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Em depoimento à Polícia Federal, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou que não sabia que as carteiras de crédito compradas pelo banco não tinham origem no Banco Master, mas sim na consultoria Tirreno.

As carteiras, que somam R$ 12,2 bilhões, são alvo da Operação Compliance Zero. No depoimento, Costa detalha os testes por amostragem, a ampliação das auditorias, a identificação de um padrão documental diferente, o acionamento do Banco Master e a comunicação ao Banco Central em maio, mesmo sem inadimplência ou reclamações de clientes.

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Transcrição
00:00O pré-market está de volta para falar novamente do caso Banco Master.
00:04Em depoimento à Polícia Federal, no fim do ano passado, o ex-presidente do Banco de Brasília, o BRB, o Paulo Henrique Costa,
00:11disse que não sabia que as carteiras de crédito compradas pelo BRB não tinham origem no Banco Master.
00:18Na verdade, eram da consultoria Tirreno.
00:21As carteiras, que somam 12 bilhões e 200 milhões de reais, são alvo de investigação da Operação Compliance Zero da Polícia Federal.
00:30No mercado, quando se compra uma carteira de crédito, o teste inicial é feito sempre por amostra.
00:38Então, quando essas carteiras adquiriram um volume maior, é que nós resolvemos ampliar os testes da amostra,
00:44pedir uma auditoria específica e aumentar o volume de testes.
00:50Nessa ampliação dos testes é que a gente percebeu que havia um padrão documental diferente
00:56e que essas carteiras não tinham sido originadas pelo Banco Master.
01:02E aí, nesse momento, o senhor aciona o Banco Master?
01:06Nesse momento, a gente aciona o Banco Master, a gente pede uma auditoria independente
01:11e a gente pede o fornecimento não mais de uma amostra, mas sim da totalidade dos contratos envolvidos.
01:18Com a demora no fornecimento desses documentos, a partir daí, a gente resolve adotar outras medidas prudenciais e de cautela,
01:29que foi agregar garantias e iniciar um processo de substituição de carteiras.
01:35Então, o senhor nem conhecia os termos do contrato que o Master tinha com a Tirreno?
01:41O senhor não conhece aquelas tratativas?
01:44Não conhecíamos nada daquilo.
01:46E eles encaminham para o senhor quando, aqueles contratos?
01:50A partir dessas exigências adicionais, que surgiu a figura da Tirreno e que nós recebemos esses documentos
01:58entre o final de abril e o início de maio, provavelmente mais próximo do final da primeira quinzena de maio.
02:14E com esses documentos, nós verificamos que existia uma estrutura de originação de crédito diferente
02:23e no dia 25 de maio comunicamos ao Banco Central.
02:29Ou seja, a partir das exigências adicionais de documentos,
02:34identificamos que existia um padrão documental diferente que consistia na originação por terceiros
02:40com uma atuação do próprio comitê de auditoria do BRB e de uma comunicação de boa fé.
02:47Nós informamos ao Banco Central, no dia 25 de maio, que estávamos lidando com uma carteira com um padrão documental diferente.
02:54A única informação ali é que era um padrão documental diferente.
03:00E foi isso que, a partir daí, ensejou uma atuação, na minha visão, coordenada entre BRB e Banco Central
03:08de busca de informações adicionais, de testes adicionais, daqueles 30 contratos,
03:14depois dos 100 contratos adicionais que nós fornecemos,
03:19para que a gente pudesse trazer elementos, para que o próprio Banco Central pudesse fazer uma verificação maior que a nossa.
03:25O Banco Central dispõe de elementos de verificação diferentes de uma instituição financeira.
03:32ele coordena o sistema, tem acesso a um conjunto de outros elementos.
03:37E tudo isso foi feito, mesmo sem ter reclamação de cliente,
03:42e mesmo sem ter um comportamento de inadimplência dessa carteira.
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