:02:10não era você
01:02:10que fez uma análise
01:02:11sobre jazz,
01:02:13sobre espetáculo?
01:02:14Sim,
01:02:14fui eu,
01:02:15mas eu gosto
01:02:16do Belo,
01:02:16e aí como que você
01:02:18é,
01:02:19sabe?
01:02:20Então,
01:02:20como que você
01:02:21está nesses lugares
01:02:22sendo quem
01:02:25nós somos,
01:02:28mantendo esses códigos
01:02:29e não se desconectando
01:02:32de verdade
01:02:33daquilo
01:02:34que nós somos?
01:02:35E o quanto,
01:02:36voltando para a inovação,
01:02:37o quanto que
01:02:38toda vez que a gente
01:02:40dá um passo para frente,
01:02:42a gente olhar para trás
01:02:43para dar mais
01:02:43das passas à frente,
01:02:45a gente se potencializa
01:02:46como esse canal
01:02:47de inovação,
01:02:48porque eu não acredito
01:02:49de verdade
01:02:50que nós aqui,
01:02:52como pessoas
01:02:52que hoje,
01:02:54sim,
01:02:54somos canais
01:02:56de inovação,
01:02:56consigam estar
01:02:59nesses lugares
01:03:00sem estar conectados
01:03:02a esses códigos
01:03:02que são nossos,
01:03:04a essas memórias
01:03:05afetivas que afetam
01:03:07os nossos corpos
01:03:08e o nosso dia a dia.
01:03:10Então,
01:03:10eu acho que é um exercício
01:03:11visual,
01:03:12prático,
01:03:13de toda vez que pensar
01:03:14em inovação,
01:03:15pensar como que
01:03:17o meu corpo
01:03:17consegue olhar
01:03:19para trás,
01:03:21para os meus,
01:03:22e engraçado que
01:03:22esse para trás
01:03:23é mais para frente
01:03:24do que a gente imagina.
01:03:25Então,
01:03:25como a gente consegue
01:03:26olhar para os nossos
01:03:29e falar,
01:03:30cara,
01:03:30como eles inovaram?
01:03:32Eu preciso ser
01:03:33uma atualização
01:03:33dessa inovação,
01:03:35ou eu sou
01:03:36uma forma
01:03:37potencializada
01:03:39da inovação
01:03:39que ele propôs.
01:03:40E hoje,
01:03:41estar nesses lugares
01:03:42que nós estamos,
01:03:43falando,
01:03:44meu querido,
01:03:45não vem
01:03:45com um monte
01:03:47de quadradinho azul,
01:03:49um monte
01:03:50de coisinhas
01:03:51prateadas,
01:03:52esquemáticos,
01:03:54um monte
01:03:55de elementos digitais
01:03:57e dizer para mim
01:03:58que inovação
01:03:58começa e termina aí.
01:04:00Senta com a gente,
01:04:01ouve o que a gente
01:04:04tem para fazer,
01:04:04olha a gente,
01:04:06aceita o que a gente
01:04:07está trazendo,
01:04:08que,
01:04:09a partir disso,
01:04:09você vai entender
01:04:10como se faz inovação
01:04:11na prática
01:04:12e de maneira
01:04:13que funcione.
01:04:14Então,
01:04:14eu acredito
01:04:15em inovação
01:04:16a partir dessa perspectiva.
01:04:18Eu poderia fechar agora,
01:04:20entendeu?
01:04:21Até porque
01:04:21a produção vai me matar
01:04:22se eu ficar aqui
01:04:23horas e horas
01:04:24com vocês,
01:04:24que é o que eu gostaria.
01:04:25É,
01:04:25não vou fechar não,
01:04:26minha gente,
01:04:26eu quero ouvir
01:04:27um tweet de vocês.
01:04:28Eu sei que é um desafio
01:04:29falar em 280 caracteres,
01:04:32mas para deixar a galera
01:04:33aí pensando
01:04:34nas práticas diárias,
01:04:36para a gente conseguir
01:04:37construir futuros
01:04:38possíveis
01:04:39e plurais,
01:04:40como é que a gente começa,
01:04:41o que é que a gente olha?
01:04:43Tentem,
01:04:44por favor,
01:04:44falar em 280 caracteres.
01:04:47Além do desafio
01:04:48de caracteres,
01:04:49ainda me pede
01:04:49para começar,
01:04:50meu Deus do céu.
01:04:50Eu acho que se eu pudesse
01:04:53dizer uma coisa,
01:04:54acreditem no valor
01:04:56de vocês,
01:04:57no ponto de vista
01:04:58de vocês,
01:04:59na história de vocês
01:05:00e não apaguem isso,
01:05:02porque a primeira coisa
01:05:03que a gente faz
01:05:04para caber num lugar
01:05:05é deixar a identidade
01:05:06de lado
01:05:07para poder parecer
01:05:08que a gente está
01:05:09mais enquadrado,
01:05:10enquadrado no lugar
01:05:11que a gente está entrando.
01:05:12Não façam isso.
01:05:14Tragam o valor de vocês,
01:05:15mostrem o ponto de vista
01:05:16de vocês,
01:05:17porque vocês estão certos
01:05:19e certas fazendo isso
01:05:21e não deixem ninguém
01:05:22dizer que vocês estão errados
01:05:24por serem apenas
01:05:25quem vocês são,
01:05:26porque é isso
01:05:27que tem mais valor.
01:05:28Se fosse para ser
01:05:28todo mundo igual,
01:05:30não tinha graça
01:05:30até lá.
01:05:30Total.
01:05:31E você,
01:05:32Jéssica,
01:05:34o tweet aí,
01:05:34uma thread também,
01:05:35do Twitter,
01:05:36está tudo bem.
01:05:37É,
01:05:37tudo bem.
01:05:38Gabi já deixou aí,
01:05:39liberado.
01:05:40Gabi já liberou
01:05:41a fala livre,
01:05:42mas eu vou ser breve.
01:05:44Tem um provérbio
01:05:45africano que diz
01:05:47quando não souber
01:05:48mais para onde ir,
01:05:50está perdidão na vida,
01:05:51olhe para trás
01:05:52que pelo menos
01:05:53você vai saber
01:05:54de onde veio.
01:05:55E aí,
01:05:56na thread,
01:05:56Monique,
01:05:58quando você
01:05:59olha para trás,
01:06:01você anda mais para frente
01:06:03do que imagina.
01:06:05E é isso.
01:06:07Ninguém dirige
01:06:08sem olhar o retrovisor
01:06:09do carro.
01:06:10Isso serve para a história,
01:06:12entendeu,
01:06:12minha gente?
01:06:13Não dá para querer...
01:06:14Ah, não, o topo,
01:06:15o foguete já não dá ré.
01:06:17Beleza.
01:06:18Olha,
01:06:18olha o retrovisor.
01:06:20Vai ser bom
01:06:20para todo mundo.
01:06:22Beleza?
01:06:23Anotem aí.
01:06:24Helena,
01:06:24por favor,
01:06:26você.
01:06:27Tweet,
01:06:28para mim,
01:06:28é sempre um desafio,
01:06:29gente,
01:06:29mas vamos lá.
01:06:31Sim,
01:06:31a gente precisa
01:06:32revisitar nosso passado
01:06:34para a gente poder
01:06:35compreender
01:06:35esse nosso presente,
01:06:37idealizar,
01:06:38construir esse futuro.
01:06:40Só que a gente precisa
01:06:41fazer novas leituras,
01:06:42a partir de nós mesmos.
01:06:43Só posso dizer uma coisa
01:06:44para vocês,
01:06:45gente,
01:06:45é tudo sobre pessoas.
01:06:47Esse futuro,
01:06:49esse futuro possível,
01:06:50esse futuro bonito
01:06:51que a gente quer,
01:06:52ele é coletivo
01:06:53ou ele não será.
01:06:55A única forma
01:06:55da gente construir
01:06:56esse futuro
01:06:57que a gente quer
01:06:58é juntos.
01:06:59E outra coisa
01:07:00que eu aprendi
01:07:01para a minha vida,
01:07:02que eu vou falar
01:07:02em qualquer lugar,
01:07:03seja live,
01:07:04palestra,
01:07:05batizado de criança,
01:07:06não importa,
01:07:08não diminua
01:07:09para caber
01:07:10em nenhum lugar.
01:07:11A gente é grande demais,
01:07:14a gente é potente demais,
01:07:16então a gente tem
01:07:17o direito
01:07:18e a responsabilidade
01:07:20de ir muito além.
01:07:22Esse futuro
01:07:22está sendo escrito hoje
01:07:23e o que eu quero muito
01:07:25é daqui a alguns anos
01:07:26olhar para trás
01:07:27e falar assim,
01:07:28eu tenho orgulho
01:07:29da decisão
01:07:30que eu estou tomando?
01:07:31Então, assim,
01:07:32se orgulhem
01:07:33das decisões
01:07:33que vocês estão tomando hoje
01:07:34porque o futuro
01:07:35a gente está escrevendo
01:07:36agora.
01:07:37Anotadíssimo,
01:07:39anotadíssimo
01:07:40e agora para eu anotar
01:07:41aqui também,
01:07:42por favor, Dara.
01:07:46Assim,
01:07:46eu fiquei meio confusa,
01:07:48na verdade,
01:07:48com o que é para ser dito
01:07:49porque falhou
01:07:50na hora que a Monique falou.
01:07:53Aí eu estava tentando
01:07:53acompanhar nas respostas,
01:07:55mas eu não sei
01:07:55se eu entendi muito bem.
01:07:56É para finalizar?
01:07:58É para finalizar
01:07:59com um tweet
01:07:59sobre como é que a gente
01:08:00constrói um futuro
01:08:01possível e plural.
01:08:03É, vamos lá.
01:08:13Assim,
01:08:14pensando nesse futuro
01:08:15possível,
01:08:16nas formas inovadoras,
01:08:18eu acredito
01:08:18que ninguém mais
01:08:20do que o povo negro
01:08:21na diáspora
01:08:22e do que os
01:08:23pandêmicos
01:08:24sabem
01:08:25sobre o que é inovar
01:08:27porque resistir
01:08:28é inovar.
01:08:29A gente está
01:08:29num contexto
01:08:30adverso,
01:08:31um contexto
01:08:32que nos quer
01:08:32mortos,
01:08:33silenciados
01:08:34ou embranquecidos.
01:08:36Então,
01:08:38eu acredito
01:08:38muito numa perspectiva
01:08:39de futuro
01:08:40em que a gente
01:08:40consiga fazer
01:08:42o oposto
01:08:42do que nos ensinaram.
01:08:43E não o oposto
01:08:44por rebeldia,
01:08:45mas um oposto
01:08:46que traga
01:08:48outras formas
01:08:49de estar no mundo.
01:08:51Tudo o que nos ensinaram
01:08:52e que causa
01:08:53algum tipo de dor
01:08:54nesse corpo,
01:08:55nessa existência,
01:08:56nessa cabecinha aqui,
01:08:58tudo o que nos adoece,
01:09:00existe para isso
01:09:01um formato,
01:09:03uma forma,
01:09:04uma troca,
01:09:04uma experiência
01:09:06possível de ser resgatada
01:09:08para dar conta
01:09:08dessa dor.
01:09:09Então,
01:09:10acredito que o futuro
01:09:10é exatamente esse.
01:09:11O futuro é ancestral,
01:09:13o futuro é voltar
01:09:14às raízes,
01:09:15o futuro é se aquilombar,
01:09:16o futuro é dizer não
01:09:18para o mundo colonial
01:09:19e para os seus vícios
01:09:20de adoecimento.
01:09:21É isso,
01:09:22minha gente,
01:09:23e é assim que a gente
01:09:24encerra essa roda,
01:09:26porque na próxima vez
01:09:27vai ser a roda
01:09:28no dia 27,
01:09:30junto com todo mundo
01:09:32que vai estar festejando,
01:09:33porque não só a dor
01:09:34nos une,
01:09:34não é mesmo?
01:09:35A celebração também,
01:09:37esse ponto de encontro.
01:09:38E que bom que está sendo
01:09:39aqui no Afropunk Bahia,
01:09:42junto com o Nubank,
01:09:43junto com você
01:09:44que está me assistindo,
01:09:45junto com vocês todas
01:09:46aqui que participaram
01:09:47brilhantemente.
01:09:48Se eu ficasse abaixando
01:09:49a cabeça o tempo todo,
01:09:50todo mundo ia ver
01:09:51que eu estava anotando
01:09:51no papel.
01:09:52Depois eu vou fazer o quê?
01:09:53Vou assistir novamente
01:09:54essa nossa conversa
01:09:55e vou anotando aos poucos,
01:09:57porque foi uma grande aula.
01:10:00E para a gente encerrar,
01:10:01não esqueça, galera,
01:10:02Afropunk Bahia também olha
01:10:05no retrovisor da história.
01:10:07A gente reconhece
01:10:08quem veio antes,
01:10:09para a gente potencializar
01:10:11esse lugar de autonomia,
01:10:12de poder,
01:10:13de afeto,
01:10:13de abraços,
01:10:14de vitórias,
01:10:15de conquistas.
01:10:16E sim,
01:10:17temos momentos de dor,
01:10:18e a gente enxerga
01:10:19isso também.
01:10:20Mas já viu o outro lado
01:10:21da celebração?
01:10:23Quão grandioso
01:10:25é bom,
01:10:27é bom celebrar
01:10:28cada vitória.
01:10:29Vamos deixar de ser
01:10:30clandestinamente felizes
01:10:31com nossas conquistas
01:10:32coletivas,
01:10:33subjetivas,
01:10:34pessoais,
01:10:35enquanto comunidade negra.
01:10:37Muito obrigada,
01:10:38Afropunk Bahia e Nubank.
01:10:40Estou muito feliz.
01:10:42Eu sou Monique Evely.
01:10:43Você está no Afropunk Bahia
01:10:45e vai continuar
01:10:46no Afropunk Bahia.
01:10:47Valeu.
01:10:48O Nubank está construindo
01:10:51comigo,
01:10:51com você
01:10:52e com Salvador
01:10:52uma história de impacto,
01:10:54inovação
01:10:54e novas oportunidades.
01:10:56Essa história se chama
01:10:57Nulep.
01:10:59Um espaço
01:10:59para que talentos negros
01:11:00possam desenvolver
01:11:01as suas potências.
01:11:02E já tem casa,
01:11:03aqui,
01:11:04no Rio Vermelho.
01:11:07Salvador,
01:11:08licença,
01:11:09estamos chegando
01:11:10para construir isso juntos.
01:11:11Porque se o sistema
01:11:12não faz mais sentido,
01:11:13a gente muda o sistema.
01:11:14ela já tem uma
01:11:17produção,
01:11:19mas,
01:11:19mais,
01:11:20portela,
01:11:21eu teh no menu,
01:11:23é,
01:11:233.
01:11:24Toneza..
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