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O Radar acompanha a recepção de líderes pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, direto do Fórum Econômico Mundial em Davos (SUI). Ele falou sobre seus projetos de governo, negociações sobre a Groenlândia, esforços de paz entre Ucrânia e Rússia e fez críticas à Europa. Guilherme Ravache e Marcelo Torres analisam o discurso, o tom mais baixo de Trump e a repercussão no mercado e na política internacional.

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Transcrição
00:00A edição do radar acompanhando o pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
00:08direto do Fórum Econômico Mundial em Davos. Vamos ver.
00:30E o mais interessante sobre esse grande e lindo projeto que nós fizemos é que nós tínhamos uma janela de apenas dois anos e eu sei que as pessoas vão demorar para avaliar isso.
00:43E, em última análise, algo que foi muito bom, se e quando eu sair dessa posição, há essa pergunta.
00:54Mas quando se constrói algo, quando se constrói uma fábrica, as pessoas não achavam que isso seria possível.
01:08Às vezes demora três, quatro, muitos anos.
01:12Então, tem sido muito incrível.
01:18E são vocês que tornaram tudo isso possível.
01:20Em grande parte são vocês e outras pessoas também.
01:24Eu acho que por conta do Larry, as pessoas que estão aqui nesse evento, que são algo incrível.
01:33Eu não sabia como isso aconteceria.
01:35Nós temos pessoas que estiveram aqui durante muitos anos.
01:38Eu não sei o que aconteceu, mas pensei, ah, eles tiveram um bom tempo aqui.
01:43E aí o Larry assumiu.
01:46Ele ligou para mim e pediu um favor.
01:50O Larry, o senhor pode ir para lá.
01:52Nós já fizemos muitos negócios juntos e foi ótimo.
01:56Ele é um de vocês e ele é excelente.
01:59Foi uma honra.
02:01Nós tivemos um discurso maravilhoso.
02:03As avaliações foram ótimas, o que foi uma surpresa.
02:07Ele sempre falava que era um tipo de ditador, mas muitas vezes é disso que se precisa.
02:12E eu acho que, no fim das contas, tudo se baseia no senso comum, no bom senso.
02:20Eu diria que 95% é baseado no bom senso.
02:25Então, eu só queria agradecer a todos por estarem aqui.
02:27É uma honra enorme.
02:28E se nós pudermos ajudar de alguma coisa, me avisem.
02:30Nós temos uma linha direta.
02:32O Marco Rubio esteve aqui também fazendo um trabalho maravilhoso como secretário.
02:37Talvez um dos melhores secretários do Estado que nós já tivemos.
02:41Se ele continuar fazendo o que faz, a pergunta está no ar.
02:45Eu não sei como vai ser.
02:47E eu só queria agradecer a todos muito por estarem aqui.
02:50Muito obrigado.
02:50A gente acompanhou aí um pronunciamento até curto, né?
03:13Neste momento do presidente Donald Trump.
03:15Ele que já havia falado mais cedo lá em Davos, né?
03:18Guilherme Ravache, nosso analista que já está conosco aqui no Radar.
03:22Muito boa tarde para você, Guilherme.
03:23Tudo bem?
03:23Seja bem-vindo.
03:25Obrigado.
03:26É, é que tivemos um dia aí, mais um dia de Trump, né?
03:30É, mais um dia agitado.
03:32O presidente norte-americano havia falado mais cedo também em Davos.
03:36Ele que chegou hoje à Suíça.
03:38E disse coisas importantes num contexto global, principalmente sobre a Groenlândia, né?
03:45Em meio a líderes europeus, ele descarta nesse primeiro momento o uso da força, né?
03:52Para a tomada da Groenlândia.
03:54Ele disse que prefere negociar, né?
03:57Também falou sobre a Ucrânia, que ele tem se empenhado para tentar um acordo de paz entre Ucrânia e Rússia.
04:05Então, tiveram alguns pontos sensíveis nessa fala mais cedo e agora foi quase um pronunciamento protocolar, né?
04:12Quase que um pronunciamento de chegada de Donald Trump nesse momento a Davos, né?
04:18Mas é um Trump diferente do que a gente viu ontem na Casa Branca, né?
04:22Ontem o Trump fez um discurso, ou melhor, uma conferência, né?
04:28Falou e depois teve...
04:31Ó, a gente tá acompanhando, viu, Guilherme, enquanto você fala, Donald Trump cumprimentando, né?
04:36Os líderes ali na conferência econômica, né?
04:40Lá no Fórum Econômico Mundial em Davos.
04:43Os líderes que estavam com um certo receio da chegada de Donald Trump.
04:48Havia um ambiente até certo ponto hostil, justamente porque ele estava ameaçando, né?
04:54Usar as forças para entrar ou para tomar a Groenlândia, né?
04:59E isso causou um certo furor.
05:01A gente viu a Alemanha mandando tropas, né?
05:03Emmanuel Macron, presidente da França, fazendo muitas críticas.
05:07Inclusive, falando até o bloco europeu em retalhar comercialmente os Estados Unidos, né, Guilherme?
05:13Mesmo do exercício na OTAN na Groenlândia, que foi defendido, né?
05:16Mas a sensação que eu tenho, assim, esse Trump de Davos é um Trump num tom muito mais baixo
05:23do que a gente viu ontem na coletiva, na Casa Branca e também anteriormente
05:29quando ele trouxe, né, os principais destaques ali de um ano de governo Trump.
05:36Por quê?
05:36Porque eu pontuo isso, né?
05:38Ele foi muito enfático com a questão da Groenlândia.
05:41Eu acho que isso não muda.
05:42Mas hoje ele voltou atrás na questão do uso de tropas.
05:47Ele baixa o tom, né?
05:48Baixa o tom.
05:48E isso é um sinal positivo, tanto que o mercado também reagiu positivamente.
05:53O Wall Street começou a subir e respirou depois dele negar, neste primeiro momento,
05:58o uso ou uma ação militar também na Groenlândia.
06:02E o Trump, assim como o governo americano, descarta a questão dos títulos americanos, né?
06:08Dizem que a Dinamarca é muito pequena porque um fundo dinamarquês falou que ia vender.
06:14A própria Dinamarca deu a entender que ia vender títulos do Tesouro americano.
06:18Importante lembrar, na Europa tem muitos investimentos nos Estados Unidos,
06:23tanto como dona de ações, mas também títulos do Tesouro americano.
06:28Quanto mais gente vendendo, pior o valor desse título,
06:32mas os Estados Unidos têm que pagar juros, né, para atrair investidores.
06:36Nessa lógica básica, a Europa vendendo o título americano é muito ruim para o governo Trump,
06:43até porque faz com que a taxa de juros siga alta,
06:47que é uma das grandes batalhas do Trump reduzir a taxa de juros nos Estados Unidos.
06:52Você mostra a incerteza em relação à economia dos Estados Unidos.
06:55Vamos chamar, então, o Marcelo Torres, direto de Davos,
06:59ele que está ao vivo acompanhando, então, esse clima da chegada do presidente dos Estados Unidos,
07:04Donald Trump, ao Fórum Econômico Mundial.
07:06Oi, Marcelo, muito boa noite para você aí na Suíça.
07:10Nos conte um pouquinho, então, como foi essa chegada de Donald Trump,
07:13esses pronunciamentos até agora, como é que ele foi recebido.
07:16Traga a cor local, o clima aí, em Davos para a gente.
07:19Seja bem-vindo aqui ao Radar.
07:24Boa noite para você, Eric.
07:25Boa noite para o Guilherme.
07:26E, circulando pelos corredores do Congresso, depois do discurso do Trump,
07:30eu ouvi a mesma opinião de participantes de várias nacionalidades.
07:35E o sentimento, após o discurso do Trump, foi de alívio.
07:38Alívio justamente porque a opinião geral é que poderia ter sido muito pior.
07:43O discurso do Trump foi um pouco enfadonho, né?
07:45Durou demais, assim, muito acima do que é o habitual nesse tipo de discurso aqui no Fórum Econômico Mundial.
07:51Ele repetiu, repisou aquilo que ele sempre disse sobre a economia americana para os seguidores dele nos Estados Unidos.
07:59Disse que a inflação está controlada, o que não é bem verdade,
08:02porque se fosse assim, os juros poderiam baixar e não estão baixando na velocidade que ele gostaria.
08:07Disse também que o país nunca cresceu tanto na história, o que também não é verdade.
08:12E falou, fez uma defesa enfática dos combustíveis fósseis.
08:16Disse que os Estados Unidos estão aumentando a produção de petróleo,
08:19que a Venezuela vai ser muito importante para isso.
08:23Falou também que a Venezuela vai ganhar em um ano mais dinheiro do que ganhou em 20.
08:27Então, tem uma sintonia grande aí entre o governo atual de Caracas e o Donald Trump,
08:32porque a Venezuela recebeu elogios aqui no Fórum Econômico Mundial.
08:37Por outro lado, ele criticou a China.
08:39Disse que a China vende usinas eólicas para vários países, mas não as usa.
08:44Um sinal, segundo ele, de que energia eólica não vale a pena.
08:47Falou que a Europa tem muitas usinas eólicas, mas está deixando de explorar petróleo no Mar do Norte,
08:54o que, segundo ele, seria um erro.
08:56Tudo isso pega muito mal por aqui, viu, Eric?
08:58Porque a gente sabe que o Fórum Econômico Mundial, ele trata bastante de mudanças climáticas,
09:03ele fala muito sobre a economia de baixo carbono,
09:05sobre alternativas para o país crescer, ou melhor, para o mundo crescer,
09:09sem exaurir a terra, respeitando o limite da terra.
09:13Inclusive, um dos cinco sub-temas da edição deste ano do Fórum Econômico Mundial
09:18é justamente esse, como manter a prosperidade, respeitando os limites do planeta.
09:23O Trump chegou num momento em que a Europa estava muito desconfiada dele.
09:27A gente tinha visto discursos aí bastante fortes, né?
09:30Da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen,
09:33do presidente da França, Emmanuel Macron,
09:35e também do presidente do Canadá, ou melhor, do primeiro-ministro do Canadá, o Mark Carney,
09:39que ontem disse que o mundo tem que parar de fingir que não está havendo uma ruptura
09:43na ordem mundial que foi estabelecida depois da Segunda Guerra.
09:48Ele disse que muitos países, como o Canadá, se beneficiaram dessa ordem,
09:51fingiram que estava tudo bem, mas que agora a rivalidade entre as grandes potências
09:55está mudando completamente o tabuleiro.
09:58E ele citou o seguinte, que países de poder médio, como ele citou o Canadá aí,
10:02e como eu posso incluir junto também o Brasil,
10:05devem se unir justamente para fazer força, né?
10:08Frente a essas potências aí cada vez mais agressivas.
10:12Tanto no discurso como também nas práticas.
10:15Trump não convenceu ninguém aqui, viu?
10:17Ninguém vai dar a Groenlândia de mão beijada para ele.
10:20Ninguém vai aceitar vender a Groenlândia.
10:23Ele não vai conseguir o que ele quer.
10:25Mas só a mensagem que ele deixou aqui de que não vai usar força para conseguir isso
10:29já é uma grande coisa.
10:31Já é um sinal, então, de que pode haver aí muitas negociações diplomáticas,
10:37ele pode dar uma dor de cabeça tremenda aí para a Europa,
10:40pode ameaçar, inclusive, com tarifas, como ele já fez, né?
10:43Tarifas de até 25%, se a Europa não contribuir com o que ele quer.
10:47Mas, pelo menos, não vai haver uso da força, o que poderia destruir a OTAN,
10:52já que a OTAN tem uma cláusula que diz que se um país desse tratado for atacado,
10:57todos os países têm que defendê-lo.
11:00Aí, como é que faz quando um país da OTAN ataca o outro, né?
11:02Seria o fim da aliança militar.
11:04Então, essa postura aí de dizer que não vai haver tomada da Groenlândia pela força
11:10já é uma grande coisa, já mostra que, pelo menos, essa carta militar está fora da mesa, viu, Eric?
11:15É, e, Marcelo e Guilherme, um outro pronunciamento,
11:20um outro trecho do pronunciamento me chamou a atenção no seguinte sentido.
11:24Apesar dele baixar o tom em relação à Groenlândia, ele cutucou a Europa,
11:28ele fez críticas à Europa, dizendo que o bloco, a União Europeia,
11:33não está indo na direção certa, né, Ravash?
11:36É, eu acho que a sensação que eu tenho é que direção certa é fazer o que o Trump quer,
11:40do ponto de vista dele.
11:41Isso já está um tanto óbvio.
11:43Mas tem uma outra questão aí, que essa pressão que o Trump tem feito
11:47está também forçando os países, né?
11:50Isso já está acontecendo no Canadá, que começou uma briga até mais cedo, né,
11:54com os Estados Unidos, no sentido de se aproximar da China.
11:58Canadá, por exemplo, abrindo o mercado para a importação de elétricos chineses.
12:03Alguma coisa que não acontecia até recentemente,
12:07no novo acordo negociado, vai ter essa abertura.
12:09E aí eu queria ouvir também no Marcelo como ele tem sentido isso em Davos, né?
12:13Em Davos, se outros, se os países europeus também começam a repensar
12:18a sua relação com a China, né, e mesmo com o Mercosul, né, que é o revés, né?
12:23É, e Marcelo, inclusive, nos Estados Unidos, né, a União Europeia acabou travando ali
12:31ou levando ali para, vamos dizer assim, para julgamento o acordo comercial
12:36que havia sido fechado, né, entre Estados Unidos e a União Europeia
12:40justamente por causa da Groenlândia.
12:41Como é que tudo isso está repercutindo por aí?
12:43É, isso está repercutindo de maneira muito forte.
12:48Ontem mesmo, a Ursula von der Leyen falou no discurso dela
12:51sobre o avanço, né, do acordo entre Mercosul e a União Europeia
12:54como um exemplo do que deve ser feito.
12:57É um mundo com menos fronteiras comerciais, né,
12:59um mundo que ajuda a combater a pobreza.
13:02E o presidente Emmanuel Macron também foi muito enfático em relação a isso.
13:05Disse que a Europa precisa muito de investimento,
13:08que ela está aberta a investimentos do mundo inteiro.
13:10E quando ele diz isso, o fantasma da China está ali, né,
13:13porque tanto China quanto Estados Unidos lutam para ter uma influência maior
13:17em lugares como Europa, como América Latina e até também na Ásia e na África.
13:22E quando o Macron diz isso, que ele está aberto para investimentos do mundo inteiro,
13:26isso manda uma mensagem clara para os Estados Unidos também
13:28de que a Europa não vai ficar passiva diante de uma ameaça comercial.
13:32Falou-se até naquele instrumento anticoerção,
13:34que é a chamada bazuca comercial, que a Europa pode usar,
13:37que é curioso isso, né, Eric, porque foi um termo, ou melhor, uma lei, né,
13:41feita em 2023 para impedir que outros países, digamos assim,
13:46arruinassem o comércio da União Europeia.
13:48Se tivesse uma ameaça muito grande, a União Europeia ia usar armas poderosíssimas,
13:52comerciais contra esses países.
13:54Mas isso foi feito pensando na China.
13:56Olha para você ver como é que esse mundo está andando rápido, né.
13:59Meramente três anos depois, agora, está sendo ameaçado o uso dessa arma aí
14:04contra os Estados Unidos.
14:05E essa é uma arma que é considerada uma arma de dissuasão.
14:09Ou seja, ela é para dizer assim, ó, a gente não quer usar,
14:13mas saiba que se a gente for provocado, a gente pode usar.
14:16Mais ou menos como acontece no caso das armas nucleares, né,
14:19porque as armas nucleares, elas são nada mais também do que armas de dissuasão.
14:23Porque se a gente sabe que uma guerra nuclear não tem vencedores.
14:27Se ocorrer uma guerra nuclear, todo mundo perde.
14:29Então, o fato de um país ter uma arma nuclear é só para dizer,
14:33não nos invada, não mexam com a gente, porque a gente pode se defender.
14:38Essa bazuca comercial da Europa tem o mesmo princípio e não é algo leve.
14:43Acabalmente o comércio entre Estados Unidos e União Europeia.
14:46Então, só o fato dela ser citada já manda recados para Washington
14:50de que a coisa não está sendo bem recebida aqui,
14:53que é preciso ter um pouco mais de respeito.
14:56Porque, afinal de contas, né, os Estados Unidos são o país mais poderoso do mundo,
15:00mas a União Europeia tem um peso gigantesco também.
15:02Tem uma população somada, muito maior que a população dos Estados Unidos,
15:06e tem uma economia que fica ali, lado a lado,
15:09se você pegar a economia do bloco como um todo, né?
15:11É, e tem um impacto, né, Ravashi, de cerca de 93 bilhões de euros
15:16em produtos norte-americanos ou nesse comércio bilateral
15:19entre Estados Unidos e o bloco europeu.
15:22É um número bem alto, né?
15:24Faz um estrago quase de uma bomba atômica no comércio, na balança comercial.
15:29Eu tenho uma pergunta para você, Eric, e também para o Marcelo.
15:32Vocês acham que o Trump hoje, ele voltou a ser aquele Trump do taco?
15:36Trump always chickens out, né?
15:39Volta atrás naquilo que ele falou.
15:41Porque ele falou de uso de exército, né?
15:44De uso de forças armadas, e hoje ele já baixou o tom, voltou atrás.
15:49A gente está vendo esse taco de novo?
15:52Marcelo.
15:54Olha, é uma possível leitura, né?
15:57Mas, curiosamente, eu estava vindo para cá hoje num ônibus,
16:01junto com vários americanos, jornalistas, historiadores,
16:03inclusive um integrante da Força Aérea Americana,
16:06e todos falando do Trump de maneira muito assustada, né?
16:09Sobre o que está acontecendo, de conversas até de que, nos Estados Unidos,
16:13as eleições de midterms, né?
16:15Para renovar parte do Congresso, elas poderiam ser realizadas,
16:18porque já vem se falando muito de que não haveria condição de segurança
16:21para fazer essas eleições.
16:23E eu escutei a opinião de um deles dizendo o seguinte,
16:26o Trump está ficando com essa fama de ameaçar e não fazer,
16:30então é muito perigoso, dessa vez, ele ameaçar e fazer.
16:33Ele tomar alguma ação em relação à Groenlândia aí,
16:36que não estava prevista, né?
16:38O que as pessoas não estavam esperando.
16:40Porque vamos combinar que, nos últimos tempos,
16:42ele tem surpreendido bastante o mundo, né?
16:44Ele tem feito medidas aí que ninguém imaginava que,
16:48em pleno 2026, algum país pudesse tomar.
16:51Falar de comprar a Groenlândia é uma coisa bárbara,
16:55mas a gente deve lembrar que ele já falou também
16:57de ter o Canadá como 51º estado,
17:01já falou de tomar o canal do Panamá, né?
17:04Isso faz muito parte do vocabulário do Trump e da retórica dele.
17:07Pode ser, né, o Guilherme, que teve aí um pouco de taco aí, né?
17:12Que ele amarelou, digamos assim, nessa questão da Groenlândia.
17:16Mas eu não sei, aqui ainda está com uma desconfiança muito grande, sabe?
17:20As pessoas, elas estão aliviadas que ele tirou, talvez,
17:23pelo menos no discurso, a ameaça militar.
17:25Mas ninguém está muito tranquilo com essa ameaça comercial aí
17:28de tarifar os países se eles não facilitarem a venda da Groenlândia, viu?
17:32É, pode ser uma estratégia até para confundir, neste momento,
17:36os principais líderes europeus.
17:38Porque a gente viu uma movimentação, por exemplo,
17:40militar do bloco europeu para a Groenlândia, né?
17:44Uma movimentação da OTAN.
17:46A movimentação militar parece que foi o envio massivo de tropas, né?
17:50Não, foram 13 soldados ali da Alemanha, tal.
17:53Estamos falando de um pequeno grupo, né?
17:54De um pequeno grupo, mas já se falava em mandar ali um contingente maior.
17:59A França chegou a ventilar isso.
18:02A própria Grã-Bretanha, o Reino Unido também,
18:04ventilou essa possibilidade de colocar homens à disposição
18:08para garantir ali o status da Groenlândia como ilha dinamarquesa, né?
18:14Como a Dinamarca faz parte da OTAN.
18:16Pode ser ali uma estratégia para confundir.
18:19Por um outro lado,
18:21ele deve ter feito a leitura com os seus auxiliares
18:25de que comprar essa briga militar com a Europa
18:28e rasgando aí um tratado como é da OTAN,
18:31não cairia muito bem.
18:32Ele poderia ficar ainda mais isolado nesse cenário.
18:36Então, acho que neste primeiro momento ele pesou.
18:38Claro que daqui para frente,
18:40outros fatores devem pesar aí
18:43para uma atitude de Donald Trump.
18:45Pode falar, Marcelo.
18:45Não, eu queria definir o discurso do Trump hoje
18:50com uma expressão
18:51que eu achei que foi um discurso passivo-agressivo.
18:54Você conhece essa noção, Eric?
18:56É quando, assim, tem aquela pessoa que é muito agressiva
18:58que fala na sua cara, assim,
19:00Eric, eu acho que você não vale nada e tal, tal, tal.
19:02E o passivo-agressivo
19:03é aquele que chega perto de você
19:05e solta algo do tipo, assim,
19:08vê você com uma roupa verde
19:10e solta algo do tipo, assim,
19:12ah, eu prefiro roupa azul durante o dia
19:14para dizer, assim, que você está inadequado.
19:16Trump fez isso hoje.
19:17Ele fez um discurso que foi mais ou menos cortês, né?
19:19Ele não se exaltou,
19:21mas ele ficou soltando farpas contra a Europa.
19:23Disse que se ele não conseguir a Groenland
19:24ele nunca vai se esquecer disso
19:26e cometeu uma gaffe também
19:28nesse estilo que ele adotou aí.
19:30Ele falou que se a Alemanha
19:31tivesse vencido a Segunda Guerra Mundial,
19:34hoje aqui estariam todos falando alemão.
19:37Só que ele não levou em conta
19:38que ele está num país que é a Suíça
19:39que é um país de maioria alemã.
19:42A maioria das pessoas aqui falam alemão.
19:43Ele não se deu conta disso.
19:45E também soltou várias outras alfinetadas ali, né?
19:48Dizendo que a Europa está perdendo a chance
19:50de explorar o Mar do Norte.
19:51Dizendo que a Europa, de alguma maneira,
19:53é estúpida porque está usando energia eólica,
19:55energias renováveis.
19:57Vai tudo muito contra o espírito aqui
20:00do Fórum Econômico Mundial,
20:02que é um fórum que privilegia o multilateralismo,
20:05tudo que o Trump vem tentando destruir
20:07desde que ele assumiu o governo,
20:08principalmente nesse segundo mandato.
20:10Então é isso, Eric.
20:11Eu defino o discurso de hoje do Trump
20:15como um discurso passivo-agressivo.
20:17Eu avalizo essa leitura.
20:19E você, Guilherme Ravache?
20:20Sim, concordo plenamente com o Marcelo.
20:23É passivo-agressivo.
20:25Mas eu adicionaria, Eric,
20:26talvez ainda mais um fator.
20:28A gente está percebendo uma Europa
20:31que é muito desunida nos últimos anos,
20:34encontrando uma causa em comum
20:36para se unir novamente.
20:38Inclusive o Reino Unido,
20:39que tinha saído do Brexit,
20:40já acabou se aproximando
20:42do bloco europeu
20:44justamente por causa do tarifácio
20:46de Donald Trump.
20:47E o Macron, as lideranças europeias
20:51que têm problemas de popularidade
20:53nos seus países,
20:54também estão tendo uma boa aceitação
20:57quando enfrentam o Trump,
20:59quando batem de frente com ele.
21:01É claro que tem um risco econômico,
21:04mas a percepção geral
21:06é que está sendo positiva.
21:07E tem aquela piada, né,
21:08que era o MAGA, né,
21:10do Make America Great Again,
21:11que está virando o MEGA,
21:13Make Europe Great Again.
21:15Porque quando o Trump assumiu,
21:16dispararam as ações europeias
21:18e talvez o que a gente veja novamente
21:21seja a Europa mais unida
21:23e resolvendo problemas, né,
21:25de burocracia
21:26que impedem que a economia europeia
21:28acelere.
21:29Já tem uma aceleração
21:32do setor armamentista na Europa,
21:34indústria revigorada,
21:37indústria de defesa,
21:38e agora talvez a gente tenha aí
21:39soluções para facilitar
21:41crescimento de empresa,
21:44até uma mudança
21:45de perspectiva na Europa
21:46que seja benéfica
21:48para o bloco, né?
21:49E, Marcelo, e Guilherme,
21:51e quem está assistindo
21:52tudo isso de camarote, né,
21:54e talvez com um sorriso no rosto,
21:56é a China.
21:57A China e, inclusive,
21:57a Rússia, né,
21:58porque a gente sabe
21:59que hoje a Europa, por exemplo,
22:01tem sanções fortes
22:02contra a Rússia.
22:04Só que se você tiver ali
22:05um ruído muito grande,
22:06uma turbulência,
22:07como está acontecendo
22:08entre Estados Unidos e Europa,
22:10a tendência é a Europa
22:11precisar, por exemplo,
22:12de energia russa, né,
22:13gás novamente da Rússia,
22:15e isso poderia favorecer Moscou.
22:17Pequim também.
22:18A China assiste de camarote
22:19e deixa sangrar essa relação,
22:21por quê?
22:21Porque poderia se beneficiar,
22:22inclusive, comercialmente, né?
22:26E tem um outro fator
22:27até mais grave aí, viu, Eric,
22:29que é o seguinte,
22:30se os Estados Unidos
22:30insistem com essa história
22:31de ficar com o território
22:32da Groenlândia,
22:34eles dão uma certa legitimidade
22:35para a Rússia pensar
22:36que é ok também ela ficar
22:38com o leste da Ucrânia,
22:40e também a China ok ficar
22:42com o Taiwan.
22:44Está mandando uma mensagem
22:45muito negativa
22:45para a comunidade internacional,
22:47uma mensagem de que
22:48não existe lei internacional,
22:50não existe direito internacional,
22:51que a partir de agora
22:52todo mundo pode fazer
22:54o que der na telha
22:55e o país que tiver mais força
22:56vai prevalecer.
22:58É, abre uma jurisprudência, né, Guilherme?
23:00Não, sem dúvida, né?
23:01E essa insegurança
23:03que gera, né,
23:05em torno dos Estados Unidos,
23:06essa imprevisibilidade
23:07é ruim para os mercados, né,
23:10tende a aumentar
23:10a taxa de juros nos Estados Unidos,
23:12tende a gerar uma incerteza
23:14e ruim até
23:15para a indústria americana.
23:17Porque se você não pode
23:17confiar na indústria americana,
23:19qual a diferença
23:20de você ter
23:21um prestador de serviço, né,
23:23uma solução
23:24na sua empresa
23:25ou no seu país
23:26dos Estados Unidos
23:27ou da China?
23:28Então, isso vai forçar
23:29os próprios países
23:30a começarem
23:31a pensar em soluções
23:33de grande escala.
23:34Eu estou falando, por exemplo,
23:35das big techs, né?
23:36Quando governos, né,
23:38têm soluções de e-mail,
23:39têm sistemas de pagamento,
23:41hoje, grande parte disso
23:43baseado nos Estados Unidos
23:44pela confiabilidade
23:45que existia
23:47em torno
23:48do governo americano.
23:50A partir do momento
23:51que essa confiança
23:52se quebra,
23:53tem uma série
23:54de consequências.
23:55Das empresas americanas
23:57até mesmo
23:58do uso
23:59dos títulos americanos
24:00como
24:01a defesa
24:03dos bancos centrais
24:04no mundo inteiro, né?
24:07Marcelo,
24:08eu não sei
24:08se você ouviu por aí,
24:10a gente tem
24:10também
24:11empresários importantes,
24:13brasileiros
24:13ainda à voz.
24:15Eu conversei
24:15com alguns analistas
24:16que me disseram
24:18o seguinte,
24:18o Brasil poderia
24:20até também
24:20capitalizar
24:21essa briga
24:22entre Estados Unidos
24:24e Europa
24:24neste momento.
24:25Por quê?
24:25Porque se você tem
24:27aí a Europa
24:28se fechando
24:29ou taxando Estados Unidos,
24:30Estados Unidos-Europa,
24:32fica mais difícil, né,
24:33essa relação comercial
24:34entre os dois.
24:35E aí Estados Unidos
24:36poderia vir buscar
24:37aí produtos
24:38no Brasil,
24:39já que uma boa parte
24:41dos nossos produtos
24:43já estão fora
24:43do tarifazo de Trump
24:44e a Europa também,
24:46sem essa alternativa
24:47norte-americana,
24:48poderia direcionar
24:49aí as suas compras
24:50também para o Brasil,
24:51aumentando um pouquinho
24:52as exportações brasileiras,
24:53tendo em vista
24:54que a indústria
24:54nacional aqui
24:55continua muito forte,
24:57tem produtos de qualidade.
24:58Já ventilaram
24:59alguma coisa
25:00nesse sentido?
25:03É interessante
25:04isso que você falou,
25:05Eric,
25:05porque se a gente
25:06observar o mercado americano
25:07e o mercado europeu,
25:09eles têm muitas
25:09similaridades.
25:10São mercados maduros,
25:12bem desenvolvidos
25:13e que estão acostumados
25:14a pagar por qualidade, né,
25:16aumentar o valor
25:16agregado dos produtos.
25:18Porque quando essa crise
25:19entre Brasil
25:19e Estados Unidos
25:20começou lá atrás,
25:21com aquele tarifazo
25:22de 50%,
25:23a gente ouvia
25:25muitos empresários
25:26dizendo o seguinte,
25:27olha, é muito ruim
25:28perder o mercado
25:29dos Estados Unidos
25:29porque lá
25:30a gente consegue vender
25:31por um preço melhor,
25:33preço que outros países
25:34não podem pagar.
25:35E eu imagino
25:36que no caso da Europa,
25:37se o Brasil oferece
25:38produtos com qualidade,
25:39ele vai conseguir também
25:40mais valor agregado.
25:41Claro que o Brasil
25:42não deve se fechar
25:43para os Estados Unidos,
25:44o Brasil deve
25:44construir parcerias
25:46com todos os países
25:47que quiserem negociar.
25:48Mas é bom
25:48ter uma alternativa
25:49como a Europa
25:50para também comprar
25:51produtos com mais valor
25:52agregado,
25:53para comprar produtos
25:54de qualidade do Brasil,
25:55porque, obviamente,
25:57é de interesse do Brasil
25:58agregar mais valor
26:00às exportações,
26:01não é, Eric?
26:02Legal.
26:03Marcelo,
26:03vou te liberar então
26:04aí para você também
26:05descansar um pouco.
26:06Obrigado, viu,
26:07pela sua participação,
26:08um trabalho brilhante
26:09do nosso âncora,
26:11o Marcelo Torres,
26:12nosso enviado especial
26:12lá da voz.
26:13E amanhã, então,
26:14a gente volta a conversar.
26:15E qualquer novidade, né,
26:16porque o Trump está aí,
26:17então a gente não sabe
26:18o que pode acontecer.
26:18qualquer novidade,
26:20você nos chama,
26:20tá bom, meu amigo?
26:21Um grande abraço
26:22para você.
26:24Tá combinado, Eric,
26:25é sempre um prazer
26:26falar com você ao vivo
26:27aqui.
26:28Um abração para você,
26:29um abraço para o Guilherme
26:30também,
26:31e amanhã a gente volta
26:32com mais notícias
26:33ao vivo aqui de Davos.
26:34Combinado,
26:35bom trabalho,
26:35obrigado, viu,
26:36Marcelo?
26:37E vamos dar uma olhadinha
26:38agora que o presidente
26:39Donald Trump
26:40segue falando lá
26:41no Fórum Mundial,
26:43no Fórum Econômico Mundial
26:44em Davos.
26:45Ele já está aqui,
26:46na tela,
26:47vamos acompanhar mais
26:48um pouquinho do presidente
26:49dos Estados Unidos,
26:49Donald Trump.
26:50Tremendous acceptance
26:53of that.
26:53It's going to be great.
26:54So we'll see
26:55how that all works out,
26:56but we're doing that
26:56tomorrow.
26:57So thank you very much,
26:58media,
26:59thank you very much,
26:59and Mark,
27:00we're doing this.
27:00Yeah, just briefly,
27:01what I just wanted to say
27:02again,
27:03as I did this morning
27:03when I was in a panel,
27:04I want to thank you again
27:05for what you did
27:06since coming in,
27:08in January,
27:09Trump 47,
27:10basically,
27:12getting the Europeans
27:12in Canada
27:13to really step up,
27:14and that led to
27:14the enormous success
27:15we had in the A-Quest,
27:16the 5%,
27:17which is crucial
27:18to defend ourselves
27:20and to also equalize
27:21what the U.S. is speaking.
27:22This was a problem
27:23already there since Eisenhower.
27:24I always tell the Europeans
27:26you're completely committed
27:27to NATO,
27:28but there is also
27:29that one here,
27:29and that is this factor,
27:31that the Europeans
27:32were not paying the same
27:33as the last one.
27:34Well,
27:35daqui a pouco a gente volta
27:36com mais informações
27:39direto lá de Davos.
27:40O presidente dos Estados Unidos,
27:42Donald Trump,
27:42né, Guilherme,
27:43continua ali numa,
27:46em conversas bilaterais
27:47também no Fórum Econômico Mundial
27:49e a gente vai trazer
27:50ainda nessa edição do Radar
27:52tudo o que acontece
27:53lá em Davos
27:55com o presidente
27:55Donald Trump
27:56que desembarcou
27:57hoje na Suíça.
27:59Agora a gente...
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