O governo Lula (PT) tem sido criticado nas redes sociais por evitar manifestações públicas sobre a repressão a protestos no Irã, que já deixou centenas de mortos e milhares de presos, segundo organizações de direitos humanos. Enquanto isso, o Itamaraty destacou premiação internacional de um filme brasileiro e se absteve em votações da ONU que condenavam violações cometidas pelo regime iraniano.
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00:00Vamos dar sequência então, porque o governo brasileiro tem sido alvo de críticas nas redes sociais por parabenizar a equipe do filme O Agente Secreto pela premiação internacional e silenciar sobre os atos contra o regime iraniano.
00:17Desde 28 de dezembro, as manifestações no Oriente Médio vêm sendo reprimidas brutalmente, com mais de 500 cidadãos sendo mortos e cerca de 10.600 presos, segundo organizações de direitos humanos.
00:35Além disso, o regime cortou também os meios de comunicação, alegando tentar conter os gigantes atos e também impedir a difusão das imagens de revolta popular pelo mundo.
00:46Em meio ao caos vivido no país, lá no Irã, o governo Lula optou pelo silêncio, assim como também se absteve em votações relevantes da ONU, que condenavam violações de direitos humanos, incluindo a repressão a mulheres e também manifestantes.
01:06A postura foi reforçada quando autoridades iranianas agradeceram publicamente o Brasil pelo apoio contra Israel e também os Estados Unidos em 2025.
01:19Agora há pouco, Donald Trump afirmou na sua rede social que aplicará uma tarifa de 25% sobre qualquer país que fizer negócios com o Irã.
01:34Então fica agora essa expectativa dessa ameaça do Trump de impor um tarifaço justamente em relação a negócios com o Irã.
01:42E agora nós estamos de volta para toda a rede Jovem Pan e vamos análise aí desse tema do Irã, essas manifestações que cresceram, mas que o governo brasileiro procura silenciar.
01:54Eu vou começar agora então com o Luiz Felipe Dávila para falar sobre esse tema. Pode falar, Dávila.
01:59Marcelo Matos, o que está acontecendo no Irã lembra muito o que ocorreu em 1979, quando teve a grande revolução que acabou derrubando o governo do Shah e trazendo o governo do Etala, naquele tempo, Komeini.
02:17Como é que foi essa grande mudança?
02:18Era uma insatisfação, começava nos bazares, nesses centros de comércio.
02:23E isso começou a pegar fogo, ligar, ter esses movimentos de rua, derrubou o Shah e trouxe o Komeini para assumir o poder.
02:31A mesma coisa está acontecendo agora.
02:34E três coisas desencadearam essas mudanças no Irã.
02:37Primeiro, uma desastrosa situação econômica, inflação já batendo 40%, desvalorização da moeda, enorme crise econômica
02:47por causa do embargo.
02:50Segunda coisa, enfraquecimento da polícia ditatorial do governo e dos poderes do governo, principalmente do Etala, Kameinei,
03:00justamente com os ataques de Israel e dos Estados Unidos naqueles alvos militares.
03:05Debilitou.
03:06Terceiro, perda de apoio na região.
03:08Isso tudo permitiu que esta insatisfação, dessa vez, se transformasse numa gigantesca manifestação
03:17que vai muito além agora de uma reivindicação econômica.
03:22Vai em busca de mudanças políticas no Irã.
03:26E isso é muito bem-vindo.
03:28Mudanças políticas que provavelmente podem levar à queda da teocracia iraniana e à volta da um pouco mais de liberdade.
03:40Diego Tavares, estamos diante então de falta de democracia, controle das mídias, da comunicação,
03:46a repressão muito forte, ou seja, tudo que cerca a esquerda em geral, esse é o cenário?
03:52Exatamente, Marcelo Matos.
03:55E, infelizmente, nós temos que acompanhar o silêncio do governo brasileiro.
04:01Mais um silêncio nos momentos críticos da humanidade.
04:04Esse regime que vigora no Irã já há décadas massacra mulheres, persegue cristãos, viola toda sorte de direitos humanos.
04:14E quando surge uma esperança para esse povo, um povo tão oprimido, um povo que vive abaixo de uma ditadura tão sanguinária,
04:23os nossos dirigentes, ao invés de prestarem imediatamente o seu apoio, optam pelo silêncio.
04:30E, claro, isso tem uma razão estratégica muito clara.
04:34Tal como ocorre na Venezuela, existe farto material que comprova também relações do governo brasileiro
04:41e de muitos políticos aliados do atual governo com o regime iraniano.
04:47Você lembrou muito bem, recentemente, durante o ápice do conflito direto e inédito entre o Estado de Israel e o Irã,
04:56o governo brasileiro tomou o partido do Irã.
04:59Ficou ao lado dos ditadores sanguinários e não da maior democracia do Oriente Médio.
05:05Acho que isso é um termômetro muito importante para que nós façamos a avaliação dessa situação
05:10e também do silêncio brasileiro.
05:12E, claro, ficam também aqui os nossos votos de que os iranianos, novamente, um povo oprimido,
05:18possa finalmente se encontrar com a liberdade, que possam finalmente desfrutar de seu país
05:25e tomar as próprias decisões que possam, de fato, ter mais influência em relação ao cenário político do seu país.
05:32E o fato é que essas manifestações, tal como outras manifestações que nós acompanhamos no mundo,
05:38dão um recado muito claro, dão um recado de que essas ditaduras violadoras de direitos humanos
05:44não têm mais espaço no mundo, não têm mais espaço entre os países civilizados
05:51e não devem receber o seu apoio.
05:52Mais uma vez, o Brasil chega atrasado nessa pauta tão importante.
05:55É naquela linha, né, Mota? Não tenho nada a ver, não sou vizinho, então está muito longe e vou ficar na minha, né?
06:03É, a gente precisa lembrar que não é o Brasil que está tomando essa atitude.
06:10É o atual governo brasileiro.
06:13Eu garanto que nenhum cidadão brasileiro apoia o regime iraniano.
06:19Agora, é uma coisa curiosa e, para mim, era uma das coisas mais misteriosas essa aliança que existe.
06:27Não é só entre o governo brasileiro e o regime iraniano.
06:32É entre os esquerdistas, de uma forma geral, os socialistas, os militantes de extrema esquerda
06:39e os fanáticos islâmicos, como a teocracia iraniana.
06:45Como é que pode essa aliança?
06:48Como é que pode quem é de esquerda, que coloca a defesa das minorias como uma das suas pautas mais importantes,
06:57como é que pode se aliar com um regime como esse, que trata as mulheres como se fossem objetos,
07:05com uma repressão terrível, um fanatismo?
07:10Como é que pode essa aliança? De onde vem isso?
07:13Isso vem de uma coisa que os dois grupos têm em comum.
07:20Tanto os socialistas quanto os fanáticos islâmicos iranianos.
07:25É o ódio que eles têm à democracia ocidental liberal.
07:31E aí, em nome desse ódio, para ver o modelo democrático ocidental derrubado,
07:37eles topam tudo.
07:39E diante dessa possibilidade, para a esquerda, o respeito às minorias e o respeito às mulheres
07:46não significa absolutamente nada.
07:49Odávila, nós já tivemos aquele episódio que os Estados Unidos utilizaram seus aviões mais modernos do mundo.
07:56Inclusive, nas instalações, tornou um enriquecimento de urânio lá, justamente no Irã.
08:03Você acredita que pode haver uma nova ofensiva?
08:06Donald Trump tem falado aí a questão delicada, as pessoas que estão sendo presas, estão sendo mortas.
08:13Poderia escalar uma nova ação norte-americana?
08:16Acho que está no cardápio, mas não sabemos qual seria o grau desta ação militar.
08:24É bom lembrar que, quando houve a ação de Israel e também dos Estados Unidos,
08:30o presidente Trump não só pediu, não, demandou ao primeiro-ministro Bibi Netanyahu
08:38para não eliminar Khamenei, que era justamente o líder máximo dessa teocracia.
08:47Isso mostra que Donald Trump faz um cálculo diferente.
08:51O medo, talvez, seria que eliminar Khamenei poderia jogar o Irã numa situação muito ruim,
08:59de desordem política, e que isso não seria bom para a região.
09:03Então, apesar de toda a incursão militar de Israel e dos Estados Unidos naquele episódio,
09:10não eliminaram a liderança principal, como fizeram com Maduro aqui na Venezuela.
09:15Então, sempre pensando nesta maneira de não criar um vácuo no poder
09:21e criar algo que cria uma ruptura na ordem institucional.
09:27Só que, desta vez, Marcelo Matos, a população está nas ruas,
09:32a manifestação que era de insatisfação econômica se tornou política
09:38e hoje há, sim, na rua, pedido de mudança de regime.
09:41Então, como os Estados Unidos reagirão a isso é uma incógnita.
09:49E como Donald Trump não é um dos presidentes mais previsíveis,
09:53não sabemos a que ponto ele pode usar e como.
09:56Por exemplo, ele poderia usar força para atacar esta guarda revolucionária,
10:02que é justamente essa tropa de choque dessa teocracia.
10:06Se debilitar a guarda revolucionária, o povo faz o resto na derrubada do regime.
10:12Então, precisa ser um pouco mais cirúrgico nesse sentido.
10:17A guarda revolucionária no Irã equivale aos coletivos na Venezuela.
10:22Essa guarda palaciana que acaba oprimindo a população.
10:27Então, eu entendo que os Estados Unidos podem atuar, sim,
10:30mas vão atuar de uma maneira muito cirúrgica,
10:33tentando acelerar um projeto, hoje, de desejo de mudança política
10:39e de regime político do povo iraniano.
10:42Fato que não é pauta do governo, né, Diego Tavares?
10:48Sem dúvida, sem dúvida nenhuma, Marcelo Matos.
10:51A questão, essa questão, inclusive da periculosidade
10:55que os avanços do governo iraniano trazem ao mundo
10:59e a reação norte-americana em relação a isso que nós tivemos no ano passado
11:05são prova da importância desse tema
11:08enquanto um dos grandes debates geopolíticos mundiais.
11:11Eu lembro que, na época, nós repercutimos
11:14e todos os analistas foram enfáticos em dizer que os Estados Unidos
11:17não teriam acionado seu poder militar
11:20dos principais caças que eles dispõem em seu armamento,
11:23os caça B-12, para uma operação daquele porte à toa.
11:28Não fariam isso só para entregar um símbolo ao mundo,
11:31não fariam isso só para sustentar narrativa.
11:34Então, de fato, nós temos a questão da contenção do governo iraniano
11:39como uma pauta cara não só ao povo iraniano,
11:42claro que muito mais ao povo iraniano,
11:44mas não só ao povo iraniano, é uma pauta cara ao mundo.
11:48O regime iraniano já se mostrou um regime muito pouco aberto
11:53a dialogar como o mundo exige atualmente,
11:56como as relações mundiais exigem atualmente.
11:59Então, de fato, essa revolta, esse colapso das pessoas,
12:04do povo contra o governo, é a maior prova disso.
12:07E claro que, nesse sentido também, como nós estamos dizendo aqui,
12:10não está descartado uma atuação mais enfática norte-americana
12:15sobre o território do Irã.
12:18É sempre muito bom lembrar que Donald Trump tem,
12:20entre algumas de suas pretensões para o seu atual mandato,
12:23a conquista do Prêmio Nobel da Paz.
12:25Acredito eu que ele não tenha desistido ainda deste sonho.
12:29E a pacificação do regime iraniano,
12:32tal como acabou sendo, enfim, ainda espera-se a respeito disso
12:36em relação à Venezuela, pode ser mais um degrau nessa escada
12:40até essa conquista.
12:42Agora, Donald Trump é um governante que, enfim,
12:47não podemos prever quais são os seus próximos passos.
12:50É muito difícil fazer uma avaliação de qual será
12:53o próximo passo de Donald Trump.
12:55Então, tudo isso ainda fica numa zona nebulosa muito grande.
12:58Mas o fato é que esse colapso social que está ocorrendo no Irã
13:01deixa muito claro que também, por lá, o regime acabou.
13:05Então, existe mais condição de manutenção.
13:07Não, dificilmente conseguirão apaziguar esse calor
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