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Durante agenda no Rio Grande do Sul, o presidente Lula questionou a eficácia e o respeito da diplomacia digital de Donald Trump. Lula afirmou que o americano tenta "governar o mundo" através de postagens no Twitter (atual X) e na Truth Social, gerando reações globais diárias.

O petista defendeu que é impossível tratar o povo com respeito sem o contato visual e o diálogo direto, comparando o comportamento de Trump ao desrespeito de tratar cidadãos como "objetos". A fala ocorre em um momento de tensão internacional devido aos planos de Trump de anexar a Groenlândia e à imposição de novas tarifas comerciais.

Assista à íntegra:
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Transcrição
00:00E justamente nessa terça-feira, o presidente Lula declarou que Donald Trump está tentando mandar no mundo a partir das redes sociais.
00:09Repórter André Anelli, direto de Brasília, chegando com as últimas informações.
00:13Será, André, que essa alfinetada pode ter uma relação ou pelo menos indicar o fim dessa relação mais próxima entre Lula e Donald Trump?
00:22Ou não dá pra saber? Bem-vindo, boa noite.
00:24Possivelmente não, viu, Tiago? Muito boa noite a você também e a todos aqui no Jornal Jovem Pan.
00:33Conforme a gente ouviu agora há pouco do Fabrício, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
00:39diz que gosta do presidente Lula ao confirmar esse convite feito ao Brasil para participar do Clube da Paz relacionado à faixa de gás.
00:47Esse convite ainda está em análise pelo Palácio do Itamaraty, que não tem previsão de se manifestar.
00:53Apesar desse elogio e do convite de Trump, Lula voltou a fazer críticas ao presidente americano,
01:02dizendo que ele quer governar pelas redes sociais.
01:05A afirmação é uma referência aos anúncios e até ameaças públicas recentes de Trump
01:11sobre temas como a política na Venezuela e o controle da Groenlândia.
01:16As declarações foram dadas durante um evento do programa Minha Casa Minha Vida no Rio Grande do Sul.
01:23Vocês já perceberam que o presidente Trump quer governar o mundo pelo Twitter?
01:34Fantástico!
01:35Todo dia ele fala uma coisa e todo dia o mundo fala ainda a coisa que ele falou.
01:40Todo dia você acha que é possível, gente?
01:42É possível eu tratar do povo com respeito se eu não olhar na cara de vocês?
01:48Se eu achar que vocês são um objeto e não um ser humano?
01:57Horas após essas declarações, o presidente Lula voltou a fazer críticas sobre Trump
02:03em uma outra cerimônia de assinatura de contratos para a construção de navios gaseiros,
02:09empurradores e barcaças também no Rio Grande do Sul.
02:13Na ocasião, Lula afirmou que o Brasil vai seguir buscando novos mercados para produtos brasileiros
02:20em resposta ao tarifaço dos Estados Unidos.
02:24Só nesses três anos, nós abrimos 508 novos mercados para vender os produtos brasileiros.
02:35Ah, o Trump nos tachou?
02:38Tudo bem, eu não vou ficar chorando.
02:40Eu vou procurar alguém para comprar.
02:42O que ele não quer comprar?
02:43Eu não vou ficar lamentando.
02:46Eu vou ficar lamentando.
02:47Esse tom das declarações de hoje é diferente daquele adotado por Lula no fim do ano passado,
02:58quando disse que havia química entre ele e Trump.
03:02Essas novas críticas dos discursos se somam à publicação de um artigo na semana passada
03:09em que Lula criticava a atuação dos Estados Unidos na Venezuela.
03:14Tiago.
03:14André Anelli, direto de Brasília, você volta em instância.
03:18Eu vou chamar já os nossos comentaristas aqui nos estúdios, Denise Campos de Toledo,
03:23Cristiano Villela de volta das férias, é bom começar o ano dia 20 de janeiro, né?
03:28E a Dora Kramer no nosso telão sempre.
03:30E eu vou começar, pedir licença para a Dora e para a Denise, com o Villela,
03:34que esteve nos Estados Unidos, inclusive estávamos aqui na semana do Natal,
03:38ele já estava lá, trazendo todo o clima, a situação dos Estados Unidos,
03:43e agora o presidente americano faz um balanço sobre esse primeiro ano.
03:47Bem-vindo, Villela de volta, bom te receber aqui.
03:50Tiago, uma ótima noite a você, a todos que acompanham o Jornal Jovem Pan,
03:54a Denise, a Dora.
03:55Olha, é bom começar o ano e começar o ano realmente agora fazendo um balanço
04:00desse um ano de governo Donald Trump.
04:03E se percebe claramente, o Nitesky trouxe os fatos,
04:07trouxe a demonstração de como a opinião pública encara Donald Trump nos Estados Unidos,
04:12e de fato existe ali uma parcela expressiva da sociedade, claro,
04:17que é trumpista de carteirinha, gosta, realmente,
04:20acaba sendo impactada por esse tipo de medida chamativa, né?
04:25É importante a gente destacar que nesses um ano, 365 dias de governo,
04:31não faltou um dia que não tivesse um fato, algo marcante,
04:35trazido pelo presidente americano.
04:37Então é natural que haja, sim, um certo contingente da sociedade
04:40que o apoie duramente, arduamente, em todos os momentos.
04:44Agora, por outro lado, existe um reflexo bastante negativo,
04:48especialmente no campo da economia.
04:50É consensual a existência de inflação,
04:53especialmente no âmbito dos produtos, dos gêneros alimentícios.
04:57E, de fato, isso é capaz de fazer com que a popularidade do presidente americano
05:02tenha um teto e não consiga ultrapassar esse teto,
05:06mesmo diante de tantos factóides que têm sido realizados durante todo o tempo.
05:10É, são inúmeros aspectos, né, Denise, que a gente pode discutir aqui.
05:14Daqui a pouco a Dora, claro, vai falar também sobre essa declaração do presidente Lula.
05:17Mas, de qualquer forma, a questão econômica pegou muito nesse primeiro ano, né?
05:23Boa noite.
05:24Boa noite, Tiago.
05:25Boa noite.
05:25Bem-vindo, Lela.
05:27Dora, boa noite.
05:27Boa noite a você que nos acompanha.
05:29Tiago, em relação à economia, que, aliás, não foi muito destaque no pronunciamento hoje de Trump,
05:33ele não tem muito o que comemorar.
05:35Ele não conseguiu grandes avanços em relação ao governo anterior,
05:39o governo Biden, que ele criticava demais.
05:41Ele não conseguiu a geração de empregos que esperava,
05:43mesmo com toda a ofensiva com relação aos imigrantes, que ele falava que disputava o mercado de trabalho.
05:49A taxa de desemprego encerrou ano passado em 4,4%,
05:53depois de ter chegado à faixa de 4,6%, que seria mais alta em mais de quatro anos.
05:59E com uma redução da oferta de novas vagas no final do ano, de uma forma preocupante.
06:04Isso até pesou naquelas perspectivas, apostas, quanto ao que pode acontecer com os juros.
06:09Teve a questão do tarifácio, que impactou muito,
06:11Vila até chamou atenção para a questão da inflação, mas pesou principalmente na inflação de alimentos.
06:16E a inflação fechou o ano acima, bem acima do teto da meta,
06:19fechou em 2,7%, a meta lá é 2%,
06:22e isso vem adiando cortes maiores dos juros,
06:25mesmo com toda a pressão que é feita por Trump.
06:28E todo esse processo, todas as idas e vindas dele,
06:31tarifácio, essa ofensiva dele contra diversos países,
06:35tem uma repercussão negativa do mercado financeiro
06:38pelo nível de incertezas que coloca.
06:41Então isso fez com que a economia dos Estados Unidos perdesse credibilidade,
06:45perdesse em fluxo de investimento,
06:47o dólar perdeu posição, assim como os títulos americanos,
06:50como um porto mais seguro,
06:53um ativo de defesa em momentos de maior incerteza,
06:57de maior risco, justamente porque Trump é um grande foco de incerteza.
07:00Então o mercado financeiro reavaliou todo o posicionamento
07:04e hoje chamou atenção, hoje ele está num pico de embates
07:08com relação à Europa, que pode tomar medidas retaliatórias também
07:11contra os Estados Unidos,
07:13e a visão dos investidores é que países emergentes ficariam um pouco fora
07:16das consequências desse embate entre o bloco europeu e os Estados Unidos.
07:22E aí foi retomado esse fluxo de investimentos,
07:24chamou atenção, Bolsa de Valores aqui no Brasil,
07:26batendo recorde num dia de instabilidade,
07:29de queda acentuada das bolsas nos Estados Unidos,
07:32queda que aumentou depois do pronunciamento de Trump,
07:35o dólar com pequena variação,
07:37mas teve esse movimento negativo do mercado
07:39que foi atribuído justamente
07:40a maior fluxo de investimento para os emergentes.
07:43Odora Kramer, estávamos aqui há exatamente um ano
07:46falando e comentando sobre a posse de Donald Trump
07:51e agora esse balanço do primeiro ano de mandato.
07:54Quais são os pontos que você destaca aqui para a gente?
07:57A gente falou muito sobre a questão internacional
07:59e essa declaração de hoje do presidente Lula
08:03explicitamente falando o nome do presidente dos Estados Unidos,
08:08porque muitas vezes o presidente brasileiro
08:10acaba fazendo a crítica, mas não cita nominalmente
08:14para evitar qualquer tipo de entreveira, não é?
08:17Boa noite, bem-vinda, Dora.
08:19Boa noite, Thiago.
08:21Zilela, bem-vindo.
08:22Boa ano novo, que eu não te vi ainda.
08:24Boa noite, Denise.
08:25Boa noite a todos.
08:27Pois é, olha, o pronunciamento do Trump,
08:29uma hora e vinte, depois as duas perguntas.
08:31Gente, é muito difícil avaliar,
08:37avaliar as primeiras avaliações da imprensa americana,
08:40dão conta de que ele exagerou os dados,
08:44mentiu, fez miséria, enfim.
08:46É a versão do Trump sobre um mandato,
08:50sobre um ano em que ele, naquela autorreferência habitual,
08:56tudo é a respeito dele, tudo é atribuído a ele.
09:01Uma dimensão melhor a gente tem, menor a gente também tem aqui
09:05o presidente Lula que às vezes envereda por esse caminho.
09:10Agora, a declaração do Lula, você me pede, Thiago,
09:14para analisar essa parte, a gente nota que é o seguinte,
09:18o Lula faz uma crítica, mas faz uma crítica lateral,
09:23de jeito a não ferir suscetibilidade.
09:28Você vê que ele critica o uso da rede,
09:31e erra na rede, porque não é o Twitter,
09:33o Twitter nem existe mais, nem é o X,
09:36porque é a rede do próprio Trump que ele usa,
09:40mas ele não fala em imperialismo, em autoritarismo, nada.
09:45Ele não critica o modo do Trump governar,
09:50mas sim o fato do Trump usar a rede.
09:52O que é isso?
09:53É uma maneira de não parecer submisso
09:57e de manter acesa a chama da soberania,
10:02que é uma das bandeiras da defesa da soberania nacional,
10:05que é uma das bandeiras de campanha.
10:08Então, tudo, tudo, tudo, tudo tem a ver com campanha.
10:13Então, ele critica, mas não, digamos assim,
10:19mas não provoca, não agride,
10:22não fala nada que seja contra,
10:25mesmo na Venezuela.
10:26Na Venezuela, ele vai pelo mesmo caminho
10:29de todo mundo criticando a invasão,
10:33mas nem uma palavra sobre o Trump
10:36não dá atenção retomada da democracia
10:39e fazer apenas uma conta
10:42de chegar com a questão do petróleo na Venezuela.
10:46Então, o presidente Lula critica,
10:51mas se mantém ali no limite
10:53do que ele considera conveniente
10:56para ele internamente
10:58e também nas relações com os Estados Unidos.
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