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As crescentes tensões entre Estados Unidos e Europa levantam dúvidas sobre o futuro da Otan e a estabilidade da aliança militar. Divergências políticas, disputas estratégicas e declarações polêmicas do presidente Donald Trump têm elevado as tensões entre EUA e Europa. Para analisar esse cenário e os possíveis desdobramentos geopolíticos, o Morning Show entrevista Marcus Vinicius de Freitas, professor de Relações Internacionais.

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Transcrição
00:00Vamos conversar ao vivo com o professor de Relações Internacionais, o Marcos Vinícius,
00:04pra tentar aí ajudar a gente a decifrar o que tá passando também na cabeça dos europeus,
00:09porque antes eles tinham aliado e agora eles têm um inimigo.
00:12Então o Marcos vai poder responder isso pra gente, tem tudo de contexto internacional
00:16e vai explicar pra gente. Muito bom dia.
00:20Bom dia, é um prazer conversar com vocês sempre.
00:23E aí, de que forma que os europeus estão analisando tudo isso?
00:26Qual a sua expectativa também diante desse cenário posto pelo presidente americano Donald Trump?
00:31Os europeus estão pagando dois preços nessa história toda.
00:37Em primeiro lugar, o fato de que há muito tempo, tudo que os Estados Unidos optam por fazer,
00:45eles mais ou menos endossam nesse processo.
00:49Então, o que nós observamos ao longo dos últimos anos é uma vassalagem quase
00:55dos países europeus em relação aos Estados Unidos.
00:59E por essa razão é que eles se sentem aí justamente num processo difícil,
01:05porque se tornaram dependentes na questão econômica, na relação bilateral e na questão de segurança.
01:12Afinal, uma grande parte dos países europeus tem ali a presença militar dos Estados Unidos.
01:18Em segundo lugar, que é difícil pra Europa, é justamente qualquer tipo de manifestação
01:26quando tiveram, diversas vezes, posturas incongruentes e posturas que adotaram um padrão duplo.
01:36Veja, na atuação em Gaza ou na questão do ataque ao Iraque ou a Peganistão ou outras situações,
01:45os europeus sempre adotaram um duplo padrão de procedimento,
01:51o que revela uma hipocrisia na ação dos europeus.
01:55Você vê até mesmo pela mensagem que o Trump expôs do Macron com relação àquilo que ele tinha dito para Trump
02:04como ele achava as questões pendentes no cenário internacional.
02:10Então, a Europa paga esse preço e esse que é o grande problema e Trump entende isso.
02:14Essa divisão interna e também, um terceiro e último fator, uma liderança muito fraca da Europa hoje em dia.
02:20É, acho que esse é o principal aspecto que a gente deve considerar também, né?
02:23Não tem uma força, assim, Macron faz a manifestação, mas não é tão incisivo também,
02:27você analisa dessa forma, mano?
02:28Não, pois é. Parece que desde que a Angela Merkel saiu da Alemanha,
02:34ficou um vácuo na Europa.
02:37Mas eu queria perguntar para o professor até que ponto a gente pode contar
02:43com algum tipo de limitação de ação para um conflito mais aberto entre Estados Unidos e Europa
02:50a partir das pressões das respectivas sociedades.
02:53Porque acho pouco provável que a sociedade europeia ou a sociedade americana
02:58desejem um confronto aberto entre esses dois blocos que historicamente
03:03compartilham não apenas valores, mas também uma aliança econômica e militar.
03:09Qual a avaliação que o senhor faz?
03:13A sociedade americana e a sociedade europeia pode colocar um limite às suas lideranças
03:20para desescalonar esse conflito?
03:24É, diferentemente do sistema europeu, em que você tem a possibilidade de derrubar o primeiro-ministro
03:31muito mais rapidamente, no sistema norte-americano, que é semelhante ao nosso,
03:36isso só acontece no processo eleitoral.
03:39E no contexto atual norte-americano, a gente tem que esperar aí as eleições de meio de mandato,
03:45perder a maioria dentro do Congresso americano, seja na Câmara de Deputados ou no Senado,
03:51para a partir daí se passar a uma questão de um eventual impeachment do presidente dos Estados Unidos,
03:57que é diferente também da forma como funciona no Brasil,
04:00porque o presidente só vai ser afastado depois do julgamento acontecendo no Senado,
04:06que é diferente do nosso, que acontece imediatamente depois da declaração do impeachment.
04:10Então, este é o mecanismo existente dentro da democracia norte-americana
04:16para impedimento da ação do Trump.
04:18Os europeus sabem aí que se perderem esta questão do apoio dos Estados Unidos na OTAN,
04:27eles vão ficar ali descobertos e têm, isto que é um grande problema também dos europeus,
04:33uma russofobia muito grande.
04:35E aí, o que aconteceu neste processo, você mencionou a Angela Merkel,
04:39os Estados Unidos, a Europa tinha uma relação de dependência de combustíveis e de gás natural da Rússia
04:49e hoje em dia passou a se tornar dependente dos Estados Unidos,
04:52ou seja, trocou seis por meia dúzia neste processo de dependência,
04:55inclusive paga muito mais caro por isso.
04:58Mas o grande desafio é justamente este,
05:02o processo tem que esperar, se nós formos aí justificar,
05:07da maneira democrática, da maneira que os pais fundadores estabeleceram nos Estados Unidos,
05:13ele tem que esperar aí os dois anos para a eleição de meio de mandato.
05:17Agora, ele pode perder, ele pode perder,
05:20e Trump sabe que tem que tomar todas essas medidas o mais rápido possível,
05:26porque ele corre o risco de, a partir de novembro, se tornar um pato manco.
05:31E para ele, isto seria terrível, justamente porque ele pretende ser,
05:37como nós temos visto, um presidente refundacionista em muitos aspectos,
05:42e um presidente que deixa a sua marca em todos os lugares possíveis que você imaginar,
05:47desde a Casa Branca, até a reforma tributária,
05:51ou até mesmo a questão de saúde.
05:53Bom, Matheus Machado vai fazer a próxima pergunta também.
05:56Professor, em relação ao cenário de negociação que nós temos hoje,
06:00qual é o cenário que o senhor enxerga que seria um meio termo
06:04em que o Trump cederia um pouco essa obsessão em relação à Groenlândia,
06:08mas a Europa também ficaria, não vou dizer confortável,
06:12mas ela estaria disposta a entregar para não entrar num conflito bélico
06:16ou nessa briga de taxação que a gente já está vendo acontecer.
06:20Existe a possibilidade de um meio termo?
06:22Eu acho que nós teríamos aí um precedente complicado sendo aberto,
06:29porque a alegação de Trump na questão da Groenlândia é de defesa.
06:33Ele diz que não quer ser vizinho da China nem da Rússia.
06:37Já é da Rússia em razão do Alasca,
06:38mas ele diz que ele pretende ali constituir um mecanismo de defesa
06:45contra a China e Rússia na questão do Ártico.
06:49Então, veja que este argumento também pode ser muito assemelhado
06:55à própria decisão de Putin quando invadiu a Ucrânia
06:59sob a alegação de que não queria ter OTAN,
07:02ou seja, os Estados Unidos, na sua porta.
07:04Então, veja como os argumentos, embora distantes,
07:09vão se tornando muito parecidos nessa questão de países que têm um poder nuclear
07:15que lhes permite impor determinadas coisas,
07:20particularmente no sentido de que ninguém gostaria de ter uma guerra nuclear.
07:25Então, este que é o contraponto e é um aspecto importante do argumento.
07:30E outra coisa, e veja que interessante isso,
07:33a grande alegação da Groenlândia é justamente pelo desvelo do Ártico.
07:39E isto vem sendo resultado da questão da mudança climática,
07:44que tem se falado há bastante tempo,
07:46e que Trump tem afirmado justamente que é uma farsa chinesa.
07:51Então, fica muito difícil de ter alguém que contraponha isto neste momento.
07:56Agora, os europeus vão fazer aí todas as possibilidades de negociação,
08:00porque você pode abrir outras caixas de Pandora.
08:04Você tem aí a Venezuela, que queria anexar a Goiânia.
08:07Você tem a Rússia, com a própria questão da Ucrânia.
08:11E isso pode gerar aí outras áreas do mundo que poderão querer se basear no mesmo precedente.
08:17China e Taiwan.
08:18Exatamente. É, China e Taiwan.
08:19Marcos Vinícius Freitas, muito obrigado pela participação aqui,
08:23professor de Relações Internacionais, participando ao vivo do Morning Show.
08:29Eu que agradeço pela oportunidade, sempre.
08:31A gente que agradece.
08:32Vamos direto aos Estados Unidos,
08:35porque o Eliseu Caetano vai trazer todos os detalhes para a gente.
08:40Daqui a pouquinho a gente vai com o Eliseu, que ele está se conectando ainda.
08:42Mas eu quero saber também um aspecto que a gente está realmente de olho.
08:49Porque a gente até chegou a explorar isso.
08:52O presidente Lula fez críticas ao Trump.
08:55E aí o discurso inflamado, aquilo que rolava de química parece que se desfez.
09:00Qual que é a manifestação que a gente deve considerar, então,
09:03por parte do presidente brasileiro, o presidente Lula, fazendo essas críticas ao Trump, mano?
09:08Olha, David, o Brasil está numa sinuca de bico, né?
09:10Porque a gente acabou de assinar o acordo Mercosul-União Europeia,
09:14que ainda está em fase de implementação.
09:17A gente deseja reaproximar a relação comercial com os Estados Unidos.
09:22E os dois estão brigando entre si.
09:25A gente não quer brigar com nenhum dos dois, em tese.
09:27Não é do interesse do Brasil ter um conflito nem com os Estados Unidos, nem com a Europa.
09:33Mas o mundo fica completamente de cabeça para baixo
09:36quando a Europa e Estados Unidos começam a ter um conflito aberto.
09:40Que não é só uma questão de mercado, é uma questão ideológica também, né?
09:44É isso.
09:44Uma vez que o Lula se alinhar ao Trump, ele começa a contrariar a ideologia dele.
09:49Então tem de um lado a dependência de mercado e do outro aquilo que eu uso como discurso político.
09:54E aí...
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