No Direto ao Ponto, o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, analisa o cenário econômico brasileiro e discute a política monetária, a trajetória dos juros e os riscos fiscais. Segundo ele, a queda da taxa de juros depende do controle das despesas e do avanço do arcabouço fiscal, sob risco de frustração das expectativas do mercado.
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00:00Juliana. Boa noite, é um prazer, agradeço o convite. Caio, eu vou voltar um pouco num ponto que você mencionou numa das suas primeiras respostas sobre política monetária.
00:10Você falou da grande possibilidade, realmente o mercado tá muito alinhado ao fato de que muito provavelmente nesse primeiro semestre,
00:18provavelmente em março, a gente começa a trajetória de queda da taxa de juros.
00:23Até que ponto a política monetária hoje é uma política que reage a realmente pressões inflacionárias ou será que ela não tá muito mais reagindo a pressões fiscais?
00:34Isso não pode meio que frustrar um tanto das expectativas? Porque você muito bem mencionou, a gente tá num ano eleitoral,
00:42é um ano que o governo vai ter muita dificuldade, talvez pouco apetite, pouca vontade a conter gastos
00:49e o problema fiscal deve ser um problema que vai tá na nossa mesa o ano inteiro.
00:54Até que ponto, pensando do caráter técnico, como você mesmo muito bem mencionou, a gente não pode perder um pouco essa expectativa
01:04de ter uma taxa de juros realmente em queda, chegando lá aos 12, 12,5% no final do ano?
01:10Dá uma ótima pergunta. Juliana, é bom estar aqui com você também aqui nesse debate.
01:14para a gente pensar um pouco como foi a política monetária desde que o presidente Gabriel Galípolo foi indicado.
01:24O que eu quero pegar desde dezembro de 23, de 24, desculpa, na virada ali de 24 para 25.
01:30Esta sensação de que as despesas estavam fora do controle, que iriam crescer mais do que o teto
01:38e a gente ia ter uma explosão do teto em algum momento, gerou uma sensação nos agentes econômicos,
01:45eu acho que é mais ou menos disso que você está se referindo, que era assim,
01:50a inflação não depende dos juros, não depende do Banco Central, a inflação vai ter que subir para pagar a conta fiscal.
01:58Historicamente no Brasil, em outros países também, quando você tem um buraco fiscal,
02:03às vezes a inflação sobe, 2, 3 anos de inflação alta ajuda a reequilibrar,
02:08porque normalmente as receitas são indexadas, as despesas não são.
02:11Então, vira e mexe, você tem uma onda de inflação ali para dar uma reacumada na casa.
02:18Se esta é a verdade, não adianta o Banco Central subir juros ou baixar juros,
02:23a inflação vai ser determinada pela necessidade fiscal.
02:26Isso, tecnicamente, nós chamamos de dominância fiscal.
02:29É assim, o Banco Central, olha, esquece, porque o fiscal está tão ruim,
02:36que a inflação vai para onde o fiscal quiser, independente de onde você colocar a taxa de juros.
02:41Como é que o Banco Central reagiu a isso lá atrás?
02:44Ele disse o seguinte, olha, temos desafios fiscais, mas existe um arcabouço em vigor,
02:50tem um certo teto, um certo limite de despesas,
02:53e conforme vai ficando mais maduro na sociedade, que precisa ser feita uma reforma nas despesas,
03:00ao longo do tempo essa percepção vai sendo internalizada e a credibilidade na sustentabilidade da economia volta.
03:10Nesse caso, o Banco Central tem instrumento, ele sobe os juros e consegue reverter a inclinação da inflação.
03:16E foi exatamente o que ele fez, eu acho que foi uma medida bastante surpreendente,
03:21bastante dura naquele momento, dezembro do ano passado,
03:24ainda era o Roberto Campos o presidente, eles estavam em transição,
03:27e eles falaram o seguinte, olha, não só os juros vão subir,
03:30como vão subir em um ponto percentual, as pessoas discutiam se ia ser 0,50, 0,75,
03:35em um ponto percentual e por três meses seguidos.
03:39Nós vamos subir três pontos percentuais nessa taxa de juros ali.
03:41todo mundo abriu o olho e falou, esse cara aí está afim de mostrar que ele é relevante.
03:48O que o Banco Central colheu com isso?
03:50O mundo ajudou um pouquinho também, o dólar se desvalorizou no mundo, o mundo ajudou,
03:55mas esse Banco Central colheu um câmbio que se acalmou,
03:59se vocês lembrarem, nesse período de 24, 25, o câmbio chegou a 6,30, 6,30,
04:04o câmbio se acalmou, a inflação virou e ele falou, olha aqui,
04:07eu sou relevante ainda, eu funciono, a política monetária funciona,
04:13e agora vai dar até para cortar um pouco a taxa de juros muito levemente.
04:17Só que este fantasma da dominância fiscal continua.
04:23Foi compreendido de que, não, peraí, nós podemos ter reformas lá na frente,
04:27as coisas podem se ajustar, mas se nós chegarmos em 27 e a decisão for,
04:32olha, não vejo necessidade de diminuir as despesas,
04:35as despesas podem crescer, independente das metas fiscais,
04:40aí eu acho que a gente pode retomar esse processo de dominância.
04:43Então, eu acho que o Banco Central reagiu muito bem,
04:46retomou a rédea do controle aqui do processo,
04:49mas se em algum momento nós não tivermos uma ajuda um pouco mais estrutural
04:53do lado das despesas, estou pensando ali para 27, 28,
04:58a gente pode voltar a debater a questão da, olha, a inflação vai subir de qualquer forma
05:02por causa do fiscal, etc. Mas eu acho que isso é uma coisa mais ali
05:06para o segundo semestre, como eu falei aqui naquele início,
05:10pensando o primeiro semestre, o segundo semestre.
05:12O primeiro semestre está mais ou menos previsível,
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