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Donald Trump intensifica o uso de tarifas e aumenta a instabilidade no comércio global. Em entrevista ao Real Time, o pesquisador do FGV Ibre e sócio da BRCG Consultoria, Lívio Ribeiro, analisa os impactos econômicos, geopolíticos e os riscos para o Brasil.

Acompanhe a cobertura em tempo real da guerra tarifária, com exclusividade CNBC: https://timesbrasil.com.br/guerra-comercial/

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Transcrição
00:00Estou de volta ao vivo com Real Time, para falar agora do presidente dos Estados Unidos,
00:05que colocou o comércio do planeta de pernas para o ar.
00:08Desde abril do ano passado, ele vem colocando, retirando barreiras tarifárias
00:12ao sabor dos interesses americanos ao redor do mundo.
00:16E o Brasil, é claro, não tem passado ao largo disso, não.
00:19Sobre essa turbulência nas relações comerciais do mundo,
00:22conversa ao vivo agora com o Lívio Ribeiro, que é pesquisador do FGV Hibre,
00:26sócio da BRCG Consultoria.
00:29Tudo bem, Lívio?
00:30Bom dia para você. Seja muito bem-vindo ao Real Time.
00:33Bom dia, Nath. Bom dia a todos que nos ouvem.
00:35Queria saber se você compartilha também dessa sensação de ter visto o comércio global
00:41ter virado de pernas para o ar.
00:44É o fim da era da globalização?
00:48Então, a gente tem que tomar um pouquinho de cuidado com isso,
00:50porque a gente tem que separar um pouco o que é o uso comercial das tarifas
00:56e o que é o uso geopolítico dela.
00:58A administração do Trump deixa muito claro que a tarifa é um instrumento de coerção,
01:03ela é um instrumento de bullying.
01:05E ela é utilizada não somente para ir atrás dos seus objetivos econômicos,
01:10mas também para fazer frente aos seus objetivos geopolíticos.
01:13A gente está vendo isso nesse exato momento,
01:16quando o Trump tem a ideia, que já tinha sido demonstrada anteriormente,
01:19a anexação da Groenlândia,
01:20e agora fala de taxar determinados países europeus que estão se opondo a isso
01:25em duas ondas.
01:27A primeira agora, em 1º de fevereiro, com uma taxação de 10%,
01:31que pode ser elevada a 25% em meados do ano,
01:35se eles não aceitarem esse processo de anexação da Groenlândia
01:38que está sendo proposto pela administração americana.
01:41Evidentemente, o comércio global é afetado por isso,
01:45mas os países, em algum nível, conseguiram se ajeitar.
01:49O comércio diminui no mundo, mas ele não acaba.
01:53O que a gente tem, de fato, é um mundo menos cooperativo.
01:56Isso é um fato.
01:57Então, se por um lado não é uma hecatombe,
02:00no sentido de que está se apertando um botão e tudo está parando,
02:04por outro lado, nós temos que entender ainda qual será o novo equilíbrio.
02:08E esse novo equilíbrio que vai ocorrer no decorrer do tempo,
02:11a gente não sabe exatamente quando a gente vai chegar nesse novo steady state,
02:16nesse novo estado estacionário de equilíbrio da economia,
02:19será um equilíbrio onde os países provavelmente vão comercializar menos entre si
02:24e vão olhar mais para dentro.
02:26E aí, nesse sentido, eu não diria que é o fim da globalização,
02:30mas definitivamente ela perde um tanto do ímpeto
02:33que a gente observou nas últimas décadas.
02:35Um momento um pouco mais protecionista,
02:38para dizer o mínimo.
02:40Livio, então, só para contextualizar,
02:42porque toda hora essas notícias e as porcentagens mudam,
02:46então, houve uma última escalada
02:48em que Donald Trump ameaçou taxar em 10% os países
02:50que se alinharem à Groenlândia.
02:52Na verdade, determinou já essa taxação a partir de 1º de fevereiro
02:57e, como você bem disse, podendo aumentar,
02:59caso não tenha uma solução até lá.
03:01Em resposta, a União Europeia acenou,
03:03com barreiras de 93 bilhões de euros.
03:06Para quem está em uma empresa que tem relações internacionais,
03:12comércio exterior, como que se faz negócios
03:14em um ambiente de tanta instabilidade e com essa dose de hostilidade também?
03:21Você tem que cobrar um prêmio maior, Nath.
03:23Não tem muito jeito.
03:24Porque é exatamente o que a gente está conversando aqui.
03:26Os 10% que entram em 1º de fevereiro,
03:28eles vão entrar em 10% no 1º de fevereiro?
03:30A gente não sabe.
03:31Eles vão subir para 25% no meio do ano?
03:34A gente não sabe.
03:35Então, toda a história da tarifação que foi observada no decorrer desse ano
03:40foi coalhada de idas e vindas.
03:42Então, você, por definição, não consegue fazer um planejamento adequado
03:46em um ambiente onde, de manhã, você tem um número, de tarde, você tem outro.
03:50Isso sem contar coisas que vêm por dentro.
03:54Por exemplo, quando a gente teve a taxação dos produtos brasileiros,
03:56a lista de exceções rapidamente chegou perto dos milhares.
04:01Então, você faz um planejamento de uma empresa que está pensando no agregado.
04:05O produto vai ser taxado e aí, eventualmente, você está numa lista de exceção
04:09ou um determinado produto que você produz sim, mas outro não.
04:13Então, na prática, tudo isso faz com que as pessoas fiquem mais defensivas.
04:16Eu acho que o limite é isso.
04:18Agora, dá para dizer como você vai se planejar
04:21tendo a administração atual americana e esse ambiente global
04:25num horizonte, eu nem diria de meses, eu diria de semanas.
04:29Não, infelizmente, a gente não consegue fazer isso.
04:31É, e a gente, quando olha agora para essa escalada das tensões
04:34entre Estados Unidos e Europa, parece que é entre eles,
04:37mas, no fim, isso acaba tendo reflexos para todo mundo,
04:39porque atinge setores estratégicos, né, Lívio?
04:42Tecnologia, automóveis, serviços financeiros,
04:45que são vitais para a União Europeia, para os Estados Unidos,
04:47mas também para a gente aqui no Brasil.
04:49O que a gente pode esperar de algum efeito cascata, assim,
04:53sobre mercados emergentes também?
04:55Ou a gente fica mais na posição de observador, por enquanto?
04:59Então, a grande questão de guerras comerciais,
05:02eu sempre falo isso, que a gente sabe quando elas começam
05:04e não sabe como elas terminam, tá?
05:06Porque o perigo, na verdade, é você ter um espalhamento das tarifas
05:11de forma a uma terceira parte se proteger da taxação original
05:15entre duas partes.
05:16Vou te dar um exemplo.
05:17Estados Unidos e China, você taxa o produto chinês.
05:20Esses produtos, eles pararam de ir para os Estados Unidos
05:23e foram para algum lugar.
05:25Um pedaço foi absorvido pelos mercados domésticos chineses.
05:27O outro pedaço foi para o mundo.
05:30E ele está entrando em diversos países
05:32e afetando as indústrias locais desses países
05:35que agora são recipientes do excesso de produtos chineses,
05:40tendo em vista que eles não entram mais nos Estados Unidos.
05:42Em algum momento, a indústria desses países
05:45pode pedir sua própria proteção.
05:47A gente acabou de ver um exemplo do gênero no final de 2025 no México,
05:50que começa a taxar importações de outros lugares,
05:54com foco grande na Ásia e na China, mas não somente,
05:57em função de uma avalanche de produtos
05:59que estão entrando na economia mexicana
06:01e afetando a competitividade e a produção da sua própria indústria.
06:05Então, no fim do dia, esse é o problema.
06:07É o efeito dominó, que a gente não sabe
06:09como é que vai desenvolver nos próximos meses.
06:11No limite, guerras comerciais são assim.
06:13Elas começam pequenas e vão se espalhando.
06:17O final dessa história, ninguém sabe qual vai ser.
06:19Não, e enquanto isso, o caminho, do seu ponto de vista,
06:24é justamente o que você mencionou agora,
06:25porque não tem espaço vazio, né?
06:27Alguém vai preencher essas lacunas quando elas aparecem.
06:31O caminho, então, para navegar nesse oceano turbulento
06:34é ir buscando novos mercados para as exportações.
06:37A gente sabe que essa abertura de mercado
06:39não é de um dia para o outro,
06:40ela leva tempo também, né, Lívio?
06:42Esse processo, na verdade, ele deveria estar acontecendo
06:45independente da guerra comercial.
06:46O tempo inteiro, né?
06:47É natural que o país queira buscar novos mercados,
06:50diversifique a sua pauta,
06:53tenha, na verdade, menos concentração de mercado
06:55de forma a diminuir a volatilidade
06:57e o risco associado à atividade exportadora.
07:00Mas, como você bem colocou, não é do dia para a noite.
07:03É um processo que exige planejamento,
07:05que exige visão de Estado, não visão de governo.
07:08É um processo que exige competitividade da indústria,
07:11é um processo que exige olhar as vantagens comparativas do país
07:15e delas extrair a maior parte dos ganhos
07:18e todo o potencial,
07:21extrair todo o potencial que esse tipo de comércio pode ter.
07:24Isso exige planejamento de longo prazo.
07:27E essa é uma característica, infelizmente, no Brasil,
07:29na qual nós não somos exatamente bons.
07:31Então, talvez esse momento seja o momento que nos faça,
07:35talvez, acordar para que, olha,
07:37a gente tem que planejar, a gente tem que tomar cuidado,
07:40a gente tem que pensar de forma plurianual,
07:42entender quais são os objetivos
07:44e navegar devagarzinho na direção desses objetivos.
07:48Nesse momento, o farol é baixo, gente.
07:50Não adianta a gente querer fazer grandes mudanças
07:53e pensar em planejamentos de longuíssimo prazo,
07:55porque as coisas estão mudando em uma velocidade muito grande.
07:58Às vezes, elas mudam, mudam, mudam
07:59e voltam para o lugar inicial.
08:01Então, a gente tem que tomar muito cuidado
08:04de separar o que é nova informação
08:06do que é ruído, do que é volatilidade.
08:09Nesse momento, pequenos passos, farol baixo
08:11e planejamento estratégico de médio e longo prazo,
08:14que é uma característica, de novo,
08:16que o Brasil deveria ter,
08:17mas que, na média, a gente não faz muito bem.
08:20E aí, no meio de tudo isso,
08:22se tem um ambiente que é multilateral,
08:24é o que a gente está vendo lá na Suíça,
08:26em Contro Anual do Fórum Econômico de Davos, Lívio.
08:29Quero saber sua expectativa para esse evento
08:32e se ele pode, de alguma forma,
08:33ter algum impacto sobre essa guerra tarifária.
08:36Não, tipicamente, o Fórum de Davos,
08:39ele é muito mais um ambiente de discussão ampla
08:42do que um ambiente de definição.
08:45Evidentemente, quando você senta à mesa
08:47e conversa com as pessoas,
08:48você diminui muito a possibilidade de ter um problema.
08:51Então, os fóruns multilaterais,
08:53eles têm, talvez, essa grande vantagem
08:55que são eventos, são fóruns de trocas.
08:58E, tipicamente, você não briga com quem você troca.
09:00Isso é importante.
09:02Mas a gente não deveria esperar desse evento
09:05uma definição objetiva.
09:07Eles não são feitos para isso.
09:09É claro que ali você vai alinhando os astros
09:12de forma a ter definições ao longo do tempo.
09:15Então, de maneira nenhuma,
09:16eu estou dizendo que um fórum como o de Davos
09:18é irrelevante.
09:19Ele não é.
09:20Mas a gente tem que ter noção
09:22do que serve, do que acontece em cada tipo de evento.
09:25E esse evento é muito mais um evento
09:27para todos estarmos juntos
09:28e pensarmos em conjunto
09:30do que para termos definições
09:32a respeito do comércio, da geopolítica
09:34ou de qualquer coisa que seja em escala global.
09:37Perfeito.
09:38Mas também acaba sendo, né, Lívio,
09:39o palco para discursos importantes,
09:41posicionamentos e reafirmação ali das retóricas, né?
09:45Sem dúvida.
09:45Sem dúvida.
09:46Isso é parte da história, né?
09:48Para você construir as negociações de fato,
09:51as negociações duras, vamos chamar assim,
09:54você precisa da construção do narrativo e do ambiente.
09:57E esses fóruns servem para isso.
09:58Perfeito.
09:59Lívio Ribeiro, pesquisador do FGV Hibre,
10:02sócio da BRCG Consultoria.
10:04Muitíssimo obrigada pela participação,
10:06pela entrevista ao vivo aqui.
10:07Volte sempre.
10:09Muito obrigado e até a próxima.
10:10Até.
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