00:00Estamos chegando com o Jornal Jovem Pan para todo o Brasil.
00:02Obrigado pela sua audiência, pela sua companhia, os destaques desta sexta-feira.
00:07Depois de quase três décadas de negociações, os países da União Europeia aprovam o acordo comercial com o Mercosul.
00:15Assunto para o nosso editor de Internacional, Fabrício Naysk, aqui nos estúdios com todas as informações.
00:20Ontem a gente já falava que nesse horário saberíamos o resultado e o que falta agora.
00:26Não está 100% batido o martelo, não é isso? Bem-vindo, boa noite.
00:29Boa noite, Thiago. Boa noite a todos que acompanham o Jornal Jovem Pan.
00:32Ainda não está 100%, mas está chegando nisso.
00:36Agora falta a viagem de Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia ao Paraguai.
00:42Viagem programada para o próximo dia 17 de janeiro.
00:47E a assinatura também à aprovação do Parlamento Europeu, dos eurodeputados, que devem também aprovar esse projeto.
00:55Lá ainda não é certeza absoluta que passe, mas tudo indica que será sim aprovado.
01:01Isso vai encerrar 26 anos de negociações.
01:05As negociações para esse acordo entre a União Europeia e Mercosul começaram ainda no século passado, 1999.
01:14E deram um passo muito importante nesta sexta-feira, apesar do voto contrário da França, da Irlanda, da Hungria e também da Polônia.
01:23Quatro países que já haviam se manifestado contra ontem.
01:27A gente teve a confirmação da França, mas que fez isso principalmente porque sabia que seria voto vencido.
01:35E a pressão interna dos agricultores contra o governo de Emmanuel Macron fez o país se posicionar dessa forma.
01:44O que acontece?
01:45Além da aprovação nos parlamentos, a gente ainda aguarda, depois disso tudo,
01:50a aprovação nos congressos nacionais de cada um dos países aqui na América do Sul, nos países do Mercosul.
01:57Uma mera formalidade.
01:59Lá na Europa, alguns trechos podem acabar sendo diferenciados de um país para o outro,
02:05mas em geral, tudo indica para a ratificação total desse acordo entre União Europeia e Mercosul.
02:13O que vai mudar a partir do momento em que esse acordo entrar em vigor?
02:18É isso que a gente vai acompanhar aqui no nosso telão a partir de agora.
02:22Alguns produtos ficarão bem mais baratos do que a gente já está acostumado.
02:28E isso também inclui produtos que o Mercosul exporta para a União Europeia.
02:33Por exemplo, o açúcar, a cachaça, o etanol, o arroz, a carne bovina, carne de aves também, o milho.
02:42Todos esses produtos vão ter uma cota para entrar no território da União Europeia com tarifa reduzida.
02:50Ou, no caso, também tarifa zero.
02:53A maior parte desses produtos aqui.
02:55A partir do momento em que bate a cota de exportação, aí as tarifas voltam a ser cobradas.
03:02E no sentido contrário?
03:03Vamos dar uma olhadinha também.
03:05União Europeia mandando produtos para cá.
03:07O que deve ficar mais barato?
03:09Malte, whisky e azeite vão ter isenção tarifária.
03:12Leite em pó, queijo.
03:14Hum, poder comer queijo francês mais barato vai ser muito bom.
03:17Fórmula láctea infantil, também com cotas anuais de importação.
03:22Vinho e espumante também terão essas cotas, também terão regras especiais.
03:26Os produtores rurais europeus tinham muitas dúvidas em relação a esse acordo.
03:32Por quê?
03:33Porque eles acreditam que a concorrência do Mercosul é uma concorrência desleal.
03:38E aí a União Europeia colocou ali algumas salvaguardas nesse texto para agradar um pouquinho os produtores locais.
03:45Por exemplo, se um produto chegar no mercado europeu com o valor 5% abaixo do produto europeu,
03:55ou seja, um queijo brasileiro chega 5% abaixo no valor de um queijo europeu,
04:01aí vai ter uma investigação feita pela União Europeia para garantir que não esteja esse produto brasileiro,
04:08esse produto do Mercosul, tendo muita vantagem contra o europeu.
04:12O mesmo vale também para caso um produto aqui do mercado sul-americano
04:18passar a ter um aumento de 5% no volume de exportações, melhor dizendo, para o mercado europeu.
04:26Tudo isso para garantir que os agricultores possam ficar um pouco mais tranquilos,
04:31que eles não vão perder mercado dentro da Europa.
04:34Agora, esse acordo, Tiago, ele não é apenas uma questão de agronegócio.
04:40Ele tem aqui dois pontos muito importantes, principalmente para a União Europeia, em relação ao Mercosul.
04:47Primeiro de tudo, a gente está falando da criação da maior zona de livre comércio do mundo.
04:51700 milhões de pessoas vivem no Mercosul e na União Europeia, aproximadamente.
04:57Permite que os europeus tenham uma diversificação comercial.
05:01Em tempos onde os Estados Unidos aumentam as tarifas contra grande parte do mundo,
05:07fazem um acordo considerado ruim para os europeus,
05:11é importante para eles que eles tenham um mercado de mais fácil acesso, que é esse mercado sul-americano.
05:17Segundo, os europeus acreditam que eles vão ter algum tipo de vantagem
05:22na hora de negociar com o Mercosul produtos considerados essenciais, principalmente minerais.
05:28As tais das terras raras, por exemplo, poderiam estar nesse pacote, conseguir um acesso privilegiado,
05:35uma conversa mais fácil com os países daqui, pensando em outros aspectos,
05:41em outras mercadorias, outros negócios que podem ser feitos daqui para frente
05:46entre a União Europeia e Mercosul.
05:48Ainda mais porque são blocos que podem crescer no futuro,
05:51tanto o Mercosul com a entrada de mais países, quanto também a União Europeia.
05:55Bom, todo o panorama, nessa expectativa agora de que esse acordo seja realmente selado,
06:01no próximo dia 17, e o Fabrício Naits, que ainda volta aqui ao Jornal Jovem Pan,
06:06e a gente vai continuar falando sobre esse assunto. Até já, Fabrício.
06:08Daqui a pouquinho, até mais.
06:09É claro que o governo comemorou, mas antes disso a gente chama os nossos comentaristas,
06:14entrando aqui nos estúdios, Denise Campos de Toledo, Nelson Kobayashi,
06:18e no nosso telão, Dora Kramer.
06:21Eu vou começar pela nossa economista aqui. Denise, você que lá naquele início de discussões
06:28sobre o acordo do Mercosul-União Europeia, você acreditava que ia demorar tanto tempo assim?
06:33Boa noite, bem-vinda.
06:34Boa noite, Tiago Kobayashi, Dora. Boa noite a você que nos acompanha.
06:38Não, Tiago, a gente imaginava que pudesse ser um processo muito mais rápido,
06:41embora o próprio Mercosul tenha demorado muito também para chegar a um acordo,
06:45e até hoje a gente vê algumas resistências, algumas medidas isoladas,
06:49e vamos ver o processo agora de implementação de fato desse acordo com a União Europeia,
06:54que tem um potencial muito favorável, especialmente para o Brasil,
06:57não apenas em relação à balança comercial, porque nós temos uma competitividade muito grande
07:02do agro-brasileiro, mas isso pode se estender a outros setores.
07:05Até a indústria, que em princípio pode enfrentar uma concorrência maior de produtos vindos da Europa,
07:10que chegariam aqui com tarifas menores, está apostando muito na possibilidade de um estímulo
07:15aos investimentos com essa abertura maior de mercado, para que se ganhe competitividade.
07:20Nós tivemos a Fiesp comemorando essa perspectiva de acordo,
07:24e pode haver repercussões também em termos de investimentos, de modo geral, no país,
07:28em termos de crescimento econômico.
07:30Há projeções bastante favoráveis, por exemplo, do IPEA, mas estimativas de longo prazo.
07:36O resultado não vai ser tão rápido assim.
07:38O IPEA trabalha com um prazo, por exemplo, de 17 anos, um crescimento adicional do PIB
07:42da ordem de 0,46%, que parece pouco, mas não é pouco, quando se calcula mesmo o tamanho do PIB.
07:50Então é isso, é aguardar agora toda a implementação de fatos, senão haverá resistências.
07:55O acordo não foi o melhor que se poderia ter com a implementação dessas salvaguardas,
08:00mas foi uma forma de se derrubar resistências na Europa.
08:03Mesmo assim, alguns países ainda resistiram, como é o caso da França.
08:07Agora o acordo vem num momento bastante delicado para o comércio global,
08:10em que Trump tenta estabelecer novas relações.
08:14O tarifácio quebrou aquela ordem que se tinha da globalização,
08:17toda aquela normalidade aparente que se tinha em relação à globalização
08:22foi quebrada por ele na medida em que ele não respeitou acordos,
08:25esvaziou a OMC desde o mandato anterior.
08:27Então a Organização Mundial do Comércio não pode fazer nada contra essas iniciativas de Trump
08:31e é importante a formação desses blocos econômicos
08:35que conseguem expandir os negócios independentemente da força dos Estados Unidos.
08:40E como o Fabrício até ressaltou, tem essa importância.
08:43É um bloco, um acordo superior ao da União Europeia com o Japão,
08:47da União Europeia com o Canadá e dos Estados Unidos com o Canadá e México,
08:51relação que anda meio abalada pela questão do tarifácio
08:54e até com as ameaças de Trump de invadir o México
08:57por conta do controle dos narcotraficantes.
09:00Então é uma expectativa muito boa, né?
09:01Dora Kramer, apesar das resistências na Europa,
09:05será que o tarifácio de Donald Trump deu um empurrãozinho
09:09nesse acordo entre a União Europeia e o Mercosul?
09:12Senão estaria se arrastando até agora, sem previsão?
09:16Boa noite, bem-vinda, Dora.
09:18Boa noite, Thiago, Denise, Kubayashi.
09:20Boa noite a todos.
09:22Olha, o que parece que as análises que as pessoas enfronhadas aí
09:26desse assunto, chamados de especialistas, fazem é que, sem dúvida,
09:30a conturbação do Trump no Senado Internacional realmente impulsionou,
09:37ajudou a destravar, é o que se diz, ajudou a destravar o acordo,
09:42num movimento, assim, de defesa desses dois blocos, né?
09:46É muitíssimo importante.
09:49Vamos ver agora na implementação.
09:50Fico curiosa de saber como, na implementação, quais as dificuldades
09:56que haverá na implementação.
09:59Primeiro, em função dessa conturbação provocada pelo Trump,
10:04em função da posição contrária de quatro países sendo mais importante
10:09a França, será que isso vai ter algum tipo de repercussão
10:13na implementação, porque, na hora do vamos ver, é que é importante,
10:17porque, em termos de expectativa, a gente tem 26 anos de expectativa
10:22em torno desse acordo.
10:24Foi um vai e vem tremendo.
10:26Várias vezes ele esteve na bica de ser assinado,
10:31sendo a última agora para desconforto do presidente Lula.
10:35A última foi em dezembro, quando o presidente Lula queria ter o privilégio
10:42de ver o acordo assinado, enquanto o Brasil ocupava a presidência rotativa do Mercosul.
10:49Esse prazo venceu no dia 7 de dezembro, e aí, como a gente vê,
10:54por muito pouco, por pouco mais de um mês,
10:57o presidente Lula perdeu a oportunidade de incluir no cardápio,
11:04porque ele certamente faria isso, de feitos do governo dele,
11:08um acordo que estava sendo negociado há 26 anos.
11:14Mas ele faria isso certamente, certamente estaria presente na assinatura do acordo
11:20e, nessa assinatura agora do Paraguai, que se prevê para segunda-feira,
11:26ele não estará presente.
11:28Pelo menos até agora, essa é a posição do governo brasileiro.
11:32Vai ser a assinatura, a representação vai ser a nível ministerial.
11:38Nelson Kobayashi, boa noite, bem-vindo.
11:41E a Denise fala que vai demorar muito tempo, talvez, ainda,
11:45para se sentir os efeitos disso, assim que o acordo efetivamente for assinado.
11:50e o martelo for batido.
11:52Mas, quem sabe, ganhos internos aqui nós possamos ter com questões inflacionárias
11:58e até o mercado, incentivando o mercado aqui internamente.
12:01Boa noite.
12:02Muito boa noite, Thiago, Denise, Dora,
12:04todos que nos acompanham aqui no Jornal Jovem Pan.
12:06E, de fato, ainda há um caminho a ser percorrido.
12:08Estamos quase na reta final dessa jornada
12:10em busca do acordo do Mercosul com a União Europeia.
12:14É preciso que lá haja ratificação pelo Parlamento Europeu,
12:18depois aqui no Mercosul também.
12:20Depois, uma assinatura conjunta entre os dois blocos.
12:22E depois, Thiago, ainda há necessidade de uma reafirmação
12:26em cada um dos seus parlamentos internos dos países.
12:30Ou seja, no Congresso Nacional aqui no Brasil,
12:32haverá necessidade de que esse acordo seja recepcionado para ter força de lei.
12:36E aí é que vai estar valendo.
12:38Quais são os primeiros impactos positivos?
12:40A gente já sabe que, principalmente no agronegócio,
12:42haverá um grande ganho.
12:45A indústria vai sofrer inicialmente, concorrendo com os produtos europeus,
12:49mas ao longo do tempo, com troca de tecnologia,
12:51acesso a insumos europeus, tende também a melhorar.
12:55E, no final das contas, o brasileiro vai ser um grande premiado,
12:58porque vai ter acesso a mais produtos,
13:00e mais produtos de maior qualidade,
13:02e com acesso mais barato.
13:04Uma das preocupações que eu vejo alguns falando
13:06é em relação a, inicialmente, uma inflação nos alimentos,
13:09quando tiver mais mercados abertos para o produto brasileiro,
13:13e, teoricamente, isso pode gerar uma falta aqui.
13:17Aliás, uma grande procura por menos produtos,
13:20isso pode gerar uma inflação nos alimentos,
13:22mas que seria compensada de outra maneira,
13:25e a médio prazo se equalizaria.
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